Storm
11 forgive me, please just forgive me.
Notas iniciais
Foi um tanto difícil escrever esse cap. eu meio que entendo o que o Gerard passou... :/
Espero que gostem.
xoxo
– Eu prometo nunca mais ficar longe de você Mi... – falei, abraçando-o.
– Certo, agora que você já prometeu, tem alguém que quer falar com você. – disse Mikey.
– O Frank? – perguntei e ele começou a rir.
– Não menino, o Frank ainda não chegou. A mama quer falar com você. – ele disse e eu senti um arrepio na espinha. Vish, com medo da mãe agora é Gerard?!
– Tá, manda entrar. – falei ficando serio, e ele levantou-se pra ir chamar a mãe.
Estava nervoso. Com medo talvez. Sou um idiota por ficar desse jeito só porque vou falar com minha mãe. Até parece que ela vai me espancar. Ah, é, mas as palavras dela podem machucar muito mais. Alguns minutos depois a porta do quarto abriu, olhei e lá estava ela me olhando de um jeito diferente.
– Oi filho. – ela disse e sorriu.
Meus olhos encheram de lagrimas, e eu não aguentei, comecei a chorar. Sabe quanto tempo fazia que ela não me chamava de filho? Sabe quanto tempo fazia que ela não sorria pra mim? Havia tempos que ela me negara como filho, tinha vergonha de mim e apresentava como seu filho apenas o Mikey. Eu era um peso pra ela. E agora ela estava sorrindo pra mim, não sei se chorava de tristeza pelas lembranças ou se chorava de felicidade por ela finalmente ter sorrido coisa que eu esperava que acontecesse todos os dias quando eu acordava e chorava por não ter acontecido antes de dormir.
– Filho, fala alguma coisa... – disse ela.
– O que quer que eu diga? – perguntei frio.
Ela não respondeu. Ficamos em silencio por alguns minutos que pareceram horas.
– Porque você fez isso? – ela perguntou, mas no fundo ela já sabia a resposta.
– Você já se sentiu partida ao meio? Você já se sentiu fora de lugar, como se não pertencesse a lugar algum? Como se ninguém te entendesse... Já se sentiu rejeitada? Pois bem, imagine você se sentir rejeitada pela sua mãe... É bem isso ai... – falei segurando as lagrimas. – Você já quis fugir, se trancar em seu quarto com o radio ligado no volume mais alto para ninguém te ouvir gritando? Você já quis ser outra pessoa? Não, você não sabe como é ser como eu.
– Me perdoa meu filho... – ela falou de cabeça baixa, chorando.
– Ei mãe, olhe pra mim. – falei e levantou a cabeça para me olhar. – Pense de novo e converse comigo... Eu cresci de acordo com o plano? Não. Você sempre me jogou na cara que eu era uma vergonha pra você, que eu estava perdendo meu tempo fazendo as coisas que eu quero fazer, mas doía quando você sempre desaprovava tudo. Eu tentei ser um filho perfeito, eu estudava, estudava e estudava, mas bastava vim uma nota vermelha que já era motivo pra gritaria dentro de casa, bastava eu fazer algo errado que eu era um inútil. Eu tentei ser alguém que não era só porque queria te deixar orgulhosa mãe... Eu só queria que você e o pai tivessem orgulho de mim. Mas não, vocês só reclamavam me diziam coisas que machucavam, e cada dia eu caia mais, sofria mais com cada palavra de vocês, e vocês nem sem importavam, não ligavam, não percebiam.Sabia que dói quando vocês ficam jogando meus defeitos na minha cara? Que dói quando eu deixo de fazer uma coisa, e vocês falam que eu não presto pra nada? Sabia que dói quando vocês gritam comigo? É foda saber que vocês não me aceitam como eu sou. Logo vocês, que me colocaram no mundo. Eu nunca vou ser bom suficiente pra vocês. Então, um dia eu cheguei à conclusão de que vocês não poderiam me mudar, e que eu não sou perfeito. Afinal, vocês não são, porque eu devo ser? E esse foi o dia em que aos seus olhos eu me tornei o filhinho revoltado. E ai, as coisas só ficaram pior. Foi quando eu tentei meu primeiro suicídio. – falei mostrando as cicatrizes no meu braço. – Eu já havia me cortado varias vezes, todos os dias pra ser mais exato. Mas era só uma forma de escapar da dor, eu nunca havia pensado em suicídio. Mas as coisas que você dizia me machucaram tanto... Talvez até mais do que antes. Eu não aguentava mais a dor que eu sentia por dentro. Quando eu era criança eu já me sentia um tanto rejeitado, mas a vovó sempre me ajudou, e a pedido meu ela não contou nada a vocês, mas ela sempre soltava umas indiretas, e vocês não percebiam. Mas depois que ela se foi e as coisas pioraram, e dessa vez eu não tinha em quem me segurar. Depois da minha tentativa de suicídio, o Mikey veio falar comigo. Eu tinha um pouco de raiva dele, ciúmes eu acho. Mas ele se mostrou preocupado comigo e eu desabafei com ele, ele me ajudou como a vó Elena. E se tornou meu tudo, meu motivo pra continuar. As brigas diminuíram um pouco, você me mandou a um psicólogo, e parecia que tudo ia melhorar. Ilusão. Você apenas passou a ter mais vergonha de mim, só que dessa vez, não esfregava tudo na minha cara. Eu ouvia você falar com suas amigas que eu era um desastre, um garoto problemático, depressivo, só te trazia problemas. Doía tanto... Você não olhava mais nos meus olhos, não sorria mais pra mim, e dificilmente me dirigia a palavra. E depois de algum tempo eu percebi que você não me chamava mais de filho. – falei, e comecei a chorar mais ainda. Não sei se aguentaria terminar, mas precisava falar tudo que estava entalado a anos. Consegui forças pra continuar. – Eu não era mais um filho pra você, era um peso. Eu costumava acordar com a esperança de te ouvir me chamar de filho novamente, me olhar nos olhos e sorrir pra mim. Mas isso nunca acontecia e eu passava a noite chorando e ia dormir com os braços sangrando. Eu parecia não me importar com nada, mas cada erro cometido era um corte a mais no meu braço, cada vez que você me dizia que tinha vergonha de mim, ou até mesmo não dizia mais demonstrava era um corte a mais. Casa vez que eu sabia que estava te decepcionando ou decepcionando o Mikey era um corte a mais. Uma vez, eu ouvi a senhora conversando com o pai, e ele deu graças a Deus por viver viajando e não ter que olhar na minha cara todo dia. Só Deus sabe o quanto aquilo me machucou, o quanto aquilo doeu. E dói até hoje... E como se não bastasse, comecei sofrer bullying no colégio, mas você não percebia que eu chegava todo roxo da escola, pois não olhava pra mim. Eu não existia pra você. Mas eu passei a suportar isso, sempre com minha lâmina, e o Mikey ao meu lado. Mas a dor não sumiu, só foi escondida. Eu não suportaria outra briga. E não suportei. As coisas que você disse só fizeram isso voltar, as lembranças das outras brigas, das coisas que você me disse, de você falando com suas amigas, do pai agradecendo a Deus por não ter que olhar na minha cara. Todas essas lembranças voltaram pra me atormentar, e eu não suportei. Estava cansado dessa vida. E vim parar aqui. – terminei enxugando as lagrimas.
Esperei ela falar algo, mas ela não disse nada. Nenhuma palavra, nenhuma reação. Já estava me preparando pra chamar o Mikey quando ela resolveu falar alguma coisa.
– Filho... Meu filho. Me perdoa, por favor. Eu sempre quis o melhor pra você, mas quando eu vi você se tornando um garoto revoltado eu nem pensei no motivo... Já comecei a te julgar, fui muito dura com você. Eu fiquei cega, acho que essa seria a palavra certa. Como você disse, eu não enxergava, não percebia que você tava com problemas, e pior ainda, não enxergava que era tudo culpa minha. Eu só sabia reclamar, e reclamar... Sempre cobrando demais de você. Não vi o quanto você se esforçava para melhorar, não via o quanto você é bom do jeitinho que você é. Eu... – ela falou, mas parou por causa dos soluços. – Eu entenderia se você passasse a me odiar, eu... Eu sou um monstro Gerard, como que eu faço isso com um filho meu? Só posso ser um monstro mesmo. Só Deus sabe como eu me sinto agora. Mas eu só queria te pedir uma coisa... Me perdoa. Me perdoa por ser uma mãe horrível, me perdoa por não ter percebido as coisas horríveis que eu tava fazendo com você, me perdoa por ter te julgado, por não ter te ajudado quando você precisou de mim. Por favor, apenas me perdoe.
Alguns minutos se passaram e eu ainda não havia respondido. Não sabia o que dizer, por mais que doa ela é minha mãe e eu a amo, apesar de tudo...
– Hey, mãe. Vem cá... – a chamei com os o braços abertos para abraça-la. – Por favor, não chore. É claro que te perdoo, você é minha mãe, e eu te amo! – disse abraçando-a o mais forte que eu podia.
– É serio Ger... Eu quero que você me perdoe mesmo, por tudo que eu fiz. Eu sinto muito por ter te machucado. Eu sou sua mãe, deveria ter te protegido e não o contrario. Me perdoa. – ela disse, enxugando as lagrimas.
– Mãe, eu já disse. Eu te perdoo... Eu te amo demais. Eu estou tão feliz, você não faz nem ideia. Só de te ouvir me chamar de filho, só de te abraçar de novo... Eu fico feliz. Só falta uma coisa. – eu disse e ela me olhou confusa.
– O que? – ela perguntou.
– Quero te ver sorrindo. Sorrindo pra mim. – eu disse, e automaticamente ela começou a sorrir.
– Ai meu filho... Vai ser difícil pra eu esquecer isso, do mesmo jeito que eu sei que vai ser pra você, mas eu quero que você saiba que eu te amo. Eu sempre te amei, eu só... Estava cega. Eu acho que fiquei obcecada demais quando o Michael nasceu, mas eu sempre amei você. Eu só achava que você não estava nem ai pra vida, não via que você se esforçava tanto pra melhorar...
– Tudo bem mãe... tudo bem. Eu te amo, você me ama. E tudo vai ficar bem, eu só quero você perto de mim, pra sempre.
– Claro, meu filho. – ela falou, dando destaque a palavra filho.
Sorri. E me aconcheguei mais nos braços da minha mãe. Eu tinha sentido muita falta disso...
Notas finais
reviews? *-*
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