Notas iniciais
E então minhas amadinhas, sentiram minha falta? *--* Acho que não! Enfim, não postei ontem porque tive um dia de cão. Estava muuuuito mal, fui para o hospital - pra variar -, e estava de atestado. O que quer dizer que passei o dia todo dormindo! haeuia'
Espero que vocês gostem do capítulo de hoje!
Boa leitura.

— POV SARAH —

Desperto lentamente, desesperando-me com a ideia de que tudo o que aconteceu na noite passada não houvesse passado de um sonho. Tenho medo de abrir os olhos.

Com a mão tateio o chão, tocando em algo. Abro um olho e depois o outro, constatando que estava tocando no peito de Daryl. Ele estava apoiado em um cotovelo me observando e sorrindo, com certeza me achando uma idiota. Retiro minha mão rapidamente, sentindo minhas bochechas queimarem. Estreito os olhos e lhe cutuco forte com o dedo.

— É mesmo real? — pergunto desconfiada, estreitando os olhos.

— É claro que é, sua louca — ele responde, caindo na gargalhada.

Cruzo os braços fingindo indignação.

— Hey, não precisa ficar bravinha — comenta, puxando-me para seus braços e me dando um leve selinho. Não resisto e abro um enorme sorriso, que é correspondido por ele. Eu ainda não havia me acostumado a vê-lo sorrir, era muito raro, já que ele costumava ser muito fechado, mas com certeza aquele era o sorriso mais perfeito do mundo — Preciso ir agora — diz ele levantando-se.

— Aonde você vai? — droga! Agora ele vai achar que sou grudenta.

— Vou tomar banho, por quê? Quer vir junto? — responde ele, estreitando os olhos.

— N-não! n-não... Tudo bem — respondo, corando violentamente.

Escuto sua risada enquanto ele sai.

Fico um tempo deitada encarando o teto da barraca, sem acreditar que todas essas coisas estavam acontecendo.

De repente ouço o zíper da barraca ser aberto.

— Com licença — diz Beth, entrando na barraca com os olhos vermelhos pelo choro. — Vamos fazer o funeral simbólico do tio Otis agora, vim lhe chamar — algumas lágrimas escapam de seus olhos.

— Hey, calma. Sei que isso não ajuda muito, mas com certeza ele está em um lugar muito melhor agora — a abraço gentilmente, secando suas lágrimas. — Vamos lá.

Saímos da barraca e fomos em direção a um canto mais afastado da fazenda, onde muitos de nós já estavam reunidos, com exceção de Rick, que deveria estar ao lado de Lori. Patrícia estava desolada, não parava de chorar e soluçar, e era amparada por Maggie. Hershel estava ao seu lado tocando seu ombro. Beth foi de encontro a sua família e parei ao lado de Daryl que também estava ali.

Shane estava ao lado da cruz improvisada com o nome de Otis, com uma expressão desoladora. Era notável que ele se segurava para não chorar, afinal deve ter sido muito difícil pra ele deixar pra trás aquele que o estava o ajudando. Sem pensar muito, aproximo-me de Shane.

— Não foi culpa sua Shane — sussurro, tocando seu ombro. — Você não tinha como evitar, precisava voltar e salvar Lori.

De repente, ele vira-se e me abraça, encostando seu rosto em meu cabelo, finalmente cedendo às lágrimas.

— É culpa minha, Sarah! Minha! Eu tinha que ter o trazido de volta! Eu tinha que ter o salvado! — ele chorava copiosamente. Era a primeira vez que via um homem tão desesperado.

— Não, não é Shane. Foi uma fatalidade que não pode ser evitada — abracei-o de volta. — Vai ficar tudo bem. Lori vai ficar bem, graças a você — dou-lhe um beijo na bochecha e viro-me para sair, deixando-o com seus pensamentos. Quando estou seguindo meu caminho de volta vejo que Daryl não está mais lá. Fico parada no mesmo lugar, imaginando para onde ele deve ter ido.

— Ele disse que iria caçar — sussurrou Carol, como se lesse minha mente.

— Obrigada — respondo educadamente.

Sigo rumo à barraca, pensando nos motivos que o levaram a fazer isso. Por que ele não me avisou que iria caçar? Bem, eu estava sendo exagerada. Só por que ele me beijou, não quer dizer que temos um compromisso. Ele não deve nada a mim. Pensei, sentindo uma pontada no coração.

Entrei na barraca para arrumar nossas coisas. Tudo ali me lembrava da noite passada... Engoli em seco. Eu não deveria estar enchendo minha cabeça de coisas, ele foi apenas caçar, não tinha a obrigação de me avisar.

Fiquei mais alguns minutos ali refletindo, e por fim me levantei, saindo da barraca. Precisava fazer alguma coisa, ficar muito tempo parada fazia minha cabeça trabalhar demais.

Segui em direção a casa, e dei uma breve olhada para o local onde havia acontecido o funeral. Todos já haviam se retirado. Entrei na casa e vi Carl e Sophia brincando com alguns quebra cabeças no tapete.

— Hey, crianças — disse acenando para eles enquanto entrava na sala.

— Oi Sarah — os dois responderam em uníssono, enquanto se levantavam para me abraçar.

— O que vocês estão fazendo aí? — questionei, abaixando-me na altura deles.

— Montando um quebra cabeça — respondeu Sophia.

— Quer ajudar? É bem difícil — indagou Carl, voltando a sentar no tapete.

— Talvez depois — sorri. — Onde está seu pai?

— Está no quarto, com a mamãe. Ela já acordou — disse Carl sem desviar os olhos do quebra cabeça.

— Ok, vou vê-la — Saí em direção ao quarto onde ela estava, e dou de cara com Rick, saindo de lá cabisbaixo.

— Hey Rick. Está tudo bem?

Rick apenas faz um sinal afirmativo com a cabeça.

— Ela está acordada?

— Sim — ele responde simplesmente.

— Se importa se eu vê-la? — questiono receosa.

— Pode entrar. Acho que ela precisa de alguém para conversar — disse, retirando-se.

Dou de ombros, sem entender porque Rick estava agindo daquela forma. Bato levemente na porta.

— Entre — diz Lori, fracamente.

— Bom dia — cumprimento-a sorrindo, porém meu sorriso morre ao perceber que ela está chorando. ­— O que houve? — indago, sentando-me ao seu lado na cama. Seguro sua mão.

— Você já sabe? — diz ela com lágrimas nos olhos.

— Sobre... o bebê? — pergunto.

— Sim — ela sussurra.

— Parabéns — desejo-lhe sinceramente.

— Não Sarah, não me deseje isso! Você não sabe a verdade — Lori parecia extremamente angustiada.

— Que verdade? — encaro-a, confusa.

— Quando tudo isso começou, Rick estava em coma no hospital. Shane tentou tirá-lo de lá, mas tudo estava um caos... Ele disse que tentou desligar os aparelhos, mas o coração de Rick vacilou... Shane temeu que Rick morresse se fosse tirado dali, ou talvez até estivesse morto, ele não sabia. Então ele veio até mim e Carl e disse que nos levaria até um lugar seguro, mas que Rick havia morrido. Sem nenhuma outra escolha, segui junto com ele, pensando na segurança de Carl. Eu estava tão desolada e frágil... Céus! Eu precisava tanto me sentir protegida... — ela faz uma breve pausa, talvez escolhendo as melhores palavras. Por fim, suspira profundamente. — Eu acabei me envolvendo com Shane. Pensei que Rick estava morto, e quando Rick voltou não quis mais saber de Shane — concluiu, encarando-me.

— Onde você está querendo chegar? — soltei, completamente confusa.

— Você não entende Sarah... eu contei toda a verdade ao Rick, e ele disse que me entende! Deus, eu não mereço um marido tão bondoso depois de todos os erros que cometi! O problema é que eu realmente não sei se esse filho é de Shane ou dele — ela desabou em lágrimas.

— Hey, não chore. Não é hora de se preocupar com isso — disse-lhe, afagando sua mão — Rick é seu marido, com certeza será um bom pai para essa criança. Não conte nada ao Shane, não confunda mais as coisas. Agora você precisa descansar e ser forte para esse bebê que está crescendo aí dentro.

— Que futuro essa criança vai ter em um mundo como esse?

— O melhor, na medida do possível. Pelo menos no que depender de mim — respondi sorrindo e apertando a sua mão. — Agora descanse, está bem?

— Obrigada — agradeceu-me, enfim sorrindo.

— Imagina! Conte comigo para o que precisar — comentei enquanto saía do quarto.

— Nós vamos até a cidade — informou Glenn, logo que passei pela porta — Quer ir com a gente?

— Quem mais vai? — perguntei interessada.

— Maggie, Shane e eu. Ele precisa distrair um pouco a cabeça.

— Tudo bem, eu irei. ­

Mal ele sabia que eu também precisava distrair-me um pouco. Não queria ficar me perguntando onde Daryl estava, ou até mesmo se já havia retornado. Eu não tinha esse direito.

— Leve isso com você — disse Maggie, assim que chegamos ao pátio da casa. Ela entregou-me um taco de baseball. — Se você vai até a cidade não pode ir de mãos vazias.

— Obrigada .

— Boa sorte — falou Beth, descendo as escadas e dando-me um abraço, logo em seguida.

— Irei me cuidar — prometi à ela, enquanto seguia o restante do grupo.

Maggie e Glenn iriam a cavalo. Shane e eu, seguiríamos de carro.

— Obrigado... por antes — agradeceu-me Shane, assim que saímos.

— Tudo bem. Eu só disse a verdade — dei de ombros, encarando a paisagem através da janela.

O resto do trajeto foi feito em silêncio. Quando chegamos até a cidade tudo estava muito silencioso. Descemos do carro e nos encontramos com Maggie e Glenn.

— Nós vamos até a farmácia buscar a maior quantidade de remédios que conseguirmos. Vocês podem ir até algum supermercado buscar comida, e creio que Sarah precise de algumas roupas, considerando que ela foi a única que não conseguiu nada na estrada — disse Glenn.

— Ok — Shane e eu assentimos prontamente.

Seguimos até uma loja de roupas. Shane ficou na porta, enquanto eu peguei uma mochila e fui direto à sessão do meu tamanho para evitar perder tempo. Não escolhi muito, mas dei preferência a coisas confortáveis e que não fossem extravagantes.

Encaminhei-me para a sessão de lingeries. Já não aguentava mais ficar usando a mesma, estava me sentindo suja. Quando chego até ela, sou pega de surpresa. Todas elas tinham muitas rendas, topes, transparências... e céus! Elas eram minúsculas.

— Droga — sussurrei.

Graças a Deus, ninguém me veria usando-as. Ou veria... Senti minhas bochechas em chamas com esse pensamento. Sacudi minha cabeça com força, espantando todo e qualquer vestígio daquele absurdo.

Eu não era acostumada com aquelas peças minúsculas, mas não me daria o luxo de escolher.

Fui de encontro a Shane, que se ofereceu para levar minha mochila, e então continuamos nosso caminho até o supermercado.

Carregar aquele taco com uma mão só estava se tornando cansativo. Estava morrendo de medo de ter que usá-lo. Tenho certeza de que não conseguiria, afinal, não teria firmeza para manuseá-lo apenas com uma mão.

Chegamos até o supermercado, e ele era enorme. Tudo estava tranquilo e silencioso. Combinamos de cada um seguir por uma ponta.

Peguei algumas mochilas na sessão esportiva, então fui direto até a parte de higiene pessoal. Escolhi uma escova de dentes nova e me preveni, pegando alguns pacotes de absorvente. Por fim, me dirigi à sessão de enlatados. Abaixei-me, enchendo uma mochila com tudo que eu pensei que poderia ser útil e tinha a data de validade mais longa. Coloquei a mochila nas costas e segui. Quando estava rumando para próxima sessão, mais precisamente entrando em outro corredor, dou de cara com um zumbi que por centímetros não me agarra.

Não sei de onde tirei forças para reprimir um grito. Sabia que se houvesse mais deles por perto, com certeza me achariam. Tentei acertá-lo com o taco, contudo, não havia chances daquilo dar certo. Segurando-o apenas com uma mão eu não tinha firmeza para um golpe forte. Tirei meu braço da tipóia e segurei o taco com as duas mãos. Meu braço tremia. Acertei a cabeça dele com toda a força que tinha, e dessa vez gritei, mas de dor. A dor no meu braço era insuportável, entretanto, não era nada perto do medo que eu tinha de morrer ali.

A adrenalina corria em minhas veias, e logo a dor já não era o maior incômodo. Continuei a bater na cabeça dele e ele caiu no chão. Estava com muito medo de que ele levantasse, então continuei a bater e a bater, até seu cérebro estar completamente à mostra.

Cambaleei e caí sentada no chão tremendo. Nessa hora percebi que estava toda suja de sangue podre. Senti um forte enjoo, mas não vomitei, afinal, ainda não havia comido nada. Passei a mão por meu rosto e também notei que ele estava sujo.

— Meu Deus, Sarah! Você está bem? — Shane aparece apavorado.

— Estou — respondo com a voz trêmula. — Só... só me leve de volta pra casa... Por favor.

Shane passou um dos braços por minha cintura e me conduziu pelo caminho de volta, carregando todas as mochilas. Senti-me mal por ele, queria ajudar, porém minha voz havia fugido para algum lugar distante.

Antes de entrar novamente no carro, tirei a porcaria da tipóia. Meu braço estava doendo horrores, mas eu precisava dele. Aquilo só estava me atrapalhando.

Não disse uma palavra até chegarmos à fazenda.

Assim que cruzamos a porteira, avistei Daryl parado onde costumávamos estacionar o carro.

Shane mal havia desligado o carro, e Daryl praticamente me arrancou de dentro dele, apertando-me com força em seus braços.

— Onde você estava? — esbravejou quase me sufocando. Notando que estava me apertando demais ele se afasta. Esse foi seu erro, pois da distância em que ele estava, podia reparar perfeitamente em meu estado deplorável. — O que aconteceu com ela? — Daryl disse entredentes, avançando sobre Shane, dando-lhe um forte empurrão. — Que ideia idiota foi essa de leva-la junto pra cidade? Ela nem sabe se proteger! Seu maldito! Se ela tiver um arranhão sequer juro que quebro essa sua cara! — ele estava fora de si. Shane em nenhum momento revidou.

Nesse momento minha visão começa a ficar um pouco turva e vejo Beth seguindo em minha direção. Tudo começa a ficar nublado e sinto que braços magros rodeiam meu corpo. De repente, minhas forças começam a ir embora. Manter as pernas firmes parece ser uma tarefa extremamente difícil. Então tudo se apaga.

Notas finais
E então? *-*