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68 Capítulo 05 - Fase III - "Nada mudou!"


Notas iniciais
Recadinho lá embaixo, okay?
Boa leitura!

Capítulo 05 – Fase III – “Nada mudou”

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Edward Cullen

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Eu podia sentir a dor trespassando todo o meu corpo. Começava em uma das minhas costelas quebradas, ou em todas. Era difícil dizer quando a pontada de dor se transformava em agonia ao menor indicio de um novo movimento. Ainda assim, não era maior ou mais aniquiladora do que a dor, em meu peito, que tinha me trazido até aqui.


– Um daqueles analgésicos cairia bem agora... – Tentei fazer com que minha voz soasse firme, ao procurar por uma posição mais confortável.


Kate, minha assistente e amiga, me lançou um olhar zangado, mas ainda assim providenciou o que eu havia pedido.


Eu não poderia culpá-la pela irritação que sentia por mim, nesse momento. A bem da verdade, eu estava tão zangado ou mais comigo mesmo.


Meu declínio tinha começado quando Bella me deixou... Ou antes disso, se levarmos em consideração que ela só partiu porque fui idiota o suficiente para ceder as chantagens de Victória e desleal o suficiente para levá-la para a cama.


Embora, em meu intimo, eu ainda desejasse e tivesse esperanças de que minha esposa pudesse encontrar perdão em seu coração para mim, eu mesmo não sabia se seria capaz de perdoar se a situação fosse inversa.


E bom, saber da minha culpa, das consequências dos meus atos, da profundidade da dor que tinha causado na mulher que amo... Não mudava o fato de que era a ausência dela que estava me levando ao fundo do poço.


Tinha completa consciência de que a cada dia estava errando um pouco mais, que além de perdê-la, estava jogando fora a minha carreira, me distanciando dos meus amigos... Do meu filho. Mas eu, simplesmente, não conseguia encontrar forças para fingir que estava tudo bem.


Só agora eu podia, de fato, entender o que Bella sentia quando se trancava em si mesma, quando mantinha a todos nós afastados.


Sempre tive certeza do meu amor por ela. Jamais, em momento algum, duvidei do quanto precisava da presença dela em minha vida. Mas foi só ao perdê-la, que pude ver, claramente, que sempre errei, de uma forma ou de outra, em nosso relacionamento.


Desde que a vi pela primeira vez, desejei protegê-la, cuidar dela... Isso apenas foi intensificado quando soube de tudo pelo o que ela teve que passar. De certa forma, eu a fiz dependente de mim, e foi essa dependência que quase a matou. Foi a minha obsessão por mantê-la segura que nos afastou.


Mesmo com todas as suas limitações, com todos os seus traumas, Bella sempre foi a mais forte em nosso relacionamento... Infelizmente, eu não fui capaz de ver isso antes.


O pouco que Kate me fazia saber – quando se irritava o suficiente para jogar na minha cara que ela estava seguindo em frente e eu não, só comprovava a minha teoria.


Eu conhecia a minha esposa o suficiente para saber que o nosso distanciamento não estava sendo fácil para ela também. Sabia disso graças ao amor dela por mim que sempre foi evidente em cada olhar que ela me concedia. E ainda assim, ela estava se reerguendo, enquanto eu estava me afundando cada vez mais.


Todos os dias eu tentava me obrigar a fazer o mesmo, a me manter de pé, a esperar até que pudesse vê-la mais uma vez e implorar por seu perdão... Mas a cada diz minha esperança minguava, a cada dia a possibilidade de nunca mais tê-la parecia mais concreta. E ao contrario do que eu sempre imaginei, não era capaz de lidar com isso.


–A impressa está dizendo que foi apenas um acidente. – Kate me obrigou a encerrar a divagação.


Foi um acidente. – Respondi.


– Isso é ótimo! – Ela disse com evidente mau humor. – Porque gerenciar dois suicidas em potencial está além das minhas habilidades.


– Bella nunca...


– Eu sei. Ela não tinha a intenção... Assim como você não tinha a intenção de cair, certo? A questão Edward é que nada disso muda o fato que ela teve uma overdose de medicamentos e chegou a um hospital com os pulsos, e outras partes do corpo, cortados; ou o fato de que você estava onde não deveria, sem nenhum equipamento de segurança e que apenas por um milagre não morreu ao cair daquele prédio.


– Kate, eu... – Tentei dizer, mas obviamente fui interrompido.


– Eu gosto de você, Edward. Gosto de vocês dois. E estou falando como uma amiga, não como a pessoa responsável pela sua carreira. Autodestruição não vai resolver os seus problemas, okay? Você precisa seguir em frente, como ela...


– Como ela tem feito. Eu já sei disso, Kate! –Por um segundo a raiva foi maior do que a dor em minhas costelas ou o incomodo pelo braço quebrado ou o rosto inchado. – Jogar isso na minha cara não é de ajuda alguma... Você quer que eu siga em frente? Então, nos coloque frente a frente, me dê a oportunidade de conversar com ela, de... – Eu não consegui terminar, especialmente ao ver que o olhar de Kate tinha deixado a raiva para trás e adquirido piedade.


– Faça a sua própria oportunidade. – Ela me disse, com a voz soando bem mais suave agora. – Mas não assim... – Ela apontou para mim e em seguida se sentou ao meu lado na espaçosa cama do hotel onde estava hospedado. – E eu não estou falando dos hematomas, do constante odor de nicotina ou das bebedeiras, embora tudo isso tenha que desaparecer também. Eu já disse tantas vezes, mas direi novamente: você não consegue viver sem ela? Então, a procure, implore pelo perdão dela... Mas faça isso como o homem que você costumava ser, como o homem por quem ela se apaixonou e não como uma fraca caricatura do que foi um dia.


– Não é tão fácil como você faz parecer...


– Provavelmente não. – Kate concordou. – Eu nunca amei alguém como vocês se amam, nunca perdi esse alguém, nunca senti o que vocês sentem nesse momento... Mas eu estou de fora da situação Edward, e tudo o que estou vendo é você se deixando afundar, destruindo algo que sempre foi importante para você, se afastando das pessoas que ama e que te amam... Se distanciando do que você tem de mais importante, o seu filho. Nada disso vai te ajudar a reconquistá-la, pelo contrário.


Eu gostaria de poder ignorar tudo o que ela estava me dizendo, mas como poderia quando tudo o que ela dizia correspondia a verdade dos fatos. O problema é que a verdade massacrava.


– Você lutou por ele, fez tudo o que pode e mais um pouco pela guarda dele... E agora o deixa sozinho?


– Ele está com a minha mãe... – Era uma resposta fraca e me parecia que soava tão falsa quanto tudo o que eu estava vivendo nos últimos meses.


– Ele está com os seus pais, mas sente a sua falta, sente a falta dos pais dele. Ao menos faça como Bella: ligue para ele, use o skipe, envie brinquedos, cartas... Qualquer coisa, mas se faça presente, faça ele entender que não foi esquecido.


– Eu nunca o esqueci. É meu filho, Kate. – Garanti. – E eu o amo! Só não... Só não queria que ele me visse assim, que percebesse o quão fraco eu sou.


– Ele é apenas uma criança, Edward. Existe muito que ele não compreende, muito que o assusta, mas também existe muito que ele poderia fazer melhorar com um sorriso, com um abraço. Eu posso estar errada, mas talvez ele fosse capaz de te fazer mais forte se você não o afastasse. Você quer protegê-lo, eu sei. Mas você também queria apenas proteger Bella... Não cometa o mesmo erro duas vezes.


...


Durante o restante do dia eu pensei em cada palavra que Kate tinha me dito, ponderei cada um dos seus conselhos e percebi o quanto ela estava certa.


Como eu poderia esperar recuperar o meu casamento, quando eu mesmo o estava afundando ainda mais? Como poderia esperar ter ajuda, quando eu mesmo afastava a maior de todas elas? Como eu poderia esperar que pudesse unir novamente a minha família, quando tinha me tornado o péssimo pai que jurei nunca ser?


Felizmente, a oportunidade de começar a consertar os meus erros correu pela suíte e se jogou sobre mim no início da noite.


– Papai! – Ben gritou pulando sobre mim e passou seus bracinhos por meu pescoço.


Eu quase gritei também, de dor. Mas a felicidade por vê-lo novamente e por perceber que mesmo tendo me afastado, ele ainda conseguia me abraçar da mesma forma, me fez retribuir o carinho e beijar a sua testa.


– Oi campeão! – Sussurrei contra o seu cabelo. – Eu senti a sua falta. – E tinha sentido mesmo. Embora eu mesmo tenha sido o responsável por isso e só tenha percebido o mal que estava causando a nós dois agora que o tinha nos meus braços novamente. – Eu sinto muito!


– Ben? – A voz de minha mãe soou ao meu lado e eu me obriguei a olhá-la. Ainda era a mesma, mas existia algo em seu olhar que me fez sentir mal, algo como dor, tristeza, impotência. Eu provavelmente teria o mesmo refletido em meus olhos, se fosse Benício em meu lugar. – O Papai está doente, lembra? Você não pode se jogar sobre ele assim... – Esme se curvou e, com carinho, apanhou os meus filhos nos braços. Mesmo desejando mantê-lo colado comigo, não fui capaz de reprimir um suspiro de alivio ao sentir o abrandamento das pontadas de dor.


– Desculpa, Papai!


– Você não precisa se desculpar. – Garanti e fiz o meu melhor para sorrir para ele. – Por que você não vem até aqui... Do meu lado?


– Nada de pular, okay? – Minha mãe disse enquanto o deixava voltar para cama.


Ben se aconchegou ao meu lado e eu lutei contra o meu próprio corpo e o abracei.


– Dói? – Ele perguntou com a voz doce, como a de todas as crianças, e apontou para o gesso que eu tinha em um dos braços.


– Só um pouquinho... Mas sabe o que faria melhorar? Um desenho bem bonito.


Ele abriu um sorriso lindo e eu me senti péssimo por ter perdido isso nos últimos meses.


– Pode? – Sua animação por algo tão pequeno foi contagiante.


– É claro que pode! Você trouxe os seus lápis de cor?


– Vovó? – Minha mãe apenas sorriu para ele e menos de um minuto depois, meu filho já estava munido de giz de cera, lápis de cor e canetinha. Eu teria o gesso mais colorido do mundo e um sorriso bobo quando ele acabasse.


Menos de meia hora depois, eu me peguei fitando o desenho do meu filho, não era uma obra prima, mas aos meus olhos parecia lindo.


– É a mamãe! – Ele me disse apontando para alguns traços que pretendia ser uma boneca. – Tá bonito?


– Muito! – Garanti. – E o outro boneco? – Perguntei me referindo ao outro conjunto de traços parado ao lado da boneca que deveria ser Bella.


– Você! – Ele respondeu como se me dissesse algo absurdamente óbvio. Eu sorri do seu tom de voz.


– E nós estamos na praia? – Eu fitei a bola disforme amarela que até se parecida um pouco com um sol e as ondas azuis.


Ben assentiu e voltou a usar o giz de cera azul para criar mais ondas.


– E onde você está?


Ele bateu com o giz de cera no ponto onde ele estava desenhando.


– Tomando banho.


Eu ri.


– Sua mãe nunca deixaria você no mar sozinho... – Assegurei porque sabia que o instinto materno de Bella jamais permitiria que ela tirasse os olhos dele em uma praia.


– Vocês estão namorando... – Meu filho respondeu como se isso fosse explicação suficiente.


Eu levei a minha mão boa até o seu cabelo e lhe fiz um cafuné, enquanto pensava que tudo seria maravilhoso se as coisas fossem tão simples quanto no desenho estampado no meu gesso.


...


– Eu acho que é melhor eu levá-lo para o nosso quarto. – Minha mãe disse baixinho para não acordar Ben que tinha sido vencido pelo sono, mesmo em meio aos seus lápis de colorir.


– Vocês podem ficar aqui... – Disse com o mesmo tom de voz usado por ela. – O quarto é grande o suficiente para nós três.


– Você precisa descansar. – Foi a minha vez de receber um cafuné. – Dormir um pouco.


Quando a mão de minha mãe deixou o meu cabelo, eu a apanhei e a entrelacei com a minha.


– Sinto muito! – Disse mantendo meus olhos presos nos dela. – Por tudo.


Com cuidado, ela acomodou Ben no meio da cama, lhe concedendo espaço e se deitou ao meu lado. Eu me contorci, ignorando as dores que ainda sentia, e descansei a minha cabeça no colo dela, como costumava fazer quando criança.


– Eu sei que te decepcionei... – Comecei a dizer. – E que você me criou para ser melhor do que eu tenho sido... Eu, realmente, sinto muito, mãe! Eu estraguei tudo, e não sei como consertar...


– Bom... – Ela começou. – Você já soa como o rapaz que eu eduquei. Conhecer os seus erros é o primeiro passo, Edward.


– Eu estou com medo. – Confessei. – Estou morrendo de medo, desde que ela foi embora.


– Eu sei. – O cafuné retornou. – Eu sou sua mãe e eu te conheço melhor do que você imagina. Você estava com medo desde muito antes... Desde que o exame de DNA confirmou o que todos nós já sabíamos só de olhar para Ben, você tem medo. Tinha medo de não ser um bom pai, tinha medo de que Bella não o aceitasse, tinha medo de perdê-lo, tinha medo de perdê-la... Um medo foi se somando ao outro e quando você percebeu era demais para lidar sozinho e ainda assim você guardou tudo para você. Foi aí que você errou, meu filho.


– E continuei errando... – Eu pude sentir as lágrimas que me acompanhavam, diariamente, nos últimos meses chegando, mas não me importei em escondê-las da minha mãe. – Eu estou perdido, mãe! Eu não sei o que fazer...


– Eu não tenho uma receita mágica para você, filho. Gostaria de ter, mas não tenho.


Eu assenti.



– Eu não vou mentir para você. Seu pai e eu ficamos decepcionados quando soubemos o que aconteceu... Se pai um pouco mais, talvez por ter visto. Mas isso não quer dizer que lhe viramos as costas, ainda somos seus pais, ainda te amamos e só queremos que você seja feliz. – Ela fez uma pausa, mas continuou com o deslizar dos seus dedos por meu cabelo. – Eu sei que você precisa dela para ser feliz... E ela precisa de você também. É terrível vê-los assim... – Eu me movi de forma que pudesse olhar para minha mãe e ela limpou as minhas lágrimas.


– Eu sinto tanta a falta dela.


Ela assentiu e acariciou o meu rosto.


– Eu não posso garantir que ela será capaz de te perdoar, Edward. Também não posso dizer que vocês ficarão juntos novamente. Mas, não existirá, nem mesmo, a possibilidade de isso acontecer se você continuar a se entregar. Me corta o coração te ver assim... E sem poder fazer nada porque você nos afastou. Vocês dois afastaram todo mundo que se importa... Como podemos ajudar assim?


– Eu sinto muito! – Foi tudo o que consegui dizer. – Eu vou tentar... Eu quero ser bom pra ele... – Lancei um olhar para o meu filho que dormia ao meu lado. – Quero que possamos ser uma família, como deveria ser.


Minha mãe me deu um sorriso encorajador.


– Esse é o meu menino! – Eu não pude deixar de rir dela, mesmo sabendo que em seu coração eu sempre seria o seu menino. – Não deboche de mim, Edward Cullen! – Ela me repreendeu. – Seu menino também vai crescer um dia... E você saberá o martírio que é ser um pai.


Eu ri um pouco mais.


– Não fique brava, D. Esme. – Consegui lhe dar um beijo na bochecha. – Você sempre vai ser a minha musa inspiradora e o Papai sempre será o meu herói. Nada mudou.


– Eu acho bom! – Ela me deu um leve tapa no braço e eu me obriguei a esquecer todo o restante e me concentrar no que tinha de bom no momento.


– Owww! – Fingi indignação e uma careta de dor, maior do que a que eu sentia na verdade. – Eu sou só um menino convalescente, seja gentil.


– Eu sinto muito, bebê! – Minha mãe disse e eu sorri para o seu olhar preocupado.


– Eu só estou brincando, mãe! – Assegurei. – Estou perfeitamente bem.


– Ou ficará depois que eu lhe fizer aquela sopa milagrosa.


– Aquela que você sempre fazia quando eu ficava doente? Deus! Eu não como isso há anos...


– Eu pedi que Kate nos encontrasse um lugar para ficar, um pequeno apartamento... Hotéis são impessoais demais.


– Isso é bom. Ben precisa de espaço e...


Nossa conversa foi interrompida pelo som do celular da minha mãe.


– Deve ser Carlisle... Eu deveria ter ligado...


Não era o meu pai. E ela nem mesmo precisava me dizer quem era. O olhar em seu rosto, quando alcançou o celular e olhou para a tela, me disse tudo.



Bella!


Eu puxei o meu filho para mais perto e o abracei, ignorando os seus resmungos sonolentos. Talvez ele me trouxesse a força necessária para não soltar da cama, exigir o celular e obrigá-la a falar comigo.


Felizmente, minha mãe tornou a tarefa mais fácil e deixou o quarto.


– Bella... – Eu surrei o nome dela. – Bella.



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Bella Cullen

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Eu olhei, mais uma vez, para o celular firmemente preso em minha mão e soltei um suspiro exasperado.


Os últimos 3 dias tinham sido terríveis, angustiantes. E eu estava brigando contra mim mesma novamente.


Eu não queria ligar, mas precisava. Ao menos era assim que me sentia.


Na verdade,o que eu, realmente, sentia era que necessitava largar tudo, sair correndo e me assegurar de que ele estava bem.


Eu tinha assistido todos os programas de fofoca e acessado todos os sites sensacionalistas existentes, em busca de qualquer informação. Mas tudo o que eu consegui descobrir é que Edward havia sofrido uma queda, no set do filme que estava gravando em Toronto, tinha sido levado ao hospital... E seu quadro era estável, segundo a nota de Kate.


Nesse caso, “estável” queria dizer “perfeitamente bem” ou “quebrado, mas não morrendo”?


Eu repetia para mim mesma, a cada minuto: “não é da minha conta, não é da minha conta, não é da minha conta”. Mas não importa quantas vezes eu proferisse o mantra, a preocupação em meu peito só se tornava maior.


Eu tentei descobrir algo através de Ben também e depois com Esme e até Alice e Jasper... Mas, aparentemente, nenhum deles sabia mais do que eu. Nem mesmo Emmett que sempre foi o melhor amigo de Edward. E quando eu procurei por Rosalie, como minha última esperança, tudo o que ela me disse foi: “Se está preocupada, se você se importa... Deveria procurar por ele em vez de ficar se escondendo de tudo e todos.”


Aparentemente, ela ainda estava chateada comigo por eu ter “fugido”. Eu não poderia culpá-la por isso.


Eu não estava sendo uma boa amiga... Há algum tempo. E ainda assim nenhum deles tinha me virado as costas. Esse tinha sido um trabalho meu e ao que parecia Edward tinha seguido o meu mau exemplo.


Até mesmo Riley parecia um tanto incomodado.


– Você deveria ligar de uma vez... Ou quebrar esse maldito celular. – Ele me disse quando esteve em casa na noite anterior e me encontrou fitando o aparelho telefônico novamente. – Isso é ridículo! – Ele continuou. – Eu daria qualquer coisa para me certificar de que Bree estava bem e você, simplesmente, desperdiça essa oportunidade.


Então ele foi embora e eu passei a noite inteira tentando criar coragem para ligar e pensando no que dizer.


24 horas tinha se passado desde então e eu ainda não tinha a menor idéia do que fazer.


–Foda-se! – Sibilei e disquei, mais uma vez, o número de Esme.


Talvez ela já soubesse alguma coisa agora. Tudo o que eu precisava era de um “ele está bem” e eu poderia voltar para a minha vida... Longe dele.


Era o certo a ser fazer.


Mas no momento em que essas palavras soaram através do aparelho celular eu não sentia a calma que pensei que sentiria, a preocupação não desapareceu como eu imaginei que aconteceria.


– Você tem certeza? – Questionei. – Nenhuma sequela? Não foi uma queda muito grande, não é?


– Um braço quebrado, algumas costelas quebradas, muitos hematomas... Nada além disso. – Eu sabia, pelo tom de voz da minha ex- sogra, que ela estava tentando fazer piada com a situação, mas ouvi-la enumerar os ferimentos dele, só me deixou ainda mais apreensiva.


– Ele deveria estar no hospital. – Disse.


– Bella... – Esme começou a dizer e eu soube, imediatamente, que ela voltaria ao assunto “nós dois”. – Você ainda se importa... Então, querida, dê mais uma chance a vocês dois e acabe com todo esse sofrimento.


– Ele é o pai do meu filho. – Era uma boa desculpa. – É claro que eu me importo, mas apenas por isso.


– Continue a mentir para si mesma... – Esme respondeu. – E a se preocupar as escondidas e a se remoer por não poder estar com ele agora. Eu amo o meu marido, Bella e por isso sei, exatamente, o que você está sentindo agora porque é o que eu sentiria se Carlisle sofresse um acidente em outro país, precisasse de mim e eu não pudesse ir até ele.


– Eu não posso fazer mais do que estou fazendo... – Disse tentando soar firme em minha decisão. – Eu não posso perdoá-lo.


– Você pode falar com ele, ter o mínimo de cordialidade entre vocês, serem amigos... Se não por você ou por ele, por Ben. Em algum momento, e não importa o quanto você tente evitar isso, vocês terão que se encontrar e pense em quanto seria ruim para essa criança se vocês agissem como dois estranhos ou se nem se quer se falassem.


– Eu não estou pronta. – Debilmente tentei me defender.


– Você nunca vai estar pronta.


Eu não poderia contestar essa afirmação. Eu nunca estaria pronta, não enquanto ainda o amasse. E não existia possibilidade de negar que o sentimento que dominava o meu coração não fosse amor.


– Isso não quer dizer... Se eu falar com ele... Isso não quer dizer que alguma coisa mudou.


Ela não me respondeu, mas eu pude ouvir no momento em que ela dizia a Edward que ele tinha uma ligação.


Eu quase não consegui manter o celular próximo ao meu ouvido, de tanto que minha mão tremia.


Eu falaria com ele, ouviria a sua voz novamente... O que isso faria comigo?


– Baby? – Todo o meu corpo estremeceu e eu pude sentir as lágrimas correndo por meu rosto. Reconheci a ansiedade em sua voz, assim como uma leve rouquidão e desejei poder ver o seu rosto também. – Bella? Baby, eu...


Sim, Edward. Eu ainda era a sua “baby” e a forma como o meu coração parecia trovejar era um forte indicativo que sempre seria.


– Nada mudou! – Eu disse, tentando me proteger, antes que eu entregasse a avalanche de sentimentos que estava me atingindo.


Ele fez uma pausa, eu me mantive em silêncio. Era desgastante.


– Eu senti a sua falta... – Ele disse e eu senti como se uma faca estivesse me apunhalando ao reconhecer a mesma dor que eu sentia em sua voz.


Eu também sinto a sua falta, amor!


Mas ele não ouviria isso de mim. “Nós” não existíamos mais.


Nada tinha mudado! – Passei a repetir, mentalmente, o meu novo mantra. – Nada mudou!

CONTINUA...


Notas finais
Bom, como algumas de vocês sabem, eu estou, temporariamente, sem PC, por isso não tenho previsão de quando teremos postagem novamente... em nenhuma das minhas fics.
Conto com a compreensão de vocês.
Por favor, me deixem saber o que acharam, okay?
xoxo