Story of my Life
20 20- Eu quero cuidar de você
Notas iniciais
Exatamente 12h00m eu me encontrava encosta no carro em frente ao colégio observando o mar de alunos saírem de suas aulas. Notei vários alunos apontando para mim enquanto sussurravam algo entre si, ninguém parecia ter coragem de se aproximar e agradeci por isso.
Notei Claire saindo da escola conversando com um garoto provavelmente do time do futebol e quando me enxergou trovou no lugar olhando para mim sem acreditar... Eu avisei que estaria aqui... Observei o menino mexer em seus ombros para acorda-la do transe até ela despertar sorrindo largamente para mim e despedindo-se rapidamente dele... Notei algumas lideres de torcida em frente seus carros e Hanna acompanhava cada movimento de Claire atentamente com o olhar, fechando a cara quando essa parou em minha frente sorrindo abertamente para mim.
— Você veio – disse mais para si mesma – Eu devo estar sonhando – comentou olhando-me sem piscar.
— Posso abraça-la? – perguntei a vendo piscando para mim – Assim você vai perceber que não é um sonho – comentei rindo abrindo meus braços e a senti abraçando-me fortemente.
— Eu pensei que você tinha desistido – disse quando se afastou de mim.
— Eu nunca desisto – falei rindo – E eu quero muito almoçar com você – falei sinceramente para ela – Não sei você mais eu estou morrendo de fome – comentei arrancando um riso dela.
— Eu também estou – confessou e observei suas bochechas assumirem um tom vermelho.
— Então vamos resolver esse problema – convidei indicando o carro.
— Claro – respondeu sorrindo e caminhou rapidamente para a porta do passageiro entrando no veiculo. Antes de entrar notei Hanna olhando tristemente para ela, quando nossos olhares encontraram-se sorrio fracamente para mim antes de voltar a sua atenção para suas amigas.
— Podemos ir ao breadstick? – perguntei vendo-a concordar e liguei o carro saindo do estacionamento lotado – Vou ligar a musica ok – avisei para ela ganhando um sorriso.
Quando a musica começou notei ela cantarolando a musica baixinho e para incentiva-la comecei a cantar e logo ambas estávamos cantando iguais loucas a melodia.
— Isso foi muito divertido – falou ela rindo quando acabamos nossa performance e estava parando o carro em frente ao breadstick.
— Concordo com você – falei rindo – Vem, vamos comer – chamei-a saindo do carro e logo estávamos caminhando até o local. Observei alguns fotógrafos ao longe batendo fotos, merda! – Claire nós vamos entrar rapidamente ok – avisei para ela – Tem vários fotógrafos no local e esse não é um momento aonde quero eles atrapalhando.
— Tudo bem – concordou aumentando os passos e logo entramos no local, pedi uma mesa mais afastada para nós.
— Porque me chamou para conversar? – perguntou assim que fizemos nossos pedidos – Dentre os milhares de fãs por que decidiu se aproximar de mim?
— Quando nos encontramos aqui nesse mesmo local alguns dias atrás olhei em seus olhos notando algo dentro deles, isso chamou-me a atenção, seu olhar apesar de estar tão triste mais havia um luz e isso me encantou, você me tocou mesmo não sabendo disso – falei sinceramente para ela vendo-a corar – Quando fui para a reunião do clube glee depois de anos nunca imaginei vê-la ali, então busquei saber mais sobre você com seu professor, desculpe a invasão – desculpe-me rapidamente ganhando um tímido sorriso dela – Se você puder gostaria de saber mais sobre você, pode me contar? – perguntei insegura para ela vendo-a concordar.
— Minha mãe morreu há pouco tempo vitima de um câncer de mama, foi um período muito difícil aonde eu precisava ser forte para cuidar de Julie mesmo estando quebrada também, pois meu pai se afundou no trabalho para esquecer a realidade – contou-me e sentir meu coração se apertar escutando sua historia – Esse período após a morte da minha mãe foi muito complicado, afastei-me de todos meus amigos, do clube glee e pensei que não teria forças para levantar-me, mas Hanna apareceu – disse-me com um sorriso e seu olhar brilhou com a menção desse nome – Hanna é a capitã das lideres de torcida e também participa do clube do coral, enquanto tentava me fazer voltar para o clube glee nós nos aproximamos e eu acabei me apaixonado por ela... Eu sempre senti algo por garotas, mas meus pais nunca souberam disso, minha mãe desconfiava, mas também nunca dei essa certeza para ela por medo... Um dia eu bebi muito numa festa e quando estava saindo acompanhada com um dos jogadores completamente bêbeda Hanna impediu-me e me levou até sua casa aonde me deu um banho e cuidou de mim durante a noite enquanto passava mal... Quando acordei percebi estar deitada sobre ela e quando ela despertou ficamos nos olhando até que finalmente ela me beijou e foi a primeira vez que senti felicidade depois da perda da minha mãe – contou e notei algumas lágrimas saírem de seus olhos rapidamente – Fomos ficando cada vez mais e mais próximas, mas meu pai um dia nos pegou num beijo e tudo mudou... Meu pai nos xingou, quando finalmente consegui livrar Hanna daquela confusão ficamos apenas nós dois... Ele perguntou-me se eu era gay e eu confirmei confessando sempre ter sentido isso por meninas... Ele me deu um tapa na cara afirmando que eu não era mais filha dele, preferia me ver morta ao ter uma aberração manchando sua família, depois simplesmente me expulsou de casa – disse com lágrimas descendo e peguei suas mãos dando apoio para ela continuar – Eu não sabia aonde ir, então desde aquela época moro na casa dos meus amigos de favor.
— Quando estive na reunião do glee notei você e Hanna separadas – comentei vendo seu olhar ficar ainda mais triste – Porque estão separadas se vocês se amam?
— Meu pai me deu um ultimato há duas semanas – falou ela tristemente – Se eu não terminasse tudo com a Hanna eu estaria proibida de ver Julie... Minha irmã precisa de mim, então apesar de ama-la não posso fiar com ela e ela nunca vai saber disso – afirmou tristemente fazendo meu coração se apertar e lembrando-me de Quinn nesse momento – Eu amo Hanna com todo meu ser, mas não posso fazer nada, não posso deixar Julie sozinha.
— Eu entendo você. Eu sei que não deve estar sendo fácil esse momento e eu quero ajudar você – comentei com ela.
— Me ajudar como? – perguntou sem entender para mim e apertei minha mão na sua.
— Você tem um sonho de ir estudar em NY e um dia ocupar também os palcos da Broadway certo? – perguntei vendo-a concordar – Ainda falta um tempinho para poder fazer isso, mas mesmo longe deve começar a se preparar para a faculdade, precisa se focar em seus estudos e em sua musica, precisa de um lugar seu, uma casa aonde sempre terá apoio e um espaço aconchegante e familiar e eu quero te dar isso – afirmei vendo sua boca se abrir e se fechar algumas vezes sem acreditar.
— Como... Co... Mo...? – perguntou gaguejando – Por...Por... Que... Porque?
— Conversei com meu pai e quero que você vá morar com ele até seus estudos acabarem, terá um lar aonde poderá ser quem você é, eu vou te dar todo o apoio do mundo, seja para decisões ou apenas para cuidar de você – disse sinceramente para ela – Eu vou procurar uma advogada e se você concordar quero sua guarda para mim – falei confiante notando algumas lagrimas escorrerem de sua face e me movimentei de meu lugar parando ao seu lado e delicadamente sequei suas lágrimas – Vou procurar saber de seus direitos, seu pai não pode proibi-la de ver Julie e se ele tentar qualquer coisa vou juro que vou lutar por ela também... Não vai precisar se esconder, poderá viver seu amor com Hanna, estudar e se tornar uma grande estrela um dia – disse docemente para ela... Eu entendo o que ela passou, não poderia simplesmente deixa-la sem apoio – O que me diz?
— Você está falando serio mesmo? – perguntou para mim e apenas a abracei sentindo seu leve choro em meus ombros.
— Eu nunca brincaria com isso – disse quando me afastei – Eu vejo muito de mim em você... Quando eu mais precisei de alguém ao meu lado meu pai Leroy me deu todo o apoio necessário e quero fazer isso com você também... Você é uma menina linda Claire e não vou deixar seu pai ou qualquer pessoa machuca-la – afirmei para ela – Aceita?
— É claro, muito, muito, muito obrigado Rachel – disse abraçando-me e apertei seu corpo no meu – Eu não esperava nada de bom acontecer na minha vida nesse momento.
— Não vá achando que tudo será fácil – avisei sorrindo para ela – Sou meio nova nessa situação de cuidar de alguém, mas quero sempre saber sobre suas aulas, sobre suas matérias, sobre seus projetos para a faculdade, tudo, tudo mesmo entendido? – perguntei vendo-a sorrindo concordando – Eu não moro aqui, mas você já sabe disso certo? – perguntei observando ela concordar e continuei – Minha casa é em NY, mas ela sempre terá um lugar para você a partir de agora, você sempre vai me visitar e quero você fazendo parte da minha vida... Em qualquer situação difícil quero saber o que está acontecendo e quando terminar o colégio minha casa estará esperando você.
— Muito obrigado – agradeceu sorrindo enquanto o garçom aparecia com nossos pedidos.
— Você vai morar com papai – avisei para ela – Ele está louco para conhecê-la e devo dizer que bastante empolgado – comentei rindo e arranquei um sorriso dela – Depois quero apresentar a Cris para você, ela é minha agente e melhor amiga – disse sorrindo – E tem mamãe e Beth – falei rindo.
Nosso almoço passou em meio a conversas aonde contei mais sobre minha família para ela e ouvi mais sobre sua historia. Quando o relógio apitou dando quatro horas nem acreditei e a convidei para leva-la embora.
— Converse com sua amiga e com os pais dela, explique a situação e avise que não irá precisar mais de um lugar para ficar – disse quando estacionei o carro em frente uma casa – Irei conversar hoje com minha advogada – falei pensando em como contar minha decisão para Quinn e como fazê-la ajudar-me com isso – Amanhã cedo aceita tomar café da manhã comigo e conhecer a Cris e meu papai? – perguntei arrancando um sorriso dela.
— Por mim parece perfeito – respondeu sorrindo – Obrigado mais uma vez por isso – disse sorrindo.
— Não precisa me agradecer, não por isso.
— Até amanha Rachel – disse dando-me um abraço antes de sair do carro.
— Até Claire! – respondi – Pode me chamar de Rach, Rachel é formal demais – falei rindo e arrancando uma risada dela.
— Eu vou conversar com a Hanna amanhã – falou confiante e sorri para ela – Você gostaria de conhecê-la?- perguntou sem jeito.
— Será um prazer! Vou treinar meu discurso para saber quais são as reais intensões dela com você – avisei para ela rindo – Tchau!
— Tchau – disse saindo do carro e esperei ela entrar na casa para finalmente dar partida no carro.
Pensei muito sobre essa decisão e quero muito fazer isso, quero muito ajuda-la com o que necessitar... Espero que a Quinn também ache uma boa coisa.
Quando cheguei em casa notei que tanto papai quanto Cris haviam saído, avisaram-me que foram comprar algumas coisas e logo estariam de volta. Subi para meu quarto ligando a musica e deitei-me na cama pensando em Claire... Nossas historias eram diferentes, porém em ambas tivemos alguém para atrapalhar nossa felicidade... Russel foi o meu carrasco... Ainda sinto arrepios de lembrar-me de como foi meu primeiro encontro com ele.
FLASHBACK
Eu não poderia estar mais feliz como estou agora, meu relacionamento com Quinn é a melhor coisa do mundo... Ela é linda, doce, gentil, carinhosa, amorosa, me respeita... Quando nos beijamos sinto-me completa e fico totalmente perdida com seus beijos, com seus carinhos, ela é minha casa, meu lar.
Nesse momento ela está com as lideres de torcida treinando para o campeonato, ainda não assumimos para ninguém da escola, apenas meus pais e a família dela sabem... Judy e Frannie ficaram muito felizes com nossa relação e apoiaram totalmente nossa escolha... O pai de Quinn ainda não sei se sabe ou não... Ele talvez seja um problema apesar de não participar mais da vida dela... Não conversamos sobre isso, mas sei que ela sente a falta dele, afinal ele ainda é seu pai.
— Rachel Berry – chamou uma voz grossa atrás de mim e virei-me rapidamente perdendo o ar por alguns minutos... Como ele havia encontrando-me ali? O que eu faço?
— Sim como posso ajuda-lo senhor Fabray – perguntei enquanto me levantava do banco do auditório e encarava o homem à minha frente... Ele usava roupas sociais, seu cabelo estava devidamente penteado e arrumado, seus olhos verdes estavam frios tão diferentes dos da minha Quinnie.
— Fiquei sabendo recentemente sobre a escolha de Lucy – começou se aproximando de mim — E devo dizer que estou totalmente enjoado com a escolha dela – contou-me enquanto eu recuava alguns passos – Eu vim pedir para você deixar Lucy em paz – pediu-me e senti meu sangue gelar por um momento – Não vou permitir que Lucy jogue novamente meu nome na lama, antes disso acontecer eu acabo com essa relação – ameaçou-me.
— O senhor não tem o direito de exigir nada de mim, nem é um pai para ela – falei firmemente mais por dentro meu coração estava ficando congelado
— Quem é você para falar comigo desse jeito menina – disse bravo e seu rosto começou a assumir um tom vermelho – Eu vim aqui hoje apenas para conversar, mas caso eu volte não seja uma conversa.
— Você não pode me ameaçar assim, eu amo a Quinn – disse para ele e seu rosto se transformou enquanto avançava e pegava-me fortemente pelo braço, senti a dor mais não ia demonstrar nesse momento, agradeci estar usando um casado nesse momento.
— Cala boca – avisou-me enquanto tentava se controlar – Eu não vou falar novamente, quero você longe da minha filha ou vou tomar providencias para isso acabar, acredite em mim garota, eu nunca brinco – avisou-me ele soltando meu braço – Eu não esperava que você fosse diferente, afinal seus pais são aberrações você também seria – disse afastando-se – Se afasta de Lucy ou nosso próximo encontro não será apenas uma conversa. Não mencione isso para Lucy, se ela tentar falar comigo ou qualquer coisa vou esquecer que ela é minha filha – disse serio.
— Você não pode estar falando serio, ela é sua filha – disse incrédula.
— Eu não tenho uma aberração como filha, se eu tivesse eu preferia vê-la morta – disse cortante enquanto se virava e saia rapidamente do local.
Sentei no chão por um momento soltando o ar que nem havia percebido estar prendendo... Havia prometido para Quinn espera-la, mas eu não poderia agora... Mandei uma mensagem rapidamente para ela dizendo estar em casa e de noite nós nos falaríamos, peguei minhas coisas e rapidamente sai dali... Como ele havia descoberto? Eu não posso falar com ela... E se ela for tirar explicações e esse louco fizer algo para ela? Ele é seu pai não faria nada, faria?
Quando dei-me por mim estava dentro do meu carro saindo rapidamente da escola e indo para casa, precisa pensar... Deus como isso aconteceu?
FLASHBACK OFF
Não contei a situação para meus logo que aconteceu, eu tinha consciência que se soubessem tentariam alguma coisa e isso geraria ainda mais problemas, então guardei isso por um tempo... Sempre soube como Russel era uma pessoa sem escrúpulos mais nunca imaginei vê-lo um dia ameaçar a própria filha... Ela já havia passado por tantas coisas, não merecia isso... Então fiquei quieta e fui levando a situação, ignorei sua ameaça achando-a sem fundamentos, mas estava muito enganada... E como estava... Em nosso próximo encontro foi inevitável não contar tudo para meus pais.
Tudo certo para nosso jantar?
A mensagem de Quinn me fez despertar do transe e rapidamente sorri olhando para o celular.
Tudo certo, estou ansiosa para te ver :D
Fico feliz por saber disso... Também estou ansiosa... Até mais tarde... Sem atrasos Berry :-)
Nunca me atraso Fabray ;)
Joguei o celular na cama levantando-me enquanto me dirigia ao banheiro para começar a me arrumar... Tomara que tudo de certo nesse jantar.
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