Notas iniciais
Olá pessoas *u*
Então, mais 3 capítulos e começarão os capítulos novos para as pessoas que já leram! Ansiosas?
Enfim, queria dizer que vou me organizar para postar toda segunda e toda quinta, que é os dias que eu não tenho facul. Aí eu dou a a certeza pra vocês de que vou postar direito u_u
Espero que gostem *u*

— POV SARAH —

Eu estava exausta, não havia outra palavra que pudesse descrever o estado no qual me encontrava.

Estávamos a horas caminhando pela floresta, e eu sequer sabia se seguíamos a direção correta. Para mim era tudo tão verde... Tão igual...

Estava tropeçando na metade das coisas que via pela frente, e a maldita tontura continuava a me atormentar, porém, Daryl mantinha-se sempre ao meu lado, alerta caso alguma coisa acontecesse.

Eu tremia de frio, contudo, pelo que pude perceber, o dia estava razoavelmente quente, já que Daryl estava suando. O que tinha de errado comigo?

Parei por um minuto, levando minha mão até a testa e enxugando uma gota de suor que escorria ali.

— Você está bem? — questionou Daryl, virando-se em minha direção.

— Sim, só estou com um pouco de frio... — comentei exausta. Ele prontamente levou sua mão até minha testa, verificando a temperatura.

— Você está ardendo em febre! — murmurou angustiado. — Está sentindo mais alguma coisa?

— Não. Meus braços estão queimando um pouco, mas não há nada para se preocupar. Talvez seja apenas uma infecção — respondi simplesmente.

— Eu sabia que não era uma boa ideia te trazer pra cá! — disse nervoso, chutando uma pedra com força. — Mas nós vamos voltar. Você não terá que sair de lá novamente, eu prometo — concluiu beijando minha testa.

Eu faria tudo de novo, sem pensar duas vezes. Não me importava com todos os benefícios da prisão. Que tipo de vida eu teria sem Daryl?

— Vamos seguir. Estou exausta e mal consigo caminhar, mas quero chegar logo. Estou com saudades dos outros... — sorri minimamente lembrando-me de minha família.

Daryl concordou e seguimos nosso caminho, dessa vez em um ritmo mais lento.

Merle havia nos alcançado, todavia, não dizia uma palavra sequer. Ele estava um pouco estranho desde a hora que viu aquelas cicatrizes nas costas de Daryl.

Confesso que aquilo me deixou intrigada, pois realmente não tinha reparado nas costas dele até aquele momento. Quando estivéssemos em paz na prisão, eu conversaria com ele. Tenho certeza que Daryl me explicaria melhor o que havia acontecido.

— Já estamos quase chegando... — comentou Daryl ao reparar em minha expressão cansada.

Vários tiros foram ouvidos ao longe e senti uma pontada no peito. Meu Deus, que não seja o que eu estou pensando...

Daryl preparou sua besta e encarou-me. Apenas assenti.

O cansaço já não me importava. Naquele momento era a adrenalina e o medo que comandavam meu corpo. Corri a todo gás em direção à prisão, seguindo Daryl atentamente.

Quando chegamos até a prisão, o portão principal havia sido derrubado e vários walkers vagavam lá dentro.

O Governador e alguns homens estavam atirando impiedosamente contra nossa família.

Eu não sabia o que fazer, estava assustada demais para reagir da forma correta.

De repente, o Governador cessou o tiroteio e entrou no carro com alguns capangas, saindo como se nada houvesse acontecido.

Ele havia derrubado nossos portões, provavelmente pensando que os walkers se encaminhariam do resto.

Corremos em direção à entrada, Rick estava encurralado por alguns walkers e Daryl foi ajudá-lo.

Continuei estática, deixando que Merle derrubasse aqueles que se aproximavam de mim, visto que eu estava desarmada.

Eles eliminaram os errantes facilmente. Quando tudo acabou, Rick caminhou em minha direção e o abracei fortemente. Ele estava estranho nos últimos tempos, mas estava feliz em estar de volta. Ele beija o topo da minha cabeça, acenando para Daryl.

— Que bom que vocês estão de volta — disse soltando-me, porém ainda mantendo seu braço sobre meus ombros.

Achei que a cena de alguns dias atrás iria se repetir — com Rick expulsando Merle e todas essas outras coisas —, contudo, acredito que agora ele havia percebido que mesmo Merle não sendo uma boa companhia, seria uma força extra e útil para o grupo.

— Precisamos reerguer esse portão... — comentou angustiado, caminhando em direção à prisão.

— Sarah! — gritou Beth assim que me avistou, correndo em minha direção. — Meu Deus, como eu senti sua falta! — murmurou com os olhos marejados.

— Foram só alguns dias... — sussurrei. — Mas eu também senti Beth — abracei-a com força.

Aos poucos, os outros vieram ao nosso encontro, deixando-nos a par de tudo o que acontecera naqueles poucos dias em que estivemos fora.

Maggie e Glenn pareciam estar em uma situação extremamente desconfortável, o que era estranho, pois os dois eram sempre muito próximos.

Aliás, Glenn havia apenas me cumprimentado e em seguida partido para dentro da prisão. Eu sabia que ele não suportaria estar no mesmo ambiente que Merle.

Eles eram minha família, e magoava-me saber que alguns de nós estavam daquela forma. Eu realmente não sabia o que fazer. Não sabia se devia apoiar Merle e convencer os outros sobre seus motivos, ou se devia juntar-me a eles, apoiando a decisão de mantê-lo afastado, aja vista que em todo caso ele era calmo apenas comigo.

Estávamos cansados demais para tomar qualquer decisão importante, principalmente Rick, contudo, precisávamos dar um jeito provisoriamente no portão, do contrário, nenhum de nós dormiria tranquilo naquela noite.

Rick, Daryl e Merle ergueram o pesado portão de ferro. Maggie e Carol dirigiram as caminhonetes e estacionaram-nas a frente do portão, para impedir que ele virasse novamente. Não era uma coisa fixa, e não impediria grandes hordas, mas era o que tínhamos no momento. Entramos na prisão para melhor nos organizarmos.

Desde que voltei para o bloco, Sophia e Beth não saiam do meu lado, e eu não conseguia soltar Judith um instante sequer. Apesar de todas as preocupações que eu tinha naquele momento, eu não podia deixar de estar feliz por finalmente estar em casa.

— Sarah? — Hershel chamou-me, parando a minha frente.

— Sim? — respondi sem tirar os olhos de Judith, embalando-a como de costume.

— Rick me disse que você, bem... que você está grávida. É verdade? — questionou enquanto erguia uma sobrancelha, parecendo estar preocupado.

Eu o conhecia bem o suficiente para entender todas as preocupações daquele senhor que me protegeu por tanto tempo.

Concordei levemente com a cabeça, pousando uma de minhas mãos sobre meu ventre ainda liso. Apesar de tudo, eu realmente estava feliz com a criança que estava crescendo ali dentro.

— Hershel, você podia dar uma examinada na Sarah? Acho que ela está com uma infecção. Teve febre mais cedo — relatou Daryl, aproximando-se.

— Claro. Venha comigo... — apontou Hershel, tomando a frente.

Entreguei Judith a Beth e o segui para outra cela, com Daryl em meu encalço.

Sentei-me em uma das camas e Daryl permaneceu a minha frente.

— Está sentindo alguma dor, ou algo diferente? — inquiriu Hershel de forma séria.

— Nada de especial... — respondi dando de ombros enquanto negava com a cabeça.

Daryl suspirou nervoso abaixando-se ao meu lado e levantando as mangas de minha blusa.

Meus cortes estavam horríveis, amarelados e completamente inchados. Com certeza era uma infecção.

— Meu Deus, como isso foi acontecer? — Hershel parecia realmente chocado.

— Foi o maldito daquele Governador! — rosnou Daryl, socando a parede com força.

— Olha Sarah, eu não quero te assustar, mas essa infecção está bem feia e também teremos que fazer pontos nesses cortes. O processo de cicatrização já se iniciou, mas mesmo assim sua pele não vai se recuperar tão fácil sozinha. Você está grávida, e não é qualquer tipo de antibiótico que posso lhe dar, você precisará de medicamentos específicos, e não estamos em condições de sair por aí atrás de remédios.

— Tudo bem... — suspiro passando as mãos por meu rosto, nervosa. — Isso pode fazer algum mal para o meu bebê? — perguntei por fim. Na verdade, aquele era meu único medo.

— Sarah, você tem que entender que está ainda nos primeiros meses de gestação... Se você não se tratar, pode acabar tendo um aborto espontâneo. Seu corpo não vai reter o feto nessas condições... — disse pausadamente, como se fosse para que eu digerisse dolorosamente cada palavra.

Aquilo me magoou profundamente. Eu aguentaria qualquer coisa, mas não queria perder meu bebê...

Lágrimas rolavam descontroladamente por meu rosto, fazendo com que nenhuma palavra fosse capaz de ser formada. Daryl sentou-se ao meu lado, segurando minha mão.

— Talvez seja melhor assim, Sarah... — sussurrou, buscando meus olhos.

Encarei-o completamente descrente.

Eu não podia acreditar que ele havia dito aquilo.

Soltei minha mão furiosamente da sua, e sem pensar duas vezes, saí correndo da cela. Antes que eu pudesse passar pela porta, esbarrei fortemente em Glenn, caindo para trás. Ele ofereceu sua mão e eu aceitei, me levantando em seguida.

Eu estava totalmente desnorteada. As palavras de Daryl ecoavam nervosamente em minha cabeça. Melhor assim?Como ele podia ser tão frio?!

Glenn abraçou-me, acariciando meus cabelos, como se pudesse de fato me confortar.

— Eu vou, Sarah — disse ele confiante.

— Não, Glenn... Eu não pediria para que você se arriscasse por mim... — murmurei entre soluços, perguntando-me se ele realmente havia entendido.

— Alguém tem que fazer alguma coisa por aqui — disse entredentes, lançando um olhar fulminante para Daryl, antes de realmente me soltar.

Em seguida encarou a Hershel, acenando para que ele o seguisse, provavelmente para pegar o nome dos remédios.

Permaneci estática.

Daryl, o próprio pai da criança, achava melhor que eu a perdesse.

Jamais pensei que fosse sentir tanta dor... Aquilo era tão angustiante que cheguei a perguntar a mim mesma se seria capaz de aguentar mais uma dose daquilo.