Notas iniciais
Bem, eu não atualizaria Still Alive hoje, já que atualizei ontem e hoje atualizei Carry On ( que por mais tenso que pareça coincidiu com o nome do capítulo o.Õ ) e Holding On, maaaaaaaaaaas, ganhei uma capa tão perfeita da Leah que acabei não resistindo. *------* Entãaao, esse capítulo obviamente é dedicado à ela ♥
Bem, além do mais, não conseguiria postar amanhã já que infelizmente volto pra faculdade! Uhul, viva Análise Estrutural I ( sqn --' )
Vou continuar postando dia sim/ dia não, pra me dar uma brecha pra criar uns capítulos novos e ainda assim estudar pras matérias f0didamente f0didas da faculdade :'(

— POV SARAH —

Eu estava partindo... Ainda não consegui olhar para trás desde o momento em que deixei Rick e os outros na estrada.

Sabia que se olhasse, fraquejaria, e eu não queria desistir. Como as coisas seriam fáceis se todos pudessem conviver em harmonia dentro da prisão... Tudo seria muito melhor para todos nós, principalmente para o bebê. Ele teria um médico — ou quase isso —, a disposição. As mulheres passariam o dia todo o paparicando, assim como faziam com Judith... Como eu sentiria falta daquela pequena... Ele teria um pai presente, e por Deus, no que dependesse de mim ele jamais conheceria o mundo que havia do lado de fora.

Todas essas esperanças foram esmagadas no momento em que eles não permitiram que Merle voltasse para casa com a gente. Todos os meus planos foram por água abaixo quando Daryl falou que ficaria ao lado do irmão. Eu não podia guardar todos os meus sentimentos em uma gaveta e deixá-lo ir... Prometi a ele e a mim mesma, que jamais o deixaria sozinho de novo, e por mais que eu quisesse — e eu não queria —, simplesmente não podia deixá-lo partir.

Eu sentiria muita falta de minha antiga família. Cada um deles havia ficado com uma parte de mim... Beth, com a minha vontade de viver, já que a sua lhe foi arrancada quando sua mãe morreu; Carol, com a minha esperança quando lhe trouxe sua filha de volta; Rick, com a minha capacidade de fazer as escolhas que sempre fossem melhores para os outros; Maggie e Glenn, com a minha capacidade de amar, acima de todas as coisas; Hershel levou consigo a minha persistência, mesmo com todos os problemas que teve ele não desistiu; Sophia ficou com a minha inocência, que jamais seria perdida, e Carl, com a minha capacidade de perdoar, mesmo com tudo que havia acontecido entre Lori e ele.

Cada um deles foi fundamental em minha vida para que eu crescesse e me tornasse uma pessoa melhor. Eles seriam inesquecíveis.

Mais tarde, quando meu filho crescesse, contaria a ele todas as histórias maravilhosas de superação que todos viveram. Eu os levaria para sempre comigo, até o dia em que minha memória se apagasse.

Fazia mais de duas horas que estávamos caminhando floresta adentro. Minhas pernas já estavam implorando por descanso, contudo, eu não queria parar e pensar em tudo que eu estava abandonando para vagar sem rumo por aí com a pessoa que amo.

Daryl e Merle seguiam a frente e eu estava bem afastada. De vez em quando ele olhava pra trás apenas para se certificar que eu estava bem, todavia, ele nada dizia, ou sequer se aproximava. Daryl sabia que eu precisava desse espaço para colocar todas as ideias e sentimentos em seus devidos lugares.

Parei um pouco, apoiando minhas mãos em meus joelhos e abaixando a cabeça, deixando que o mal estar tomasse conta de mim novamente. Vomitei apenas água, eu não comia nada desde ontem de manhã. Era uma cena realmente constrangedora.

Estava tão ocupada em meu momento, que sequer notei que Daryl estava ao meu lado. Ele pegou uma garrafa d’água e molhou um pouco sua mão, colocando-a em minha testa em seguida, na tentativa de aliviar meu mal estar. Logo me ofereceu a garrafa. Bebi apenas dois goles e senti o enjoo voltar com força total. Entreguei-lhe a garrafa, levando a mão até a boca.

Ele me abraçou quando percebeu que eu mal estava em condições de ficar em pé.

— Nós vamos parar um pouco — anunciou Daryl enquanto me amparava.

— O que foi maninha? Não está aguentando o tranco? — questionou Merle, rindo sarcasticamente.

— Cala a boca, irmão! — Daryl ralhou.

— O baby Dixon deve estar fazendo um grande estrago aí dentro, hm? — continuou enquanto ignorava completamente a crítica de Daryl.

Daryl tirou sua mochila das costas e colocou-a no chão, entregando-me uma de suas armas, já que as minhas haviam ficado naquela cidade.

— Fique aqui e descanse, está bem? Vou encontrar alguma coisa para comermos. Merle fique de olho nela — pediu beijando minha testa e afastando-se em seguida.

— E aí boneca, segurando as pontas? — indagou Merle, parando ao meu lado. Sentei-me no chão escorando-me em uma árvore.

— Tenho que estar, não é? — comentei enquanto secava uma gota de suor que escorria por minha testa.

— Como era viver naquele lugar com um bando de covardes? —perguntou em um tom baixo, parecendo realmente curioso.

­— Eles eram como uma família pra mim... — respondi rapidamente. Não havia mais nada a ser declarado, aquela era a mais pura verdade. Doía saber que não estava mais com eles.

— É, belezinha... Isso até o dia em que o policial bonzinho se irrita com você e te algema no terraço — apontou ele, franzindo a testa, cheio de rancor.

No fundo, ele tinha seus motivos.

— O que aconteceu naquele dia? — inquiri um pouco receosa. Merle permaneceu em silêncio por um longo tempo.

Devia ser difícil para ele falar sobre aquilo. Ele parecia ser o tipo de cara durão — até mais que Daryl, por sinal —, porém eu tinha a irritante mania de pensar que todas as pessoas tinham ao menos um lado bom, e quem sabe, até o revelassem para mim.

— Daryl não te contou, maninha? — disse após longos minutos. Apenas neguei com a cabeça. — Nós estávamos procurando comida... Andrea, Glenn, T-Dog e eu. Eu estava no terraço vigiando as coisas. Matava tudo o que vinha pela frente. O japonês voltou com o xerife e subiram para o telhado. Aquele crioulo maldito começou a apontar o dedo na minha cara dizendo que eu estava fazendo muito barulho, e gatinha, eu dei uma boa surra nele! — caiu na gargalhada antes de continuar. Arrepiei-me e me encolhi um pouco. Aquele seus jeito violento me assustava. — O policial não gostou da coisa e me deu um soco na cara, me derrubando no chão. O desgraçado me algemou num cano de ferro e entregou a chave pro crioulo. Era óbvio que o cara queria me foder! A coisa ficou feia lá embaixo, e na hora de fugir o filho da puta derrubou a chave da algema no bueiro. Eles foram embora e me deixaram ali, torrando no sol, com um monte de mordedores no prédio. A minha sorte foi que eles esqueceram a caixa de ferramentas. Eu puxei a caixa com os pés e então peguei uma serra. Primeiro eu tentei cortar as algemas e o cano, mas não deu certo. Então tirei meu cinto e o amarrei com força no braço, cortando minha mão fora — concluiu enquanto encarava o pedaço de ferro ao fim de seu braço, onde antigamente estava sua mão.

— Eu sinto muito... — comentei enquanto o encarava. Vendo pelo seu ponto de vista, talvez eu conseguisse entender tudo o que o levou a ser daquele jeito.

No fundo, Merle não era uma pessoa ruim, era apenas alguém que guardava rancor demais, afinal, quem não guardaria depois de tudo o que ele teve que enfrentar sozinho?

— Gata, eles me abandonaram lá feito um cachorro... Acredite, sou eu quem sente — suspirou pesadamente enquanto encarava o céu. — Todos julgam o Governador, mas foi ele quem me encontrou lá morrendo e me deu abrigo, fez de mim um cara importante.

— E depois te descartou! — falei entredentes, como se eu mesma pudesse presenciar sua dor.

— Ele foi um cretino filho da puta, mas é assim que as pessoas são boneca. Elas te usam e depois te descartam quando você não serve mais. Eu não acredito em ninguém que não tenha o mesmo sangue que o meu correndo nas veias — finalizou enquanto virava-se para encontrar minha expressão amargurada.

— Entendo — disse por fim, encarando o chão.

— Hey baixinha, você faz parte disso agora. Está com meu irmão e com um sobrinho meu aí dentro. Seu lugar é com a gente, com ninguém mais.

Por um momento, senti que suas palavras eram realmente sinceras. Mordi o lábio insegura, enquanto as palavras de Glenn ecoavam em minha cabeça. Seria mesmo assim? O quanto eles conheciam de Merle que fugia a minha percepção?

Ao menos pelo que sei, Daryl e ele sempre foram unidos, porém sozinhos, talvez o fato de ter um possível novo membro na família estivesse deixando as coisas um pouco confusas.

Por mais que todos dissessem o contrário, continuaria a buscar o que havia de bom em Merle. Não me custava tentar. Sabia que mesmo Daryl sendo seu irmão, ele não deixaria que me machucassem. Aliás, Daryl era uma pessoa difícil quando o conheci, segundo os outros, era o verdadeiro espelho de Merle. Consegui mudá-lo afinal, não é? Por que o mesmo não poderia acontecer com Merle?

Afinal de contas, eu não tinha muitas escolhas. Havia decidido partir com eles, e por mais difícil que fosse, teria que aprender a conviver apenas com os dois. Esperava que nesse pouco tempo eu pudesse tomar partido e decidir por mim mesma se Merle merecia mesmo a minha confiança.

Logo depois, Merle sentou-se ao meu lado, parecendo um pouco cansado, mesmo que não quisesse admitir.

Tentei escorar minha cabeça na árvore, fechando os olhos em seguida para dormir um pouco, mas parecia uma tarefa extremamente difícil conseguir ajeitar-me naquele tronco tão estreito.

Merle estreitou os olhos e franziu a testa enquanto me encarava, da mesma forma que Daryl fazia quando achava que eu estava insistindo estupidamente em uma coisa, então, sem a menor cerimônia, puxou minha cabeça para seu ombro deixando que eu recostasse-me ali.

Era um local confortável, por mais estranho que fosse. Senti minhas bochechas queimarem. Ele era o irmão de meu... namorado? Não, essa palavra era estranha... De qualquer forma, ele era o irmão do homem que eu amava e parecia um pouco errado estar tão próxima.

Senti-me boba por pensar aquelas coisas. Não havia nada demais... Fora o fato de insistirem que Merle era perigoso e violento. Naquele momento ele não parecia nenhuma daquelas coisas que teimavam em dizer, parecia apenas alguém preocupado com a família...

— Vai parar de se remexer e dormir de uma vez antes que desmaie gracinha? — questionou impaciente. — Eu não vou te agarrar ou coisa do gênero. Por mais que você seja bem gostosinha... — acabei rindo com seu comentário. — Não quero arrumar briga com o bichinha do meu irmão. Agora vê se dorme. Não quero ter que carregar uma garota desmaiada por aí.

Apenas fechei os olhos enquanto sorria, acatando sua ordem e rezando para que Daryl retornasse em breve.

Notas finais
Não sei porque, mas acho que a tia Tati vai adorar ;3 JSIOAJSJ