Story of my Life
80 80- O começo do fim
Notas iniciais
POV Rachel
Estava exatamente a meia hora senta sentada no sofá da sala, esperando pelas mulheres da minha vida, mas elas novamente se encontravam atrasadas, mais precisamente nove minutos.
Isso são exatamente 540 segundos.
Quando eu digo que elas deveriam começar a se arrumar antes, ninguém me escuta, e novamente me encontro esperando-as.
Quinn antes que eu saísse do quarto estava terminando de se arrumar para o trabalho, estava ao telefone com Santana discutindo alguma coisa sobre sua empresa, seu tom de voz novamente não era o mais calmo do mundo, então alguma coisa deveria ter dado errado.
Apesar de ter uma empresa maravilhosa, Quinn amava trabalhar como promotora em alguns casos, e sei que novamente ela havia aceitado outro.
Ao escutar aquele som de saltos ecoando pelo corredor, levantei meus olhos para encontrar minha linda namorada entrando na sala enquanto fechava a pasta e a colocava em cima da mesa.
— O que foi Rach? – perguntou sorrindo enquanto se aproximava sorrindo – Está com uma cara estranha amor – comentou rindo.
Não preciso de um espelho para saber como minha face se encontra nesse exato momento.
Lucy Quinn Fabray é simplesmente a mulher mais perfeita desse mundo, todos seus detalhes me encantam. Hoje ela está vestindo uma saia cinza apertada, deixando suas coxas bem feitas a mostra, sua camisa social branca aberta com dois botões, em seu rosto há apenas uma maquiagem simples e um batom rosa clarinho nos lábios.
— Efeito Quinn Fabray – brinquei mostrando a língua para ela e apontando para o sofá ao meu lado – Sente-se um pouco comigo enquanto esperamos aquelas duas enroladas aparecerem.
— Cris está com Claire? – perguntou com um sorriso sapeca no rosto e assenti vendo-a prender o riso – Você vai acabar chegando atrasada amor – avisou sentando-se ao meu lado virando-se para mim e por um momento acabei me perdendo dentro daquele olhar.
Dizem que quando olhamos dentro dos olhos da pessoa amada conseguimos enxergar sua alma... Esses olhos são capazes de passarem tantas e tantas coisas em questão de segundos. Os lindos olhos verdes dessa mulher encontram-se clarinho, mostrando toda sua suavidade e doçura, mas sei que em questão de segundos, eles podem mudar e assumirem outra tonalidade de verde, um novo brilho, mas em qualquer uma dessas mudanças vou me encontrar na mesma situação, fascinada, encantada e completamente apaixonada.
— Elas sempre me atrasam – comentei rindo enquanto levava minhas mãos até seu rosto, deslizando meus dedos delicadamente pela pele branca e macia da minha linda namorada – Você é a mulher mais linda desse mundo Quinn Fabray – falei vendo um sorriso nascer em seu rosto enquanto suas bochechas assumiam um leve tom vermelho – Não sei ainda como não se acostumou com meus elogios – falei devolvendo o leve sorriso que minha namorada me dava.
— Acho que nunca vou me acostumar com você elogiando-me dessa maneira Rach – disse para mim enquanto seu olhar se tornava ainda mais claro – A maneira como me olha, me deixa completamente sem fôlego.
— Eu adoraria deixa-la sem fôlego de outra maneira Quinnie – respondi me aproximando ainda mais, deixando nossas faces praticamente coladas uma na outra – Você me deixa da mesma maneira meu amor – falei quase sem voz enquanto deslizava meu nariz pela sua bochecha num simples carinho, deixando um beijo casto no canto de sua boca, e no momento seguinte observei-a prendendo a respiração por um segundo.
Lentamente observei-a abrir os olhos e o sorriso nascer em seus lábios.
— Eu estou feliz Rachel – disse atraindo completamente minha atenção – Eu sei que já conversamos ontem, mas eu quero falar novamente sobre o que houve ontem – falou fazendo uma pausa e assenti para ela continuar, mas em vez de falar, sua mão foi até a minha onde entrelaçou nossos dedos e num aperto calmo, e logo um simples e tranquilo carinho começou enquanto nosso calor começava a se misturar – Ontem quando meu celular enlouqueceu com tantas notificações, pensei que alguém havia morrido, mas quem quase morreu foi eu quando eu li a seguinte manchete: “ESTRELA DA BROADWAY, RACHEL BERRY SAIU DO ARMARIO E ASSUMIU O RELACIONAMENTO COM A RENOMEADA ADVOGADA LUCY QUINN FABRAY” – falou fazendo respirando fundo como se estivesse revivendo o momento sem sua mente, e conhecendo-a como conheço, ela estava – Quando li aquela noticia, meu celular simplesmente caiu na minha mão, fiquei em choque, fiquei emocionada, fiquei completamente paralisada sem nem lembrar como se respira. O ar simplesmente desapareceu, não conseguia mais escutar meus funcionários nem Santana falando comigo – disse dando uma risada – Por um momento aquela diaba demonstrou seu amor e preocupação, achando que eu estava tendo um ataque cardíaco, mas por pouco ela não acertou... Você quase me matou de felicidade Rach – disse com os olhos brilhantes – Em muitos momentos durantes esses anos, me peguei sonhando acordada com o momento onde poderia dizer para todos, que eu era a namorada da grande estrela Rachel Berry, e ontem do nada o mundo descobriu soube disso – falou fazendo uma pausa e apertei sua mão vendo seu sorriso aumentar ainda mais se possível – Você me fez uma surpresa incrível amor, me sinto a mulher mais feliz desse mundo.
— E é exatamente assim que eu quero que você se sinta Quinnie – falei sentando-me sobre minha perna – Eu quero sempre causar essa sensação em você – disse soltando nossas mãos para levar as minhas até sua face – Eu quero te fazer a mulher mais feliz desse mundo, quero que nossos dias sejam repletos de alegrias e felicidades, mas quando a tristeza e dificuldades chegarem eu vou estar ao seu lado segurando sua mão – falei olhando em seus olhos e levei meus dedos até seus olhos – A partir de hoje nós sempre, sempre vamos estar juntas... Uma segurando a mão da outra – afirmei com convicção.
— Eu amo você – disse com um sorriso e vi seus olhos descendo para minha boca – Sempre – disse com um sorriso maior ainda.
— Sempre Quinnie – falei me aproximando para juntar nossos lábios.
— MAIS QUE CENA MAIS LINDA – gritou Sun nos fazendo pular no sofá.
— Droga Sun! – exclamei com raiva – Você demora uma vida lá dentro e quando resolve aparece é justo nesse momento? Não poderia demorar mais não? – perguntei indignada enquanto ela ria com Claire ao seu lado – Até você está rindo Lucy? – perguntei virando-me para ela que no mesmo instante ficou completamente seria – Ria Lucy, mas ria muito mesmo, pois a partir desse momento eu não beijo mais você – falei me levantando enquanto ela me olhava completamente estupefata.
— R... Ra... Rachel?
— Não me venha com Rachel Quinnie – falei enquanto caminhava em direção as duas – Não estava rindo meu amor? – perguntei virando-me para meu amor no sofá – Agora tem um novo motivo para rir, mas não será tão divertido – avisei vendo-a piscar os olhos rapidamente, como se não acreditasse no que estava acontecendo – Nem ouse se aproximar – avisei vendo-a se levantar rapidamente do sofá para caminhar até mim.
— Se lascou fantasma – comentou Cris para ela.
— Isso é culpa sua – disse dando seu olhar gélido para minha amiga que rapidamente sustentou aquele olhar, mas antes que começassem as provocações eu as cortei.
— Podemos ir? – perguntei para elas – Eu preciso resolver muitas coisas hoje.
— Amor eu...
— Podemos ir? – perguntei novamente ignorando-a, e reprimi o sorriso vendo a carinha de cachorro sem dono dela – Perdeu novamente o horário meu anjo? – perguntei para Claire que se mantinha calada até então.
Hoje ela usava uma jeans preta, botas, uma blusa branca e um casaco preto, linda.
— Eu estava quase pronta, mas Sun entrou bagunçando todas as minhas coisas, preferi deixar tudo arrumada antes de sair – me contou causando um leve riso.
Era a cara da Sun chegar bagunçando tudo.
— Você é muito frouxa fantasma – escutei Sun resmungando para Quinnie e reprimi o riso enquanto começava a caminhar para a porta.
— Não sou frouxa – escutei seu resmungou, mas apenas continuei caminhando em direção a porta com Claire ao meu lado como se nada estivesse acontecendo.
— Rachel! – escutei seu chamado firme ao mesmo tempo que sentia sua mão agarrando a minha, puxando-me para trás delicadamente.
Sabe aquele beijo com pegada capaz de parar tudo?
É exatamente esse beijo que Quinnie está me dando nesse exato momento.
Assim que meu corpo virou, senti sua mão esquerda indo para minha cintura enquanto sua mão direita subia para meu pescoço, enterrando seus dedos em meus cabelos, enquanto ela puxava meu corpo de encontro ao seu juntando nossas bocas num beijo profundo e lento. Levei minhas mãos até seus cabelos puxando-a ainda mais para mim, tornando nosso beijo ainda mais profundo enquanto a sentia pedindo passagem com sua língua.
— CHEGA! CHEGA! CHEGA! CHEGA! – gritou Sun enviando-se no nosso meio para nos separar – Eu amo esses momentos love do meu casal favorito, mas nós temos compromisso princesa e essa loira fantasma precisa ir trabalhar – disse ainda parada no meio de nós duas – Loira, preciso dizer algo a você – disse virando-se para Quinnie e revirei meus olhos para ela – Você de frouxa não tem nada fantasminha camarada – disse levantando as mãos para dar um HiFive com a Q – Eu aposto que a Berry ficou com a calcinha em um estado deplorável depois desse beijo de cinema!
— CRISTINA! – exclamei sentindo minha face queimando enquanto escutava Claire rindo atrás de mim.
— O que? – perguntou olhando para mim – Eu não falei nada demais – disse fazendo uma cara inocente – Eu apenas confirmei um fato, certo? Certo! – falou antes de se virar e começar a caminhar em direção a Claire – Se filmou certinho? – sussurrou para Claire que assentiu lhe entregando o celular – HOJE O MUNDO VAI SABER COMO O AMOR É LINDO! – disse pulando no lugar e antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa ela me cortou – Nem fale, nem pense em fazer drama princesa – avisou para mim – A resposta para suas perguntas são sim! Eu filmei, eu postei e eu estou mostrando para o mundo como FABERRY é lindo e Real!
— Você...
— Eu já fiz! – exclamou com uma risada — O mundo já sabe, então chega de drama – respondeu completando minha frase enquanto guardava o celular no bolso e dava um meio abraço em Claire – Nós estamos atrasadas, sabia? – perguntou para mim enquanto começava a caminhar em direção a porta com Claire ao seu lado.
— Ela é louca! – exclamei olhando para Sun que ria de algo que Claire comentava com ela.
— Ela é louca, mas tem um bom coração – exclamou Quinnie pegando minha mão – Mais ela está certa sobre uma coisa, você está atrasada!
— Eu estou – disse olhando para ela – Almoçamos juntas? – perguntei para ela.
— Hoje é mais complicado amor, mas tentarei dar meu melhor para ir de encontro a você – garantiu para mim – Tentarei passar no teatro mais tarde!
— Eu te amo Quinnie – disse para ela – Sempre!
— Sempre Rach – respondeu aproximando-se enquanto deixa um beijo casto em minha boca – Vá antes que aquela louca aparece novamente para te buscar.
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— Mãe, como vamos sair do carro agora? – perguntou Claire para mim e olhei para Sun que apenas observava a movimentação em volta do carro.
— Sun, ligue para o segurança do teatro e peça para que ele venha me ajudar a descer – pedi para ela que assentiu – Eu vou sair primeiro e irei bater uma papo com esses jornalistas – avisei para ela – Quando eles estiverem focados em mim, você irá sair junto com Sun e entraram no teatro – falei vendo-a concordar e rapidamente peguei meus óculos escuros colocando-o no rosto.
— É sempre assim? – escutei Claire perguntando para mim e olhei para – Eles estão sempre no seu pé?
— Sim, mas isso faz parte do meu trabalho – respondi tranquilamente –Muitas vezes isso é insuportável, mas desde que me entendo por gente, sempre sonhei com isso entende? – perguntei para ela que assentiu – Esses jornalista, essa fama e reconhecimento foram meu sonho, hoje esse sonho é realidade, então eu nunca reclamo – comentei fazendo uma pausa e vi seu olhar perdendo o pouco brilho que havia – Isso um dia será seu futuro também meu anjo – falei dando um sorriso para ela, mas senti ele morrendo a medida que o brilho no seu olhar terminava de sumir.
— Eu não tenho mais um futuro para sonhar mãe – falou para mim, pegando-me completamente desprevenida.
Essa era a primeira vez que Claire comentava com todas as letras algo assim, nem nos meus piores pensamentos, pensei em escuta-la falando algo assim, mas antes que eu pudesse questiona-la ou falar algo, escutei batidas no vidro do carro.
— Nós vamos conversar sobre isso Claire – avisei para ela sustentando seu olhar sem vida – Eu te amo – disse puxando-a para um rápido abraço – Eu irei sair e você sai com a Sun – disse antes de me afastar – Cuida dela Sun.
— Ninguém vai chegar perto da sua filha princesa – Sun garantiu para mim com um curto sorriso, e nesse momento eu soube que ela também havia escutado a resposta de Claire.
— Eu vou sair – avisei para elas enquanto me mexia no banco e chegava mais perto da porta.
Assim que os seguranças abriram a porta os jornalistas nos cercaram batendo milhares de fotos enquanto lançavam milhares de perguntas, os seguranças rapidamente fizeram uma barreira a minha volta enquanto eu tentava andar.
Andar estava sendo uma tarefa complicada por causa da aglomeração a nossa volta, enquanto andávamos a passos curtos, toquei no ombro de um dos seguranças pedindo para ele parar por um momento, pois iria tentar responder algumas perguntas e dar um pouco de atenção para eles.
— GENTE! GENTE! EU RESPONDO VOCÊS! – disse levantando um pouco minha voz para eles me escutarem – Eu respondo vocês, mas preciso que parem de fazer essa bagunça, tudo bem? – perguntei para eles escutando vários oks, tudo bem.
— Porque resolveu sair do armário nesse momento? – gritou um dos jornalista ali na frente e apenas sorri para ele.
— Eu apenas quero poder sair na rua com minha namorada sem precisar esconder nada – disse tranquilamente.
— Vocês se conhecem a muito tempo? – perguntou uma mulher baixinha de óculos.
— Sim, nós nos conhecemos desde o colégio, mas por acasos da vida acabamos separas, mas nos reencontramos recentemente e vimos que o amor entre nós ainda permanecia – disse com um sorriso.
— VOCÊ PRENTENDE CASAR COM ELA? – gritou um homem mais ao fundo chamando minha atenção.
— Com toda certeza desse mundo.
— PODEMOS ESPERAR UM CASAMENTO EM BREVE? – perguntou o mesmo jornalista e apenas sorri para ele.
— Ainda não recebi nenhum pedido, mas quem sabe eu mesma não o faça – respondi com um pequeno riso causando uma risada entre eles.
— Pode nos contar como foi esse reencontro entre vocês duas? – perguntou a mulher e apenas sorri.
— Para ser sincera, nosso reencontro foi péssimo – comentei com uma pequena risada – Eu não estava passando bem quando nós nos vimos, e depois meu mal estar pirou ainda mais – disse sorrindo – Ela me ajudou e nosso primeiro contato depois de anos foi assim – finalizei lembrando-me daquele momento, lembrando-me daquela troca de olhares, mas isso é algo que jamais iria comentar em alguma entrevista. A maneira como Quinn cuidou de mim mesmo depois de tudo me pegou completamente desprevenida.
“...- Shiu Rach – falou passando a mão levemente pelo meu braço num simples carinho – Abre o olho... O que está acontecendo com você... O que eu faço para te ajudar – falava enquanto meu choro apenas aumentava e minha respiração ficava mais precária, e sentia meu corpo ficando levemente dormente como se aos poucos meus sentidos estivessem parando...
— Ar... Cri... Cri... Se... Sem... Se... Sem... Ar... – falei num sussurro não sabendo se ela havia escutado...
— Você está passando mal é isso? Eu não consegui entender o que você falou – disse desesperada – Abre o olho e olha para mim – pediu com a voz carregada de preocupação.
Abri lentamente meu olho sentindo o ar cada vez mais escasso, minha visão estava meio nublada, mas isso não me impediu de vê-la... Naquele olhar verde notei sua preocupação e carinho, fazendo meu coração se aquecer por um momento e limpar minha mente da culpa sentida...”
Esse dia jamais seria esquecido da minha mente, independente de quanto tempo se passasse... Quinn mesmo depois de tudo o que eu havia feito, cuidou de mim como se nada tivesse acontecido... Cuidou de mim como se eu nunca tivesse destruído sua vida... Eu não a merecia, não depois de tudo.
— Rachel? Rachel?
— Oi.
— Depois de tanto tempo longe, como foi voltar para New York? – perguntou uma jornalista gordinha vestindo um jeans escuro e uma blusa branca.
— Está sendo maravilhosa – respondi evitando olhar para o carro e rezando para que Sun e Claire já estivessem dentro do teatro – Eu amo a agitação dessa cidade.
— Claire vai morar com você agora? Nós vimos várias fotos dela caminhando com você e com sua namorada esses dias.
— Sim – respondi rapidamente tentando ao máximo evitar tocar nesse assunto – Claire irá ficar comigo agora.
— Rachel como é o relacionamento de mãe e filha entre vocês?
— Nosso relacionamento é maravilhoso – respondi rapidamente – Podemos ir para outras perguntas pessoal?
— Como está se sentindo sendo novamente indica ao Tony Award?
— Estou completamente em choque para ser sincera – respondi com uma risada e olhei de relance Sun e Claire entrando pela porta do teatro– Eu não estava esperando ser indicada novamente
, mas aconteceu e eu estou completamente feliz e satisfeita.
— Rachel você vai levar sua namorada para a premiação esse ano com você?
— Com toda a certeza do mundo! — respondi para ele – Mais irei levar minha filha se ela quiser ir junto também – completei pensamento se Claire gostaria ou não de ir comigo – Pessoal, o papo está maravilhoso, mas eu preciso entrar agora – comente com eles começando a andara novamente – Até mais tarde!
Dessa vez o caminho até o teatro foi mais tranquilo, pois graças a minha pequena conversa com eles as coisas haviam se acalmado um pouco.
Quando passei por aquela porta respirei fundo antes de agradecer os seguranças pela ajuda.
— Pensei que iria ficar lá fora para sempre – comentou Sun aproximando-se com Claire.
— Eu estava apenas mantendo uma conversa amigável com eles enquanto vocês vinham para cá – respondi para ela aproximando-me de Claire – Vamos meu anjo, quero te mostrar meu lugar favorito do mundo.
— Pensei que seu lugar favorito fosse sua com a Quinn em cima – comentou Sun causando um pequeno riso em Claire.
— SUN!
— O que? – perguntou para mim levantando os braços como se não entendesse nada – Eu estou errada por acaso? É logico que não estou.
— Você é insuportável – comentei.
— Eu sou, mas mesmo assim você não vive sem a minha linda e maravilhosa pessoa – afirmou dando uns passos para frente e dando uma volta para se mostrar – Eu sou maravilhosa demais para você ficar sem.
— Você se achar demais, nunc...
— Agora não posso falar com você – disse apontando para o celular que começava a tocar – É da gravadora – disse ficando seria por um momento – Eu vou atendê-los e encontro com você no seu camarim, pode ser? – perguntou para mim e assenti – Nem pense em levar minha mini Berry para o tour sem minha presença – avisou para mim antes de virar atendendo o celular.
— Eu não sei como você aguenta ela – comentei com Claire que apenas riu – Venha, vou te levar para conhecer meu camarim até que ela volte – disse começando a andar em direção ao meu camarim.
— Eu gosto do jeito louquinho dela – comentou Claire quebrando o silencio que reinava entre nós duas – É impossível fica seria ou não rir com ela as vezes.
— Tem toda razão – falei para ela enquanto entrávamos no corredor que levaria para meu camarim – Sun é muito especial, acredito que o dom dela seja levar alegria para as pessoas, pois como você mesma falou, é impossível não rir com ela – falei fazendo uma pausa observando como ela estava retraída, triste, com os ombros caídos – É aqui – avisei para ela parando em frente a porta do meu camarim onde continha uma grande estrela dourada com meu nome – Abra meu anjo! – pedi para ela, que mesmo sem jeito abriu a porta e ficou olhando – Entre! – pedi para ela.
Quando Claire começou a se movimentar, segui seus passos fechando delicadamente a porta atrás de mim para logo após caminhar até meu sofá e me sentar. Observei ela parada no meio do camarim olhando todos os detalhes, mas quando seu olhar encontrou com o meu através do grande espelho senti novamente meu coração se quebrando ao observar o quanto minha filha estava quebrada.
— Claire! – chamei-a atraindo sua atenção – Sente-se aqui comigo – pedi batendo minha mão no lugar vago ao meu lado no sofá.
Antigamente Claire estaria em êxtase por estar nesse ambiente, nesse lugar, mas agora é como se nada importasse, é como se minha filha estivesse perdida em algum lugar dentro dela e eu não conseguisse alcançá-la.
Lembro-me de uma conversa com Claire um pouco antes de tudo acontecer, e naquele momento ela estava em extase fazendo mil planos e contando seus desejos.
Hoje, aquele momento parece ter feito parte de outra vida.
FLASHBACK-ON
— Como foi a aula Claire? – perguntei para ela assim que a vi entrando no carro com um sorriso gigantesco.
— Maravilhoso! – comentou empolgada praticamente pulando no banco.
— O que aconteceu? – perguntei tentando conter uma risada, pois Claire parecia aquela criança que acaba de ganhar a boneca esperada no dia do natal.
— Vamos fazer uma peça de teatro aqui no colégio – disse enquanto eu ligava o carro e dava partida para sair do estacionamento do colégio – Eu tenho grandes chances de conseguir o papel principal.
— Qual peças vocês estão pensando em fazer? – perguntei sendo contagiada pela empolgação dela.
— Greace!
— Fizemos essa peça quando eu estudava aqui – comentei animada também, lembrando-me de como era a correria e as brigas com Sue para que a peça acontecesse.
— Eu quero o papel principal – comentou animada – Eu vou começar a preparar algumas possíveis músicas para apresenta. Hanna está no treino, mas disse que vai passar lá em casa para vermos algo depois – comentou empolgada enquanto olhava para fora do carro, mas rapidamente se virou para mim – Você é uma estrela! – afirmou para mim rindo – Como eu não pensei nisso antes – disse acertando um pequeno tapa em sua cabeça e selei meus lábios par não rir dela – Você pode me ajudar! – exclamou animada – Com sua ajuda eu com toda certeza conseguiria ganhar o papel principal – falou para mim – Você pode me ajudar? Eu sei que é ocupada, mas poderia me ajudar? Por favor?
— Eu ajudo você com todo o prazer meu anjo – falei sorrindo para ela.
— Isso é perfeito! – disse pulando novamente no banco – Um dia eu vou ser uma grande estrela também – constatou empolgada – Um dia vou me apresentar nos grandes palcos da Broadway e lá será minha segunda casa.
— Onde é sua primeira casa? – perguntei para ela vendo-a parar seu movimento para me olhar.
— Minha segunda casa será onde você, a Hanna e a Julie estiverem – afirmou para mim despertando uma alegria gigantesca dentro de mim – Eu sei que você mora em NY – comentou como se não fosse nada – Eu vou morar lá também um dia junto com a Hanna, depois minha irmã irá se formar e provavelmente irá trabalhar em um grande hospital lá também... Vamos todos ficar juntos.
— Então nós vamos precisar de uma casa gigante para abrigar todos – falei rindo – Porque não podemos esquecer do resto da nossa família.
— Sim – concordou rindo para logo fazer uma pausa – Rach?
— Oi meu anjo.
— Quando formos para NY me leva para o teatro onde você trabalha? – perguntou para mim com os olhinhos brilhando.
— Vou apresentar para você cada canto daquele teatro – afirmei para ela – Antes de saímos de lá, você estará conhecendo cada pedacinho dele.
— Isso é tudo o que eu quero – comentou animada antes de começar a me contar sobre a aula do clube Glee de hoje.
FLASHBACK OFF
— Meu anjo, eu quero conversar com você – disse pegando sua mão, notando o quanto ela estava fria e soada, mas apenas ignorei isso e olhei nos olhos da minha filha – O que quis dizer no carro com o “Eu não tenho mais um futuro para sonhar mãe”?
— Eu... Eu...
Enquanto ela tentava falar, notei sua mão tremendo levemente enquanto o desespero parecia crescer dentro dela e a qualquer momento ela iria explodir.
— Respira meu anjo! – pedi levando minha mão livre até sua face para fazer um leve carinho – Eu apenas quero saber o que está passando em sua mente – disse levando minha mão até sua cabeça e depois desci até seu peito – E em seu coração.
— Eu não consigo – disse quase não sussurro depois de alguns minutos em completo silencio – Eu simplesmente não consigo mais...
— O que não consegue meu anjo? – perguntei apertando sua mão enquanto a outra levava até seus cabelos para fazer um leve carinho.
— Eu não posso mãe – disse olhando para mim — Eu não me sinto mais eu mesma... Algo está quebrado aqui dentro – falou levantando seu olhar para mim e novamente vi aquele olhar tão parecido com o meu sem vida alguma – Tudo o que eu amava, hoje eu já não suporto mais... Acordar é uma tortura, dormi é um pesadelo... Eu... E... Eu...
— Respira meu anjo – pedi puxando-a para mim quando seus olhos transbordaram e suas lágrimas começaram a cair.
Claire rapidamente se encolheu nos meus braços chorando desesperadamente. Abracei seu corpo com toda minha força e amor, torcendo para que com esse abraço fosse suficiente para que um pouco de sua dor fosse embora, pois não existe dor pior do que ver seu filho ou filha sofrendo e você incapacitada de ajuda-la.
Os minutos se arrastavam lentamente enquanto sentia o corpo dela tremendo levemente em meus braços, mas aos poucos os soluços foram diminuindo e lentamente Claire afastou-se de mim levando suas mãos até seus olhos para limpa-los.
— Eu não consigo mais sonhar mãe – disse olhando para mim – Eu não quero mais cantar, não quero mais que o palco seja minha casa, não quero mais nada que me ligue a música – afirmou para mim – Esses sonhos são de uma outra pessoa, esses sonhos são de outra vida, uma vida onde eu ainda tinha a J... Onde eu ainda a tinha... Cantar doe...
— Não precisa cantar agora... Cante se um dia sentir novamente dentro de si que esse é seu desejo, que é o momento novamente – disse me mexendo chegando novamente perto dela – Se seus sonhos mudaram eu vou ser a primeira a te apoiar, mas eu preciso que me prometa que vai lutar contra essa tristeza que está ai dentro de você Claire – implorei para ela – Eu estou vendo ela crescendo dia a dia enquanto está consumindo lentamente você meu anjo... Eu não quero te perder também – falei com toda sinceridade sentindo meu coração se quebrando somente com a possibilidade de ficar sem minha filha – Eu preciso que lute contra essa tristeza.
— Eu não sei se tenho forças mãe...
— Você tem! – afirmei erguendo seu rosto que a poucos segundos ela havia abaixado – E se você não tiver forças use as minhas. Eu sei que sou pequena, mas sou bastante forte, não vou te deixar cair dessa maneira meu anjo... Eu estou com você para todos os momentos, se você chorar o meu ombro vai estar aqui para você, se não tiver forças venha para meus braços, pois vou carregar você até que consiga andar novamente, mas jamais pense em desistir Claire, jamais diga que não tem um futuro... Não deixe que essa tristeza leve você embora, pois eu não vou suportar perder você.
— Eu...
— Me prometa que vai lutar?
— Eu vou tentar...
— E vai conseguir – disse assim que sua frase morreu e novamente a puxei para meus braços.
— Desculpa interromper vocês! – exclamou Cris ao abrir a porta do camarim e se deparar com nós duas abraçadas – Eu posso... – disse dando um passo para trás.
— Fique Sun – pedi para ela, separando-me um pouco de Claire para logo me arrumar no sofá e puxa-la novamente para mim – Está tudo bem?
— Sim, sim – respondendo caminhando até a cadeira onde me arrumo todas as noites.
— Podemos começar o passeio? – perguntei para ela enquanto mexia nos cabelos de Claire que começava a relaxar nos meus braços.
— Poder até podemos, mas você não irá junto – disse Sun.
— Eu esperei você e agora quer se livrar de mim? – perguntei indignada.
— Eu jamais iria querer me livrar de você estrelinha, mas se quer falar com o John, precisa ser agora, pois logo ele irá sair.
— Eu... Certo! – disse me mexendo levemente no sofá para olhar para Claire que rapidamente se arrumou – Eu preciso muito conversar com ele, você vai ficar bem com a Sun? – perguntei para ela.
— Essa é a pergunta mais descabida que eu já escutei em toda minha vida! – exclamou levantando-se e caminhando até nós – John está no palco, vá conversar com ele que ficarei com Claire – disse pegando minhas mãos puxando-me para cima – Tenho muitas histórias para te contar da Rachel nesse lugar Claire – avisou jogando-se no sofá onde a poucos segundos eu estava.
— SUN!
— Eu não vou contar nada que vá traumatiza-la – garantiu para mim e apenas continuei encarando ela – Você é muito estraga prazeres Rachel Berry! Vai encontrar com o John enquanto vou mostra o teatro para Claire.
— Se cuida meu anjo – pedi para Claire antes de me virar.
— Não vai se despedir de mim?
— Nope! – respondi sem olhar para trás e escutei Sun reclamando alguma coisa sobre ingratidão com Claire.
Ao fechar a porta do meu camarim apenas respirei fundo antes de me dirigir até, John.
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— Você tem certeza que essa é sua decisão Rachel? – John pela terceira vez consecutiva para mim enquanto eu apenas continuava encarando as cadeiras vazias do teatro imaginando que mais tarde naquela noite todos os assentos estariam lotados e milhares de pessoas estariam aqui para assistir à peça
— Eu tenho certeza – afirmei novamente para ele desviando minha atenção das cadeiras para encarar meu velho amigo – Você mais do que ninguém sabe o quanto eu amo esse ambiente, o quanto eu amo esse teatro e o quanto estar aqui, em cima desse palco me faz feliz – falei olhando para ele – Todas as noites quando eu me apresento eu me sinto completa, todas as noites eu me encontro profissionalmente e sinto a paixão, a emoção que é estar aqui, mas nesse momento da minha vida, necessito de outras emoções, necessito estar em outros palcos.
— Quinn sabe da sua decisão? – perguntou para mim.
— Ela ainda não sabe, mas saberá quando eu chegar em casa – afirmei para ele com um sorriso – A única pessoa que sabe sobre isso é a Sun e agora você.
— Sua carreira está no auge – disse novamente – Parar agora seria loucura!
— Loucura é minha vida há cinco anos John! Por cinco anos eu esqueci de viver... Por cinco anos minha vida era trabalhar e trabalhar... Eu conquistei tudo o que sempre sonhei... Conquistei a fama, conquistei o prestigio, conquistei meu Tony, mas faltava algo em minha vida, em meu coração, e você sabe disse meu amigo – falei vendo-o concordar e me lançar um sorriso triste – Eu estou saindo, mas não é para sempre.
— É um ano Rachel.
— É meu ano sabático John – disse com calma – Eu decidi tirá-lo agora, e nada me fará mudar de ideia. Eu preciso de um ano para viver e curtir minha vida ao lado de Quinn e da minha filha.
— A Broadway não será a mesma sem você – disse com um sorriso triste – Eu estava terminando uma nova peça onde você seria minha estrela.
— Estou indo, mas não é para sempre! Terei outras oportunidades de ser sua estrela — garanti para ele – Meu sonho sempre foi e sempre será esses palcos, mas hoje minha vida não é somente o trabalho e esse lugar, hoje eu tenho novas prioridades, novos sonhos, novas inspirações, e eu preciso lutar para alcançar elas também.
— Você tem consciência que isso será um choque para todos não é? As pessoas vão cair em cima de você.
— Eu sei, mas não me importo.
— Você está mesmo decidida, não é?
— Estou!
— Então eu apenas te desejo o melhor Rachel Berry – disse aproximando-se de mim abrindo os braços – Posso ganhar um abraço da minha maior estrela? – perguntou com um sorriso.
— Até dois – falei antes de abraça-lo com todo meu carinho e minha gratidão.
— Vai ficar aqui?– perguntou quando se afastou colocando as mãos no bolso do seu jeans surrado.
— Eu posso? – perguntei com um sorriso.
— Você pode tudo o que quiser Rachel – disse dando um passo para trás – Esse teatro é sua casa.
— Obrigado – agradeci à ele de todo o coração e ele entendeu.
— Obrigado você por ter feito essa peça ser o sucesso que é hoje – disse virando-se mais logo parou e olhou novamente para mim – Minhas peças sempre terão um lugar para você.
— Manterei isso em mente – disse com um sorriso vendo-o assentir antes de começar a caminhar para fora do palco – John, as coisas vão se arrumar, Sun vai cuidar para que essa notícia saia para a impressa no momento certo, ela vai facilitar sua vida.
— Depois conversarei com ela sobre isso – disse para mim.
Quando o silencio reinou o local e os passos de John já não eram mais ouvidos caminhei lentamente por todo aquele cenário.
Primeiro observei as luzes que todas as noites iluminavam o palco, depois olhei as cortinas que abriam e fechavam a peça, depois olhei para o cenário que por tantas e tantas noites eu me apresentei.
Broadway sem sombra de dúvidas é meu sonho virando realidade.
Lembro-me da primeira vez que me apresentei aqui sendo Fanny Brice e em como me senti quando a cortina se fechou e a minha noite de estreia acabará de acontecer.
FLASHBACK ON
Por meses eu ensaiei e ensaiei para esse momento, horas e mais horas treinando, cantando, dançando, decorando falas atrás de falas, para que nesses 53 minutos a magia acontecesse.
Para que nesses 53 minutos eu me tornasse uma estrela.
A MAGIA FINALMENTE ACONTECEU!
Todo o esforço e trabalho duro valeram a pena, pois nesse momento eu havia me tornado Fanny Brice.
São praticamente 53 minutos em cima do palco!
São 53 minutos onde a magia aconteceu.
São 17 músicas onde você simplesmente se entrega e viva intensamente!
São 53 minutos onde o meu maior sonho se realizou!
Eu consegui!
Eu finalmente consegui.
Desde pequena, lembro-me que meu maior sonho era estar nesse palco sendo a nova Fanny Brice... Meu sonho aconteceu! Nesse exato momento, as cortinas se fecharam e eu consegui!
— MEU DEUS PRINCESA! – exclamou Sun aproximando-se de mim com seus cabelos curtos, loiros e rosas – MINHA PRINCESA É UMA ESTRELA! – exclamou puxando-me para um abraço e no instante seguinte me senti sendo rodada pelo ar – Você conseguiu! Conseguiu! – disse quando me colocou no chão ainda apertando seus braços ao meu redor.
— Obrigado por ter me ajudado a chegar até aqui Sun – disse retribuindo o abraço com toda a força do mundo – Eu não teria conseguido chegar aqui sem você – disse baixinho para ela escutar e rapidamente senti ela se separando de mim para me olhar nos olhos.
— Hoje não é o momento para essa tristeza aparecer princesa – disse mantendo seu olhar preso no meu – Eu sei que doe, sei que imaginou outras mil situações onde ela estaria aqui – falou sem jeito e senti meu coração errando uma batida, pois mesmo sem mencionar o nome eu ficava completamente fraca – Você arrasou, brilhou, e nesse momento eu preciso que viva esse momento sem pensar no passado, sem lembrar dele ok!?
— Você está certa Sun – disse colocando novamente um sorriso no rosto mandando a imagem daquele olhar para o esquecimento – Eu consegui e precisamos comemorar! – exclamei animada.
— E nós vamos! – garantiu para mim – Vamos até seu camarim encontrar seus pais e depois vamos para a festa!
— Que festa? – perguntei quando ela pegou minha mão e começou a andar comigo.
— A festa que eles organizaram para o sucesso dessa peça e para a estrela desse espetáculo – disse puxando-me para um meio abraço enquanto andávamos – Eu ainda me divirto muito com os olhares que recebemos amor – comentou baixinho para logo em seguida rir, e finalmente olhei para as pessoas nos olhando.
— É impossível nos olhar e não pensarem em nada – comentei rindo com ela – Nós parecemos namoradas.
— Você teria sorte de namorar uma garota como eu – disse se achando e apenas revirei meus olhos.
— Você que teria sorte de namorar comigo – exclamei para ela enquanto me separava e começava a andar para meu camarim – Você nunca daria conta de uma mulher como eu Sun! Eu sou areia demais para seu caminhãozinho rosa – disse mostrando a língua para ela antes de apressar meus passos e escutar ela xingando-me enquanto vinha atrás de mim.
FLASHBACK OFF
Foram tantas emoções vividas em cima desse palco, vividas nesse teatro.
Foram tantas histórias.
Foram tantos momentos.
Minha decisão sobre esse afastamento dos palcos me costumou muito mais do que posso descrever, mas independentemente de qualquer dificuldade que possa surgir a partir desse momento, eu sinto dentro de mim que é o certo.
Por anos e anos eu me dediquei somente ao trabalho, e por anos isso bastou para ser feliz, mas hoje eu sei que a vida não é somente esse palco, hoje sei que é muito mais além.
Hoje eu percebo o quanto a vida é maior do que eu sonhei.
Hoje eu percebo que minha felicidade não está somente aqui nesse palco, mas sim junto com as pessoas que eu amo.
Hoje eu percebo que não preciso de grandes coisas para sorrir, mas sim das pequenas para rir.
Em poucos meses, minha vida tomou um rumo completamente diferente de tudo o que pensei.
Novas pessoas surgiram e ganharam meu amor, pessoas antigas ressurgiram trazendo a alegria e a esperança novamente, lembrando-me qual é o verdadeiro sentido de viver.
Mudanças sempre me deixaram com um pé atrás, principalmente quando fui praticamente expulsa de Lima, mas nesse momento eu nunca estivesse tão feliz pelas mudanças acontecerem.
O controle é algo bom, é algo que lhe passa segurança, mas as melhores coisas acontecem quando menos esperamos, quando menos desejamos e nesses momentos a última coisa que temos é o controle sobre as situações ou acontecimentos.
A vida me levou novamente para Lima depois de anos e anos sem nunca pensar em voltar, nessa volta reencontrei não somente meu amor perdido, mas um novo amor... Um amor de mãe!
Claire!
Claire é tão parecida comigo, mas ao mesmo tempo é tão diferente.
Quando nos encontramos e nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, eu senti algo totalmente diferente, pois ali não era somente uma fã buscando um autografo ou um momento com seu ídolo, ali naquele momento era a vida nos ligando uma a outra.
Aquele olhar me marcou, pois diferente de tantos os outros eu havia encontrado durante esses anos, aquele olhar castanho tão parecido com o meu havia feito meu coração bater de uma maneira diferente... Naquele momento o destino começava a mexer em suas engrenagens para me unir a essa menina.
Ela sofreu tanto em tão pouco tempo de vida, perdeu sua mãe para uma doença terrível, foi expulsa de casa por amar, foi obrigada a se separar da única pessoa que amava por conta do preconceito do pai, mas mesmo assim ainda sorria, mesmo assim lutava com todas suas forças para conseguir, pois havia uma certa pessoa que precisava dela...
Julie...
Observando toda a situação, tenho certeza que Claire aguentou tudo por ela, pois Julie precisava de uma base e Matt jamais seria isso para ela.
A vida das duas foram uma sucessão acontecimentos. Primeiro veio a morte da mãe delas, Claire assumiu o papel de protetora da irmã, cresceu antes do tempo, tornando-se uma rocha para ela, depois passou por período difícil, mas mesmo assim seguiu sendo a base da irmã, se manteve em pé para não deixa-la sozinha, mas quando Julie partiu, Claire simplesmente ruiu.
Antes ela não tinha alguém para ser a base dela, mas hoje ela tem.
Caminhei um pouco mais pelo palco respirando fundo enquanto pensava um pouco mais sobre minha vida.
Sun depois que conversei com ela sobre as últimas decisões sobre minha carreira, concordou comigo apesar de relutar em alguns assuntos, mas como sempre disse que estaria ao meu lado.
Nos meus piores e melhores momentos, Cristina sempre esteve ao meu lado!
Nós nos conhecemos, viramos amigas, depois companheiras e hoje somos irmãs.
Podemos não compartilhar do mesmo sangue, mas do mesmo coração com certeza partilhamos.
Em cima desse palco eu fui uma Rachel totalmente diferente do que sou hoje, passei por muitas coisas até chegar onde estou.
Novamente me encontro aqui, vendo e repensando meus últimos anos.
Acho que todos deveríamos parar em algum momento da vida e fazer essa pequena reflexão, pois somente assim aprendemos a dar valor na vida. Durante os anos longe de Quinn, fiz muitas coisas que me arrependo, fiz coisas que me envergonho, mas mesmo assim, não iria tirar nada da minha história, pois cada situação vivida, por mais que não tenha sido boa, foi necessária, pois uma lição, um valor, um aprendizado aconteceu.
Caminhei novamente chegando agora até a beira do palco e por um momento fechei meus olhos imaginando Quinn Fabray!
Minha mente me trouxe a imagem de Quinn nos tempos do colégio.
Deus!
Quinn sempre foi linda, mas confesso que naquela época eu ficava ainda mais fascinada com ela, pois havia toda aquela pose, toda aquela superioridade com aquele toque de suavidade.
Descrever Quinn é uma tarefa praticamente impossível!
Linda. Fofa. Incrível. Adorável. Gentil. Impressionante. Forte. Amorosa. Amiga. Sincera. Ela é tudo o que eu sempre busquei em alguém.
Ela é meu maior sonho se tornando realidade. Eu amo seus cabelos loiros, estejam eles presos ou soltos, curtos ou longos, amo suas calças jeans apertadas e suas camisetas de bandas, amo seus ternos e roupas sociais. Ela ainda é minha menina mulher, e sei que sempre será assim.
Não importa quantos anos se passem, meu coração sempre pertencerá a Lucy Quinn Fabray!
Eu quero construir uma família com ela, quero casar e ter nossos filhos correndo pelas casa, enlouquecendo-a por todos os cômodos enquanto Quinn vai atrás dela preocupada se eles estão bem.
Apenas esse pensamento faz meu coração se agitar dentro de mim.
Escutei passos e apenas me mantive de olhos fechados esperando Sun e Claire chegarem até mim, mas diferente do que eu esperava os passos sessaram a pouca distância de mim, e instante seguinte, abri meus olhos assustada com a sensação perturbadora crescente dentro de mim.
Lentamente fui girando meu corpo para olhar quem estava ao meu lado, mas jamais imaginaria que essa pessoa estaria aqui.
Pisquei rapidamente meus olhos, me recusando a acreditar no que estava vendo.
Existem bilhões e bilhões de pessoas no mundo, então como é possível?
Nem nos meus piores pesadelos pensei que voltaria encontra-lo, ainda mais aqui, no meu palco, na minha casa.
Senti minha mente sendo invadida por milhares de pensamentos ruins enquanto a agonia crescia dentro do meu peito mesclada com o ódio.
Isso não poderia estar acontecendo!
— Você? – perguntei mais para mim do que para ele que apenas me olhava com o mesmo ar imponente de sempre.
— Eu mesmo Rachel Berry – respondeu cravando aquele olhar azul nos meus e por um momento senti um rápido e cortante arrepio passar por toda minha coluna.
Nem nos meus pesadelos mais profundos pensei que voltaria a encontra-lo dessa maneira. Anos atrás somente o pensamento de vê-lo fazia o pânico crescer dentro de mim, mas dessa vez eu iria enfrentá-lo cara a cara.
Eu não era mais aquela garota fraca de anos atrás, hoje eu sou RACHEL BERRY e não será um homem qualquer que irá me fazer abaixara a cabeça novamente.
— Como entrou aqui? – perguntei com raiva lembrando-me de tudo o que esse homem me fez perder.
— Eu entro onde eu quiser garota idiota, eu...
— Eu não sou mais uma garota – disse cortando-o e me aproximando mais um passo – Você não é bem-vindo nesse teatro, se não sair agora, vou chamar o segurança para colocá-lo para fora – avisei para ele.
— Eu não vou sair antes de falar com você – disse aproximando-se um pouco mais de mim e notei que quase estávamos na mesma distância – Eu tenho um aviso para você.
— Eu não me interesso pelos seus avisos, eu não me interesso para nada que venha de você – avisei para ele – Anos atrás você destruiu minha vida, e tenho a leve sensação que sua recente aparição não é sem um objetivo... Vá antes que abra sua boca para falar qualquer besteira, se retire do meu teatro, pois não tenho intenção de ouvir nada que venha de você.
— Eu vou falar somente uma vez, e aconselho você a me ouvir garota insolente – avisou para mim e senti a irá queimando dentro daquele olhar. Como é possível Quinn ser filha de alguém tão desprezível assim? Mesmo com os anos Russel Fabray continuava igual apesar da idade estar chegando, usava uma roupa social fina, seus cabelos loiros estava penteados corretamente e sua postura fria seguia a mesma – Eu observei de longe você e aquela ingrata da Lucy se relacionando, mas como estavam escondidas decidi não me meter, mas a situação mudou quando fez aquele maldito anuncio – disse com raiva e notei suas mãos se fechando em punho enquanto seu rosto branco começava a assumir uma nova coloração – Eu não vou permitir que meu sobrenome seja jogado no lixo por conta daquela inútil.
— NÃO FALEI ASSIM DA QUINN! – exclamei com toda a raiva dentro de mim – Por anos eu tive medo de você, mas isso mudou agora Russel... Antes eu desisti dela, mas isso não voltará a acontecer... Eu sei que você está envolvido com o Finn e talvez até com o Matt – disse com raiva – Como pode fazer isso? Por sua culpa uma criança morreu.
— Eu não me importo com o que aquele paspalho do Hudson fez. Matt é outro incompetente e agora viverá com as consequências do seus atos – disse com a voz fria – Meu assunto é com você, se não se afastar dela eu vou terminar o que eu comecei naquela tarde – disse para mim.
— O QUE FOI QUE VOCÊ COMECOU NAQUELA TARDE? – disse uma nova voz entrando no ambiente, uma voz tão fria quanto a dele, e por um momento eu simplesmente fechei meus olhos desejando com todas as forças que aquela voz não fosse da mulher que eu amo.
Sabe aquelas cenas dramáticas de filmes que você simplesmente não quer assistir, pois sabe que o final será trágico e mesmo assim não consegue desviar os olhos da tela?
Era essa cena que estava acontecendo na minha frente quando abri meus olhos.
Russel a encarava com um pequeno sorriso enquanto sustentava o olhar gélido que minha namorada. Se faíscas pudessem sair de dentro daqueles olhares o teatro sem sombras de duvidas estaria em chamas.
O olhar azul de Russel havia assumido um tom azul escuro enquanto o olhar verde que tanto amo de Quinn estava num verde musgo perfeito e perigoso.
Eu observei Quinn caminhando a passos firmes até parar ao meu lado, mas em nenhum momento seu olhar foi para mim.
— Conte-me Russel – pediu de maneira firma – Conte-me o que aconteceu naquela tarde! – mandou e apenas vi um sorriso doentio começar a nascer no rosto daquele homem desprezível.
Agora seria a hora da verdade e não teria como fugir.
Em todos esses anos, nunca imaginei que a verdade surgiria dessa maneira, da pior maneira possível.
Senti meu coração batendo rapidamente enquanto minha mente inexplicavelmente vez uma pequena e reflexiva viagem sobre os próximos acontecimentos.
Uma coisa complicada e interessante sobre o ponto de inflexão é que só pode defini-lo em retrospectiva.
Quem pode dizer que uma escolha ocasionados em um acidente de carro, ou... Qual cigarro começaria o câncer...?
E, então nós cegamente tropeçamos para frente, nunca tendo certeza do quão perto estamos da beira do abismo... Ou o quão perto a nossa felicidade está perto de acabar...
Tudo o que eu sei é que novamente meu demônio apareceu, novamente o monstro da história surgiu, trazendo com ele toda dor e escuridão.... 5 anos atrás ele apareceu e tudo o que eu havia sonhado ele destruiu.
Hoje novamente ele está aqui, em cima da minha casa, do meu palco, da minha vida e do meu espetáculo, tentando a todo custo apagar as luzes dos meus holofotes, enquanto a mulher que eu amo está assistindo de camarote tudo o que eu tentei esconder para protege-la!
Um pai, uma filha e o ódio interminável causado pela ignorância.
Hoje é o dia da verdade!
Hoje será o dia do acerto de contas!
Mesmo sem o benefício da retrospectiva, como saberemos se estamos no fim do começo... ou o começo do fim?
Era isso que eu precisava descobrir a partir agora!
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