Story of my Life
5 5- Perdida em meus pensamentos
Notas iniciais
Eu não devo ter escutado direito... Não pode ser... Depois de anos e anos esse infeliz ainda volta para assombrar minha vida... Não pode ser... Esse maldito volta por quê? Fazer meu pai sofresse um ataque cardíaco? Esse nome assombrou-me durante todos esses anos, nunca consegui esquecer meus encontros com ele, foram poucos mais mesmo assim... Sinto tanta raiva nesse momento que se ele estivesse em minha frente provavelmente eu seria presa por assassinato... Não sou violenta mais esse homem já acabou com minha vida antes e agora com a do meu pai? Meu pai está morto por conta dele... Isso não vai ficar assim... Quando o encontrei no passado eu era apenas uma menina mais hoje sou uma mulher formada... Será diferente... Sempre ele tem que estar envolvido em coisas ruins? Todas as pessoas que passaram pela vida desse ficaram mal em algum momento.. Judy, Quinn, Frannie, meus pais, eu... Isso só pode ser algum carma... Eu devo ter feito algo de muito ruim em outra vida para merecer isso... Merda... Merda de dor de cabeça, pra que voltar justo agora? Isso não irá ficar assim... Respira fundo Rachel... Pega o ar e solta o ar... Vamos você é uma atriz tem técnicas para se manter calma é hora de usa-las... Eu estou com tanto ódio nesse momento que palavra não serve para expressar-me nesse momento... MALDITO SEJA VOCÊ RUSSEL FABRAY... ISSO NÃO IRÁ FICAR ASSIM...
Todos estão olhando para mim, papai e Cris estão preocupados, Judy com um olhar de culpa, todos esperando minha explosão provavelmente, mas isso não irá acontecer agora... Respira Rachel... Você consegue... Aqui não é o momento para isso e você sabe bem disso... Você se tornou uma pessoa que pensa antes de agir Rachel, então se controle...
Fechando meus olhos por um segundo ignorei tudo ao meu redor e contei até dez enquanto respirava ,tentando controlar o ódio dentro de mim...
Abri meus olhos lentamente e soltei a minha mão fechada em punho relaxando meus dedos rapidamente, observei o rosto de todos ao meu redor e tendo uma calma que nem sei explicar de onde surgiu me dirigi ao meu pai calmamente.
— Eu vou tomar um remédio para dor de cabeça e vou ir para sala – falei olhando em seus olhos – Espero sinceramente que você esteja lá papai para me contar tudo, eu tenho o direito de saber o que aconteceu – disse o vendo concordar enquanto levantava-se e ia para a sala.
— Está com dor novamente princesa? – perguntou Cris se levantando e indo para o meu lado tentando olhar em meus olhos mais desviei o olhar, ela colocou as mãos em meu rosto me obrigando a encara-la – Como você esta amor? – perguntou baixinho para mim.
— Estou bem Cris – respondi friamente para ela, apenas soltou meu rosto prendeu-me em seus braços, num abraço repleto de amor e carinho mais nesse momento não pude retribuir.
— Eu sei que você está tentando controlar suas emoções e para não sofrer está fria e te entendo perfeitamente princesa – falou se separando e me olhando – Vou estar aqui quando precisar e mim, vou esperar você na sala junto com Hiram.
Ela se soltou de mim enquanto se dirigia para a sala onde papai deveria estar. Judy me analisava calmamente e com um olhar repleto de carinho caminhou parando em minha frente.
— Eu sinto tanto pelo acontecido Rachel e peço perdão... Leroy era um dos meus amigos mais próximos e sinto-me culpada pelo que houve com ele – falava enquanto seus olhos brilhavam com lágrimas que nunca saíram, sempre admirei sua força.
— Você não teve culpa pelo que aconteceu Judy e sou muito grata por você estar aqui ao lado do papai nesse momento – falei sinceramente para ela – Você sabe o que aconteceu? – perguntei.
— Não sei, Hiram apenas mencionou o ocorrido mais não estava em condições para falar qualquer coisa comigo naquele momento, eu vou ir para casa agora, não quero atrapalhar a conversa de vocês – falou.
— Você não irá atrapalhar, se quiser fique, por mim não terá nenhum problema, você era amiga deles e tem o direito de saber o que houve se assim desejar – falei sorrindo para ela – Vou apenas tomar um remédio e irei para a sala – falei indo em direção aos armários da cozinha e pegando do bolso da minha calça uma cartela de comprimidos para dor tirando logo dois de uma vez e tomando logo em seguida.
Observei a cozinha mais uma vez antes de ir para sala e encontrar papai e Judy sentados em um sofá de Cris em outro, e logo todos os olhares foram em minha direção quando notaram minha presença, fui para a única poltrona da sala me sentando e esperando papai começar.
— Quando Leroy chegou em casa ele... – dava para perceber a dificuldade dele para falar, isso apenas me fez sentir ainda mais raiva dentro de mim, Judy segurava uma de suas mãos apertando transmitindo forças para ele – Leroy chegou muito nervoso ontem, não queria falar sobre o assunto, depois de insisti muito acabou falando... Seu pai iria encontrar com Shelby em frente ao parque perto do centro e iriam levar Beth para tomar um sorvete enquanto conversavam, ele havia chegado mais cedo ao parque e resolveu dar uma caminhada em volta e... E foi quando ele o encontro... – falou tentando respirar fundo – Pelo que seu pai me contou Russel começou a provoca-lo como sempre fez, dizendo o quanto o nosso modo de vida é errado, somos pecadores e devemos ir para o inferno – enquanto ele falava sentia meu controle cada vez menor, Cris olhava de papai para mim direcionando seu olhara para minhas mãos fechadas, Judy parecia alheia a esses olhares enquanto abaixava a cabeça envergonhada — Seu pai até nessa parte não havia reagido estrelinha, mas ele não ofendeu apenas nós, ele começou a falar de você – contou e contei mentalmente até 50 para me acalmar, olhei para ele esperando que ele continuasse – Russel falou que além de vivermos no pecado havíamos criados uma pecadora e ele nunca havia esquecido que por sua causa a... – eu já imaginava o que ele iria falar e preparei-me para não demostrar nada, sustentando o olhar do papai para assim ele continuar – Ele disse que foi por sua causa de Quinn havia ido para o caminho do pecado e nem pedir perdão a Deus funcionaria para te livrar do inferno ou a nós mesmo, você havia “destruído” a filha dele — respira Rachel, apenas respire – Seu pai começou a rebater e os insultos começaram a piorar... Russel perguntou ao seu pai como ele aguentava se olhar no espelho depois de ter criado uma pecadora como você, falou que deveria estar morta e sua vida é um insulto a todas as pessoas de boa índole — falava soltando algumas lágrimas e percebi Judy olhando rapidamente para mim antes de voltar à atenção para ele – Leroy não aguentou ouvir isso, não depois de todo sofrimento que você havia passado... – nesse momento senti meu coração gelar pensando se ele falaria algo a mais nesse momento, levantei-me rapidamente sobre o olhar atento de Cris e continuei olhado para ele, caso falasse algo á mais eu o cortaria — Leroy o respondeu dizendo que ele deveria se envergonhar não nós, pois ele falava tanto de Deus mais não cumpria nenhum de seus seguimentos, ele era um falso cristão e Russel deu um murro nele – falou-me olhando enquanto eu continuava parada em sua frente esperando o restante – Depois disso Russel ainda falou sobre como você deveria estar morta, e esse é o seu maior desejo, pois ele assim garantiria que Quinn nunca mais voltasse a ir para o mal caminho, e acabando com você livraria a terra do mal que você é...
Comecei a andar de um lado para outro, como ele tem essa coragem... Depois de tudo? Eu causei mal?
Cris se levantou e pegou levemente meu braço me fazendo parar, lancei meu olhar mais gelado para ela notando por um momento ela recuando mais voltou rapidamente para sua expressão normal...
— Rach... – começou ela.
— Nem comesse a falar nada Cristina está me entendendo? – perguntei a ponto de explodi tirando sua mão de meu braço.
Hiram e Judy que estavam sentados se levantaram quando perceberam meu estado.
— Estrelinha fica calma, por favor – pediu papai enquanto se aproximava.
Minha cabeça vai explodi a qualquer momento... Calma? Ele deve estar brincando comigo...
— Como você me pede calma? – perguntei voltando meu olhar para ele – Depois de todo sofrimento causado por ele, novamente ele volta a ter a coragem de mexer conosco e você me pede calma papai? – falei a ponto de explodi e me amaldiçoe mentalmente, pois Judy notou as palavras usadas por mim... Droga... Você é uma idiota Rachel... Perfeito...
— Rachel, por favor, se acalma – pediu papai mais simplesmente ignorei esse pedido, não quero calma, cansei de ser calma...
— Rach... – falou Cristina enquanto se aproximava – Vamos conversar, por favor – pediu enquanto tentava me abraçar.
— VOCÊS NÃO ENTENDENDEM QUE EU NÃO QUERO CALMA? – gritei para eles – Não toque em mim agora você está me ouvindo Cristina – avisei enquanto virava e ia em direção à porta pegando a chave em cima da mesinha, precisava sair dali desesperadamente, o carro que Cris alugou seria de boa utilidade nesse momento... Não posso ficar perto deles, estou com muita raiva e vou descontar neles se ficar aqui mais um minuto... Preciso pensar...
— Estrelinha pare agora – pediu papai e parei de costa para ele com a mão na porta me virando para encarar seu olhar cheio de preocupação comigo – Não saia assim Rachel, por favor, vamos conversar...
— Conversar? Você tem noção do que acabou de me contar papai? Depois de tudo o que esse homem aprontou comigo novamente volta a fazer minha vida um inferno, não quero conversar e muito menos ter calma, entende?– perguntei olhando para eles – Esse maldito homem acabou com minha vida anos atrás e agora acabou com a vida do meu pai... COMO VOCÊ QUER QUE EU FIQUE CALMA? NÃO BASTOU TODO SOFRIMENTO QUE ELE ME CAUSOU? – gritei para eles virando as costas e saindo de casa rapidamente, meu celular estava no bolso junto com o remédio de dor de cabeça, provavelmente iria precisar.
Sentia eles me seguindo e logo senti Cris pegando meu braço e virando-me de frente para ela.
— Princesa, vamos, por favor, vamos conversar como sempre fazemos – me implorava pelo olhar para me acamar, vi naqueles lindos olhos azuis preocupação e carinho mais nesse momento eu não quero ninguém... Judy e Hiram estavam um pouco atrás dela... Eu preciso ficar sozinha por um momento...
— Não – respondi soltando sua mão de mim, correndo rapidamente para o carro não dando tempo para ela me seguir.
Entrei rapidamente ligando o carro e trancando a porta para ela não pudesse entrar... Preciso colocar essa dor para fora e preciso fazer isso sozinha.
— Rachel me escuta, abre essa porta agora – pedia Cristina batendo na janela do vidro.
— Estrelinha não saia assim, vamos conversar – pediu papai ao lado dela e Judy me olhava pedindo calma, mas não falou nada.
— Desculpa, mas eu quero ficar sozinha – respondi saindo cantando pneus dali o mais rápido possível.
Dobrei a esquina e acelerei ainda mais o carro, mas aonde eu iria? Fazia anos desde que estive nessa cidade pela ultima vez, pra onde ir? Não queria ninguém perto nesse momento... As lágrimas saíram cada vez mais enquanto eu dirigia, estava se tornando difícil enxergar em alguns momentos, mas Lima é uma cidade mais calma graças a Deus, se fosse NY dirigindo desse jeito provavelmente já teria batido o carro, as ruas passavam mais não sabia aonde eu ia... Acabei parando num parque a muito tempo visto por mim...Era o mesmo parque aonde estivesse milhões de vezes com Quinn, era o nosso lugar... Por que fui parar justo ali?
Desci do carro e rapidamente o fechei, meu aparelho não parava de tocar, mas nesse momento não quero falar com ninguém então simplesmente o coloquei no silencioso, comecei a fazer o caminho conhecido por mim... Sequei minhas lagrimas com a mão e comecei a andar pelo local... Eu já imagino aonde vou ir parar, mas nesse momento aquele lugar apesar de ser triste também foi aonde vive lindas coisas, em senti protegida e amada, eu só quero sentir isso nem que seja por um momento...
Passei andando pela beira do lago, fui caminhando até o carvalho e logo o avistei, ele é ainda mais lindo do que minhas memorias me mostram, segui andando lentamente até a arvore, o dia estava lindo... Meu peito queimava em uma mistura de dor com odeio... Não sei qual dessas coisas é pior...
Chegando a frente à árvore procurei as inicias e lá estavam elas, a madeira estava bem seca naquele local mais as letras permaneciam lá R&Q ForEver... Senti lágrimas voltarem para meus olhos enquanto encarava as letras feitas, não havia sentido conte-las nesse momento, aqui está deserto...
FLASHBACK
Quinn e eu estávamos no parque e paramos em frente a essa enorme arvore branca, ela era imponente e magnifica, por um momento eu parei para analisar sua beleza. Quinn estava encostada na arvore e eu estava de joelhos em frente a ela encantada com a arvore...
— Se eu soubesse que você iria me trocar por uma arvore nós não teríamos vindo para cá – falou sorrindo para mim enquanto atraia minha atenção.
— Você é boba Quinnie, não te trocaria por nada nesse mundo – falei sorrindo enquanto dava um pequeno selinho nela – Eu amei esse lugar, falando nisso como você encontro? Sei que esse parque é enorme e vim algumas vezes com papai e pai, mas jamais vi esse local.
— Eu vinha com a Frannie aqui quando éramos menores – respondeu-me enquanto passava o braço ao meu redor e me trazia para perto... Estamos há quase um mês juntas e tirando meus pais ninguém sabe ainda, tudo é tão surreal... Ela é Quinn Fabray a cheerios mais poderosa daquele lugar e eu ainda sou Rachel Berry a menina que até pouco tempo atrás ela perseguia – Um real por seus pensamentos – falou sorrindo e beijando meu rosto.
— Estou pensando que é surreal demais nós duas aqui assim – falei sinceramente vendo-a olhar para mim atentamente esperando eu continuar – Você é Quinn Fabray e eu ainda sou Rachel Berry, quem diria que justo a capitã das cheerios estaria ficando comigo entende? – perguntei vendo ela me dar seu lindo sorriso – Às vezes isso parece um sonho e quando eu acordar vou ficar muito triste com isso – falei sinceramente fazendo um bico e sentindo ela abraçando-me fortemente e o mesmo calor me invadiu.
— Rachel você sente isso? – perguntou se afastando minimamente e apontando para nossos corpos juntos – Sente esse calor? Sente meu coração? – perguntou pegando minha mão e o levando até seu peito e pude sentir as batidas – Ele bate por você e sempre será assim... Eu nunca senti isso por ninguém com quem fiquei ou namorei... Meu coração fica descontrolado quando você está por perto e tenho consciência que sempre vai ser assim, tudo o que falta em mim encontro em você... Você tornou minha vida feliz Rachel e hoje sei sobre a felicidade graças a você, não abriria mão de você por nada desse mundo... Eu vou querer você para sempre... Sempre vamos estar juntas — falou sorrindo e me perdi naquele olhar brilhante dela.
— Para sempre – falei encantada com seu olhar.
— Vamos guardar esse momento para sempre o que acha? – perguntou e não entendi – Vem levanta –me chamou levantando-se e puxando-me com ela, tirou algo do bolso da saia e pude notar um pequeno chaveiro — Sabe algo sobre os carvalhos?
— Não – respondi sinceramente ainda sem entender o que ela queria dizer.
— Carvalhos são em minha opinião uma das arvores mais lindas e magnificas do mundo inteiro e os brancos são ainda mais imponentes do que os normais... Eles são grandes e fortes, são muito difíceis de derrubarem e eu vejo nosso amor assim, algo forte e grande, as dificuldades vão acontecer mais no final sempre vamos terminar juntas, nesse lugar quero marcar como nosso, sempre nosso lugar — falou sorrindo e limpando uma lágrima que escorria pelo meu rosto – Vem – chamou-me enquanto se virava para a arvore e rabisca alguma coisa, depois de alguns minutos afastou-se dando total visão para mim.
“R&Q ForEver” estava escrito na madeira da arvore, lentamente coloquei minha mão sobre as letras, virei meu olhar para ela sorrindo docemente e esperando-me dizer algo, mas nada saia nesse momento...
— Eu te deixei sem palavras Berry? – perguntou enquanto se aproximava e abraçava-me pela cintura trazendo meu corpo para o seu, naquele encaixe perfeito... Seus olhos estavam mais brilhantes que o normal, o verde estava tão claro nesse momento, notei os pontinhos dourados espalhando-se pelo seu olhar — Eu te amo Rachel Berry e nosso amor é forte igual essa arvore e eu quero ficar com você para sempre.
Minhas lágrimas desciam livremente agora, nunca fui tão feliz em toda minha vida como estava nesse naquele momento ao seu lado... Eu tinha medo que Quinn achasse isso era uma loucura, um erro e desistisse de mim por conta da turma do colégio e ali estava ela me provando o quanto me queria...
— Eu também amo você Quinn Fabray – falei sorrindo e fechando a distancia entre nossos lábios num beijo repleto de amor e carinho.
FLASHBACK OFF
Eram tantas lembranças daquele local, meu amor por ela, momentos de cumplicidades compartilhados, tudo o que eu havia sonhado para mim não existia e nem existiria mais.. Broadway sempre foi meu sonho desde pequena, mas trocaria tudo para ter ela para mim novamente, faltava um pedaço da minha vida e o buraco em meu peito apenas crescia a cada dia longe dela, para me manter em pé me tornei uma pessoa mais fria com o tempo, assim escondia minha dor...
Meu pai estava morto por conta dele, maldito seja você Russel Fabray... Odeio... Esse é um sentimento muito forte e ao mesmo tempo engraçado de se sentir, ele te motiva e te da força para alcançar seus objetivos, mas também te tira algo em troca, tira sua felicidade, sua pureza, nada vem fácil na vida afinal... Não é o melhor caminho para se seguir, mas se você não possui mais nada por dentro que mal poderia acontecer? Há muito tempo eu não lembro-me sobre o que é ser feliz, nem consigo lembrar-me como é meu sorriso verdadeiro... Claro, eu sorria bastante, pois isso é parte do meu trabalho, mas não é algo real...
Meu pai não estaria orgulhoso de mim nesse momento, mas não sei o que fazer? Essa dor está tão insuportável, não vejo outro caminho para seguir, preciso bloquear minhas emoções, preciso ser fria... Eu não posso deixar ele escapar impune novamente...
Sentei no chão encostando-me na arvore enquanto observei o lago a minha frente, deixando as lágrimas caírem sem me preocupar... Logo terei que voltar para casa e me preparar para ir a igreja...
Como você se prepara para se despedir de alguém? Como lidar com o fato de nunca mais ver aquele sorriso? Ou sentir o abraço da pessoa? Será que o último contato com a pessoa foi o bastante para te preparar para o adeus? Fico pensando nas palavras não ditas, hoje falaria tantas coisas... Como encarar a vida depois dessa dor? Será que um último adeus em frente a um caixão é o bastante para seguir em frente? A morte é um processo da vida, mas existe algo para te preparar para isso? A dor da morte de alguém amado transforma drasticamente as pessoas, podemos tentar barganhar mais um dia, mais um momento... Mesmo se conseguíssemos isso bastaria? Faria alguma diferença? Eu te amo sairia mais vezes?
A morte é um caminho inevitável e teremos que enfrenta-lo em algum momento da vida, essa é a única certeza afinal... Nascemos para morrer... Mais nada torna mais fácil quando ela vem visitar, pelo contrario, o peso de saber que não verei mais o brilho do olhar ou o sorriso pesa muito mais do que o esperado... Esse sentimento de perda é algo irreparável, o buraco crescente dentro do peito e ele não diminui apenas cresce, arrastando-me para um abismo que não parece ter fim... E a vontade de deixar-me levar pela dor é muito grande... Tenho consciência sobre esse sentimento, sei que irá ficar comigo por muitos e muitos anos, eu poderia ter feito algo? Como aceitar isso? Nada parece fazer sentindo...
Onde você está agora pai?
Como eu queria te ver mais uma vez pai, queria pedir desculpa pelas decepções, dizer eu te amo e como você foi o melhor pai do mundo.
Meu choro se transformou em soluções enquanto abraça meu joelho igual fazia quando era criança... Isso só pode ser um pesadelo, eu preciso acordar, eu preciso...
Estava tão perdida em meus pensamentos que não notei uma pessoa se aproximando, percebi alguém quase ao meu lado parado de pé olhando-me sem saber como agir, levantei-me rapidamente, mas minha mente estava confusa, até que percebi quem era e travei no lugar, sentindo minha respiração ficando presa.
— Oi Rachel – falou.
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