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77 Capítulo 14 - Fase III


Notas iniciais
Sim!! Uma vida se passou até que esse capítulo saísse... Sinto muito, mas a vida real é uma bitch!! Boa leitura!

CAPÍTULO 14 – Fase III

BELLA

O som estridente de um grito infantil me fez abrir os olhos e, atordoada, sentar no meio da cama com rapidez o suficiente para fazer tudo ao meu redor oscilar. Se o som angustiante não continuasse a ecoar pelo quarto, eu teria gasto bons minutos tentando recuperar o equilíbrio, mas quando o grito morreu e se transformou em um choro baixo e sentido, eu me obriguei a levantar, ainda que cambaleante, e deixar o quarto.

Eu estava exausta, tonta e, sendo bem honesta, completamente perdida, sem nenhuma noção do que fazer, porém quando abri a porta do quarto de Benício, acendi a luz e encontrei os olhinhos azuis dele me encarando, respirei fundo e tranquei qualquer pensamento que não fosse sobre a criança assustada que me olhava em algum lugar da minha mente.

Com um sorriso fraco no rosto, eu me aproximei da cama.

— Hey, Campeão! – Eu nem mesmo me dei ao trabalho de perguntar qual era o problema. Sabia que era um pesadelo, um dos muitos que ele teve todas as noites no último mês. – Está tudo bem. A mamãe está aqui...

Eu estava pronta para puxá-lo para um abraço reconfortante, afinal isso era tudo o que eu era capaz de fazer... confortá-lo, tentando fazê-lo entender que nada, jamais, o separaria de mim, quando os olhos dele voltaram a transbordar e, envergonhado, ele apontou para as calças do seu pijama.

Eu suspirei quando vi a mancha molhada, mas não me surpreendi. Não era a primeira vez e, embora não acontecesse todas as noites, quando acontecia era um prenúncio de que o dia seguinte seria ainda mais complicado do que anterior. Embora tentasse sem sucesso fazer com que Ben me dissesse sobre o que sonhava, eu sabia que os pesadelos eram piores quando ele molhava a cama.

— Desculpa... – Ele disse baixinho, fungando, tentando parar de chorar, quando eu o tirei da cama e, lutando para nos manter em pé, o carreguei até o banheiro.

— Está tudo bem, meu amor. – Eu respondi baixinho. – Você não precisa se desculpar. Eu sei que foi sem querer.

Colocando-o dentro da banheira, eu tirei o pijama sujo e ajustei a temperatura da água antes de permitir que Benício se acomodasse melhor e passasse a correr os dedinhos sobre a água que o cercava.

Banho de banheira sempre tinha sido o momento predileto do meu pequeno, mas ainda assim quando eu fechei a torneira e coloquei alguns dos brinquedos prediletos dele ao seu lado, ele apenas ficou lá parado, me olhando.

Eu quis chorar porque aquele menininho me encarando não era a mesma criança que tinha roubado o meu coração e me feito amá-lo incondicionalmente. E Embora fosse completamente irracional, eu estava começando a me sentir culpada.

Tinha sido assim, durante os últimos 45 dias. Ele estava sempre ao meu redor, silencioso, com os olhos cravados em mim como se temesse que eu desaparecesse a qualquer momento, sem risadas, perguntas, pedidos... nada. Só uma sombra em miniatura me seguindo e provocando um escândalo quando eu, por algum motivo, não podia estar com ele.

Era horrível mandá-lo para a escola. Se eu o levasse, ele faria uma birra tão grande que seria impossível deixá-lo lá e, invariavelmente, eu voltava para casa irritada, frustrada e acompanhada por uma criança chorosa que se recusaria a falar comigo, embora ainda me seguisse, pelo restante do dia. Se eu o aprontasse e deixasse que Edward, Esme ou a babá o levasse, era ainda pior, ele chorava, se recusava a tomar o café da manhã, arrancava a roupa que eu havia colocado, se jogava ao chão, corria para longe e, por fim, quando conseguíamos fazê-lo entrar no carro, ele gritava que odiava o bebê dentro de mim.

A primeira vez que o ouvi gritar isso, meu coração pareceu se partir e meu corpo congelou por tempo suficiente para Edward voltar para casa e me encontrar, chorando copiosamente, sentada nos degraus de frente da nossa casa. No fundo eu sabia que não era verdade, era só uma criança assustada, tentando se defender do que achava ser um perigo, mas a possibilidade de Ben realmente odiar o irmãozinho me amedrontou tanto que eu só consegui calar meu próprio choro quando o vi voltar para casa, emburrado e propositalmente malcriado. Mesmo com todos os protestos dele, o abracei e repeti que nada no mundo me faria deixar de amá-lo.

Foi quando o levamos a psicóloga pela primeira vez. E desde então, eu tinha feito tudo o que me recomendaram, mas o meu menino só parecia piorar. Em alguns dias, ele ficaria quieto demais, a ponto de me fazer verificá-lo de 5 em 5 minutos, com medo que algo estivesse ainda mais errado e em outros dias, ele ficaria irritado, fazendo birra por absolutamente tudo e, em dias após os piores pesadelos, ele jogaria seus brinquedos pelo chão ou em cima de mim, gritaria e espernearia durante todo o dia a ponto de me provocar uma dor de cabeça só para depois se encolher em algum canto e chorar. Era frustrante e terrivelmente angustiante porque nada que eu fazia parecia ajudar.

Esme estava ajudando, assim como Carlisle, e Edward havia desmarcado todos os compromissos possíveis, chegando a inclusive a abrir mão de um novo filme, mas não importa quantas pessoas estivessem ao redor, eu era o alvo da tristeza ou da ira do meu pequeno e isso, aliado ao mal estar do início da gravidez e ao medo de que tudo ficasse ainda pior quando o bebê nascesse, estava começando a cobrar o seu peso sobre mim.

— Não chora mamãe... – A voz doce me fez perceber que tentar conter as lágrimas não era o mesmo que impedir o choro, e embora eu ainda estivesse ali, ao lado da banheira, ensaboando meu filho com carinho, minha mente tinha se perdido por um momento. – Não vou fazer xixi na cama de novo. Prometo! Não precisa ficar triste.

— Está tudo bem, filho... – Eu me obriguei a sorrir para ele. – Não estou triste por isso. Essas coisas acontecem... Logo logo passa.

Ele não respondeu, mas se inclinou para me dar um beijo.

— Eu te amo, ok? – Eu disse, transformando o sorriso mecânico em um verdadeiro. Por um momento, era o mesmo Benício que sempre encontrava uma forma de colocar um sorriso espontâneo no meu rosto.

— Não ama nada. – Ele respondeu e, cinco minutos mais tarde, eu precisei lidar com um patinho de borracha sendo atirado contra mim.

Eu ignorei o inicio de pirraça sem motivo e o tirei da banheira, enrolando-o em uma toalha que no segundo seguinte foi arremessada ao chão.

Tentei repreendê-lo, mas obviamente, ele não estava interessado em me obedecer, o que tornou a tarefa de vesti-lo em uma missão quase impossível. Trocar os lençóis da cama foi ainda mais complicado, com Benício do meu lado puxando as fronhas dos travesseiros e desarrumando o que eu arrumava.

— Droga, Benício, já chega! – Eu me peguei gritando com ele pela primeira vez. O som inesperado, o fez parar no meio do quarto com o lençol limpo enrolado nas suas pernas, me olhando como se nunca tivesse me visto antes, enquanto eu me repreendia mentalmente por ter alterado o tom de voz, afinal gritos não nos levaria a lugar algum.

Eu estava a ponto de pedir desculpas, quando ele tacou o lençol no chão e cruzando os braços, gritou de volta:

— Não quero mais ficar com você. Não gosto mais de você. Não gosto.

Eu engoli o bolo que se formou na minha garganta e, apanhando o lençol do chão, passei a forrar a cama com exagerado esmero.

— Isso não é verdade... – Disse baixinho, sabendo que eu estava certa e, ainda assim, irracionalmente magoada pelo o que tinha ouvido. – Mas gostando de mim ou não, eu vou continuar aqui com você.

Deixando a cama de lado, eu me voltei para ele mais uma vez e me abaixei, para olhá-lo nos olhos.

— Eu sou sua mãe, Ben. E eu te amo, mesmo que você não goste de mim.

Eu esperava por uma nova onda de choro ou por pela continuidade da pirraça, mas tudo o que ele fez foi me olhar com raiva.

— Não é não! – Ele gritou novamente e com as mãos espalmadas me empurrou para longe.

Eu pensei em ir atrás dele quando ele correu para fora do quarto, mas a surpresa me fez ficar parada, dividida entre voltar a chorar ou ser a mãe forte que ele precisava que eu fosse.

No fim, foi o bebê dentro de mim que me fez me mover, quando um enjoo trouxe bile a minha boca.

Os enjoos matinais tinham se tornado rotina, mas decidiram aparecer mais cedo naquele dia, então deixando que Benício corresse pela casa o quanto quisesse, eu me obriguei a voltar ao meu próprio quarto a tempo de alcançar o banheiro e colocar para fora o que tinha me obrigado a comer no jantar.

Suando frio, eu lavei a boca, sabendo que era inútil, afinal eu voltaria vomitar em alguns minutos e olhei para minha cama, desejando que Edward estivesse lá em vez de em um voo noturno de volta para casa, depois de alguns compromissos inadiáveis, ou que eu pudesse pelo menos voltar a deitar.

Exausta e resignada, eu voltei para dentro do banheiro mais uma vez, cansada demais para lutar contra a vontade de continuar vomitando.

— Tô com fome! – Benício apareceu no momento em que eu senti como se meu próprio estômago estivesse a ponto de ser colocado para fora e lágrimas de frustração escorriam pelo meu rosto.

Me arrastei até a pia e, pela segunda vez, escovei os dentes e lavei o rosto.

— Então agora você gosta de mim novamente? – Eu questionei quando ele me seguiu em direção a cozinha.

— Tô com fome!

Ainda estava escuro lá fora, mas eu preparei uma tigela de cereal e a entreguei a Ben, mesmo assim.

— O papai volta hoje... – Disse me recostando na mesa para vê-lo comer. – O que acha de sairmos para passear?

Ele não respondeu, é claro. Apenas acabou de comer e correu para a sala. Antes que eu conseguisse lavar a tigela, já podia ouvi-lo jogando algum brinquedo ao chão. Eu o segui porque não o deixaria sozinho, mesmo que estivesse em uma das suas terríveis crises de pirraça. Mas após repreendê-lo algumas vezes sem sucesso, eu apenas me joguei sobre o sofá e o observei enquanto o via arremessar seus bonecos e carrinhos pelo cômodo, tentada a ligar para Esme e pedir ajuda ou a verificar se o voo de Edward já havia pousado... No fim, eu o deixei se cansar até que viesse a pior parte, aquela em que ele voltaria ao choro. Quando as lágrimas começaram, eu o puxei para o meu colo, o apertei contra o meu peito e o deixei chorar até que o pranto o fizesse voltar a dormir.

Era a minha oportunidade de dormir mais um pouco também, mas foi quando a minha crise de choro começou.

E foi assim que Edward me reencontrou, três dias depois de ter viajado para participar de um evento que não conseguiu desmarcar. Com nosso filho no meu colo — dormindo pacificamente como se a noite não tivesse sido interrompida por pesadelos, xixi na cama, birras e choros – a ponto de voltar a vomitar e com os olhos vermelhos.

Ele beijou a minha testa, tirou Ben dos meus braços, o acomodou sobre o sofá e, sem dizer nada, me puxou para o seu colo e me abraçou.

— Estou com medo. – Confessei me agarrando a ele. – Medo que ele me odeie, medo que ele odeie o bebê... Não sei o que fazer...

— Shiii... – Ele sussurrou contra o meu cabelo. – Vamos descobrir o que fazer juntos. Ele não te odeia... Ele te ama, Bella! E está com medo de te perder, mas vai passar... Tudo isso vai passar.

***

EDWARD

Eu poderia ter carregado Benício para a cama, como tinha feito com Bella logo depois de vê-la adormecer em meus braços, mas o deixei permanecer no sofá, com medo de que ele a acordasse novamente caso tivesse um novo pesadelo ou uma nova crise de pirraça.

E olhando-o dormir, senti tanto medo quanto minha esposa tinha confessado sentir. Não que nosso filho passasse a odiar a nova mãe que tanto amava, mas que ele nunca conseguisse vencer o medo de ser preterido em relação ao irmão ou irmã que chegaria em alguns meses. E ao mesmo tempo, senti raiva... raiva de Victoria, afinal tinha sido o descaso e indiferença dela que havia plantado a carência e o medo de ser deixado dentro de Ben. Se ela tivesse sido a mãe que deveria, que Benício merecia, ele não teria motivos para se sentir acuado, assustado com a possibilidade de dividir a atenção dos pais com um irmão.

Era frustrante não saber o que fazer, não saber se tudo realmente se resolveria como eu havia dito a Bella. Mas não saber como agir, não me faria desanimar ou desistir porque ainda que nada voltasse a ser como antes de sabermos do bebê a caminho, ainda seria a nossa família e eu me recusava a aceitar que houvesse qualquer outra coisa além de amor nos unindo, todos nós.

— Papai? – Ben me chamou, soando receoso, talvez com medo que eu o repreendesse como sempre fazia depois das suas pirraças. – Cadê a mamãe?

Eu fiz um carinho no cabelo dele, vendo o rosto ainda sonolento olhando ao redor.

— A mamãe está dormindo...

Ele se levantou, pronto para correr ao quarto, mas eu o segurei.

— Nada disso. – Disse com firmeza. – Eu disse que ela está dormindo e vamos deixá-la dormir.

— Tá mentindo... – Ele acusou, mas os olhos se encheram de lágrimas.

— Não estou. – Mantive a voz firme, embora quisesse o abraçar. – Eu não minto para você. Quantas vezes eu te disse que mentir é muito feito?

Ele balançou a cabeça como se fosse me responder, mas lançou um olhar para a escada no meio da sala.

Eu respirei fundo e, segurando firmemente na mão pequena, o deixei subir os degraus.

Devagar, abri a porta do nosso quarto e deixei que Benício espiasse lá dentro, vendo Bella sobre a cama, agarrada ao meu travesso.

Ele tentou entrar, mas eu o freei e voltei a fechar a porta do quarto. Me ajoelhei e olhando nos olhos dele, disse:

— Eu não minto para você, lembra?

— Porque mentir é muito feio... – Ele respondeu baixinho.

— Isso mesmo.

— Quero dormir com a mamãe... – Ele pediu, lançando um olhar esperançoso para a porta fechada.

Estava pronto para negar, mas ele conseguiu me desarmar, quando continuou em um sussurro.

— Vou ser bonzinho... Não gosto quando ela chora. Fiz ela chorar... Fui malvado.

— Não foi, filho... – O abracei apertado. – Mamães choram às vezes.

— Eu dei um beijo e ela riu... – Ele contou sério. — Mas depois chorou de novo, eu vi... mas estava com raiva por isso não dei outro beijinho.

— E por que você estava com raiva?

— Porque ela ta dodói... Tava vomitando no banheiro. Meu irmãozinho faz a mamãe ficar dodói... Não gosto, fico com raiva.

Eu sorri. Mesmo que estivesse com raiva e com ciúmes, ele também tinha ficado preocupado com a mãe e isso era porque ele a amava.

— Ela não está dodói... Não precisa se preocupar.

— Tá sim! – Ele teimou. – Ela comeu o bebê e agora está dodói.

Eu tentei, mas não consegui evitar uma gargalhada.

Ele me olhou emburrado.

— Quando tomei muito sorvete, fiquei dodói assim... O médico passou um remédio e melhorei... Vamos pedir para o vovô dar um remédio para ela também e não vou ter mais um irmãozinho.

Algumas vezes eu me esquecia que ele era só uma criança, ainda que uma criança bastante esperta. Ele não compreendia como tudo funcionava.

— A mamãe não comeu o bebê, Ben. O papai colocou o bebê lá dentro e quando chegar a hora o seu irmãozinho vai chegar... e vai ser ótimo, você vai ver.

— Não quero! – Ele bateu o pé, irritado.

— Sinto muito, filho. Mas você vai ter um irmãozinho mesmo que agora não queira um e ele ou ela vai ser o seu melhor amigo um dia.

— Não quero! – Ele repetiu. – Tenho amiguinhos na escola. Não quero outro.

— Vai ser diferente. Igual o Tio Jasper é amigo da mamãe... Lembra do que ele te disse quando veio te visitar? Que ter uma irmãzinha foi incrível?

— Ele disse que ela é a melhor... a melhor... Não lembro direito. – Ele deu de ombros e voltou a olhar para o quarto.

— A melhor coisa que ele já teve... Foi isso que o Tio Jasper disse. Seu irmãozinho vai ser assim também para você.

— Quero a mamãe... – Ele fungou, sentido. – É a minha mamãe. Só minha!

Eu voltei a fazer um carinho, bagunçando os cabelos dele. Talvez o tempo o fizesse entender... tempo, paciência e muito amor.

— Ok... – Concordei, voltando a me levantar. – Mas você não vai acordá-la... Promete?

Ele concordou com a cabeça e cumprindo a promessa, entrou devagarzinho no quarto quando abri a porta e com cuidado subiu na cama... Pensei que ele a abraçaria ou beijaria o que, consequentemente, o faria quebrar a promessa que o fiz fazer, mas ele só deitou do lado dela e ficou olhando-a.

Depois de um tempo, ele virou pra mim e sorriu.

— Ela é bonita...

Eu me deitei ao lado dele, deixando-o entre Bella e eu.

— Ela é linda! – Concordei.

— Fiz pirraça... – Ele contou como se me dissesse um segredo e depois ficou me olhando, talvez esperando que eu brigasse com ele. Quando não disse nada, ele chegou para mais perto de mim e continuou ainda mais baixo: — Mas ela não brigou comigo... Sabe o que ela disse, papai?

— O quê?

— Ela disse que me ama... Não era mentira, era?

— Não era, filho. – Confirmei e o beijei na testa.

— Porque mentir é feio... e a mamãe não faz coisa feia.

— Isso mesmo... Tudo o que ela te diz, é verdade. E ela te ama, nada nunca vai mudar isso.

Ele assentiu e voltou a olhar para Bella, se inclinou como se fosse beijá-la, mas parou e me olhou.

— Vou ser bonzinho. – Prometeu.

Eu ri com vontade, o que provavelmente foi uma péssima escolha porque o deixou confiante o suficiente para quebrar a promessa e beijá-la. Um beijo estalado e babado que teria feito Bella gargalhar junto comigo, se não estivesse tão cansada a ponto de nem perceber.

— Ainda tô com raiva... – Ben disse se abraçando a ela. – Ainda não quero um irmãozinho.

— Eu sei... – Respondi, me acomodando melhor na cama e abraçando os dois. – Mas você vai mudar de ideia, campeão.

— Se for uma irmãzinha... – Ele começou, mas parou.

— Se for uma irmãzinha... – Eu o incentivei a continuar.

— Talvez seja legal como o Tio Jasper falou.

Gostaria que Bella estivesse acordada para ouvir isso... Ainda não era uma aceitação, ainda íamos ter que lidar com muitas crises de ciúmes e birras, mas esse “talvez” era um bom começo.

— Vai ser. – Eu o apertei em um abraço desajeitado. – Eu prometo!

****

Já passava do meio-dia quando eu deixei um Benício surpreendentemente bem-humorado e incrivelmente animado aos cuidados de Jasper e Alice.

— Vai me ensinar a tocar, Tio Jasper? – Ele pediu animado quando meu cunhado se sentou no chão aos pés da sua cama, dedilhando um dos meus violões.

A mudança de comportamento era tão bem-vinda que eu não me importaria de ceder todos os meus violões para Jasper.

— Vou tentar acordar a Bela adormecida... – Disse a Alice, depois de observar Ben puxar uma das cordas do violão.

— Acordar... Sei. – Ela piscou para mim.

Eu ainda estava sorrindo quando voltei ao nosso quarto e o sorriso ficou ainda maior quando acariciei o rosto de porcelana da minha esposa, fazendo-a usar uma das mãos para tentar afastar os meus dedos.

— Vamos lá, dorminhoca... Tá na hora de acordar. – Eu continuei a deslizar meus dedos por seu rosto, até que os olhos verdes se abriram, sonolentos e irritados.

— Odeio quando você me acorda... – Ela disse em meio a um bocejo. – Odeio quando qualquer um me acorda.

Eu ri ao mesmo tempo em que puxava o edredom para longe e me acomodava sobre as pernas longas, antes de me inclinar e depositar um beijo no pescoço esguio.

— Odeia mesmo quando eu te acordo assim?

— Talvez, se você continuar, eu odeie um pouco menos... – Bella sorriu para mim e com uma piscadela, ofereceu o pescoço que eu tratei de voltar a beijar.

— Antes... – Eu interrompi os beijos para voltar a erguer o meu tronco. – Me deixe olhar para você um pouco.

— Senti sua falta... – Ela disse manhosa, quando eu abaixei uma das alças da camisola que ela usava e infiltrei minhas mãos pelo bojo, sentindo a pele quente dela me aquecer.

— Acho que estão maiores... – Eu disse ao acariciar um seio.

Ela riu, mas o riso se transformou em gemido quando apertei o mamilo entre os dedos.

— Edward...

— E aqui... – Eu me afastei apenas o suficiente para dirigir o meu olhar até o ventre levemente inchado e, fascinado, fiz a seda que a cobria subir, até que o pano estivesse embolado abaixo dos seios cheios.

Era quase imperceptível aos olhos desatentos, vestida Bella nem mesmo parecia grávida... mas eu podia ver o leve inchaço, poucos centímetros a mais que me encantavam e denunciavam que nós tínhamos mesmo criado uma vida.

— Aqui... – Eu corri meus dedos pelo estômago dela, levemente, deixando-a arrepiada. – Aqui está definitivamente maior, ainda mais bonito.

— Edward... – Ela voltou a rir. – Você esteve fora por três dias. Meus seios não cresceram em três dias, ou a minha barriga.

— Será? – Eu espalmei o ventre, sentindo a pequena elevação contra a palma da minha mão, sorrindo como um idiota. – Eu li em algum livro que dentro de uma semana, o bebê pode dobrar de tamanho... Em três dias, ele definitivamente cresceu alguns centímetros. – Ela gargalhou e, como sempre, foi um dos sons mais lindos que já ouvi. — Eu mal posso esperar para ter que usar as duas mãos e ainda assim não conseguir cobrir toda a pele... Para sentir o que está acontecendo aí dentro. Talvez na semana que vem, já esteja bem maior... Você vai ficar ainda mais linda.

— Mais alguns meses e vamos tê-lo aqui...

Eu depositei meus lábios sobre a pele morna de Bella, acariciando aquela que ainda era a casa do nosso filho por mais alguns meses.

— Menos de seis meses, Bella... E contando.

Ela acariciou o meu rosto por um segundo, sorrindo, antes de morder o lábio e prender seus dedos nos meus cabelos, me impedindo de desviar o olhar.

— E você pretende passar esses meses aí, calculando quantos centímetros a mais ganho por dia... ou vai me dar alguma ação?

— Você ouviu, bebê? – Eu voltei a beijá-la, roçando de leve os dentes contra a pele, da forma como eu sabia que a excitava. – Mamãe quer alguma ação enquanto você não chega... – Qualquer coisa que eu pretendesse dizer morreu diante do gemido que Bella não pôde calar quando meus dentes alcançaram e removeram a calcinha que ela usava.

Eu toquei a umidade, provocando um novo gemido e, embora adorasse ouvi-la, me obriguei a levar meus beijos em direção ao norte.

— Shiii... – Sussurrei ao mordiscar um mamilo intumescido. – Não estamos sozinhos em casa.

— Ahh meu Deus! – Ela tentou me afastar. – Benício...

Eu nos virei sobre a cama, colocando-a sobre o meu colo para que pudesse retirar a camisola embolada e ver os seios cheios balançarem, quase me hipnotizando.

— Ele está aprendendo a tocar violão com o Tio Jasper... Se você for uma boa menina e ficar quietinha, todos vão achar que ainda está dormindo.

— A porta... – Ela tentou dizer quando eu abocanhei um seio, provocando um novo gemido que ela tratou de abafar com uma das mãos. – A porta, Edward.

— Trancada, baby. – Eu respondi e voltei a beijá-la.

Não importa o que ela tinha dito sobre nada ter crescido em três dias, os seios excitantes estavam maiores sim, e mais pesados, e eu simplesmente amava o fato de ser capaz de perceber essas mudanças, ainda que sutis.

Ela gemeu novamente, mais alto, e eu levei a minha mão até os lábios cheios, minimizando o som.

— Sensíveis demais? Dói? – Parei por um segundo, tentando ver nos olhos cheios de luxuria se estava tudo bem.

— Oh não... – Ela prendeu os dedos no meu ombro, apertando as unhas contra minha pele. – Tão bom...

Bom não chegava nem perto de descrever o que era senti-la assim, mas era o suficiente para me fazer saber que tudo estava perfeitamente bem. O suficiente para deixá-la se livrar das minhas roupas e, tão ansioso quanto ela, me perder na prazerosa sensação de tê-la ao meu redor.

E ficou ainda melhor... muito melhor, quando voltei a deitá-la sobre a cama e, com nossos olhos presos um no outro, pude me mover, sentindo-a quente e molhada me recebendo, pedindo por mais.

E como sempre, eu dei a ela tudo o que ela me pedia. Mais rápido, mais forte, mais de tudo o que ela quisesse, até que eram os meus gemidos que não podiam ser abafados, meus pedidos por mais que precisavam ser atendidos... Até que o doce e inebriante clímax me dominasse, me fizesse morrer e reviver nos braços dela.

***

— Você acha mesmo que isso é uma boa ideia? – Bella sussurrou no meu ouvido quando nos acomodamos na sala de espera do consultório da sua obstetra, aguardando pelo momento em que poderíamos ver o nosso bebê outra vez, através da ultrassonografia.

Antes de responder, observei Benício se afastar para pegar uma revista em que eu aparecia na capa e correr para mostrar para a sua babá.

— Eu acho que se ele ver o bebê, se o ouvir... Talvez se conecte com ele. Vai tornar tudo mais real. – Me virei para olhar a minha esposa e sorri tentando passar alguma confiança. – Que mal vai fazer? Já tentamos tudo o que nos mandaram fazer e, sinceramente, não teve muito resultado.

— Talvez ele tenha uma crise de ciúmes lá dentro, talvez fique irritado... ou magoado. – Ela lançou um olhar para Ben e suspirou.

Eu sabia que estava sendo difícil para ela e estava me quebrando o coração vê-la sufocar a alegria por estar gerando uma nova vida por medo de como isso afetava o nosso filho.

— Ou talvez ele fique fascinado... como eu fiquei na primeira vez. Olha, se você não acha uma boa ideia, ele pode nos esperar aqui. Mas eu acho que vale a pena a tentativa.

— Tudo bem... vamos ver o que a médica acha, ok?

Eu concordei com um aceno de cabeça e fui o primeiro a pular da cadeira quando o nome dela foi chamado.

— Talvez hoje consigamos descobrir se teremos um novo menino ou uma princesa. – Eu a ajudei a levantar e, antes de adentrar o consultório, lancei um olhar de advertência a Benício quando ele tentou se agarrar a Bella.

Antes que ele começasse a chorar, eu me abaixei, olhando-o nos olhos.

— Nós vamos ver o bebê, Ben... Você quer conhecê-lo?

Ele fez o já habitual bico, mas a forma como olhou para Bella entregou que ele estava dividido entre ir com ela e conhecer o irmãozinho ou fazer birra e ficar alguns minutos longe da mãe.

— Se você quiser... – Ela disse suavemente, com um sorriso estampado, acariciando o rosto do nosso pequeno. – Eu posso pedir a médica para te deixar entrar... O que acha?

Ele só deu de ombros e foi para perto da babá, fazendo o sorriso de Bella se apagar.

— Acho que isso é um não... – Ela me puxou pela mão e adentramos o consultório.

***

Ela estava nervosa, eu podia ver pela forma como ela estava toda tensa sobre a maca, olhando para a tela ainda preta e suspirando.

Eu quis apertar a mão dela, mas minhas próprias mãos estavam ocupadas, segurando um inquieto Benício no meu colo.

Nós pudemos ouvir o choro dele de dentro do consultório e não tinha sido bonito, especialmente porque ele não parou mesmo quando eu saí e o repreendi e quando Bella tentou, ficou ainda pior. Era uma boa coisa que tivéssemos um horário especial, depois do encerramento do expediente, ou as manchetes dos tabloides na manhã seguinte seriam sobre como Benício Cullen havia se tornado uma criança mimada e respondona.

Quando a própria obstetra sugeriu que o deixássemos entrar e Bella cerrou os olhos, claramente prevendo que a birra seria ainda pior dentro do consultório, eu me arrependi da ideia idiota de trazê-lo com a gente.

Estranhamente, uma vez dentro do consultório, ele ficou quieto, observando tudo com um misto de curiosidade e espanto.

— Tá grande... – Ele me disse, claramente espantando, quando a médica afastou o robe de hospital que Bella usava e despejou um pouco de gel sobre a barriga dela. – Eca!

Eu ri baixinho. A barriga dela ainda não estava tão grande quanto fatalmente ficaria, mas definitivamente já tinha ganhado forma e era a elevação redondinha que tinha chamado a atenção de Ben. E de agora em diante chamaria a atenção de qualquer um que a olhasse... O que nos obrigaria a contar ao mundo que nossa família aumentaria. Seria mais fácil se o mundo descobrisse depois de Benício ter aceitado o fato que um irmãozinho chegaria em algum momento.

— Muito bem, estamos na 18ª semana... – A médica roubou a nossa atenção quando a tela ganhou vida. – Aproximadamente 130 gramas, 14 centímetros...

— Olha, filho... – Eu o acomodei melhor no meu colo, de forma que ele pudesse olhar para a tela se quisesse.

— Bella, relaxe...

Eu lancei um olhar para minha esposa e ela tinha os olhos cravados em Ben, estudando cada reação dele. Acomodando Ben no meu quadril, eu levei uma das mãos até a de Bella e apertei.

— Tá tudo bem... – Sussurrei quando ela me olhou.

Ela assentiu, mas voltou a ficar tensa quando o som do batimento cardíaco do nosso bebê encheu a sala.

— O que é isso? – Benício perguntou e tentou se inclinar em direção a barriga de Bella. Eu o segurei com um pouco mais de força, receoso que ele se jogasse sobre ela e a machucasse.

— Esse é o coração do bebê... – A médica respondeu tranquilamente. – Batendo forte igual o seu.

— Por que não dá para ouvir o meu coração? – Ele perguntou e colocou o ouvido no meu peito, tentando ouvir o meu.

— Ahh mas podemos ouvir o seu também... Eu posso te mostrar depois que acabarmos aqui, o que acha? – A doutora piscou para ele.

— Ok... – Ele respondeu, inseguro, e voltou a prestar atenção na tela, fazendo Bella soltar um suspiro de alivio. – Cadê ele?

A médica apertou algumas teclas no seu teclado e uma imagem fixa preencheu a tela.

— Aqui está... Essa é a sua irmãzinha.

— Ai meu Deus! – Bella apertou forte a minha mão.

— Uma menina? – Foi a minha vez de engasgar e fixar o olhar na tela, tentando imaginar o rostinho que eu mal podia esperar para conhecer, antes de me abaixar para beijar a testa de Bella. – Uma menina, meu amor, nossa menina.

— Não to vendo nada! – Ben resmungou e, com as mãozinhas, afastou o meu rosto do da mãe. – Mamãe, não to vendo nada.

— Ali, filho, é uma menina... e ela é linda. Você não acha?

Benício voltou a olhar para a tela por mais alguns segundos, antes de dar de ombro.

— Não tô vendo nada. – Repetiu, mas seus olhinhos brilharam quando a médica mudou o ângulo da imagem e o contorno do rosto da nossa filha ficou visível. – Tô vendo... Mamãe, tô vendo!

Eu abracei meu filho mais apertado, maravilhado com a visão a minha frente. Ainda não era possível ver nitidamente o rostinho, mas era os contornos da minha filha ali, bem na frente.

— Linda... – Eu levei meu olhar até Bella, sentindo algumas lágrimas escorrerem. – Ela é tão linda quanto você.

***

— Então, Benício, você quer ouvir o seu coração agora? – A médica se abaixou na frente do meu filho e lhe mostrou um estetoscópio, enquanto aguardávamos Bella se vestir.

— O Vovô tem um igual... – Ele disse, olhando para o aparelho.

— Eu duvido que o dele seja tão bonito quanto o meu... Todo rosa. – A obstetra riu e, delicadamente, colocou os auriculares nas orelhas de Ben e posicionando o auscultador infantil de encontro ao peito dele, deixou que ele ouvisse o próprio coração batendo forte, animado.

— Uau! – Ele exclamou na hora que Bella voltou a se juntar as nós. – Maneiro!

— Obrigado! – Eu puxei minha esposa para perto e a abracei, enquanto nosso filho interagia com a médica, aparentemente esquecido de onde estava. – Você, nossa filha... nossa família... Nunca vou ser capaz de agradecer o suficiente.

Ela não respondeu, mas o olhar que encontrou o meu me dizia que ela sentia o mesmo que eu naquele momento, um sentimento inexplicável que eu só poderia chamar de verdadeira felicidade e que ficaria ainda maior e mais puro quando o nosso menino finalmente entendesse que sua irmã jamais roubaria o seu lugar. E vendo-o olhar para a barriga de Bella a cada minuto, ao deixarmos o consultório, com os olhinhos cheios de perguntas não ditas, me dava esperanças que esse momento estava chegando.

— Então, Ben... – Jennyfer, a babá que nos acompanhava, sorriu para o meu filho depois de nos acomodarmos no carro, prontos para voltar para casa. – Você viu o seu irmãozinho?

— Irmãzinha... – Ele corrigiu distraidamente, brincando com um boneco que encontrou no carro. – Acho que é uma menina.

Bella se remexeu em seu lugar ao meu lado e olhou para o banco de trás.

— Uma menina, hein? – A babá riu para ele. – E o que você achou?

Ben olhou para a mãe por um segundo, antes de responder:

— É... Até que foi legal.

Eu vi o sorriso de Bella se abrir. Ela me olhou, os olhos brilhando.

— É... – Ela sorriu para o nosso filho. – Foi mesmo muito legal!

Quando coloquei o carro em movimento, Benício já estava entretido com o seu boneco, alheio ao fato de que uma palavrinha sua tinha feito Bella tão feliz. Ele não poderia saber, talvez ninguém mais percebesse, mas quando ela levou seus dedos até a minha nuca, brincando com o meu cabelo, como sempre fazíamos quando estávamos no carro, e olhou para mim, eu podia ver, a esperança, a felicidade refletida no brilhos dos olhos esmeraldinos.

Eu não fui capaz de evitar sorrir para ela, um sorriso grande, sincero.

— Acho que você estava certo... – Ela me disse, retribuindo o sorriso. – Tudo vai ficar bem.

Notas finais
Caso, você esteja curioso sobre como a irmãzinha de Ben se parece nesse momento, pode dar uma olhadinha nesse video (https://www.youtube.com/watch?v=aaWk2UYolFk) e ter uma ideia de como nossos atores descobriram que uma menina vem aí... Por favor, me deixe saber o que achou. xoxo