Still Alive [Hiatus]
10 Lost
Notas iniciais
Boa leitura!
— POV SARAH —
Estávamos tentando ao máximo manter as esperanças. O nosso próximo destino seria Fort Benning, e ainda tínhamos mais de duzentos quilômetros para percorrer. Não podíamos perder a fé, pois essa era a única que nos mantinha vivos.
Daryl permaneceu ao meu lado o tempo todo. Deixou sua moto atrás da caminhonete onde estávamos agora, e seguimos dentro dela, apenas nós dois. O silêncio predominava. Daryl não era de muitas palavras, já eu, não sabia o que dizer. Eu tentava não tocar no assunto sobre o que ocorreu naquela manhã no CCD, talvez fosse melhor que nada tivesse acontecido, sabia muito bem como Daryl era. Com certeza foi coisa de momento, ele não teve coragem de confessar que estava com pena de mim, e provavelmente não voltou a mencionar o assunto, pois estava arrependido de ter tentado me beijar. Ou talvez ele nem tivesse tentado, e minha mente estava trabalhando apenas para me pregar uma peça.
As coisas continuavam iguais entre nós. Não éramos nada além de companheiros de acampamento. Ou será que éramos algo mais? Meu coração insistia em dizer que sim, mas será que com ele acontecia a mesma coisa?
O grupo em si estava mais unido do que nunca. Mais tarde naquele dia descobri que Dale conseguiu convencer Andrea a lutar, pois a mesma queria desistir e morrer junto com o doutor na explosão do CCD. Sinto-me mal por ela, mesmo com tudo o que ela disse sobre mim, eu entendo que deve ter sido muito difícil perder a irmã tão cedo. Eu era filha única, porém perdi meus pais, e sei a dor que isso inflige.
Agora estávamos lutando um pelo outro, nosso grupo diminuía a cada dia. Essa era a hora de nos mantermos unidos, de nos importarmos com os outros, e não só lutar pela nossa sobrevivência, afinal, nenhum de nós queria seguir sozinho.
Continuamos nosso caminho rumo a Fort Benning. Eu, na caminhonete junto com Daryl. Carl, Sophia, Carol, Lori e Rick em outro carro, Shane em um carro que havia conseguido no caminho, enquanto o restante do grupo seguia no trailer.
Seguíamos pelo caminho que Glenn havia sugerido, e já estávamos rodando há horas. O silêncio daquele carro estava me incomodando, todavia, eu não iria quebra-lo, afinal, não tinha nada de interessante para falar. Suspirei cansada, até quando esse desconforto entre nós iria durar?
— Está sentindo alguma dor? — Daryl finalmente se dirigiu a mim, provavelmente interpretando meu suspiro de forma errônea.
— Estou bem. Acho que logo poderei tirar o gesso do meu braço e o curativo da minha testa. Não tenho mais febre também. Pelo menos eu acho — desatei a falar, enquanto mantinha os olhos fixos na estrada.
— Ok — ele concordou simplesmente, prestando atenção no caminho.
Nós estávamos no segundo carro, atrás apenas do carro de Rick.
De repente, todos os carros pararam. Estiquei-me, colocando a cabeça para fora da janela, para entender o porquê da parada. A estrada estava completamente bloqueada com milhares de carros. O trailer com certeza não passaria por ali, e duvidei que até nossa caminhonete, ou mesmo um carro pequeno, passasse.
— O que aconteceu? — questionou Dale, saindo do trailer.
— Não podemos passar, estamos presos com todos esses carros aqui. — respondi prontamente, apontando para o congestionamento a alguns metros.
— Podemos voltar e tentar seguir por outro caminho — Glenn sugeriu.
— Esse lugar está cheio de roupas, mantimentos, uma infinidade de coisas que podem ser úteis — deduziu Shane, entrando na conversa.
— Isso é um cemitério! — Carol comentou, indignando-se com a sugestão de Shane.
— Tudo bem. Podemos empurrar alguns carros e seguir em frente. A nossa gasolina não está tão farta assim para voltarmos e seguirmos por outro caminho — dessa vez foi Rick quem interveio, sem dar muita atenção ao comentário de Carol, que não deixava de ser verdade.
Todos concordaram com a cabeça.
— Tudo bem gente, então vamos fazer o seguinte: Dale fica de vigia em cima do trailer e nos avisa caso qualquer coisa anormal aconteça. O resto de nós vai procurar qualquer coisa útil que esteja nos carros. Tomem muito cuidado.
Assim que Rick terminou de falar, nos separamos cada um revistando um carro. Fui para um lugar mais afastado, e Sophia me acompanhou.
— Sarah! Sarah! Olha só o que eu achei! — ela gritou, depois de termos passado alguns minutos revirando os carros. Sophia sustentava um enorme sorriso no rosto, mostrando-me um lindo ursinho de pelúcia com um tope rosa na cabeça.
— É lindo Sophia, mas não tanto quanto você. — sorri de volta pra ela, me abaixando e ficando a sua altura. Acariciei seus cabelos. Meu coração estava apertado, imaginando o que havia acontecido com a dona do ursinho...
Tentei desviar esse tipo de pensamento, agora já não importava mais, por mais triste que pudesse parecer. De qualquer forma, era tão lindo ver o brilho dos olhos da pequena Sophia, apenas por ter encontrado um brinquedo. Crianças como ela e Carl não mereciam estar passando por isso. Elas deveriam estar brincando felizes em parques, e não tendo que sobreviver a tudo isso. Era muito triste saber que eles não teriam uma infância normal.
Abracei Sophia gentilmente. Prometi para mim mesma que cuidaria dela como se ela fosse a irmãzinha que eu não tive, faria tudo para lhe ver sorrindo como agora. — Querida, leve o ursinho para sua mãe, ela vai adorar ver o que você encontrou.
— É verdade Sarah! Vou lá mostrar pra ela! — logo ela virou-se e saiu correndo até onde sua mãe e Lori estavam.
Continuei sorrindo como boba enquanto arrumava algumas roupas femininas que pareciam servir perfeitamente em mim, dentro de uma mala que eu havia encontrado.
— Brincando de casinha Sarah? — disse Andrea zombando de mim com um sorriso sarcástico.
— Sinto muito que tenha perdido sua família Andrea, mas não me julgue por suas experiências — continuei com minhas tarefas como se ela não estivesse ali.
— Você nem deveria estar aqui garota, — esbravejou — então não comece a se apegar! Esse grupo não é seu — por fim ela saiu, me deixando finalmente sozinha.
Senti uma pontada no peito com as palavras dela, porém não iria chorar, não mais.
Fechei a mala e segui para outro carro, a fim de ver o que havia de útil. Logo Sophia voltou para o meu lado e segurou minha mão.
— Posso ficar aqui com você? Mamãe está ocupada... — ela disse, fitando-me com uma carinha de pidona.
— Tudo bem Sophie. Pode ficar aqui comigo — sorri para ela.
Praticamente segundos depois, ouço Rick mandando-nos ficarmos debaixo do carro quietos. Sem sequer o questionar, puxo Sophia junto comigo e me escondo no mais próximo. No carro ao nosso lado estavam Lori e Carol, que nos olhavam com cara de desespero, Daryl estava na nossa frente, coberto com um corpo, o mesmo acontecia com T-Dog, porém via-se sangue escorrendo do braço dele. Com certeza ele havia se cortado. Temi pela vida dos dois, contudo, precisava me preocupar com a criança desesperada ao meu lado. Em um piscar de olhos, eu podia ver vários pés passando por nós. Eram muitos zumbis, se nos vissem com certeza seria nosso fim. Apertei forte a mão de Sophia e fiz sinal para que ela ficasse quietinha.
Após longos minutos, o movimento cessou, então pensei que podia sair debaixo do carro. Quando me movo para sair vejo um pé na minha frente, Sophia se assusta e grita. Tudo aconteceu em segundos. Um zumbi, depois mais outro, abaixaram-se tentando nos alcançar. Completamente apavorada, Sophia correu para fora da estrada em direção à mata. Eu não podia deixa-la sozinha, então corri atrás dela.
Os walkers já nos seguiam muito de perto, e eu estava com muito medo. Mantive Sophia à minha frente o tempo todo, e pedi que ela corresse o mais rápido que pudesse. Tentei acompanha-la, mas ainda estava muito fraca. Meu senso de direção era péssimo, sabia que não conseguiria encontrar o caminho de volta.
Cruzamos um lago raso e os walkers acabaram ficando para trás. Sophia estava muito assustada e não parava de chorar e correr. Eu tentava lhe acompanhar, pedir para que parasse, porque seria melhor nos escondermos, entretanto, não estava nas minhas melhores condições.
Como era de se esperar, o azar bateu a minha porta novamente: eu tropeço em um uma raiz saliente, e acabo por cair cara no chão. Mais precisamente na lama. Tentei levantar o rosto e pedir para que ela parasse, mas não consegui. Quando finalmente consegui achar minha voz, ela estava longe, longe demais.
— Sophia, por favor, não vá! — gritei com as últimas forças que tinha, mesmo sabendo que isso poderia atrair mais deles.
Armei-me com toda a coragem que me restava e decidi seguir minha promessa de protegê-la.
Levantei-me com dificuldade, pois meu braço ainda estava engessado. Meu corpo todo doía, e eu estava cheia de arranhões que só agora notei. Provavelmente eles foram feitos pelos galhos da floresta enquanto corríamos, mas eu não havia reparado, estava focada em fugir.
Continuei caminhando pela trilha que imaginei que ela pudesse ter seguido, afinal, meu senso de direção não existia mais. Talvez eu estivesse até andando em círculos, contudo, eu não desistiria.
Depois de muito caminhar, avistei uma espécie de igreja. Havia tinha um cemitério na frente, todavia, parecia ser um lugar bem tranquilo.
Peguei um pedaço de madeira, que encontrei no chão. Não era grande coisa, porém se algum zumbi se aproximasse, pelo menos eu poderia atingir seu joelho e o derrubar, dando-me tempo de escapar.
Entrei na igreja silenciosamente, e como eu previa tudo estava tranquilo. Não sei como explicar, mas estar em uma igreja no mundo em que vivemos, até me trazia um pouco de paz.
Minha família era muito religiosa, e costumávamos ir à igreja todos os domingos. Eu sempre rezava antes de dormir, para que Deus protegesse aqueles que eu amava. Quando foi que perdi esse hábito?
Vi que havia uma torneira ao fundo do local, e rumei em direção à ela. Abri-a e deixei que a água escorresse um pouco, para enfim poder lavar meu rosto que estava coberto de lama.
Observei a grande imagem de Jesus Cristo que existia em frente ao altar, então me ajoelhei e orei.
— Senhor, eu sei que não tenho sido uma boa filha, não tenho mais orado, e nem parado para agradecer. Peço perdão por estar aqui apenas pedindo ao invés de gratificando, mas, por favor, cuide da Sophia... Faça com que eu a encontre e que possamos voltar em segurança para os outros. Amém.
Quando me direcionei para a saída, notei que já estava escurecendo, não era uma boa ideia continuar sozinha, iria me perder mais ainda. Encostei vários bancos na porta da igreja e rezei para que Deus nos protegesse essa noite.
Adormeci em um banco em frente à porta.
Logo pela manhã comecei a retirar os bancos da frente da saída, mas acabo assustando-me com um barulho de sinos muito alto. Aquele barulho poderia atrair zumbis a quilômetros de distância.
Prevendo que não tinha muito tempo, deixei apenas um banco na frente da porta e me escondi no confessionário, esperando que nada de ruim acontecesse.
Repentinamente, ouço a porta da frente ser forçada. Encolho-me ainda mais. Lembro-me da sensação de estar sozinha naquele armário no dia em que Daryl me encontrou. Eu tremia de medo. A porta então é derrubada com um baque. O sino silenciou-se no mesmo momento.
Ouço vários passos, mas eles não são arrastados. Estranho... Continuo quieta. Escuto uma voz familiar.
— Olhe aquelas pegadas de lama! Alguém esteve aqui dentro.
Eu estava com tanto medo que podia jurar que aquilo tudo era uma ilusão da minha cabeça, que dessa vez ninguém estava vindo me salvar. Subitamente a porta é aberta, e ali está ele: o Meu Anjo. Ele olhava-me com uma expressão preocupada. Meu corpo trava na hora, e várias lágrimas escapam de meus olhos sem permissão.
Ele joga sua besta no chão e abaixa-se à minha altura, abraçando-me fortemente. Tão forte que meus ossos chegavam a doer, contudo, eu não me importava, visto que até era uma sensação boa... A sensação de estar segura.
— Shhhh... calma Sarah, eu estou aqui. Agora vai ficar tudo bem — ele disse enquanto secava minhas lágrimas. Eu sabia que não iria, eu sabia.
— Sophia... — sussurrei entre soluços aquilo que estava me afligindo.
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