Story of My Life
3 Capítulo 3 _ Planos posto em pratica
Notas iniciais
Acordei no outro dia decidida em ir para o hospital que comentei com a Denise. A princípio o plano é até bem simples. O problema mesmo é funcionar da forma que imagino. Tudo pode acontecer. Tudo mesmo.
Precisaria de alimento pra no mínimo uns dois dias. Ia precisar de uma bateria de carro, uma caixa de som que desse pra conectar meu celular via bluetooth, água é claro, uma daquelas mochilas grandes de acampamento. Reg fez um carregador de energia solar a pedido meu, a princípio para carregar bateria de carro e isso veio a calhar. Deixei uma bateria arriada carregando. Enquanto isso ia avaliando os riscos do meu plano.
No caminho eu poderia arrumar os corpos para me camuflar e passar também na lateral do carro. O que mais me preocupava mesmo que tudo isso era o que de fato eu iria encontrar na clínica. Por mais que as chances de ela estar vazias são muitas, mas o que poderia estar ao redor é o que mais me preocupa.
Passei na dispensa e separei um pouco do mantimento pros dias fora, peguei uma faca, uma pistola, minha intenção não era de matar nenhum dos mortos mas tentar passar desapercebida por eles, contudo, não há só mortos para me preocupar. Coloquei as coisas no carro que iria usar e estava ajeitando as coisas no carro quando alguém parou a tras de mim e perguntou:
— Pensando em ir para algum lugar?
Virei com tentando conter minha feição de desdenho e reponde:
— Estou. E acho que isso não é da sua conta Spencer.
— A mas você está muito enganada. Já te disse, eu e meu irmão cuidamos da segurança deste lugar. Ou seja, você não pode sair, não confio em você.
Tobin estava passando por perto e ouviu toda conversa perguntou:
— Tudo bem ai Dr.?
— Não sei. Está tudo bem Spencer?
Ele revirou os olhos e saiu. Olhei pra Tobin e agradeci com aceno de cabeça. Spencer e o irmão passaram a questionar tudo o que era feito por mim, desde o dia em que comentei sobre a segurança do lugar e quando dei um fora nele. Depois de tudo ajeitado pensei em falar a Deanna sobre a minha saída antes que o filho dela converse qualquer história sem sentido em sua cabeça.
Bati na porta e esperei. Quando ela abriu disse sem esperar ela falar nada:
— Deanna amanhã vou até uma clínica que acredito ter alguns medicamentos mais específicos. Isso ajudaria muito em casos mais extremos se precisarmos. Só pensei que seria bom passar aqui e te informar sobre a minha saída. A demora é de uns dois dias. Não mais que isso.
— Meu filho estava mesmo comentando algo sobre uma saída sua. Se você acha que vai ser útil por mim tudo bem.
Tudo já pronto, decide fazer minhas visitas domiciliares a tarde. Alguns idosos para aferir a pressão só pra controle, outros estavam um pouco mais debilitados pela idade mesmo. No trajeto de uma casa para outra uma mulher me pediu para olhar a mãe dela. Como os paciente era só acompanhamento de rotina, fui com ela e ela foi contando que a mãe dela era acamada e que o Dr.Pete ignorava ela porque era só esperar a morte mesmo. Depois de avaliar a mãe dela passei as instruções:
— Olha, sua mãe ainda não abriu nenhuma ferida, mas, ela está com a região do cóccix, na lateral da coxa. O que posso recomendar é virar ela de posição de duas em duas horas, manter a pele bem hidratada, manter ela hidratada, e a alimentação, para que ela possa reagir estimule ela a conversar, tentar lembrar das coisas antigas, vou tentar achar daquelas bolinhas para ela não perder o total movimento das mãos. Acho que é isso.
Ela me abraçou chorando e agradeceu pela visita. Disse pra ela que não precisava de agradecer, afinal de contas, era uma visita mais para informa cuidados paliativos, que não demorou tanto. Caminhei para casa pra descansar para o dia seguinte. Nada poderia dar errado.
No outro dia já estava tudo preparado, peguei três lençóis para passar as entranhas do zumbi no carro e parti rumo a clínica. Perto da clínica encontrei alguns mortos espalhados, matei e espalhei o sangue e algumas partes das vísceras no carro, amarrei meu cabelo e passei o sangue na roupa e no rosto. Não é nada, nada agradável mesmo, mas, era a única forma de passar desapercebido por eles.
A clínica tinha um pátio grande ao seu redor e ainda contava com um estacionamento fechado. Minha ideia era atrair os que estivesse pelo pátio para dentro do estacionamento e tranca-los lá. Dependendo da quantidade de mortos daria certo meu plano. Coloquei o carro perto da entrada do estacionamento, vi alguns mortos dentro dele, nada que eu não desse conta. Havia uns sete espalhados.
Matei um a um sem chamar muita atenção, e coloquei um carro alto perto do muro no final do estacionamento para subi e consegui trancar o portão por fora. Sai de lá, olhei para vê se tinha mais algum grupo menor passando na rua, como não vi nenhum, comecei a chamar a atenção dos que estavam espalhados pelo pátio até que eles estivessem dentro do estacionamento, pulei o muro e corri para fechar o portão e passar a corrente no mesmo antes que os mortos percebessem a movimentação, os retardatários daria um fim depois. Até aqui estava ocorrendo tudo como o planejado.
Os poucos que ficaram pra trás matei rapidamente, peguei a caixa de som, abateria de carro e minha bolsa de acampamento coloquei eles atrás do prédio e liguei a caixa de som. Só iria colocar a música caso encha de zumbis o pátio novamente.
Entrei na clínica, pela recepção parecia que estava tudo bem calmo. Pelo tempo que passei aqui acompanhando o Dr.Robert, me lembro perfeitamente que o terceiro andar é o que me interesse. Nele fica a sala de esterilização e armazenamento dos materiais limpos e também a farmácia. Em cada andar, nos postos de enfermagem(PE) tem medicamentos básicos para dor e alguns do dia para cada paciente. Posso aproveitar e pegar esses no caminho. Nem tentei ir pelo elevador, pela lógica do tempo que tudo começou o lugar não teria mais energia. Os acessos pela escada de incêndio estavam liberados. Sempre ia subindo e olhando para os andares mais acima.
Tentei abrir a porta do primeiro andar e não houve resistência. Olhei por dentro, os corredores estavam limpos, o PE também. Em alguns quartos cheguei a ouvi uns ruídos e nem abri a porta. Peguei o que tinha de medicamento no PE coloquei na bolsa e segui caminho. No segundo andar fiz o mesmo procedimento só que lá já havia dois mortos no corredor. Na escada do segundo para o terceiro tinha uma morta que quando percebeu minha movimentação, virou pra descer e caiu na escada. Finalizei ela e entrei no terceiro andar.
O terceiro andar era mais diferente. Nele ficava blocos maiores. Os procedimentos que eram realizados ali eram de esterilização e a farmácia central. Primeiro fui até a farmácia para pegar pomadas, remédios para dores mais intensas, gazes, soro fisiológicos, glicerinas, sondas de alimentação e de alivio. Coloquei tudo na bolsa e corri para a sala de esterilização. Peguei vários kits que sutura, matéria para intubação, talas, faixas, faixas de gesso, ambu para auxiliar na massagem cardíaca.
Na hora que peguei o ambu lembrei que no quarto andar os pacientes ficavam ali em observação do pós operatório e o DEA (desfibrilador automático) ficava lá junto com o carrinho de emergência. Poderia ter parado pelos medicamentos e os materiais? Podia. Mas eu ia? Não. Com um pouco mais de cautela subi até o quarto andar. Abri a porta e vi que tinha uma pouca mais movimentação. Eram mortos com roupa de pacientes.
Nesse andar tinham cinco macas de frente para o PE e só separava por cortinas, para ter um acesso mais rápido aos pacientes. Matei o que estava perto da porta e coloque com calma o corpo no chão. O segundo estava na cadeira de rodas. Ele caiu no chão, rapidamente perfurei o crânio pelo ouvido. Passei por dentro do PE e matei o corpo que só estava pela metade. Finalizei o ultimo e comecei a pegar os medicamentos que tinha no carrinho e alguns kits e ataduras e claro, o DEA.
Tinha sido tudo perfeito. Melhor do que isso não poderia ter como. Sai da clínica dirigi o mais rápido que pode pra longe dali. Demorei meio dia para chegar aqui. Queria chegar em uma loja de conveniência que ficava no meio do caminho para passar a noite sem muitos riscos.
Nem tudo ia sair mesmo perfeito. No meio do caminho acabei avistando uma horda mais a frente. Antes que minha presença fosse notada por eles, dei uma ré e deixei o carro encostado fora da estrada para evitar que muitos esbarrassem nele fazendo barulho. Quanto a cheiro nem me importei, assim como o carro eu ainda estava suja com sangue deles. Só me restava deitar e esperar que todos passassem.
Demoraram bastante a passar. Essa horda era maior do que imaginava. Não tinha como dormir ali e chegar na loja de conveniência também não daria certo por causa da hora. Já havia escurecido e seria um risco sair até lá. Teria que me contentar com uma casinha que vi mais próxima da clínica, um pouco mais a frente.
Não consegui dormi direito. Ficava acordando de tempo em tempo. Tinha me esquecido como era as noites aqui fora. Na verdade, parando pra pensar, as três semanas em Alexandria me mostraram a necessidade de uma boa noite de sono. Acostumar com o que é bom é muito fácil.
Assim que o dia ficou mais claro, segui meu caminho para casa. Esse tempo que passei aqui fora eram mais que precisos. Sinto que se ficar dentro dos portões da cidade por muito tempo vou acabar esquecendo tudo pelo que já passei aqui fora e enfraquecer. E não quero isso. Sei que Aaron e Eric querem meu bem, mas eles tem que saber que não sou um menina assustada e muito menos uma menina.
Estava pisando fundo, o máximo que dava para chegar antes do anoitecer. Avistei a placa de Alexandria e virei. Ia conseguir chegar em casa com um pouco de sol ainda. Quando cheguei próximo dos portões percebi uma movimentação diferente. O trailer que Aaron e Eric saíram estava parado lá e algumas pessoas estavam andando.
Parei o carro perto do trailer quando vi Eric mancando apoiado em Aaron. Sai correndo e gritando:
— Ei!
Só que não foi uma boa ideia. As pessoas que estavam com eles estavam armadas e todos viraram de uma vez apontando as armas para mim. Rapidamente levantei a mão e disse:
— Opa! É.. Só quero falar com os dois ali.
Eles abaixaram as armas e fui até Aaron e disse:
— O que houve com vocês? É assim que não devo me preocupar?
Eric arqueou a sobrancelha e disse:
— Quer mesmo falar sobre preocupação? E você que está toda coberta de sangue? O que houve com você?
Vi que estavam todos nos encarando e decide que ali não era o melhor lugar para discutir com eles. Respondi:
— Nada. Isso é só sangue dos mortos para camuflar, não é meu, mas depois conversamos sobre tudo isso daqui. Tenho que trazer o carro pra dentro. Trouxe alguns medicamentos e acho que o que eu trouxe você vai precisar. Achei ataduras de gesso.
Voltei pro carro enquanto abriam o portão. Em uma outra bolsa a parte coloquei quase que sessenta por cento dos medicamentos para reserva no sótão por precaução. O DEA também iria ficar na minha casa junto com alguns medicamentos para emergências.
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