Story of my Life
72 72- Ela finalmente disse
Notas iniciais
POV Rachel
Quando escutei aquele grito eu girei meu corpo observei toda cena passando diante meus olhos em câmera lenta, registrando cada detalhe, cada expressão, cada emoção e guardando na memoria a lembrança desse pesadelo que acabou de se iniciar.
Primeiro de tudo meu olhar se focou em Sun que estava parada completamente em choque sem saber como reagir depois do que ouviu, senti sua mão pegando meu braço, mas rapidamente me livrei daquele contato, pois qualquer contato nesse momento bastaria para eu finalmente perder minhas forças.
Quinn estava mexendo sua cabeça de um lado para o outro como se estivesse negando essa informação, seu olhar estava indo de mim para Claire e eu soube que ela pensava exatamente a mesma coisa que eu. Ontem mesmo havíamos falado sobre nossa família, sobre Julie e agora nossos planos jamais poderiam se realizar, pois uma tragédia havia chegado trazendo uma forte tempestade sobre nossas cabeças e no meio dessa escuridão nós precisamos nos manter firme e tentar ver algo no meio dessas trevas, pois nossa menina iria precisar de nós.
Hanna estava petrificada no lugar olhando para a namorada com o rosto banhado em lágrimas, tentando assimilar aquela informação como todos os presentes naquela sala.
— Claire – sussurrei seu nome levando meu olhar para ela que apesar de olhar na minha direção não estava me vendo – Claire – tentei novamente chamando-a um pouco mais alto – Claire? – chamei novamente ignorando meus sentimentos e tentando a todo o custo me manter firme para ajuda-la. Meus sentimentos não importam nesse momento, tudo o que importava era aquela menina à minha frente. Depois daquele maldito ‘não’ era como se ela estivesse petrificada no lugar sem conseguir se mexer nem ver ninguém, ela estava presa em sua própria mente e mesmo não lendo seus pensamentos eu tenho certeza que um filme estava passando dentro de sua cabeça e ela e a irmã eram as protagonistas.
Olhei atentamente para o rosto de Claire e notei as lágrimas presas em seu olhar, nenhuma lágrima havia escorrido, era como se uma represa estivesse se formando dentro daquele olhar vazio e quando uma lágrima caísse o restante iria transbordar afogando qualquer pessoa em seu caminho.
Eu não sei o que eu faria nem como faria, mas tenho a certeza que não vou permitir que Claire se afogasse.
Claire se mexeu descendo o último degrau da escada e rapidamente seu corpo foi para frente fazendo-a cair de joelhos num baque surdo no chão. Todo seu corpo parecia fraco demais para sustentar seu proprio peso então rapidamente fechei o espaço entre nós duas colocando-me de joelhos também abrigando seu corpo junto ao meu.
Se ela não tinha forças para sustentar seu próprio peso eu arranjaria forças para sustentar nós duas. Se ela não conseguisse respirar eu faria o ar entrar. Se seu coração estivesse em pedaços eu iria juntar pedacinho por pedacinho para ele bater novamente e se depois de todos esses esforços seu coração falhasse eu daria sem sombras de duvidas o meu próprio coração para ela.
Se uma agulha caísse no chão nesse momento eu tenho certeza que iria conseguir ouvir seu barulho ao entrar em contato com o piso. O silêncio enlouquecer estava cortando o ar pesado e mesmo sem olhar ao redor eu sabia que todas as atenções estavam voltadas para nós duas nesse momento, mas especificamente para Claire que permanecia imóvel em meus braços e o único som que se escutava era de sua respiração se tornando cada vez mais pesada.
Era uma questão de tempo até ela finalmente assimilar essa informação e se quebrar de vez.
O que ela fez para merecer isso Deus?
A vida já havia levado tantas coisas dela e agora novamente a vida estava colocando-a a prova.
Eu não sei se ela aguentaria, mas ela precisava aguentar...
Não posso perdê-la.
Por que meu Deus?
— Claire...
— Não... Eu... Is... So... Eu... J... Por.. Não – falou algumas coisas desconexas demais para entender e senti ela abraçando-me de volta enquanto suas lágrimas começavam a sair descontroladamente primeiramente em silencio, como se nem força para chorar ela possuísse naquele instante – Me diz que isso é uma brincadeira — pediu levantando a voz juntamente enquanto tirava o rosto do meu pescoço e fixava seu olhar em mim implorando-me para lhe dizer que aquilo era uma mentira –Diz que é mentira – sussurrou tão baixinho que mal consegui ouvi-la — DIZ QUE É MENTIRA – gritou olhando para os dois policias parados ali na porta – DIZ QUE É MENTIRA – gritou novamente agora para mim enquanto levava suas mãos até minhas roupas apertando-as entre seus dedos trêmulos e naquele simples gesto observei o desespero tomando conta da minha.
— Eu queria poder dizer que é mentira – falei com toda a calma do mundo sentindo as primeiras lágrimas escaparem dos meus olhos e respirei fundo tentando engolir o bolo que formava-se em minha garganta – Claire – chamei-a vendo seu choro se tornar desesperador.
— Não, isso não pode ser real, não pode ser real, não posso acreditar... Me acorda desse pesadelo, por favor, eu imploro para você... Me acorda, me acorda... Você sempre me acorda, porque não quer me acordar agora? Só me acorda – pediu entre os soluços tentando respirar enquanto apertava suas mãos em minhas roupas como se naquele gesto pudesse arrancar aquela dor dentro de si – Me acorda, me acorda, não pode ser... Minha irmã não... Ela não pode me deixar... Eu... Eu vi... Eu a vi hoje – disse olhando para mim com o rosto banhado em lágrimas e levei minhas mãos até seu rosto tentando limpa-lo, mas a cada lágrima que eu tirava outras cinco caiam – Ela não pode... Não... Não pode me deixar... Não pode... Não... Por favor, não – implorava-me como se o poder de reverter aquela situação estivesse em minhas mãos – JULIE NÃO ME DEIXA – gritou olhando para o teto á cima de nós – Não me deixa, não... Não deixa... Não me deixa... Julie, por favor... E... Eu... Pre... Eu preciso de você... Não...
Escutei a voz de Quinn conversando com os policiais atrás de mim e mesmo não olhando para seu rosto eu reconheceria aquela voz tremula em qualquer lugar, ela estava se segurando para não chorar naquele momento.
— Claire – chamei seu nome novamente tentando acalma-la quando seu choro aumentava e escutei a porta fechando-se atrás de mim.
Pelo canto dos olhos observei Quinn e Sun se aproximaram de Hanna que chorava mantendo seu olhar fixo na menina quebrada em meus braços. Quinn passou os braços sobre Hanna mantendo-a presa em seu abraço.
— Isso não pode estar acontecendo – disse entre os soluços enquanto seu choro se intensificava deixando de ser silencioso – Ju... Não... Não pode... Po... De... Por favor, por favor – pedia implorando para mim e para qualquer pessoa presente te tirar daquele pesadelo – E... Eu... Fiquei so... Sozinha... Sozinha... – repetiu a palavra em puro desespero intensificando o aperto em minhas roupas e senti suas mãos batendo contra meu peito completamente sem forças – Não... Não deixa...Não me deixa...
— Hey – falei pegando seu rosto entre minhas mãos tentando fazer aquele olhar sem vida focar em mim – Você não esta sozinha meu anjo – falei sentindo-me inútil diante o desespero da minha menina – Eu estou aqui Claire, eu estou aqui e não vou deixar você sozinha, não vou sair de perto de você... Eu amo você, eu amo muito você e não vou sair de perto – garanti limpando rapidamente meu rosto – Não está sozinha, não está sozinha...
— Ela me deixou – disse olhando para mim – Ela me deixou... Julie me deixou...
— Ela ainda está aqui com você...
— Faz parar, faz parar – pediu repetidamente para mim e mesmo não entendo nada eu respondia que ia fazer parar – Faz para por favor...
— Eu faço...
— Faz a dor para... Faz a dor para mãe – disse olhando diretamente para meu olho e senti meu coração parando de bater... Ela havia me chamado de mãe... Ela estava me chamando de mãe... Claire finalmente disse... Olhei de relance para as três mulheres que observavam a cena com lágrimas nos olhos – Faz para de doer mamãe, por favor – implorou para mim tirando-me do meu estado de torpor – Não me deixa por favor, não me deixa sozinha mamãe – disse abraçando-me desesperadamente – Não me deixa também...
— Eu não vou deixar meu anjo – garanti apertando meus braços ao seu redor e senti seu corpo inteiro tremendo enquanto ela apertava seus braços ao meu redor num ato totalmente desesperado – Não vou deixar, eu amo você, não vou deixar você.
— Isso não pode estar acontecendo... Porque Deus fez isso mamãe? – perguntou chorando para mim e tudo o que me restava era amparar minha filha naquele momento – Ela não pode ter ido, não pode, não pode ter me deixando sozinha, eu não vou aguentar, não vou suportar não ter ela aqui – falou separando-se minimamente de mim – Porque ela me deixou sozinha mamãe? –perguntou e sem esperar qualquer resposta enterrou seu rosto em meu pescoço voltando a chorar desesperadamente – Eu quero minha irmã, eu quero minha irmã de volta, por favor... Ela me deixou, ela só foi embora também... Eu quero minha irmãzinha de volta... Eu quero a Julie de volta – disse chorando – VOLTA JULIE, volta para mim... Não me deixa...
— Respira Claire – pedi repetidamente para ela que soluçava até o ar faltar engasgando-se com o choro – Respira, eu preciso que respire meu anjo, apenas respire...
— Eu não posso mais – disse separando-se de mim olhando-me com seus olhos vermelhos enquanto apertava suas mãos na cola da minha roupa novamente – Eu não posso mais, me leva, me leva, só me leva...
— Levar você onde?
— Longe dessa dor – disse fechando seus olhos e senti seu corpo caindo por cima do meu e rapidamente acomodei seu corpo no meu observando seu rosto manchado de lágrimas.
— Acorda Claire – pedi em desespero não obtendo nenhuma reação da menina a minha frente – Acorda meu anjo – pedi chacoalhando-a – Eu não posso perder você também – falei deixando minhas emoções saírem pela primeira vez desde que esse pesadelo começou – Acorda Claire, acorda – pedi soluçando e rapidamente as três se aproximaram.
— Calma princesa – pediu Sun colocando-se de joelho ao meu lado – Ela apenas desmaio, mas ela está bem.
— Não Sun – falei olhando para ela – Ela está aqui, mas somente seu corpo... Ela se foi... Ela se foi junto com a Julie – disse olhando em completo desespero para a menina desmaiada em meus braços.
— Nós vamos trazer ela de volta amor – garantiu Quinn chegando perto de Claire e passando as mãos por seus cabelos – Nós vamos trazer nossa menina de volta – garantiu olhando para a menina em meus braços.
Hoje ela finalmente havia me chamado de mãe, e esse deveria ter sido o momento mais feliz da minha vida, mas esse dia foi marcado pela dor da perda.
Eu sou sua mãe Claire e mesmo não sabendo como, eu prometo que vou erguer você novamente, eu prometo.
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