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56 Capítulo 16 – Fase II – Apenas mais um passo


Notas iniciais
Twilight e seus personagens não me pertencem. Mas a Bella depressiva e o Edward super compreensivo, sim. Respeite isso.
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Eu tive um tempo muito difícil para escrever esse capítulo... Ele não teria saído sem a ajuda da Beka Assis... Muito obrigada, amiga!
Esse, é emocional, triste e intenso... E eu sei, que não vai agradar a todas, mas é o que tinha que acontecer. O próximo será melhor, em termos de carga emocional, mas em seguida, virá um ainda mais intenso que esse... Portanto, leiam com o coração, se coloquem no lugar da protagonista... Tentem sentir, pelo menos um terço do que ela sente, e talvez, seja possível entender.
PS: Escutem a música... Vai ajudar a entrar no clima.
Boa leitura!

Capítulo 16 – Fase II – Apenas mais um passo em direção ao... Fim?!

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Bella Cullen

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"You and me
We used to be together
Every day together always

I really feel
that I'm losing my best friend
I can't believe
This could be the end

It looks as though you're letting go
And if it's real,
Well I don't want to know

Our memories
They can be inviting
But some are altogether
Mighty frightening

As we die, both you and I
With my head in my hands
I sit and cry

It's all ending
I gotta stop pretending who we are...

I know you're good
I know you're real good oh

Don't speak
I know just what you're saying
So please stop explaining
Don't tell me 'cause it hurts
Don't speak
I know what you're thinking
I don't need your reasons
Don't tell me 'cause it hurts"

No Doubt — Don't Speak


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Eu só parei de correr quando senti o ar de meus pulmões faltar completamente. Eu precisei me curvar, apoiando as minhas mãos em meus joelhos, tentando inalar ruidosamente.

Eu ainda podia sentir as lágrimas, que insistiam em nublar a minha visão – o que só aumentava a minha desorientação.

Honestamente, eu não poderia ter me afastado muito do apartamento de meus sogros... Droga, agora eles eram, oficialmente, meus ex-sogros! Mas, para mim, parecia que tinha acabado de correr uma maratona.

Eu recostei meu corpo, completamente tremulo, em um muro qualquer e me permiti deslizar até o chão, sabendo que não conseguiria me manter de pé por muito tempo.

Puxei meus joelhos de encontro ao peito e tombei minha cabeça, após apertar, fortemente, as alianças penduradas em meu cordão.

Doía demais!

Especialmente, porque eu insistia em manter certa esperança de que tudo, ainda, poderia ser resolvido... Eu ainda poderia mudar as coisas, não é? Eu poderia consertar tudo que fiz de errado... Tudo o que nos levou até aqui?

Eu precisava acreditar que ainda existiam chances de reconquistar o amor de Edward... Ou eu, simplesmente, morreria.

Sem ele, eu morreria.

...

Eu não sei, exatamente, por quanto tempo permaneci ali, sentada no chão frio de uma rua qualquer, mas a cada segundo eu me sentia mais e mais perdida, completamente sozinha... E minhas forças... Por fim, minhas forças já não existiam.

Tudo o que queria era me curvar ainda mais, fechar meus olhos e acordar desse pesadelo. Ou qualquer coisa que, se não acabasse, ao menos diminuísse a dor que eu sentia em meu peito.

Eu puxei minha mochila para mais perto, após chegar à conclusão de que eu, claramente, precisava de ajuda... Eu nem mesmo conseguia me levantar. Eu alcancei meu celular, mas antes que pudesse acender o visor cheguei à conclusão de que não havia ninguém para quem eu pudesse ligar.

Se, em menos de um dia longe, eu já acionasse meu irmão, só confirmaria que ele estava certo em dizer que eu não podia ficar sozinha... Eu não tinha mais Edward e... Eu não tinha mais ninguém.

Depois de um tempo me obriguei a ficar de pé, mesmo que tivesse certeza absoluta que meu corpo não suportaria mais que alguns passos. A grande verdade é que não via muitos motivos para ficar de pé, afinal, se simplesmente desaparecesse resolveria a maior parte dos problemas dos outros.

Jasper teria, finalmente, paz para viver com Alice... Edward não teria mais que se preocupar com sua ex-esposa louca... Provavelmente, a única coisa que ainda me mantinha respirando era a estúpida esperança de que tudo se resolvesse... Que Edward voltasse a me amar, mas a cada instante essa possibilidade se tornava mais remota em minha cabeça... A cada minuto eu ponderava o porquê de ainda estar vivendo.

Consegui me forçar caminhar até a esquina da rua, chegando num ponto de taxi. Me encolhi no banco enquanto o motorista ia buscando meu novo endereço, o que parecia tornar ainda mais oficial o fato de estar sozinha.

Por um instante, cheguei a considerar a possibilidade de voltar a casa de Jasper, mas era um fato, precisava livrá-lo do peso que minha dor representava. Ele não merecia aquilo. Não merecia ouvir meus pesadelos... Meus novos pesadelos que eram infinitamente mais apavorantes que aqueles que tinha com Jacob, Sam e Embry, já que eu sabia que eles poderiam destruir meu corpo, mas Edward acabou destruindo meu coração... Minha esperança de felicidade.

Entrar naquele flat ricamente decorado, mas totalmente impessoal era como dar um mergulho dentro de mim mesma. Era exatamente assim que me sentia; oca por dentro... Fria... E provavelmente era assim que as coisas seriam daqui para frente.

Eu nem mesmo sei como consegui encontrar o quarto que deveria ocupar de agora em diante.

Caminhei até o amplo banheiro que havia na suíte principal, jogando minha mochila sobre a cama, e me livrando das roupas, enquanto em minha cabeça, as imagens do que poderia ter sido minha vida pareciam brincar diante de meus olhos.

Num instante pude ver como poderia ter sido feliz... Como poderia assistir Ben crescendo; Acompanhar sua vida ao lado de Edward, mas eu sabia que agora não fazia mais parte de seu futuro. Sabia que daqui a algum tempo ele esqueceria da "Tia Bella"... E que havia uma grande possibilidade dele ganhar uma nova "tia" daqui a algum tempo, afinal Edward não ficaria sozinho para sempre; E eu sabia que a mim cabia apenas assistir isso tudo acontecer de longe... O mais longe o possível deles, como Edward fez questão de deixar claro.

Eu olhei ao redor, observando a forma como as paredes brancas pareciam tão límpidas, totalmente ao contrario de como eu me sentia.

Eu não queria todo aquele branco me cercando, eu não queria toda a dor que se alojava em meu peito... Eu só queria um pouco de alivio.

Confesso que não pensei no que estava fazendo, no momento em que minhas mãos tremulas pousaram sobre um gilete ainda lacrado, mas sorri, ao senti-lo deslizar pela pele de uma de minhas coxas... O ardor do corte era mais do que bem vindo... Por uma fração de segundos, o sangue pegajoso que escorreu de minha perna foi capaz de camuflar a dor em meu peito.

Eu não fiz nenhum movimento para conter o sangramento, apenas observei o sangue continuar a correr, desejando que ele fosse capaz de levar minha dor embora. E quando ficou claro, que eu precisaria muito mais do que apenas um corte para ter algum descanso, permiti que a lâmina voltasse a deslizar por minha pele.

...

Me vesti novamente, e quando a solidão me envolveu novamente, busquei meu telefone pensando em primeiro como dar um fim àquelas coisas que Edward pagou para se livrar de mim. O primeiro passo seria mandar devolver aquele carro, que fora seu presente de casamento.

Assim como buscar devolver cada centavo que ele cedia pelo divórcio, e a casa que era de seus pais em Londres. Pedi que Kate me recomendasse um bom advogado, e com o numero em mãos, o informei que gostaria de deixar tudo àquilo para Ben. Era o mínimo que poderia fazer... Devolver a quem de fato merecia.

...

Eu vaguei pelo espaçoso flat, tentando encontrar qualquer coisa que me distraísse. Olhei cada centímetro quadrado, retirei todos os bibelôs que ornamentavam os moveis e voltei a colocá-los no lugar, em seguida fui até a varanda e me apoiei no parapeito, observando a forma como as luzes piscavam lá embaixo, em como as pessoas pareciam pequenas formigas se movendo incansavelmente.

Eu desejei estar lá embaixo também, me movendo como todos, seguindo com a vida... Indo a algum lugar, ao encontro de alguém.

Era cruel ver que o mundo continuava a rodar, que a vida de todas seguia em frente, enquanto eu estava sendo enterrada dentro de mim mesma.

Me perguntei porquê ninguém era capaz de perceber o quanto eu estava destruída. Como ninguém conseguia ver que eu não tinha mais conserto.

Eu fechei meus olhos com bastante força e me inclinei um pouco mais para frente, sentindo a forma como o vento batia em meu rosto, balançava meus cabelos e... Parecia me empurrar, cada vez mais, para frente.

Eu queria me entregar àquela sensação. Eu queria sentir mais do vento frio em mim. Eu queria criar asas e voar... Apenas dar um voo rasante até que tudo virasse escuridão.

Mais uma vez a imagem de Edward veio a minha mente e eu choraminguei seu nome, sentindo meu coração sendo rasgado um pouco mais.

Eu curvei meu corpo um pouco mais e abri meus olhos, percebendo como as luzes agora pareciam tentar me cegar.

- Me deixe voltar para casa... – Implorei, mesmo que ninguém pudesse me ouvir. – Eu só quero voltar para casa.

Ao longe eu ouvi meu celular começar a tocar, corri em sua direção o apertando e voltei a varanda. Novamente voltei a pousar meus olhos lá embaixo e cogitei me livrar do irritante aparelho que continuava a tocar... Talvez eu conseguisse contar os segundos que ele precisaria até bater contra o asfalto, então eu poderia ponderar se era tempo suficiente para me fazer criar asas.

Dei as costas para o parapeito e escorreguei até o chão, após um segundo de lucidez que me fez perceber em que direção meus pensamentos estavam vagando.

- "Não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido, o mundo não para que você o conserte.” – Recitei ao telefone, porque essa era uma frase que não saia de minha mente.

- Uaauu Shakespeare! – A voz de James chegou aos meus ouvidos e eu quase gemi. Quando eu ia aprender a verificar quem estava me ligando antes de atender? – Você sempre tem frases de efeito para atender a uma ligação?

- Só em momentos como esse...

- Interrompi algo importante?

- Se você julgar que cogitar quanto tempo eu levaria do parapeito de minha varanda até o asfalto lá embaixo é algo importante.

- Estamos com um humor um tanto mórbido hoje... – Ouvi uma risadinha baixa e, internamente cheguei à conclusão que era, de fato, melhor que ele visse minha estúpida declaração como uma tentativa idiota de humor. – Sabe, aquelas Heinekens ainda estão esperando por você...

- Eu já te disse: eu sou a pior companhia que você poderia ter hoje...

- Eu discordo! Os produtores acabaram de chegar... Ainda dá tempo. Venha, por favor.

- Por quê? Por que você faz tanta questão? Por que você quer a minha presença?

- Porque eu gosto de você.

- Sério??? Isso é algo bem idiota! Você seria um pouco mais inteligente se me odiasse ou, ao menos, ignorasse a minha existência... Acredite, eu sou a pior pessoa para se ter por perto.

- Sendo assim, Sra. Me odeie, venha até aqui, leia o roteiro, me xingue, dê uma de estrela e depois volte para a casa para se vangloriar por ter causado uma mã impressão e provado o quanto eu sou idiota.

- Boa noite, James! — Disse, me sentindo cansada demais para manter qualquer conversa.

- Você sabe que se desligar, eu vou ligar novamente...

- Eu ainda posso voltar a desligar.

- Ainda vou continuar a insistir.

- Então, eu posso jogar o meu celular de encontro a parede e esquecer que você ainda está tentando me ligar.

- Vamos lá, Bella. O que você tem a perder? Me dê um bom motivo para não vir.

- Eu não quero ir!

- Eu disse: um bom motivo.

- Se eu disser que te odeio, você vai desistir?

- Não. E também não vou acreditar em você.

Eu bati a minha cabeça contra o murro a minhas costas com um pouco mais de força que o necessário e tentei encontrar qualquer coisa para dizer que o fizesse me deixar em paz.

- Você, realmente, tem algo melhor para fazer? – Ele continuou, fingindo não entender minha tentativa de ignorá-lo.

- Existe alguma possibilidade que você me deixe em paz?

- Eu prometo que posso tentar... Depois de você ter vindo.

Eu bufei. Quase rosnei.

- É melhor que tenha cerveja suficiente para me colocar em coma alcoólico... E cigarros.

Bati o telefone fechado, com tanta força, que tive a esperança de quebrá-lo.

...

Eu me arrastei para fora do taxi e tive um tempo difícil para conseguir subir as escadas que me levariam a porta da casa de James.

Não eram mais do que 4 ou 5 lances, mas quando eu me recostei a porta, já estava ofegante. Felizmente, eu nem mesmo precisei tocar a campainha para que a porta fosse aberta.

- Aí está você... – James sorriu para mim e me puxou para dentro de casa. – Senhores, nossa estrela, Bella Swan...

Eu olhei ao redor da pequena sala, e posei meus olhos sobre dois homens que pareciam ignorar completamente minha presença. Eles estavam ocupados demais enrolando alguns cigarros.

- Esses são os seus exemplares produtores? – Questionei, me sentindo tonta com o cheiro que impregnava o ar. – Bela reunião de negócios!

- Eles só precisam de um pouco de incentivo... Apenas para dar vazão a criatividade.

- Se é o que você diz... – Sussurrei antes de sentir James se apossar da minha mão e me puxar em direção à cozinha.

Ele me fez sentar em uma bancada alta e me jogou um chocolate que não consegui pegar antes de caísse ao chão.

Eu o olhei com a sobrancelha erguida, mas tudo o que ele fez foi se abaixar e em seguida colocar o doce em minha mão.

- Coma.

- Você está me dando uma ordem? – Revirei meus olhos. – Sério, James, o que te faz pensar que eu vou fazer, seja lá, o que você me diga.

Ele ignorou minha pergunta e se concentrou em abrir a geladeira, retirando duas garrafas de cerveja.

Eu estendi minha mão, e ele me deu um sorriso travesso.

- Coma.

- O que você acha de eu te mandar ir para a pu...

- Coma porcaria do chocolate e depois eu te deixo beber o quanto quiser...

- Foda-se! – Foi o que sussurrei antes de rasgar a embalagem e colocar todo o doce em minha boca.

...

Eu não tenho muita certeza de como cheguei em casa... Tudo o que me lembro, vagamente, é de James insistindo em me dar uma carona.

Eu abri meus olhos e xinguei baixinho ao sentir a luz do sol me cegar.

Me arrastei para fora da cama e com um puxão, fechei as cortinhas, fazendo com que o breu tomasse o quarto.

Uma rápida inspeção me fez perceber que tinha caído na cama com a mesma roupa que usei no dia anterior... O que incluía meu converse.

Sentindo a minha cabeça martelar e minha boca seca, eu me obriguei a seguir até o banheiro.

Fitei minha imagem no grande espelho, quase não me reconhecendo.

Meu rosto parecia muito mais magro do que eu me lembrava e meus olhos estavam acentuados por grandes manchas roxas – o que aliado a minha pele pálida, me dava um certo ar fantasmagórico.

Hummm talvez se eu pintasse o meu cabelo de preto, pudesse vencer algum concurso bizarro de pior aparência.

Usando minhas mãos em concha, enchi minha boca com uma generosa quantidade de água e comecei a vasculhar as gavetas em busca de alguma aspirina.

Obviamente não encontrei. Mas, consegui encontrar meus remédios controlados em minha mochila... Não serviria para me livrar da dor de cabeça causada pela ressaca, mas talvez servisse de algo.

Engoli dois comprimidos e voltei a arrastar meu corpo até a cama.

...

Era uma rotinha doentia, eu sabia. Mas ainda assim, continuei a passar maior parte do meu dia na cama, ignorando completamente qualquer tentativa de aproximação de Jasper, Alice, Rose ou Emmett. Meu único contato com o mundo se resumia as insistentes ligações de James e os, muito aguardados, telefonemas de Ben.

Eu amava ouvir a sua voz infantil, prestar atenção em cada palavra que ele pronunciava e a forma como meu coração parecia ser consertado durante o tempo que continuávamos conversando.

Mas, bastava que o meu celular fosse fechado para voltar a sentir meu peito ser rasgado. Era então, que eu corria até o banheiro e retirava uma pequena caixa de madeira do fundo falso de uma gaveta.

Eu, então, me sentava ao chão, abria a caixa e apreciava o brilho da pequena lamina repousada sobre o veludo vermelho, respirava fundo e a permitia deslizar por qualquer pedaço de pele que ainda se encontrasse intacto.

E as noites... As noites eram as piores. Eu as odiava como nunca odiei nada em minha vida. Obviava a forma como as sombras pareciam se projetar nas paredes parecendo grandes monstros querendo me pegar, ou como, às vezes, eu conseguia ver, nitidamente, a imagem de Edward me encarando. E acima de tudo, eu odiava os malditos pesadelos, que eram tão vividos que me faziam preferir as alucinações provenientes da privação de sono.

E a cada diz que se passava, eu odiava ainda mais o fato de continuar a respirar.

...

Eu ouvi a campainha soar pelo flat silencioso e levei meu corpo cansado até a sala, sabendo que precisava fazer isso.

Apenas mais um passo a dar. E então, eu teria que me obrigar a dar mais um e tudo estaria acabado.

Eu abri a porta e forcei um sorriso que eu esperava que fosse singelo a mulher parada receosa a minha frente.

- Muito obrigada por vir. – Disse indicando o sofá, pedindo silenciosamente para que ela entrasse e se sentasse.

A babá de Ben abaixou a cabeça e evitando encontrar o meu olhar, se acomodou.

- Eu tenho certeza que você sabe porque eu a chamei aqui... – Comecei após, a servir com um copo de suco e apanhar um para mim mesma. Não que meu apetite estivesse de volta, mas eu precisava de alguma coisa que me mantivesse pé... Por enquanto.

- Eu só vim porque você insistiu... – Ela sussurrou. – Como eu já disse, eu não quero me meter nessa confusão. Não problema meu.

- Eu a chamei aqui, porque quero te contar uma historia. É uma historia real, eu a vivi... É a historia sobre como conviver ao lado das pessoas erradas podem te destruir... Completamente.

Eu fiz uma pausa e repousou meu copo, quase intocado, sobre a mesinha de centro que nos separava.

- Se após ouvi-la, você ainda achar que não deve se meter... Eu não vou mais procurá-la.

A jovem mulher levantou a sua cabeça e me olhou cautelosamente.

- Por que você está fazendo isso? Por que se importa com quem vai ter a guarda de Ben?

- Porque eu o amo. O amo como se fosse meu filho e não existe nada no mundo que eu queira mais do que vê-lo feliz.

- E você acredita que ele só pode ser feliz ao lado do pai?

- Não. O que eu acredito é que ele só pode ser feliz ao lado de pessoas que o amam, que o querem bem... Que morreriam por ele. E não ao lado de alguém que o usa para conseguir o quer.

Ela desviou o seu olhar.

- Você o quer ao seu lado, não é?

- Talvez essa fosse a única coisa capaz de me trazer de volta... Mas eu não a terei. – Respondi, recostando meu corpo a poltrona em que estava sentada. – Engraçado... Eu nunca pensei que diria isso, mas, eu acho que agora consigo entender o que meu pai sentia.

A mulher que podia resolver todos os problemas de Edward e Ben, me olhou com confusão estampada em seus olhos.

- Meu pai... Ele amava tão intensamente uma mulher que o único filho que poderia ter lugar em seu coração era o filho dela.

Eu mordi meu lábio inferior, tomando coragem de prosseguir.

- O filho dessa mulher, era também filho do meu pai... Eu descobri isso há pouco tempo... Nós três, eu, meu irmão mais velho e ele... Crescemos juntos. Éramos melhores amigos, até nos tornamos adolescentes. Ele, Jacob, se interessou por mim... Romanticamente. Eu tentei dizer não, mas para Jacob, “não” não significava nada. Jasper e ele se afastaram... Meu pai se afastou de Jasper... e Eu? Eu fiquei no meio de todos eles.

Tentando ocultar o fato que falar sobre isso me abalava profundamente, me coloquei de pé.

- Você deve estar se perguntando: O que isso tem a ver? Veja bem... Meu pai daria tudo pela felicidade de Jacob, ele o amava como nunca foi capaz de amar a mim ou a Jasper. Ele morreria por ele, ele venderia a própria alma por ele, ele sacrificaria a mim se fosse necessário. E foi exatamente o que ele fez. E você sabe o que aconteceu no final?

Eu lhe dei as costas e desejei que pudesse correr até o banheiro e alcançar minha caixinha de madeira.

- No dia em que Jacob soube quem era o seu pai... No dia em que ele soube que havia... havia...violentado a própria irmã... Nesse dia, ele correu até a casa dos meus pais, apanhou arma que meu pai usava em serviço e atirou contra a sua própria cabeça. Seu sangue... Seu sangue espirrou em meu rosto e não tem um só dia que eu não reviva isso.

Eu não me importei em esconder as lágrimas que escorriam de meus olhos, quando me voltei em sua direção.

- Meu pai usou a mim, usou a Jacob para ter o que queria... Se prender a um amor que ele nunca pode ter. Tudo o que ele conseguiu foi destruir a nós dois.

Eu parei a frente dela e a encarei.

- Então, eu não posso, eu não quero, e eu não vou permitir que o mesmo aconteça com Ben. Você acha justo... acha correto que ele, apenas uma crianças, seja usado assim? Que corra o risco de ter sua vida destruída pelo capricho de sua mãe?

...

Eu não saberia dizer se tinha conseguido convencer a babá de Ben a depor a favor de Edward, mas, com relação a isso, não existia mais nada que eu pudesse fazer.

Eu já tinha esgotado todos os meus recursos. E Tinha chegado o momento de dar o passo final.

...

Eu ainda tinha sérias duvidas se estava fazendo a coisa certa... Embora, tivesse certeza absoluta que era algo bastante estúpido de se fazer, mas aquela parte insana de mim insistia que ainda havia esperanças... Que quem sabe, se eu resolvesse as coisas, Edward voltaria para mim.

Era tão ilusório quanto uma criança esperando o Papai Noel na noite de Natal, repetindo internamente que foi boazinha o ano todo enquanto espera seu presente que nunca vinha; Mas esse era um daqueles momentos em que tudo que te mantém respirando é a esperança e eu me agarrava a ela como um naufrago se agarraria ao seu colete salva vida. Esse era o papel, o lugar do amor de Edward em minha vida... Era o amor dele que me salvava, que me mantinha sã. Sem ele, eu não era nada. Nada além de um corpo vazio, morto em vida, vagando até que tudo, finalmente, acabasse.

E era por isso, apenas por isso, que eu estava naquele estúdio, sentada mecanicamente em um camarim, sendo maquiada... Eu estava ali, a poucos minutos de me expor como nunca havia feito antes, pela intensidade dos meus sentimentos pelas duas pessoas que mais amo, e para ajudá-los, contaria minha historia para todo o país.

Suspirei longamente tomando coragem quando o sinal de 3 minutos avisou que deveria ir para próximo do palco. Ao menos, sem Alice por ali, aquilo não tinha se tornado uma superprodução... Nada de saltos enormes ou micro-vestidos que sempre me incomodavam. Pelo menos, nisso me sentia a vontade, com um jeans, uma camiseta mais alinhada e um confortável casaco por cima.

Eu não deixei de pensar neles, Edward e Ben, nem por um segundo... Nem mesmo enquanto estava em pé, esperando meu nome ser chamado.

- Tem certeza de que quer fazer isso, Bella? — A voz de Kate, chegou aos meus ouvidos, mas eu realmente não estava focada no que ela tentava me dizer. — Você inda pode desistir...

- Eu preciso... — Foi tudo que respondi, quando fui chamada ao palco.

Forcei um sorriso ao caminhar na direção da simpática mulher, e cumprimentei a plateia ali presente antes de me acomodar no lugar marcado.

Eu prendi uma mão na outra e as repousei sobre o meu colo, tentando ocultar a forma como tremia. E comecei a repetir, como um mantra: "Não chore, não chore, não chore... É por Edward!”

E quando a primeira pergunta veio, por mais que num tom leve, me feriu profundamente.

- Então, Bella, houveram rumores que você e Edward Cullen estão se separando... Isso é verdade?

Eu tentei manter minha cabeça erguida e olhar para a câmera, mas eu já podia sentir meus olhos começarem a arder.

Eu precisei me obrigar a repetir, em minha mente, o porquê de eu estar ali, me agarrar à esperança de que quando eu saísse daquele estúdio, eu poderia ter Edward, Ben, minha família de volta. Eu faria qualquer coisa para conseguir isso... Até mesmo matar uma parte de mim.

— Hmm, sim... — E aquilo, dizer em voz alta que Edward não era mais meu, parecia me rasgar por dentro — Aconteceram algumas coisas... E não estamos mais juntos...

- Pode nos contar melhor o que aconteceu?

Suspirei levemente antes de responder.

— Incompatibilidades... Tenho problemas demais para conviver com ele e Ben. Tenho me tratado, feito terapia, e evolui bastante com relação a isso, mas aparentemente, nada disso foi suficiente para mantê-los por perto... — E foi impossível conter um sorriso triste que escapou de meus lábios — Não fui boa o suficiente pra eles...

- Por que julga ser tão importante essa terapia, Bella? Como tem te ajudado?

Era para isso que tinha vindo até aqui, não era? Então, por que eu não conseguia fazer as palavras saírem?

Parecia sentir a tensão fluir por meu corpo, e precisei tomar coragem para continuar ali. Em qualquer outro momento, eu teria saído correndo ao ouvir aquela pergunta, mas era necessário falar... Eu tinha de falar.

- Quando... – Comecei, mas precisei parar ao ver o primeiro flash, a primeira imagem. Balancei a minha cabeça e tentei recomeçar. – Quando... No dia da minha formatura... No High School... Isso foi há alguns anos... Eu tinha, talvez, 18 anos... Eu não gosto muito de contabilizar isso, parecia que tornar tudo ainda mais real...

Droga! Eu estava enrolando... Tentando encontrar uma saída. O problema é que não existia nenhuma.

Eu deixei o meu olhar vagar entre as muitas pessoas no estúdio, sem, realmente, me prender a nenhuma delas... E desejei, desejei com todas as minhas forças que ele estivesse ali... Se ao menos eu pudesse vê-lo...

Meus olhos pousaram sobre um monitor e eu pude ver a minha própria imagem... Céus! Será que ele, será que Ben estavam me vendo agora? Eu esperava que não... Eu não parecia mais com quem eu costumava ser... Aqueles olhos, opacos, perdidos... Não pareciam os meus.

Sem pensar, eu levei minha mão ao cordão que sempre usava e segurei as alianças que ali estavam com força suficiente para sentir minha pele sendo cortada.

Suspirei e me obriguei a voltar a falar.

- Eu... Eu fui... Nesse dia... Violentada... Deus! Eu odeio essa palavra! Ele... era, ele era o meu melhor amigo... Para ele eu era mais... Na noite da formatura, ele e dois amigos... Era suposto ser a minha primeira vez.

Eu sabia que lágrimas escorriam por meu rosto ao dizer aquilo em voz alta, mas não era como se eu pudesse evitar.

— Eu voltei para a casa apenas no dia seguinte... Eu corri para o quarto dos meus pais... E eu contei... Meu pai me disse: “Vocês beberam um pouco e estavam só se divertindo...” Eu fugi naquela noite... Porque eu sabia que eles iriam voltar, e sabia que ninguém iria me proteger.

Tomei fôlego, criando coragem de continuar.

– Meu irmão me abrigou quando cheguei a L.A. e foi assim que conheci Edward, muito antes de qualquer filme que pudesse sonhar em fazer, e ele me ajudou a confiar... A acreditar que ainda podia existir algo de bom para mim. O fato de eu, ainda, estar aqui... é graças a ele. Foi Edward quem me trouxe de volta.

Tinha certeza que um sorriso discreto surgiu em meus lábios ao falar dele, mas era algo que não podia controlar. Mesmo com toda a dor, ele ainda era a melhor coisa que havia me acontecido.

- Em minha ultima cena no filme que fizemos juntos... Eu... Foi muito mais do que eu podia lidar. Edward achou viável um período de férias... As coisas não ocorrem de forma muito boa. Deve ter sido difícil para ele... Talvez mais do que foi para mim. Eu fiquei um tempo, não mais que alguns dias, em uma clínica... – Um riso baixo e ácido escapou por meus lábios – Sinceramente, agora, eu acredito que ele deveria ter me deixado lá... Teria sido melhor... Para ele.

- Você quer continuar? – A apresentadora perguntou docemente.

- Quando voltamos a L.A... Na noite da festa para o filme... Eu sofri um acidente e perdi o que deveria ter sido nosso primeiro filho... Engraçado como você só percebe o quanto quer algo quando perde... Eu voltei a minha cidade natal... Por um momento, eu acreditei que se enfrentasse os meus fantasmas de frente... Se conseguisse dominá-los, eu seria melhor... Boa o suficiente. Foi nessa época que eu soube que aquele que sempre achei que fosse só um amigo, era na verdade meu meio-irmão. Obviamente ele também não sabia disso, e quando soube... – Um soluço mais forte me impediu de continuar, afinal, os boatos sobre minha relação com Jacob circularam massivamente pela mídia... Todos sabiam o que havia acontecido com ele – quando voltei de Forks. – Todo mundo já sabe, não é? O que aconteceu a ele... Todas as noites, eu o vejo, todas as noites eu o seguro, todas as noites eu sinto o sangue dele espirrar em meu rosto. Todas as noites, eu tento me fazer acreditar que não foi minha culpa.

- Mas, você disse que tem feito terapia, não é? Isso deveria te ajudar...

- Sim, tem me ajudado bastante... — Era uma mentira deslavada. Nunca tinha realmente me ajudado, mas era o que eu deveria dizer. — Infelizmente, não o suficiente para merecer uma família...

Eu senti quando a mão da apresentadora tocou levemente o meu braço. Voltei meus olhos a ela e sorri levemente.

- Enfim, isso me torna inadequada a ser a Sra. Edward Cullen. Mas, você quer saber o que me trouxe aqui? O que me fez falar sobre algo que eu tentei, tão duramente, esconder? Quando as pessoas dizem que eu... Que eu não sou boa o suficiente, que eu não tenho estabilidade o suficiente... Bom, existem grandes chances de que essas pessoas estejam certas. Mas, sobre uma coisa todas elas estão erradas: Edward é o melhor para Ben, sempre foi e sempre vai ser... Ele o ama como nunca amou nada, nem ninguém e ele faria qualquer coisa pelo filho... E não era justo, não era correto, que os dois perdessem a oportunidade de serem felizes, juntos, por minha culpa.

...

Obviamente, foi complicado continuar ali, sorrindo as câmeras; mantendo meu rosto impassível quando minha única vontade era um novo corte que pelo menos por alguns instantes me fizesse esquecer aquela dor absurda de cada instante longe dele.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, me deixem saber o que acharam, okay?
xoxo