Stay With Me
9 Capítulo 9 - Ataque vindo do céu
Gwen Stacy
— Que figura é essa. — ao meu lado, Eddie murmurou, passando a tirar fotos do idoso que sobrevoava acima de nós como uma ave.
Tive dificuldades para entender o que estava acontecendo quando ele começou a soltar risadas, apontando. Vi as pessoas se entreolharem confusas ao meu redor, e eu acabei por fazer o mesmo.
— Espera.. Cadê o Peter?
Mary Jane olhou pros lados.
— Mas ele estava aqui agora mesmo!
De repente, Eddie correu.
— Hey, aonde você vai?
— Parker foi tentar pegar o melhor ângulo mas ele não vai conseguir! — Eddie respondeu, sumindo na praça. Ele tinha me pedido desculpas há pouco e apesar de ter respondido aceitado na hora, eu ainda estava em dúvida. Ele ainda via tudo como uma competição idiota. Balancei a cabeça.
Olhei pra cima e subitamente, vi o idoso puxar bolinhas de seu cinto e arremessar no chão. Uma sensação fria se fez presente em meu estômago e subitamente-
Explosões.
— AI MEU DEUS! — Mary Jane gritou pondo as mãos na cabeça. Pânico se alastrando rápido na multidão. Nem mesmo as crianças estavam sendo poupadas. — Vamos sair daqui, Gwen!
— ISSO! SOFRAM COM A FÚRIA DO ABUTRE!
Bombas de gás se espalharam, queimando meus olhos e dificultando o caminho. Perdi a mão de Mary Jane enquanto corríamos e quando algo explodiu próximo a mim, tive que me apoiar em um poste. A eletricidade faiscando acima de mim.
Eletricidade...
Não, não! Não é outro momento para flashes, não agora!
Ouvi um choro na barraca caída ao meu lado e dei a volta, encontrando uma garotinha encolhida, chorando.
— Hey, pequenina! Oi! — Chamei em meio aos gritos desesperados. A menina olhou pra mim com os olhos cheios de lágrimas, ela não devia ter mais que cinco anos. — Vem com a tia, vem! Eu vou te tirar daqui.
— Eu quero a minha mãe. — Ela veio engatinhando até mim.
A abracei, a pegando nos braços.
— Meu nome é Gwen, qual o seu nome?
— Jolie.
— Certo, Jolie. Vamos achar sua mãe, 'tá?
Ela assentiu, e eu corri o mais rápido que pude. Trombei com algumas pessoas, que pareciam mais baratas tontas em meio a destruição. Caramba, até o palco tinha caído. Tudo isso e pra quê?!
Vi um vulto de cabelos ruivos a minha frente e gritei por Mary Jane.
— GWEN! — ela arregalou os olhos. — Gatinha, achei que você tinha morrido!
— Hoje não. — Respondi, arfante.
— Quem é essa?
— Ela se perdeu da mãe!
Mary Jane me ajudou, pegando ela de meus braços com um carinho que me surpreendeu.
— Vamos! É por aqui! — ela acenou com a cabeça e corremos.
Infelizmente, não alcancei muito longe. Outra explosão perto de nós e eu fui lançada ao chão, tropeçando em meus próprios pés. O gás queimou tantos meus olhos que lágrimas desceram sem controle, e a fumaça das explosões encontrou caminho em meus pulmões, me fazendo tossir.
Os gritos de Mary Jane sumiram junto com todos os outros e o silêncio prevaleceu de modo assustador.
Essa não foi a pior parte. A pior parte, foi quando eu levantei a cabeça e-
Botas verde musgo.
Arregalei ainda mais os meus olhos, me apoiando nos braços e olhando para cima lentamente... minhas suspeitas foram como um soco no estômago. Era o idoso maluco! O que se chamava Abutre. Parado a minha frente. Uma curiosidade quase cruel no modo que ele girou a cabeça para o lado, como um cachorrinho, um sorriso mal em seus lábios.
Me arrastei para trás, e ele deu passos em minha direção. Como um animal brincando com a presa. Meu coração disparou quando ele puxou de seu cinto uma espécie de canivete.
— Aaaah, uma bela canarinho para a minha coleção!
Ele ergueu o braço, e eu fechei as mãos em punho, pronta para o impacto. O que quer que ele fosse fazer, não iria conseguir sem dificuldades. Eu lutaria e-
Uma teia tirou o objeto de sua mão.
— E ai vovô? — Uma voz irônica me fez virar a cabeça para trás. — Se perdeu do ninho?
— Homem Aranha!
E eu podia jurar que não só eu estava paralisada, como também o vilão acima de mim (e com razão), e próprio herói.
O meu herói.
Peter Parker
Cheguei a tempo de ver a primeira bomba explodir. Meus primeiros impulsos foram de ir até o criminoso que atacava dessa vez e prá-lo, mas eu tinha que cuidar dos civis primeiro. Eles eram a prioridade.
E nesse caso, estava cheio de crianças ali.
Ouvi o passarinho idoso se intitular Abutre, gritando as maiores ofensas e história de origem para pessoas que não eram capaz de ouvir. Aaah, esses vilões! Resisti a vontade de rolar os olhos. O que me deixava interessado mesmo era o fato de que ele não tinha um objetivo, tudo que ele arremessava era incrivelmente aleatório. Sem um plano. Muito estranho.
Quando a maioria das pessoas já estavam seguras, a polícia já cercando a área com armas em mãos apontando para cima, me atentei a buscar pelo cara que causou tanto estrago. E qual a minha surpresa ao finalmente encontrá-lo com-
Não. Não. Não. Não. Não. Não. GWEN!
O que ela estava fazendo ali?!
Paralisei. Meus músculos ficaram tensos. Eu não posso deixa-la se machucar. Não posso. Não posso. Minha mente era o puro desespero de não's.
Por que ela não correu? Este era um bom momento pra ter corrido!
Mas ela era Gwen Stacy... Os problemas sempre acabavam nela.
— Vem cá, achei que estivesse procurando por mim, mas já que está ocupado, eu posso voltar outra hora!
— Você vai sofrer com a raiva do Abutre! — O 'Abutre' veio pra cima de mim e eu respirei aliviado ao ver que minha tática tinha dado certo.
Pelo visto ele não tinha só uma faca escondida, e passou a jogar todas que haviam em seu cinto contra mim. Caramba! Quantos apetrechos cabiam dentro daquele negócio?! Consegui desviar de todas, alçando uma com minha teia e a jogando de volta para ele. Por sorte, foi em uma parte desprotegida do braço, e o vi xingar, agarrando-se ao local.
Ele veio pra cima de mim novamente, voando bem próximo ao chão para pegar impulso. Me agarrei em seu pescoço, e nós giramos, eu fazendo força para arrastá-lo para baixo.
— Vá se ferrar, aracnídeo!
— Isso! — Comemorei. — Finalmente alguém acertou! Tem ideia de quantos me chamam de inseto? É frustrante!
Lutamos mais um pouco e ele conseguiu dar um chute em minhas costas, me fazendo cair de joelhos. O vi dar impulso e voar para o alto. O segui, tentando acertar alguma teia nele e sendo surpreendido com sua agilidade. Me perguntei como ele conseguia voar com asas tão pesadas. Não ia conseguir derrotá-lo se ele continuasse com aquela prótese mecânica.
Só mais um pouco e... Isso! Pulei em suas costas, tentando entender como aquele negócio funcionava. Não parecia funcionar a base de nenhum tipo de energia, muito menos gasolina, então como...?
Ele começou a girar, fazendo um zig zag entre os prédios, tentando me tirar de cima dele.
— ARANHA, VOCÊ ESTÁ ME CANSANDO!
— Sério? A idade não tem nada a ver com isso? Tem certeza?
Achei!
Tão simples e tão confuso.
Tinha um microchip implantado perto da gola de seu macacão. Ele interligava uma asa a outra, criando energia o suficiente para a prótese. Onde ele havia conseguido algo assim? Nem mesmo o Homem de Ferro tinha uma tecnologia assim.
Sem perder tempo, pus minha mão ali e puxei com força, jogando uma teia em um dos prédios e saindo de cima dele.
— ARGH! O que você fez???!!! — Ele gritava enquanto caia, se debatendo como uma galinha.
— Salvar ou não salvar... Eis a questão. — Coloquei a mão em meu queixo, analisando a situação.
Mas eu era o herói... Tinha que salvar, fazer o que?
Pulei e o segurei, impedindo o velho de ter uma parada brusca. O pus no chão e os policiais chegaram em seguida.
— Vocês sabem quem é ele?
— Não, sr. Homem Aranha. — Um policial disse. — Vamos tentar descobrir agora.
— Hey, não me chamem de sr. ainda! Não sou tão velho.
— Vai saber. — o policial deu de ombros, sorrindo.
Eu ri, batendo continência de modo relaxado.
— Até mais pessoal!
Narrador
Na calçada, Gwen conversava com sua preocupada mãe pelo telefone, garantindo que estava bem. O ataque havia sido transmitido ao vivo por alguma razão.
— Eu vou ter que desligar, o celular não é meu.
— Te vejo em casa querida. Te amo.
— Eu também. — Gwen suspirou, desligando. — Obrigada, Mary Jane.
— Que isso. Eu queria poder ligar pra minha mãe, mas tenho certeza que ela não estava assistindo! — a ruiva suspirou, sentando-se ao seu lado.
Depois de devolverem a garotinha para os pais, as duas foram atendidas pelos paramédicos rapidamente. Estavam bem, mesmo que suas aparências dissessem o contrário. Céus, Gwen mal podia esperar para chegar em casa e tomar um banho.
E pensar.
— Então, o Homem Aranha, ele te disse alguma coisa?
— Não... ele só apareceu e levou aquele cara pra longe. — Gwen disse, sentindo o estranho impulso de mudar de assunto. — Você viu o Peter?
— Só apareceu! — Mary Jane ironizou, sorrindo. — Você foi salva por ele! Salva pelo gato do Homem Aranha! Ai eu queria ser você!
— Mary Jane, para com isso. É sério. Eu podia ter morrido.
— Mas não morreu! E você sabe porque.
— Porque eu fui salva pelo Homem Aranha. — Gwen repetiu, rolando os olhos. Mary Jane riu, assentindo.
— Que sorte! Que sorte!
— É sério, cadê o Peter, hein!?
— Relaxa, gatinha. Ele já aparece. — Mary Jane passou a observar as unhas. — Droga, eu quebrei!
Gwen rolou os olhos novamente, procurando por Peter quando-
— Cheguei, meninas. — ele simplesmente se sentou entre as duas, surgindo do nada.
— Peter! — as duas exclamaram, Mary Jane se jogando em cima do rapaz, o sufocando em um abraço e dizendo: — Onde você se meteu?!
— É, você sumiu. — a loira adicionou, e ele a encarou, examinando seu rosto com cuidado. Gwen franziu o cenho.
— Tirando fotos. — Peter respondeu. — Você está bem?
— Sim, estamos! Onde estão as fotos? — Mary Jane jogou os cabelos pro lado.
— Oi?
— As fotos! Eu apareço em alguma delas? Eu quero ver!
— Eu.. err....
— E aí pessoal. — eles foram interrompidos por um Eddie sorridente. — Aposto que o Parker teve que excluí-las porque não ficaram boas, não é?
O herói se preparou para negar, sentindo a irritação crescer em seu peito, porém lembrou de como ia ser difícil arranjar uma desculpa.
— É. — Peter falou entre dentes.
— As minhas ficaram ótimas. — Eddie estufou o peito, convencido. — Eu fui pro alto de um prédio e tirei fotos perfeitas, principalmente quando o Aranha e o Abutre começaram a voar no ar, falando nisso...
Todos ficaram em silêncio observando Eddie se vangloriar, suas expressões tediosas não sendo percebidas pelo fotógrafo.
Quando ele finalmente terminou, perguntou a Gwen em um tom mais baixo:
— Quer que eu te leve pra casa? Ou ainda... sabe... está irritada?
Sim, ela está! Peter pensou enciumado.
— Não, não estou.— Gwen respondeu, cansada. — Mas eu vou pra casa sozinha, obrigada. Tchau gente.
— Oh, tchau.
— A gente se vê.
— Tchau... Gwen. — Peter murmurou, observando ela se afastar do grupo. Droga, ele pensou consigo mesmo, ela quase morreu e eu tenho que fingir que nada aconteceu! O sentimento amargo em seu peito só crescia; arrependimento, culpa, amor não correspondido... sinto muito, Gwen.
— Vamos, lindinho? Por mais que eu queira aparecer na TV, eu com certeza não quero aparecer nesse estado! — Mary Jane se levantou, tirando a poeira do corpo.
— Eu acho que você continua linda. — Eddie elogiou, a olhando de cima a baixo. A ruiva soltou uma risada pelo nariz.
— Não acha que eu sou muita areia pro seu caminhão?
— Você ainda não viu o-
— É, cai fora Brock. — Peter se levantou, interrompendo o homem. — Vamos, MJ.
— Tchau. — ela acenou para o homem, felizmente acompanhando Peter quando ele começou a caminhar.
No caminho, fez de tudo para convencê-la que alguém tão egocêntrico como Brock não valia a pena. Ela agradeceu a preocupação, sem realmente ouvir. Peter suspirou, perguntando-se mentalmente se ela ouviria um conselho vindo do Homem Aranha. Qualé, Peter Parker também era importante, certo?
O táxi os deixaram na porta de casa, e ela se despediu com um aceno.
Peter entrou em casa dando de cara com uma tia May preocupada.
— Calma, eu sei! — ele se apressou em dizer. — Estamos bem, o Homem Aranha cuidou de tudo lá na Union-
— Peter, eu vi o noticiário querido! Estou feliz que não tenha se machucado!
— Então que cara é essa?
— Você ainda não sabe?!
Ele franziu o cenho.
— Sei do que?
Quando Gwen chegou em casa já era noite, seus pensamentos continuavam enrolados com os acontecimentos, mas ela se sentiu mais calma ao encontrar a família reunida na sala de estar. As pessoas que ela amava.
Tanto a TV ligada como a mesa da sala estavam ocupadas com noticiários.
— Quantos jornais. — ela brincou, logo sendo alvo de milhares de perguntas de seus irmãos.
— Quem é o novo vilão?!
— Você viu tudo mesmo?!
— Como o Homem Aranha prendeu ele?!
— Gente, foi uma confusão. — Gwen sorriu, omitindo coisas para não deixá-los agoniados. — O cara era louco.
— Imagina ter que trabalhar com um louco. — Howard disse, algo estranho em seu tom. A loira o encarou confusa. Sua mãe suspirou.
— Certo, os três, pra cozinha. Agora.
— Mãe! — seus irmãos reclamaram ao mesmo tempo.
— Cozinha.
Eles se afastaram e Gwen perguntou:
— Tá, o que tá acontecendo?
A mais velha puxou o jornal da mesa e a entregou. — Esse jornal é de amanhã. Já estavam vendendo quando eu sai há pouco do trabalho.
Já estavam vendendo?! Gwen se perguntou, confusa. O que poderia ser tão importante que não podia esperar pelo dia seguinte?!
E lá vinha a bomba... E em letras maiúsculas e enormes.
"EXTRA! HARRY OSBORN É SOLTO!"

Fale com o autor