Notas iniciais
Primeiramente, tenho que agradecer muitíssimo à Paula Luize pela recomendação feita dessa história! Minha querida, muito obrigada, você me deixou imensamente feliz com a sua opinião e eu espero sinceramente continuar agradando. Foi a primeira recomendação que recebo na vida, é muito gratificante mesmo! Fiquem com mais esse capítulo, pessoal, as coisas entre elas ficaram claras, aviso que as cenas finais desse vão se repetir nos próximos de diversas maneiras, então eu espero que agrade bastante. Boa leitura!

O som úmido da água indo e voltando na maré tímida acompanhava Regina e seu caminhar sobre a areia molhada. Os cabelos contra a brisa morna da tarde balançavam como as ondas que faltavam naquelas águas do Maine. Os pés descalços deixavam um rastro de pegadas pela areia, desfilando naquele cenário solitário e aberto como se dependesse muito daquilo. Ela respirava o ar de maresia, vagarosa, especialmente abalada por ter o fôlego tomado como aconteceu, mas já não tripudiava os próprios pensamentos, deixava-se imaginar no rumo que Emma traçara para ambas, um breve sorriso desenhado nos lábios naqueles segundos em que a água molhou seus pés por uma terceira vez no vai e vem, entregou.

Um mesmo sorriso estava estampado em Emma, não foi o caso de andar sem rumo pelas ruas, sabia muito bem por onde pisava e dúvidas não quis insistir. Se antes morria aos poucos, agora estava renascida e aparentando a confiança de outros tempos. Tinha tudo para viver um dia como qualquer outro na cidadezinha, ela apenas sabia que nenhum outro dia seria igual, nem para ela, nem para Regina.

No dia em que o Mr. Gold assumiria a prefeitura de Storybrooke, a cidade se abarrotou no Storybrooke Town Hall. Não sabia-se por parte dos moradores a razão pelo qual Regina Mills decidira abandonar seu cargo, sabendo-se que ainda devia cumprir algum tempo como prefeita. Os burburinhos diziam que o abalo pelo fim do relacionamento com Robin fora tão forte, que se tornou um estorvo a ponto de fazê-la desistir até mesmo do poder que tinha sobre a cidade dos ex-habitantes da floresta encantada. Para a surpresa dos que estavam à espera de algum pronunciamento de Gold, depararam-se com uma Regina de aparência determinada e confiante, portanto consigo um sorriso que de tão branco e perfeito brilhava contra a luz. Sobre o palanque ela se posicionou, testou o microfone, procurando a atenção dos que falavam ou cochichavam coisas e causavam um barulho ensurdecedor ali dentro.

— Bem vindos! Agradeço o comparecimento de todos... — o microfone ecoou um som fino fazendo a sala inteira tampar os ouvidos. Regina tratou de consertar aquilo logo. — ... err, agora sim. Obrigada por estarem aqui, todos vocês, sem exceção. Imagino que ninguém esperava que eu subisse ao palanque hoje, convoquei esta reunião para dar um breve recado que pelo o meu entendimento não irá mudar muita coisa nessa cidade. Há alguns dias eu anunciei a minha retirada do cargo de prefeita desta cidade e nomeei meu substituto, Mr. Gold como todos conhecem. — ela olhou para o lado, Rumpelstiltiskin estava de pé com a bengala ali, por perto. — Era para ele estar no meu lugar neste exato momento, porém eu tenho um aviso a ser dado. — Regina fez uma breve pausa na voz entonada, engoliu seco antes de tornar a falar: — Eu não renuncio ao cargo de prefeita, foi tomada uma decisão de minha parte e portanto, continuarei sendo a prefeita até fim do mandado.

O salão apinhado ficou inquieto. Mary Margaret e Henry, sentados um ao lado do outro se olharam boquiabertos.

— Regina, o que significa isso? — Rumple sussurrou a pergunta frisando as sobrancelhas para ela.

— Eu sei que é confuso, minha declaração há alguns dias era certa, todavia foi repensada a minha decisão, eu não irei deixar o cargo e peço publicamente minhas sinceras desculpas a todos e principalmente ao meu substituto. Esta cidade precisa tanto de mim quanto eu imaginava, modéstia parte.

Alguns pareceram estarrecidos, outros pouco se importaram. Regina, corria os olhos nas pessoas falantes, atrás daquela que mais importava estar ali, Emma. Quando não a avistou precisou fingir um sorriso.

— Muito bem, era só isso. — disse ela assentindo, dando a entender que todos ali já podiam se retirar do salão, e foi o que fizeram.

Rumple foi o último a se retirar, dizendo algo que ela já sabia muito bem antes:

— Você é mais surpreendente que a caixa de Pandora. Eu realmente achei que não seria um bom prefeito, aprendeu a ler mentes quando, querida?

Ela não respondeu, ele se foi e ela ficou ali parada, sozinha, tinha visto Henry e Mary Margaret e esperava que eles ficassem, mas eles já não estavam mais no salão.

Ela precisou descer do palanque, virou-se de costas para o resto do grande recinto, foi quando alguém apareceu ao fundo, entrando de manso como um animal assustado. Foi caminhando devagar até a morena, pernas tremendo, até que as botas de cano curto fizeram barulho quando invadiram o espaço onde Regina estava. A morena virou-se de imediato encontrando Emma com os trajes de xerife, foi a primeira vez que seus olhos escuros fitaram o corpo da loira com tanta animação que ela mal pode conter o brilho neles.

— Então é verdade o que disseram? Você vai ficar? — perguntou Emma como se respirasse as palavras.

— Sim, eu vou ficar.

Emma umedeceu seus lábios com a própria língua, aproximou-se mais da morena.

— Eu sabia! Eu sabia! — os olhos da loira também brilhavam.

— Eu descobri que não poderia ir embora da maneira que planejei, seria uma coisa tão ridícula.

— Eu também acho.

— Eu passei a noite inteira pensando nisso. Pensando em mim, no Henry, em como ele ficaria decepcionado...

— Você pensou em mim, Regina. Em tudo o que estava entalado na minha garganta e eu te disse, é por isso que você vai ficar! Não adie mais o que eu estou vendo nos seus olhos.

Emma ergueu a mão até uma das bochechas de Regina.

— E... eu... eu tentei não pensar em você. — a morena disse sussurrante, com seus olhos vidrados nos da Salvadora.

— Eu não. Eu sabia que era impossível.

Emma deslizou seu polegar sobre a boca entreaberta da prefeita que tremia suplicante. Levou segundos na carícia que pareceu eterna, a outra mão subiu até o rosto pálido de Regina e elas se aproximaram bruscamente a procura de um beijo profundo, o mesmo que tomaria o fôlego de ambas por ser tão sedento.

Estavam no ponto de se devorarem ali, por pouco não aconteceu em meio as respirações fortes e movimentos intensos das línguas.

— Isso é loucura... — sussurrou Regina desvencilhando-se pouca coisa de Emma.

— Eu não posso deixar você ficar longe de mim nunca mais. — Emma disse tentando recuperar o ar, olhando Regina e segurando aquele rosto que a surpreendeu com um sorriso medroso, as mãos ainda estavam posicionadas nas bochechas dela, e não custou tempo demais para puxar a face da mulher para si novamente e beijar a boca dela como da primeira vez. Regina acariciava os ombros e costas da Salvadora enquanto a mesma decidia descer os lábios quentes pelo pescoço nu da Rainha.

— Ah, meu Deus, eu te amo! — Regina quase se derretia e revirava os olhos. — Eu tenho tanto medo.

— Não me põe pra fora da sua vida outra vez. Fica comigo, por favor! Eu sei o quanto você sofreu, o quanto ficou com raiva de mim. — Emma procurou os olhos de Regina. — Mas sem você é tão estranho.

Emma avançou com a boca novamente nos lábios da Rainha, possuindo-a ainda com mais forças nos braços, ela respondeu perdendo o ar mais uma vez:

— Para Emma, para!

— Me ama, apenas me ama!

A morena enroscou seus braços novamente no corpo de Swan, se roçavam tanto que fazia calor entre as duas, quase suavam.

O celular de Emma tocou no bolso da jaqueta de Xerife.

— Não atende, por favor, não atende. — pediu Regina naquele frisson incessante.

— Droga! Droga! Eu tenho que atender, pode ser meu pai da delegacia...

Elas se largaram, Emma sacou o aparelho do bolso e o atendeu.

Quando acreditava-se que ambas estavam sozinhas no salão, alguém da entrada espiou toda a cena das duas. Ele estava abalado, era coisa demais para compreender e engolir, tanto que fugiu dali quando elas pareceram terminar aquilo. Ele era Henry Mills.

Notas finais
E então? Não foi surpreendente, mas teve algo que eu queria muito escrever que é essa paixão delas aflorando de vez, o que você acham da Regina agora? E o Henry? O que será que vai fazer depois do que ele viu? No mais o meu muito obrigada a todos, os números dessa fic estão bem significativos para apenas um mês e poucos dias, brigada mesmo pessoal, porque aqui eu não procuro ficar famosa, mas procuro ser avaliada também para futuramente continuar escrevendo boas histórias, sejam elas SQ, ou de outros ships, ou até originais, obrigada pela sinceridade de vocês, de coração. Um beijo enorme, até o próximo capítulo. ;*