Still Alive [Hiatus]

44 Bitter Past of Dixon's


Notas iniciais
Andressa, Looh Lautner, Laysa, nataliasilveira, Foxface, MelissaMalfoy, Ana Beatriz Stark Everdeen, Juuh Souza :
OBRIGADA POR ME FAZEREM CONTINUAR!
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Não, não estou fazendo pouco caso de todas as outras que comentaram. De coração, agradeço à todas aquelas que gastaram o seu tempo apenas para dizer um "hey, estou aqui!". Agradeço à todas aquelas que saíram do anonimato e da "fantasmice" pelo bem da história. Carinhas novas e leitoras que se revelaram: Sejam bem vindas e sintam-se em casa. Deixem suas opiniões, agora vocês sabem que a tia Bella é uma pessoa legal, ou quase.
Por que um agradecimento especial às primeiras que citei? Simplesmente por elas estarem comigo DESDE O COMEÇO dessa minha jornada. Algumas até de antes de eu recomeçar, lá de janeiro, dia 20. Eu lembro. E cara, muitas delas tiveram a santa paciência de ler tudo de novo, e agora elas terão a recompensa: O tão esperado capítulo inédito.
Cara, eu quis desistir. Aquele aviso não foi uma coisa da boca pra fora, eu realmente pensei em EXCLUIR a fanfic, mas com as palavras de apoio de vocês, isso fez com que eu me sentisse maluca. Obrigada por tudo, obrigada por estarem aqui, e sério: Eu amo vocês ♥

— POV SARAH —

Acordei-me pela manhã e reparei que fortes raios de sol invadiam a prisão, adentrando pelas pequenas e escassas janelas de nosso bloco.

Espreguicei-me lentamente e percebi que Daryl já não estava mais ao meu lado. Devia ser tarde e eu sabia que ele era inquieto demais para passar tanto tempo na cama, ao contrário de mim, que a cada dia parecia mais cansada e indisposta.

Como de costume, senti o terrível enjoo matinal que me acometia todos os dias durante os últimos meses. Antes mesmo que pudesse perceber, já havia corrido até a pia e vomitado apenas a bílis. Com todas as coisas acontecendo tão depressa, geralmente esquecia de alimentar-me e tinha certeza que isso não se aplicava apenas a mim.

Abri a torneira e deixei que a água levasse embora todo aquele líquido amarelo, abaixando-me para pegar minha escova de dentes.

Escovei-me e lavei meu rosto, dando um jeito em meu cabelo logo em seguida.

— Bom dia! — observei Carol aproximar-se pelo reflexo no espelho.

— Bom dia! — cumprimentei e ela sorriu.

— Você está péssima... — comentou enquanto entregava-me uma toalha de rosto.

— Eu sei... Os últimos dias tem sido os piores — enxuguei meu rosto, sentando-me novamente na cama da cela.

— Sabe, quando fiquei grávida de Sophia passei quatro meses assim — sorriu encarando a parede, provavelmente recordando-se daquela época. — Até o cheiro de comida revirava meu estômago. Foi horrível... Então essa fase passou e voltei a comer exageradamente, como se precisasse me alimentar por dois! Ed debochava de mim o tempo todo, dizendo que eu só podia estar grávida de gêmeos para ter engordado tanto — sua voz soou um pouco amargurada ao citar o nome do marido. — Mas então nasceu Sophia... Ela passou a ser a alegria dos meus dias. Apesar de odiar Ed por usar-me e olhar para a própria filha com intenções sujas, jamais me arrependerei de ter engravidado. Se não fosse por ela, imagino que não teria forças para continuar.

— Sinto muito por tudo o que aconteceu, Carol — disse-lhe sinceramente, passando a mão por suas costas, confortando-a.

— Não sinta querida — falou-me, voltando a sorrir. — Como dizem: Há males que vem para bem. Minha mãe sempre me avisou sobre a má índole de Ed, mas eu jamais a escutei. Somos tão tentadas a contrariar os conselhos de nossos pais... No começo éramos felizes, mas com o passar do tempo ele foi revelando sua verdadeira face. Bem, eu não devia estar te contando tudo isso... — concluiu enxugando uma lágrima, um pouco constrangida.

— Está tudo bem — abracei-a, encostando meu rosto em seu ombro. — Não sou a pessoa mais experiente do mundo, tampouco boa conselheira, mas sou boa em ouvir. Fico feliz que não se arrependa de ter engravidado de Sophia. Por muito tempo ela foi como um raio de luz para mim. A irmã mais nova que não tive.

— Obrigada novamente, Sarah. Por tudo. Principalmente por ter se arriscado para trazer a minha pequena de volta para casa.

— Eu faria tudo novamente, pode ter certeza.

— Ainda irei lhe agradecer à altura. Sempre que precisar, por menor que seja o pedido, não hesite em me chamar. Ajudarei no que for preciso para que sua gravidez seja tranquila e para que você tenha a alegria de ver seu filho crescer.

— Que assim seja! — sorri enquanto afastava-me para encará-la.

— Então, você não quer saber onde Daryl está? — questionou-me cuidadosa. Provavelmente havia notado o clima tenso que pairava sobre nós.

— Ah... É claro — respondi mexendo nervosamente em meu cabelo.

— Ele está lá fora com Rick e Michonne. Estão tentando consertar o portão.

Apenas acenei brevemente com a cabeça, encarando meus pés.

— Sei que não devia me meter, mas está tudo bem entre vocês?

— De certa forma... — respondi virando-me em sua direção. — Hershel havia dito que se não curasse minha infecção logo, eu poderia ter um aborto espontâneo, já que estou apenas nos primeiros meses de gestação. Daryl apenas disse que seria melhor assim — encolhi-me ao lembrar suas palavras afiadas como lâminas.

— Oh meu Deus! — seus olhos arregalaram-se um pouco, devido à surpresa. — Sei que Daryl é o tipo de cara durão, e que não costuma se importar muito com as pessoas, mas todos aqui podem ver que ele daria a própria vida por você... Não consigo entender o que o levou a dizer isso.

— Ele me explicou que não podia me perder, é só que... Céus! Se acontecesse comigo o que houve com Lori, eu gostaria que ele fosse presente, o contrário do que Rick vem sendo. Não queria que ele enlouquecesse ou sabe-se lá o que mais... — sussurrei angustiada.

— Vai dar tudo certo, Sarah. Dê-lhe um tempo. Garanto que para ele está sendo tão ou mais difícil do que para você. Daryl não nasceu para ser um pai de família, ou sequer um “marido”. Sua criação foi muito diferente, ele terá que aprender tudo isso. Tenha calma —comentou calmamente, segurando minha mão. — Agora vamos mudar de assunto. Já sabe com quantos meses está?

— Dois... ou talvez três. Aconteceu basicamente na época em que nos instalamos na prisão, já que antes disso Daryl e eu não... Você sabe... — cochichei sentindo minhas bochechas arderem.

— Eu sei... — ela disse, segurando o riso. — E já tem algum palpite sobre o sexo?

— Ainda é muito cedo, mas de qualquer forma, será muito amado... — suspirei enquanto acariciava meu ventre que possuía apenas uma suave elevação. — Mal posso esperar para vê-lo correndo por aí...

Do jeito que as coisas estavam, eu tinha medo, muito medo de que isso jamais chegasse a acontecer. O fato de já termos um bebê no grupo complicava muito as coisas, ter dois, seria quase insustentável, porém, eu não tinha a mínima intenção de desistir de meu bebê.

— Seja paciente. Ele terá uma amiguinha praticamente de sua idade. Tenho certeza de que Sophia irá adorar ter mais um bebê por aqui. Bem, agora vamos descer. Você precisa se alimentar. O café não foi grande coisa, mas é o melhor que temos.

Acompanhei Carol até a parte de baixo do bloco e tomamos café juntas, apesar de perceber que Beth já preparava o almoço, mesmo dividida entre dar mamadeira à Judith e mexer as panelas.

— Bom dia! Ou... Boa tarde! Na verdade eu não sei direito... — Beth cumprimentou-me alegremente.

— Você não se cansa de ficar o dia todo com ela os braços? — sorri enquanto sentava-me em uma mesa próxima a elas.

— É como se ela fosse minha — deu de ombros, distraída. Em questão de segundos suas bochechas tingiram-se de vermelho. — Bem... não nesse sentindo e...

— Eu entendi... — disse enquanto caía na gargalhada. Beth era tão inocente, incapaz de dar-se conta do que acabara de dizer.

— Como você está? — questionou desviando rapidamente do assunto.

— Estou bem, mas o bebê tem feito um grande estrago aqui dentro... Nesse ponto invejo um pouco a gravidez de Lori, ela não teve um enjoo sequer... — comentei encarando o chão, tristonha.

— Logo eles passarão — falou Carol, aparecendo novamente, desta vez com uma cartela de antibióticos em mãos. ­— Você precisa tomar seus remédios. Lembra do que Hershel disse, não é?

Acenei com a cabeça, engolindo em seco.

Carol era muito bondosa comigo. Talvez um pouco se devesse à dívida que ela imaginava existir entre nós pelo fato de ter trazido Sophia de volta.

Tomei os três comprimidos enormes de uma vez só.

— Onde está Merle? — questionei curiosa. Estava um pouco chateada com o fato de o terem trancafiado em uma cela qualquer, contudo, eu sabia que se não fosse assim, não permitiriam que ele permanecesse conosco.

— No local onde deveria estar — respondeu Carol, um pouco amargurada.

— Algum problema? — indaguei fitando-a.

— Seja prudente, Sarah. Daryl é da família dele, você não. Para Merle, o sangue deles é a única coisa que realmente importa... —suspirei cansada. Quantas vezes eu teria de ouvir a mesma frase?

Merle era totalmente diferente comigo, e eu realmente não conseguia entender o porquê. Queria que ele se esforçasse apenas um pouquinho mais para que os outros pudessem ver o quanto ele havia mudado, porém, talvez fosse pedir demais.

— Eu sei que você o vê de uma forma diferente querida, mas desde que ele foi embora, Daryl passou a ser uma pessoa melhor. Nada me tira da cabeça que Merle pode trazer de volta tudo o que há de mau em Daryl... — comentou enquanto mexia na tampa de uma panela, com o pensamento distante.

— Talvez as pessoas possam mudar para melhor — comentei aborrecida, pegando um pedaço de pão e uma xícara de café, dirigindo-me a passos largos em direção à cela de Merle.

— Carl, pode abrir a cela de Merle para mim? Quero levar um pouco de comida a ele — pedi ao pequeno que me obedeceu prontamente, abrindo a cela e nos deixando a sós logo em seguida.

— Olá gracinha! — saudou-me sorrindo ironicamente. Bem, talvez não fosse deboche ou sarcasmo. Com o tempo, passei a perceber que era um tanto simpático da parte dele falar daquela forma, ao menos comigo.

— Boa tarde — sorri sentando-me na beirada da cama e entregando-lhe a comida. — Trouxe algo para você e resolvi lhe fazer companhia.

— Brigou com meu irmãozinho, hm? — questionou erguendo uma sobrancelha, enquanto dava uma grande mordida no pão.

— Na verdade não.

— Então por que está aqui? — inquiriu, estreitando os olhos.

— Nosso posso querer falar com meu cunhadinho? — comentei sarcástica, utilizando o mesmo tom que ele costumava usar.

— Desembucha morena — revirou os olhos, largando a xícara no chão. Logo virou de lado e passou o braço sobre meus ombros. — No que o Merle aqui pode ajudar? Cansou da bichinha do meu irmão e está procurando um homem de verdade? — riu escandalosamente.

— Cala a boca, Merle — juntei-me a ele e sorri, empurrando-o para longe.

— Por isso que gosto de você! Aprenda mais alguns palavrões e logo poderei te chamar de Dixon! — gargalhou, escorando suas costas na parede.

— Eu queria fazer algumas perguntas... — informei enquanto cruzava as mãos sobre minhas pernas, um pouco nervosa.

— O que você quer saber? — indagou sério.

— Sobre o que exatamente foi a conversa de vocês depois de salvarmos aquelas pessoas na estrada? O que são aquelas cicatrizes nas costas de Daryl? — soltei em um fôlego só, encarando a parede.

— Foi mal, boneca. Acho melhor não falarmos sobre isso — notei que ele remexeu-se ao meu lado. Talvez fosse mais sério do que eu podia imaginar.

Acenei lentamente com a cabeça, conformando-me. Eu realmente não queria perguntar àquilo a Daryl, não no momento em que nos encontrávamos.

— Meu irmãozinho nunca te contou? — perguntou depois de alguns minutos, colocando as mãos atrás da cabeça e suspirando profundamente.

— Não... Ele não costuma me falar sobre o passado — respondi sinceramente.

­— Nossa infância nunca foi cor-de-rosa, gata. Meu pai era um bêbado que se esfregava em qualquer vagabunda em que pudesse por as mãos. Minha mãe não era muito diferente, mas pelo menos não era violenta. De certa forma, ela era até carinhosa, por assim dizer — fez uma longa pausa, talvez escolhendo as melhores palavras. Ajeitei-me melhor para poder encará-lo. — Meu pai sempre batia em mim e em Daryl, mesmo sem ter nenhum motivo aparente. Com Daryl era pior... Ele era mais novo e não revidava. Nunca apanhei quieto, e posso dizer que tudo que sei eu aprendi em casa. Já fui preso mais vezes do que posso contar, mas Daryl não. Ele sempre foi o bom garoto. Eu cresci, e quando a coisa realmente ficou feia, resolvi me mandar, mas não o levei comigo. Talvez eu tenha sido um pouco covarde — admitiu com dificuldade. — Não pense que nunca me importei, afinal, quando essa merda toda começou, eu o encontrei. Ele aprendeu a ser durão comigo! — sorriu encarando o teto. — Mesmo que às vezes ele ainda aja como um frouxo.

— Então aquelas cicatrizes foram feitas pelo pai de vocês? — indaguei desconfortável.

— Não foi privilégio exclusivo dele, gracinha — comentou enquanto virava-se de costas e levantava um pouco sua camisa. Percebi que também havia algumas cicatrizes em suas costas, não tão profundas e nem tão abundantes quanto as de Daryl, mas ainda assim elas estavam ali.

— Eu sinto muito... — murmurei abraçando-o impulsivamente. De certa forma, era como se ele fossa da minha família. Suas dores se faziam minhas também, assim como as de Daryl.

— Não sinta — respondeu enquanto bagunçava meus cabelos. — Se não fosse por tudo isso, talvez não tivéssemos peito pra encarar o mundo agora.

— Sarah... — Daryl chamou-me baixinho e virei para encontrar seus olhos. Ele estava de pé, escorado na cela. Há quanto tempo ele estava ali?

— Daryl, eu... — comecei a explicar-me, mas logo fui interrompida.

— Eu não queria que você soubesse das coisas dessa forma — bradou amargurado, socando a parede, e então se distanciou a passos largos.

— Merle... — comecei novamente, contudo, ele não deixou que eu terminasse.

— Vai lá. Acho que vocês precisam resolver essas coisas.

Acenei rapidamente com a cabeça e chamei por Carl, que prontamente abriu a cela para mim.

Subi as escadas apressadamente e encontrei-o em uma das celas do nível superior. Ele estava sentado no chão e rabiscava alguns padrões abstratos com sua faca.

Sentei-me ao seu lado e passamos alguns minutos em total silêncio, até que ele abandonou sua faca e aproximou-se, encostando sua face em meu ombro, parecendo esgotado. Daryl estava mostrando-se muito vulnerável ultimamente, e eu não sabia dizer se isso era relacionado à minha gravidez ou ao retorno de Merle.

— Por que nunca me contou nada disso? — murmurei, fechando os olhos.

— Eu não queria que você soubesse dessas coisas. Não me orgulho de meu passado e nem de ter sido tão fraco.

— Você não foi fraco, Daryl. Você apenas não teve escolha — concluí, passando minha mão levemente por seus cabelos claros.

— Aquele homem era o demônio — disse entredentes, cerrando os punhos. — Nada era o suficiente para ele. Só sabia nos espancar, espancar minha mãe, encher a cara... Ele fez da nossa vida o inferno. Espero que ele tenha pagado seu preço agora.

Suspirei profundamente. Por quanto sofrimento mais eles teriam passado? Ele tinha todos os motivos do mundo para ser uma pessoa horrível, depois de tudo o que passou nas mãos daquele monstro, mas mesmo assim, mesmo demorando, ele havia se tornado uma pessoa melhor.

Levantei-me devagar e peguei sua mão, trazendo-o comigo. Conduzi-o até a cama e deitei-me sobre ele, recostando meu rosto em seu peito.

Prometi a mim mesma que seria mais compreensiva com suas atitudes. Eu o amava mais do que qualquer coisa no mundo, e agora, de fato podia compreender seus motivos.

Ele tocou meu rosto com suas mãos ásperas — que naquele momento me pareciam suaves e leves — e obrigou-me a encarar seus olhos azuis.

Em um momento apenas nos encarávamos, sem pronunciar nenhuma palavra; no outro, seus lábios encontraram-se com os meus e me perdi em seu gosto. Nossas línguas enroscavam-se calmamente, em perfeita sincronia, enquanto uma de suas mãos acariciava minhas costas, e a outra segurava firmemente em minha cintura.

Eu já não possuía noção do tempo, e o futuro não mais me assustava, por mais incerto que fosse. Eu o tinha ao meu lado, e acima de qualquer coisa, eu o amava. Isso já era o suficiente para continuar firme.

Notas finais
Grande né? *u* Pfvr, não deixem mais de comentar. Não deixem a tia Bella chorando. :c