Stereo Hearts

4 The floor is everyone's best friend


POV PERCY

Sentei-me em um lugar qualquer no meio da sala ao mesmo tempo em que o sinal bateu. Eu estava brisando quando alguém levou um tombo do meu lado e, enquanto a maioria das pessoas presentes ria, eu me virei e o ajudei a pegar seus livros que haviam caído.

— Valeu cara – ele disse depois de eu tê-lo ajudado e enquanto sentava atrás de mim. Ele tinha a pele e os cabelos morenos e olhos castanhos bem marrons.

— Não foi nada, tente tomar mais cuidado da próxima vez – respondi, e depois percebi que eu tinha sido um pouco rude – Me chamo Perseu, mas pode me chamar de Percy. – Me apresentei

— Grover, e pode me chamar de... Grover – ele disse, eu sorri e percebi que já tinha ouvido esse nome em algum momento hoje, quando me lembrei foi como se uma luz estivesse sido acessa na minha cabeça.

— Hey cara, seu dormitório é o nº 204? – Perguntei a ele

— Sim... – ele respondeu meio confuso, vi que ele ainda não tinha entendido

— Então nós somos colegas de quarto – eu disse e ele sorriu

— Que bom que eu caí do seu lado então – Grover disse e eu lhe lancei um olhar confuso enquanto ele procurava algo dentro do bolso – É que você esteve no dormitório antes que eu e não pegou uma das chaves que estavam no criado mudo, então eu a peguei já que tinha que trancar a porta. – Ele me entregou a tal chave

— Valeu! – Foi a única coisa que eu tive tempo de dizer, pois uma mulher, que eu deduzi ser a professora, entrou na sala. A mulher pediu que a turma se silenciasse e se apresentou. Depois começou a falar sobre a matéria, sua forma de ensino e blá blá, como era de se esperar eu apaguei nessa hora.

Por eu estar praticamente voando em um universo paralelo, a aula passou rapidamente. Despedi-me de Grover com um “até logo” e fui em direção a meu armário, infelizmente me lembrando que teria que passar o resto do dia com Rachel no meu pé.

POV ANNABETH

Thalia e eu estávamos no fim da aula de Mitologia Grega e como nós já havíamos terminado o dever que o professor passou, podíamos ficar conversando.

— Ele parece ser uma babaca mesmo Lia – eu disse a ela assentindo com a cabeça – mas por outro lado, acho que você e o garoto que eu estou guiando vão se dar super bem, ele também é meio gótico e...

— TAMBÉM é meio gótico? – ela me interrompeu, dando destaque ao “também” – Eu não sou nem um pouco gótica!

— Que seja... – fingi desinteresse – Mas ele também gosta de rock e não é nem um pouco feio, se rolar uma química vou dizer a Silena para ser a cúpida de vocês dois – eu disse caçoando dela.

— Nem brinca Anne – ela disse rolando os olhos. Ficamos conversando sobre coisas banais e logo o sinal bateu, simbolizando a hora do almoço. Cada uma foi para um lado, atrás dos novatos pelo qual estávamos responsáveis.

Eu decidi que antes de ir até o Nico iria até meu armário guardar os livros que estava segurando, mas me arrependi assim que vi que Rachel estava ali junto com o tal Percy. A indecente, encostada no meu armário, praticamente falando sozinha e o moreno mexendo em algo dentro de seu suposto armário. Ele parecia estar ignorando Rachel.

Respirei fundo e me aproximei mais, será que eu sou azarada o suficiente para o armário dele,ser bem do lado do meu?

— Hey vaca-ruiva, será que poderia sair de perto do meu armário? – eu disse a Rachel, que respondeu com uma careta e desencostou de onde estava. Dei um sorrisinho cínico e abri meu armário, colocando meus livros dentro logo em seguida, ciente de que estava sendo observada por Percy. Fechei meu armário e me virei, determinada a sair dali sem dizer mais nenhuma palavra, mas fui impedida por Perseu que segurou meu braço, me obrigando a olhar pra ele.

— Você está indo buscar o Nico? – Perguntou ele, me encarando.

— Sim – eu respondi e puxei meu braço – Por quê?

— Vou com você – respondeu ele, fechando o armário logo em seguida.

— Como assim você vai com ela?! Eu sou sua guia, você deve ficar comigo Pers! – Rachel Vadia Dare se intrometeu dando chilique.

— Não me chama de Pers! – Percy disse com os dentes cerrados – Annabeth vai me levar até meu amigo e depois do almoço a gente se vê Rachel – Ele me puxou pela mão, me fazendo andar com passos largos pelo corredor, sem dar tempo de Rachel nos parar — Ainda bem que você me salvou de ficar com aquele pesadelo ruivo! – Ele disse depois de já estarmos distantes dela

— Então quer dizer que Rachel e toda sua nudez não te chamaram a atenção? – Eu disse e olhei para ele com um olhar brincalhão.

— Se ela pelo menos fosse legalzinha – ele disse dando de ombros. Eu apenas revirei os olhos e não disse mais nada, aproveitando a deixa ele emendou e me olhou sugestivamente — Até porque, eu prefiro as loiras – Senti meu rosto esquentando e provavelmente corei até os cabelos.

Não tive tempo de responder nada porque de onde estávamos eu já conseguia avistar o Nico encostado em seu armário com os fones de ouvido. Aproximamo-nos mais e eu já ia entrando em sua visão quando Percy me impediu e pediu para eu fazer silêncio.

O observei se aproximando mais e mais e, do nada, Percy tirou um dos fones do Nico e deu um grito em seu ouvido. Nico o olhou surpreso e depois de um segundo tudo o que eu consegui ver no corredor foi um Percy correndo a toda a velocidade e um Nico correndo atrás o mais rápido possível. Dei risada e só fui perceber depois de um tempinho que eles estavam indo para o lado errado.

— Hey! O refeitório é do outro lado! – Gritei o mais alto possível e depois de dois segundos vi os dois vindo na minha direção na mesma situação que estavam antes. Eles passaram de mim como um vulto, eu apenas dei de ombros e fui andando calmamente na mesma direção deles.

Cheguei onde Percy e Nico estavam esperando e me surpreendi ao encontrar os dois deitados e rindo como debilóides no chão. Eles se levantaram e eu fui até eles com minha confusão estampada no olhar, quer dizer, primeiro eles estão agindo como Tom e Jerry e depois já estão amiguinhos de novo?!

— Vocês estão... bem? – perguntei cautelosa, os dois apenas assentiram com sorrisos estampados no rosto. – E o que raios aconteceu aqui pra vocês estarem deitados no chão rindo que nem abestados?! Quer saber, esquece! Prefiro não saber. – Eles se entreolharam e riram novamente. Eu apenas revirei os olhos.

Depois disso, nós três seguimos ao refeitório, é claro que com eu guiando os dois bebezões sem noção. Finalmente chegamos à área com todo o movimento da escola, aquilo estava muito diferente do que eu estava acostumada, antigamente cada mesa era acomodada por, no máximo, cinco meninas, com algumas mesas vazias, além disso, todas as meninas conversavam civilizadamente com suas colegas de mesa, cada uma fazendo o mínimo de barulho possível. Neste exato momento, o refeitório estava um caos, as mesas estavam lotadas, e eram tantas conversas que era capaz de uma pessoa mal ouvir sua própria voz.

Puxei Nico e Percy para a fila do almoço, que estava pequena pelo fato de que a maioria dos alunos já haviam pegado sua comida. Com minha bandeja já em mãos, fui em direção a mesa em que eu e as meninas sempre nos sentamos, ciente de que estava sendo seguida por Percy e Nico.

Demorei um tempinho para conseguir chegar até lá, pois várias vezes eu tive que me espremer para conseguir passar em certos lugares. Então, depois de passar por muito aperto (risos), eu finalmente pude avistar minhas amigas na mesma mesa de sempre, a única diferença, é que junto delas também estavam alguns garotos, provavelmente o que cada uma estava guiando. Segui até lá, ainda com Percy e Nico atrás de mim.

— Até que em fim, Anne! Já estava começando a pensar que você tinha sido devorada por borboletas demoníacas. — disse ninguém a mais que Thalia e todos os olhares da mesa se voltaram a minha pessoa. Os ignorei.

— Você tem que parar de assistir filmes de ficção científica Lia – respondi no mesmo tom irônico brincalhão dela. – Agora, será que dá pra você sair daí para eu poder comer em paz?

— Não – ela disse simplesmente, eu já ia argumentar quando Silena disse se levantando:

— Aqui Anne, eu já terminei de comer mesmo

— Obrigada Si – disse enquanto me sentava — Pelo menos uma pessoa é educada aqui – Em um ato de infantilidade eu e Thalia mostramos a língua uma para a outra.

— Quem são esses dois, Anne? – Clarisse perguntou, apontando com o garfo Percy e Nico, da qual eu havia esquecido completamente a existência.

— Ah, esses são Nico, o garoto a qual é oficialmente minha responsabilidade, e o Percy, que estava pagando por todos os seus pecados sendo guiado por Rachel Vadia Dare. — Os dois acenaram com a cabeça.

— Hey, seus babacas! Nós ficamos procurando vocês que nem uns retardados e vocês aparecem com uma gata dessas?! – Um garoto loiro que estava sentado na minha frente disse para as duas criaturas atrás de mim.

POV LUKE

Estava almoçando tranquilamente com os caras e umas amigas da Clarisse, (incluindo a punk que queria me ver morto e a patricinha que guiou o Charles), quando, do nada Percy e Nico aparecem com uma loira super gostosa que disse estar acompanhando os dois. Não me segurei e disse:

— Hey, seus babacas! Nós ficamos procurando vocês que nem uns retardados e vocês aparecem com uma gata dessas?!

— Cala a boca Luke! – Percy disse irritadinho e veio se sentar do meu lado, fiquei sem entender qual era o problema.

Depois disso, Silena apresentou todos nós para a loira gostosa, que eu descobri que se chama Annabeth e o resto do almoço foi surpreendentemente normal. Todos nós ficamos conversando e se conhecendo como pessoas normais, a única coisa que me incomodou foi que, sempre que eu ia cantar a tal de Annabeth, o Percy interrompia e fazia alguma idiotice. Qual o problema dele?! Será que ele não notou que eu to querendo pegar aquela Deusa?! Ai ai, esses amigos da onça sempre querendo roubar nossas futuras peguetes.

Infelizmente, depois de não muito tempo o sinal bateu, como se estivesse dizendo: “Hora de voltar para as aulas entediantes e como bônus correr o risco de ser morto por sua guia”. Nada legal, mas nada que o gostosão aqui não possa resolver.

POV PIPER

Guiar Leo pela escola até que foi tranquilo, tirando as piadinhas sem graça que ele contava de cinco em cinco segundos, é claro. Seu colega de quarto seria Jason, já que eles se matricularam juntos no internato.

O tempo no começo do dia passou rapidamente e logo eu Leo estávamos a caminho do refeitório para o almoço. Ele ia cumprimentando todos que passavam por nós, como se conhecesse todas as pessoas do internato, e eu, tímida como sempre, tentei ao máximo fingir que não o conhecia. O que é meio difícil quando você está andando ao lado da pessoa.

Finalmente chegamos ao refeitório, olhei em volta e vi que o lugar estava surpreendentemente vazio, e eu só fui descobrir o porquê quando bati os olhos na fila do almoço, que estava totalmente gigante em comparação ao que eu estava acostumada. Naturalmente, eu teria deixado para pegar meu almoço depois que a fila diminuísse um pouco, mas, Leo me obrigou a pegar aquela fila enorme dizendo que estava “morrendo de fome”.

Entramos na fila e ficamos aguardando com bandeja em mãos a fila andar.

— Nenhuma de suas amigas está na fila para nos deixar passar na frente? – Leo perguntou enquanto se esticava em uma tentativa fracassada de reconhecer alguém.

— Não sei – respondi entediada. – Além disso, é contra as regras do internato furar fila

— Regras, regras e regras. É só isso que esse lugar tem?! – Leo perguntou com uma expressão engraçada. Não respondi nada.

Não demorou muito e nós já tínhamos pegado nossa comida, fui até a mesa que eu e as meninas sempre nos sentávamos e apenas Thalia, Clarisse e dois garotos estavam lá, provavelmente o que elas estavam guiando. Sentei-me dando um oi para todos e vi que Leo estava se sentando ao lado de Thalia, que olhou estranho para ele.

— Priminha linda do meu coração! – Leo disse com um sorriso imenso e esmagou Thalia em um abraço.

— Ai! Leo, me larga! – Disse Thalia empurrando-o para longe dela.

— Puxa, assim você fere meus sentimentos Thals — respondeu Leo fingindo estar magoado.

— Pode parando de me chamar assim Enrolado – ela disse revirando os olhos.

— Enrolado?! É o máximo que você pode fazer priminha? – Leo disse com um sorriso brincalhão. Thalia só fez rolar os olhos.

Logo depois Silena se juntou a nós com um garoto e todos na mesa fomos apresentados. Sem sinais de vida da Annabeth. Depois de um tempinho Jason apareceu e, depois de ter dado um longo e apertado abraço em Thalia, se sentou conosco.

Conversa vai, conversa vem, nada de Annabeth. Até que percebo uma garota se aproximar de onde nós estávamos sentados, ou melhor, se aproximar de Jason. Ela disse algo a ele e apontou para uma mesa. Jason pareceu perceber que todos nós estávamos olhando para eles e a apresentou:

— Pessoal, essa é Reyna, minha guia. – Disse ele e a tal da Reyna apenas acenou para nós com um sorriso amarelo.

— Você vem? – Perguntou a Jason

— Sim, pode ir na frente que eu já vou. – ele disse e ela foi em direção a mesa que tinha apontado poucos instantes antes.

— Pegador, no primeiro dia de aula já começa assim?! – disse Leo caçoando de Jason.

— Ela parece ser fria e arrogante, odeio pessoas assim – Thalia disse, o que fez eu, Clarisse, Silena, Leo e Jason a olhar interrogativamente.

— Quer dizer que você se odeia? – Clarisse perguntou confusa.

— Eu não sou fria e arrogante! – Exclamou Thalia – Eu sou mega simpática e calorosa.

— Aham, sei... – disse Silena.

— Tanto você — Jason disse apontando para Leo – Quanto você – agora apontando para Thalia – Estão errados. Ela apenas veio me chamar para conhecer as amigas dela.

— E depois, sem perceber, você está sendo levado para conhecer os pais. – Luke, o garoto que Clarisse estava guiando disse.

— Ta legal, vocês estão ficando paranoicos, mais tarde a gente se vê – Disse Jason, logo em seguida indo na mesma direção que a tal da Reyna tinha ido.

Segundos depois todos já estavam envolvidos em conversas agradáveis novamente, menos eu, que fiquei por um tempinho em choque olhando fixamente para onde Jason estava com aquela garota. Ela era bonita, muito mais bonita do que eu, além de ser mais alta, aparentar ser mais velha e usar roupas melhores. Soltei um longo suspiro e comecei a prestar atenção nas conversas paralelas da mesa.