Notas iniciais
Liebes, já vou logo avisando... Achei o capítulo meio deprê mas isso foi necessário para a fic dar certo... Pelo menos para atender a alguns pedidos ^^
Beijinhos e enjoy o/

Midori on

Eu sentia meu mundo girando, eu estava caindo cada vez mais em um abismo profundo, eu não sabia o que estava acontecendo... Já não havia sentido isto antes? Sim, poucas semanas atrás... “O bom filho à casa sempre retorna”... Sim, essa frase me definia bem, essa frase e aquele turbilhão de pensamentos desconexos. Eu nunca seria salva afinal??

Midori off

Bill on

As meninas já haviam saído do hotel e eu finalmente podia sair do quarto do Tom. Não que eu não o amasse, mas ele estava um porre hoje. E tudo o que eu mais queria era dormir por horas, talvez por alguns dias.

Entrei no quarto silenciosamente para não acordar a Mi. Ela dormia como um anjo, sua doce face estava tranqüila. Era disso que eu tinha medo... Eu não sabia o que a Midori tinha, mas ela tinha algum problema. Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto, mas suspeitava que ela fosse bipolar ou até mesmo boderline...

Eu já havia me acostumado com isso, mas sempre era difícil. Ela era depressiva na maior parte do tempo, ela sabia esconder bem isso e vivia rindo, mas o riso nunca chegava aos seus olhos. Claro, ela tinha suas fases de intensa alegria, uma fase como a atual, mas era sempre nessas fases que ela piorava. Depois da alegria vinha o caos. Ela piorava, e justamente nessa fase que nosso relacionamento piorava. Não eram apenas brigas, eram quase fins de namoro... Ou o que quer que nós fossemos agora.

Respirei fundo e deitei-me ao seu lado. Ela ainda estava feliz, era isso o que importava.

Bill off

Midori on

Ouvi passos silenciosos entrando no quarto, quem seria a essa hora? Aliás, que horas eram? Tanto faz... Continuei fingindo que estava dormindo até que percebi que era Bill que havia deitado na cama. O abracei por trás.

- Te amo... – eu disse em seu ouvido.

- Eu também... Mas eu não conhecia esse seu lado – ele respondeu dando risadinhas. Minha vista escureceu de repente, mas eu continuei como se nada tivesse acontecido.

— Olha quem fala! Suas fãs irão AMAR saber que o santo e romântico Bill já fez ménage a quatroar [n/a: desculpem liebes, eu não sabia que nome dar quando se é quatro pessoas... na minha escola o povo fala suruba mesmo, mas achei muito rude este termo :p]

- HAHA! – ele se virou e começou a rir – Nem pense em fazer isso! – ele disse, de repente, sério.

- Por quê? Você vai me matar se eu o fizesse? – eu perguntei o desafiando.

- Não, mas... – ele passou sua mão por minha cintura, descendo até a minha bunda, per fazendo suspirar – talvez você nunca mais sinta isso de novo. – e então me puxou para um beijo suave de início, mas que, com o tempo, foi ficando cada vez mais intenso e, de certo modo, selvagem.

- Você não teria coragem. – eu disse o encarando.

- Eu teria sim! – ele disse com aquele olhar de quem blefava.

- Então tá! – eu me virei de costas para ele e fechei meus olhos.

- Ah não Mi! Vem cá! – Bill disse me puxando para ele.

- Ué? Você não disse que não encostaria mais em mim? – eu disse rindo.

- Eu disse que não te beijaria e não que não te tocaria. – ele disse tentando se explicar.

- Sei... – eu disse entre risos, e deitei minha cabeça em seu peito. – Eu te amo – repeti mais uma vez.

- Não mais do que eu amo você. – ele disse me beijando novamente.

É, por mais que se tentem algumas coisas nunca mudam. Inclusive o fato de eu sempre vencer o Bill...

xxxxxxxxxx

Depois de ter dormido por mais algum tempo, eu acordara super embriagada. O mundo ao meu redor parecia estar cheio de elefantes cor-de-rosa e de pessoas adoráveis. Eu gostava disso. Era engraçado ver como os elefantes não sabiam dançar... Parecia até o Bill tentando dançar... A diferença é que Bill era sexy, os elefantes eram ridículos. Eu só não entendia como eu acordara bêbada só agora, e normal quando Bill entrara no quarto.

Eu fui para o banheiro e tomei meu banho. Depois que saí do banho dei-me de cara com o espelho de corpo inteiro. Assustei-me. Estava com uns dois chupões no pescoço e mais alguns outros espalhados pelo corpo. Nada que uma boa maquiagem não disfarçasse, mas aquelas enormes gorduras pulando para fora de meu corpo, essas eu não conseguiria disfarçar com mágica nenhuma no mundo!

Senti-me cada vez pior, nojenta, com vontade de morrer... Eu não estava bonita ontem? Então porque estou tão feia agora? Por quê? Eu sabia a resposta. Eu não queria ter que fazer as contas... Eu não precisava fazer as contas... Mais de 5000 calorias só em bebidas ontem... E o pior é que nem miar, eu havia miado... Eu estava gorda, e era tudo culpa minha! Senti as lágrimas descendo por meu rosto. Elas eram geladas, mas não tanto quanto minha pele. Eu havia começado a suar frio e a tremer... Meu coração estava acelerado. Eu estava me perdendo em minha própria loucura.

Silenciosamente eu fui até minha nécessaire e peguei minha tesoura de cortar unha. Ela poderia ser pequena, mas fazia algum estrago... Novamente peguei na lamina e olhei seu brilho tenebroso mais uma vez antes de fazê-lo. Perguntei-me uma ultima vez o porquê daquilo. O porquê de eu ser fraca a ponto de não resistir me cortar, a ponto de não me matar.

Chorei novamente e finquei a lamina em meu pulso. Desça o morro, nunca atravesse a rua. Era uma boa frase a se lembrar... Se quiser se salvar siga-a, caso contrario, não ligue de ser atropelada... Senti a dor do metal em minha pele, o incomodo da lamina em minha carne. Era uma dor boa, aliviante. Melhor do que a dor da gordura em minha barriga. Deitei-me no chão frio de mármore branco e continuei “descendo o morro”. O sangue brotava de minha pele com uma facilidade assustadora. Sorri.

Meu coração já havia se acalmado, os tremores, cessado. Levantei-me e dei um jeito de limpar o chão daquele quarto de hotel. Graças a Deus existia o algodão e o papel higiênico, havia sangrado bastante dessa vez. Peguei a gaze e fiz um curativo simples, mas eficaz. Eu não podia perder tempo. Se Bill acordasse, aí sim eu estaria morta.

Ainda enrolada na toalha eu voltei ao quarto e vesti uma calça preta com um casaco da mesma cor. Era tudo muito simples e escuro, como o meu humor naquele exato momento. Saí do quarto e fui para o restaurante do hotel fazer meu desjejum. Olhei atentamente cada opção do cardápio, tudo extremamente calórico. Escolhi o chá verde e uma fatia de melancia. 100 gramas, 24 calorias a mais. Respirei fundo e comecei a comer. Quando acabei retornei ao banheiro e me curvei sobre o vaso sanitário.

Chorando, enfiei um dedo na garganta. Senti o primeiro enjôo. Enfiei o segundo dedo. Outro enjôo e, quando percebi, minha mão já estava completamente dentro de minha garganta. Doía, e eu chorava por isso. Comecei a vomitar toda a melancia que eu havia comido, vomitei a melancia e – eu acho – um pouco do whisky de ontem. Minha garganta ardia mais do que meu corte, estava praticamente em chamas, e novamente comecei a rir e a chorar. Tudo ao mesmo tempo. Até que comecei a vomitar sangue. Ops! Hora de parar... Eu não queria ficar rouca como na ultima vez... Levantei-me e dei descarga um, duas, três vezes. No final enxagüei minha boca e fui para a cama. Voltei a chorar.