Notas iniciais
Bom, meus anjos, esse deu um trabalho para ficar pronto, essa semana foi agitada, mas está aí, eu espero que gostem. Boa Leitura!

O caminho que fez de volta para casa pareceu atípico pela forma desajustada que caminhava pelas ruas. Não por estar bêbada, cambaleava como se um choque tivesse atravessado seu corpo de norte à sul e demorava para recuperar o equilíbrio, Regina Mills, naquele momento sentiu falta de seu coração ali dentro dando-se conta do tremendo erro que cometeu ao tê-lo retirado de si, ela sentia mas não o sentimento completo e repleto que julgou ser magnífico, talvez nem com Daniel sentira o coração de alguém palpitar tão forte quanto foi com o de Emma. No abraço apertado junto do beijo inebriante os seios se encostaram e a parte que faltava em Regina foi sentida por ela em Emma, todavia, a Salvadora tinha um coração puro e ela um coração manchado de rancor e ódio. Se era possível remover aquela mancha de dentro não apenas do órgão, mas sim dela mesma, ela acreditou estar perto, e o seu único julgamento naquele instante era sobre a resposta dada a insistência de Swan. Os beijos, uma noite e agora seu abalo emocional, Regina estava quase entregue.

“Eu não acredito que esteja acontecendo.” Pensou ela, com uma inocência rara pesando sua cabeça. Regina Mills parou em uma calçada qualquer, fechou os olhos e tudo o que lhe veio à cabeça foi a carícia labial que sofrera. Seus dedos deslizaram lentos pelos lábios já descoloridos do batom que deixou pela boca da xerife, um suspiro tirou o ar gelado de dentro dela para que a lembrança aquecesse por dentro como se os braços de Swan pudessem abraça-la como fizeram. Não era um abraço másculo como o de Robin que adorava, era um abraço bruto, severo e dominante porém, repleto de um carinho e cheiro adorável que pertenciam à Emma. Pensou ela que a frase dita um dia pela loira fazia sentido de certa forma: “E se a salvadora salvasse a vilã?” Não era mais um fato repugnante, era pura realidade que já não conseguia esconder nem de si mesma, e entrou naquela delegacia esperando algo próximo para saber se iria resistir ou não.

Estava ali parada entretida no sonho de cenas de minutos atrás quando foi surpreendida por Belle:

— Regina?

A prefeita num primeiro momento não respondeu, virou-se diante da voz que chamou seu nome uma segunda vez.

— Belle...

— Algum problema? — perguntou a esposa de Rumpelstiltskin.

— Não! — Regina respondeu áspera.

— Wow! Desculpe, eu só estava perguntando...

Belle quase saltou para trás com a resposta da Rainha que a sua frente fechou a cara.

— Não é nada, nada que seja do seu interesse, queridinha.

A moça assentiu sem se precipitar demais com aquele comportamento da parte de Regina, ergueu as mãos pouca coisa como se fosse inocente.

— O.K... e você veio ver o Rumple?

— Rumple? O que tem ele?

— Você está parada na porta da loja dele, achei que precisasse de alguma coisa.

Regina olhou para o lado reconhecendo o estabelecimento, dando-se conta do quanto andou sem prestar a atenção ao seu redor.

— Oh, eu... sim, na verdade precisava falar com ele, mas não é nada urgente, podemos conversar qualquer outra hora, no gabinete.

— Mas você não vai entrar? — perguntou Belle.

— Não, eu acho melhor deixar para uma outra hora, até logo, senhora Gold, se assim posso chamá-la agora. — Regina acenou recolhendo a mão esquerda rapidamente para sair em passos pesados e apressados em seguida. Belle permaneceu parada onde estava e sua intuição disse-lhe que Regina havia sido tocada por algo que poderia ser tudo menos algo ruim.

Na noite que sucedeu-se, Emma deitada em sua cama improvisada no loft, recolheu os braços para trás da cabeça como se fosse o travesseiro apesar do mesmo encontrar-se ali logo em baixo dos punhos, a coberta que cobria o seu corpo até o abdômen parecia confortável demais, todos dormiam, pelo menos era o que o silêncio ambiente denunciava, Henry ressonava ao seu lado, provavelmente entretido em algum sonho com a floresta encantada. Ela não tinha sono, apenas caminhava nos devaneios da ausência que sentia de carinho e vontade de ser abraçada por alguém, certamente sentindo falta de uma Regina que ela queria muito ter por perto. Ocorria-lhe que a prefeita estava a poucos passos de compreender seus sentimentos, estava arduamente torcendo por isso.

Quando estavam juntas na sala de interrogatório soube que ela esteve lá para vê-la, não com o propósito de conversar sobre Henry, o que vinha se tornando desculpa para os embates que haviam ocorrido entre as duas, e Emma sentia que poderia demorar muito para convencê-la. “Se você soubesse o quanto eu preciso de você, Regina...” Pensou a salvadora, apertando os olhos fechados. Emma não dormiu aquela noite, querendo crer na entrega da morena as suas forças como ocorrido, e nas tantas incertezas ficou até o raiar do dia de olhos abertos.

Nada disse o café da manhã inteiro, Mary Margaret parecia ler a cabeça da filha e nada questionou, cutucando os homens da casa para não estorvarem Emma. Saiu muito depois dos três, em passos lentos pelo Granny’s e rua consequentemente. As mãos enfiadas no bolso da calça jeans e a cabeça tão longe quanto como foi em toda noite, parecia voltar nos dias em que se sucederam depois do retorno de Marian e todo o alvoroço em cima de Regina e o ocorrido.

Quando passou por um beco, sentiu sua jaqueta ser puxada na manga, literalmente tombando na direção do muro de tijolos, nos seus instintos de xerife girou jogando a perna no mesmo instante fazendo com que o indivíduo em sua cola fosse jogado contra a outra parede do beco, os olhos azuis e cheiro de rum mostraram bem quem era.

— Quanta brutalidade! — disse ele com o sotaque típico que possuía. Mostrou o gancho roçando-o nos cabeços que caíam-lhe a própria testa, tentava recuperar o ar.

— Você quase me mata de susto, o que quer? — Emma do outro lado encostou-se na parede para recuperar o fôlego que também perdeu.

— Não terminamos o que estávamos fazendo ontem, Swan. — ele andou até a loira com um sorriso faceiro.

— Não se atreva. — ela quase rosnava para ele. — Ou eu... — pegou a arma de xerife enfiada por dentro da jaqueta, apontou para ele segurando o revolver com as duas mãos. — ... ou eu atiro.

Hook foi rápido em erguer a mão e o gancho.

— Wowow, o que é isso, Swan?! Não pode estar falando sério, está? Qual o problema, me diga? Regina andou passando do mal humor dela para você? — ele tentou se aproximar pouca coisa mais.

— Parado, Hook! — ela quase gritou com ele, sacudindo a arma com as mãos para que ele obedecesse.

— Hey, hey, hey... vamos com calma, estou parado, veja, não me mexo.

Os braços erguidos do capitão gancho congelaram no alto como sua botina no chão.

— Não tente fazer nada.

— Eu não irei, eu prometo, mas você precisa abaixar isso aí, sei o estrago que isso faz.

— Certo. — disse ela abaixando o revolver, recolocando no lugar de onde fora tirado, a postura tornou-se mais relaxada, mas a cara ainda estava fechada para ele.

Ele baixou os braços, suspirando de alívio.

— Agora pode me dizer o que foi que aconteceu?

— Não interessa.

— Regina me expulsou daquela sala como se eu fosse um rato mal cheiroso, o que ela queria com você?

— Nada que você precise saber, Hook. É um assunto entre eu e ela.

— Pois para mim não parece.

— Eu avisei que nada mais seria como antes, você ainda não entendeu?

— Você quer me convencer a não procura-la mais? Isso se chama perder as esperanças, Swan, não me obrigue a fazer isso.

Emma revirou os olhos.

— Não me faça ter ódio de você, Killian.

— Você mudou desde quando trouxemos Marian. Eu pensei que você e Regina estivessem acertadas, o que ainda não conversaram para você ficar desse jeito?

— É uma coisa minha que você não vai gostar nada de saber.

— E eu posso saber se é por conta disso que você me ignora todas as vezes desde então?

Emma engoliu seco, desviou o olhar por algum tempo antes de responder:

— Sim, é.

Os olhos do capitão demonstraram desapontamento, ele deu dois passos para trás para afastar-se dela.

— Eu venderia meu coração à Regina só para saber o que você tem na sua cabeça. Se eu bem a conheço, você não vai perder as esperanças de muda-la.

— É, Hook... pode contar com isso. — ela mirou ele com seriedade, afirmando com a cabeça.

Agora foi a vez de Emma andar pelas calçadas de Storybrooke com a mente atormentada de lembranças. Quem passava por ela cumprimentava e não recebia resposta, a Salvadora encontrava-se no mesmo martírio da noite não dormida e na mesma surpresa que Regina descobriu ao sair da delegacia no dia anterior.

O Storybrooke Town Hall foi a parada feita pela loira, se iria encontrar Regina ali não sabia, mas precisava vê-la de alguma forma. Ambas tinham a consciência de que andavam se procurando e que a cada situação nova em que se colocavam ocorriam fatos que as colocavam em maior tensão sobre seus sentimentos. Baseando-se numa tentativa de cessar essa tensão Emma encarou o lugar tomada de aflição, demorou-se até encontrar o gabinete da prefeita que com a porta entreaberta chamou a loira a aparecer na sala.

Regina subiu os olhos, largando de se concentrar na penca de papéis em sua mesa, viu Emma aproximar-se muito receosa e travar ao cruzar o portal. De longe a prefeita não fez questão de mostrar sua postura incorrigível, mas observou Swan com precaução.

— Senhorita Swan, o que faz fora da delegacia? — perguntou a prefeita sem o tom exagerado na voz.

A loira sorriu sem jeito, fechando a porta atrás dela.

— Eu... eu nem sei como eu consegui entrar aqui desse jeito, sem bater e sem ser convidada...

— Se é sobre ontem eu não respondo por mim, você me obrigou...

— Não é apenas sobre isso que precisamos conversar.

— E o que temos a conversar?

Emma meneou a cabeça, era a figura da aflição.

— Regina... por favor, por favor, seja gentil pelo menos, delicada, não me faz sofrer mais do que eu já estou sofrendo.

— Por que eu deveria, Emma? Você também não acha que há coisa demais na minha cabeça?

— Não se faça de idiota.

Emma tomou fôlego, andou pela sala até chegar a mesa de Regina.

— Então é isso? Você veio me agredir? Dizer que eu sou idiota? E o que mais eu sou, você vai me dizer? — Regina fechou a cara.

— Por tudo o que há de mais sagrado, me ajuda! — Emma disse com voz chorosa, não deu tempo de segurar as primeiras lágrimas. — Me ajuda. Eu sinto que eu vou desabar a qualquer momento se você não me ajudar... — a loira balançava a cabeça enquanto fitava Regina que em seu lugar observou Emma com alguma pena. —... se você não me ouvir, se eu não puder segurar na sua mão, eu preciso que você acredite em mim. Eu sei muito bem o que você foi fazer na delegacia ontem, eu sei.

Regina manteve-se firme no olhar de Emma.

— E o que você acha que eu fui fazer na delegacia ontem?

— Você foi me ver, me procurar... assim como eu estou aqui agora, te procurando e isso só me faz pensar numa coisa, você sente, você também sente alguma coisa.

— Pode ser Emma, tanto faz. O que aconteceu pode te causar muitas impressões, mas de uma coisa eu tenho certeza, é muito difícil lembrar de você sem lembrar do que você fez.

— Isso quer dizer que... eu ainda sou algo ruim na sua vida? — ela procurou se recompor, sorriu novamente sem jeito. — Meu Deus, e os beijos? A noite de amor? Meu arrependimento... será que você só consegue se lembrar do que eu fiz de ruim?

— Às vezes uma única lembrança ruim mata uma centena de lembranças boas.

— Mas isso não é justo! Eu já te pedi perdão. Eu já te falei que jamais imaginei que eu estivesse te fazendo tão mal quando eu trouxe aquela mulher para cá.

— Você não pensou nas consequências. — a prefeita se levantou perturbada.

— Não! — Emma fez o mesmo.

— Pensou só em você, só em se tornar a heroína, achou que trazendo ela para cá iria ganhar a fama de salvadora mais uma vez! — a voz de Regina estava mais forte.

— Isso não é verdade! — Emma implorou. — Eu não pensei só em mim, eu mal a conhecia, você sabe muito bem disso, eu já me cansei de falar. Eu só fui entender o que eu tinha feito quando eu vi o seu rosto, como você ficou ao ver o Robin abraça-la, depois de tudo o que você me disse eu fiquei tão perdida que o meu desejo era sumir. E você foi fazendo uma falta tão grande que eu... eu me vi nisso, é como se eu tivesse passado a minha vida inteira esperando por você.

— Não me faça rir, até um mês atrás você e a sua mãe estavam torcendo para Zelena me matar!

— De onde você tirou isso?! Eu jamais desejei isso! — Emma fez que não sem conseguir acreditar em Regina. — Eu jamais quis o seu mal, jamais. Posso ter dito coisas que fizeram você entender assim mas não é a verdade. — ela parou para encarar Regina e pensar bem no que ia dizer. — Se é isso que você pensa ao meu respeito e nunca vai conseguir entender, tudo bem, e se é o Robin que você não consegue tirar da sua cabeça, melhor ainda, eu vou aceitar, por mais que eu sofra e sangre, eu sei perder, a minha vida toda eu perdi mais do que eu ganhei, é... eu tive mais derrotas do que vitórias, quem sabe um dia eu encontre alguém, ou até mesmo dê a chance que o Hook tanto espera de mim, de amá-lo e ser amada, alguém que se deixe amar, se você estiver bem assim, tudo bem, o que houve vai ficar no passado, pra que eu me lembre com um sorriso ou com uma lágrima... agora, se você entender que essa é a sua chance, se você tentar mais uma vez ser feliz, comigo, Regina, eu e você, aí sim... nós vamos escrever a história que nenhuma nessa cidade vai se comparar.

Regina olhava para Emma com os lados dos olhos tão vermelhos quanto, os lábios entre abertos tremilicavam, ela se aproximou da salvadora.

— Você acredita mesmo nisso?

A loira aspirou, e respondeu como se sentisse dor em dizer aquilo:

— Eu passei a acreditar no amor.

A morena sofreu junto, fechou seus olhos e respirou até encher seus pulmões por completo, chorou e sem delongas tocou a face de Emma, procurando nos lábios dela um refúgio.

As mãos da loira se agitaram pelas costas da Rainha Má , envolvendo-a em um abraço acalorado, Regina regeu o beijo respondido por Emma da melhor maneira que conseguia, invadindo sua boca de maneira volúvel. Gemeu por aquilo, enquanto seus corpos se colaram e os narizes se roçavam um no outro conforme movimentavam a cabeça para encaixar os lábios.

Emma empurrou a prefeita até a parede dando seguimento ao inebriante beijo, Regina fez o mesmo girando com Emma para outra parede onde com a força dos corpos juntos derrubaram um abajur que ali postava-se de enfeite. Havia desespero enquanto se tomavam, os cabelos de Regina se embaraçavam nas mãos de Swan e a pele do pescoço dela era alvo das unhas da Rainha que quase invadiam os trajes da loira.

A forma grosseira de se jogarem contra a parede repetiu-se uma última vez da parte de Emma que desvencilhou seus lábios dos dela quase sem ar, segurou Regina pelo colarinho da camisa social e disse:

— Você pode querer esquecer tudo, menos desse beijo, esse você não vai esquecer.

A Salvadora roçou seus dedos nos lábios carnudos da morena, afastando-se com expressão de satisfação no rosto, ela se foi dali como se soubesse que estavam seladas de uma vez por todas.

Regina buscando o ar que o beijo lhe roubou, encostada na parede, com a roupa toda remexida, pensou o mesmo que Swan.

Notas finais
Tá lá, pessoal. E essa coisa delas ficarem se procurando, né? Regina sempre tentando ser dona da situação mas ela amoleceu de vez, o que vocês acham que irá acontecer agora? Eu quero agradecer o pessoal que acompanha e os que favoritam, eu estou feliz com os números e apesar de ser um grupo seleto de pessoas a fazer isso eu me sinto no céu. Obrigada os comentários, continuem dando os reviews, assim eu consigo seguir sabendo se estive mal ou bem no capítulo, vocês me deixam a querer continuar e me incentivam a tornar essa história ainda melhor. Beijo enorme. ;*