Strange Love
21 Capítulo Vinte e um - Deixando o Ego de lado
Notas iniciais
Mesmo tendo conversado durante o banho na noite anterior, Steve ainda se sentia mal pela forma que haviam transado. Ele olhou para Stella que dormia, agora abraçada ao travesseiro, enquanto ele ajeitava sua roupa no corpo. A camisola de seda azul escura de alças finas deixava sua pele ainda mais branca. Ele resistiu ao impulso de sentar e desenhar ela, beijando sua cabeça de forma suave antes de sair do quarto. Sua consciência ainda pesava, e ele resolveu ir até a cozinha.
Natasha e Clint já estavam uniformizados. Sentados um de frente para o outro na ponta da grande mesa, comiam iogurte com o que pareceu ser granola e pão, respectivamente. Ele se aproximou dos dois, Clint se adiantando com um oi mudo e um sorriso estranho pela boca cheia.
– Caiu da cama, Capitão? — Natasha falou assim que ele abriu a boca para dar bom dia.
– Mais ou menos. Sabem se tem mais coisas pro café da manhã? — Clint engoliu com força o pão, tomando um longo gole de suco, apontando para a cozinha.
– Pergunte pro Agente trinta. Baixinho meio gordo. Ele faltou montar o café completo para nos. E completo que eu digo é com todas aquelas frescuras de rico. — Clint debochou, mordendo de forma um pouco agressiva seu pão; Steve anotou mentalmente o numero do Agente.
– Obrigado Agente Barton. Bom dia. — Depois que ele já havia dado as costas para os dois e entrava na cozinha, ele realmente se sentiu um Capitão falando daquela forma, se sentindo até um pouco ridículo.- Agente trinta! — Ele chamou o homem que Clint havia descrito, o que fez o mesmo quase engasgar com o café.
– Sim, senhor? — Ele tossiu duas vezes, olhando um pouco nervoso mas respeitoso para Steve.
– Pode me ajudar a montar uma bandeja? — O Agente olhou nervosamente para a cozinha, a procura de uma bandeja. Dois minutos depois ele achou uma grande o suficiente, em um armário próximo ao fogão. — Obrigado. Preciso de um pequeno café completo.- Steve explicou, no que o Agente sorriu de forma nervosa, indo até a geladeira.
Quando Steve se deu conta, tinha colocado um pouco de tudo na bandeja. Havia dois pequenos bules. Um de café, outro de leite. Uma pequena jarra com suco, uma cestinha com torradas e granola em um saquinho. Outra cestinha tinha um pote pequeno de iogurte, facas para passar a manteiga na torrada, colheres para o açúcar, saches de açúcar e potinhos individuais com manteiga. Dois copos e duas xícaras finalizaram a bandeja, no que Steve agradeceu quando o Agente se ofereceu para levar.
– a noite foi boa, hein Steve? — Clint brincou ao ver a bandeja dele, no que Steve corou e riu sem graça.
– Preciso ir. Depois nos falamos. — Clint riu ainda mais, enquanto Steve se apressava para sair dali.
Em pouco tempo, ele já estava no quarto de Stella, e estranhou ao ver que ela não estava mais na cama. Ele colocou a bandeja na cama e assim que levantou o rosto, viu Stella sair do banheiro.
– Bom dia. Pensei que tivesse fugido por conta de ontem. — Ela sorriu ainda mais ao ver ele, sentando em seu colo ao lhe beijar os lábios de forma carinhosa. Steve retribuiu da mesma forma, voltando a se sentir culpado quando ela tocou no assunto.
– Pensei que fosse gostar de um café na cama. — Ela olhou para a bandeja, sentindo um pouco de fome.
– Você comeu? — Ele negou com a cabeça, enquanto ela sentava do outro lado da bandeja. — Tome café comigo então. Não aguento tanta comida assim. Granola!- Ela pegou o saquinho com granola de forma animada, fazendo Steve se sentir aliviado. Ficou na duvida se ela gostava.
– Fico feliz em ter acertado. — Ele se serviu de café com pouco açúcar, tomando um grande gole para afastar o sono.
– Obrigada. Estou um pouco nervosa pela minha primeira missão. — Steve a encarou enquanto ela pegava o pode de iogurte, e abria para comer junto da granola.
– Eu também me senti nervoso em minha primeira missão. Mas, pelo menos você não terá de lidar com bombas. No meu caso, eu poderia não ter sobrevivido. Você não deve estar correndo o mesmo risco que eu corri. — Stella suspirou ao comer, tanto por satisfação por comer granola como por pensar no que ele falava.
– Eu não posso falhar. Se eu for descoberta e ser capturada, duvido que o menor dos meus problemas será uma bomba. — Steve não gostou da forma que ela disse aquilo.
– Sempre é perigoso mas, Fury confia em você. — Ela notou uma ponta de tristeza na voz dele, franzindo a testa para ele.
– Você ainda não está com aquela ideia na cabeça, está?- Steve tomou o café para disfarçar. — Eu sou competente, Steve. Fora que Natasha estará lá para me dar cobertura.-
– Mas e quando não estiver? E se você acabar em uma linha de tiro? For machucada? — Ela fechou os olhos suspirando com o rumo que a conversa tomava.
– Steve, por favor, não vamos voltar a falar sobre isso...- Ele a olhou de forma séria, mais do que jamais a olhou.
– E quando quer conversar sobre isso? Quando estiver ferida? De Cama? Morta?-
– Chega, Steve! — Ela quase gritou para fazer ele parar de falar, odiando quando ele agia da mesma forma que sua mãe. — Eu não sou uma criança indefesa. Eu posso me defender sozinha, tá legal? Pode parar com a paranoia que disso eu já tenho a minha mãe. — Ele se levantou da cama, se ajoelhando aos pés dela. Ela ficou um pouco sem ação com aquele gesto, ficando paralisada enquanto ele pegava suas mãos com carinho.
– Stella, eu amo você. Se eu pudesse, não teria te deixado ser parte disso. Não queria que estivesse se arriscando dessa forma. — Ela sabia que era arriscado, mas não queria ficar parada enquanto todos faziam algo importante. Stella olhou bem nos olhos de Steve, vendo a dor em seus olhos. Não pode evitar de pensar na primeira “namorada” dele, não sabendo que ele também pensava em Peggy. Ela não havia morrido em batalha. Mas ele se sentia tão desesperado por ver Stella se arriscando, mais do que jamais se sentiu ao ver Peggy lutando ao seu lado.
– Escuta, eu não consigo ser igual a minha mãe. Não sei ficar parada, assistindo tudo sem fazer nada, Steve. Meu pai quase morreu da última vez. Minha mãe assistiu tudo pela tevê e eu percebi que não queria sentir essa agonia.- Sua mão direita acaricio o rosto dele de forma carinhosa e lenta, enquanto seu olhos não desviavam dos dele. — Eu prefiro morrer em batalha, do seu lado, do que te ver morrendo sem a minha ajuda. Consegue entender isso? — Steve suspirou, puxando ela para seu colo, sentando na cama enquanto a segurava perto de si.
– Eu preferia te ter segura em casa. Não acho que eu vá conseguir me concentrar, sabendo que você está e perigo também...- Stella colocou um dedo nos lábios dele, silenciando-o.
– Não. Você vai ver como eu vou ficar bem. Não precisará se preocupar comigo. Prometo.- ela endireitou os ombros, sorrindo. — E se eu não conseguir, eu não me chamo Stella Stark. — Ele riu baixinho com o que ela havia dito, dando uma colherada no iogurte, levando a colher até a boca dela carinhosamente.
– Talvez deixe de ser uma Stark, um dia... — Stella olhou para ele, franzindo a testa ao não entender. — Não é nada. Apenas um comentário. — Ela ainda olhou para ele de forma desconfiada, engolindo o iogurte.
– Você está livre para me mimar até que horas? — Steve sorriu com a possibilidade de ter um dia tranquilo com ela, como eles tinham nos poucos dias em que viveram juntos.
– Talvez o dia inteiro. — Ela sorriu largamente com a possibilidade, beijando os lábios dele demoradamente.
– Isso soa perfeito.- Falou contra os lábios dele, beijando-o apaixonadamente.
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Condado de Arlington, Virgínia.
Um grande salão havia sido decorado para a festa que aconteceria logo mais a noite. Havia flores do campo espalhadas, as janelas e os lustres brilhavam de forma magnífica, deixando o General Jones satisfeito. Amanda subiu a escadaria com uma prancheta, sorrindo para os homens que acompanhavam o general.
– Tudo está na mais perfeita ordem, senhor. Tudo exatamente como o senhor pediu. — O general sorriu largamente, pegando a prancheta das mãos de sua assistente.
– Isso sera magnífico. Se todos aparecerem, teremos a melhor festa militar nos últimos cem anos. Pode apostar.- Amanda riu junto dele, no que ele devolvia a prancheta para ela.
– Devemos esperar o Presidente, senhor? — Amanda agora seguia o General pela escada, enquanto ele via os detalhes do salão.
– Não, claro que não. O Presidente não deve se expor desta forma. Mesmo que tenhamos certeza de que o experimento dará cem porcento de sucesso, não devemos ter a imagem do Presidente dos Estados Unidos ligado a este tipo de evento. Não antes de ser um completo sucesso. Enquanto isso, o secretário de segurança virá por ele. — Amanda concordou com as palavras de seu “chefe”, andando pelo salão, em direção as portas de entrada do salão.
– Isso é de total prudência, senhor. — Ela concordou, fazendo ele sorrir.
– Claro que é. Somos americanos. Sempre temos um bom plano. Ou acha que ganhamos todas as guerras por sorte? — Jones olhava para a entrada com ar de saudade, como s visse uma fotografia antiga que gostasse. — Esteja impecável esta noite. Sera minha companhia. — Amanda sorriu de forma lisonjeada pelo convite.
– Obrigada senhor.-
– Tenho sorte de ter você, Amanda. Competente, jovem, bonita. Perfeita companhia para está noite. — Ele sorriu da forma galanteadora para ela, fazendo-a corar por um momento. Ele olhou para o rosto da jovem antes de se afastar, indo para sua sala. Ao chegar a sua sala, o cientista esperava por ele de forma nervosa.
– Por favor, senhor. Suspenda esta festa. Será perigoso. — Suplicou o cientista, amedrontado ao olhar para o General.
– Doutor, por favor. Já discutimos isso antes. Não irei suspender esta apresentação.- O cientista suspirou de forma extremamente preocupada.
– Os estudos mostram que o risco é grande...- O General se apoiou em sua mesa, olhando-o de forma séria.
– E eu digo que não. Entenda, seu trabalho já esta feito. Retire-se, por favor.- O senhor de idade ofegou
– Senhor...- O General bateu as mãos na mesa
– Guardas! — O grito foi a deixa para o cientista sair na sala de forma desesperada. Jones respirou fundo, se jogando em sua cadeira. Amanda apareceu alguns segundos depois.
– Esta tudo bem, senhor? — Ele fechou os olhos, massageando as têmporas.
– Café e silêncio, Amanda. Por favor. — Pediu de forma paciente, mesmo que por dentro sentisse que poderia destruir a sala inteira.
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Stella pulou o almoço para dar uma olhada em sua armadura. Seu pai decidiu ajudar, usando sua última armadura de comparação, dando os ajustes necessários. Enquanto estava sob o poder de Hammer, Stella teve uma armadura simples. Grande demais e estranha, ela queria que se ajustasse mais ao seu corpo. Tony ajudou ela a refazer, agora a armadura tendo cintura e seios salientes, o capacete conseguindo suportar o cabelo dela junto da cabeça sem problemas.
– Podemos colocar um ajuste para você que gostar de fazer as coisas com a armadura. — Stella escutava atentamente enquanto digitava de forma frenética em seu computador. Tony desencaixou as mãos da armadura, desmontando elas para o horror de Stella.
–Mas o que você está fazendo? — Ele mexia meticulosamente na parte dos dedos, fazendo com que parecessem escamas.
– Continue o que está fazendo. Você já vai entender. — Ela olhou uma última vez de forma desconfiada para o pai, continuando os ajustes na armadura.
– Já que eu criei o meu próprio sistema, eu devia dar um nome, certo? — Tony não desviou os olho do que fazia.
– Jarvis está fora de questão. — Ela sorriu com aquilo, se virando para o pai. cruzando as pernas.
– Claro. Até por que, Jarvis era o mordomo do vovô que você adorava. Já o meu sistema, é uma mulher. — Ela olhou para a armadura quase entre eles no laboratório, analisando bem.
– Sim mas J.A.R.V.I.S é uma sigla. — Dess Stella não sabia. Olhou para o pai franzindo a testa, não entendendo.
– Que significa...-
– Jarvis Altamente Renovado e Virtualmente Imortalizado como Sistema. Tem que admitir que, por mais que eu gostasse do velho Jarvis, o nosso Jarvis é bem melhor. Me dê sua mão. — Ele estendeu a dele na direção da dela, esperando que ela fizesse o mesmo. Ele encaixou a mão da armadura na dela, acionando um comando no computador, capaz de cobrir e descobrir os dedos de Stella na “luva”. — Assim fica bem melhor para digitar, não? — Stella mexeu a mão e os dedos para ver como estava os movimentos, se não havia nenhuma limitação.
– Isso vai ser bem útil. — Tony olhou rapidamente para ela, com a expressão serena.
– É eu sei. De nada. — Ela sorriu, beijando a bochecha do pai, voltando a mexer no computador. Ele continuou a mexer na mesma mão da armadura, poucos minutos depois indo para a outra. Ele fungou antes de pensar duas vezes antes de falar sobre o que menos queria. Continuou a mexer na mão da armadura, mais para evitar o contato visual do que tudo. Sentia como se estivesse falando com a Stella de treze anos que recebeu vários chocolates, bombons e cartões de Dia dos Namorados. — Sei que não é da minha conta...- Ele tomou um pouco de coragem, diante do assunto desconfortável. — Mas... A quantas andam você e o Capicolé? — Stella parou de digitar, olhando para o pai quase de forma séria.
– Quer mesmo ter essa conversa? -
– Não mas, eu preciso estar preparado para eventuais momento como um namoro sério, ou a ideia muito, muito absurda de um homem mais velho que eu e sua mãe juntos me chamar de “sogrinho”. — Stella riu do aparente pânico do pai. Ele nunca tocava no assunto “Steve Rogers” e ele deveria estar realmente preocupado para falar daquilo.
– Da forma que as coisas vão entre vocês dois, eu duvido que isso aconteça. — Ela suspirou cruzando os braços.
– Da forma que as coisas vão? Por favor, eu sou uma pessoa adorável. — Stella ergueu uma sobrancelha para o pai, sorrindo de leve com aquela afirmação.
–Claro, pai. O Problema é o Steve.- Ela soou de forma ácida, revirando os olhos.
– Na verdade, o problema são todos os homens.- Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa. — Como acha que me sinto, sabendo que há homens “com” você? Rogers é... Bem, ele não é o mais qualificado que eu tinha em mente.- Isso era algo que Stella não esperava ouvir do pai. Não acreditou que tudo aquilo pudesse ser só ciúmes de pai com filha.
– Quer dizer que, independente do cara, você ainda assim não vai gostar dele? Que piada, pensei que a cisma fosse só com o Steve. — Tony a encarou sério.
– Claro que é. Ele tem uns duzentos anos, pelo amor de deus.-
– Eu não acredito que você ainda bate na mesma tecla, pai. Ele só existe há quase cem anos, não viveu todo esse tempo. Entende a diferença? Ele ficou congelado daquela época para agora. Não significa nada. A mente dele é a de um homem de vinte e poucos anos. Assim como o corpo. — Ele se levantou, passando uma mão pelo rosto, respirando fundo.- Por que você e ele não podem se dar bem como ele e o vovô se davam? — Stella encarou o pai esperando um resposta sincera.
– Não sou meu pai. E meu pai certamente não ficaria amiguinho do possível genro dele, se tivesse uma filha naquela época.- Tony suspirou, olhando para Stella. — Eu não quero ser o vilão dessa história, mas você tem que entender que eu não vou engolir ele assim, depois de tudo o que eu vi. Você sabe muito bem do que eu estou falando. — Tony sempre havia sido superprotetor em relação a Stella, sabendo de todos os envolvimentos amorosos dela.
– Jarvis então fez um belo trabalho todos esses anos, bancando o espião do meu pai. — Tony bufou.
– Sou seu pai. É meu direito saber se você está sofrendo. E se eu ver que pode haver uma possibilidade de isso acontecer de novo, eu vou me meter sim. -
– Como você tem tanta certeza? — Olhou séria para ele, sentindo os olhos arderem. Sentiu vontade de chorar mas não de tristeza. Seu peito estava quente pela raiva que começava a sentir com a palavras dele. Ele não soube responder. Ficou em pé parado, olhando para a expressão da filha. Sentiu como se negasse a ela algo essencial. — Você não tem. Você só tem medo que eu me machuque. Mas sabe de uma coisa? Notícia de última hora: Eu não sou mais criança. Eu tenho que fazer as minhas próprias decisões. Não tenho mais quinze anos para você decidir o meu futuro. Se você pudesse fazer o mínimo de esforço, e ver além do seu ego o quão feliz eu me sinto com ele, estando com ele, eu vou agradecer muito. — Ela largou as ferramentas que estavam em seu colo em cima da mesa, indo para a porta.
– Onde você vai? — Ela olhou para a expressão indecifrável de seu pai, típica de quando ele não tinha a resposta certa para algo.
– Não te interessa. — Ignorou ele completamente, quase correndo até o convés. Tony continuou no quarto. Não teve mais cabeça para continuar a trabalhar na armadura. Stella tinha razão. Sua implicância com Steve era puramente medo e ciúmes. Ele não conseguia ver sua filha com nenhum cara, muito menos com alguém com quem havia discutido e provocado desdo primeiro momento em que o viu. Steve era um bom homem, Tony teve de admitir para si mesmo. Mas não conseguia encarar bem a idéia de ele ficar com Stella. Por mais egoísta que parecesse, sempre imaginou a filha como uma grande empresária, uma mulher de negócios, sozinha. Até seu pai que era casado, aparentava ser sozinho. E a imagem de seu sucesso sempre se encaixava melhor quando era apenas ele. Ele olhou para as paredes envolta de si, sentido elas sufocarem ele. Precisava de ar, algo que aquele quarto não estava lhe dando naquele momento.
Fez o mesmo caminho que Stella para o convés. O tempo abaixo da base era de chuva, mas o sol brilhava com força acima das núvens. Stella estava sentada perto de um dos acessos ao convés, braços cruzados enquanto via o movimento dos soldados. Tony não preciso de muito para perceber que ela havia chorado, e a culpa não era de Steve. Ela não olhou quando Tony se sentou ao seu lado. Continuou a encarar o movimento no convés, como se ele pudesse desaparecer assim. Ficaram em silencio por alguns minutos, até que Tony suspirou, quebrando o silencio.
– Você está certa. Sou um idiota. Preciso escutar mais uma parte de mim que tem mais cabeça para esses assuntos. Infelizmente, parece que eu só aceito quando esta tudo quase perdido, e quando eu vejo que fiz essa parte sofrer. — Tony invadiu o campo de visão de Stella, enquanto pegava em sua mão. — Sabe que falo de você, não é? — Ela olhou para o pai, deixando uma lágrima escapar, balançando a cabeça ao concordar. — Eu preciso melhorar isso. Aceitar mais o que você decide. Mas eu sou pai. Ainda te vejo como um bebê, aprendendo a andar entre os meus carros na garagem de casa. — Stella sorriu, lembrando de quando sua mãe contou como ela aprendeu a andar. Foi procurar o pai na garagem, se apoiando entre os carros, andando sem jeito e firmeza nos pés até seu pai.
– Você está bem melhor de uns anos para cá. Dona Pepper Potts te ajudou bastante.- Tony abraçou a filha, beijando sua cabeça, apoiando sua cabeça na dela.
– Ainda assim, sou ainda o líder. — Stella riu.
– Você é um cabeça dura, isso sim. — Ele sorriu, abraçando-a forte.
– Tem razão. Mas ainda sou o líder. — Stella revirou os olhos, se ajeitando no abraço do pai.
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Tony e Stella resolveram voltar a trabalhar, mas cerca de uma hora depois, Tony se prontificou a ir buscar almoço para eles na cozinha. Pediu uma comida simples, esperando impaciente no refeitório. Tinham entrado em um acordo, mas ainda não sabia como lidar com Steve. Sua cabeça doía só de pensar nisso. Steve entrou no refeitório, suspirando ao ver Tony ali. Decidiu passar reto para não ouvir nenhuma graçinha, mas Tony olhou para ele quando o mesmo passou em sua frente.
– Rogers. — Steve parou, automaticamente ficando na defensiva, ao olhar para Tony. — Tem um minuto? — Estranhou aquilo, não sabendo se era outro truque dele para fazer piadinhas.
– Isso não sendo pretesto para piadinhas e insultos, Stark... — Tony ergueu as mãos, negando com a cabeça rapidamente.
– Não, não, Rogers. Eu reamente quero conversar sériamente. Por mais que eu quero fazer piadinhas e tudo mais, vou me controlar neste momento. Temos que conversar sobre uma coisa muito séria. — Steve permaneceu sério e na defensiva, apenas ouvindo.
– Sou todo ouvidos. — Tony estava desconfortável. Pensou que poderia adiar aquele momento até sua morte, mas aparentemente, Stella não ia deixar que ele morresse sem um genro e talvez até netos. A idéia o deixou com a cabeça ainda mais confusa.
– Eu conversei com Stella a seu respeito. E eu gostaria de informar que me comportarei melhor daqui para frente. — Steve ficou ainda mais na defensiva, aquelas palavras lhe soando irônicas.
– Isso é algum tipo de piada, Stark? -
– Não, não, piada alguma. Mesmo eu odiando isso eu... — Ele respirou fundo, encarando um ponto qualquer atrás de Steve para tomar coragem. — Eu... Já que as circunstâncias me trazem a este momento, eu gostaria de conhecê-lo melhor. Sem piadas, sem grancinhas. Isso, é claro,na sua cara, por que pelas costas eu sei que tanto eu quanto você vamos ser um pouco ofensivos em relação ao outro.-
– Diferente de você, Stark, eu tenho um lado só. Não sou de falar de ninguém pelas costas. — Tony ficou um pouco impaciente, gesticulando para que ele ficasse quieto e o escutasse.
– É, é, eu sei. Todo correto e tudo mais, mas... Eu estou fazendo um esforço, por Stella. Aparentemente, é importante para ela nos darmos bem um com o outro. — Steve suspirou, relaxando um pouco, lembrando de como Stella havia ficado chateada longe dos pais em Boston, e como ela achava importante que eles se dessem bem.
– Eu sei disso, Stark. Mas a minha parte eu estou fazendo. Você é quem precisa fazer a sua. -
– Olha aqui, eu estou tentando fazer as coisas ficarem mais fáceis aqui. Insultar não vai ajudar. — Steve riu, percebendo que Tony estava saindo da aparente calma, se irritando com ele.
– Eu sabia. Você não tem de fazer as coisas ficarem mais fáceis. Você tem de parar de colocar seu ego em primeiro lugar. Isso em todos os sentidos. Você se denomina o líder, e quase nos colocou em perigo várias vezes. — Tony respirou fundo, ignorando da melhor forma possível as coisas que Steve falava.
– O ponto é que, eu quero pelo menos tentar me dar bem com você. Pelo menos tentar. Pela minha filha. — Eles se encararam sério, no que Steve estendeu a mão para ele.
– Você tem a minha palavra. Pelo menos do meu lado, não haverá conflitos. Certo? — Tony o encarou por mais alguns segundos, apertando sua mão ainda um pouco incerto.
– Certo. — Eles apertaram as mãos brevemente, no que Steve se virou para a cozinha. Um agente trouxe comida para ele e Stella em uma grande bandeija, no que Tony olhou para Steve que estava de costas para ele. — Ainda posso te chamar de Capicolé, não é? Não há problema nisso, há?- Steve olhou para Tony, ficando irritado com a provocação.
– Não forçe a barra, Stark. — Tony deu de ombros, segurando a risada. Steve suspirou, no que Tony sorriu de forma travessa, saindo do refeitório para o quarto da filha, deixando Steve um pouco irritado na cozinha.
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Quando faltava quatro horas para a festa, Natasha bateu na porta do quarto de Stella, interrompendo os toques finais que ela e Tony davam na armadura. a bandeija com pratos e copos sujos ainda estavam ali no meio das ferramentas quando Natasha abriu a porta.
– Precisamos nos arrumar para a missão. — Stella concordou, no que Tony se levantou.
– Pai se importa? Preciso me arrumar. — Natasha entrou com uma mala, deixando em cima da cama de Stella.
– Não, tudo bem. Qualquer coisa me chame. — Beijou a testa de Stella, saindo rapidamente. Natasha trancou a porta, abrindo a mala para Stella.Dentro haviam duas armas pequenas com dois pentes de munição para cada. Um par de escutas e um par de microfones. Natasha teve de explicar como se utilizava todos, o que Stella entendeu rapidamente. Stella tomou um banho, escovando bem os dentes para colar o microfone ao dente. Feito de borracha e resina, seria difícil detectar ele. Assim que começaram a se trocar, Stella entendeu o plano.
– Brincos? — Olhou para o par de brincos, junto da escuta e do microfone. Natasha pegou o par, testando eles rapidamente em uma pequena tela da mala.
– São cameras. Assim são fáceis de usar. — Stella nunca achou que pudesse se sentir uma das Panteras.
Colocou uma peruca , depois de se maquiar de acordo com o vestido. Na coxa direita, ela havia colocado a arma, presa a cinta liga. Algo antigo e clichê que todas as mulheres de filmes antigos faziam, lembrou Stella. Um batom, um pó de rosto com espelho e o pente da arma foram para a bolsa que poderia facilitar as coisas. Quando olhou para Natasha, mal podia reconhecer a amiga e colega.
– Acho que vão levar um susto ao nos ver, não acha? — Natasha sorriu, ajeitando a peruca que lhe caia muito bem.
–Talvez. Mas é o nosso trabalho. Vamos? — Sorri ao abrir a porta para a amiga, saindo as duas em direção a sala de reuniões. No momento em que Stella e Natasha entraram na sala de reuniões da S.H.I.E.L.D, Todos viraram a cabeça para elas.
Natasha estava irreconhecível. Loira com as lentes castanhas lhe deixavam estranha, mas ainda sim linda. Clint não escondeu um sorriso que surgiu de forma natural em seus lábios. Natasha olhou para ele com um sorriso tímido, um rosa muito leve aparecendo por baixo de sua maquiagem. Steve se virou de repente, não sabendo se era por ter visto Peggy em Stella, ou por ter se virado rápido demais que se sentiu tonto. O cabelo de Stella lembrava muito o de Peggy, lembrando-o da única vez em que a viu sem uniforme, também em um lindo vestido vermelho. Ele respirou com certa dificuldade, sendo pego de surpresa pelas lembranças.
– Muito bem, Agente Romanoff e Agente Stark. Vocês já tem a escuta e o comunicador. Sei que estão armadas, mas peço que evitem elas. A camera que a Agente Hill entregou a vocês será usada de forma delicada. Não quero que caia em mãos erradas. — Fury pediu, colocando a mão sobre o ombro de Clint. — Agente Barton ficará de olho em vocês do lado de fora. Se precisarem de ajuda, chamem por ele. — Natasha e Stella assentiram, no que Tony se aproximou. Ele olhou para Stella de forma pensativa, mexendo em uma mecha da peruca.
– Você lembra muito a sua avó. — Falou ao analisar o rosto da filha, no que Stella sorriu por ser comparada daquela forma. — Cuide-se. — Ele falou um pouco sem jeito, mas protetor, beijando a testa da filha. Assim que deu um pasos para o lado, ele apontou para Clint. — Cuide bem dela, Legolas. -
– Pode deixar, Stark. Elas voltaram inteiras. — Clint sorriu presunçoso. Stella tentou se aproximar de Steve, mas Fury pediu para que ela, Natasha e Clint fossem logo para o convés. Estava quase na hora da festa e elas não deviam se atrasar.
– Stella.- Steve correu até ela, quando clint já a ajudava a subir na aeronave que tinha as turbinas ligadas, um enorme barulho fazendo com que ele gritasse para ela o ouvir. Clint soltou a mão dela quando ela desceu, indo até Steve. Ele olhou para ela, por um segundo se sentindo com Peggy novamente, quando estavam prestes a se despedirem, os cabelos escuros esvoaçando por conta das turbinas das aeronaves ligadas, o barulho ensurdecedor de motor fazendo com que todos gritassem. — Eu te subestimei demais. Me desculpe por isso. Tenha cuidado lá. Não aceite ir para nenhuma sala com ninguém. Eles podem tentar algo.- Ele aconselhou quase aos berros para que ela pudesse ouvir.
– Eu sei, Steve. Não tem com o que se preocupar, Capitão. Estou segura.- Ela sorriu para ele, no que ele retribuiu da mesma forma. Antes que ela pudesse se afastar de novo, ele agiu por impulso, puxando-a para perto, beijando-a demoradamente, sua mão direita no rosto dela. Stella retribuiu surpresa, segurando-se nos braços dele, não querendo parar aquele beijo tão cedo. Infelizmente, Clint gritou por ela, fazendo Steve parar o beijo de forma relutante.
– Cuide-se. — Pediu novamente, soltando-a aos poucos.
– Eu vou. — Falou um pouco mais alto, tendo que se afastar as pressas, subindo quase pulando com Clint dentro da aeronave. Steve ficou parado, vendo a aeronave alcançar voo, sumindo no horizonte rapidamente por conta das nuvens. Ele odiava despedidas, ainda mais quando se tratava de uma missão. Não era algo grave, mas não queria perder a oportunidade de mostrar o quanto se importava com ela. Seu maior medo era do passado se repetir. Isso fazia seu coração doer.
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