Stop The World
8 From Yesterday
Notas iniciais
;*
“Desculpe a demora.
The mirror can lie
Doesn't show you what's inside
And it can tell you you're full of life
It's amazing what you can hide
Just by putting on a smile
I don't wanna be afraid
I wanna wake up feeling
Beautiful today
And know that I'm okay
Cause' everyone's perfect in unusual ways
You see, I just wanna believe in me”
- Esta relendo de novo? – perguntou Emily chocada.
- Não posso evitar, é tão bonita. – suspirei sem tirar os olhos do papel.
Mais uma vez meu admirador secreto tinha atacado e não podia ajudar quando simplesmente as letras impressas falavam comigo.
- Porque em vezes de pensar nessa pessoa que nem sabe existir, não tenta de interessar por alguém real? – Amber deu de ombros.
- Ele é real. – franzi a testa focando minha melhor amiga com desconfiança. – Sabe de algo que eu não?
- Claro que não. – negou obviamente. – Mas me sinto muito estranha com essas cartinhas. Parecem tão falsas.
- Falsas...?
- Sabe quem gosta de você? – Dallas começou, apoiando o braço em meu ombro. – Minha irmã.
Engasguei a nomeação pronunciada, lembrando-me instantaneamente da festa de antes de ontem. Limpando a garganta com força, desconfortável.
- Quem? – riu Emily.
- Ninguém. Uma garota não pode gostar de mim. – falei tentando esconder o medo.
- Qual é, todo mundo viu vocês na festa. – falou Amber, cutucando meu braço com o seu. – Agarradinhas, conversando e bebendo juntas. Muitas risadas.
- Cala e boca e vamos embora. – tentei a puxar pelo braço mas se esquivou com provocação explicita na face. – Amber.
- Pare de fingir não se interessar. Ela é linda. – riu. – Com todo respeito Dal.
As loiras riram de minha expressão raivosa quando fechei as mãos em punho.
- Só vamos logo. – falei impaciente.
- Só se admitir não ter se arrependido da festa. – propôs. – Ou melhor, da companhia.
- Se não se lembra, Amber, eu estou dirigindo. O carro é meu. – disse tentando colocar um final na resposta desnecessária.
- Ok, vá então e abandone uma adolescente grávida pela rua como um cão sem teto, largado pela vida alheia que lhe consome com destreza e impaciência junto com a sociedad...
- Certo, certo. Foi bom! – tapei os ouvidos com força. – Foi legal conhecê-la, pronto.
Virei-me de costas para as garotas que expressavam diversão sem motivo, assustando-me quando bati contra algo ou, mas possivelmente alguém.
Me senti caindo, e teria, se as mãos não me amparassem com delicadeza fazendo-me prender a respiração até focar-lhe o rosto.
- Foi legal conhecer você também. – sorriu com simpatia.
- Bem na hora Dems. – ouvi Dallas a minhas costas, a voz contente.
- E-eu tenho que ir. – gaguejei tentando obter algum espaço, sem sucesso enquanto um recuava pequenos passos seguidos e ela os avançava.
- Sabe, queria falar contigo. – ignorou minha deixa, tirando os dedos que percebi ainda estarem em minha cintura. – Queria te convidar para sair, sabe, comer algo ou só passear.
- É uma afirmação ou pergunta? – questionei confusa.
- Hm, pergunta. – pareceu decidir-se. – Quer sair comigo?
Meu peito explodiu em choque quando as palavras cresceram na língua charmosa que contornou sutilmente a boca avermelhada, junto com um sorriso ao observar meu olhar. Não! Ela é uma garota e isso vai contra tudo e todos; não importa o quão admita ser bonita e seduzir facilmente qualquer um e, até um ligeiro ciúme ao possivelmente vê-la com outra pessoa no dia seguinte tendo a varias chances de pensar num possível “sim” para o convite.
- Não. – pisquei duro ao encontrar a figura brava de minha mãe no fundo de minha cabeça, trazendo-a para frente de meus olhos. – Tenho que ir.
Aproveitei seu momento estático e confuso para correr agarrar o braço da grávida, puxando-a as cegas para o carro.
Não, isso não podia estar acontecendo.
Se minha mãe soubesse que uma garota tinha me pedido um encontro simplesmente morreria. Assassinada, claro.
Deus, perdoe esses pensamentos. A mãe é a pessoa mais sagrada que encontrara em sua vida, o tudo que poderá sempre e sempre se agarrar e não a trairia nem por via de pensamentos hipócritas.
Hipócritas? Mas nunca penso em mim mesmo. Só no quão decepcionada minha mãe ficara ou no sermão familiar e religioso que encararia.
Não nossa pensar assim! E aquela festa só me confundiu mais ainda.
- Preciso ir a igreja hoje. – me joguei ofegante no carro.
Demi Pov
- Qual o problema com essa garota? – dei de ombros ao fazer o dedilhado com determinado acorde.
- Qual o seu problema! – exclamou Miley, de cabeça para baixo em minha cama. – Ela não te quer, então parta para outra.
- Não... quer dizer, não sei. – suspirei com trocar as posições dos dedos, desaprovando o som ao riscar a nota desenhada no papel amassado a minha frente. – Ela é bonita.
- Hayden também... – cantarolou.
- Cale a boca. – desafinei com o susto. – Nunca mais. Ela é minha ex.
- Então você vai correr atrás de alguém que não é, nem ao menos, gay? – levantou as sombrancelhas.
- Não vou correr atrás dela. – dei de ombros, tentando novamente a melodia. – Só estou tentando ser sua amiga.
- Não consegue enganar sua melhor amiga, Lovato.
- E como sabe? Ela não esta aqui. – falei séria, mas não suportei encarar o rosto indignado sem um riso alto. – Brincadeira Smiles.
- Eu gosto de Smiles. – sussurrou como uma criança. – Mas fica melhor vindo da boca da minha namorada.
- E lá vamos nós de novo. – suspirei casadamente.
- Um dia você vai entender. – abanou as mãos no ar. – Mas voltando sobre aquela garota...
- Selena. – corrigi.
- Ok, Selena, ela não vale a pena. – começou. – É só mais uma garota linha reta demais para admitir ter seu lado bissexual, sabe. Ela vai todos os domingos na igreja da praça norte, as vezes de sábado acompanhada pela família e nunca esta disponível nem mesmo pra garotos.
- Como sabe de todas essas coisas? – perguntei.
- Dallas gosta de conversar sobre o que a incomoda. – deu de ombros debilmente, fazendo-me rir. – E, certamente, incomodou seu olhar para Selena na festa.
- Incomodou?
- Quero dizer, intrigou. – corrigiu-se. – Não que esteja brava, mas curiosa. E admito estar também.
- Disse que ela vai todos os domingos da praça norte? – ignorei, pensativa.
- Sim, porque? – questionou.
- Hm, nada. – dei de ombros escondendo o começo de plano em minha cabeça, continuando a cantar. — I just wanna believe in me; La la la La.
Notas finais
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