Still Alive [Hiatus]

19 Brompton Cocktail


Notas iniciais
Olá pessoinhas! Primeiramente, pra quem ficou boiando no título, a tia Bella explica: Brompton Cocktail não é algo que podemos traduzir ao pé da letra, mas no sentido mais puro e simples, é uma mistura pesada de analgésicos que são utilizados para aliviar a dor em pacientes com doenças terminais. Enfim, deixa elas perfeitamente anestesiadas. Elas não sentem absolutamente nada.
Não se assustem, meus pequenos gafanhotos! O título é apenas uma pequena metáfora para o estado totalmente inerte no qual a Sarah se encontra.
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Pois bem, queria dizer que minhas leitoras são pessoas extremamente más. Por que? Simplesmente porque eu 99% dos casos, mesmo sabendo que o Daryl é inocente, você querem vê-lo sofrendo! Só posso dizer que tem um lugar bem quentinho esperando vocês depois que morrerem, tá? u_u
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Vagando por aqui, como de costume, vi que eu tinha 14 recomendações, quando fui ver, descobri que era da Small Zombie. Cara, pra mim isso é muito mais do que apenas uma recomendação! Eu amo todas as minhas leitoras, igualmente, mas além de tudo, a Small Zombie, ou a MINHA NAY, é minha melhor amiga, minha marida, minha companheira de brisas, cara, eu amo muito ela e ela é tudo pra mim! Então, estou aqui chorando que nem uma frouxa porque a minha marida linda me deixou uma recomendação muito fofa *--* Dedico esse capítulo à ela.
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Dedico ele também à Evelyn - ou Eve, mas só eu posso chamar assim -, porque ela é uma ciumentinha! Não pode isso, ela sabe que tem um lugar lindo reservado em my heart, porque eu amo ela de montão! Sua bicha má, você também é tudo pra mim ♥
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Nesse capítulo o Daryl não vai aparecer, porque a Ratinha Roedora raptou ele e escondeu ele no buraco! Se querem ele de volta, reclamem à ela. u_u
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Vamos ao capítulo, depois dessas notas iniciais que tenho certeza que ninguém leu! u_u

— POV SARAH —

Minha vida estava uma perfeita porcaria.

Como eu pude me deixar levar tão facilmente? Eu fui uma perfeita idiota.

Fazia semanas desde aquela noite.

Hershel não me deixava sequer chegar perto do acampamento; Rick e Shane impediam Daryl de chegar perto de mim. Ótimo, eu estava me sentindo sufocada!

O que eles estavam pensando? Que se deixassem, eu sairia correndo até Daryl, o abraçaria, beijaria e tudo seria um perfeito conto de fadas, até ele me enganar novamente? Eles estavam errados. Eu não precisava daquela proteção toda, não era mais a garota bobinha que eles encontram naquela casa, assustada e com medo. Mudei muito nessas poucas semanas. Daryl levou toda a minha inocência embora, e junto com ela, grande parte da garota que um dia eu fui.

Nos primeiros dias, havia apenas dor, solidão e angustia. Logo esses sentimentos começaram a transformar-se em ódio, repulsa e nojo. Quando as coisas chegaram nessa etapa, as lágrimas extinguiram-se.

Eu já não conseguia mais olhar nos olhos das pessoas. Não conseguia sorrir. Não conseguia sequer ser sincera com alguém. E por que eu seria? Por qual motivo eu confiaria novamente?

Todos eles iriam me decepcionar um dia, afinal, aquele a quem entreguei a minha vida, simplesmente me usou, abusou, e jogou fora.

Por culpa dele eu nunca mais seria a mesma.

Eu nunca mais consegui brincar com as crianças e nem jogar pedrinhas no lago. A parte de mim que era doce, gentil e inocente foi embora. Daryl arrancou-a de mim no dia em que o vi com Andrea.

A única pessoa com a qual conseguia conversar era com Beth, e eventualmente, com Shane, nas aulas de tiro.

Minha vida era tão monótona agora... Vazia, eu diria. Executava todas as tarefas no modo automático: Acordava cedo, saía para treinar, voltava pra fazenda, tomava café, ajudava Beth nas tarefas, treinava tiro com Shane, voltava pra fazenda, tomava banho, dormia e começava tudo de novo.

Todo o dia era a mesma coisa. O que eu sentia? Nada. Eu não sentia nada. Era como se tudo dentro de mim estivesse adormecido. Eu estava anestesiada.

Estava cansada de lutar para sobreviver nesse mundo frio, errado, avesso e doente. Na verdade, eu nem estava mais lutando. Eu era impedida de realizar qualquer atividade fora das dependências da fazenda. Nem ir à cidade eu podia, o que tornava as coisas ainda piores, pois até o medo — o único sentimento que eu poderia sentir —, foi privado de mim.

Como se coisas pudessem se tornar ainda piores, ontem pela manhã, quando eu fui treinar, Daryl resolveu me seguir. Ele queria conversar.

Daryl só podia estar tirando onda com a minha cara! Eu entendia muito bem o jogo dele! Já estava cansada de brincar de princesa e príncipe encantando. Afinal, o meu “príncipe” se mostrou como um belo sapo.

Não sei como consegui ser tão superficial... Aquela não era eu. Tudo o que eu sentia era ódio e mais ódio. Eu tinha vontade de socá-lo por ter feito aquilo tudo comigo!

Dou graças a Deus por ter presenciado aquela cena. Se eu não tivesse visto, talvez ele continuasse a me tocar com as mesmas mãos sujas que tocaram aquela vagabunda.

Sim, eu estava começando a odiá-la com cada parte do meu ser. No início havia tentado ser compreensiva com a forma como ela agia comigo. Agora, minha paciência também havia partido, junto com todos os sentimentos bons que um dia habitaram em mim e se foram, deixando apenas um grande buraco.

Vazia. Eu estava vazia, e essa era a verdade.

Confesso que as atitudes de Daryl estavam me deixando intrigada. Se ele havia arrumado uma nova diversão, por que ele não estava com ela, dando uns amassos por aí, só pra esfregar na minha cara como eu fui idiota? Não, ele preferia me torturar a cada dia mais, observando-me de longe com um olhar triste, como se eu realmente fizesse falta pra ele.

Não bastava me apunhalar pelas costas, ele também queria girar a faca em minha carne. Queria que doesse ainda mais. Que diabos ele estava tentando fazer?

Até ontem pela manhã eu ainda conseguia sentir ódio. Hoje eu já não sinto mais nada. Eu era apenas um corpo sem vida, como os walkers que vagavam lá fora. Era apenas uma carcaça vazia, suprindo minhas necessidades básicas.

Eu queria sentir de novo, qualquer coisa. Não me importava com o que! Queria me sentir viva, e que se fodesse o que estava acontecendo agora.

Tomaria uma atitude ainda hoje ou abandonaria tudo de vez. Não tinha porque continuar em frente. Até meus sonhos foram arrancados de mim!

Eu estava decidida.

Levantei-me da cama ainda mais cedo do que de costume. O sol sequer havia nascido.

Peguei minha faca, e invadi a cozinha pegando mais algumas que eram usadas para cortar carne. Elas estavam bem afiadas, afinal, ontem à noite eu fiz questão de prestar esse favor à Patrícia.

Vesti uma blusa confortável, uma jaqueta de couro, calça jeans e meus coturnos, que já estavam batidos.

Por fim coloquei uma cinta, encaixando todas as facas ali.

Ah! Hoje eu iria me divertir ou acabar com tudo de vez.

Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e saí, pegando o carro que estava mais afastado — eu sabia que a chave estaria na ignição, pois sempre estávamos preparados para uma fuga rápida —, tomando cuidado para não acordar ninguém.

Dei a partida e o motor roncou suavemente. Perfeito.

Eu já tinha destino certo. Iria àquele supermercado, onde eu senti medo de verdade pela primeira vez.

Dirigir me dava uma sensação incrível de liberdade, o que já era alguma coisa. Eu podia correr a vontade, essa era a vantagem do mundo de agora: Eu não bateria em nenhum outro carro no caminho. Não havia muitos motoristas por aí, se é que me entende.

Quando cheguei até a cidade, estacionei meu carro um pouco afastado e parti rumo ao supermercado.

A cidade estava vazia, o que era um saco, considerando o fato de que eu queria matar alguma coisa, e com certeza teria problemas se fosse Andrea. Precisava me contentar com o que tinha. Fazer o que?

Passei pela porta de entrada e fui direto até a sessão onde tudo o que aconteceu. O corpo ainda estava ali, estirado no chão. Ainda mais podre, se possível.

Dei um chute em sua cabeça.

— Você não parece tão faminto agora. O que foi amigo? Perdeu a cabeça? — ria compulsivamente de minhas piadas sem graça. Realmente, eu estava enlouquecendo de vez.

Chutei uma das prateleiras com toda a força que tinha, deixando que ela tombasse, fazendo um barulho ensurdecedor ao tocar o chão, quebrando todos os vidros de conserva que estavam nela. Aquilo foi divertido. Chutei também a prateleira que estava do outro lado.

Eu estava fazendo um tremendo barulho. Com certeza todos os walkers da cidade estariam vindo pra cá, o que era ótimo. Eu queria diversão ou a morte, por mais irônico que pudesse parecer.

— Hey, onde estão vocês? Tem um lanchinho aqui esperando, seus desgraçados! — gritei com toda a força que tinha, dando altas gargalhadas, enquanto sentia algo quente escorrer por meu rosto.

Estava perdendo a sanidade. Já não sabia mais se estava gargalhando ou soluçando.

Não demorou muito até que eles aparecessem. Eram cinco.

Que tédio, pensei comigo mesma. A adrenalina correu em minhas veias, e aquilo era maravilhoso! Céus! Eu estava sentindo alguma coisa pela primeira vez em semanas!

O walker que vinha mais a frente não tinha um pedaço da mão, e estava completamente em decomposição. Parte de seu rosto estava caindo. Sem perder tempo, arremesso minha faca precisamente entre seus olhos, e ele cai, dessa vez, morto de verdade.

Uau! Meus treinos realmente estavam ajudando.

Mais dois vieram, e corri em direção a eles, pegando duas facas de cozinha e cravando em seus crânios, respectivamente. Aquilo exigia um pouco de força e jeito, meus pulsos doíam, mas eu sequer me importava.

Chutei um, depois o outro, retirando minhas facas e derrubando-os no chão.

O quarto walker, tropeçou nos outros que estavam aos meus pés e caiu sobre eles. Sem pensar duas vezes pisei com toda a minha força na cabeça dele, cerca de quatro vezes, até que seu crânio se esmagasse completamente, deixando a mostra seu cérebro que se desmanchava, sujando a minha bota.

Dou uma limpada nela em sua roupa mesmo, e levanto o rosto pra verificar por que o quinto estava demorando tanto.

Ele estava com uma das pernas completamente detonada, com a maior parte dos ossos a mostra, e se arrastava lentamente, o que já estava começando a me irritar.

Caminhei lentamente até ele chutando-lhe o joelho, o que fez com que sua perna frágil se partisse ao meio. Ele caiu, tentando mastigar minha bota. Chutei sua cabeça e ela partiu facilmente.

Fui até a porta do supermercado apenas para checar, e não havia mais nenhum deles. É, acho que por hoje era isso.

Devia ser perto do meio dia, a julgar pela intensidade do sol.

Voltei ao interior do recinto e retirei minha faca que ainda estava cravada no crânio do primeiro deles que matei.

Limpei-a e a guardei em minha cinta, saindo para a cidade. Eu ainda não queria voltar pra casa. Eu queria mais! Era tão bom sentir alguma coisa novamente...

Caminhei calmamente pela cidade em busca de uma loja de armas. Nem de longe eu esperava encontrar munição ou armas de fogo, pois essas já deviam ter sido todas saqueadas quando o mundo virou essa podridão toda.

O que eu queria eram mais algumas facas, afinal, eu não poderia roubar as facas da cozinha toda vez que quisesse brincar. Quando cheguei à loja, havia apenas um zumbi vagando por ali. Derrubei-o com facilidade, apenas me dando o trabalho de chutar sua cabeça.

Não era tão difícil quanto eu pensava. Eles costumavam estar tão decompostos que seus ossos sequer eram tão duros quanto deveriam ser.

Facilmente achei aquilo que precisava. Era o paraíso! Havia pelo menos umas 10 facas iguais as minhas. Encontrei também um cinto apropriado para carrega-las.

Segui caminhando pela cidade, em busca de alguma diversão, que infelizmente eu não encontrei.

Já era fim de tarde, e toda aquela emoção que senti estava se esvaindo. O vazio estava voltando. Estava na hora de voltar para minha sepultura, afinal, eu estava morta por dentro mesmo.

Entrei no meu carro e dirigi como louca pelo caminho de volta. Os outros deviam estar preocupados comigo, ou talvez não, uma vez que eu tenho estado praticamente invisível para resto do grupo nesses últimos dias.

Estava fazendo uma curva fechada quando um walker praticamente se materializa à minha frente. Piso nos freios com força, tentando evitar a colisão, o que faz meu carro perder completamente o controle.

Ele capota várias vezes e por fim acaba em um barranco. Eu estava de ponta cabeça, e minha visão estava turva. Sinto algo quente escorrendo por minha cabeça, então levo a minha mão até ela, constatando que era sangue.

— Grande novidade! — comentei irônica. — Desde quanto eu aguento um mês sem me machucar?

Sempre havia sido assim... Desde quando eu era criança, vivia com os joelhos e cotovelos ralados, dando um trabalho enorme para meus pais.

Meus pais... Seria muito melhor se tudo acabasse aqui e agora. Sem sofrimento, sem vazio, sem ter que ser devorada por uma daquelas coisas.

Fechei os olhos e sorri.

— Estou indo pra vocês agora, mamãe e papai — conformei-me com o fato e permiti à meus olhos se fecharem. Assim, a escuridão tomou-me de vez.

***

Out of time...

Fora do Tempo...

Doc, I'm dying, I'm feeling compromised and so dehumanized

Doutor, eu estou morrendo, estou me sentindo comprometido e tão desumanizado

I lost my final fight to disease, I feel that this is where it ends

Eu perdi a minha última batalha para esta doença e sinto que é aqui que isso acaba

I need that shot to enter my vein, my Brompton Cocktail blend

Eu preciso dessa dose em minha veia, minha combinação Brompton Cocktail

'Cause I can't feel my face, I won't struggle on in a world so cold, in a world so wrong

Por que eu não consigo sentir meu rosto, eu não lutarei mais em um mundo tão frio, em um mundo tão errado

I'm not running away, been fighting this so long

Eu não estou fugindo, eu tenho lutado contra isso há tanto tempo

Such a price that we pay, we gotta be so strong in a lie...

Esse é o preço que nós pagamos, nós precisamos ser tão fortes em uma mentira...

I'm tired, induced euphoria to help me move along

Eu estou cansado, introduza euforia para me ajudar a continuar

I wanna meet my Maker in peace, I want to feel alive again

Eu quero conhecer meu Criador em paz, eu quero me sentir vivo de novo

So put that smile back on my face and mix it strong my friend

Então coloque aquele sorriso de volta ao meu rosto e misture forte meu amigo

Avenged Sevenfold — Brompton Cocktail

Notas finais
Vocês estão gostando das minhas musiquinhas no fim? *-*
Não vou usá-las em todos, mas em alguns, acho que é necessário. Gosto de compartilhar minhas inspirações com vocês ♥