Streets Of Philadelphia
3 2 - I'm victim of Evil
Notas iniciais
2 – I’m Victim of Evil
POV Mayara
A última aula havia acabado e eu poderia sair daquele inferno, teria pelo menos um intervalo, assim podia me preparar para...
- Olha quem voltou? – o garoto alto de olhos azuis apareceu em minha frente, ele pulava, sorria. Puta que pariu, oh menino feliz...
- O que você quer? – perguntei com desdém
- Ah na verdade eu e Brian estamos meio perdidos e não saberemos encontrar o caminho de casa sabe? E como você é nossa vizinha... – olhei pra ele com raiva que sorria que nem um bobo
- Para de inventar desculpas para me seguir ok? — virei de costas e continuei a andar. Pude ouvir os dois conversarem
- Viu? Eu disse que essa não ia colar... Mamãe diz que sempre devemos falar a verdade e...
- Cala boca Brian! Eu não to mentindo ok? Você por acaso sabe onde a gente mora? Cara chegamos ontem, enquanto eu tentava arrumar a casa você ficou tocando guitarra no quarto! – o garoto gritou. Suspirei, porque eu tinha que ser tão mole às vezes?
- Olha, se quiserem me acompanhar até minha casa podem vir, assim vocês descobrem o caminho e não me enchem mais o saco beleza? – eu disse
- Ótimo! Brian chama o Rodrigo também!
- Rodrigo? Já fizeram amizades? Parabéns... – eu ironizei
- Ah o cara é muito engraçado, anda sozinho pela escola e então o chamamos pra andar com a gente. Pelo menos eu não tenho que agüentar o Brian sozinho... Ah, desculpe, meu nome é Jimmy
- Jimmy? Que tosco... – revirei os olhos
- Para de falar que meu nome é tosco falou? É James Sullivan, mas sempre me chamam de Jimmy
- Se você ver o apelido dele vai rachar o bico de tanto rir! – Brian apareceu rindo com os dentes cobertos de chocolate, eu tive que rir
- Cala boca Brian! Eu vou te matar! – Jimmy começou a correr atrás de Brian enquanto o tal Rodrigo puxava assunto comigo
- Olá Mayara beleza?
- Ah, tudo bem, como sabe meu nome?
- Todo mundo na escola sabe seu nome... Encontrei esses dois perdidos e resolvi ajudá-los. – Sorri. Rodrigo parecia ser aquele tipo de garoto que é confiável, mais pé no chão.
- May espera! Posso ir com vocês também? Não quero voltar sozinha... – Stella surgira com um sorriso no rosto
- Claro! Ah esse é o Rodrigo
- Ah, você deve ser a intercambista do Brasil! Todo mundo tá falando de você... Seja bem vinda –Rodrigo estendeu a mão para Stella que sorria
- Obrigada, vamos May? – assenti
- Cadê os retardados? – perguntei
- Eles vão com a gente? Ah não... – Stella suspirou
- Os caras são muito gente boa, parece que eles vieram da Califórnia
- Sério? Sempre quis conhecer a Califórnia! Deve ser tão linda – Stella suspirou como uma apaixonada, logo avistamos Jimmy e o Brian correndo até nós.
Sinceramente? Eu nunca havia rido tanto em minha vida, naqueles 15 minutos de caminhada eu não conseguia parar de rir, era como se a felicidade estivesse ali e espantado todos os meus problemas, minhas dores. Chegamos ao meu prédio, mas eu realmente não queria me despedir daqueles bobos.
- Ah já chegamos... Esse é meu prédio, querem subir? – perguntei, eles toparam na hora. Conduzi o pessoal até meu apartamento, bom não era de fato meu, mas era onde eu vivia graças aqueles homens...
- Nossa seu apê é bonito! A casa que eu e Brian alugamos é muito ruim e ainda temos que dividir quarto! Aí Mayara, tem alguma coisa pra beber nessa casa? – Jimmy disse sentando no meu sofá – Sorri
- Claro! Eu vou pegar refrigerante pra gente
- Tá brincando né? Não tem cerveja? Meu Deus que deselegante... – Brian disse mostrando a língua pra mim – Vai uma coca mesmo.
Levei o refri pros meninos e pra Stella. Passamos a tarde conversando, brincando. Foi uma experiência incrível, mas calma... Olhei no relógio e já eram sete da noite. Eu precisava sair ás oito para me encontrar com eles
POV Brian
Eu nunca consegui me divertir tanto e ainda sem beber, Jimmy contava piadas toscas pra fazer Stella sorrir, eu já me liguei na dele, sei que tá a fim da moça brasileira. Rodrigo e eu imitávamos alguns personagens de TV e filmes. Mas eu não conseguia parar de admirar Mayara, ela era misteriosa, linda, gostosa e tudo mais... Ela se divertiu muito conosco o dia todo, mas do nada pareceu nos expulsar de sua casa
- Gente já tá tarde é melhor vocês irem! – ela levantou, recolheu os copos e saquinhos de salgadinho e foi pra cozinha
- Tá expulsando a gente? – perguntei
- Não, só acho que está na hora de irem embora eu... Eu tenho um encontro! É que meu namorado marcou de sair comigo e eu tenho que chegar cedo... Vão logo que já está escurecendo! – Mayara gaguejava, com certeza estava mentindo, mas resolvi não forçar a barra
- Vamos Brian, amanhã voltamos para encher o saco da May... – Jimmy se levantou e Rodrigo também
- Eu vou acompanhar a Stella até a casa dela, vejo vocês amanhã – Rodrigo se despediu de nós
- Stella, eu... Bom, se precisar de ajuda pode ligar pra gente, você também Mayara, não precisa fazer tudo sozinha, tem amigos agora... – Jimmy deixou um papelzinho com nossos números de celulares em cima da mesa de Mayara. – Tchau... – deu um beijo no rosto de Stella que corou na hora – Tchau May... – ela sorriu, estava nervosa e ninguém entendeu nada. Jimmy era lerdo e não percebia que tinha cheiro de roubada no ar. Saímos do apê dela e nos despedimos do pessoal. Não importa o que esteja acontecendo, eu sei que tem algo errado e vou descobrir...
POV Mayara
Eles saíram apressados depois que eu quase os expulsei daqui, mas eu não tinha escolha. Fui para meu quarto e troquei de roupa. Coloquei uma saia justa e curta, uma blusinha que deixava minha barriga á mostra. Soltei meus cabelos, sapato de salto, me maquiei e pronto... Olhei meu reflexo no espelho e não agüentei, chorei. Chorei porque não agüentava mais aquela humilhação, aquela dor.
Meu rímel escorria por meu rosto, enquanto eu lembrava do sorriso de Brian, de tudo que eu vira nesse primeiro dia... Mas a alegria não é algo eterno, e a minha muito menos.
- Seja forte Mayara... – Eu disse a mim mesma. Limpei meu rosto e liguei pra ele...
- Alô?
- Tô pronta, pode vir me buscar – eu disse com voz de choro. Ele desligou. 20 minutos depois um carro importado preto parou em frente ao meu prédio. Desci e o encontrei
- Nossa tá gata hoje hein? Entra aí... – ele me pegou pelo braço e praticamente me jogou no bando do passageiro.
Logo chegamos aquele mesmo lugar, aquele cheiro, aquele...
- Anda, vamos pro quarto... – fui arrastada pro quarto dele. Lá eu me lembrava das coisas que me obrigavam a fazer, era tal humilhação que ninguém merece sofrer.
- Sabe, hoje eu estou animado, lembrei que seu aniversário é daqui a uma semana e... – ele parou de falar enquanto arrancava minha roupa – Porque tá tão tensa? Vamos, se mexa sua vagabunda – Ele me jogou no chão e me obrigou a tirar sua calça e praticar aquilo que nenhuma garota descente costuma fazer. Toda noite era isso. – Continua! Vai... – ele gemia e eu fazia o que devia... Quando terminei ele tirou a roupa e eu já estava nua. Após o sexo eu ainda teria de suportar o castigo. Quando meu desempenho não era bom pra ele eu apanhava, apanhava de socos, murros. Uma vez quebrei até a costela, mas confesso que a dor não me atingia mais.
- Para! Eu fiz o que você queria certo? Agora vou embora! – eu gritei, mas ele não me deixou ir... Nunca deixava
- Temos um trato! Eu comprei você naquele jogo lembra? Teu pai foi tão idiota que apostou casa, carro e até a filha! E confesso que fiz um bom negócio! – ele me beijava, apertava meus seios enquanto eu tentava fugir, mas era inútil.
- Meu pai é doente, viciado em jogos e você se aproveitou dele para conseguir todos os bens dele. Você o fez assinar uma procuração em branco onde ele passava tudo que tinha pra você! Kébler você é um porco nojento! – ele me deu um murro no rosto que caí no chão. Fiquei um pouco tonta quando ele subiu em cima de mim
- Vou perdoar você por tais palavras, agora vamos! Mexa-se pra mim sua puta! Eu ainda não terminei! – meu sofrimento o excitava, não tinha escolha a não ser fazer o que ele queria. Finalmente ele chegou ao ápice e relaxou seu corpo. Eu levantei com as poucas forças que me restava, me vesti – Aonde vai? Durma aqui hoje docinho...
- Vou pra minha casa... – eu disse com voz cansada.
- Nos vemos amanhã minha gata... Você foi muito bem hoje! Estou satisfeito, amanhã vamos ver alguns amigos, então durma bem e venha descansada... – ele sorriu de um modo nojento que me deu ânsia. Se apenas Kleber fosse meu problema, tudo bem, mas ainda tinha seus amigos, uma verdadeira máfia.
Saí daquele lugar, peguei um táxi até meu bairro e logo cheguei ao meu prédio, passei em frente á casa dos meninos o que me fez esboçar um leve sorriso.
“... não precisa fazer tudo sozinha, tem amigos agora...” a voz doce e rouca de Jimmy me fez suspirar e Brian? Tudo nele me encantava...
Dias, se passaram e eu continuava a sofrer calada toda noite, mas algo mudou.
Eu passei a rezar, coisa que eu não fazia, rezava por meus novos amigos, rezava por Brian pra que ele, Jimmy e Rodrigo continuassem a ser verdadeiros homens e que dessem esperança á quem os amasse um dia...
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