Notas iniciais
Cheryl Cole - Parachute
Surpresos ? Eu também.

- Selena, não quero entrar. – reclamou Joey quando tentei empurrá-la pelo portão adentro.

- Joey. – repreendi. – Lembra que prometeu a mãe ir para escola sem brigas e eu a cuidar para que você cumpra?

- Sim, eu sei, mas é muito chato. – cruzou os braços me encarando com o cenho franzido raivosamente.

- Então, eu passo te pegar mais cedo. – tentei, imitando seu gesto ao negociar algo que não decepcionasse minha mãe.

- Mas cedo quando? – considerou me dando esperança.

- Quando sair da minha. – estendi minha mão, em forma de acordo. – Certo?

- E como sei que não esta mentindo. – estreitou os olhos me fazendo lembrar o quando minha mãe comentava o quanto éramos iguais.

- Mentir é uma palavra forte demais e você sabe que a mãe não gosta dela. – corrigi brevemente.

- Eu sei, é pecado e tudo mais. – revirou os olhos voltando ao assunto. – Mentira ou “enganação”, como mamãe mascara, são a mesma coisa. E como vou saber não estar me enganando?

- Nem parece uma menina de dez anos falando. – balancei a cabeça negativamente para a frase anterior. – Mas não vou te enganar. Prometo.

- Você também prometeu a mamãe que iria me deixar no colégio sem problemas e, olhe para nós agora: problemas. – encolheu os ombros ao narrar. – Você ainda por estar brincando comigo.

- Quer saber, eu você fica sem acordo ou fica com acordo. – expliquei os fatos. – Qual escolhe?

- Ok, você ganhou. – suspirou depois de alguns segundos de silencio na tentativa de achar algo duvidoso em minha fala. – Mais cedo, não esqueça.

Assenti ao receber um beijo rápido e doce na bochecha e assistindo minha irmã mais nova abraçar a mulher da portaria.

Não paramos para pensar no quanto o tempo passa e, quando fazia, sempre me percebi alguns anos adiantada.

Ontem mesmo parece que ainda estava chorando por monstros embaixo de sua casa e hoje... Bem, se não me engano foi ontem mesmo, mas isso que me fazia feliz: os poucos momentos de irmãs que tínhamos, já que ando um pouco ocupada demais com todos os compromissos que minha mãe marca.

Entrei no carro lembrando a mim mesmo não precisar buscar Amber hoje, afinal, seus pais queriam conversar abertamente com o diretor da escola tratando do assunto frágil de sua filha grávida e todos os cuidados.

Amber sempre foi muito protegida pela família, mas, numa de nossas festas do pijama, já havia expressado o medo e preocupação que assombrava-a. De acordo com ela, todos seus membros familiares tinham um certo preconceito com sua situação e seus pais não era diferentes. E, mesmo insistindo que nada aconteceria com ela, sabia não poder ter cem por cento de certeza.

Ela não era uma mulher formada, mas sim apenas uma garota com sonhos esquecidos pela maternidade e doía ter o conhecimento completo que teria de simplesmente deixá-los escapar de sua mão. Ela desistiu de tudo quando o pavor tomou sua mente do momento que os próprios pais sugeriram aborto. Foi seu choque.

No começo é tudo um grande pesadelo que daqui a pouco será despertada, mas quando isso não acontece você começa a ficar mais preocupada que deveria. Afinal, há uma vida dentro de você e a maioria só percebe isso quando ocorre o choque.

Alguns momentos mais marcantes dos choques é geralmente quando o pai da criança o nega, ou o apóia. Ou também quando os pais dos adolescentes obrigam um casamento forçado, mas na minha opinião o dela foi o mais forte de todos.

Agora a questão era: se acontecer algo com Amber, o que será de sua filha?

Sabia que Amber era muito forte para ceder a algo, teria de ser uma situação muito terminal. Coisa quase impossível, mas deixei claro que estaria ao seu lado.

É tudo que alguém precisa ouvir.

- Selenalena. – cumprimentou Dallas quando estacionei, envolvendo um braço amigavelmente em meu pescoço.

- Oi Dallas. – sorri. – Viu Amber?

- Esta na sala do diretor. – avisou simplesmente, me acompanhando enquanto começava a caminha dia de uma semana pelos corredores. – Chegou cedo com os pais.

- É, eles são muito... preocupados. – completei sem querer ser rude.

Parei em frente a meu armário, arrancando um papel do bolso de meu jeans com a senha. Ainda não havia memorizado.

- Queria te convidar para sair conosco depois da escola. – falou. – Sabe, ir numa sorveteria ou algo assim.

- Hm, desculpe, mas não posso. – limpei de minha cabeça a vontade de tomar a massa congelada. – Tenho que buscar minha irmã mais nova mais cedo.

- Tem uma irmã mais nova? – franziu o cenho surpresa ao me ver assentir. – Bem vinda ao clube. São umas pragas, não é?

Ri ao focar a loira sorridente.

- Não posso ir Dallas. – repedi esquecendo o assunto de irmãs, me sentindo estranha por lembrar de Demi.

- Aaah, pode trazê-la junto. – sugeriu.

- Joey tem dez anos. – cruzei os braços. – Não vai querer uma criança dessa idade no meio de jovens adultos.

- Olha, você me pegou. – levantou os braços em sinal de rendição. – Não sou somente eu que gostaria que você fosse. Bem, uma pessoa pediu para chamá-la.

- Quem? – perguntei curiosa ao estreitar os olhos.

- Segredo. – apertou os lábios com força. – Prometi não contar, mas essa pessoa gostaria muito que viesse.

- E essa pessoa estuda aqui? – tentei.

- Não posso dizer nada. – deu de ombros. – Mas não temos problemas com crianças, até porque Amber vai também.

Sorri com a piada.

- Ok, então vou. – abri a porta do armário com um pouco de força a mais, sabendo do problema recém descoberto da pequena porta enferrujada.

Peguei meu livro de biologia, sendo parada de fechar a porta pela mão de Dallas.

- O que é isso? – perguntou focando a parte interna do metal aberto.

Forcei as fechaduras novamente ao colocar-la aberta.

- É uma... – sussurrei ao observar o papel delicadamente dobrado e preso com um adesivo pequeno. – Carta.

Despreguei-a com cuidado sentindo um perfume de marca no ar, reconhecendo como masculino.

“Olá, achei que você tinha o direito de saber ter um admirador secreto.

Ela estava com medo de tudo
Assistindo de longe
Foi dada a regra
Nunca sabíamos
Apenas quando era pra jogar
E ela tentou sobreviver
Viver a sua vida do seu jeito
Sempre com medo do que ia acontecer
Mas você me deu força
Pra achar minha casa

Você teve seus sonhos
Tenho os meus
Você teve seus medos
Eu estava bem
Me mostrou
O que eu não poderia encontrar
Quando dois mundos diferentes
Colidem”

- O que... – sussurrei ao sentir a carta ser tomada de minhas mãos. – Eu... eu...

- Você tem uma admirador segredo! – sorriu Dallas, ao bater gentilmente em meu ombro. – Isso é lindo.

- Sim é, mas... Dallas, eu juro, se for um de seus truques... – comecei mas fui interrompida.

- Nisso posso te dar minha palavra não estar envolvida. – continuou relendo a carta. – Droga, esta impressa por computador. Poderia nos dar uma boa pista.

- Parece ser uma musica. – sugeri. – Ou pelo menos tem algum ritmo. Não tem alguém que compõe musicas por aqui?

- Não que eu sabia. – dobrou o papel novamente. – Mas vamos descobrir.

Notas finais
Primeiro: Quem será ?
Segundo: Minha conta no Twitter !
Não sei o que aconteceu, só que deu uns problemas lá e pediram meu E-mail e, como vcs conhecem essa autora, não lembro qual usei. Então fiz outra conta, se quiserem: @Just_Lovato.
Estou seguindo algumas pessoas, lá.
Obrigada por tudo e, de novo, não se acostumem com dois posts na semana. Só fiz esse para avisar sobre meu Twitter.
Desculpem os erros, que não revisei.
Review ?