Strange In The World Behind My Wall
47 Capítulo 44. Tristezas, explicações e decepções
Notas iniciais
Midori on
Passei aquele dia chorando. Eu queria evitar, mas não conseguia nunca parar. Eu sabia que eu acabava magoando Bill chorando daquele jeito, mas, mesmo assim, eu continuava a chorar. Não se podia fingir que é forte por muito tempo... Uma hora você acaba desmoronando.
Sempre que eu podia eu ia para o banheiro chorar sozinha. Eu não suportava a idéia de magoar o Bill. Às vezes ele ia atrás de mim, e então eu voltava a chorar cada vez mais forte. Ele tentava me acalmar. Dava-me selinhos, acariciava meu rosto, sempre em silencio. Mas de nada adiantava. Eu continuava me sentindo péssima...
Não comi nada o resto do dia e me senti feliz por isso. À noite sai para uma boate com Tom, Bill, alegando estar muito cansado por causa do show, se recusara a vir com a gente. Eu queria ter ficado com ele, mas precisava queimar calorias, e dançar era uma das formas mais eficientes de se fazer isso.
Dancei a noite toda. Foram mais ou menos sete horas seguidas dançando... Cerca de 2100 calorias a menos. Fiquei tão feliz, mas, ao mesmo tempo, tão tonta... Parecia que eu ia desmaiar... Entrei na suíte do hotel fingindo que estava bêbada. Estava fedendo a cerveja mesmo [culpa do Tom]... Bill, se não acreditara, pelo menos soube fingir bem.
Nos dias seguintes continuei sem me alimentar, Bill desconfiava, mas conseguia disfarçar acordando sempre mais cedo que ele, e também descendo para o salão de jantar em horários diferentes que ele. Georg pelo menos me ajudava. Ele era ótima companhia para se fazer ginástica. E eu devia muito ao David por ele ter nos colocado em um hotel com sala de ginástica.
As tonturas, porém, eram quase tão freqüentes quanto as crises de choro, e eu evitava ficar perto das pessoas a cada dia que se passava. Tinha horas que eu me sentia sozinha, em uma constante solidão e depressão. Porém lembrava-me da Ana, ela sempre me fazia companhia.
Os dias passaram velozmente e, quando eu menos esperava, já estava na hora de voltar em turnê. Tudo bem que, desta vez, seria uma mini-tour pela Alemanha, mas, mesmo assim, isso me entediava. Eu odiava ficar presa dentro do ônibus de turnê... Ele era meio... Claustrofóbico! Mas mesmo assim eu o amava. O clima, a vibe que estava sempre com a gente quando eles estavam em turnê... Até algumas groupies eram legais! Pelo menos as que queria ficar com o Tom ou com os G’s. O Bill era só meu... E sempre seria assim.
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- Bill, o David pediu pra avisar que daqui a quinze minutos a gente chega ao hotel – eu avisei para Bill. Sim, eu meio que vivia passando os recados do David para o Bill ou quem quer que fosse para o resto da banda quando eles tinham preguiça de gritar. Era ridículo, eu sabia disso e eles também, mas pelo menos me fazia queimar algumas calorias extras.
- Tá – ele sorriu docemente – Pede para a Nat vir aqui retocar minha maquiagem? – ele pediu ainda sorrindo.
- Claro! – eu disse em uma falsa tranqüilidade. Eu odiava a Natalie e ele sabia disso. Fechei a porta atrás de mim e fui atrás da Natalie. Eu odiava ter que deixar ela sozinha com o Bill, mas era necessário. No banheiro do ônibus não cabiam mais que duas pessoas. Eu sabia disso, pois uma vez eu, Tom e o David tentamos entra juntos e Tom acabou ficando entalado na porta. Aquele dia fora mesmo engraçado.
Subi novamente as escadas do ônibus, passei pelo David que, como sempre, deu uma piscadela sedutora para mim, que respondi beijando sua bochecha. Passei por Gustav, que como sempre não me ofereceu seu chocolate [graças a Gott!] e por Georg, que estava penteando seus longos cabelos. Cheguei ao corredor e bati na porta de Natalie. Ninguém respondera. Quando já ia dar meia-volta acabei trombando na Natalie.
- Ai! – eu gritei de susto.
- Desculpa Mi! Eu não queria te assustar. – a vagaba, ooops! A Natalie falou.
- Sem problemas! – eu disse, sorrindo falsamente – O Bill pediu para você ir retocar a maquiagem dele antes que o ônibus pare. – eu a avisei.
- Ah sim! Obrigada por avisar. – ele sorriu e entrou no quarto dela, fechando a porta logo em seguida.
Voltei para a “sala” que tinha no segundo andar e me sentei ao lado de Georg. Não era que eu não gostasse de Gustav, mas eu era mais intima de Georg. Eu me sentei, respirei fundo e, quando Gustav olhou para mim, eu retribui o olhar de um jeito sugestivo. Ele rapidamente entendeu o que eu queria. Ele me passou a escova e virou-se de costas para mim.
- E então? Já está melhor? – ele me perguntou.
- Depende do ponto de vista – eu disse sorrindo, ao mesmo tempo em que penteava seus cabelos sedosos.
- Fale de seu ponto de vista. – ele respondeu simplesmente.
- A Ana continua comigo. Eu gosto disso... Até mesmo porque a Mia e a Tina tem se afastado um pouco de mim. – eu respondi com sinceridade.
- Como assim se afastado... um pouco? – ele perguntou em um sussurro.
- Você sabe... Elas ainda estão comigo... Mas são menos intensas. Olhe! – eu disse estendendo meu pulso para ele – Alguns (cortes) já estão começando a cicatrizar. Esses outros aqui – eu disse subindo um pouco a manga da minha blusa – já estão quase cicatrizados. – eu disse sorrindo.
- Hum... Mas elas ainda estão com você né? – ele perguntou cabisbaixo.
- Sempre! – e eu sorri novamente, dessa vez mais queridamente que das outras vezes.
- Você as ama. – ele me acusara de um modo um pouco ciumento.
- Infelizmente. Você tem que entender que – eu comecei a dizer em minha defesa, porém ele me interrompeu.
- Eu te entendo. Ou pelo menos tento. Mas é difícil entender como alguém pode amar uma coisa que a mata aos poucos. – ele disse por fim.
- Georg, você me ama? – eu perguntei.
- É claro. Mas como uma irmã mais nova. Você sabe disso né? – Georg começou a falar rápido, de repente desesperado.
- Eu sei. – eu disse rindo – Mas você percebe que eu deixo as pessoas sempre tensas não é? Eu sempre machuco as pessoas, mesmo que sem querer... Eu não consigo evitar... Por mais que eu as ame, por mais que eu as trate bem, eu sempre as magôo, minhas personalidades, minha tristeza quase sempre constante, sempre as deixam para baixo... Deprimidas! – eu disse em um desabafo sincero.
- Mas quando você está feliz nos proporciona os momentos mais maravilhosos que já tivemos. – Georg disse fofo como sempre.
- Obrigada Georg. Mas é assim com a Ana também... Ela me faz ser a pessoa mais triste do mundo. Mais paranóica, mais deprimida, mas obesa do mundo!! Mas, quando eu subo na balança e vejo 100 gramas a menos em meu corpo... Bem, a Ana me faz ser a pessoa mais feliz do mundo!! É assim que as coisas são... É por isso que eu amo ela. Porque ela me faz feliz. Compreende agora? – eu disse tentando desfazer um nó em seus cabelos.
- Um pouco mais do que antes. Mas ainda assim é difícil entender. – ele disse meio envergonhado.
- Eu imaginei isso. – eu disse rindo, enquanto finalmente terminava de desembaraçar seus fios.
De repente eu senti um movimento em minha barriga. Algo estranho cujo movimento eu nunca havia sentido antes. Fiz meus cálculos. Havia quase 100% de chance de eu estar certa. O pânico tomou conta de mim e a única coisa que eu consegui dizer foi um “Ah não!” quase silencioso.
Antes que Georg, Gustav ou David pudessem me perguntar qualquer coisa eu saí correndo em direção as escadas. Eu as desci rapidamente e corri pelo corredor, quase empurrando Tom quando ele saiu de seu quarto. Foi quando eu abri a porta do banheiro — a porta, em minha opinião, era a única que me salvaria — que eu senti a maior dor, decepção e raiva da minha vida. Ele não podia ter feito isso comigo!
Bill estava beijando uma Natalie praticamente seminua sentada em seu colo!!
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