Starting to find the lasting love.
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Quando Emma despertou do longo sono decorrente das medicações, viu sua mãe, seu pai e o filho ao pé da cama, no quarto do hospital. Diferente do CTI, Swan agora, repousava numa cama mais confortável e um quarto menos gelado. O ambiente mais clínico não fora visto por ela que despertara ao fim do dia seguinte ao ocorrido no porto. Seu estado era estável e não havia necessidade alguma de continuar no centro de terapia intensiva.
O sorriso emocionado de Mary Margaret, preencheu os olhos da filha, que na tentativa de responder, sentiu-se enfraquecida demais.
— Mãe? Pai? Henry? — disse com voz rouca e frágil.
— Estamos aqui, querida. — Mary andou até Emma e pegou na mão dela com ambas as suas. Ainda era possível ver o soro no suporte e o tubo preso ao braço da filha.
— Então eu não sonhei. Aquilo tudo aconteceu? — Emma questionou, engolindo seco em seguida, com lábios esbranquiçados.
— Aconteceu, e agora você está bem. — disse Mary compartilhando um sorriso, enquanto alisou o cabelo dourado do alto da cabeça de Emma.
— Pois é, filha. Não foi um sonho. — David disse.
— Estávamos aqui o tempo todo, mãe. É bom te ver melhor! — Henry também abriu um sorriso.
Apesar de fraca, Emma não deixou de caçar com os olhos a presença de mais alguém no recinto. Faltava Regina.
— Se eu não estava sonhando... Onde está a Regina? — ela perguntou tentando se sentar na cama, mas a dor no ombro ferido a impediu, fazendo-a tombar para trás.
— Emma, não! Fique deitada. — a mãe segurou a filha para que não saísse do lugar. Ajeitou o travesseiro atrás da cabeça da loira.
Henry e David se olharam. Pensaram juntos no que responder para Emma sobre Regina, mas nem um dos dois conseguiu encontrar um bom argumento para o sumiço da Prefeita.
Por sorte Whale apareceu no quarto, antes do segundo protesto da paciente.
— Ora, ora. Veja só quem acordou. Que surpresa vê-la melhor, Emma.
— Surpresa? Eu estava tão mal assim?
— Na verdade, você chegou bastante enfraquecida. Se não fosse o seu pai e a Regina, você estaria bem encrencada.
Swan em seu lugar franziu o cenho, piorando as olheiras que afundavam sua mirada.
— Eu só consigo me lembrar do porto. Hook atirou em mim, e depois eu já estava aqui, eu acho... Eu ouvi a voz da Regina, depois não senti mais nada.
David suspirou.
— Eu estava com você no colo, Emma.
— Disso eu também me lembro. — ela voltou a fitar Whale.
— Sim, e você não se lembra de mais nada porque passou por uma cirurgia. A bala que atiraram contra você já não está mais aí. Como eu disse, você teve sorte, perdeu sangue demais e seu pai precisou doar um pouco do dele. — o médico chegou perto para ter certeza de que Swan estava bem. Checou seu pulso, pressão e as pupilas com uma pequena lanterna clínica.
— Really? — Emma perguntou no habito de dizer aquilo, só que dessa vez menos enfática. Do jeito que falava parecia tão lenta quanto alguém grogue.
O pai fez que sim, mostrando um dos braços abrigar um pedaço de esparadrapo em seu meio.
— Além do seu pai, eu percebi o quanto a Regina estava preocupada. Você e ela até que formam uma bela dupla, sabia? Uma dupla um pouco inusitada, mas... Interessante. — Whale comentou inocentemente. Os três parentes de Emma se olharam e refletiram juntos. Era certo de que a notícia do relacionamento entre elas já estava na boca de todos. — Muito bem, eu vim checar se está tudo sob controle, mais tarde eu volto e antes disso eu mando uma enfermeira para trocar o soro e te aplicar os medicamentos para dor, seu ombro vai levar um tempo para ficar no lugar. Se sentir algum desconforto é só chamar no botão ao seu lado. Em vinte minutos traremos uma refeição, nesse tempo tente ficar como está, deitada, repousando. Nada de sair correndo pelo hospital como da outra vez. — ele lembrou.
— Espera, Whale... Onde está Regina? Ela ficou aqui antes?
— Eu a vi no CTI, quando você foi levada para lá. Pensei que ela estivesse aqui também nesse momento.
— Ah, Regina precisou resolver algo na prefeitura, talvez ela apareça mais tarde. — Mary tentou despistar o assunto.
Whale recolheu seu estetoscópio e lanterna para o bolso do jaleco.
— Certo. Espero que ela volte logo para a sua alegria, Emma. — o Doutor brincou sem intenção de ofender. Retirou-se depois de poucos segundos.
Um silêncio breve se fez entre os quatro e só foi quebrado quando Henry coçou a nuca.
— Posso saber onde é que a Regina foi? — Emma desconfiada quis saber. Ergueu uma sobrancelha, agitando-se na cama.
— Emma, descanse, você precisa de repouso... — Mary ajeitou o lençol azul de hospital em cima da filha que o afastou em seguida, rudemente.
— Não, mãe! Eu não vou descansar enquanto não souber o que foi que aconteceu. — ela insistiu.
David pigarreou, enquanto Henry de forma mais confortável decidiu falar.
— Não dá pra esconder nada de você mesmo, não é? — ele olhou a mãe com algum receio. — É que... A Regina saiu do hospital enquanto você ainda estava dormindo. Ela não quis ficar.
— Por que não?
— Ela não se sentiu muito bem.
Swan agitou-se mais um pouco com a fala de Henry, ele a enrolava para contar o que ouviu da Prefeita.
— Como não se sentiu muito bem? O que ela tem? Ela foi para algum quarto?
— Ela está bem! Só não quis ficar naquele momento. — o garoto ficou nervoso.
— Henry, fala! — Emma sentou-se para encarar o filho. — O que que você tá me escondendo? O que foi que ela fez?
Mary interveio:
— Emma, sossega! — disse, empurrando Swan para trás com cuidado, fazendo ela se deitar novamente. — Regina está bem, ela saiu porque já estávamos aqui. Agora trate de ficar aí, ela não vai à lugar algum, relaxe.
Aquilo foi quase uma bronca de sua mãe, mas a loira ainda desconfiava da hesitação de Henry. Olhou para garoto ao mesmo tempo que afundava a cabeça no travesseiro de seu leito. Ele sabia que se Emma foi capaz de ir atrás de Killian escondida, também seria capaz de ir atrás de Regina, mesmo debilitada como estava, no primeiro vacilo que sua família desse.
— Onde está o meu irmão? — a loira perguntou um pouco mais calma.
— Com Belle. Deixei com ela antes de virmos para cá. E não sairei daqui enquanto a senhora não melhorar, portanto dessa vez, nada de fugas.
Ela só conseguiu bufar insatisfeita.
Quando Emma dormiu, sob protesto, porém obrigada pelos efeitos dos anti-inflamatórios, Henry deixou seu avô e avó vigiando-a enquanto foi de encontro à Regina.
Dada as circunstâncias, não foi para a mansão. Encontrou a mulher no mausoléu da família Mills, onde com surpresa fora recebido pela Prefeita, tratando logo de contar o acontecimento do dia:
— Emma acordou. — disse ele, entrando no lugar pouco iluminado que era a cripta. Favorito recinto da Rainha por muitas vezes.
Com pedras a cobrir as paredes e pequenas tochas a ascenderem o caminho, eles chegaram até onde podia-se sentar e conversarem. Uma ala maior e decorada ao gosto da morena. Havia basicamente o essencial para Regina ali dentro.
Henry notou que a mãe já havia tomado boas quantidades de vinho antes de sua chegada.
— Que ótimo. — ela replicou com pouca emoção.
Sentou-se, numa confortável poltrona e encarou seu filho com total passividade nos olhos. Dessa vez sua pele estava ligeiramente corada, pelo veloz efeito do álcool.
— Perguntou de você. Lembrou de você.
Regina meneou a cabeça.
— É mesmo?
Henry fez que sim.
— Quando você vai vê-la?
A Rainha deu de ombros.
— Eu não vou.
— E por que não? Ela quase levantou da cama quando soube que você tinha ido embora do hospital.
Henry viu sua mãe apertar as mãos nos braços da poltrona e em seguida fechar os olhos.
— Eu já disse a você — suspirou Regina. — Emma não precisa de mim.
O garoto chegou mais perto. Pôs as mãos nos bolsos e observou bem a notável decepção no semblante da mãe. Ela demonstrou resistência, e era evidente que não desejava fazer aquilo naquele momento.
Ele tentou:
— Mãe, por que você faz isso com você? Por que você faz isso com a Emma?
Regina ergueu a cabeça e fitou o filho, séria.
— O que foi que você disse?
— Por que você se deixa enganar tão fácil?
— Não fui eu que me enganei, eu apenas vi uma coisa muito convincente naquele dia, Henry. Emma estava na cama com o pirata, o que eu iria pensar?
— Eu não estou falando do Hook, mamãe. Eu falo de você. Você está se enganando, outra vez.
Os lábios da Rainha estremeceram.
— É muito bonita a sua preocupação, meu amor, mas você me conhece e sabe como eu sou.
— Eu sei quem você é e sei que não é essa que eu estou vendo agora. Acho que você mesma não se conhece.
Ela passou as mãos na face como se estivesse limpando-a de impurezas.
— Isso não quer dizer que eu me engane, Henry. Isso quer dizer que eu sou fraca. Sempre foi assim.
— Sabe o que parece?
— Que eu não sei lidar comigo, lógico.
— Não. Tá parecendo que você descobriu que a Emma te ama loucamente. — Henry olhou bem para ela que deu um meio sorriso, sem fala. — Pode dizer, mãe. Você também ama a Emma. — ela desviou o olhar, visivelmente encabulada. — Eu tinha certeza.
— Diante de tantas coisas, depois de tantas coisas... Emma me mostrou um lado diferente disso tudo. Ela estava tão perto o tempo todo.
Henry sentou-se no assento ao lado dela.
— Então por que se afastar? Vocês se amam, é tão óbvio.
— Não é simples assim, Henry. Veja o que isso provocou. Emma quase morreu por minha culpa.
— E nem por isso ela vai te esquecer. Ela te ama muito.
Regina sofreu com as palavras do filho. Virou-se para ele e tomou ar, procurando argumentos.
— Eu acho que no fim das contas, isso não pode dar certo. Continuar pode ser ruim tanto para mim quanto para ela.
— Eu não entendo. Por que diz isso? Emma viu em você o que ninguém mais viu. Ela acreditou em você, lutou por você. Se você desistir por puro orgulho, vai magoá-la.
A voz dele era baixa naquele momento. Regina pensou, precisou concordar.
— O que deu em você? Eu pensava que era contra o que tínhamos.
— Eu não era contra o que tinham. Eu era contra ela te magoar. Eu achei que era uma desculpa pra aliviar a barra dela depois do houve com o Robin.
Regina tocou-lhe o rosto e sorriu sem esconder uma certa alegria.
— Agora é o contrário? Você tem medo que eu a magoe?
— Sim. — ele confessou. — Também penso em você, porque passou uma vida inteira perdendo. Errou muito por isso, mas mudou. E agora que você tem a chance de ser feliz, está jogando fora. — ele olhou bem para Regina e segurou suas mãos como o bom filho que era. — O passado se foi. Não desperdiça o amor, mãe. Ele é importante.
Regina tomou ar novamente.
— Às vezes eu acho que a Emma não devia ser minha, assim como Robin, nem eu dela. Me passa pela cabeça que ela poderia escolher alguém melhor, o Gancho, por exemplo. Pelo menos ele deve ter o coração menos manchado que o meu.
— O Killian vive atrás da Emma, mas ela não quer nada com ele. Você caiu no jogo dele, e queria te atormentar, caiu na armadilha, do jeito que ele queria. Ele não se contenta de ter perdido a Emma pra você. O Killian quer ela não por amor, ele quer só por um capricho de tomar ela de você.
A boca de Regina fez um trejeito amargo.
— Pode ser, Henry. Pode ser.
A rainha roçou os dedos na pele do filho enquanto pensava em se convencer das palavras do garoto. Nunca alguém havia decifrado tão bem seus sentimentos como ele. Era surpreendente saber que Henry queria tão bem às duas.
Um abraço apertado selou o encontro de mãe e filho naquela noite.
Logo pela manhã, tentando espairecer a mente repleta de dúvidas que ela mesma criou, Regina andava pelo parque de Storybrooke, nas cercanias do lago.
Parou em um ponto onde viu a brincadeira de um casal de gansos que nadavam em conjunto na água turva. E por alguma razão lembrou-se de um dia em que Emma e ela se pegaram gargalhando em alto som enquanto brincavam de provocar uma a outra com cócegas. Regina ganhou na brincadeira ao apelar para magia e fazer aparecer em sua mão uma rosa branca que deslizou sobre o rosto e corpo da namorada. Aquilo terminou entre carinhos e beijos, fazendo com que a recordação de Regina a deixasse num estado de transe total.
Deu-se conta de onde estava novamente quando ouviu um riso infantil familiar. Ela olhou para o outro lado do lago e na ponte viu, Robin, Marian e Roland. Caminhavam juntos como uma família perfeita.
Regina, onde estava, encheu seu peito de ar e fez uma pose, assegurando autoridade, mas não fechou a cara para o casal que se aproximava. Melhor. Ela abriu um sorriso humilde.
Quando atravessaram a ponte, Roland a viu, largando da mão dos pais e correu imediatamente na direção dela.
— Regina!!
O pequeno abriu seus braços e foi recebido pela Prefeita com o mesmo carinho.
Robin e Marian pararam para assistir a cena. Não sabiam o que pensar daquilo, especialmente Robin, que corou demais ao ver Regina Mills.
Fale com o autor