Story of my Life
9 9- O ultimo Adeus
Notas iniciais
Acordei antes de o sol nascer, hoje seria o dia de dizer adeus, mas como fazer isso mais fácil?
Cris mexeu-se ao meu lado quando me movimentei e percebi seus olhos se abrindo lentamente.
— Que horas são pequena? – perguntou-me enquanto se sentava na cama.
— São 06h00min Cris, eu vou trocar de roupa e fazer um café, quero ir o mais rápido para a igreja — falei levantando e pegando a roupa que havia separado para hoje.
Tudo estava passando rapidamente diante dos meus olhos, fiz tudo no automático, desde minha higiene pessoal até o banho, me troquei e coloquei outro vestido preto, prendi o cabelo num coque, óculos no bolso e sai para fazer o café. Cris entrou rapidamente no banho e logo encontrou as coisas do café na mesa.
— Você não vai comer nada estrelinha? – perguntou observando-me apenas com meu café preto nas mãos.
— Não tenho fome – respondi voltando minha atenção para o café que rapidamente bebi tudo – Estou indo para a igreja vamos?
— Claro, vou apenas pegar meus óculos no seu quarto – falou se levantando e subindo as escadas.
Deixei a mesa arrumada afinal não éramos as únicas em casa.
— Bom dia Rachel – cumprimentou Emily descendo as escadas ainda de pijama e simplesmente forcei um sorriso.
— Bom dia – cumprimentei e escutei barulho na escada para Cris aparecer e vim caminhando rapidamente para meu lado, cumprimentou Emily rapidamente.
— Vamos amor? – pergunto para mim e apenas olhei rapidamente notando Emily fazendo uma careta. Realmente? Isso só pode ser uma piada... Enfim... Agora não é o momento.
— O café da manha está pronto Emily – avisei-a apontando para a mesa – Eu e a Cris estamos saindo para indo para à igreja, vocês podem fechar a casa? – perguntei a vendo concordar, peguei a mão da Cris e comecei a sair – Vem sun – falei sorrindo para Cris.
Entramos no carro e nos dirigimos rapidamente até a igreja, sei que ainda era cedo mais o enterro será ainda nessa manha, papai passou a noite inteira aqui, precisa ir para casa comer algo, se trocar e eu preciso encontrar um jeito de dar adeus... Mas como?
Cris mais uma vez havia dirigido e logo chegamos na igreja, como ontem havia vários repórteres espalhado pelo gramada esperando alguma movimentação... Bando de urubus... Droga... Coloquei os óculos e olhei para Cris estacionando o carro, logo ela estava na minha porta para irmos juntas.
— Vamos passar rápido e vai dar tudo certo.
— Eles não vão ir embora até eu falar algo Cris – falei tristemente – Eles são um bando de urubus colhendo o sofrimento dos outros – falei enquanto andava e percebi a movimentação deles quando me viram, vindo rapidamente até mim.
— Rachel você tem algo para dizer? – perguntou um deles.
— Sentimos muito pela sua perda, quer falar algo? – perguntou outro.
— Rachel sentimos muito pela sua perda, tem algo para falar para seus fãs que estão bombardeando suas redes sociais passando apoio? – perguntou um deles.
Parei de caminhar e me virei para eles, fazendo Cris e os seguranças pararem também.
— Esse é um momento muito difícil para mim e para papai, está sendo muito difícil lidar com isso, mas vamos conseguir... – falei rapidamente – Aos meus fãs quero agradecer de todo o coração pelo apoio que estão mandando para mim e para o papai, vocês são os melhores.
Virei-me e comecei a caminhar rapidamente para dentro da igreja, guardei os óculos no bolso e virei para Cris.
— Preciso que você leve o papai até em casa – pedi para ela – Não deixe que os fotógrafos cheguem perto dele, por favor – pedi a vendo assentir.
Entramos rapidamente e percebi a igreja completamente vazia com exceção do papai.
— Bom dia papai – cumprimente-o quando cheguei ao seu lado – Eu vou ficar aqui e o senhor vai ir para casa trocar a roupa e comer algo – avisei o vendo protestar – Cris vai te levar... Eu vou ficar aqui... Minha vez de ficar com o pai, eu preciso disso.
Contra essa ele não poderia protestar, se levantou dando-me um abraço avisando que voltaria em menos de uma hora. Quando Cris e papai desapareceram sentei no banco em frente o caixão e me perdi em meus pensamentos... Como posso simplesmente levantar e dar adeus? Não parece certo, ainda não consigo acreditar que seja real isso... Leroy não merecia isso... Ele era bom, não merecia ter partido tão cedo... Ele não estará mais aqui... Eu me sinto totalmente perdida sem ele aqui... Preciso ser forte pelo papai mais é impossível nessa situação... Eu quero mais não consigo... É meu pai ali daquele caixão... Ele me ajudou tanto nos últimos tempos... Meu cd está pronto com as musicas escolhidas graças a ele, não me deixou desistir e ajudou-me dando total suporte para minhas decisões... E agora não estará mais aqui para ver...
— Rachel? – chamou uma voz e levantei a cabeça me deparando com Kurt e Blaine em pé ao meu lado – Sentimos pela sua perda – falou sem jeito e me levantei para abraça-lo.
— Está tudo bem Kurt – falei separando-me dele e abraçando Blaine.
— Queríamos vim ontem Rachel, mas não conseguimos lugar no avião – falou Blaine desculpando-se – E como adiantamos nossa viagem precisávamos deixar tudo certo, nos perdoe.
— Está tudo bem meninos – tranquilizei-os – Muito obrigado por virem – agradeci de coração notei algumas pessoas chegando e se sentando em alguns bancos... Que horas são? – Vocês sabem as horas?– perguntei totalmente alheia a tudo ao meu redor, quando sai de casa era 7:00 horas mais ainda não havia ninguém aqui.
— São 8:20 Rachel – falou e assustei-me com a hora, está chegando o momento e ainda não consegui me despedi — Você precisa de alguma coisa? Se precisar estamos aqui – perguntou Kurt preocupado.
— Não eu estou bem, mas obrigado por perguntar – respondi.
— Nós vamos nos sentar aqui no banco de trás – falou Blaine – Se precisar é só se virar – disse docemente.
— Obrigado meninos – agradeci e sentei-me no banco novamente olhando para o caixão.
— Princesa – chamou Cris ao meu lado atraindo minha atenção novamente, percebi ela acompanhada de dois homens e por papai em pé ao seu lado, foi inevitável não sorrir para eles... John era meu diretor e se tornou um grande amigo durante esses anos e Sr. Thomas era quem patrocinava a peça, o tenho como se fosse um avô, sempre deu-me apoio e é um grande conselheiro.
— Vocês vieram – falei sorrindo para eles e John foi o primeiro a me prender num de seus abraços de ursos.
— Sinto muito Rachel – disse em meu ouvido e apenas o abracei mais forte e logo me separei dele para Sr. Thomas me envolver em seu abraço.
— Sinto muito mesmo Rachel, nada do que eu falar poderá mudar sua dor, mas estou aqui para tudo o que necessitar, qualquer coisa mesmo – falou se separando de mim e olhei os dois com um pequeno sorriso.
— Nem sei o que falar... – disse – Vocês estarem aqui ao meu lado é muito importante... Obrigado – agradeci e recebi mais um abraço de cada uma para vê-los se sentarem em alguns bancos atrás.
— Como você está papai? – perguntei quando ficou apenas ele e Cris ao meu lado.
— Estou aguentando Rachel – disse – Antes que perguntei, comi algo e troquei de roupa.
— Fico feliz papai, Cris fez seu trabalho direitinho – falei virando para ela dando um pequeno empurrão em seu braço.
— Eu não durmo em serviço pequena – falou piscando para mim.
— Eu sei sun...
— Eu vou me sentar Rachel – falou papai cansado e percebi-o caminhando até Judy que havia acabado de chegar junto com as filhas, essas estavam vindo até onde eu e Cris estavam.
— Cris... – chamei baixinho e olhei para ela atordoada, não me acostumei ver Quinn tão perto de mim ainda.
— Está tudo bem princesa – garantiu ela – Não vou sair daqui – falou como uma promessa se virando para receber duas loiras paradas em nossa frente.
— Bom dia Frannie – cumprimentei-a com um abraço e virei-me para Quinn – Bom dia Quinn.
— Bom dia Rach – falou puxando-me para um abraço e foi impossível não retribuir esse abraço... Seu cheiro me invadiu como sempre e aspirei o máximo que consegui desse inebriante aroma de lavanda e a senti arrepiando-se levemente, sorri internamente com isso e me separei.
— Bom dia Quinn – cumprimentou Cris recebendo um cumprimento de volta –Vem pequena vamos nos sentar – chamou-me Cris guiando-me até o banco e Frannie e Quinn nos seguiram, Quinn ao meu lado e Frannie ao lado de Cris.
Isso realmente está estranho... Virei minha cabeça e rapidamente percebi meus tios chegando e se sentando num banco atrás do papai e Judy. Emily estava com Alison, mas hora ou outra olhava para nos... Shelby e Beth estavam sentadas ao lado de papai e Judy, pelo que pude perceber mamãe estava tendo dificuldade para segurar Beth, pois ela apontava para mim toda a hora. A igreja estava enchendo e poucos lugares ainda estavam vazio, todos do clube do coral estavam no local, algumas fileiras atrás mais estavam... Será que está chegando a hora...? Eu não sei o que fazer... Não sou boa para me despedir... Nunca consegui dar adeus ao meu passado imagina ao meu pai...
— Você está bem Rach? – perguntou Quinn baixinho para mim olhando para minhas mãos que se apertavam uma na outra.
— Que horas são? – perguntei ignorando sua pergunta – Só estou nervosa – respondi e percebi ela sorrindo minimamente olhando o relógio.
— São 9:15.
— Obrigado – agradeci – Cris? – chamei atraindo sua atenção da conversa que estava tendo com Frannie e olhou-me preocupada – Está chegando a hora.
— Eu sei princesa – falou passando o braço pelo meu ombro e me fazendo um rápido carinho nos ombros antes de me fazer olhar para ela – Vai ficar tudo bem amor, não vai estar sozinha... Se sua força acabar eu vou estar ao seu lado e vamos levantar juntas... Uma pela outra certo? – perguntou usando a mesma frase que usei anos atrás no enterro de sua mãe.
— Certo – respondi e ela tirou sua mão do meu ombro para prende minha mão da sua.
— Rachel vai começar agora – falou Cris suavemente para mim e percebi o padre em frente o caixão do pai fazendo uma oração e se virando para nós.
Não sei quanto tempo o padre passou fazendo sua oração, tudo passou como um borrão, as palavras faladas entravam e saiam de mim mais não consegui registrar nada, ouvi apenas o final “agora é hora de você dar adeus a esse homem...”, fácil para ele falar...
Observei papai indo até o caixa primeiro junto com Judy e se despediu rapidamente, afinal ele teve durante toda a noite para isso e usou seu tempo... Meus parentes, alguns amigos foram subindo e se despediram rapidamente e eu permanecia no lugar sem coragem para dizer o adeus que era necessário.
— Vamos Rach? – perguntou Cris cuidadosamente para mim.
— Vai na frente Cris – respondi e percebi ela parada me encarando – Eu já vou ir, apenas estou tomando coragem para conseguir ir em frente, mas vá indo você... Sei que quando eu precisar você estará ao meu lado.
Cris se levantou e foi até o caixão, percebi suas lágrimas, mas ela rapidamente secou e Frannie estava ao seu lado então fiquei mais aliviada por isso, ela não estava sozinha...Quando Cris foi para junto com papai sabia que não poderia adiar mais ainda o momento.
— Você quer que eu vá com você? – perguntou Quinn ao meu lado atraindo minha atenção... Havia esquecido de sua presença por um momento – Eu faço qualquer coisa que você estiver precisando – falou e percebi pelo seu tom a preocupação.
— Eu estou bem – garanti para ela e virei para ver seus olhos verdes cheio de preocupação e carinho por mim – Eu não sei dar adeus – falei simplesmente e ela me aguardou continuar – Eu não sei como dar adeus para as pessoas, nunca consegui fazer no passado imagine agora? Ele é meu pai... Ele estava comigo no momento que mais precisei, ele mudou sua vida por minha causa e agora eu tenho que dar adeus... Eu... Eu não sei se vou consegui fazê-lo – falei soltando algumas lágrimas e o olhar de Quinn se prendeu ainda mais em mim e percebi-a chegando perto de mim levantei minha mão a parando – Não... Por favor... Não me abraça... Se você ou qualquer um fizer isso nesse momento eu vou desabar... Eu... Eu não posso desabar agora... Eu preciso ser capaz de dar adeus... Você entende? – perguntei e não esperei uma resposta – Tudo virou uma confusão dentro de mim nesse momento...
Por anos eu ignorei sentir coisas, ignorei pessoas e contatos... E hoje eu não posso fazer isso... Está mais difícil do que poderia imaginar... E se você me abraçar eu vou me sentir segura e protegida com você, como sempre senti, mas isso também irá abaixar minha defesa e sem elas não posso aguentar – falei dando conta do que havia falado e senti minhas bochechas pegando fogo – Eu... Eu... Não... Quis...
— Eu entendi Rachel – falou simplesmente com um sorriso no canto da boca – É sua hora...
Levantei-me e me dirigi ao caixão já sentindo as lágrimas descendo pela minha face... Esse era o momento... Tentei evitar mais chegou a hora de dar adeus.
Parei em frente o caixão e olhei o rosto de Leroy pela ultima vez, ali seria sua morada a partir de agora... Como falar adeus para quem amamos? Nunca é fácil deixar quem amamos partir, sempre ficará a lembrança, seja do sorriso ou gestos, nunca esquecerei você pai.
As lágrimas desciam facilmente pelo meu rosto e lentamente tirei um pingente do pescoço. Era uma joia simples, mas sempre usei desde de que ganhei dos meus pais anos atrás... Quando fui indicada ao Tony não pude conter a alegria, mas quando chegou o dia do premio estava tão nervosa e meus pais ficaram ao meu lado como sempre, mas Leroy me deu essa joia me pedindo para usar, assim eu saberia que eles estariam comigo mesmo não estando presente.
Observei a joia na minha mão uma ultima vez, era simples... Era uma estrela dourada e atrás estava escrito “amamos você”... Peguei a estrela e coloquei no meio das mãos do meu pai olhando pela ultima vez sua face.
— Sabe pai... Você me criou para ser forte e muitas vezes eu não conseguir ser forte, você não aprovou minhas decisões em vários momentos, mas sempre esteve comigo, seja nos melhores momentos ou nos piores não é? – falei sentindo as lágrimas tampando minha visão – Tudo o que sou hoje eu devo a você e ao papai... Muito obrigado por ter sido esse pai incrível e me criado com tanto amor... Eu... Eu nunca vou me esquecer de você – falei olhando para o rosto pálido a minha frente enquanto passava minha mão uma ultima vez pelo seu cabelo – Eu queria tanto que você estivesse aqui, está tudo pronto para o cd ser lançado mais falta você... Como vou pode seguir em frente sem você para me abraçar e falar tudo vai dar certo? – perguntei em meio aos soluços baixinhos – Esse cd está montado por sua causa, você está em cada musica, cada parte dele, muito obrigado por não me deixar desistir dos meus sonhos... Eu... Amo tanto você... Me... Me... Perdoa... Perdoa... Não... Não volta... Não voltar antes – falei explodindo num choro sofrido e senti dois braços em voltar de mim e me prendi nesse abraço...
— Está tudo bem... Shiuu... – falou Cris docemente em meu ouvido enquanto seus braços me seguravam já que minhas forças pareciam ir embora...
— Eu... Eu...
— Você o que? – perguntou docemente.
— Eu devia... Voltar antes... Devia ter voltado antes... – falei chorando para Cris.
— Você voltou agora princesa – disse suavemente – Isso é o que conta... Leroy estaria orgulho de você Rachel... Você voltou para cá... Enfrentou todos de cabeça erguida... Não se sinta mal por isso... Eu estou aqui ao seu lado e não vou sair – falou enquanto eu escondia meu rosto em seu peito chorando baixinho e Cris respeitou meu momento apenas guiando-me para o lado e ficando comigo.
Tudo passava como um filme em minha mente, todos os momentos bons com meu pai, desde quando eu era pequena até as ultimas lembranças com ele... Como simplesmente dar adeus depois disso? Eram tantos momentos, tantas recordações, como aceitar que a pessoa não estará mais ao seu lado...
— Princesa eles vão sair – avisou Cris e olhei por um momento assistindo alguns homens levarem o caixão, algumas pessoas se levantaram e foram esperar lá fora enquanto outras estavam aqui dentro ainda. Papai estava ao lado de Beth, Shelby e Judy. Perto de mim e de Cris estavam Frannie e Quinn, Kurt, Blaine, Santana, Brittiny estavam mais a frente me esperando, para assim seguirmos todos juntos, observei os outros membros do glee saírem rapidamente.
— Vamos – falei e separando-me de Cris olhando para papai que apenas assentiu e começou a andar em direção a porta da igreja sendo acompanhado por Shelby, Beth e Judy – Cris? – chamei atraindo sua atenção – Vai na frente do papai e avisa os seguranças que ele está saindo, não deixa que cheguem perto dele.
Ela concordou e saiu em direção à porta passando por papai e comecei a andar. Quando cheguei em frente e porta parei e percebi algumas pessoas parando ao meu lado.
— Porque você parou Rachel? – perguntou Quinn fazendo a pergunta que todos pensaram.
— Não posso sair, tem muitos fotógrafos lá fora, se saio agora vão focar em mim e no papai e não quero expor ele assim – falei simplesmente e coloquei os óculos escuro.
— Seu pai está indo Rachel – avisou Cris ao meu lado e olhei para ela percebendo o incomodo em sua face.
— O que houve? – perguntei para ela e percebi Quinn, Frannie, Kurt, Blaine, Santana e Brittany ao nosso lado observando a conversa.
— Chegaram mais fotógrafos no local, descobriram a hora do enterro e estão todos lá fora esperando você sair – falou – Eu sinto muito.
— Está tudo bem sun – falei simplesmente, eu estava acostumada afinal essa é minha vida, me virei para o restante do pessoal – Vocês podem sair junto comigo, apenas me deixem ir na frente, quando eles me verem vão vim para perto de mim, e ai vocês vão poder ir para o carro de vocês com mais tranquilidade... Eles são bem inconvenientes quando querem – avisei a eles.
— Está tudo bem Rachel, nós vamos com você – falou Santana e Britt concordou junto com o resto do pessoal.
— Tudo bem – falei e me virei para Cris – Podemos ir? Meu pai já saiu para o cemitério não é?
— Sim, coloquei ele num carro junto com Judy, Beth e Shelby – avisou ela – nosso carro está parado em frente à igreja, não precisa responder nada, vá direto para o carro – concordei e respirei fundo arrumando minha postura para sair da igreja.
Assim que passei pela porta vários repórteres chegaram e os seguranças fizeram uma proteção ao meu redor... Eu amo minha profissão e tudo o que conquistei juntamente com ela, mas nesses momentos eu queria simplesmente ser desconhecida... Esse não é um momento para eles tentarem vender minha dor para as revistas, ignorei as perguntas, os flash e caminhei rapidamente para o carro e logo estava dentro em segurança e Cris ao meu lado. Saímos de lá rapidamente e fomos para o cemitério, graças a Deus lá não havia ninguém, saímos rapidamente do carro e fomos de encontro aonde seria a nova morada do meu pai, vimos varias pessoas enquanto passávamos abrindo caminho até onde papai estava, seu rosto estava banhado em lágrimas, o abracei pelo ombro e vimos o caixão descer... Tudo acontecia em câmera lenta, essa cena jamais sairia da minha cabeça, papai agora soluçava baixinho e Cris soltava lágrimas silenciosas ao meu outro lado... Porque tudo tem que ser tão difícil? Papai foi o primeiro a pegar um montinho de terra e jogar em cima do caixão e logo Shelby e Judy estavam ao seu lado passando forças... Eu era a próxima... Cris foi comigo e juntas nos abaixamos para pegarmos um pouco de terra, o monte de Cris foi o primeiro a ser jogado e ela logo foi para o lado do papai que a abraçou e falava algo em seu ouvido, olhei mais um momento a terra em minha mão e o caixão já fechado... “Vou sempre sentir sua falta pai, eu te amo e um dia vamos nos encontrar novamente” pensei jogando a terra e sentindo minhas lágrimas virem novamente junto com soluços que nem eu sabia que estava prendendo em meu peito. Virei meu olho e vi Cris ainda com papai abraçados, olhei rapidamente e percebi Quinn mais a frente como se tentasse decidir algo e Santana deu um pequeno empurrão nela, ela estava a minha frente olhando-me com preocupação e carinho, como se quisesse levar minha dor embora... Olhei para o verde em seu olhar por mais um momento para simplesmente seguir minha vontade, andei rapidamente até ela acabando com a distancia, e a abracei chorando... Seus braços se fecharam ao meu redor e foi inevitável não senti a proteção daquele abraço, o cuidado e delicadeza enquanto deixava-me chorar em seus peito, escondi meu rosto em seu pescoço para senti sua mão mexer no meu cabelo delicadamente e suas palavras em meu ouvido transmitiam-me paz... Paz? Paz num momento aonde tudo parecia desmoronar ao meu redor... O calor de seu corpo perto de meu me trazia a sensação de lar, como se ali daquele abraço fosse minha casa, aonde eu sempre encontraria conforto, foi sentindo esse conforto que a dor parecia ir sumindo dentro de me peito, meus soluços foram diminuindo e simplesmente desciam lágrimas agora, apertei meu braço ainda mais ao seu redor e a senti devolvendo meu aperto, com medo de que a qualquer momento eu cortasse o seu abraço, sentir sua respiração tão perto de mim despertava todos os sentimentos guardados dentro de mim, por um momento quando esses sentimentos me atingiram respirei sem nenhuma dificuldade, apenas sentindo Quinn perto de mim, a mulher que eu amo estava me abraçando e com todo meu amor retribui esse abraço de uma maneira diferente, ela notou a mudança, pois deu um pequeno beijo em minha cabeça e senti sua respiração se alterando levemente... Não posso fazer isso, mas não posso evitar também, não nesse momento... Afastei-me dela para encontrar olhos verdes brilhantes olhando-me e pude ver o amor refletido e perdi a capacidade de respirar nesse momento. Olhamo-nos por mais um momento e soltei-me de seu abraço para me aproximar e depositar um pequeno beijo em seu rosto, sua respiração ficou presa por um momento e sorri com essa reação.
— Obrigado Quinn – agradecia abraçando-a rapidamente para me afastar e recebi um sorriso em resposta.
— Sempre Rachel – disse apenas para mim escutar – Sempre aqui... Sempre por você...
Eu não sei explicar qual sensação se apoderou do meu peito, alegria? Felicidade? Paz? Amor? Esperança? Gratidão? Não tenho ideia mais simplesmente agradeci a Deus por ela estar ali naquele momento por mim.
— Eu... Eu tenho... Eu preciso ir até o papai – falei gaguejando e ela apena concordou.
Virei-me e caminhei até onde papai estava junto com Cris, abracei eles e juntos assistimos terminarem de cobrir o caixão... Varias pessoas vieram nos cumprimentar e se despedirem, meus tios avisaram que estariam indo para um hotel, papai argumentou dizendo não precisar mais mesmo assim eles acharam melhor, ficariam mais alguns dias para ajudar com qualquer coisa. Sr. Thomas e John vieram se despedir de nós, avisando se eu necessitasse de qualquer coisas para avisa-los, não precisava me preocupar com a peça, pois tudo estava bem, o pessoal do glee se despediram rapidamente também, deixando papai, Cris, Judy com as filhas e Shelby com Beth, essa assim que todos foram embora se colocou ao meu algo segurando minhas mãos, minha irmã é demais.
— Rach? – chamou Beth baixinho, mas como estavam todos em silencio todos ouviram.
— Oi meu anjo – falei me abaixando até ela.
— Eu posso ficar com você? – perguntou-me – Mamãe sempre que eu estou triste fica comigo e me faz chocolate quente, eu posso fazer isso e cuidar de você, deixa?
Observei todos olhando com carinho para a menina a minha frente e olhando para mim... Claro eu amaria ter Beth ao meu lado, mas teria que ir para Nova York e não poderia leva-la.
— Beth pode ser amanhã? – perguntei para ela a vendo concordar mais seu olhar ficar triste – Eu ia amar você cuidando de mim, mas amanhã vou precisar ir para Nova York, mas chegando de lá amaria alguém para cuidar de mim – disse vendo a duvida ao falar em Nova York — Eu preciso ir amanha para Nova York sem falta, e você apenas iria ficar cansada da viagem, se não descansar como pode cuidar de mim?- falei ganhando ela com isso.
— Vai me deixar cuidar de você? – perguntou e eu concordei ganhando um sorriso – Porque você vai ter que ir embora amanha?
— Lembra-se do cd que eu estava gravando? – perguntei para ela vendo-a concordar – Eu preciso ir amanha para Nova York, pois tenho uma entrevista num programa e a minha musica vai ser lançada – expliquei para ela.
— Programa na Tv? – perguntou aumentando o sorriso e eu concordei – Que legal Rachel – falou me abraçando quase derrubando-me no processo e se virando para Shelby, os outros apenas olhavam nossa interação – Você ouviu mamãe? A Rach vai aparecer na Tv – falou sorrindo arrancando pequenas risadas dos outros – Isso é tão legal Rach – falou se virando para mim – Eu vou falar pra todos meu amigos que minha irmã apareceu na Tv – falou me ajudando a ficar de pé e se colocando ao meu lado – Podemos ver mamãe? – perguntou para Shelby.
— Claro meu amor – respondeu Shelby sorrindo para nós – Não vamos perder por nada.
— Você também vai ver Quinn? – perguntou olhando para Quinn que sorria bobamente para a filha e concordou – Podemos ver todos juntos mamãe? O que você acha vovô? Vamos ver todos juntos, por favor... A Rach vai aparecer na Tv.
Meu pai apenas concordou com Beth e senti um desespero crescer dentro de mim, Quinn iria ver o programa... Deus... O que eu faço...
— Vamos fazer assim Beth – começou meu pai – Amanhã vocês vão todos jantar lá em casa e vemos o programa juntos... Rachel voltará amanha mesmo e a esperamos jantando todos juntos, o que acha? – perguntou sorrindo... Acho ótimo que papai se distraia co Beth. mas Quinn tinha que estar junto? Junto com Judy e Frannie... Eu amo ela e amo Judy e Frannie elas são as melhores pessoas, mas ao verem minha musica vão imaginar o porque dela... Merda.
— Quinn, Frannie e vovó Judy vocês vão vim também? – perguntou Beth atraindo minha atenção e quebrando meus pensamentos, torci para elas falarem não.
— Claro Beth, será um prazer – responderam.
É estou totalmente ferrada... Parabéns Rachel... Isso está se tornando mais perfeito a cada momento...
— Rachel você volta então amanha para jantar com agente não é? – perguntou Beth sorrindo para mim... Merda... Agora não tenho saída... Droga!
— Claro... Assim que eu chrgar nós podemos jantar – falei sorrindo para ela.
— Vamos indo Beth? – chamou Shelby e Beth olhou para mim pedindo ajuda – Sua irmã tem que descansar e você também... Como vai cuidar dela se não descansar?
— Eu vou poder ficar com ela amanhã mamãe? – perguntou esperançosa.
— Por mim tudo bem, mas deveria perguntar para sua irmã – respondeu simplesmente e Beth se separou de mim para abraçar Shelby em agradecimento.
— Posso ficar com você amanhã Rach? – perguntou para mim e apenas sorri concordando e ganhei uma risada dela.
— Vamos Beth – chamou Shelby – Se despeça deles para irmos para casa, afinal você tem um dia cheio amanha.
Beth foi até papai e o abraçou, fez o mesmo com Judy, Frannie e Quinn e depois foi até Cris que estava ao lado de Frannie a abraçando e sussurrando algo em seu ouvido, as duas viraram para mim sorrindo... Alguma coisa estão aprontando pela cara delas, deu um beijo em Cris e foi até mim abraçando-me pela cintura e depois de me dar alguns beijos e feito varias promessas sobre cuidaria de mim foi com Shelby.
— Sun o que vocês vão aprontar amanha? – perguntei assim que Beth saiu e atrai os olhares de Quinn e Frannie que estavam perto de nós.
— Nós estamos indo Rachel – avisou papai e Judy o seguiu avisando as filhas que logo voltaria para casa.
— Vamos indo também? – perguntou Cris nervosa olhando para todos os lados menos para mim.
— Sun eu quero saber o que você e Beth vão aprontar – falei e ela simplesmente me ignorou – Sun? – tentei novamente e nada – Cristina Torres responda-me – falei vendo ela se encolher igual uma criança que é pega fazendo algo errado e observei Quinn e Frannie segurarem o riso.
— Não é nada – falou e apenas continuei olhando para ela – Você vai descobrir amanhã ok... Agora sem mais perguntas.
— É bom que não envolva penas está me ouvindo – ameacei e Quinn não aguentou soltando sua risada e virei-me para ela fechando a cara – Não ria Quinn.
— Desculpa – falou levando as mãos, e observei Frannie apenas retribuindo o olhar de Cris.
— Vamos? – perguntei e elas concordaram.
— Rachel não vai ter problema nós irmos a sua casa amanhã mesmo? – perguntou Frannie quando saímos do cemitério.
— Não vai ter Frannie, eu acho ótimo vocês estarem lá em casa com o papai para falar a verdade – falei sinceramente, em partes era verdade – Eu não queria ir amanha mais não posso simplesmente desmarcar esse compromisso então vocês estarem lá será perfeito, pois não queria deixar papai sozinho amanha.
— Certo – falou sorrindo e se virou para a Quinn – Vamos Quinnie? – chamou e Q foi tirada dos seus pensamentos e concordou. Enquanto se aproximava de mim notei Cris falando com Frannie, olhando rapidamente para mim concordando com algo... O que elas estão falando... Cris está realmente aprontando algo.
— Nós vemos amanha – falou Q parada me minha frente sorrindo docemente para mim – Obrigado pelo convite, eu ia assistir de qualquer jeito – falou sem jeito – Eu estou ansiosa para ouvir sua nova musica – comentou e arregalei os olhos, ela acompanhava minha carreira musical? – Eu escutei seu primeiro single Cannonball e a musica é simplesmente fantástica, parabéns – falou e percebi suas bochechas ganhando uma nova cor.
— Obrigado, ate amanhã – falei abraçando-a rapidamente e deixei um beijo em sua bochecha e percebi-a de olhos fechados quando me separei.
— Até.
Despedi de Frannie e segui para o carro junto com Cris.
— Cris é bom você não aprontar nada amanha está me ouvindo – avisei – Meu humor não está um dos melhores para aguentar qualquer surpresa sua.
— Relaxa princesa, não é nada demais mesmo – garantiu-me ela e voltou sua atenção para a estrada.
Não demoramos chegar em casa, quando entrei Judy ainda estava com papai na cozinha e fomos até eles, Cris sentou-se em uma das cadeiras e olhou-me perguntando-me porque ainda estava de pé, apenas a ignorei. Meus sentimentos estão uma bagunça total, vou aproveitar a ida para NY e levarei minha musica pronta até eles.
— Papai como está à sala do óscar? – perguntei atraindo a atenção de todos para mim – Os instrumentos ainda estão lá? Digo o violão, piano e os equipamentos que mandei durante os anos para vocês?
— Estão sim – falou simplesmente e um sorriso nasceu em meus lábios, estava com uma melodia na cabeça e varias palavras circulando minha mente – Porque a pergunta?
— Eu vou terminar uma musica e vou coloca-la no meu álbum – falei sorrindo para ele.
— Seu álbum não esta pronto Rachel? – perguntou papai.
— Está mais quero adicionar uma nova musica papai – falei – Eu vou descer para lá e não precisam se preocupar em me chamarem para comer nem nada assim, quando eu tiver fome eu subo e como algo – falei saindo da cozinha e me despedindo deles – Cris pode ficar no meu quarto hoje e usar minhas coisas se quiser, não tem problema, sei que esta cansada e amanhã você volta para o quarto de hospedes, hoje não vou usar o quarto de qualquer maneira e ele está livre.
— Não vai tomar banho bonita? – perguntou sorrindo para mim.
— Estou indo buscar meu caderno e já vou trocar de roupa e tomar um banho – falei mostrando a língua para ela – Papai se precisa comprar algo para amanhã meu cartão vai estar em cima da mesa, você já deve imaginar a senha – falei sorrindo e vendo-o protestar – Não venho há anos para cá, não vou poder organizar nada, mas quero ajudar e isso é o que posso fazer e eu insisto, me deixa pagar as coisas para amanha? – perguntei e com muita dificuldade ele concordou – Até amanhã
Fui rapidamente para meu quarto tomando um banho e me livrando um pouco da tensão de hoje, coloquei uma roupa confortável, desci para o andar de baixo notando a voz de papai e Cris, caminhei rapidamente até o fim do corredor e abri a porta da sala do óscar, acendi a luz, liguei o ar e notei como tudo estava organizado. Fui até o piano preto e sentei-me no banquinho e deixei a melodia começar a sair nas notas... Não sei quanto tempo fiquei aqui embaixo, quando consegui escrever a musica e grava-la num cd apenas deitei no sofá e apaguei.
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