Strangeness and Charm
7 Heavenfaced
Notas iniciais
Acordar naquela manhã havia sido mais fácil que o adormecer. A luz que entrava no quarto fazia com que o cabelo loiro e levemente cacheado se tornasse ainda mais dourado, cabelo este que parecia ter sido meticulosamente arrumado sobre o travesseiro de modo que emoldurasse seu rosto, a tornando ainda mais bonita. Não era cedo, mas como Maura ainda dormia, permaneceu ali, sentada na cama sem ousar trocar sua posição para que a outra não acordasse. Jane Rizzoli permitiu-se pensar na cor que os olhos da outra teriam sob aquela luz caso estivessem abertos. Decidiu que realmente precisava levantar, lavar o rosto e tentar fazer um café, então desceu da cama com todo o cuidado que poderia ter. Lavou o rosto. Preparou algo para as duas comerem e voltou ao quarto para encontrar uma Maura sonolenta se espreguiçando dentro de sua camisa. Decidiu também que aquela era uma visão muito agradável para se ter pela manhã. Observar Maura era o paraíso.
– Bom dia, doutora Isles! – colocou a bandeja com o café da manhã no centro da cama e sentou-se ao lado da outra. Tentara organizar a comida na bandeja da melhor forma que podia, sabia que Maura se importava com a estética do que comia, então havia arrumado as frutas, decorado os ovos e colocado uma rosa. Olhando agora para a bandeja, Jane se sentiu boba e infantil, mas a outra parecia ter achado aquilo magnífico. – Dormiu bem?
– Bom dia, detetive! Dormi extremamente bem, mas confesso achar estranho não saber como cheguei até aqui e o porquê de me encontrar com suas roupas.
– Parece que alguém aqui estava realmente bêbada ontem à noite! – riu e antes que a outra tivesse tempo para protestar, continuou – Depois de te carregar até aqui, te coloquei na cama, pois achei que tivesse dormido no caminho, mas para a minha surpresa a senhorita estava muito bem acordada e se levantou. Você começou a cantar e nós dançamos por algum tempo, mas não sei por quanto tempo, então me virei por alguns segundos e quando te olhei novamente você estava deitada, dormindo como um anjo. Achei que seria melhor trocar suas roupas, mas foi só isso, troquei rapidinho – se apressou em dizer – porque imaginei que deveriam te incomodar, mas não quis bagunçar o seu closet, então vesti minha camisa em você e não pode negar que ela é bem mais confortável.
– De fato, não posso negar que sua camisa possui um tecido bastante macio. –respondeu e recebeu de volta o melhor sorriso triunfante da morena – e fico feliz por ter sido só isso, realmente posso ter passado um pouco do meu limite, não sei o que me deu para agir daquela forma.
– Come on, Maura! É normal isso acontecer, as pessoas bebem geralmente pra relaxar... ou ganhar coragem.
– Então, detetive, você deveria ter bebido um pouco mais... para ganhar coragem – disse Maura, sorrindo.
– Por um acaso está me chamando de covarde, doutora? – Jane assumiu seu tom mais ofendido.
– Claro que não! Mas se o fizesse teria coragem suficiente para ter feito o que queria...
Jane olhou para a loira incapaz de acreditar no que estava sendo sugerido. Não negava a si mesma que essa era sua vontade. Poderia ter ido embora, mas não iria. Em sua mente estava nos braços de Maura. Ninguém poderia ser cuidadoso todo o tempo, sentia-se como se estivesse prestes a enfrentar o paraíso.
Mas bem sabia o que teria de enfrentar. Não havia agido corretamente com Casey, apesar de suas constantes cobranças, ela sabia que não podia justificar sua ação, estava agindo sem pensar e sabia que se continuasse ali, na casa de Maura, olhando para ela, seria ainda mais complicado pensar em alguma outra coisa se não a inteligentíssima loira de olhos claros.
Tomou café ao lado de Maura, na cama, pegou uma blusa da mesma emprestada e seguiu para a casa de Casey, ou melhor, para sua nova casa onde morava com o marido. Pensou na casa e percebeu o quanto sentia falta de seu apartamento e pensou que poderia ter se dirigido para lá e não ter pedido para dormir na casa de Maura, mas não se arrependia deste fato, havia outras coisas pelo qual se arrependia. Quando notou já estava na frente da casa, olhava para a porta perguntando-se o que aconteceria a seguir, mas não se preocupou realmente, o paraíso já havia sido enfrentado e o que viria não poderia ser muito pior.
Fale com o autor