Stranger In Moscow
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Naquela oportunidade única, pude perceber o que poucos deviam saber. M.J. era super simples (o que parece estranho em se tratando de Michael Jackson) e não me dava ordens como todo mundo. Pelo contrário, ele até me ofereceu algo de seu frigobar. Seu único propósito era que eu o visse cantar (cara que honra) e fosse sincero, apontando os pontos fracos e fortes de seu trabalho. No começo eu me senti incapaz de criticar o rei do pop, mas depois de um tempo, mesmo com toda sua timidez (ele é mesmo muito tímido, acredite), Michael me mostrou uma vontade de ter alguém pra conversar, pra sair da rotina, ser pelo menos um pouco comum.
_ Não é incrível ser a pessoa mais conhecida em todo o mundo? – me atrevi a perguntar.
_ É... – ele parou por um momento, como se não soubesse o que dizer (e eu acho que não sabia mesmo) até que se levantou da cama e caminhou até a janela do quarto, de onde podia observar os russos todos agitados, num ritmo esgotante até de se ver.
_ Disse algo de errado, sen... Michael. – cheguei perto.
_ Não, não. É que eu me faço essa mesma perguntar todos os dias. – eu fiz uma cara de quem não entendeu, mas sim, eu consegui captar em seu semblante o rosto de alguém solitário apesar da fama (parece até ironia).
_ Quer dizer que é verdade o que dizem? – falei – que a fama não trás felicidade? – Michael olhou em meus olhos e disse:
_ Posso te dizer que há anos atrás, quando ainda cantava com meus irmãos, perguntei a Joseph: “ Acha que um dia nós vamos parar de cantar juntos?” e ele me respondeu: “ Não importa, contanto que permaneçamos juntos para sempre.” – M.J. sorriu ao lembrar da época do “Jackson´s Five”.
- Mas agora você tem ainda mais fãns do que naquela época. – afirmei.
-É verdade, mas é naqueles tempos que eu tratava a música como uma diversão, um passatempo com meus irmãos. Ainda a sinto, mas não com a mesma intensidade. – deu pra perceber que Michael se lembrava do passado com muita emoção e aquilo foi transmitido a mim de certa forma que eu me senti como ele naquele instante.
_ Jason! O que faz aqui atrapalhando o senhor Jackson?! – o Marc me puxou de modo que não deu nem pro Michael fazer alguma coisa. Quando vi, já estava no salão de ensaio, onde Kenny Ortega estava em ação. Sim, ele era um dos manda-chuvas e olhava pra mim como se eu tivesse sequestrado Michael Jackson.
_ Filho, acha que está de férias, onde pensa que está?!
_ Eu só estava... – Não, ele não me deixou terminar e então só precisou de mais duas palavras:
_ Está demitido! – Isso mesmo, eu acabei sendo cortado da produção do M.J. e o pior é que eu não poderia chegar perto do Michael de novo para explicar o que estava acontecendo.
MJ
Depois de dois anos na produção da turnê Dangerous, tudo havia acabado e eu tinha que me conformar. Além do mais, eu tinha ganhado um bom dinheiro com meu trabalho (mesmo que não fosse um “grande” trabalho) o bastante para reestruturar minha vida.
Eu não comentei antes, mas também cantava. Quando era adolescente, eu era de uma banda, que até era boa, mas não tínhamos verba para investir numa carreira, então decidi estudar para trabalhar com música até conseguir uma vaga como substituto do Michael, caso ele se machucasse. Não, não. É brincadeira (rsrs) eu era substituto do baixista (eu e mais uns sete, que ajudavam na produção da turnê) só que aquele papo com M.J. me animou para eu retomar meu trabalho com minha antiga banda, pois mesmo que não fossemos famosos, nos divertíamos muito.
Pois bem. Arrumei minhas coisas e pensei em partir um dia antes da produção da turnê. Chamei um táxi e suspirei pensando em como me lembraria dessa fase da minha vida. Isso não saia da minha cabeça, enquanto observava o trânsito de Moscow. O tempo parecia estar se fechando e eu até que gostava disso, pois era nesses momentos que eu tinha um tempo pra refletir comigo mesmo.
Ao olhar pela janela, percebi que a multidão começava a se agitar, pois era certo que ia chover. Os carros aceleravam, mas um (muito bonito por sinal e que não me era estranho) parou, e dele, saiu alguém, de jaleco preto e um chapéu que cobria um pouco seu rosto, como se não quisesse ser reconhecido. Mas eu sabia quem era. Por algum motivo eu o reconheci e rapidamente pedi para o taxista parar, logo depois gritando:
_ Michael!
CONTINUA...
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