Streets Of Philadelphia
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
*Fevereiro de 1999* — Flashback
POV Mayara
Perdida, sozinha... Era assim que eu me sentia e era de fato. Sem pai ou mãe para me guiar. Eu era pequena, uma criança que tivera toda infância roubada por homens gananciosos, mas desde cedo já havia aprendido a me virar. Eu esquentava a água para colocar os meus pés, o trabalho não tinha sido fácil hoje... Quando isso tudo terminaria? Talvez nunca...
Despejei a água na bacia e coloquei meus pés. Estavam inchados e arroxeados, meu corpo pedia por descanso, mas amanhã ainda teria aula...
“Eu não suporto mais isso... Mas se eu não fizer como vou manter meus pais vivos?”, meus pensamentos invadiam a sala. Eu estava irritada com tudo, como ele pode fazer aquilo comigo? E ela aceitar? Tudo por causa de um jogo! Minha vida se transformara num inferno por causa de uma aposta... Anos eu passava por aquilo, não sorria, não falava muito, uma criança frustrada... Mas não era de se estranhar que aquele tipo de coisa ainda acontecesse na Filadélfia. Eu olhava para aqueles homens como um bicho indefeso, eles não tinham piedade de mim e eu sabia que tudo iria piorar quando eu crescesse.
Fechei meus olhos e deixei que meu corpo relaxasse, meus músculos precisavam de uma folga, a dor foi sumindo, sumindo e logo adormeci.
*Janeiro de 2012
“Eu estava ferido e esgotado e não sabia dizer o que sentia
Eu não podia reconhecer a mim mesmo
Vi meu reflexo numa janela e não reconheci meu próprio rosto
Oh, irmão, você vai me deixar definhando
Nas ruas de Filadélfia?”
Eu estava lembrando de tudo que já vivi, desde pequena aprendi a sobreviver e a não confiar em ninguém, mas algo estava atrapalhando meus pensamentos.Uma canção invadiu a sala e me fez parar de lembrar todo o sofrimento...
– Quem está ouvindo música alta essa hora? – Me levantei com dificuldade e fui até a janela. Dali pude ver um garoto sentado em seu quarto e com uma guitarra nas mãos. Quem era ele? Não sabia que tinha novos vizinhos – Ah, quem se importa... – resmunguei mal humorada, porém não conseguia parar de olhá-lo, era tão... – Ah Mayara pare de idiotice!- resolvi gritar para que ele abaixasse o som – Ei abaixa isso, eu quero dormir! – gritei. Não olhei para trás, apenas fechei a janela e as cortinas e deitei-me novamente no sofá.
A música que ele tocava era linda eu admito, mas porque essa hora da noite? O som logo desapareceu e aquele maldito silêncio invadiu novamente o apartamento, o que me fez pegar no sono e dessa vez não acordar mais até de manhã...
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