Estando em um lugar como Hogwarts, é bastante comum dar de cara com coisas que confundiriam uma mente sem magia: escadas que se mexem, portas que não são portas, quadros que falam, pinturas que não são quadros, e sim, portas; até mesmo uma porta que convenientemente aparece do nada levando a pessoa ao destino que ela precisa. É por causa dessa peculiaridade que os alunos e professores dessa escola apelidaram a sala do corredor oeste do sétimo andar de “Sala Precisa” ou “Sala Vai e Vem”, embora tão poucos a tenham encontrado que acreditavam ser apenas mais um mito da escola.

— Certeza de que estamos no lugar certo, Lis?

— Sim, James. Tenho.

Qualquer um acharia suspeito encontrar aquela dupla perambulando pelos corredores quando todos os outros alunos se encontravam no Salão Principal, desfrutando do delicioso jantar. Os dois sabiam disso, então tinham sido o tão rápidos e furtivos quanto puderam.

— O segredo é pensar o que precisa e passar por ela três vezes.

E fazendo como disse, Lis andou de um lado para ou outro várias vezes, concentrada, e uma porta apareceu na parede antes vazia. A sala não tinha nenhuma janela, mas estava fresca e bem iluminada por velas que, como no Salão, flutuavam acima de suas cabeças. O ambiente era bem amplo, e algumas espadas e facas de diferentes tamanhos preencham as paredes. No meio, haviam quatro almofadas grandes, dispostas em um círculo, com um vazio no meio.

— Que lugar é esse?

— Uma sala que uso quando preciso de coisas não aprovadas pelo regulamento.

— Aquelas coisas são suas?!

— Não todas, só as facas e aquela espada — apontou para a única que era ornamentada e que parecia leve, mas bem afiada.

— E pra que tudo isso?

— Uma garota precisa manter a forma, não é?

— É, eu também, mas faço isso com corridas e flexões, não com... não brandindo uma espada ou sei há mais o que você faz nessa sala.

Com uma risada e um revirar de olhos, a garota tomou seu lugar nas almofadas e, após alguns segundos com os olhos fechados, uma bandeja carregada de pães e doces apareceu na sua frente. Empolgado e com fome, James começou a devorar a comida.

— Omo oce az icho? — perguntou, a boca cheia de um pão açucarado.

— É só saber como pedir. Você não é obrigado a realmente precisar de algo, é só pensar que precisa e a sala acredita. — como que pra provar isso, uma jarra de chocolate quente apareceu flutuando ao lado deles, ao mesmo tempo que xícaras surgiram em suas mãos.

Um sorriso que dizia "viu? É simples " decorou o rosto da menina e os dois comeram e conversaram para esperar o tempo passar. Era quase impossível para eles passarem mais que um minuto sem rir, ao passo que logo seus estômagos e bochechas ficavam doloridos e eles precisavam fazer uma pausa para respirar. E foi numa dessas pausas que James ficou encarando sua amiga por um tempo, sorrindo.

— O que foi? Tem algo sujo? — ela se olhou em uma das colheres.

— Não, não... — uma pausa — Lis, você lembra quando nos conhecemos?

Um sorriso de deleite se abriu antes responder — lembro sim, no meu segundo ano.

— Você jogou besouros em mim.

— E você me chamou de cobra... mas em seguida disse que seriamos muito amigos... Sempre me perguntei o porquê disso.

— É que... naquele dia... eu vi algo. Eu sabia que você era, sabe, uma marota, que estava aqui para se divertir ao máximo, como eu.

— E como o “senhor” sabia disso, posso saber?

— Algo que eu percebi desde pequeno é que pessoas como nós têm um brilho, digamos, perigoso, no olhar. Cresci vendo esse brilho no meu tio Jorge, no Teddy, nos gêmeos, também toda vez que olho no espelho. E... eu vi em você.

O silêncio que se seguiu após isso era incomodo e constrangedor. Murmurando algo sobre ter que ir ao banheiro, James deixou Lis arrumando as coisas e absorta em seus pensamentos. A menina nunca esperara qualquer demonstração de afeto do amigo e, em quatro anos, aquilo foi o mais próximo de uma conversa sentimental que tivera com ele. Por algum motivo desconhecido, aquele pequeno momento a trouxe um leve rubor às suas bochechas.

Quando tudo estava arrumada e em seu devido lugar, Lis começou a trançar seu cabelo para o lado, apenas para manter as mãos e mente ocupadas, enquanto James voltava, sentando na almofada na frente da dela.

— Acho que podemos chamar os meninos.
— Sim, claro.

Lis apanhou o pequeno comunicador no bolso e, com um gesto de varinha, anunciou que os amigos logo chegariam. Após uns dois minutos, a porta se abriu. Os quatro: Lis, James, Alvo e Escórpio sentaram-se em circulo, e a menina explicou tudo o que estivera fazendo aqueles dias.

— Recriar o mapa do zero levaria muito tempo, que não temos, mas podemos, de certa forma, destravar o original e modificá-lo para a Hogwarts atual. Por isso deveremos ser em quatro: cada um irá representar um Maroto original.

— Quem será quem — o Malfoy se adiantou — ou isso não tem importância?

— Tem toda importância, e eu passei a semana pensando nisso. Deve ser alguém com o mesmo espírito do original. Consegui corresponder nós quatro com os outros quatro: Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas.

— E o que está esperando para nos contar? — a sobrancelha do James subiu, acompanhando a pergunta.

— Bem, para começar, você, James, é o Pontas, não por ser seu avô, nem por seu nome ser o mesmo que o dele, mas porque foi sua ideia, e com isso, você representa o líder — James acenou, concordando, e ela prosseguiu — o Almofadinhas é o Escórpio, pois representa o que se diferenciou da família. Assim como Sirius fez, você tem uma conduta diferente dos seus antepassados.

— Mas eu sou da Sonserina.

— E é amigo dos Potter e o melhor do ano, competindo com a Rose. Acho que todos concordamos na minha escolha, estou certa?

Com os “uhum”, “com certeza”, dos Potter, Lis segurou o mapa e o encarou, passando os dedos nos nomes escritos.

— Rabicho sou eu. Meio intrusa, a única garota entre vocês, a única cuja família não faz parte da história principal, como os Potter, os Weasley e os Malfoy. E Aluado é o Alvo. O incompreendido. Mesmo que sua família te apoie, não vai entender suas escolhas, quem você é de verdade. Diferente dos outros. Todos concordam com as escolhas?

Os garotos ficaram parados, pensando. Talvez nunca chegassem àquela conclusão sozinhos, mas era, com certeza, a forma mais sensata de pensar. E acabaram concordando. Satisfeita, a garota prosseguiu:

— Essa é a parte mais fácil, destravar o mapa. Modificá-lo irá envolver encantamentos poderosos com relação a rastreamento e lembranças.

— Lembranças? — James estava confuso, não havia encontrado nada relacionado a isso em suas pesquisas.

— Sim, lembranças dos lugares de Hogwarts, das passagens, para preencher. Não precisaremos redesenhar tudo, o molde já está pronto, apenas precisamos preenchê-lo com informações novas. Mas precisaremos nos reunir com frequência para cuidar de certas poções e recolher as memórias, pois elas precisam ser detalhadas.

— Todos os dias, aqui, no mesmo horário — foi a vez do Potter mais jovem se pronunciar.

— De jeito nenhum, e os NOM’s?

— Calma, Scorp, são só alguns minutos, e não precisa vir todo mundo, dois de nós por vez basta. Não se preocupem que eu sempre darei instruções do que fazer, embora acredite que todos nós sejamos capazes de seguir receitas de poções corretamente. Por ora, estão dispensados.

***

A chegada do verão trazia dias ensolarados, mas também as temíveis provas de final de ano. Os Níveis Ordinários em Magia eram uma das provas mais importantes, que definiria o futuro dos estudantes de bruxaria, e era por isso que naquela manhã particularmente quente Lis e Alvo estavam sendo obrigados a escutar Escórpio planejando os horários de estudo deles. O trio estava debaixo de uma árvore, próximo ao lago, e Alvo estava, visivelmente entediado, trançando os cabelos de Lis, que se encontrava adormecida em seu colo.

— Claro que não podemos deixar de dar importância a História da Magia, podemos encaixar aqui...

— Podemos simplesmente ignorar História da Magia, nenhum de nós vai querer cursar isso mesmo, pra que passar?

A resposta que seria dada foi interrompida por um furacão de cabelos ruivos que desceu, gesticulando e falando energeticamente, em direção a ele.

— Alvo Severo Potter, realmente espero que você esteja estudando para essas provas, seus pais ficariam extremamente desgostosos se você fosse mal nas avaliações!

Os gritos acordaram a Snape, que sentou confusa para olhar a origem de tanta confusão. Rose Weasley. Lis estava acostumada aos olhares e comentários de desprezo vindos da menina desde o momento em que se conheceram, no trem para Hogwarts, no primeiro ano. A garota era uma cópia da avó, Molly Weasley, um tanto mais magra e alta, se a perguntassem sobre isso, mas o gênio era completamente da mãe Hermione, e a garota competia arduamente com o Escórpio pelo posto de melhor aluno da escola.

Apesar de tudo, tinha se tornado mais simpática no ano anterior, quando apenas eles lembraram de convidá-la para jantar no natal, embora ela quase não falasse com os dois primos desde que ficaram amigos de Lis e Escórpio.

— Olá Rose, olha que interessante, o Escórpio estava justamente falando das provas agora e sabe, me bateu uma ideia — a cada palavra, o rosto da Weasley se tornava ainda mais desconfiado. Lis pôs-se de pé e agarrou o pulso da outra menina — vocês dois — a arrastou para o Malfoy — poderiam planejar os horários de estudos juntos! E eu e Alvo vamos...

— Praticar — Alvo adiantou-se, em tom vitorioso — isso. Lis e eu iremos praticar alguns feitiços, sabe? Magia não é apenas teoria.

Os dois foram em passos rápidos e com risinhos para longe da outra dupla, que não viu outra opção a não ser sentar e discutir horários e matérias de estudo.

— Você é genial, não aguentava mais. Agora, para onde vamos, a não ser que você pretenda mesmo praticar — ambos riram.

— Acredito que o Hagrid não recebe nossa visita há muito tempo.

Assim, os dois se dirigiram à choupana na orla da Floresta Proibida em que guarda caça/professor morava. Bateram na porta três vezes e escutaram latidos energéticos antes que um homenzarrão abrisse a porta. Hagrid era duas vezes mais alto e cinco vezes mais largo que um homem normal e tinha um aspecto meio selvagem, aparentemente violento, mas foi com um sorriso amoroso e xícaras de chá que recebeu a dupla à sua porta.

— Entrem, entrem. Quanto tempo!

Os jovens sentaram-se nas cadeiras e Lis logo viu um Profeta Diário jogado na mesa. “Amiga do famoso Harry Potter concorre cargo de Ministra da Magia”. Interessada, a menina começa a ler a matéria em voz alta, chamando a atenção do amigo.

— Hermione Granger-Weasley, ex integrante do famoso trio de ouro foi anunciada como forte candidata para ser a próxima Ministra da Magia, cargo ocupado hoje por Kingsley Shacklebolt. As propostas dela em prol dos nascidos trouxas e de retirar as leis de proteção às famílias puro-sangue tem causado estardalhaço e divergências no conselho quanto à escolha efetiva dela para o cargo. Filha de pais trouxas, a própria Hermione se pronuncia: “Não é justo que várias de nossas leis sejam tão protecionistas com os bruxos com o chamado ‘sangue puro’, já que a grande maioria de nós tem sangue trouxa na árvore genealógica.”.

Quando Lis terminou de ler, Alvo não parecia tão surpreso, mas Hagrid tinha os olhos marejados e murmurava coisas como “que orgulho dessa menina”, “eu sabia, sabia que seria ministra”, o que arrancou risadas dos dois jovens que, além de rir, começaram a bater palmas e imitar comicamente a Hermione recebendo o título de Ministra. De súbito, Hagrid começou a olhar de Lis para Alvo, parecendo meio confuso.

— Vocês não eram três? Cadê o Malfoy?

Com um sorriso maldoso, Alvo disse que o garoto se encontrava, naquele momento, com a prima dele, Rose, estudando (o que foi posto entre aspas pelo Potter). O sorriso dele foi refletido pelos outros do lugar. Acontece que era de conhecimento geral que Escórpio tinha uma quedinha (ou um barranco, segundo Lis) pela Rose desde o segundo ano, e que não existia forma de que esse afeto fosse menos correspondido pela garota, que o olhava como se se tivesse dois olhos a mais sempre que ele a chamava para um passeio em Hogsmead, um chá da tarde, ou qualquer coisa que envolvesse os dois, juntos, fazendo qualquer coisa a não ser competindo para responder mais perguntas dos professores. Mas, no ano anterior, muita coisa mudou, e isso incluía as respostas dela, que passaram de um silêncio e um revirar de olhos arrogante para um “não, Escórpio” educado. E os dois estarem juntos, planejando estudos, era um avanço tão grande quanto viajar pra lua.

— Eu aposto — Hagrid disse enquanto distribuía seus famosos bolinhos de chocolate — que até o final do sexto ano esses dois estão juntos.

— Por que você acha isso? Eu não acho que o Escórpio seja capaz de conquistá-la tão rápido.

— Entenda, Lis, eu via discussões como as dos dois todos os dias aqui em minha cabana.

— Com quem?

— Com seus tio, Alvo, Rony e Hermione. E vejam agora, estão casados. Agora vão, eu tenho coisas para fazer e vocês deveriam estar estudando.

E ambos foram expulsos da cabana do Hagrid e voltaram, rindo, pro castelo.

— E agora, Lis? O que fazemos?

— Sabe — ela sorriu — ouvi dizer que o merengue de limão dos elfos domésticos é ótimo.

***

Finalmente as avaliações haviam acabado. Lis já sentia todo o peso de estudar e fazer as provas. Como Alvo, sabia que havia ido bem nas partes práticas, executando feitiços e poções perfeitas, mas já não tinha tanta certeza assim no que dizia a respeito das teóricas, embora Escórpio a tenha feito revisar essas partes mil e uma vezes.
Depois de transformar bichos em coisas, preparar uma poção calmante, executar mais de dez feitiços diferente e responder a centenas de perguntas, agora Lis e Alvo saíam da última prova teórica, de História da Magia, e tentavam ao máximo fugir do amigo, Malfoy, que sempre queria repassar as questões todo final de prova.

— Merlin! Finalmente acabou, não aguentava mais ter que aguentar o Escórpio me segurando até meia-noite na sala comunal para revisar a revolução dos Duendes ou as propriedades mágicas do chifre de Bicórnio.

— Ei, Rose fazia o mesmo comigo, será que os dois combinaram?

Rindo e com os passos apressados, quase perderam o estardalhaço na sala atrás deles. Risadas explodiram e foram ouvidos os gritos da Diretora McGonagall, que aparentemente estava aplicando os exames naquela sala. A dupla ficou sem entender o motivo de tanta bagunça, mas em questão de segundos eles simplesmente souberam, pois saiu da sala uma McGonagall vermelha de raiva e, para o riso deles, apenas com as roupas de baixo. Alvo assobiou, voltando a atenção da diretora para eles

— Vocês dois! — a dupla saltou, de susto, segurando uma risada que ameaçava explodir — vocês fizeram isso?

— Não, diretora — Alvo disse, meio rindo — mas bem que queria ter tido essa ideia. E a senhora tem um belo corpo para sua idade, qual o segredo?

Percebendo que ainda estava sem roupas, Minerva conjurou suas vestes, o rosto rubro de constrangimento.

— Não se preocupe, diretora — Lis tentava, em vão, parecer séria — logo, logo, os culpados aparecem. Senão, como levariam o crédito por ter deixado a Minerva McGonagall sem roupas?

Dito e feito. Horas depois, todos na escola sabiam que James, Lysander e Lorcan haviam feito aquilo com a diretora, perdendo trinta pontos cada um, o que não seria problema, já que as casas de Lorcan e James (Sonserina e Grifinória) estavam empatadas em primeiro lugar desde que a Sonserina havia ganhado a taça de Quadribol, e a de Lysander, Corvinal, já não tinha esperanças de vencer a competição das casas naquele ano. No entanto, aparentemente James não conseguia parar de rir da cena que eles causaram, levando a Minerva tirar mais dez pontos dele, a contra gosto, pois isso entregou a vitória à Sonserina, que não ganhava há três anos.

No jantar de despedida, o Salão Principal estava todo decorado de verde e prata, uma bandeira com a serpente ornamentando a frente, para desgosto da diretora, do Prof. Longbottom, de herbologia e de todos os alunos da Grifinória. O teto, enfeitiçado para imitar o céu do lado de fora, mostrava uma noite limpa, estrelada e sem lua.

Os jantares de recepção e despedida eram os que a menina Snape menos gostava, pois os alunos não se atreviam a sentar nas mesas de outras casas e, com isso, o grupo de amigos ficava completamente dividido: James e Alvo na Grifinória, Lysander na Corvinal, alguns colegas que eles mantinham contatos estratégicos na Lufa-lufa e ela, Escórpio e Lorcan na Sonserina.

— Aonde vai passar as férias de verão, Lis — perguntou Lorcan, que enchia seu prato com as delícias que enchiam a mesa, pela terceira vez.

— Não sei... Alvo me chamou para ficar na casa dele durante um tempo, por causa do casamento do Teddy, então devo passar umas duas semanas por lá. O resto, eu não sei. Meu pai, com certeza irá viajar a trabalho, e como fui à França ano passado e, principalmente após esse episódio do dragão, minhas opções são viajar com ele ou ficar na mansão Malfoy, onde serei vigiada de perto.

— E como andam as coisas com aquele projeto seu e do James?

— Ótimas, mas exigem materiais que só irei conseguir agora nas férias, então preciso de tempo, acho que ficar na casa dos Malfoy é o que mais vai me beneficiar nessas férias.

A conversa deles foi interrompida pelas sobremesas que apareceram em sua frente, que pronto foram devoradas pelos alunos. Embora fosse o jantar que Lis menos gostasse, ela se alegrou ao ver o bom humor do pai pela vitória da Sonserina, sabia que ele tentava ganhar de novo desde a última vez, quando ela estava no segundo ano, mas que nunca conseguiam, pois os alunos da casa tem uma tendência a aprontar na escola. E se sentiu melhor ainda ao saber que ela ajudou nessa vitória, fazendo vários pontos no jogo que durou horas contra a Grifinória, mas que no final, o apanhador da Sonserina conseguiu ultrapassar o James e apanhar o pomo, encerrando a partida com duzentos e dez pontos de vantagem para a Sonserina.

Terminado o jantar, todos os alunos voltaram para suas salas comuns, se preparando para o trem que os levaria para os seus entediantes, ou não, lares, no dia seguinte.