Stray Heart

17 Extraordinary Girl


Notas iniciais
Antes de tudo, queria pedir para que não me odiassem por não ter postado mais cedo. Eu quis deixar para postar este capítulo hoje. Porque hoje é uma data importante: faz um ano desde que eu postei o primeiro capítulo de Stray Heart!! Eu nunca fiquei tanto tempo preocupada em escrever uma fanfic só, muito menos uma desse tamanho, e com tantos leitores adoráveis. Mas eu só tenho que agradecer a vocês! Aos que leram desde o começo, aos que começaram a ler no meio, aos que leram tudo num dia só. Obrigada por acompanharem minha fanfic bobinha!! uwu Sem mais delongas, aqui vai o capítulo!

Arthur saiu cedo no dia seguinte – cedo demais -, por dois principais motivos. Ele não queria socializar com o outro garoto. Depois do que havia acontecido, era quase impossível olhar para Alfred por mais de dois segundos, ou conversar com ele normalmente e até mesmo xingá-lo, como costumava fazer com a maior casualidade do mundo.

O outro motivo da fuga foi que Arthur estava honestamente constrangido. Ele não sabia o que lhe levara a... A beijar o seu amigo do nada. Foi uma espécie de ato automático, como se Arthur estivesse em transe, e a única ideia que quisesse passar por sua mente naquele momento fosse aquela. E foi a ideia que permaneceu tomando conta dele durante o beijo, até que algo pesado a esmagasse. A culpa e a vergonha.

Acima de tudo, Alfred tinha uma namorada. E o punk não era do tipo de pessoa que... Fazia coisas assim. Ele não queria ver Madeline triste por sua culpa, e muito menos causar ressentimento em Alfred.

Depois... O punk podia ser gay, mas Alfred... Na verdade, Arthur não sabia. Porque em algum ponto daquela cena, ele jurou sentir que... Alfred realmente estava gostando. Por mais que ele tivesse ficado paralisado – é claro, qualquer um ficaria em choque ao ser subitamente beijado pelo seu amigo do mesmo sexo -, houve um momento no qual ele aparentemente reciprocou. No entanto, com sua visão pessimista da vida, Arthur considerou aquilo como uma metáfora idiota, que pretendia usar para fingir que o loiro havia... Sentido a mesma coisa que ele.

Porque Arthur tinha sentido algo dentro dele entrando em combustão, como se houvessem jogado gasolina num fósforo que se recusara a apagar antes. Sem que ele pudesse prestar atenção, tudo já estava em chamas, e se não tomasse cuidado, ia acabar desabando.

Arthur não estava pronto para ter tanto peso sobre si, pressionando-o contra o chão. Impedindo-o de respirar. E incapaz de se defender, por mais forte e corajoso que costumasse parecer na sua fachada de punk.

–-

O som da porta fechando foi como um alarme – Elizabeth apareceu na frente do garoto em poucos segundos.

Ele a avistou, mas abaixou a cabeça logo depois. A mãe examinou-o, como se estivesse lhe dando tempo para se preparar para a bronca.

–... Arthur – Ela disse, parecendo tentar o seu máximo para soar firme e rígida.

O garoto olhou para cima. E recebeu um tapa no rosto.

Ele não moveu a cabeça, e ficou fitando a parede do seu lado direito. Sentiu os olhos ficarem úmidos contra a sua vontade, e lutou contra as lágrimas, fungando.

Elizabeth tinha o punho cerrado e os olhos bem abertos. Ela parecia estar... Assustada do que ela mesma havia feito. E queria pedir desculpas ao filho e abraça-lo. Só que, tentando se guiar pela razão, sabia que era o que o garoto merecia.

–... Arthur Kirkland. Quero que você me responda... O que tinha na cabeça para pensar que podia sair de casa e desaparecer por uma noite inteira...?

Arthur mordeu o lábio e olhou para o assoalho novamente. A voz dele era fraca, como se assumisse que era um completo perdedor.

– Desculpa, mãe...

– Eu não pedi desculpas, Arthur. Eu pedi explicações. Você desapareceu, e o Scott disse que não sabia aonde você tinha ido. Eu fiquei morrendo de preocupações. Cheguei até a considerar ligar para a polícia, mas o seu irmão disse que você ia voltar. Por deus, aonde você foi?

Ele prendeu o ar que respirava.

–... Eu dormi na casa do Alfred, se é o que quer saber – Ele começou, e sentiu uma onda de calor em seu corpo ao tomar a própria frase com outro sentido que só ele entenderia.

– Não lembro de ter deixado você ir pra lá. – Ela hesitou, e sem resposta, enfatizou a frase como uma pergunta. – Eu deixei?

–... Não, mas—

– Não vai mesmo me explicar, Arthur? Esqueceu da conversa que tivemos? Eu não tolero que você continue me desobedecendo assim! Pra começo de conversa, eu não devia ter tolerado você pintar o cabelo ou colocar esses piercings, e muito menos andar sozinho por aí, pra ser influenciado por gente de mau caráter! Não quero... Que meu filho se torne um desses... Adolescentes vagabundos. Porque é isso que você está virando! Só vai ser pior pra você, não entende? Vou ter que estender ainda mais o seu castigo se continuar fazendo isso! Vou ter que tomar a sua guitarra, porque você não merece mais o dinheiro que eu gastei!

Ela parou ao perceber o quanto havia aumentado o tom de voz, quase a ponto de perder a cabeça. Arthur ainda estava encarando o chão, com os ombros encolhidos. Uma lágrima pingou no chão. Ela suspirou.

– Não queria ter que brigar com você desse jeito, mas... Eu só estou tentando ser uma boa mãe. Sabe disso, filho?

Ele fez o máximo esforço para assentir. Não queria olhar para ela. Não queria olhar para ninguém.

– Ei, que gritaria é essa?! São oito e meia da manhã, pô! – A voz familiar do indesejável irmão de Arthur veio do corredor.

O garoto quis responder com um palavrão descarado, mas ele mal tinha motivação para falar. Ignorou-os. Subiu para o seu quarto e trancou a porta, jogando-se na cama e tapando os ouvidos com as almofadas, para não ouvir a discussão entre a mãe e o irmão no térreo.

Agora se sentia ainda pior do que antes. Sua própria mãe tinha lhe insultado e lhe machucado. E ele queria... Falar com alguém. Falar o que queria ter dito para ela, e tudo o que estava sentindo. Ele sentia como se dentro de si houvesse uma mistura de tudo que era capaz de arruiná-lo, como se houvessem batido tudo no liquidificador e o obrigado a engolir de uma vez só.

Ele pegou o celular, depois de alguns minutos gastando seu estoque de lágrimas – as inúteis e imprestáveis -, e abriu a conversa com Alfred. Até tentou escrever alguma coisa, e começou com um simples “Hey”. Não foi capaz de mandar, e apagou, tentando outra coisa. E outra, e outra.

“Bom dia”

“Alfred”

“Desculpa ter sumido mas”

“Posso falar com você”

“Eu preciso falar com voce”

“queria falar que eu”

“eu so quero falar com vc”

E apagou.

Mentalmente, Arthur escreveu várias outras frases, e até imaginou como seria a provável resposta. Mas ele sabia que seria inútil escrevê-las, com as mãos trêmulas. Ele nunca as mandaria, de qualquer forma.

– Sou um covarde – Ele murmurou para o travesseiro, abraçando-o em seguida. No entanto, ele não tinha aquele calor confortável, que lhe dava o sentimento de “você não está sozinho”.

–-

A primeira coisa que Alfred fez após abrir os olhos e tomar consciência de que estava acordado – além de relembrar o que havia acontecido no dia anterior, que foi a primeira coisa que se passou por sua cabeça -, foi olhar para o colchão no chão.

Os lençóis estavam dobrados, junto com a camisa do batman e a calça de moletom. Alfred deu um pulo da cama e olhou para os lados, desorientado. Ele já tinha ido embora? Mas ainda era nove da manhã!

A expressão do garoto se tornou um pouco desapontada. Ele estava imaginando que seria um pouco constrangedor falar com Arthur de manhã, depois do que havia acontecido. Mas ainda assim... Alfred queria muito ver como ele acordava com os cabelos bagunçados, e aquele jeito perdido e sonolento. E adorável.

Ele sacudiu a cabeça com a imagem e agarrou o celular sobre a mesa, antes mesmo de procurar pelos óculos. Esperou que houvesse alguma mensagem dele, ao menos, explicando o porquê de... De tudo. Ou falando qualquer coisa, sinceramente. Ele aceitava até um xingamento, pois estava acostumado a eles. Mas não havia nenhuma notificação sequer. Ele pressionou o chat com Arthur, apenas para ver a foto dele, mas parou ao ver que a conversa tinha sido visualizada há menos de meia hora. Então ele considerou falar alguma coisa.

Alfred bagunçou o próprio cabelo, e emitiu um som de frustração. Tentou pensar em algo para digitar, mas era cedo demais para forçar a sua mente, então deixou o celular de lado e desceu para o café. O pensamento, no entanto, o perseguiu durante o resto do dia.

Se lembrou das lágrimas molhando a sua camisa, dos braços ao seu redor. E do obrigado. E de que, naquele momento, Alfred sinceramente se sentiu um herói. Qualquer um se sentiria orgulhoso depois de salvar alguém tantas vezes. Porque sempre que Arthur se machucava, Alfred estava lá. Nas primeiras vezes, ele o salvou de machucados literais, e doeu nele mesmo ver o sangue escorrendo das feridas do garoto. Mas dessa vez... A ferida de Arthur parecia ser pior do que qualquer outra.

Ele não merecia aquilo. Alfred detestava vê-lo daquele jeito. Porque ele era um garoto extraordinário, por detrás de todos os muros que construía ao seu redor.


She's

An Extraordinary girl

In an ordinary world

And she can't seem to get away

E o loiro se sentia... Importante. Pois estava ali para cuidar dele quando ele precisasse, e ajudá-lo a enfaixar os machucados.

Só que... Ainda com todo esse estímulo ao seu orgulho, Alfred não se considerava um “herói” por completo. Porque ele era incapaz de cumprir a simples tarefa de enviar uma mensagem para Arthur – Arthur, a pessoa que era tão importante para si agora -, nem que fosse um simples “bom dia”. Ele se sentiu... como se sentia há três meses, quando via a si mesmo como um completo perdedor, antes de conhecer o punk e sua vida virar de cabeça para baixo.

He

Lacks the courage in his mind

Like a child left behind

Like a pet left during the rain

– Sou um covarde.

Ele não conseguiu colocar aquelas ideias em ordem por um tempo, então preferiu ignorá-las o máximo que pudesse – uma ideia tão difícil que lhe fazia considerar pular de um penhasco. Até que Arthur... Decidisse falar com ele primeiro. Era um pensamento um tanto egoísta, mas ele sentia como se Arthur fosse quem devesse explicar. E ele sinceramente esperava que não demorasse, porque já estava começando a se sentir sozinho, como se houvesse um vazio nele que só pudesse ser preenchido pela presença do outro garoto. E apenas.

O que ele não imaginava era que o punk se sentia tão solitário quanto ele, naquele exato momento.

She’s all alone again

Wiping the tears from her eyes

Some days he feels like dying

She gets so sick of crying

–-

A manhã foi um tanto agitada na casa dos Williams. Toda a família havia sido convidada para uma ocasião especial na casa de Jean Bonnefoy: O aniversário do seu filho.

Enquanto Maddie andava reclamando pelos cantos, pois preferia ficar com a cara no travesseiro do que ser arrastada pra um “aniversário de um tio qualquer”, Matthew estava com boas expectativas sobre o tal evento. Afinal, ele não via Francis há um tempo – diga-se cerca de duas semanas -, e sentia como se aqueles olhos azuis gélidos fossem algo quase necessário para ele. Talvez Francis tivesse essa magia no seu olhar, da qual fazia uso para hipnotizar as pessoas desatentas.

Era esperado que a tal festa fosse algo luxuoso, considerando-se a ideia que os Williams tinham a respeito da família francesa em relação a dinheiro. E não se decepcionaram ao pararem com o carro na frente da mansão, no endereço que Matthew já conhecia, e encararam a casa gloriosa com os olhos estupefatos.

O Sr. Williams entregou a chave ao manobrista, e Matthew e Madeline já estavam a caminho da entrada, o irmão guiando-a pelo lugar com um pequeno sorriso no rosto. Ele se sentia confortável naquele ambiente... Mas quando não havia tanta gente. Só ele e Francis.

Matthew sabia que era pedir demais, e que estava sendo egoísta com aquela ideia, mas não conseguia evitar a sua mente de sempre voar para o rapaz francês dos olhos envolventes.

A família entrou um tanto desconcertada, no meio de tantas pessoas finas, bem-vestidas, com drinques nas mãos e a conversa solta. Estavam num salão de festas glamuroso, com papel de parede floral, janelas com cortinas vermelhas e piso perfeitamente encerado, com mesas distribuídas meticulosamente. O patriarca dos Williams ficou um tanto perdido, mas não demorou até que Jean Bonnefoy aparecesse na sala para devidamente cumprimentar os convidados.

– Oh, Williams! Pensei que não viriam mais à festa! Que bom que chegaram! – Ele exclamou, indo em direção à família.

– Desculpe nosso atraso, Jean, mas a minha filha demorou duas horas na frente do espelho essa manhã – Confessou o pai dos garotos, e Madeline fez uma careta.

Enquanto o francês falava com os seus pais, Matthew passou os olhos pelo aglomerado de pessoas convidadas. Por um segundo, jurou ver um olhar azul familiar na distância, mas não teve tempo de procurar, pois o pai de Francis aproximou-se e lhe deu um beijinho em cada bochecha, como era de seu costume.

Jean disse que estava um pouco apressado, porque haviam problemas no buffet, e pediu desculpas antes de ir embora. No entanto, Matthew tomou a oportunidade para fazer a pergunta que desejava fazer desde que adentrara a casa.

– Um... Se posso perguntar, onde está o Francis...?

– Deve estar ocupado com toda a atenção que está recebendo – Bonnefoy fez um sorriso amigável. – Quando eu vê-lo, direi que você está aqui. Isso se ele não o achar primeiro, non?

E com isso, a única pessoa conhecida dos Williams naquela sala sumiu outra vez. Eles se sentaram na mesa reservada no meio do salão. Os pais dos garotos beliscavam os aperitivos, e Madeline observava o ambiente em volta, admirada. Ela estava tentando fingir que ainda estava chateada por vir a uma festa sem ninguém conhecido, mas Matthew sabia que ela logo esqueceria a preocupação.

O garoto, por sua vez, estava ocupado observando todas as mesas em volta, à procura do olhar familiar que enxergara antes. Não foi eficiente, ao que ele apenas desistiu e voltou-se para os aperitivos, apenas para notar que os seus pais já tinham acabado com eles.

Matthew suspirou, apoiando o queixo na mão direita. Ele apenas se perguntava onde estaria Francis.

–-

– Alfred, pelo amor de deus, guarda essa porcaria – A Sra. Jones ordenou, tirando os olhos das suas unhas recém-pintadas para lançar um olhar de mãe intimidadora ao filho.

– Argh, não posso fazer nada – Ele disse num tom sarcástico, rosnando e desligando o seu videogame portátil. – Que saco.

– Que saco, nada. Aqui só tem gente fina, e não pirralhos que jogam videogame. Aliás, já provou esses... Essas coisinhas? Eu não sei do que é feito, mas é bom. Muito bom mesmo. – Ela respondeu no seu típico bom-humor e mordiscou um aperitivo, que era tão “chique” que ela mal sabia do que se tratava.

Alfred bufou. Ninguém merece. Ele podia ter ficado em casa, em paz, mesmo que não fizesse nada da vida o dia inteiro, mas tudo o que menos queria era ser arrastado para essa festa de alguém que nem conhecia. A sua mãe tinha comentado algo sobre ser aniversário do filho do chefe, mas o seu tom era tão alegre que o garoto duvidou sobre a relação do tal cara com a sua mãe.

Agora estava ali, com a bunda grudada na cadeira, a cabeça cheia e no mais puro tédio. E mal podia aumentar um nivelzinho do seu pokemón.

O seu humor não estava lá essas coisas, o que era algo consideravelmente raro. Mas ele ainda era incapaz de parar de rebobinar a cena da noite anterior na sua cabeça. No caminho para a festa, ele até ponderara que talvez fosse algo que pudesse fazê-lo parar de pensar menos naquilo, mas suas expectativas foram praticamente esmagadas durante a última hora que esteve enfurnado ali.

Sua mãe até perguntou sobre o assunto, de modo descontraído, mas ele evitou as duas principais questões que não queria – e não sabia propriamente — responder. Uma fora “O que houve com o seu amigo ruivinho?”, e a outra, “Por que está tão pra baixo, filho?”.

Ela estava muito ocupada animada com a festa do... Chefe, para observar mais o estado do seu filho. Mas Alfred também não queria falar com ela sobre isso. Ele sabia que ela ainda estava um pouco decepcionada porque ele terminara o namoro com Madeline, a garota que ela “gostava tanto”. Como seria sua reação caso ele dissesse que simplesmente tinha beijado o seu amigo ruivinho na noite anterior? E se revelasse que estava estupidamente apaixonado por ele? Com certeza, seria uma reação divertida. Ou nem tanto. Ele preferia não imaginá-la.

– Filho, acho que eles vão servir o almoço agora – Ela começou animadamente, mas parou no meio da frase ao cair com os olhos azuis sobre o rosto do filho. — Querido, você está vermelho.

– Tô?! – Ele balbuciou no mesmo instante. É claro que não estava pensando besteiras demais sobre o seu amigo enquanto encarava o nada. — Ah, tá. Mas e quando essa festa vai começar de verdade?

– Shh. Espera a comida. A comida não vai te decepcionar – Ela garantiu, dando uma piscadela para Alfred, que rolou os olhos.

Comida sempre fazia Alfred feliz, mas um dos raros sintomas causados pela doença terminal Arthur era a falta de apetite. Ele se recusou a comer direito, e resolveu esperar até a sobremesa, porque quase sempre não é preciso ter apetite para comer doces, só por comer.

Olhar para pessoas aleatórias e tentar imaginar o que estariam pensando no momento parecia a coisa mais divertida que podia fazer para não acabar pensando no punk. Mas quando ele avistou um garoto de familiares cachinhos cor de caramelo claro e óculos ovais, a atividade não continuou tão chata assim. Agora tinha alguém conhecido com quem podia compartilhar o desdém por aquela festa chata! Mas... O que Matthew estava fazendo ali, afinal?

A curiosidade lhe fez escapar da mesa e espreitar-se até a outra, do lado oposto do salão. Entretanto, assim que chegou mais perto, notou que não era apenas Matthew lá.

Lá estava a sua irmã, que agora encarava-o com surpresos olhos violetas, a despeito da distância que ele se mantinha dela.

Alfred engoliu em seco. Ele não era capaz de chegar lá e ter que falar com Maddie outra vez. E ele também sabia que ela provavelmente não queria mais olhar na cara dele. Ia ser uma situação constrangedora demais. Ele estava prestes a atender o comando da sua mente de dar meia-volta quando o garoto canadense encontrou-o.

Matthew fez a mesma expressão espantada que a sua irmã, e eles pareciam quase clones daquele jeito. Ele olhou para ela, e depois para Alfred, e depois para ela, que decidira que seu prato vazio era muito mais interessante do que a cara do seu ex-namorado.

O de olhos violetas estava prestes a se erguer, apoiando as mãos na mesa para tomar impulso. No entanto, sua ação foi cortada ao meio no momento em que ouviu uma voz familiar. A voz pela qual esteve esperando.

– Boa tarde a todos os amáveis convidados! Estou imensamente agradecido a todos que puderam comparecer à celebração do meu aniversário de vinte anos – Começou Francis, com um microfone, sobre um pequeno palco no sofisticado salão de festas.

O som de sua voz fez com que praticamente todas as cabeças girassem em sua direção, principalmente as das garotas, que sorriam bobamente com a visão do charmoso francês, que usava gravata e um colete de veludo, uma combinação que lhe tornava incrivelmente ainda mais bonito do que o canadense já imaginara. Matthew não podia dizer que não tinha suspirado levemente quando avistou a figura que tanto esperava.

– Alfred, o que tá fazendo aí parado?! – A Sra. Jones sussurrou, tendo ido até o lugar onde o filho estava, e agora puxava-o pelo braço. – O filho do Sr. Bonnefoy já chegou!

O garoto saiu do seu transe e foi arrastado pela mãe até a mesa onde estavam antes. Ele finalmente olhou para o tal cara no palco. Ele era quase um clone do pai – o chefe da sua mãe -, mas obviamente tinha um ar mais jovial, com os cabelos loiros presos e uma roupa de galã. Era aquele tipo de mauricinho, riquíssimo e que só vivia cheio de garotas em volta de si por causa do seu sotaquezinho francês. Ou pelo menos foi como Alfred julgou-o. Fez uma careta e se remexeu na cadeira, recusando-se a ouvir as palavras do rapaz. Pegou o celular outra vez, apenas para checar se... Alguém havia lhe mandado alguma mensagem. Mas não havia nada.

– Espero que estejam se divertindo – E com isso, o olhar de Francis caiu sobre o garoto canadense, direta ou indiretamente, cujo rosto corou no mesmo instante.

Ocasionalmente, Francis desceu ao som de uma salva de palmas. Ele então foi atender todas as pessoas que queriam lhe desejar parabéns, e Matthew estava imensamente ansioso para ir até ele. Mas é claro que o francês deu prioridade à família primeiro. Havia muitas pessoas com quem ele devia falar antes de chegar no canadense.

Matthew levantou-se e foi para detrás do aglomerado de pessoas na fila para falar com Francis. Foi a oportunidade que Alfred estava esperando para se aproximar de Matthew, sem entrar em contato com Madeline.

– Matt! – Ele chamou, o tom de voz abaixando à medida que chegava mais perto do outro.

– Alfred, o que tá fazendo aqui?! – Matthew indagou na sua tipicamente baixa voz, e Alfred quase não o ouviu com o barulho das pessoas.

– O que você tá fazendo aqui?!

– Ah, eu... Eu sou conhecido do Fran- Do Sr. Bonnefoy – Ele confessou, meio acanhado. – Mas e você?

– O pai desse carinha aí é chefe da minha mãe – Ele fez uma careta, referindo-se a Francis com claro desprezo na voz. – Ela me forçou a vir com ela pra essa droga de festa de rico.

Matthew não gostou muito de como ele falara de Francis, mas não comentou nada. Quem ele era para o francês, afinal, para defendê-lo desse jeito?

O canadense murmurou em aceitação, e desviou por um instante, tentando ficar na ponta dos pés para enxergar Francis depois do monte de gente. Alfred, no entanto, não considerou o papo como morto.

– Que bom que encontrei alguém que compartilhe do meu tédio aqui – Ele disse, bufando. – Eu já estava morrendo. O que foi, quem tá procurando?

– Ninguém – Ele suspirou, e desistiu. Falaria com ele outra hora.

– Ah. Matt, não quer sentar na nossa mesa um pouco?

Ele olhou de volta para a mesa com o pai, a mãe e a irmã, que pareciam não estarem prestando nenhuma atenção nele.

– Pode ser – Concordou, dando de ombros.

Alfred praticamente arrastou-o até a sua mesa, onde sua mãe estava procurando-o, aparentemente.

– Alfred, não desapareça assim! – Ela repreendeu, mas assim que viu que o filho trazia outra pessoa, mudou o tom de voz ríspido. – Ah, quem é o seu colega, filho?

– Ah, esse é o Matt – Ele disse, e Matthew sorriu embaraçado para a mulher, sem ter certeza de como cumprimentá-la.

– Prazer, querido.

O garoto repetiu, sentando-se na cadeira vazia ao lado da de Alfred. O outro estava forçando a mente em busca de algum assunto, e eles se entreolharam por um segundo.

– Matt, você gosta de pokem—

A frase foi cortada pelo som de notificação de algum celular. Pedindo desculpas, Matthew tirou o seu aparelho do bolso e desbloqueou-o. A sua expressão mudou assim que leu o texto, ainda que sutilmente, mas foi o bastante para que Alfred notasse.

– O que foi? Tá falando com quem? – Ele esticou a cabeça curiosamente para espiar o celular, um ato não muito educado.

– N-Não é nada – Ele mascarou, apagando a tela do celular outra vez e colocando-o em cima da mesa. Será que ele poderia parar de bisbilhotar? – Um... Só foi o Arthur que me mandou alguma coisa.

Matthew jurou ter visto a respiração do outro garoto parar no momento em que ouviu aquele nome. Ele voltou para o seu canto em sua cadeira, e permaneceu fitando o celular, como se seu olhar tivesse congelado. Suas feições, no entanto, demonstraram algo que o canadense não sabia realmente como definir.

– Ah. – Foi o monossílabo murmurado pelo de olhos azuis.

E foi como se a conversa houvesse realmente falecido de vez. O que mais surpreendeu Matthew foi que Alfred simplesmente parou de falar. E ele se sentiu obrigado a perguntar o motivo daquilo, dado o tamanho da raridade da situação.

– Er... Aconteceu alguma coisa, Alfred?

– Uh?! Ah, não! Claro que não! Não aconteceu nada – Ele garantiu, esticando os cantos dos lábios. O resto do seu rosto, porém, traía o sorriso.

– Tem certeza? – Tentou mais uma vez.

–... Sim – Murmurou, após um segundo de hesitação, no qual ponderou se deveria ou não contar para Matthew sobre... Sobre toda a verdade. Porque ele realmente queria conversar e colocar aquilo para fora. Ainda assim, uma espécie de medo o freou, e ele preferiu não comentar nada após o monossílabo dito.

Matthew, por outro lado, não se deu por convencido, mesmo que tivesse parado de insistir uma resposta. Ele olhou pelo salão num breve silêncio, tempo que usou para pensar nas palavras que diria em seguida. Ele sempre tentava pensar antes de falar.

– Houve algo... Com o Arthur?

– A gente... Só brigou por bobeira de novo, é, isso – Soltou Alfred, não muito orgulhoso da sua desculpa improvisada, e sorriu um pouco para dar mais credibilidade a ela. Esperou que o que Arthur tivesse dito (se tivesse) condissesse com aquilo. Talvez Matthew acreditasse. O punk e ele viviam brigando, de qualquer forma.

Pelo que o canadense se lembrava, das brigas que presenciara anteriormente, nunca tinha visto Alfred parecer tão... Arrasado. Será mesmo que tinha sido só bobeira? Os olhos azuis do garoto, por detrás das lentes, demonstravam algo diferente de quando havia uma briga idiota entre os amigos. E será que eles ainda eram amigos?

Matthew abrira a boca para falar, mas as palavras sumiram quando ele avistou um rapaz incrivelmente charmoso caminhando em sua direção. A mãe de Alfred se levantou primeiro para cumprimentar o francês com dois beijinhos na bochecha.

– Parabéns, querido! – Ela disse, com um sorriso simpático, que foi retribuído por Francis. – A festa está uma maravilha, como esperado de vocês.

– Muito obrigado, fico feliz que estejam a apreciando – Agradeceu, fazendo uma leve reverência à mulher.

– Tenho certeza que você irá se tornar um chef tão talentoso quanto o seu pai.

Alfred não entendia o porquê daquelas formalidades estúpidas daquele francês com cara de babaca, mas ficou calado enquanto a sua mãe apresentava os garotos à mesa.

– Ah, é claro! Este é o meu filho, Alfred, e aquele é o Matthew...

– São irmãos?

– Não! – Os dois de óculos responderam em coro, Matthew um pouco confuso.

– Eu sei – Francis riu com gosto, como se a piada que fizera fosse imensamente engraçada. – É que se parecem tanto. Prazer, Alfred, Francis.

– Prazer – Rosnou o de olhos azuis, não se preocupando em esconder o desgosto na expressão e a plena ironia na voz.

– Matt – Foi o que o francês disse, mas foi o bastante para atrair a atenção completa do canadense. Era bom ouvir o seu nome na voz dele, mas não tanto quanto quando chamava-o de cher. – Estava procurando por você, mas não te achei na mesa dos seus pais... Não sabia que conhecia os Jones.

– Err... – Ele tinha se perdido no rosto impecável de Francis, e precisou recuperar o foco. – É que Alfred estuda comigo.

– Claro – Francis concordou, parecendo não querer se aprofundar no assunto. – Perdão, Matthew, se incomoda de vir comigo um minuto?

As faces do canadense se avermelharam, e Alfred olhou de canto para a cena, desinteressado. Sua mente estava vagando bem longe dali.

– Claro que não – Respondeu, levantando-se quase de imediato.

– Desculpe, antes que vá – A mãe de Alfred começou, e parecia um pouco embaraçada -, eu poderia saber onde está o Jean, digo, o seu pai?

– Acredito que esteja acabando as preparações para o bolo – Francis sorriu-lhe. – Assim que eu o ver, falarei que a senhora o procura.

A Sra. Jones agradeceu educadamente, ao contrário do seu filho, que permaneceu sentado na cadeira de modo desleixado, sem soltar uma palavra enquanto os dois caminhavam pelo salão na direção oposta. Ele tinha uma careta de amargura, como se Matthew tivesse traído sua amizade ao sair com aquele francesinho.

– Filho, que falta de educação é essa? – Ela indignou-se, batendo no ombro do filho com a sua bolsa de mão (algo inútil na visão do garoto, pois se era uma bolsa, não era prático que fosse carregada na mão). – O Francis é gente fina, você precisa tratar as pessoas bem.

– Pra mim ele só tem cara de mulherengo – Grunhiu Alfred, arrumando um pouco a postura entediada e pousando os cotovelos na mesa.

Foi no meio da frase seguinte da sua mãe que ele notou o celular, esquecido sobre a mesa. Os seus olhos se ampliaram à medida que ele montou as ideias de tudo o que poderia fazer com o telefone de Matthew naquela situação. Se fosse inteligente.

– Poxa, parece que o Matt esqueceu o telefone – Ele interrompeu a mãe, pegando o aparelho. – Vou levar pra ele depois.

E provavelmente só iria fazê-lo bem depois.

–-

– Eh, Francis... Tem certeza que não estou incomodando? – Matthew perguntou, envergonhado. – Deve ter várias pessoas querendo falar com você lá dentro...

Os dois haviam saído da casa – Francis a guiar Matthew – e agora caminhavam pelo jardim. O canadense esperava uma explicação de para onde estavam indo e por que, mas achava melhor não incomodá-lo com perguntas.

– Não, cher, você nunca incomoda – O mais velho replicou, sua voz doce como mel.

Matthew apenas assentiu, meio sem-jeito. Ele não demorou a perceber que Francis lhe trouxera ao mesmo lugar que vieram da última vez que o mais novo lhe visitara. O francês devia gostar daquele lugar. O clima era sempre pacífico e tranquilo ali, e dava vontade de deitar na grama e ouvir os pássaros.

Eles pararam sob a sombra de uma árvore, onde havia uma das mesinhas de mármore branco sobre a grama. Francis o fitou com o seu sorriso quase onipresente. Matthew, por sua vez, não era capaz de manter contato visual com alguém por tanto tempo sem falar alguma coisa.

– Ah, eu nem te dei parabéns antes... – Ele começou, sorrindo de leve e puxando a manga do moletom inexistente (visto que usava uma camisa social).

– Não tem problema.

– De qualquer forma... Parabéns – e alargou o seu sorriso tímido.

Francis agradeceu-o com aquela mesma voz, que fazia o garoto se sentir queimando por dentro – de um jeito bom. Ele riu um pouco para o chão, não conseguindo olhar diretamente para o outro sem corar como um tolo.

– Então, por que me trouxe aqui de novo...? – Matthew abriu a boca novamente após alguns segundos.

Francis estava mirando os olhos nos arbustos de flores violeta. Elas se pareciam vagamente com a cor dos raros olhos do garoto tímido à sua frente.

– Eu gosto desse lugar – disse, passando a mão de leve pela franja que caía nos seus olhos – E gosto de você. Já que é o meu aniversário, quero ter duas coisas que gosto ao meu lado.

O de óculos abriu a boca, mas só o que saiu foram alguns sons ilógicos. Agora parecia um idiota na frente de Francis. Ele quase deu um tapa em si mesmo e obrigou-se a dizer alguma coisa para quebrar aquela pressão dos olhos de Francis sobre si, esperando uma resposta.

– A-Ah... Obrigado, eu acho – Balbuciou ele, como se tivesse se esquecido de como pronunciar as palavras, e sem pensar muito, soltou: – E-Eu também gosto de você...

E só percebeu o sentido do que havia dito quando encontrou os olhos azuis de Francis, bem abertos. O seu rosto e as suas orelhas cobriram-se de vermelho, e ele abriu a boca para tentar explicar. O francês foi mais rápido, porém. Havia cor em suas próprias bochechas.

– Você quer dizer de um jeito... – Ele começou, deixando a frase morrer no final.

– N-Não!! Quer dizer... Tipo, não que eu não goste de você, eu gosto muito de você...! E... É, m-mas não... Como você tá querendo dizer, sabe...

–... Que pena.

A voz de Francis era tão baixa que Matthew quase teve que ler os seus lábios para compreender as palavras.

–... O quê? – Ele perguntou, mesmo tendo entendido perfeitamente o que ele dissera. O que não entendia era o que ele queria dizer.

– Eu só pensei que... Fosse ter uma chance – Murmurou Francis, erguendo o olhar das flores para as íris do canadense. Suspirou. – Peço desculpas então, Matthew. Mas eu vou continuar apaixonado pelos seus olhos.

O garoto congelou, como se fosse feito do mesmo mármore que a mesa ao lado deles. Ele só olhou para Francis, sentindo como se o chão sob si tivesse desaparecido e tentando não pensar no quanto estava corado. A expressão no rosto charmoso do francês era um tanto triste, e Matthew se sentiu culpado.

Precisava falar alguma coisa. Se deixasse o silêncio viver, a situação se tornaria pior. Ele se arrependeria ainda mais depois. Mas... O que responder a um rapaz francês e encantador que acabara de se declarar para si...? E a pergunta mais importante naquele instante era... Matthew queria-o ou não?

–-

O punk tinha acidentalmente pegado no sono, abraçado ao seu travesseiro, e a vibração do telefone perto de si lhe fez acordar com um susto. Nos primeiros segundos, tentou imaginar por quanto tempo teria dormido. Provavelmente, horas. Estava se sentindo um pouco doente antes. Talvez fosse o resultado da ideia de andar para casa naquela tempestade.

Depois notou que estava com muita fome, visto que não comera nada o dia inteiro. Só depois de entrar na realidade outra vez é que Arthur alcançou o aparelho na cama.

Tinha dormido por só meia hora.

Havia duas mensagens novas de Matthew, e ele abriu curiosamente a conversa, relendo-a do começo.

“Matt, tudo bem...?

Posso conversar com você sobre uma coisa...?

É sobre o Alfred”

“Claro, tem algum problema com ele?”

“É que

Acho que ele me odeia agora”

“Vocês brigaram?“

“É, meio isso

Acho que ele não quer mais falar comiog

*comigo”

“Por quê? :(“

“Eu acho que ele me despreza porque eu

Você sabe

Eu sou gay”

“...Sim, sei

Mas o alfred não parece ter preconceito

Ao menos, eu acho...”

“É...

Mas eu não sei por que ele me odeia

Porque

Eu não odeio ele”

A partir dessa mensagem, eram as que Arthur recebera minutos atrás.

“mas ele nao te odeia art

quwr dizer eu acho que não

*quer”

Era só impressão ou Matthew estava digitando de um jeito um pouco diferente? Bem, Arthur não iria julgar alguém pelo seu modo de digitar. Ele hesitou por um instante, pensando na resposta.

“...Como você pode saber?”

A resposta veio em pouco mais de um minuto. Arthur ficou fitando a tela enquanto o status repetia “escrevendo...” e “online”.

“er

sei la tipo

ele so parece gostar muito de voce

msm quando vpces brigam

ele se preocupa com vc”

O punk leu e releu as palavras, abobalhado. O que Matthew queria dizer com aquilo? Como saberia dizer algo assim com tanta certeza, mesmo não estando próximo dele e de Alfred por um tempo? E além disso, por que agora estava digitando como se estivesse tremendo?

De qualquer forma, ele desviou o olhar da tela para um ponto aleatório no quarto, mas sua mente se ocupou em pensar naquelas palavras. E algo no que ele nunca havia pensado profundamente antes, e que agora tinha sido trazido à tona — Alfred se preocupava consigo...?

Alfred... Tinha sido a única pessoa que estivera consigo quando se metera numa briga, mesmo que ambos tivessem acabado perdendo. Tinha sido quem lhe abraçara depois que foi chutado e magoado pelo seu ex-namorado, e dissera que ia ficar tudo bem, mesmo sem pronunciar essas exatas palavras. Porque foi como Arthur se sentiu naquele momento. Como se realmente estivesse tudo bem.

E seria aquilo o que significava se preocupar? Seria aquilo o que significava... Amar uma pessoa?

Arthur não sabia. E depois que aquela conclusão confusa caiu sobre sua cabeça — como os pingos de chuva violentos e pesados do dia anterior, todos de uma só vez -, ele ponderou se realmente havia algo errado consigo. Porque não se lembrava de nada que fizera para merecer tanta bagunça dentro de sua cabeça. Mas a questão continuou lá, como se houvesse puxado uma cadeira e sentado com uma xícara de chá, até conseguir uma resposta.

Era aquilo realmente... Amar?

Notas finais
Ehehe- Espero que tenham gostado do capítulo, yay!! Eu queria poder pedir desculpas por cortar duas cenas decisivas ao meio, mas esse capítulo já estava ficando grandinho demais. Pelo menos consegui encaixar o Franada novamente, e fiquei feliz por isso. Espero que esteja ok, pois como eu já mencionei, não sou muito boa em outros casais (usuk nerd :B) Aliás, a música que eu citei alguns trechos e usei como título é "Extraordinary Girl", do Green Day(novidaaade...)! Eu não quis trocar "girl" por "boy", mas acho que vocês devem ter entendido que o Arthur é a tal garota extraordinária, lol. Decidi colocar algumas falas de "conversas do whatsApp" em negrito, assim fica mais fácil não se confundir com quem está falando o quê. :^) Sim, todos eles têm smartphones, eles são rycos. Ah, como hoje é o aniversário da fic, eu ficaria muuuuuito contente se vocês deixassem reviews aqui! Prometo que todos que o fizerem podem vir aqui comer o bolo (que tem um desenho dos idiotas se beijando em cima, juro). Anyway, obrigada por lerem, até a próxima! :D