Strange In The World Behind My Wall

48 Capítulo 45. Mudança de vida


Eu não conseguia acreditar em que meus olhos viam. Eu simplesmente não conseguia!! Mas eu também não conseguia mais continuar vendo aquela cena e, no entanto, eu continuava ali parada, tentando acordar de um pesadelo real. Foi quando o Bill me olhou que eu saí correndo e me tranquei em meu quarto.

Eu me sentia arrasada e derrotada. Fechei a porta com força e a tranquei. Depois encostei-me nela com violência e escorreguei lentamente até o chão. Chorei até o momento em que as lágrimas não saiam mais. Eu ouvia Bill na porta pedindo para eu sair do quarto, as tudo o que eu conseguia fazer era chorar e continuar encolhida no canto do quarto.

Depois de um tempo, algumas horas talvez desde que o ônibus parou, eu me levantei, peguei minhas roupas e coisas que estavam no quarto, e peguei minha nécessaire. Enviei uma mensagem a Georg, “Mande minhas coisas para Aiko”, era tudo o que ele precisava saber. A essa altura não havia mais ninguém no ônibus. Todos haviam saído, então eu peguei minha carteira, certifiquei-me de que nela havia dinheiro suficiente para um taxi e para ir para Paris ou Ibiza, e peguei minha tesoura. Fui para o meu quarto novamente e escrevi as iniciais do que eu mais precisava lembrar – e me esquecer – em meu braço esquerdo: “Bill, Ich Liebe Dich” ou simplesmente “Bild.” No direito foi um desabafo: “Fuck You Natalie”, ou simplesmente FYN.

Enquanto meus braços sangravam eu chorava. Odiava ter de fazer isso, principalmente agora quando eu mais precisaria dele comigo, mas eu tinha que ser forte. Já não fiquei dias sem comer? Agora eu só precisava ficar anos sem aquele que eu amava. Seria... A coisa mais difícil que eu teria que fazer em minha vida. Mas era preciso.

Quando os cortes finalmente pararam de sangrar eu tirei minha blusa já toda ensangüentada e a joguei no lixo. Fiz o mesmo com a calça e coloquei uma roupa super justa e nada longa – pelo menos a blusa. [roupa]

Olhei-me no espelho. A blusa deixava à mostra minhas cicatrizes e cortes recém produzidos. Mostrava também minha barriga um pouco saliente, nada grande, mas o pequeno volume [que seria o mesmo que nada para alguém normal] me assustava. A roupa colada evidenciava minha magreza. Sorri para o espelho. Sorri para a garota amarga na qual eu iria me transformar. Ou já teria me transformado nela? Eu não sabia a resposta. Sabia apenas que aquele sorriso cruel, destacado por um bom batom vermelho e delineador me encantavam, o brilho sombrio de meus olhos me fascinavam, eu estava, enfim, em paz.

Abri a porta do ônibus da turnê e olhei para o céu. Devia ser quase seis da tarde, o sol estava se pondo. Fechei a porta do ônibus e dei minha chave para meu ex-segurança. Despedi-me dele sorrindo e caminhei para a entrada do hotel [eu estava na garagem] com um sorriso sombrio em meu rosto. Se tudo desse certo, eu faria muita gente sofrer e ainda sumiria do mapa no final. Sorri com a idéia. Olhei para o lado e vi o primeiro paparazzo.

Parei na frente da entrada do hotel e acenei para o paparazzo. Deixei meus cortes à mostra e depois fiz uma pose de lado, tentando mostrar ao máximo minha barriga. Sempre que podia, eu mostrava meu braço e tentava evidencia meus ossos. Entrei no hotel e comprei uma garrafa de whisky. Sabia que era super calórico, mas eu amava whisky. Saí do hotel e comecei a beber o whisky. Depois de acabar com a garrafa e de me cansar de dar um “showzinho” para os paps eu chamei um táxi e fui para o aeroporto.

Em minha carteira eu tinha certeza de que tinha dinheiro o suficiente para umas três viagens de ida e volta da Alemanha para os EUA, e dos EUA para o Japão. Fui direto para o balcão de atendimento e comprei uma passagem para Los Angeles. Eu não ficaria muito tempo por lá então aproveitei e comprei uma passagem de Los Angeles para Ibiza para daqui a dois dias. Como meu vôo sairia apenas daqui a três horas eu fui para um salão de beleza que ficava dentro do aeroporto.

Cheguei ao salão e pedi uma mudança quase radical. Apenas pedi para mudar a cor de meus cabelos de verde água para preto com a parte de cima azul. Nada muito radical. Aproveitei para repicar meu cabelo também. No final eu curti a mudança. [cabelo]

Mal saí do salão de beleza eu ouvi a primeira chamada para meu vôo. Meu Ipad 3 tocou. Quando olhei, eu havia recebido um email de Bill. Eu não abri o email para saber do que se tratava, exclui-o sem pensar duas vezes. Soltando uma ultima lágrima coloquei meus óculos escuros, acenei para um pap que não sei como acabou me reconhecendo, e subi a bordo de meu vôo, esperando nunca mais retornar para este país.

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- Com licença, senhorita – uma voz suave fala em meu ouvido – Senhorita! – a voz meio que grita dessa vez. Eu acordo de repente.

- Ah? Sim? – eu pergunto para a aeromoça ao meu lado.

- O avião já aterrissou. – ela disse atenciosa. Eu olhei para o lado e vi que o avião estava quase vazio.

- Ah! Obrigada moça! – eu agradeci honestamente.

- De nada! – ela sorriu e se virou. Eu peguei minhas coisas e fui para a esteira pegar minha bagagem. O bom dos EUA, ou de LA, especificamente, era que quase ninguém me conhecia aqui. Ou se me conhecia, não ficavam me tratando como uma famosa. Eu era famoso apenas na Alemanha. Para o resto do mundo eu era apenas mais uma groupie sortuda.

Saí do aeroporto de entrei em um taxi qualquer. Pedi para me deixarem no High Voltage, o Studio de tatuagens da Kat Von D. Quando cheguei lá eu pedi para conversar com a Kat. Eu havia chegado cedo ao Studio e, por isso, ela estava sem clientes. Ela pode me atender e então fiz uma tatuagem que há tempos, ou mais exatamente 12 horas, eu decidira fazer. “Sorry, but I don’t pray that way” fora a frase tatuada embaixo do seio.

Quando eu decidi fazer minha tatuagem com a Kat – quando eu decidi ir para LA – eu sabia que provavelmente iria aparecer em seu programa Los Angeles Ink. Eu era fã dele e de seu serviço. A Kat, fofa como sempre – pelo menos eu a achava fofa na TV – me perguntou se tinha algum problema em me filmarem. Eu disse que não.

- E então gatinha? Por que você quis fazer essa tatuagem? – ela me perguntou puxando assunto. As câmeras já estavam ligadas.

- Você sabe quem eu sou? – eu perguntei enquanto ela terminava de ligar a maquina de fazer a tatuagem. O barulho da vibração da agulha me irritava.

- Para ser sincera não. Você namora alguém famoso não? – ela me perguntou sorrindo.

- Namorava o Bill Kaulitz. – eu disse dando ênfase ao “-ava”.

- O garoto do Tokio Hotel? – ela perguntou.

- Esse mesmo. – eu disse sorrindo – Acho que essa tatuagem representa bem esses dois anos que passei com ele. Sem falar que sou fã do Marilyn Manson.

- Eu também. É um trecho de Tainted Love não é? Eu simplesmente adoro essa musica! Ela é muito massa! [n/a:gira, para as de Portugal]

- Com certeza! – eu disse tão empolgada que nem senti quando ela começou a me perfurar com a agulha que, ao invés de me machucar, apenas me fez cócegas.

- Mas tem como você explicar melhor, você sabe, para os telespectadores, sobre a tatuagem? – ela pediu tentando ser delicada.

- Bem, digamos que o nosso namoro não deu muito certo. “O amor é para se rezar, mas me desculpe, eu não rezo desse jeito”. Nosso amor era realmente doloroso e cruel, eu o fazia sofrer muito, e eu o amava, então não consegui suportar causar mais dor a ele e bem, aqui estou eu. – eu disse simplesmente, não querendo dar muitos detalhes.

- Parece que você ainda o ama. – ela disse sorrindo.

- Talvez – eu concordei, sorrindo de lado – Kat?

- Sim gata? – ela perguntou entusiasmada.

- Tem como fazer outra tatuagem além dessa? – eu perguntei.

- Embaixo do seio? [n/a:que nem a da Miley Cyrus]

- Não. Essa eu queria no sacro, quase no cóccix, entre os dois furos das costas sabe? – eu disse para ela.

- Acho que sim. O que você quer tatuar? – ela perguntou concentrada no desenho da tatuagem.

- Hmmm... Ana’s song. – eu respondi.

- Acho que dá sim. E qual seria o significado dessa?

- É uma musica do Silverchair. – eu disse.

- Não é a que o vocalista teve anorexia? – ela comentou.

- É... A música tem muito a ver comigo. – eu disse.

- Espera... Ana não é tipo... Um apelido para Anorexia? – a ficha dela começava a cair.

- É sim. – eu disse.

- Então os boatos... – ela parecia sem palavras.

- Eram verdadeiros. Eu sou Ana. – eu disse com uma tranqüilidade assustadora.

- Como você consegue? – ela perguntou surpresa.

- Eu não sei. Talvez eu mereça a Ana... Talvez eu só esteja pagando meus pecados... Eu não sei – eu disse sorridente.

- UAU! – ela disse simplesmente.

No fim da sessão, eu não sabia ao certo, mas achava que talvez tivesse feito uma nova amiga. Kat era realmente legal, e seu trabalho era divino! Em nenhum momento eu senti dor. Talvez os cortes doessem tanto que eu já estava acostumada, mas eu nem liguei. Eu continuava amando minhas novas tatuagens.

Faltava menos que um dia para eu ir para Ibiza e eu nem havia me arrumado direito. Parei em um hotel qualquer de LA e pedi um quarto para passar a noite. Depois fui para o apartamento de Bill e peguei minhas coisas que tinham ficado por lá. Deixei minhas ultimas chaves lá e coloquei a chave da porta dentro da caixa de correios. Ele a encontraria quando chegasse. Aproveitei para deixar lá os cartões de credito que ele havia me dado e todos os outros presentes. Fiquei apenas com os Laboutins, roupas e alguns anéis de caveira e crucifixos que eu realmente amava. Porém eu pagaria por eles, e pelo dinheiro que peguei para pagar as passagens de avião e o hotel, além da tatuagem. Saí de seu apartamento em silencio, deixando para trás as ultimas lembranças de uma época em que eu fora feliz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.