Starting to find the lasting love.
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Emma e sua família trabalhavam na mudança que faziam do minguante loft, dos tempos de solteira de Mary Margaret, para o novo apartamento. Subiam e desciam com as caixas e alguns itens avulsos, a loira, os pais, Henry e Regina. A Rainha havia conseguido o lugar, visando agradar o filho e a namorada que quase recusou o presente quando soube, a Xerife nada contou para os pais e para Henry até aquele momento.
Estavam deslumbrados com o tamanho e espaço do lugar, cabiam todos em um ambiente que certamente dava mais que 3 vezes o loft. Com a chegada de todas as caixas e objetos trazidos da antiga morada, Mary Margareth tocou uma parede de tijolos brancos ao fundo, tentando acostumar-se com a ideia de morar ali.
O apartamento era talvez o melhor da cidade. O assoalho de madeira envernizada tomava conta de toda a extensão e quartos do lugar, tinha um ar mais moderno nas paredes de porcelanato e grafiato marfim. Snow já fazia planos dos quadros que pregaria nelas e do quanto de utensílios que teria de comprar para completar a decoração.
David aproximou-se depois de deixar uma caixa em cima de uma cadeira. Olhava para ela com um ar de curiosidade, enfiando as mãos no bolso da calça por trás.
— Tem bastante espaço, não acha? — perguntou ele, entregando um sorriso em seguida.
— É perfeito, David! Eu não fazia ideia de que viríamos para um lugar desses.
Emma chegou com um abajur que pousou sobre a mesa pequena ali perto, Regina vinha logo atrás com uma mala pesada, largou aquilo em um canto.
— Agradeçam à Regina — disse ela. — Ela conseguiu tudo isso. — Emma olhou para o lado e viu a morena sorrir timidamente.
David e Mary a fitaram surpresos, até mesmo boquiabertos.
— É verdade? — falou o príncipe.
— Sim. — respondeu Regina. — Apesar de existirem poucas moradias na cidade nesse período, eu achei este apartamento e convenci o antigo morador e alugá-lo. Acho que não há um lugar melhor pelo preço que estão pagando.
— Provavelmente não. — Emma girava os olhos observando o espaço. — Agora eu vou ter até uma cama.
Todos riram. Logo atrás, Henry chegou desengonçado com o carrinho de Neal e uma mochila de camping com o restante das coisas. Fazia esforço para se equilibrar, por isso pediu ajuda:
— Vovô, pode me dar uma mão aqui? — sinalizou o garoto.
David correu para ajudar o neto e tirou de suas costas a mochila. As mulheres voltaram a conversa.
— Bem, eu acho que precisamos agradecer você, Regina. Eu achava que Emma tinha feito o negócio. — disse Mary Margaret.
— Na verdade eu pedi para que ela não contasse nada até vocês se mudarem, não sabia se fariam isso sabendo que eu tinha arranjado ele para vocês. — replicou a prefeita. — Eu acho que valeu a pena, você parece ter gostado.
— É claro que eu gostei, e realmente jamais imaginei que você tivesse feito isso por nós.
Nesse momento, um pequeno filme surgiu na mente das duas. Momentos do passado onde Snow White e Evil Queen eram seus nomes. O fato era que ambas sentiram-se estranhas, como se a vida da Floresta Encantada nunca tivesse existido, já estavam distantes daquilo, como se o sono da maldição que travou o tempo naquela cidade tivesse apagado todos os vestígios da outra vida.
— Eu sei que já fiz isso, mas também quero agradecer pelo o que você fez, Regina. Obrigada! — Emma interrompeu os olhares distantes das duas para abraçar Regina de lado e selar sua face.
A morena pareceu confortável e fez o mesmo com sua parceira, deixando uma marca de batom ao lado do rosto e nos poucos fios de cabelo que escorriam ali em Emma.
— É sério que você conseguiu esse lugar pra gente, mãe? — chegou Henry, livre das tralhas nas costas.
— Sim, querido. Fui eu. — a prefeita respondeu de forma doce para ele. Ela e Emma ainda estavam abraçadas de lado.
Ele observou as duas, não expressou absolutamente nada, apenas suspirou e decidiu sorrir.
— Apesar daqui ser muito legal, não faça essa cara. Eu sempre vou ficar indo e voltando da sua casa.
Elas sorriram. Regina olhou seu relógio de pulso e lamentou:
— Eu preciso voltar para a prefeitura, se precisarem de mais alguma coisa me liguem.
— Ahm, Regina — falou Mary antes que ela pudesse se virar e sair. — obrigada mais uma vez.
— Não precisa agradecer, Mary Margaret. É o mínimo que posso fazer. — a Prefeita sorriu uma última vez e saiu sendo acompanhada por Henry e Emma até a porta.
O filho a abraçou com força antes que ela fosse.
— Tchau, mãe. Quando a bagunça terminar eu vou te ver.
— Eu vou esperá-lo, meu amor. Cuide-se, e senhorita Swan, por gentileza, fique de olho no meu garoto. — Regina brincou.
Ele riu daquilo, mas não soube se respondia ou não. Ficou calado enquanto a mãe loira fez muitas caras e bocas.
— Hum... vou pensar nesse caso, Regina. Eu prometo. — disse a Xerife olhando o filho de relance. — Ok, eu levo você até lá embaixo.
Henry afastou-se para ajudar os avós na arrumação.
As duas namoradas saíram do apartamento e ao fecharem a porta deram um abraço que esperavam desde cedo.
— Eu senti sua falta ontem. Quase te liguei.— Regina falou perdendo o ar, enquanto as mãos de Swan deslizavam abertas por cima do blazer.
— Eu também senti sua falta. Teve um momento que eu quis largar tudo e correr pra sua casa. — disse Emma apertando-se ainda mais na Rainha.
— Poderia ter feito isso.
— Eles precisavam de mim pra encaixotar tudo. E eu que achava que a minha mãe tivesse poucas coisas. — Emma riu-se. Desceu as mãos pela cintura dela e a olhou.
— Você provavelmente está ansiosa para dormir no seu novo quarto e na sua nova cama. Quando cansar das novidades me procure. — Regina disse bem ousada e roubou-lhe um beijo breve. Mal deu tempo para prolongar o carinho que queriam oferecer uma a outra. — Eu tenho que ir e daqui a pouco você também.
— Eu ligo pra você mais tarde, depois do expediente. — disse a loira enchendo-a de beijos singelos pela face.
— Emma, tente conversar com Henry outra vez. Eu ainda acho que ele não está muito confortável com a ideia de nos ver juntas.
Emma parou. Respirou fundo e pensou.
— Também estou achando. Ele anda estranho comigo, pior do que antes, você viu.
— Eu quero falar com ele, eu irei, quando ele estiver em casa irei tranquiliza-lo.
— Só lembre de uma coisa, ele cresceu.
— Eu sei, mas pra mim ele sempre será um menininho. — Regina olhou a Xerife nos olhos e fez que sim, selarem-se uma última vez.
Elas se despediram muito relutantes, até que Regina deixou a loira no corredor e desceu as escadas arrumando a roupa remexida pela carícias apaixonadas de Emma.
Regina saiu do edifício, pela calçada, a enfiar suas mãos nos bolsos do traje e caminhar seguramente. Com a rua deserta naquela etapa da manhã, decidiu seguir a pé até a prefeitura que não ficava longe dali. Logo atrás, de repente, os passos pesados de um par de botas começaram a soar alto demais. Regina franziu a testa, vagamente incomodada.
Ela continuou caminhando pela mesma calçada que se estendia até um cruzamento de quatro esquinas. A pessoa que vinha atrás aproximava-se cada segundo mais rápido dela, o que a fez sentir-se assustada e olhar em todas as direções se precisasse correr, apressou seus passos. Já avistava a prefeitura da distância onde estava e a perseguição que julgou estar envolvida continuava com o ranger das botas cada vez mais eloquente. Demorou para ter coragem e olhar para trás, e quando o fez, fumegou a mão esquerda na direção do homem que a alcançou mas foi detido com a fumaça e esbravejou alguma coisa que ela não entendeu.
— Você pensa que me assusta seu pirata de araque?! — disse ela andando para trás, com as duas mãos abertas.
Ele se embolava na fumaça roxa, sacolejando os braços até enxerga-la e quase arranhá-la com o gancho na mão direita.
Hook revelou-se, parecendo muito alterado. Fechou a mão que ainda existia e fez uma cara feia para a Prefeita que o ameaçou novamente, aquele momento ela sentiu medo dele.
— Não se atreva! O que você quer de mim?
— Você e Emma... vocês duas vão me pagar... — a voz dele tinha maldade. Ele aproximava-se dela lentamente desta vez.
Regina não pensou demais, atirou-lhe magia em um facho de luz, para virar-se e correr. Não viu mais nada as suas costas. Na pressa, atravessava a rua sem olhar e mal teve tempo de perceber um carro vir em sua direção naquele exato instante. Ela assustou-se e parou em vez de continuar.
— Cuidado, Regina!!
Foi a única coisa que escutou além do freio do carro e de levar um baque para o lado oposto da rua, caindo perto do meio fio, embaixo de alguém.
— Ai... ai meu braço... — reclamou ela, abrindo os olhos e levando a mão esquerda ao braço direito, ainda deitada.
— Arrgg... você está bem? — mexeu-se ele por cima dela com cuidado, ele era pesado.
— Meu braço, está doendo muito. — ela disse, chorosa, olhando para o lado e percebendo com espanto ainda maior, Robin Hood.
Era ele que estava por cima dela. Ele acabara de salvar sua vida.
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