Still Alive [Hiatus]
7 Confused
Notas iniciais
— POV SARAH —
E então ele se foi. Eu continuei ali parada o observando se distanciar, indo em direção ao banheiro.
Na minha cabeça se passavam mil e uma coisas, e ainda estava tentando digerir o que acabara de acontecer. Eu estava enlouquecendo ou ele realmente havia pensado em me beijar? Definitivamente isso estava fora de cogitação, deveria ser loucura dessa minha imaginação criativa, afinal, porque ele me beijaria? Ele nem me quer por perto, esse jeito um tanto quanto preocupado e essa proteção que ele está direcionando a mim devem ser puramente por estar se sentindo culpado. Claro, deve ser apenas por isso, aquela história de anjo não passava de uma alucinação, só pode!
Sentei-me no sofá e abracei meus joelhos com o braço bom.
— Mas parecia tão real... — sussurrei para mim mesma, fechando os olhos com força, enquanto pressionava minhas têmporas, tentando afastar a dor de cabeça que ameaçava instalar-se novamente.
Então escuto a porta se abrir e vejo Daryl sair do banheiro, vestindo as mesmas roupas, porém com o cabelo molhado. Isso o deixava incrivelmente ainda mais bonito.
— Estou indo jantar com os outros, você vem? — ele perguntou sem tirar os olhos de mim, o que me causou uma sensação estranha, como se houvessem milhares de borboletas brincando em meu estômago.
— Não, eu prefiro ficar. Não estou me sentindo bem o suficiente para me juntar aos outros — menti desviando de seu olhar penetrante, não conseguia encará-lo. Será que ele estava sentindo pena de mim? Encolhi-me com essa possibilidade, apesar de ter quase certeza de que era essa a maior razão.
— Você precisa comer algo, não tem se alimentado direito há dias — Daryl falou sério, de certa forma, até um pouco autoritário.
— É sério, já disse que não estou disposta. Aliás, não estou com fome — disse a ele, um tanto quanto seca, mantendo meus olhos fixos no chão. Era mentira, uma vez que eu estava faminta, porém não falaria nada. Não queria que ele ficasse se sentindo obrigado a cuidar de mim. Se ele queria ficar perto de mim apenas por obrigação, preferia tê-lo afastado.
— Tudo bem. Tanto faz — ele bufou e simplesmente e saiu, batendo a porta com força.
Logo que ele se foi, procurei distrair minha cabeça. Estava um pouco chateada por tudo o que estava acontecendo. Queria Daryl por perto, mas não apenas por pena, compaixão ou culpa. Queria que ele ficasse ao meu lado, por espontânea vontade. Mas por quê? Apenas por um sonho idiota que tive e que basicamente não significava porcaria nenhuma? Eu devia ter batido muito forte com a cabeça naquela pedra, visto que, desde aquela noite as coisas têm saído do controle para mim.
Depois de muito revirar o ambiente, encontrei alguns edredons e os arrumei no chão, junto com algumas almofadas, formando uma espécie de cama. Até que parecia confortável, se eu levasse em conta todos os lugares nos quais já havia dormido nos últimos tempos. Aquele amontoado de cobertores parecia uma cama luxuosa perto de todos os armários ou pisos gelados em que me deitei.
Forrei o sofá com alguns cobertores que haviam sobrado e deixei um travesseiro ali, para que Daryl pudesse dormir. Não parecia tão confortável quanto minha “cama”, mas parecia muito mais aconchegante do que a barraca gelada na qual ele costumava passar as noites. Isso quando ele realmente dormia, porque pelo que me contaram, ele passava a maior parte da noite vigiando o acampamento, e às vezes até caçando.
Daryl era um homem corajoso, guerreiro e totalmente independente. Com essas constatações, me senti extremamente mal pela forma como o tratei há alguns minutos. Ao que parecia, ele não costumava ser gentil com ninguém, e ele estava se esforçando realmente para sê-lo comigo. De certa forma, eu devia estar agradecida, por que nesse pouco tempo ele havia me salvado duas vezes. Talvez ele fosse mesmo um anjo, a sua própria maneira...
Apaguei as luzes e me dirigi até a cama, sem poder evitar alguns tropeços. Deitei-me e cobri até a cabeça. Deviam ter ligado o ar condicionado, pois estava ficando realmente frio ali dentro.
Minha cabeça estava trabalhando furiosamente, e eu ainda não conseguia entender porque eu estava triste por Daryl cuidar de mim apenas por sentir pena. Nós nem nos conhecíamos, por qual outro motivo poderia ser? Com certeza ele deve pensar como os demais do grupo, que eu sou uma inútil, apenas uma garotinha que não sabe se defender. O pior de tudo é que sei que eles não estão errados, realmente eu não sirvo para nada. Eu estava disposta a mudar tudo isso. Prometi a mim mesma que não mais choraria e que aprenderia a ser forte. Eu realmente queria ser útil, de alguma forma. Pelos meus pais, eles mereciam isso.
Além de todas essas preocupações e promessas que eu não sabia se poderia cumprir, outra coisa não me saía da cabeça: Não conseguia parar de pensar em como seria se realmente Daryl tivesse a intenção de me beijar... Ele era tão lindo, aqueles olhos azuis como mar me encarando, aquela boca entreaberta, tudo nele estava absurdamente ainda mais perfeito. Eu não conseguia entender por que algo dentro de mim me fazia ficar extremamente triste por isso não ter acontecido. Não entendo o tipo de ligação que estou tendo com ele, jamais senti isso antes. É como se eu precisasse dele como preciso do ar, como se não pudesse ficar longe sequer um segundo, como se tudo nele me chamasse.
Perdida no meio de tantas confusões, agora já não sei como irei olhá-lo novamente nos olhos, eu realmente já não sabia as reações certas a ter, e meus sentimentos não estavam me ajudando nada nessa situação.
Além de tudo isso eu ainda estava magoada com o que a Andrea disse, por que ninguém a contrariou? Será que todos tinham a mesma opinião que ela? Não tive muito tempo de conhecer o grupo, mas Rick parecia realmente se importar com eles, e o mesmo se aplicava a mim, pois ele poderia muito bem ter me deixado sozinha naquela casa para morrer, mas não, ele me trouxe para o seu acampamento.
Será que eles ainda seriam capazes de me abandonar? Eu sinceramente estava preocupada, pois Rick se importando ou não comigo, ele tinha uma família para zelar, e creio que se ele perceber que eu acabo mais atrapalhando do que ajudando, colocando em risco a sua família, ele não hesitaria em me deixar. Meu Deus! São tantas coisas para pensar...
Meu braço já estava começando a latejar, afinal, o Dr. Jenner havia o quebrado novamente para que dessa vez ele ficasse no lugar. Confesso que tive vontade de gritar como uma louca, mas Daryl não parava de me olhar como se esperasse que eu chorasse como uma criança, e eu cansei de parecer tão frágil.
Rick me olhava com pena, parecia tão preocupado comigo... Acredito que realmente estava, pois quando meu braço começou a ser engessado, ele veio até meu lado, segurou minha mão e disse que o pior havia passado.
Meus olhos estavam pesados, e eu estava exausta. Não queria que essa enxurrada de coisas continuasse em minha cabeça. Esforçando-me ao máximo, me concentrei para deixar todas as minhas preocupações de lado. Deixando que a escuridão me atingisse, enfim adormeci.
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