Streets Of Philadelphia
29 28 - While Your Lips Are Still Red
Notas iniciais
28 – While Your Lips Are Still Red
*1 semana depois*
POV Brian
Uma semana havia se passado e eu já estava bem melhor, meus tornozelos doíam um pouco, mas eu já conseguia caminhar. Por todo meu corpo ainda existiam alguns hematomas, mas nada que não me impedisse de levar tudo numa boa. Porém eu estava um pouco triste por Jimmy e Stella, sem contar que minha situação com Mayara não ia nada bem.
Eu estava no hospital com minha mãe cuidando de mim, eu teria alta hoje mesmo, mas eu pedi que não avisassem á Mayara.
- Bom dia viado lindo! – Jimmy entrara sorridente com o café nas mãos. A enfermeira entrou brigando com ele
- Não pode entrar assim senhor Sullivan!
- Ah tia relaxa aí, o Brian me ama, não ia querer que eu fosse embora, pode ir agora que ele tá em boas mãos! – Jimmy disse piscando pra mim – Como você tá?
- Ah tudo bem, e você está feliz hein? – me arrependi de dizer aquilo, afinal eu recebi a notícia da morte de Sally ontem á noite, parece que ela teve uma parada cardiorrespiratória e não sobreviveu. Os médicos coletaram a medula de Sally e fariam a operação em Mayara amanhã, mas eu pedi que não contassem á ela. Eu queria fazer isso.
- O que foi Brian? – Jimmy sorriu, eu ia responder sua pergunta quando minha mãe o puxou pelo braço e num cantinho do quarto ela contou á ele o ocorrido. Em suas mãos estava minha correntinha que Sally roubara de Roger
- Acho que isso é seu né meu amor? – minha mãe veio até mim e sorriu, depositou a correntinha em meu pescoço e eu apenas me coloquei á sorrir. Jimmy ficou paralisado com a notícia e foi olhar a vista na janela. Claro que ele aproveitou a deixa para chorar sem que ninguém visse.
- Quero muito ver a Mayara mãe... – ela sorriu e depositou um beijo em minha testa
- Você a verá esta noite meu amor, e tudo ficará bem... – sorri
POV Mayara
Eu estava em meu apartamento, a noite chegara muito fria que até cortava minha pele fraca. Tentei falar com Stella esse tempo todo, mas ela não atendia meus telefonemas, desisti.
Meu corpo tão fraco, meus pulmões pareciam estar sem ar. A doença tomava conta de mim e eu estava morrendo aos poucos. Nenhum dos meus amigos tinha a medula compatível com a minha e isso seria minha sina. Lágrimas caíam por meu rosto até que ouvi a campanhia tocar
- Brian? – abri a porta e meu coração disparou quando eu o vi ali. Ele recebera alta do hospital e nem me avisou?
- Posso entrar? – assenti e ele passou por mim, deixando seu perfume no ar
- Fico feliz que já esteja melhor. O que quer aqui? – disse ríspida
- Precisava te ver Mayara
- Pare de olhar! Não vê que estou parecendo um monstro? – escondi meu rosto, Brian se aproximou e segurou meu queixo
- Você nunca deixou de ser linda, nunca deixou de ser forte – ele estava arrancando lágrimas e soluços meus.
- Pare, por favor... Não vê que estou morrendo? – eu disse num tom mais alto
- Não, você não vai morrer. Encontramos um doador Mayara – meus olhos arregalaram-se no ato
- Isso não tem graça Brian!
- Acha que eu brincaria com algo tão sério? — ele me abraçou – Sally queria se redimir com Jimmy e aceitou doar a medula para você.
- Meu Deus... E ela como está?
- Ela morreu ontem á noite May – comecei a chorar – Não fique assim, ela queria te ajudar. Os médicos fizeram o teste com uma amostra do seu sangue que estava com eles e com uma amostra de Sally, é compatível! – ele disse sorrindo, eu estava tão emocionada que não sabia se ria ou chorava
- Ah meu amor eu não creio! – eu sem querer disse aquilo – Quer dizer... Brian...
- Não precisa ficar envergonhada, você sabe que eu te amo me perdoe por ter te traído com aquela garota. Mayara eu fui um fraco, um ridículo talvez o maior monstro dessa história toda, mas meu amor por você nunca morreu
- Eu não sei... Eu... – ele segurou meus braços frágeis e me prendeu na parede
- Eu te amo, eu te quero mais que tudo Mayara... – ele beijou de leve meus lábios.
- Brian, como você pode sentir desejo por alguém como eu? Não percebe? Meu corpo mudou, não tenho mais aquela saúde e estou assim – apontei para a falta de cabelos em meu couro cabeludo – Não é possível alguém amar um ser assim – abaixei minha cabeça
- Eu te quero, eu vou te amar sempre. Até que seu coração pare de bater, até que seus lábios continuem vermelhos... – ele parou – Só irei embora quando você quiser – sorri delicadamente, entrelacei meus braços em volta de seu pescoço
- Não vá embora, nunca meu amor... – ele sorriu mais ainda e me beijou, assim, me pegou em seu colo e me levou para o quarto. Brian me colocou em minha cama, devagar. Ficou em cima de mim, mas tomou devido cuidado para não deixar seu peso me machucar
- Espero que eu seja diferente deles... Que eu consiga ser um homem bom pra você e... – coloquei meus dedos em seus lábios
- Nunca haverá ninguém como você meu amor... – nos beijamos um pouco mais intensamente. Brian tirou minha blusa revelando as inúmeras cicatrizes que Roger e Kleber haviam deixado – Me perdoe por você não ser o primeiro, por você ter que ver isto, deve ser nojento e...
- Pare de falar estas besteiras Mayara... – Brian começou a beijar meu pescoço, colo e seios. Ele fazia questão de beijar cada cicatriz e hematoma que havia ali.
Retirei sua blusa, onde vi seu corpo perfeito também marcado por inúmeros ferimentos e arroxeados. Brian começou a beijar minha barriga e foi descendo bem devagar, tirei sua calça e ele tirou meu short.
Quando percebi, estávamos nus, ele se movimentava devagar dentro de mim. Como pode um homem ser tão perfeito? Pensei que nunca encontraria alguém como ele.
- Depois de todo sofrimento eu finalmente estou sendo feliz, sabe, eu podia morrer agora Brian, morrer em seus braços seria o melhor fim pra mim – ele segurou minha cintura e começou a beijar meus seios enquanto eu sentia minha intimidade se contrair, era como se fosse minha primeira vez, era como se Brian fosse o primeiro e único.
- Eu prometi desde o início que ficaria com você, que cuidaria de você e vou ficar Mayara – ele dizia ofegante, eu estava cansada e Brian também, mas o desejo não nos deixava parar.
Não sei bem o que era aquilo, mas uma música começou a tocar enquanto estávamos ali, nos amando como um casal de jovens que éramos. A doce melodia parecia vir da rua, toda á base de piano e violinos. Uma letra mais que envolvente, que parecia ser feita para nós dois.
Beije, enquanto seus lábios ainda estão vermelhos
Enquanto ele ainda está em silêncio.
Descanse enquanto o colo ainda está intocado. Segure a mão enquanto a outra ainda está sem instrumento.
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão tão cegos...
Ame enquanto a noite ainda esconde a desanimadora manhã
Todo coração gentil toca sua música com carinho...
Ouvindo aquela doce canção eu e Brian enlouquecemos como nunca, dois corpos suados e cansados. Dois corpos marcados por feridas que a vida deixou, mas duas almas completas e que enfim se uniram em uma só.
- Isso foi incrível! – ele disse enquanto fazia carinho em mim e beijava minha cabeça
- Nunca esquecerei isso meu amor. Mas de onde vem essa música bonita Brian? – eu perguntei ainda com a cabeça em seu peito
- Não sei May, deve ser de alguma casa, mas é linda né? – concordei. Ele segurou sua correntinha e encaixou o Sol na Lua que eu carregava – Agora sim, estamos juntos mesmo, pra sempre – fiquei olhando em seus olhos negros que brilhavam – O que foi?
- Nada... – fiquei com vontade de chorar mas me contive, ele me segurou firme e me fez olhá-lo
- Me perdoe, por tudo que fiz, eu não...
- Shhh... Não fala nada agora meu amor, tudo já está perdoado. Não importa o que aconteça, mesmo que eu morra amanhã na operação, eu irei feliz – Brian ficou nervoso quando eu disse aquilo
- Você não vai morrer tá? Eu sei disso
- Como pode ter certeza?
- Deus não faria isso comigo, eu lutei muito á favor dele nessa história toda. Minha mãe sempre diz que somos recompensados quando dedicamos nossa vida á Deus.
- Brian, que recompensa você pensaria em ganhar?
- Nenhuma... Nunca entrei nisso tudo para sair como salvador ou heroi, apenas fiz por você. Minha recompensa é você – sorri de tamanha felicidade – coloquei minha cabeça em seu peito novamente e deixei que seu corpo quente me aquecesse – Vamos dormir que amanhã será um longo dia – concordei
- Boa noite meu amor, te amo... – eu disse fechando os olhos
- Pra sempre, até seus lábios continuarem vermelhos e seu coração parar de bater – ele disse me fazendo lembrar os versos daquela canção maravilhosa.
Em poucos minutos adormecemos, juntos. Unidos por nosso amor, nosso calor e desejo carnal, coisa de humanos não é? Mesmo diante de tantas fraquezas humanas, diante de tanto pecado, ainda sobrou um tempo para que fizéssemos o bem e agora, juntos, naquela cama, eu pude sentir pela primeira vez o que é o amor e que ele existe. Demore o tempo que for todos nós um dia encontraremos esse sentimento, e hoje eu desejava que todos no mundo encontrassem um Brian Haner em suas vidas.
“Estamos cansados de esperar a felicidade chegar, que todos no mundo sejam capazes de conhecer o verdadeiro amor e que ele não demore a chegar. Temos pressa, temos sede de esperança. Queremos descansar após tamanha luta para que um dia possamos descobrir um mundo novo, um mundo melhor.” (autora)
Fale com o autor