Streets Of Philadelphia
9 8 - O Caso Mayara
Notas iniciais
8 – O caso Mayara
Nova York, uma cidade grandiosa, pode ser comparada com metrópoles como São Paulo ou até Tóquio. É nesse lugar que vive uma importante chefe do FBI, uma mulher independente, mas muito sozinha.
Ela vivia num mundo muito a frente do real, tinha ideias revolucionárias e por isso era sempre chamada para resolver inúmeros casos. Já salvara homens, mulheres, crianças. Porém, um caso em especial estava lhe tirando o sono e a paz.
- Senhorita Camila? – sua secretária entrou em seu escritório com alguns papeis nas mãos – Mandaram lhe entregar... – Camila segurou os envelopes com cuidado e os abriu
- Mais casos de esquemas de jogos?
- Sim, aqueles mesmos caras estão estendendo o esquema de corrupção por todo o país. Parece que abriram um bar e cassino na Filadélfia...
- Como eu queria que os jogos de azar fossem proibidos aqui... Alguma novidade?
- Recebemos denúncias de que eles estão enganado garotas, estão cometendo maus tratos á elas e dizendo que serão modelos mas na realidade serão exploradas sexualmente, mas não temos provas... – a secretária entendia como era grave tal situação. Camila deu um leve suspiro, jogou os papeis na mesa e se levantou
- Cancele todos os meus compromissos pelos próximos dias, eu irei para a Filadélfia averiguar o caso... Quem fez as denúncias?
- Bom, foi um jovem que preferiu não se identificar pra mim, mas aceitou conversar com a senhorita sem que divulguemos seu nome. Tudo bem?
- Claro, me dê o endereço que pegarei um vôo pra Filadélfia agora mesmo... – Camila pegou seus documentos, papeis importantes e partiu em direção ao aeroporto de Nova York. No caminho se pôs a pensar em como resolveria este caso. “Roger, Kébler... Onde encontrar esses homens?”, ela pensou. “Essa garota, Mayara, como deve estar meu Deus...”, a chefe de polícia procurava por Mayara durante anos, procurava deter todo aquele esquema de fraude, corrupção e exploração que Roger e Kébler haviam tramado. Mas os homens eram espertos, astutos e ricos, nunca estavam num mesmo lugar e escondiam muito bem suas vítimas. Mas com essa denúncia, a doutora Camila poderia enfim ter alguma esperança de solucionar o “Caso Mayara”, assim chamado no FBI o caso da garotinha que desapareceu quando brincava sozinha em sua casa. “Eu vou descobrir”, Camila pensou enquanto caminhava num dos maiores aeroportos do país.
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POV Stella
Eu estava realmente nervosa, saímos à procura de May, mas não a encontramos em lugar nenhum. Jimmy dizia saber onde ela poderia estar, me levou para uma cabana velha no meio do nada, mas não havia ninguém lá. Depois de procurarmos muito, acabou escurecendo e Jimmy sugeriu que passássemos a noite no carro e de manhã voltaríamos. Eu estava nervosa com tudo aquilo, já estava duvidando de Jimmy.
- Mas que droga eu jurava que era esse o lugar! Foi aqui que eu e Brian viemos na primeira vez! Alguns homens estavam lá batendo na Mayara. Foi aqui que quase morremos – ele disse indignado. Não sei se foi o pânico, raiva ou desconfiança, mas acabei descontando tudo nele
- Olha eu não entendo porque está fazendo isso! Se não sabia onde May estava não precisava ter mentido!
- Mentir? Do que você está falando? Eu realmente estive aqui com Brian! – ele disse gritando mais que eu, tratei de gritar mais
- Mentiu sim! Mentiu para me trazer pra cá, para ficarmos sozinhos e você pudesse se aproveitar! Por que eu ainda acredito que vocês homens podem ser diferentes?
- Você é louca! Eu não te chamei para vir comigo, você me seguiu porque quis! E agora está realmente muito tarde pra dirigir! – ele se virou de costas para mim – Dorme no carro você... – Jimmy saiu de perto de mim e sentou-se no chão, pegou seu celular e fez uma ligação
- Alô? Oi eu gostaria de fazer uma denúncia, eu acho que está acontecendo algum tipo de agressão contra uma garota... – ele começou a falar mais baixo até que ficou em silêncio, não pude ouvir tudo, logo voltou a falar – Sou da Filadélfia, estou morando na Rua Alberto Lanzoni numa casa de esquina, ah claro eu aceito conversar com ela sim! Se não se incomodar eu prefiro não dizer meu nome. Ok, até mais – Jimmy desligou
- Você ligou pra polícia? Isso pode ser perigoso!
- Liguei pro FBI, eu to cansado de sempre ter culpa de tudo... Vão mandar uma chefe do departamento para nos ajudar, será feito tudo secretamente... Agora eu vou dormir e você devia fazer o mesmo... – Jimmy se deitou na grama e ficou a olhar as estrelas
- Acha mesmo que vou conseguir dormir? Principalmente com você aí e... – percebi que ele estava chorando, aquilo partia meu coração, me aproximei até que deitei meu corpo ao lado do dele – Por que está chorando?
- Não to... – ele gaguejou – É que... Eu tenho saudade... Dela...
- Ela? – estremeci quando ele disse aquilo – Não sabia que tinha namorada
- Não tenho, nunca tive... Tenho saudade da minha irmã...
- Você nunca me disse nada sobre ela... – eu disse admirando seus olhos azuis, era incrível como Jimmy ficava lindo a luz da Lua.
- O nome dela era Sara Sullivan, nunca falo muito sobre isso... Ela morreu de câncer, tentamos pagar todo tipo de tratamento possível, mas não tínhamos condições. Depois da morte dela eu me revoltei com tudo, fui expulso da escola e aqui estou me metendo em mais uma roubada... – ele disse com os olhos marejados
- Eu... Desculpe... – não consegui dizer mais nada e comecei a chorar de novo
- Porque você chora tanto? – ele me perguntou
- Não choro muito, mas ultimamente tenho chorado todas as noites, por causa de duas pessoas... – meu peito estava doendo, meu coração palpitava. Jimmy ficou me olhando sem entender nada.
- Duas pessoas? Uma delas é a May certo? E a outra?
- Sim uma delas é a May, mas a outra é... – gaguejei – É você... – ele se assustou um pouco e tocou minha mão
- Porque chora por mim? Não tem porque se preocupar pequena... Eu só queria que pudéssemos ajudar Mayara e... E que você confiasse em mim... – ele abaixou a cabeça eu sem pensar lhe abracei bem forte, como se o mundo fosse acabar – Nossa assim você vai me quebrar Stella – ele riu
- Jimmy eu... Eu... Quero agradecer você por tudo e me desculpe pelos chiliques... – ele sorriu e me abraçou de volta, mais uma vez eu não consegui dizer o que sentia por ele, droga!
- Tudo bem, agora vamos descansar... – ele me puxou para perto de si e ali mesmo, aconchegada em seu peito, eu dormi. Não importava que estivéssemos no meio do nada, no frio, no mato. Eu estava com ele e sentia que nada podia me afetar
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A doutora Camila estava desembarcando na Filadélfia quando os relógios marcavam meia noite e quinze, decidiu dormir em uma pousada qualquer, precisava descansar o corpo já cansado. A mulher se dirigiu ao primeiro hotel que encontrou e ali mesmo se hospedou por uma noite, depois de um bom banho, deitou-se na cama que de tantos foram e se pôs a pensar. Olhava mais uma vez as fotografias dos procurados e da garota que desaparecera, como ela estaria agora? Estaria com eles? Ao meio destas perguntas, Camila adormeceu e se convencia, prometia que encontraria os meliantes, salvaria a moça e a devolveria aos pais, mas não sabia ela que havia muitos detalhes nessa história que nunca foram revelados.
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