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61 Capítulo 20 – Fase II - Você ainda é aquele que..


Notas iniciais
Twilight e seus personagens não me pertencem, mas o enredo dessa fic sim.
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A imagem do início do capítulo já diz tudo, né?
Boa leitura!

Capítulo 20 – Fase II — Você ainda é aquele que eu amo

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"Quando eu te vi pela primeira vez
Eu vi o amor
E na primeira vez que você me tocou
Eu senti o amor
E depois desse tempo todo
Você ainda é quem eu amo”

You're still the one — Shania Twain

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Bella Cullen

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-Eu não acredito nisso! – Exclamei irritada ao avistar a horda de parasitas, digo, paparazzi na saída do colégio de Ben. – Como souberam que estamos aqui?

Edward se virou em minha direção e sem conseguir sustentar a troca de olhares, abaixei a minha cabeça e acariciei Ben que continuava grudado a mim.

- O que você quer fazer?

- Nós temos escolha? Saímos ou ficamos escondidos aqui dentro para sempre.

- Eu tô com fome! – A vozinha do meu pequeno soou irritada e cansada.

- Eles não vão perder a oportunidade... – Edward continuou a dizer. – Haverá flashes e perguntas que, provavelmente, vão te irritar.

- Qual é a novidade? – É sempre assim... – Depositei um beijo na cabeça de Ben e o entreguei ao pai. – Eu entendo que você não queira ser fotografado comigo. Então, é melhor, que você vá com ele e depois eu saio, okay?

Eu precisei me esforçar muito para não demonstrar que odiaria esse acordo.

- Eu não estou nem um pouco preocupado com isso. – Edward manteve seu olhar sobre mim. – A não ser que você não queira que nos vejam juntos.

- Eu... Eu não... Não disse isso.

- Então, saímos juntos. – Ele sentenciou. – E vamos ignorar qualquer coisa que eles digam... Tudo bem dessa forma?

- Eu nunca respondo qualquer coisa que eles dizem. – Respondi contrariada. – Eu odeio isso! E odeio ainda mais o foto de que vão fotografa-lo... – Deslizei meus dedos pelo braço de Ben e lhe dei um sorriso. – De qualquer forma, eu ainda preciso chamar um taxi.

- Você vai com a gente. – Edward disse com firmeza.

- Por que você está fazendo isso? – Pedi não só me referindo a carona oferecida, mas a todo o comportamento dele nas ultimas horas, que muito se parecia com a forma de agir do homem com quem me casei e, ao mesmo tempo, completamente diferente daquele que me assistiu assinar os papeis do divorcio.

- Porque eu estava errado, Bella. – Ele, delicadamente, levou uma de suas mãos até o meu rosto, após acomodar Ben em seu colo. A caricia me provocou um tremor. – Sobre tudo.

- Sobre nós? – Perguntei com a voz falha e o coração acelerado.

- Me deixe explicar... – Ele pediu.

- Eu estou esperando por isso... Desde que fui embora.

- Você não precisa esperar mais.

Eu olhei para ele. Para o homem que amava mais do que a mim mesma e senti o medo se alastrar por cada célula do meu corpo.

Ele diria que tomou a decisão errada? Que eu deveria voltar para casa? Que ainda podíamos ser uma família?

Eu esperei por isso, deseje isso... Todos os segundos dos últimos dias. E estava mais do que pronta para aceitar sem pestanejar. Mas e se ele me dissesse que não importa o que eu faça, não há mais esperanças para nós?

Eu desabaria.

- Por favor... – Engoli as lágrimas querendo sair. – Não aqui.

Edward assentiu.

- Onde você quiser... Quando você quiser.

...

Eu soltei o meu cabelo, cobrindo parcialmente meu rosto e segui Edward até o carro, fazendo o meu melhor para ignorar a voz e os flashes dos paparazzi. Mas. foi impossível controlar a forma como meu coração bateu descontroladamente ao ver que Edward estava usando o meu carro... Ou melhor, o carro que ele havia me dado de presente de casamento e que eu devolvi após assinar os papeis do divorcio.

Isso significava algo?

- Vocês estão juntos novamente? – Um dos paparazzi me perguntou, se colocando a minha frente e me impedindo de continuar a andar.

Edward olhou para trás e praguejou baixinho antes de me puxar para mais perto. Ele abriu a porta do carro para mim e eu me encolhi no assento do carona enquanto ele prendia Ben em sua cadeirinha no banco traseiro e depois assumiu seu lugar ao volante.

Eu continuei com minha cabeça abaixada até que tivéssemos deixado o colégio para trás.

...

- Tô com fome! – Ben reclamou pela, talvez, quinta vez em poucos minutos.

Eu precisei reprimir uma risada pela forma como Edward apertou o volante e revirou os olhos.

- Nós ouvimos na primeira vez, Ben. – Ele respondeu de mau humor. – Você se importa se tivermos fast food para o almoço? – Eu tive um olhar rápido sobre mim, antes que ele voltasse a se concentrar na estrada. – Mc Donald’s?

- Oba! – Ben deixou as queixas de lado e gritou animado.

- Não é muito saudável... – Disse baixinho.

- Saudável? – Edward voltou a me olhar, agora com uma sobrancelha arqueada. – Você está com febre ou algo assim?

- Mc lanche! Mc lanche! Mac lanche! – Ben passou a repetir, enquanto tentava pular no espaço apertado de sua cadeirinha.

- Ben, Papai está dirigindo... Não grite! – Era estranho ter que repreendê-lo por algo, mas suponha que faz parte de ser uma mãe. Lancei ao meu filho do coração um olhar e ele assentiu, parando de gritar. – Ele precisa mesmo ter os mesmo maus hábitos que nós?

- Culpe a genética por isso. Eu sou, completamente, inocente!

Foi a minha vez de revirar os olhos.

- Eu posso preparar algo rápido... – Ofereci, timidamente. – Se você não se importar que eu mexa nas suas coisas e...

- Mc Donald’! – Ben voltou a gritar quando avistou o logotipo da lanchonete. Mais uma vez, lancei a ele um olhar repreendendo. – Mas, eu tô com...

- Tá! Eu sei. Você está com fome. – Disse contrariada. – Que seja Mc Donald’s então!

- Mc Donald’s! Edward e Ben gritaram animados ao mesmo tempo e eu não fui capaz de evitar sorrir.

...

- Big Mac ainda é o seu favorito? – A voz de Edward me fez desviar o olhar de Ben até ele, que estava, displicentemente, colocando uma bandeja repleta de lanches a minha frente. – Com suco de laranja e bastante catchup para as batatas.

- Esse é o seu lanche predileto. – Disse desviando o olhar e me ocupando em entregar o lanche de Ben. – Certo?

- Nada mudou. – Edward derrubou as batatas fritas na bandeja e despejou catchup por cima. – Mas, então, esse ainda é o seu lanche predileto, também?

-Nada mudou! – Repeti a sua frase, dizendo muito mais do que apenas o meu gosto por fast food.

...

— Está bom? — Sorri para Ben, ao vê-lo cantarolar após uma mordida.

- Muito! — Ele respondeu com a boca cheia.

Eu poderia ter dito a ele que não era educado falar enquanto come, mas preferi admirar o sorriso que ele me dava.

- Sem fome? — Edward, colocou um dos Big Mac em minha mão. — Vai esfriar...

- Obrigada! — Aceitei o lanche e não consegui deixar de fechar os olhos ao sentir o toque dele.

Só percebi o quando estava faminta após a primeira mordida. Imediatamente, me preparei para mais uma.

- Essa é minha! — O lanche foi arrancado de minha mão e eu levei meu olhar até Edward, vendo o seu sorriso discreto.

- Eu devo comprar outro para mim?

- Se um não for suficiente... — Ele deu de ombros e colocou seu próprio lanche a minha frente.

Eu paralisei. Meus olhos encheram de lágrimas e, por pouco, um soluço não escapou.

Quantas vezes já tínhamos feito isso? O estúpido, infantil e, inteiramente, nosso ritual de troca de lanches?

Eu tive tanto medo de nunca mais ter isso.

- Droga, Bella! — Edward se levantou e parou a minha frente. — Me desculpe! Eu não... Você não precisa trocar se não quiser... E olha, nós podemos comer em outro lugar.

Eu senti seu dedo deslizar por meu rosto e percebi que estava chorando.

- Por que mamãe tá chorando? — A vozinha de Ben nos despertou, embora nossos olhares continuassem conectados.

- Porque eu sou um idiota! — O dedo dele continuava a deslizar por meu rosto... E seus olhos pareciam querer dizer muito mais do que suas palavras.

- Por que você pegou o lanche dela? Devolve, Papai!

Eu dei um sorrisinho triste.

- Ele não pegou, filho. — Respondi, me sentindo incapaz de desviar o olhar. — Nós trocamos.

Foi difícil, mas eu me obriguei a limpar meu rosto e olhar para o rostinho singelo de Ben.

- Mais é o mesmo... — Ele me disse, sem entender.

- É um ritual! — Edward tentou explicar, após voltar a se sentar. — Nós trocamos após cada mordida. Fica mais gostoso assim.

- Sério? — Obviamente, existia incredulidade na voz infantil. — Também quero!

Eu mordi o sanduiche que era de Edward e o passei a Ben que deu o dele ao pai.

- Tem o mesmo gosto... — Meu anjinho reclamou após a sua segunda mordida nos lanches trocados. — Nem mudou.

- Repita isso daqui 15 anos, com uma namorada, e me diga se não fica muito melhor. — Edward sorriu para mim e, por pouco, eu não engasguei.

...

- Você quer conhecer mais um ritual, Ben? – Edward indagou após estarmos, novamente, acomodados no carro.

- Quero! – Ben exclamou animado, o que me rendeu um momento difícil para limpar a boca dele, completamente suja de sorvete. – Quero mais um!

- Nem pensar! – Respondi. – Você já teve três sundaes.

- Por favor... – Ele insistiu fazendo um biquinho lindo que quase me convenceu. – Papai!

- Desculpe, campeão! – Edward riu. – A última palavra é sempre a da mamãe.

- Onde estava essa fala quando eu disse que mais um sorvete provavelmente o faria passar mal?

- Você educa, eu estrago. – Ele respondeu e, subitamente, pegou a minha mão e a levou até a sua nuca.

Eu quis dizer algo, mas nada saia.

- Esse é mais um ritual... – Edward começou a dizer, como se fosse perfeitamente natural que ficássemos assim.

Talvez tanto tempo convivendo comigo o tenha tornado bipolar. Dr. Denali, certamente, ficará feliz em cuidar de mais um paciente.

- ... Eu dirijo e ganho cafuné. Não é legal? – Eu olhei para o meu ex-marido — Deus, doía pensar nele dessa forma; sem saber como me sentia por vê-lo agindo da mesma maneira de antes.

Eu quase conseguia acreditar que o último mês tinha sido, apenas, um aterrorizante pesadelo.

Ben deu uma risadinha, me despertando do torpor.

- cafuné dá sono... – Meu pequeno anjo continuou quando olhamos para ele e eu fiz o meu melhor para ignorar o permanente bico pelo sorvete negado.

- Mas, só se ganha cafuné quando se é um bom menino. – Provoquei e deixei que minha mão batesse de leve na nuca de Edward.

Ato contínuo, a gargalhada de Ben preencheu o automóvel.

- Papai não é um bom menino?

- Eu acho que não... – Edward desviou o seu olhar do meu e eu o vi prender as mãos com força no volante a sua frente.

A quem eu estava tentando enganar? Eu queria isso, essa intimidade, muito mais que ele.

Suavemente, passei a deslizar meus dedos pelos fios acobreados.

- Obrigado! – Os Olhos azuis se voltaram em minha direção e o brilho que enxerguei neles me deslumbrou.

...

Eu olhei ao redor, reconhecendo a garagem do prédio onde Edward vivia antes de nos casarmos.

- Por que estamos aqui? – Perguntei, me apressando em retirar o menino manhoso que eu amava tanto de sua cadeira.

- Nós estamos morando aqui... – Edward respondeu, a voz soando quase tímida. – Ele está bem?

Eu engoli as perguntas que ainda tinha vontade de fazer, sabendo que correria o risco de ter uma resposta que me magoasse.

E se ele já tivesse se desfeito da casa onde vivíamos? Apenas a hipótese me feria profundamente.

- Eu disse que tantos sorvetes não era uma boa ideia. – Respondi a sua questão e me obriguei a prestar maior atenção em Ben, que nos últimos minutos de nosso trajeto para casa, passou a reclamar de enjoo e dores na barriga. – Já vai passar, filho!

Eu encarei os olhinhos azuis e o peguei no colo, querendo cuidar dele da melhor maneira possível. Antes que eu tivesse me colocado, corretamente, ereta, ele já tinha despejado todo o seu lanche em cima de mim.

- Oh droga! – Exclamei, o afastando do meu colo para não sujá-lo, ainda mais.

- Desculpa, mamãe! – Ele pediu baixinho, após eu colocá-lo no chão.

Eu olhei para minha roupa completamente suja, mas não encontrei motivos para sentir nada além de preocupação para com o meu pequeno.

- Não foi sua culpa, meu anjo. – Tomando cuidado, eu me inclinei e fiz um carinho no rosto angelical. – Está melhor?

- Tá doendo...

- Eu prometo que a próxima vez que disser “sem mais sorvete” eu não vou deixar ele ter mais um. – Edward retirou a sua camisa, me fazendo congelar diante da visão de seu tronco nu e me ofereceu. – Só para... – Ele fez um gesto em direção a minha roupa e disfarçou uma risada. – Você pode correr para o banho assim que chegarmos ao apartamento.

...

Eu me enrolei no roupão, me sentindo, subitamente, envergonhada e sem nenhuma coragem de deixar o banheiro.

Eu olhei, atentamente, para o meu reflexo no grande espelho a minha frente e, pela primeira vez em minha vida, odiei não ter nenhuma maquiagem comigo.

Minhas olheiras pareciam ainda mais acentuadas e minha pele mais pálida que o normal.

Com minhas mãos trêmulas, abri o roupão felpudo e toquei os ossos de minhas costelas. Eu tinha perdido peso demais! E quando meus olhos pousaram sobre as recentes e claras cicatrizes em minhas coxas, eu me senti ainda pior.

Levemente, toquei o meu mais recente corte e apreciei a ardência. Nem de longe era o que eu precisava para me acalmar, mas eu não tinha a minha caixinha de madeira comigo.

Eu estava horrível!

Não existia nenhuma possibilidade de reconquistar o interesse de Edward em mim.

A constatação me trouxe ainda mais tristeza.

Algumas batidas na porta me fizeram saltar e, rapidamente, fechei o roupão.

- Bella? – Fechei meus olhos e apreciei, sem pudor algum, o som da voz dele. – Está tudo bem?

- Eu já vou sair... – Me obriguei a dizer.

Respirei fundo algumas vezes antes de abrir a porta.

- Eu não quis te apressar... – Edward me disse assim que nossos olhares se encontraram. – Eu só fiquei preocupado. Você nunca foi de demorar no banho.

- Eu precisava tirar um certo cheiro desagradável. – Tentei brincar.

Edward apenas permaneceu ali, me olhando com demasiada atenção.

- Eu...

- Onde...

Dissemos ao mesmo tempo. Com um gesto, ele me disse para continuar.

- Onde está Ben?

- Na banheira... No quarto dele.

- Sozinho?

Um pequeno sorriso surgiu no rosto de Edward.

- Eu só o deixei por um momento... Imaginei que você gostaria de ter algo para vestir.

Só então notei a camisa que ele segurava.

- Eu coloquei a sua roupa para lavar. – Edward continuou a dizer e eu achei lindo a forma como seu rosto foi coberto por um singular e singelo tom de rosa. – Mas, você também pode ficar com o roupão se quiser e...

Eu estendi minha mão em sua direção e aceitei a camisa que ele me oferecia.

Quase não consegui conter meus movimentos, antes de levá-la ao meu nariz, tencionando sentir o cheiro inebriante dele.

Ia ser fantástico ter algo dele sobre meu corpo, ao menos por algum tempo.

- Obrigada!

- Se você quiser, pode escolher outra... Eu trouxe essa porque é confortável e você costumava gostar e...

- Essa está perfeita! – Mordi meu lábio inferir. – Isso é muito gentil!

- Bella, eu... – Eu senti o toque gentil dele em meu rosto, contornando as marcas sob meus olhos. – Eu preciso dizer que...

- Você vai dizer que estava errado? Que sente muito? Que não deveria ter feito isso? Que está arrependido? – Não saberia dizer de onde retirei coragem para dizer essas palavras, mas o fato é que, internamente, eu estava rezando para que ele não me dissesse nada diferente disso.

Eu vou te dizer tudo isso e muito mais. Eu preciso explicar e contar...

- Papai? – A voz de Ben chegou até nós através do corredor.

- Eu acho que teremos que esperar um pouco mais para ter essa conversa. – Tentei puxar o ar com força. – De qualquer forma, eu não acho que seja uma boa ideia que ele assista a isso.

- Eu vou esperar apenas até que ele durma, okay?

- Eu esperei até agora, Edward. Posso esperar por mais horas.

...

Era estranho estar vestindo apenas uma camisa de Edward. Eu já tinha feito isso tantas vezes... Mais depois desse tempo separados, era como se eu estivesse me apossando de algo que não me pertencia mais.

Era doloroso demais pensar assim.

Antes que minhas constantes e intermináveis lágrimas voltassem, eu deixei o quarto de Edward, e caminhei até o quarto de hospedes, que agora deveria ser de Ben.

A porta estava entreaberta e eu pude ver os dois sentados na cama.

- Mamãe vai ficar? – Eu me recostei a parede e, por um momento, apenas ouvi a conversa dos dois.

- Se ela quiser... – Edward respondeu. – Nós dois vamos torcer para que ela queira, não é?

- E vamos voltar para a outra casa? Gosto mais do outro quarto.

- Só se a mamãe aceitar.

- Por quê?

- Porque é uma casa muito grande só para nós dois e fica muito vazia sem ela.

Eu levei minhas mãos aos lábios, impedindo que qualquer som saísse.

Eu queria isso! Queria voltar para a nossa casa. Mais do que tudo, eu queria voltar para junto deles.

Eu poderia?

- Mamãe! – Ben correu da cama, assim que me avistou, e correu em minha direção.

- Mmm tá cheirosa!

- Você também, meu amor. – Me abaixei a sua frente. – Tá melhor? De verdade?

Ele balançou a sua cabeça em um gesto positivo, mas não me convenceu.

- Não tá doendo mais? Nadinha?

- Só um pouquinho...

- O que você acha de deitar um pouquinho, então? E se não passar nós podemos ligar para o vovô Carlisle e pedir um remédio.

Eu me acomodei da melhor forma possível na pequena cama, me sentindo bem e ao mesmo tempo, estranha,

Era maravilhoso estar ao lado das suas razões de meu viver, Edward e Ben, juntos em um espaço tão pequeno que nós três nos tocávamos constantemente. Mas, era estranho sentir meu coração acelerado, minhas mãos tremerem e meus olhos marejarem por não saber como o dia acabaria.

Eu estava tendo uma pequena dose da minha droga predileta... Como poderia voltar à abstinência depois disso?

- Mamãe? – Ben sussurrou, encostando sua cabeça em meu colo e jogando as pernas sobre as de Edward.

- Oi... – Respondi, infiltrando meus dedos em seu cabelo macio.

- O que é “violentada”?

Meus movimentos, assim como minha respiração, ficaram suspensos.

- Onde você ouviu isso? – Propositalmente, evitar o olhar dos dois rapazes ao meu lado.

- Na TV, antes da escola... Tinha uma foto sua.

Eu abri a minha boca várias vezes, mas não sabia o que dizer.

Como explicar algo assim para uma criança?

Eu deveria ter pensando que isso poderia acontecer antes de conceder àquela entrevista.

- É quando fazem alguma coisa que você não quer. – Felizmente, Edward veio ao meu socorro.

Não era tão simples assim, mas eu não tinha uma explicação melhor.

- Igual quando ela batia? – Eu observei, atentamente, a forma como Ben escondeu, parcialmente, seu rosto em meu colo e, mentalmente, cheguei a conclusão de que precisávamos fazer algo que o impedisse de se tornar um adulto tão problemático quando eu. – Ou botava de castigo?

- Mais ou menos isso. – Sussurrei, muito mais incomodada pelo fato de ele ter experimentado qualquer violência do que com minha própria experiência.

Eu olhei para Edward e percebi que ele tinha um olhar atento sobre mim, embora suas mãos estivessem presas na do filho.

- É... Eu acho que... Eu deveria... Me desculpe! Eu deveria ter pensado nisso antes de... Eu não quis que ele...

Ele me calou com um movimento de cabeça.

- Eu estou muito orgulhoso de você, Bella! De verdade!

Eu tinha ouvido essas mesmas palavras na noite anterior... De James. Mas, isso dito por Edward me fazia sentir bem. Quase como se eu mesma pudesse me orgulhar.

- Eu tenho tanto a dizer, Bella. E eu não sei por onde começar...

Bom, eu também não sabia.

Felizmente ou não, Ben nos interrompeu, mais uma vez.

- Doeu? – Ele indagou, repentinamente.

- O que? – Edward e eu perguntamos ao mesmo tempo.

Benício se moveu de forma que seu rosto estivesse virado para mim.

- Doeu? – Ele repetiu.

Eu precisei de alguns segundos até entender que em sua cabecinha a conversa anterior ainda não tinha acabado.

- Um pouco. – Eu poderia ter mentido, mas, em algum momento, ele cresceria e saberia muito bem o que, de fato, tinha acontecido. – Mas, já passou.

- Papai disse que ela nunca mais vai bater, não é papai?

- Isso mesmo. Nunca mais! – Edward garantiu.

- Ele também não vai deixar machucar você... – Ben sorriu para mim e eu precisei de toda a minha força de vontade para não começar a chorar na frente dele. – Não é, Papai?

- Nunca mais! – Edward repetiu e, embora eu sentisse o olhar dele sobre mim, eu não encontrei forças para encará-lo.

Não era, de fato, justo comparar uma coisa a outra, mas estar longe de Edward me feria mais do que Jacob, Embry e Sam jamais conseguiriam.

- O que você acha de tentar dormir um pouquinho? – Voltei a mover, delicadamente, meus dedos pelo cabelo de Ben.

- Conta uma história? – Ele pediu manhoso e Edward se pôs de pé para nos dar mais espaço.

- Era uma vez um lindo menino, como você, que morava em um planeta muito longe... – Eu pude ver no momento em que Edward deixou o quarto e, com carinho, envolvi o seu filho em um abraço aconchegante. – Ele cuidada, todos os dias, de uma flor...

Eu não tinha chegado à metade da historia e Ben já tinha adormecido. Mas isso não me fez soltá-lo.

Benício Cullen era o elo que, agora, ligava mantinha Edward e eu próximos. Ele nos unia... Novamente.

Nem mesmo todo o meu amor pelo pequeno menino adormecido em meus braços seria suficiente para agradecê-lo por me conceder esse milagre. Por, de alguma forma, ter me dado mais uma chance de viver. Porque, para mim, só existia vida se fosse ao lado de Edward e, agora, do seu encantador filho.

...

Eu fitei a figura do homem que eu amava, sentado na beirada da cama, cabeça baixa... Exatamente da mesma forma em que ele estava no dia em que nosso casamento chegou ao fim.

Inseguramente, me aproximei.

Ele moveu sua cabeça em minha direção e eu pude ver seus olhos vermelhos, o rosto coberto de lágrimas.

— Me perdoa! — Ele pediu com a voz rouca. — Por favor, Bella, me perdoa!

Eu senti seus braços envolverem minhas pernas quando ele caiu de joelhos a minha frente.

— Eu sei que tenho muito o que explicar... Que você, certamente e com razão, está bastante magoada, mas, por favor, me dê mais uma chance.

— Você quer tentar de novo? — Disse com minha voz falha. — Você... Você ainda me ama?

Edward levantou a sua cabeça, seus olhos procurando pelos meus.

— Eu nunca, nem por um segundo, deixei de te amar!

Eu deixei que meu corpo caísse a sua frente e toquei seu rosto.

— Isso é tudo o que eu preciso saber agora. Eu estava sem ar antes mesmo de conseguir trazê-lo para mais perto e colar meus lábios nos dele. Mas, ele me fez respirar novamente... O ar que escapava por sua boca se infiltrou na minha e eu me senti renascendo. — Eu vou te dizer tudo... – Edward voltou a falar, se colocando de pé comigo, firmemente, em seus braços. – Eu vou contar porquê e tudo o que aconteceu depois... — Não agora! – Pedi me agarrando a ele. – Eu preciso de você! Edward eu pensei que... Todo o meu corpo doe de saudade... Por favor, Edward, você é o meu único remédio. Eu preciso de você! Ele foi gentil. Ainda mais doce, atencioso, carinhoso, protetor... Do que todas as vezes em que estivemos juntos. Ele beijou cada centímetro de minha pele, me tocou com delicadeza e choramos juntos quando ele avistou os cortes que eu mesma causei. — Não pergunte... – Supliquei, prendendo minha mão em seu cabelo. – Por favor! Edward beijou, demoradamente, cada cicatriz. Seus lábios se movendo contra a minha pele, pronunciando palavras doces e algumas que eu não era capaz de compreender. Ele me amou. Me amou com gestos, palavras, lágrimas e olhares devotados por horas... Até que nossos corpos cederam a exaustão física e emocional. — Não me deixe, de novo. – Não tive vergonha de implorar, me abraçando a ele com todas as forças que me restavam. – Eu morreria. Edward, se você preferir estar com ela, eu morreria. CONTINUA...
Notas finais
Por favor me deixem saber o que acharam, okay?
xoxo