Start again a new chance for Love
84 Capítulo 83
Notas iniciais
Pov. Anastacia
— Srta Steele vai desejar alguma coisa para comer? — pergunta a moça responsável pela alimentação dos pacientes do hospital.
— Estou sem fome... — digo num fio de voz acariciando a minha barriga inexistente.
— Devia comer, está grávida! — adverte ela com um semblante preocupado. E no fundo seu aviso não era de todo errado, mas não conseguia comer mesmo no momento. Nada do que colocasse na boca iria passar do nó inexistente que existe na minha garganta. — Vou deixar aqui um iogurte para o caso de mudar de ideias e uns biscoitos de baixo teor de gordura! — sorrio em agredecimento.
Quando ela sai, mergulho novamente nos meus pensamentos. Afinal a coisa de não ter notícias da minha mãe estava me deixando muito nervosa. Essas enfermeiras que passam e entram não me falam nada, Christian que saiu para conversar com o médico que nunca mais volta. Até parece que está me evitando só para não ter que usar uma mentira, porque no fundo eu sei que se passa alguma coisa e ninguém quer contar devido a minha fragilidade momentânea e pior é que isso está me deixando terrivelmente ansiosa. E até onde sei também não é nada saudável.
— Estou com um ruim pressentimento... — murmuro comigo mesma ao salientar todas as atenções na barriga.
— Quem está com ruim pressentimento, hein? — a porta se abre e a voz que escuto é de Kate entrando seguida por Elliot com rosas brancas. — Já pensando maluqueira, é amiga? — ela dá-me um beijo na bochecha e encolho com dores. — Ups, foi mal, amiga!
— Como está, Ana? — pergunta Elliot com um sorriso bambaleante nos lábios.
— Estou bem, obrigado. — respondo olhando de um para o outro praticamente forçando um sorriso. — Vocês dois por acaso não eram para estar em lua de mel?
Kate começa a gargalhar e se segura no marido, apesar dessa palavra não ter entrado muito bem na minha cabeça. Mas é um fato de que haviam casado e me sinto mal por ter arruinado a festa em certa parte. Quem sabe no fundo se nada daquilo tivesse acontecido se a minha vida no momento não estivesse mais tranquila e longe de um hospital onde só me sinto mais agoniada a cada hora que passa.
— Não desconversa, Ana! — Kate resmunga me apontando o dedo. — Como está meu sobrinho? — ela abre um largo sorriso sobrepondo a mão na minha barriga.
— Sobrinho? — Elliot coça a região anterior da nuca bem engraçado ao seu jeito único e bobão.
— Amor você é lerdo, não? — Kate reclama com ele ao lhe lançar uma careta. — Anastacia está grávida, querido! — diz ela e rio com esses dois. É impossível ficar indiferente a tanto humor só.
— Oi? Vou ser tio? Sério isso?
Ele leva a mão à boca feliz e pula para me abraçar, mas um pigarro atrás dele o faz travar a tempo de cometer uma bobagem. Quando olho melhor, vejo que é Christian todo tenso e isso mexe comigo. A sua tensão, a sua indiferença em esclarecer as minhas dúvidas, o seu sorriso que havia dado lugar a um ar sério e carrancudo, tudo isso estava a dar comigo em doida. Os meus nervos até já estavam rebentado. Ele pousa a sua mão sobre a minha e os meus olhos buscam imediatamente informação nos seus que só por algum motivo sentia que estavam mais frios que nunca, o que de certo modo apagou uma chama fraca no meu coração. Christian estava tão fechado, parecia que realmente aquilo que sentira grande parte do tempo em que ficara a pensar comigo mesma era realidade, não um sonho ruim. Ele escondia alguma coisa de mim e de certo bem grave para não contar. Teria a minha mãe piorado significativamente? Estaria ela assim tão mal a ponto de me querem poupar? Oh meu deus! Que injustiça não poder saber a verdade.
— Amor o que está havendo? — pergunto de uma vez transformando pensamentos em palavras poupáveis.
— Já comeu? Tem esse iogurte, devia se alimentar! — apressa em virar o rosto, como se tudo ao nosso redor fosse melhor que me encarar de frente. — O médico falou que tem que ficar forte, carrega um bebé agora... — fala automaticamente como se estivesse cuspindo as palavras e isso além de criar maior intriga, deixa o meu coração em alvoroço.
— Não respondeu à minha pergunta! — insisto saber, pois sei que está nervoso e quando fica desse jeito ele age de forma aliatória só para me proteger. Ou melhor ele pensa que está protegendo quando na verdade, só me machuca que me trate assim como uma mulher frágil.
— Biscoitos? — pergunta estendendo eles para mim e num ato de raiva praticamente dou um tapa na sua mão os vendo voar diretos ao chão.
Os nossos olhares se encontram, ambos completamente ocultos de emoção. A minha raiva já se estendia por todos os meus terminais nervosos deixando inclusive minhas mãos a tremer. Christian por sua vez nem parecia ele mesmo ao manter uma calma impaciente. Como seria um homem capaz de tanto esforço para um auto-controle desse limite?
— Kate vamos pegar café, esses dois precisam de privacidade... — Elliot apressa em falar para Kate ao perceber o clima tenso que se instalara em segundos.
— Dá para parar de fingir que está tudo bem? — falo com um tom sério assim que o casal sai nos deixando a sós. — Christian estou cansada de ficar aqui e sendo tratada como uma coitada! — cuspo as palavras entaladas na garganta. — Por favor! É pedir muito respostas? E nem venha com o discurso de que o médico isto ou a enfermeira aquilo... Eu quero saber a verdade! — sinto as lágrimas chegarem aos meus olhos. Quentes e fervosas.
Ele agacha no chão para pegar os biscoitos e os joga na lata que tem ao lado da cama e vem até mim, finalmente decidiu abrir comigo ou pelo menos uma parte de mim acredita que o fará. Christian morde o canto do lábio disfarçadamente, mas por sorte eu o conheço melhor que qualquer outra pessoa para perceber que procura algum modo simpático de falar comigo.
— Fala ou eu vou pirar! — exijo.
— Quer que fale o quê? — ele finalmente abre a boca quebrando esse silêncio duro, mas a sua voz saiu rispida e fria mais uma vez.
Até onde iriamos nesse impasse meu deus?
— Que me diga a verdade! É tão difícil falar de uma vez?
Os meus olhos pidões se jogam nele pedindo auxilio, pedindo respostas e as lágrimas que até momentos simplesmente ameaçavam umedecer o rosto, agoram correm copiosas nele. Christian me acomoda em seus braços fortes. Me sinto logo protegida neles, os mesmos braços que já me fizeram sentir tão forte, tão amada e protegida outras vezes e percebo que além do meu abalo por respostas, ele funga baixo contra mim. O afasto nesse momento para o olhar. Christian parece estar a fazer um esforço de outro mundo para não chorar, mas porquê?
— Você esteve chorando... — digo ao alisar um polegar sobre a bochecha dele.
Ele levanta alisando os cabelos como se nada fosse. Como se eu estivesse vendo tudo de forma errada.
— Que nada... foi só que médico me mostrou o ultrassom e fiquei emotivo, é isso meu amor.
— Tem certeza que é só isso? — pendo a nuca desconfiada. Porque tenho sempre a impressão de que usa uma mentira atrás da outra?
— Tenho toda a certeza que seremos um casal muito feliz e que nosso filho irá nascer forte e saudável!
— Own, eu te amo! — sopro para ele cheia de alegria, mas não assim tão convencida como gostaria. Só que o fato de ouvi-lo falar sobre nosso filho quase que anulava quaisqueres suspeitas enganosas.
— Eu também te amo muito minha Anastacia! Você não podia estar me dando felicidade maior no mundo que essa.
~*~
Pov. Narrador
Depois que ficou sabendo a dimensão do acidente que havia causado, Jack pediu por tudo para Elena lhe dar uma grana alta, pois precisava se mandar para bem longe, antes que alguém fizesse conexões e com isso chegassem a ele. Óbvio que a vilã começou por roer a corda dele alegando que não o ajudaria de forma alguma, pois ele havia agido fora dos tratos dela, que fora clara quando disse que a intenção era somente matar Anastacia. Claro que Christian não acabara ferido nessa aventura louca em que Jack se havia metido, mas Elena ainda assim odiou a plano malvado.
— Como é que é? — Jack pergunta escandalizado olhando a mulher na sua frente com horror e punhos cerrados.
— É o que acaba de escutar ou está surdo? — ela pergunta com desdém, um modo muito audacioso para alguém que se acha suficientemente superior a todo mundo. — Eu aqui morrendo dessa doença puterríma e você todo lerdo ai? Faça me o favor, Jack!
— Nem pensar! Se eu me ferrar, eu juro que te levo junto comigo para a cadeia, você entendeu sua vadia?
Jack ainda ousa ameaçar Elena, depois de todos os motivos que a vilã mostrou não ser confiável. Apesar de ter sempre o risco dela ter algum trunfo guardado na manga, já que sempre que alguém a enfrenta ou a coloca numa situação apertada, a mesma resolve o assunto facilmente. No caso o seus parceiros terminam sempre muito mal e no piores dos casos até mesmo mortos.
— Tente só mover alguma palha que me possa prejudicar! — fala ela com azedume na voz ao levantar da sua chese long da sala e ir até ao pequeno barzinho para encher um cálice com whisky do melhor. — Juro que não terá muito tempo dessa vida para cantar de galo! — ela deixa ameaça no ar e toma um gole do whisky se esponjando no sofá do canto.
— Está tentando insinuar alguma coisa? Acha que eu tenho medo de você, Elena?
A loira estreita o olhar brincando com as pedras de gelo dentro do seu cálice e olha Jack por cima, agindo com sua superioridade máxima.
— Devia, pois todos aqueles que me enfrentaram acabam a sete palmos da terra! — responde ela nem um pouco sarcástica. — Acho que é suficientemente inteligente para perceber a minha língua!
— Que medo! — Jack ainda ousa fazer troça de Elena. — Mas me deixe dar um prémio de consolação, sim? — ela arqueia a sobrancelha com que curiosa. — Se eu morrer, acredite que você não irá demorar tempo demais para me achar lá no inferno! Afinal não vai demorar muito até você morrer, não é?
Elena fica logo toda munida de raiva e atira o cálice na direção de Jack que desvia vendo o mesmo estilhaçar na parede atrás de si. Lorena logo surgue apavorada com a cena.
— Meu deus que aconteceu! — a empregada fala de mão no peito e olhar assustassímo.
— LIMPA ESSA MERDA! — grita a loira impaciente levantando em cima dos seus saltos de grife e aproxima de Jack puxando o colarinho do mesmo sussurrando. — Não brinca com o fogo que vai terminar queimando!
— E você não tente me ferrar, eu te ferro junto... dondoca metida a besta! — e rouba um beijo dos lábios carnudos e vermelhos de Elena que o tapeia com um golpe apenas em desagrado.
~*~
Pov. Anastacia
5 dias se passaram desde que finalmente tive alta hospitalar, mas também a precisos 5 dias que Christian parecia estranho comigo, mas não apenas ele, todos à minha volta só para variar. Até mesmo meu pai passava mais tempo comigo que alguma vez passara pelos últimos tempos em que estevira longe de casa. E como era de calcular em todas as vezes que entrava firme querendo novidades sobre minha mãe, o assunto acabava sempre morrendo ou simplesmente mudado drasticamente para outro tema nada conclusivo.
O caminho inteiro até ao Escala fora feito em maior silêncio, Christian porque não parava de ficar pensativo enquanto olha a janela, Sawyer porque não é de falas e isso me leva a pensar igualmente. Quando a viagem termina a ida no elevador é continuamente um tedio de palavras e decido quebrar o gelo abrindo a boca eu mesma para interromper esse clima estranho.
— Já chega! — afirmo e Sawyer arqueia a sobrancelha com que surpreso por minha intervenção. — O que houve com a minha mãe, porque não posso ver ela, porque não me fala como ela está? — expludo ao bater os pés no chão, os punhos na parede espelhada.
As portas do elevador abrem e a sra. Jones vem até mim para me abraçar de forma estranha, isso me deixa terrivelmente mais desconfiada. Parece pronta a me oferecer consolo de uma dor que desconheço.
— Eu sinto muito srta. Steele! — arqueio a sobrancelha confusa com a dedução dessas palavras. — Com licença! — sra. Jones afasta praticamente sumindo.
Christian passa ao meu lado me puxando as mãos para acompanhá-lo até ao sofá e sentamos. O meu coração está numa batida frenética que está bem capaz de escarrilar saindo num enfarte duro. A minha garganta terrivelmente seca e os meus nervos à flor da pele.
— Agora começe falando ou eu vou enfartar! — ordeno cansada de ser poupada o tempo inteiro.
— Anastacia... — ele sopra o meu nome de forma doce, mas eu sei que ai tem coisa. Segura as minhas mãos com delicadeza, os seus dedos praticamente dançam sobre os nós dos meus. — Aconteceu uma coisa muito dura, mas eu sei meu amor, mas você... — o interrompo odiando quando fica de enrolação. Eu gosto de quando vai direto ao ponto, lá como aquela vez não há muito tempo.
— É alguma coisa com a minha mãe? A minha mãe piorou, é por isso que não me falou nada mais cedo? — os meus olhos ficam rasos de água. — Christian fale, porra!
Os seus olhos tomam uma dose considerável de água e percebo que está prestes a derreter em lágrimas. O meu coração para definitivamente e uma dor forte me ataca em dose dupla com que me delicerando.
— Não... — digo controlando a vontade absoluta das emoções que estão estoirando em mil pedaços dentro de mim. — Não! Não! Não! — começo a gritar, debatendo contra ele que me segura firme entre seus braços enquanto desabafo para fora tudo que estou sentindo e que me foi privado nos últimos 5 dias. — Minha mãe não! — nego o fato de aceitar uma atrocidade dessas.
— Eu sinto muito meu amor... — afaga os meus cabelos com ternura. — Eu queria contar para você... — afasto a nuca do seu ombro para o encarar. Os meus olhos tão cheios de lágrimas. — Só que a vi tão frágil que me partiu o coração ter que dar essa noticia tão triste... tão dolorosa, meu anjo.
— E meu pai, como ele está? — pergunto fungando. Apesar de o ter achado terrívelmente habatido nos últimos dias, mas que o mesmo fora um ótimo ator ao se manter forte na minha frente, apesar de saber que no fundo ele estava todo rasgado.
— Arrasado! — responde ele acariciando o meu rosto, limpando as lágrimas que escorrem da minha face livres de obstáculos. — Tenho medo que você vá abaixo, tenho medo de perdê-la... — me beija os cabelos, me aperta a ele com tanta força. A mesma força que posso sentir na margem do desespero.
— Sou forte, Christian! — digo num fio de voz e ele estava mexendo meus cabelos daquele modo tão delicado igual a minha mãe fazia comigo. — Mas eu quero vê-la, eu quero visitar a minha mãe! — imploro ao afastar a cabeça do seu ombro.
— Mas você acabou de sair do hospital agora, amor! Os médicos aconselham que que repouse... — reviro os olhos levantando e andar pela sala. — Pense no nosso filho, caramba!
Travo a minha troca de passos e descendo a cabeça concentro o olhar na minha barriga, onde as mãos livres passam na mesma.
— Se fosse sua mãe você ia ficar ai sentado esperando o dia passar noite? — pergunto sem olhá-lo, somente subindo e descendo os dedos em caricias suaves.
— Não!
— Então não me impeça, por favor! — imploro com uma magoa só na voz.
Fale com o autor