Stray Kids - HALLOWEEN MEGAVERSE
11 07. 『Uma fonte poderosa de magia』
Notas iniciais
Uma fonte poderosa de magia.
Dias atrás.
Flash Back on.
Eu estava abraçado ao meu namorado apenas protelando a hora de me despedir.
— Tá todo manhoso né Hyunjinnie, vem, vamos ficar mais um pouco abraçadinhos.
Me agarrei no meu Jisunguie, eu sabia que era inevitável me separar dele e apesar de saber que seriam apenas por poucos dias, eu realmente não queria isso.
— Amanhã você vai ao karaokê com a Mel né?
Falo deixando selares em sua cabeça, o cheiro dos cabelos dele é tão delicioso, sou viciado em ficar cheirando ele assim, e eu sei que meu namorado adora quando fico com esses chamegos com ele.
— Vou sim, já combinamos tudo.
— Bom que ela cuida de você enquanto eu estiver fora.
Meu namorado sorriu, sua melhor amiga vive me ameaçando caso eu venha fazer ele sofrer um dia e eu sempre digo para o Jisung que gosto muito desse jeito todo protetora dela com ele, afinal se ela o ama tanto assim e cuida dele tão bem, não tem como eu não gostar.
— E eu cuido dela, ela é a melhor amiga que eu tenho.
— Pena que ela vive querendo me bater, mas se quer saber acho que ela está certa, temos que cuidar muito bem mesmo do meu esquilinho lindo.
— Jinnie...
Ele falou se afundando em mim pela timidez que o tomou e ficamos caladinhos por um tempo, só nos aproveitando, pois logo terei que ir para minha viagem de negócios.
— Você volta logo né?
— Assim que eu terminar meu trabalho em Busan, eu volto correndo, prometo.
Ele me encarou com aquelas suas bochechas fofas.
— Vê se se cuida tá? Promete para mim que vai se cuidar Hyunjin, você é um tanto lesado e vive acontecendo coisas estranhas com você.
Ele não estava mentindo e sua preocupação comigo só me deixava todo bobo por ele, ainda mais bobo, se é que me entendem.
— Claro que prometo amor, mas você também Jisung, tome cuidado por aí, proteja a Mel, e deixe ela te proteger também, se abra com ela e ouça os concelhos dela, ela sabe das coisas.
Ele sorriu, um lindo e largo sorriso que fez meu coração derreter.
— Tá bom, pode deixar amor, agora me diz; e os maus pressentimentos que você vem tendo? Eles sumiram, ou continuam atormentando essa sua cabecinha?
— Eu não sei bem se são maus pressentimentos, Jijico, na verdade, eu não sei exatamente o que possa ser, só sinto como se algo não estivesse certo, — falo e o puxo para mim. — Só não sei bem como posso te explicar isso, talvez nem tenha explicação.
— E se eu te der uns beijinhos? Será que isso melhora?
Ele faz sua pergunta já me encarando com aquele rostinho lindo dele.
— Ah, com certeza sim, amor, e você não sabe o quanto eu quero seus beijinhos...
— Seu bobo...
— Por você!
Puxo meu namorado para um selar que começa calmo e tranquilo mais que logo dá início a algo que nós dois já sabíamos que rolaria, afinal viajo essa noite e até eu poder o ver novamente, eu sei que morrerei de saudades dele, então o momento agora é para nos aproveitarmos e nos despedirmos e foi exatamente o que fizemos.
Flash Back off.
[...]
Minha viagem foi bem tranquila, mas uma vez em Busan, todo aquele sentimento de que algo não estava certo voltou a me assolar o dia todo, todos os dias e não importava se minha agenda estava cheia de reuniões e horários a cumprir, eu passava por tudo o que tinha que passar com aquela aflição constante que vinha com um enorme aperto no peito sem fazer a menor ideia do que isso poderia ser.
— Por que sinto que estão me seguindo? — Falo para mim mesmo tentando decidir se eu já estava ficando maluco ou se de fato aquela constante sensação tinha um real motivo.
E estava assim; o tempo todo, não importa onde eu estivesse ou para onde eu fosse, eu sentia uma presença constante muito próxima a mim, uma ou mais não dá para saber ao certo e aquilo estava me enlouquecendo.
Eu estava ficando muito irritado, mas tinha que me controlar, as pessoas com quem eu tinha que estar nas muitas reuniões para fechar todos os acordos dos inúmeros projetos do meu ateliê não tinham nada a ver com a minha paranoia e se eu não quisesse ser tido como louco precisava me controlar o mais rápido possível.
[...]
Em reunião.
— Então estamos acertados Hwang?
— Sim, por mim está tudo ótimo assim, vamos conseguir excelente resultados com essas novas iniciativas.
— Excelente que pense assim também, Hwang Hyunjin como sempre é ótimo falar com você, você é um jovem de talento e muita visão para os negócios.
— O prazer é sempre todo meu senhor Park, tenho certeza que isso será ótimo para ambos os lados dos nossos negócios.
— Não há dúvidas meu jovem rapaz! Não há dúvidas! E muito obrigado pela tela lindíssima que você presenteou a minha esposa, ela amou, colocou em nossa sala para que todos vejam o original H.H exclusivo dela.
— Fico feliz que ela tenha gostado tanto assim.
Apertei a mão do senhor Park que é um dos meus clientes mais antigos e mais uma de minhas incontáveis reuniões estava finalmente finalizada e assim que saio do local da reunião onde eu estava volto a sentir como de imediato aquela força opressora sobre mim, eu tenho certeza de que tem alguém me vigiando e eu estou muito nervoso com isso.
Então decido que para o meu próprio bem devo passar em uma cafeteria e me presentear com meu tão amado ice americano, só assim eu sei que conseguirei relaxar um pouco e recobrar um tanto da minha paz, então foi isso o que fiz.
E agora com meu copo em mãos me delicio com o meu vício cafeinado e refrescante e de fato começo a sentir meu corpo relaxar um pouco então termino meu momento e decido voltar para o hotel.
— O que um bom café não faz, não é?
Falo enquanto ando descontraído para a porta da cafeteria em busca de um táxi para me levar de volta ao hotel, eu estava sim, bem mais relaxado e até um tanto feliz agora, tirando aquelas sensações estranhas e insistentes tudo estava indo muito bem comigo aqui em Busan, e assim que avisto o veículo que me levará dali vou até ele e entro já cumprimentando o motorista.
— Boa tarde, para o Commodore Hotel por favor.
— Sim senhor.
O motorista começa o trajeto e eu me permito olhar para a bela cidade através da janela, o lugar estava sendo todo decorado para os eventos de Halloween, teve eventos por todo o mês e no grande dia trinta e um, um evento ainda maior que será próximo do hotel onde estou hospedado movimentará essa cidade mais ainda com toda a certeza.
— Pronto senhor, chegamos. — A voz do motorista me tirou de meus devaneios sobre as decorações de Busan, que estavam belíssimas.
— E quanto deu a corrida?
...
Fiz o pagamento e desci do carro.
— Aí!
Ouço a voz de uma moça e sinto o baque da batida que dei nela sem querer.
— Au! — Falo me virando para ver em que eu havia batido, era de fato uma moça que estava nitidamente toda perdida.
— Me desculpe moço, eu não te vi, eu estava... — Ela parou sua fala um tanto acanhada e então continuei por ela.
— Perdida? — ela acenou que sim brevemente e eu sorri. — É eu notei... — Falei em um sorriso gentil — Não se preocupe, está tudo bem.
— Estou aqui viajando a passeio e não conheço muito a cidade, o senhor sabe onde fica o restaurante Halmaejib?
Olhei nos olhinhos perdidos dela e me compadeci, eu mesmo vivia me perdendo por aí quando comecei a viajar para cá então resolvi que a ajudaria.
— Vem comigo, vou te levar até a próxima rua e lá te mostro como chegar no restaurante.
Ela pareceu aliviada e sorriu em minha direção.
— Muito obrigada, moço.
— Não por isso, vamos lá.
Caminhei ao seu lado, mas não nos falamos muito e quando chegamos no ponto onde eu faria a indicação com mais precisão para ela eu a encaro para dar início a minha fala, mas ela estava estranha e notei que de sua boca saiam alguns balbucios esquisitos que eu não pude identificar o que seriam, mas me deixaram um tanto assustado.
— Moça?
A encarei mais de perto e vi um tom verde esquisito brilhar em seus olhos e então ela se virou para mim...
— Você vai me seguir e não irá protestar, vai agir como se fossemos amigos de longa data.
Aquilo me assustou e assim que ela parou de falar eu senti como se não fosse mais eu no comando do meu próprio corpo ou de minhas vontades e assim como ela havia me ordenado me pus a segui-la da forma mais natural possível.
Ela andava e eu ia ao seu lado, eu olhava em volta aflito, mas ninguém reparava em nós dois por de fato parecer que estávamos juntos amigavelmente e um enorme pânico me tomou, eu pensava em fugir, ordenava minhas pernas que corressem na direção oposta daquela garota, mas meu corpo simplesmente não me respondia.
O pânico me tomou e eu comecei a pensar no porquê aquilo estava acontecendo comigo e então me lembrei do meu namorado, e do que ele havia me dito sobre coisas estranhas sempre me acontecerem, e mais uma vez ele tinha razão, isso estava muito estranho e os pensamentos em minha mente estavam uma enorme bagunça.
Será que eu nunca mais o verei?
[...]
"Lana e Paul"
O casal estava em Busan para umas férias, eles tinham esse hábito de viajar juntos para conhecer vários lugares ao redor do mundo e o país escolhido por eles desta vez, foi a Coreia.
Por mais que eles morassem no mundo inteiro por não poder criar raízes em um único lugar a rota de viagens deles seguia um plano de conhecer os locais em datas de eventos especiais para poder vislumbrar como cada país ao redor do mundo comemora uma mesma cultura e para o Halloween a Coreia era um dos últimos em sua lista e por este motivo eles estavam lá.
A pouco o casal voltou a residir na França, mas isso não os impedia de olhar com atenção para as coisas ao redor do globo, a Lana que agora havia completado seus trinta e dois anos e já estava sentindo como se tornava cada vez mais difícil explicar as pessoas a sua carinha imutável de dezenove aninhos dizendo sempre que era por conta de sua genética boa, essa definitivamente não era mais uma desculpa que colava muito caso eles decidissem ficar muito tempo em algum lugar, e o Paul, seu marido estava estagnado em seus vinte e cinco anos a mais ou menos uns quinhentos anos e também sofria um pouco para disfarçar caso ficassem muito tempo em um único lugar, mas a bruxa que ganhou a imortalidade e o vampiro sempre davam seu jeito em relação a isso e a resposta mais agradável para eles era viajar constantemente ao redor do mundo e para eles essa forma de fazer as coisas nem de longe seria um problema, mas sim uma deliciosa solução.
Eles estavam aproveitando o ar festivo da cidade e desfrutavam tudo como se estivessem em mais uma lua de mel, mas dessa vez a Lana já havia comentado com o Paul algumas vezes que toda a cidade estava com um ar estranho, ela sentia que algo maligno estava deixando os espíritos ali muito inquietos fazendo com que o comportamento deles estivesse bem diferente do habitual mesmo para a época do Halloween onde tudo em todo lugar sempre se alterava muito, espiritualmente falando.
Ela também comentou com seu marido que tentaria não se envolver caso algo mais extremo acontecesse por que ela já havia influenciado em muitas coisas com o passar dos anos que por um infortúnio acabaram causando alterações significativas no curso da história humana então ela decidiu ir para o parque de diversões de Busan com o Paul para poderem aproveitar ainda mais esse passeio e tentar se distrair um pouco de tudo que ela vinha sentindo.
Em meio a brincadeiras e conversas descontraídas do casal a Lana sentiu uma magia maligna sendo usada próximo de onde eles estavam e olhando na direção em que sentia aquela força estranha ela pode ver claramente que uma necromante estava usando sua magia para sequestrar um belo rapaz e ela não gostou nada do que viu, principalmente porque ela sentiu vindo do garoto uma enorme fonte de energia mágica entendendo na mesma hora a situação em que o jovem se encontrava.
O Paul encarou sua amada enquanto segurava seu viciante algodão doce e ele também viu a necromante sequestrando o garoto e se sentiu exatamente como a Lana, notando também que aquele rapaz era dono de uma fonte poderosa de magia.
Paul, além de vampiro, era um alquimista muito talentoso, mas acima de tudo era casado com a bruxa mais forte que conheceu há quinhentos anos, então ele sabia como detectar com precisão todo o tipo de magia e apenas se voltou a sua amada para confirmar todas as suspeitas da Lana.
— Ouie chérie, o garoto é mesmo uma fonte de magia muito poderosa e sim, a necromante não quer nada de bom com ele, e meus instintos conseguem capitar a enorme vontade de matar daquela mulher, esse rapaz está mesmo em perigo.
A Lana o olhou e ele reconheceu aquele olhar sabendo exatamente o que viria a seguir.
— Eu não queria interferir Paul, mas você mesmo acabou de confirmar que ela quer matar ele e eu sinto que ele tem um papel importante a cumprir, ele não pode morrer.
— Você sabe que se for salvá-lo, provavelmente irá alterar a história novamente, certo?
A Lana concordou com ele, respirou fundo pensando por um minuto e então sorriu para o seu amado vampiro.
— Mas também tem a possibilidade de estarmos aqui justamente porque o garoto tem que ser salvo, não acha?
Paul sorriu de lado, ele sabia que ela já havia se decidido assim que colocou seus olhos naquela situação e que nada a faria voltar atrás das decisões dela, então ele colocou um pedaço de algodão doce na boca a observando por um instante.
As pessoas que passavam por eles não conseguiam não olhar para ele, pois sua alta estatura e aparência eram muito diferentes das pessoas locais, tirando o fato dele ser muito bonito e por isso enquanto eles conversavam tinham sempre muitos olhos sobre os dois.
— Vai precisar de ajuda mon amour?
Ela sorriu feliz em saber que ele sempre a apoiaria, mesmo se fosse em algo estupido e perigoso.
— Se você for não terá graça alguma, todo mundo vai morrer muito rápido...
Ela foi até ele e fez ele se abaixar em sua direção até que ela pudesse deixar um breve selar em sua bochecha e também uma mordida ali, fazendo com que ele desse uma risada baixa e rouca.
— Me espere em meia hora na roda gigante.
Ela se virou de costas e os dois separaram seus caminhos, e ela fez uma magia invocando seu corvo familiar e assim que ele apareceu, ela lhe disse o que queria dele.
— Me leve até o garoto.
E os dois sumiram dali.
[...]
Hyunjin POV.
Eu estava em completo estado de pânico, eu só queria fugir das garras dessa maluca que até agora não havia revelado o que de fato ela queria de mim, mas sem ter o controle do meu próprio corpo, só o que me restava era seguir aquela garota por um caminho estranho que logo se mostrou ser a entrada de uma área florestal, eu tentei, queria muito perguntar a ela o que estava acontecendo e para onde ela estava me levando, mas eu simplesmente não consegui reproduzir som algum.
Seguimos por um caminho agora desconhecido por mim e no mesmo instante em que pisamos na floresta comecei a sentir fortes dores de cabeça e também fortes enjoos, eu quis com todas as minhas forças poder parar e vomitar, mas meu corpo não me obedecia de jeito nenhum e eu apenas continuei andando; seguindo aquela mulher sem fazer a mínima ideia do que aquela louca queria de mim e estar assim no escuro era desesperador.
Ela pode querer me matar, e eu não faço ideia de como me livrar dela.
[...]
Pouco tempo depois paramos subitamente e a mulher me empurrou para o centro do que aparentava ser um círculo de pedra e finalmente pude sentir meu corpo voltar a me responder e a primeira coisa que fiz sem mais conseguir me aguentar foi vomitar, a dor que eu sentia em minha cabeça era terrivelmente forte e por mais que eu pudesse me mover agora a dor que me dominava fez com que eu apenas conseguisse me deitar em posição fetal para tentar de alguma forma suportá-la.
Avistei a mulher que me levou até ali fazer algo que mais pareceu como um chamado e em seguida várias pessoas em vestes pretas e totalmente encapuzadas apareceram no lugar onde estávamos e então ela começou um discurso insano para eles sobre espíritos e monstros que tinham sede de sangue e magia e por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia prestar muita atenção em tudo o que ela dizia e a única coisa que se passava em minha mente era "de novo não..." por já não aguentar mais todas essas coisas estranhas que aconteciam comigo no decorrer de toda minha vida.
Acreditem, como o Jisung me disse antes da minha viagem a Busan, essa não era a primeira vez que algo assim me acontecia, inclusive se eu voltar a vê-lo ele irá surtar quando souber e talvez nunca mais me deixe viajar sozinho outra vez.
Quando eu novamente tentei me focar no que aquela mulher dizia, consegui ouvir sua fala com precisão.
— Tortura, para limpar a alma do ímpio!
E assim que ela se calou, eu comecei a me contorcer de dor, eu sentia minha pele se rasgando enquanto aquela louca gritava, eu sangrava e tremia e ninguém ali parecia se importar comigo.
— MORTE AOS DEUSES! E QUE COMECE A ESCURIDÃO!
Ela gritou e os demais ali se uniram a ela, as lágrimas rolavam meu rosto e até o leve toque delas em minha pele me doía a face, então fechei os olhos e pensei em minha vida, no meu namorado, e em toda aquela insanidade que eu estava vivendo, tudo se misturava em pânico e dor dentro de mim e sem ter mais forças para ir contra tudo aquilo, eu comecei a me entregar a uma escuridão que me envolvia e então eu ouvi.
— Hoje não querida, hoje morrerão apenas os malucos mesmo.
Senti aquela dor horrível me deixar instantaneamente e quando consegui, me sentei para olhar melhor o que acontecia ali e foi quando vi uma moça baixinha parada entre duas árvores próximas de onde eu estava e em suas mãos havia uma energia meio arroxeada que as iluminava lindamente, a meu ver.
Ouvi um corvo e quando olhei para ele o animal estava pousando perto de minha mão, ele me encarou como se estivesse me confortando e a mulher que me sequestrou estava agora urrando de dor enquanto seu corpo estava tomado por chamas e eu pude ver a pele dela começar a se decompor como se estivesse caindo ácido sobre ela.
Uma visão horrível, mas certamente muito reconfortante para mim pois agora eu estava livre dela.
Os encapuzados ao meu redor começaram a recitar cânticos enquanto aquela moça que parece ter vindo em meu socorro ria e eu pude sentir que uma energia me envolvia de forma gentil e calorosa.
"Ela está me protegendo deles" — Pensei e aquilo me fez sentir mais tranquilo e aliviado.
Sim, eu estava protegido, e por mais que os encapuzados tentassem me atingir, suas tentativas eram frustradas pela minha salvadora.
— Aí, que se fodam vocês, estou sem paciência para isso.
Ela falou e com um único gesto de mão da garota todos ali com exceção de mim começaram a pegar fogo e se dissolver dentro de suas vestes e a moça se virou e começou a vir na minha direção.
— Desculpe a demora querido, logo, logo você ficará bem de novo okay?!
Ela falou estendendo sua mão em minha direção e eu aceitei seu gesto de bom grado, afinal ela acabou de salvar a minha vida e estava nitidamente me curando e assim que senti o toque caloroso da mão dela na minha me senti totalmente bem novamente, não havia mais dores ou sequer machucados em meu corpo e até as minhas roupas me vestiam impecavelmente mais uma vez como se eu estivesse acabado de tomar um banho e me arrumado naquele exato instante.
— O que posso dizer senão um muito obrigado?
Falei genuinamente agradecido e com certa timidez e ela sorriu para mim.
— Está tudo bem, mas agora precisamos sair daqui, meu marido está nos esperando na roda gigante.
Sorri de volta, mas eu estava tão perdido e confuso que precisei fazer algo para melhorar o estado das coisas em minha mente.
— Certo, vamos sair daqui... — fico um pouco receoso, mas prossigo. — Me chamo Hwang Hyunjin, e você?
— Sou a Lana muito prazer.
Ela falou ainda de forma muito gentil.
— Lana... o prazer é literalmente todo meu, acredite. — Ela sorriu novamente e eu a acompanhei com um riso fraco. — Me desculpe perguntar assim, mas o que você é exatamente Lana? E afinal, o que foi que aconteceu aqui?
— Entendo toda sua confusão, tudo bem em perguntar o que quiser está bem?
Ela manteve seu tom gentil comigo e seu sorriso acompanhava sua fala.
— Obrigado.
Falo um tanto mais aliviado, eu estava com medo de parecer rude com a minha salvadora.
— Bom, o que eu sou? Uma bruxa! — Ela me encarou e por ver que eu não a interromperia, ela prosseguiu. — E o que aconteceu aqui? Bem... como posso te explicar isso de uma forma mais sucinta, aqueles que o sequestraram eram necromantes, e pelo que sei eles queriam libertar algo maligno que está agitando e muito os espíritos aqui de Busan, e você querido, estava bem no meio disso tudo por ter sido escolhido para o sacrifício que o libertaria, e eles terem escolhido por usar você provavelmente se deu por que você Hyunjin, é o dono de uma forte energia mágica.
Eu a ouvia com toda minha atenção e a cada palavra que ela dizia mais atônito eu me sentia.
Necromantes... sacrifício...
Eu? Dono de uma forte energia mágica?
— Que loucura...
Falei baixinho, depois de tudo o que vi e senti era impossível não acreditar em tudo que a Lana me disse.
— Pois é... muita coisa eu sei, mas vai assimilando, no seu tempo querido.
— Vou tentar...
Continuamos a caminhar lado a lado até que chegamos no parque e eu a acompanhei até a roda gigante onde o marido dela estava mesmo a esperando, ele estava sentado olhando para o brinquedo e envolta dele um grupo de meninas começavam a o cercar.
— Que bom que vocês chegaram — ele falou em meio a um belo sorriso assim que nos aproximamos dele — Eu não aguentava mais responder se eu sou um ídol ou não.
Ele reclamou em um tom brincalhão.
— A culpa é sua por ser bonito demais.
A Lana o respondeu fazendo seu marido rir largamente, e eu não pude deixar de reparar que de fato ele era muito bonito, ele tinha uma voz grave e marcante, mas seu tom era gentil e educado.
— Hyunjin, este é o Paul, meu marido.
— Prazer garoto.
— O prazer é meu... — Respondi ao seu cumprimento de mão e senti como o aperto dele era forte. — Você também é um bruxo?
Nem notei que eu poderia ter sido muito invasivo, quando dei por mim já havia perguntado, mas ele não pareceu se incomodar com a minha indiscrição.
— Um vampiro.
O Paul falou se inclinando em minha direção e naquele momento eu já não duvidaria de mais nada.
— Aaah sim...
A Lana riu da minha cara, com certeza eu parecia um bobo diante deles.
— Hyunjin, vem, vamos caminhar um pouco.
Segui o casal a pedido da Lana e começamos a caminhar.
— Sabe Hyunjin, você provavelmente é descendente de algum feiticeiro.
— Eu sou?
— Sim, mas infelizmente você já passou da idade normal para ser iniciado ao mundo da magia e por isso a mágica que está em você é muito instável, o que é um tanto perigoso pois acredite em mim, a magia que você carrega é algo muito poderoso.
— Meu senhor... que loucura...
Eu mal sabia o que pensar de tudo aquilo, tanta coisa em um único dia e essas descobertas sobre mim me fizeram tontear.
Nada parecia real, mas dado as circunstâncias não haveria outras explicações para tudo aquilo, então eu não podia ignorar tudo que estava me sendo revelado pela Lana.
E eu que achei minha reunião com o senhor Park demais para mim, aquilo não foi nada comparado a tudo isso.
Como demorei a voltar a realidade a voz da Lana veio me buscar em meus devaneios e eu me peguei voltando a prestar atenção no que ela dizia.
— É, eu te entendo bem, eu passei por isso também e na época foi algo muito perigoso, não só para mim, mas também para todos a minha volta, e agora que sabe disso, você precisará fazer uma escolha.
— Certo, e qual seria essa escolha?
— Você poderá selar os seus poderes mágicos, ou poderá encontrar alguém que se responsabilize por ensiná-lo tudo o que você precisa para poder usar os seus poderes da forma correta.
Franzi o cenho, que escolha eu faria? Logo de cara não faço ideia do que responder a ela e a verdade é que eu gostaria muito de saber mais sobre tudo isso.
Mesmo com toda essa loucura, a curiosidade sobre quem eu realmente sou estava tomando largas proporções em minha mente.
— Aqui, pegue isso.
Ela me estende a mão com um cartão entre seus dedos e eu o pego já o encarando e vi que nele tinha o nome de uma mulher.
— A Donatella está morando na França atualmente, e pelo que sei ficará um bom tempo por lá, então se você escolher por dominar os seus poderes ela será uma excelente opção de mestra e isso eu posso te garantir e caso você escolha por selar sua magia ela também poderá fazer isso por você então assim que se sentir pronto procure por ela, vou avisá-la sobre você não se preocupe com isso.
Prestei atenção em tudo o que a Lana me disse e me senti um tanto aliviado por saber que terei quem possa me ajudar com tudo isso.
— O que eu posso dizer sobre tudo isso, não é? Parece que fui nocauteado... — Era exatamente assim que eu me sentia naquele momento e a Lana apenas sorriu enquanto me observava. — Inclusive, nem sei como lhe agradecer por toda sua ajuda e esclarecimento.
— Não me agradeça querido, eu jamais o deixaria naquela situação para morrer, dá para sentir o quão importante você é, e o quão seu coração é bom também e você Hyunjin, é alguém que vale muito a pena, saiba disso.
Estávamos quase nos despedindo, eu seguiria meu rumo e tomaria minha decisão, mas do nada eu senti um forte impulso de voltar para a floresta e aquilo me deixou muito aflito.
— Lana...
— Oi querido.
— Eu sinto que preciso voltar a floresta agora mesmo, mas não sei bem o que fazer.
O casal em minha frente sorriu docemente para mim.
— Seu propósito era mesmo salvá-lo chérie, e provavelmente o dele vai se revelar agora.
O vampiro falou para a bruxa que sorriu mais ainda e veio em minha direção.
— Provavelmente você tem razão, Paul.
Ela se aproximou de mim e balbuciou umas palavras desconhecidas.
— Fiz um feitiço de proteção para você querido, agora siga o meu corvo jovem Hyunjin, ele vai ajudar você a encontrar seu destino.
Acenei brevemente para o casal me sentindo extasiado e em seguida comecei a correr seguindo o corvo como ela havia me instruído.
[...]
Eu estava mexido, acabei de sair de uma situação de perigo, e dentro de mim eu tinha plena certeza que agora corria para mais uma, mas eu sabia que precisava ir e sentia isso com uma força inexplicável que me tomava por inteiro e a cada passo que eu dava eu sentia uma energia crescendo em mim e essa não me causava medo apesar de eu saber que mesmo assim poderia ser muito perigoso.
Depois de um tempo o seguindo, vi o corvo desacelerar seu voo e se virar para mim e com um breve aceno de sua cabeça em minha direção ele subiu aos ares e foi sumindo em meio a uma fumaça que era mesclada nas cores azul e roxo me deixando sozinho ali que era provavelmente onde eu deveria estar.
Comecei a andar com cautela até que me vi diante de uma clareira onde havia mais um altar e ali tinha uma moça acompanhada por um belíssimo Goldem Retriever que estava olhando para o outro lado em uma posição de defesa e então eu decidi chamar a atenção para que aquele cão não me atacasse.
— Olá...
Falei timidamente e a moça me olhou com seus olhos arregalados pelo susto que levou e eu a senti me analisando por um instante enquanto vi uma luz amarela saindo de uma de suas mãos e para meu alívio o olhar daquela moça foi mudando de assustado para um olhar que parecia levar mais esperança e um pouco de preocupação.
— CORRE! ENTRA NO CÍRCULO OU VOCÊ SERÁ ATACADO POR ALGUM MONSTRO!
Corri em direção a ela e assim que me aproximei o suficiente eu pude a ouvir sussurrar um "eu permito" e no mesmo instante eu senti meu corpo passar por algo como se fosse uma barreira mágica.
Uma vez dentro do círculo, olhei para uma espécie de espelho de luz que aquela moça estava criando magicamente e vi várias cenas passando nele até que uma das cenas que eu vi me paralisou em um completo pavor.
— Jisung... Mel... não!
Falei baixinho por ver meu namorado e a sua melhor amiga pelo espelho daquela moça, os dois corriam pelo corredor que logo reconheci que era do karaokê favorito deles, o corredor que já era longo, estava ainda mais enorme e enquanto eles corriam, eles eram perseguidos por alguém que jogava adagas em sua direção os acertando e os machucando e o mesmo pavor de antes voltou a me tomar.
Olhei para a moça comigo em completo desespero e ela me encarou de volta com um semblante aliviado enquanto me disse...
— Estamos salvos.
A fala daquela moça pareceu levar um tom mais aliviado e seja lá o que estiver a minha espera, agora eu sei que posso ser de alguma ajuda para seja lá o que estiver acontecendo aqui.
E eu farei o que estiver al meu alcance para ajudar.
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