Strange In The World Behind My Wall
18 Capítulo 16. Recaída
Notas iniciais
Antes que pudesse acontecer mais alguma coisa Tom pigarreou e perguntou se a gente não podia ir comer logo porque ele já estava morrendo de fome. Nós fomos para uma grande mesa e o prato principal era uma macarronada. Fiz as contas. Um prato de macarronada tinha por volta de 389 calorias, com a latinha de coca cola que tinha 137 calorias eu acabaria tendo que ingerir 526 calorias! Ai. Meu. Deus!!!
Eu sou uma gorda!! Mas eu havia prometido para o Bill que iria me tratar. Eu devia isso a ele. Mas eram tantas calorias... E elas iriam todas para a minha barriga, coxas e braços! David reparou que eu estava tendo algum problema com a comida porque ele virou e falou para mim:
- Mi... Dori! – ele completou quando viu a cara do Bill para ele – Você não gosta de macarrão? Se você quiser eu posso pedir outra coisa para você.
- É! Não precisa olhar para o pobre macarrão como se ele fosse te matar – disse Georg chegando de repente.
- Georg? – todos falaram ao mesmo tempo.
- Não. É o Axl Rose. Dãaa! – disse ele irônico.
- Mas eu gosto de macarrão... Só tem muito no meu prato... – eu disse na esperança de, se eu tivesse que comer aquilo, pelo menos comer menos do que eles esperavam que eu comesse.
- Não tem problema! Eu como o que restar pra você. – disse Gustav
- Gust! Para de ser gordo. – Bill gritou.
- Nem é gordura. É gostosura! – ele respondeu. Silencio tenso de três segundos. Todo mundo se encarou.
- Mas é claro Gustav! Assim como a feiúra ser excesso de beleza! – Tom disse num tom de voz falso.
- Não tem coca zero não? – eu disse cortando o clima de briga.
- Só um momento Midori. – e Georg chamou um garçom que rapidamente trouxe a minha coca zero. Menos 137 calorias em meu corpo. Eeeeh! “o” barrinha que seduz
- Eu estou tão feliz que você veio morar com a gente Mii... – disse Bill me abraçando e me dando um selinho.
- Eu também Bii... – sussurrei em seu ouvido. Ele não resistia quando eu o chamava de Bii.
Ao longo do almoço a conversa que girava sobre mim e minha vida aos poucos foi se transformando em pequenas conversas. Falamos sobre varias coisas. O que eu gostava de fazer, o que eles gostavam de fazer, os mitos que os paparazzi contavam, o fato deles odiarem a escola quase tanto quanto eu odiava, etc.
De todos sentados na mesa Georg era o que menos falava comigo. Até a Natalie Franz, da qual eu não gostava muito – pois é eu sou ciumenta – já era praticamente minha amiga. Mas Georg não, apesar de ser educado ele parecia ter raiva de mim. Mas eu não liguei. Eu já estava acostumada a ser desprezada pelas pessoas.
Eu consegui comer tudo o que estava no meu prato mais a coca cola. Passado um tempo, e depois deu ficar cansado do Bill toda hora ficar passando as mãos em minha coxa – não que eu não gostasse aquele só não era o local certo – eu pedi licença para ir ao banheiro.
Chegando ao banheiro eu me olhei no espelho e fiquei confusa. Eu havia me pesado antes de embarcar no avião. Estava pesando 42 kilos. Era para eu estar magra, mas o espelho me mostrava outra coisa. Eu estava obesa. Devia estar pesando no mínimo 69 kilos, isso sem contar os três kilos que eu deveria ter engordado com a macarronada. Não agüentei mais me olhar no espelho.
Fui para um dos reservados e me agachei sobre a privada. Enfiei devagar um dedo em minha garganta. Não havia funcionado. Enfiei outro e mais outro dedo. Consegui vomitar tudo o que eu havia comido. Mas não era o suficiente. Foi só quando eu comecei a vomitar sangue que eu comecei a ficar mais tranqüila.
Mas eu ainda queria ter minha Gillette comigo. Eu tinha que me cortar. Tinha que me punir por ter caído em tentação. Eu não devia ficar tendo compulsões assim. Era por isso que eu estava gorda. Eu tentei usar minhas unhas.
Como a pele de meu pulso ainda estava fragilizada não foi muito difícil fazer um pequeno corte nele. Cravei minhas unhas em meu pulso e, quando senti dor suficiente e a pele muito quente, deslizei minhas unhas formando assim um novo corte. Fiquei observando o sangue brotar de minha pele e, quando parou de sangrar, lavei minhas mãos e voltei para a mesa.
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