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66 Capítulo 3 - fase III - Seguindo em frente?


Notas iniciais
Olá!!!
Olha quem apareceu tão cedo? Uma semana antes do combinado.
Agradeçam a Beka Assis por esse capítulo ter sido adiantado... Foi ela quem me convenceu.
Boa leitura!

Capítulo 3 — Fase III — Seguindo em frente?

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Sim, eu sou o grande fingidor
Fingindo que estou bem
Minha necessidade é tanta
Que eu finjo muito
Pois estou sozinho, mas ninguém percebe

Sim, eu sou o grande fingidor
Só rindo e feliz feito um palhaço
Eu pareço ser o que você não vê
Estou vestindo meu coração como se fosse uma coroa
Fingindo que você está...
Fingindo que você está por perto”

The great pretender – Freddie Mercury.

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Bella cullen

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- Pare com isso! – Eu o empurrei levemente. – E me dê um dos seus idiotas, irritantes e dispensáveis sorrisos.

Ele fez como eu disse, mas pela primeira vez eu consegui ver além do que ele queria que eu visse. Foram seus olhos que me disseram e o maldito e sincero poema: Riley era como eu, a única diferença é que ele, aparentemente, tinha conseguido seguir em frente.

Talvez, se ele tinha conseguido, eu também poderia.

Me autoconvidei e segui Riley através da sua cozinha, até a aconchegante sala de estar.

- Então... – Comecei a dizer após ele se jogar sobre o seu sofá e eu ter me mantido de pé, o encarando. – Você vai me dizer por que hoje está sendo um dia ruim? – Questionei porque mesmo ele não dizendo nada, eu podia ver que algo estava errado. Ele estava diferente.

- Todas as atrizes de Hollywood são tão inconvenientes?

- A grande maioria é bem pior do que eu, acredite — Assegurei e mesmo tentando foi impossível não lembrar-me de Victoria e o quanto ela sempre foi muito mais do que inconveniente. – Vai me dizer ou apenas continuar a fingir que está tudo bem?

Ele soltou uma pequena e fingida risada.

- Tudo bem. Eu sou sempre a que finge que está tudo bem... E é esse o problema. Você é aquele que sorri, faz piada, sempre está de bem com a vida... Você seguiu em frente, como me disse para fazer, não é? Então, qual é o problema hoje?

Ele se virou em minha direção.

- Você precisa entender que “seguir em frente” não é uma fórmula mágica. “Seguir em frente” não significa que você vai conseguir apagar tudo de sua mente e simplesmente deixar de ser afetado. “Seguir em frente” é aprender a lidar com as consequências do que quer que tenha acontecido, é não deixar a tristeza te dominar... É não deixar de viver... É conviver com a dor, com a culpa, com a saudade ou com o que quer que seja, pacificamente, sem se autodestruir.

Eu fiquei em silêncio, sem saber como respondê-lo.

- Eu só não sou uma boa companhia hoje, Bella. – Ele finalizou e voltou a se jogar sobre o sofá, recostando a sua cabeça e fechando os olhos.

Ainda assim, eu não fui embora. Deveria e até queria, mas existia alguma coisa que me fez ficar ali, parada, fitando o rosto de Riley e me questionando o que o tinha ferido. E tão estranho quanto isso, foi a vontade que senti de sentar ao seu lado, pegar na sua mão e dizer que tudo ia ficar bem.

Seria patético não? Eu consolando alguém?

Eu procurei por qualquer coisa que pudesse dizer e não encontrei, então eu simplesmente passei um tempo olhando ao redor e por fim, cedi a vontade e me sentei ao seu lado.

Ele não me disse nenhuma palavra e eu não consegui fazer as minhas saírem. Em vez disso, eu pousei meus olhos sobre um livro repousado sobre a mesinha de centro e o agarrei. Admirei as duas silhuetas negras estampadas na capa cinza, de costas para mim olhando para o horizonte, onde o sol começava a nascer e alisei as letras que formavam o nome da obra: Despedida.

- Eu adoro esse livro! – Exclamei e ignorei a forma como Riley soltou um pequeno ruído de desaprovação, após me lançar um olhar.

Realmente adorava. Tinha conseguido um exemplar assim que cheguei a Traverse. A sinopse tinha simplesmente me ganhado e depois de começar a ler, foi impossível parar de ler.

- Especialmente, essa parte: — Abri o livro e deixei meus olhos correrem pelo epílogo. – “O cômodo estava tão escuro quanto minha alma ou talvez fosse apenas a minha incapacidade para enxergar qualquer coisa além da minha dor. De qualquer forma, apesar do breu que me envolvia, eu ainda podia vê-la tão nitidamente que quase cheguei a acreditar na veracidade de sua existência.

Sua imagem era como um raio de sol, iluminando apenas um pequeno canto da sala, um brilho pequeno e indistinto ao qual eu me apegava com tamanha intensidade, a única luz que ainda me mantinha vivo.

Seus olhos estavam presos aos meus, me hipnotizando, me chamando...

Um esboço de um sorriso surgiu em sua face, me roubando o ar e ela sussurrou:

- Você não me ama mais.

Ela estava errada, tão errada. Eu nunca a amei mais do que agora que não a tinha mais.” ­ — Eu fiz uma pausa e com um sorriso continuei: — É tão lindo! E comovente...

- Lindo? – Existia algo como raiva na voz de Riley e foi isso que me fez virar em sua direção e fitá-lo. – Eu diria que é triste, aniquilador... Jamais “lindo”.

Eu fechei o livro e o devolvi a mesinha de cabeceira.

- Sim... É triste. Toda história de amor com um final assim é triste. Mas, aniquilador? E por que a tristeza tem que tirar a beleza do texto? Eu acho que daria um ótimo filme.

- Você não sabe de nada, Bella Swan! – Riley replicou com o seu jeito irritante. – O que tem de bonito em um casal se apaixonar e não poder ficar junto?

- Eles tiveram bons momentos. – Rebati, me lembrando das passagens iniciais dos livros. – Eles foram felizes.

- Por pouco tempo. – Riley desviou o seu olhar do meu. – E ainda assim não foram, completamente, felizes. Sempre faltava algo. Ele tirou dela tudo, absolutamente, tudo o que ela amava, a afastou da sua família... E para que? Para vê-la morrer em seus braços.

- Foi uma escolha dela. Ela escolheu ficar com ele, deixar o pai com seus pré-conceitos e tentar ser feliz com o homem que amava.

- No final, os pré-conceitos do pai dela estavam mais do que certos, não é?

- Não é verdade. Karl tentou, durante todo o livro, provar a veracidade do amor que sentia por ela... Ele fez algumas escolhas erradas, mas não foi proposital e Bree nunca o culpou, nem mesmo no final.

- Isso não muda o fato de que ele errou. De que foi o responsável pela morte dela.

- Como ele poderia? Ele nem ao menos sabia que ela tinha se deixado consumir daquela forma... Ele sempre a avisou para nunca usar qualquer uma das coisas que ele vendia.

“- Nunca seja estúpida o suficiente para usar qualquer uma dessas porcarias. – Eu disse a ela quando não tive outra alternativa a não ser revelar a natureza dos meus negócios. – Isso é droga, em todos os sentidos da palavra.

- Tudo bem vender, mas não usar? – Ela me censurou.” — Riley citou um trecho do livro. – Hipócrita demais! Assim como: “É só negócio, não confunda isso.”, “Tudo bem só experimentar...”, “Pare com isso.”, “Não use mais essa merda!”, “ Merda, Bree! Essa porcaria vai fazer mal ao bebê.” e o previsível “Eu não consigo parar, baby.

- Ele nunca disse nada disso... – Foi tudo o que eu disse após ouvir suas ultimas frases.

- “Você acha o mesmo que ele. Que eu não sou bom o suficiente para você!”, “Ou ele ou eu, Bree.”, “Fuja comigo, por favor.”

- Não é assim que as coisas acontecem no livro...

- Não, não é. – Riley confirmou e quando seus olhos se voltaram para mim, eu os vi vermelhos e repletos de lágrimas. – Nem tudo é igual nos livros.

- Oh meu Deus, Riley! O livro é seu! – Eu não consegui evitar dizer assim que a suspeita me veio à mente. – A história é real.

Ele não disse sim ou não, mas nem precisava. Não depois de ele se inclinar, apanhar o livro, abrir em uma página especifica, embora seus olhos marejados, provavelmente, embaralharem as letras e recitar: “- Eu te amo! – Era estranho que, exatamente, naquele momento ela me dispensasse o seu sorriso mais lindo, àquele capaz de espantar todo o medo, todo o desespero, toda a culpa. Era tão lindo que me prendeu, que me fez acreditar que tudo acabaria bem. Apenas alguns minutos depois eu me arrependeria de não ter dito “Eu também te amo!”. Foi a minha última oportunidade.” ­ — Eu vi quando suas lágrimas caíram sobre a página. – Foi a minha última oportunidade, Bella.

Eu me vi, o envolvendo em um abraço.

- Eu tenho certeza que ela sabe. – Sussurrei em seu ouvido e o deixei chorar em meu ombro.

...

No dia seguinte, quando eu cheguei, inseguramente, a casa de Riley, o encontrei como se, absolutamente, nada tivesse acontecido na noite anterior. Ele abriu a porta para mim, com seu inconfundível sorriso e todo o bom humor estava de volta.

— Hey Bella! — Ele piscou e acenou para que eu entrasse. — Vamos discutir personagens novamente? Se for isso... Por favor, me vise antes, eu preciso encontrar bons argumentos.

Eu gostaria de saber como ele conseguia fazer piadas sobre algo que eu sabia que, no fundo, era levado muito a sério. E pensei em questioná-lo sobre isso, mas no momento em que chegamos a sua sala de estar, me vi rindo do que ele estava assistindo na TV.

— Aí está uma coisa que jamais imaginaria sobre você... — Acenei em direção à tela de TV que mostrava a abertura de Ru Paul Drag Race. — Simpatizante, Riley?

— Fiquei quieta e vamos assistir...

Já tinha ouvido qualquer coisa sobre o programa, mas me parecia só mais um reality show, mas desta vez, voltado ao público gay. Nada que me chamasse realmente atenção. Reality’s show, de forma geral, não me atraiam muito; na verdade, televisão de forma geral não me chamava muita atenção. Preferiria muito mais um livro que algumas horas na frente da TV, especialmente depois que, facilmente, encontrava alguma coisa relacionado ao meu nome sendo exibido.

Mais existia algo que eu não podia negar: a quantidade absurda de cores e a conversa animada dos participantes era uma ótima distração.

- Devo colocar "I will survive" para tocar? — Bati, levemente, no braço de Riley, como forma de pedi-lo para me ceder um lugar em frente a TV.

- Shiiii! — Ele devolveu. — Preste atenção. Talvez você aprenda um ou duas coisas novas.

- Você tira uma lição de, absolutamente, tudo?

Sua resposta foi um olhar irritado.

- Okay, okay... – Levantei meus braços, fingindo rendição. – Vamos assistir.

Mas meu silêncio não durou mais do que alguns segundos.

- Realmente, não esperava que você gostasse de assistir reality show... Sério! De todos os tipos de programas existente no mundo, esse era o que menos esperava — Provoquei, e curiosamente, me senti confortável o suficiente para cutucá-lo na barriga. — Afinal de contas, você é um escritor... E eu sempre imaginei escritores como intelectuais, absurdamente sérios, concentrados e de olhar carrancudo... Aquele tipo de pessoa que nem mesmo possuía uma TV em casa.

- Bella, fique quieta um pouco e preste atenção na TV, okay? – Eu ri de sua carranca.

— Se você insiste, fico quietinha.

Voltei minha atenção a TV, e me foquei no programa... As drags sempre tão animadas e bem dispostas, como se não houvesse amanhã, e por um momento desejei ser assim novamente... livre, leve, feliz.


Pelo que entendi do que se passava, elas trabalhavam numa espécie de desafio, para montar algum vídeo, e naquele momento, RuPaul conversava individualmente com os participantes, ouvindo suas ideias, dando sugestões.

- Você ainda não conseguiu perceber o que quero te mostrar, não é? — A voz de Riley me tirou de um devaneio, me trazendo de volta a sala da casa dele e soando diferente do que o de costume. — Você presta atenção demais no que as pessoas querem mostrar, e esquece que somos muito mais que isso...

Eu o olhei interrogativamente, sem conseguir entender o que ele tentava me dizer.

- Essas pessoas... Todas elas, tem histórias de vida tão fodidas quanto as nossas... alguns até mais. — Ele suspirou levemente — Mas, o que você vê? Beleza... cores... glamour.... As pessoas veem o que você quer que elas vejam...

- Você me julga tão superficial assim? Ou talvez egoísta demais para enxergar que existem outras pessoas no mundo com problemas, além de mim?

- Nem uma coisa e nem outra. Apenas distraída demais. Focada demais no deve ser deixado no passado.

Eu não podia negar a verdade de seu comentário, então me voltei para o mundo colorido a minha frente.

Era fácil se projetar na vida de qualquer um deles... A discriminação começando na família, todas as violências que enfrentam... O estigma de "diferente", mas mesmo assim, se propõem a entreter e a seguir em frente. Talvez eu estivesse começando a enxergam com os olhos de Riley e as drags agora me apareciam bons exemplos a serem seguidos.

Um dos participantes acabou me chamando atenção com sua pequena história de amor proibido. Ele contou sobre um relacionamento que teve, que o fez se sentir completo, mesmo em meio a todo o caos e que chegou ao fim quando teve que ver o seu amor partir para guerra, sem uma grande despedida. Fato esse que agora ele lamentava, especialmente por não ter entendido o por que dessa ida, por que era tão importante aceitar essa missão em especial.

Podia reconhecer, facilmente, a dor em seus olhos... O medo de nunca mais ver a pessoa amada... A angústia de só poder rezar e pedir a Deus para que tudo ficasse bem... Mas num instante, era como se uma mágica estivesse acontecendo, e toda aquela dor se transformava em força.

"E é essa a minha inspiração para esse desafio, Ru. Quero que ele saiba, independente de onde esteja, que eu o amo, e que rezo pra que ele volte bem... de preferência para mim"

Quando a profundidade do sentimento por trás das palavras do participante chegou até mim, eu senti meus olhos marejarem. Eu nunca antes, me identifiquei tanto com o que outra pessoa tenha dito.

A cena passou, mas aquele momento não saia da minha cabeça... Assisti ao restante do programa com atenção, captando vez ou outra as palavras motivadoras de Ru a cada um dos participantes; sempre buscando fortalecê-los apesar de seus problemas, e nunca, independente da história de cada um, permitir que tornassem-se vítimas de suas histórias .

- "If you can't love yourself, how the hell you gonna love somebody else?” — Se você não puder se amar, como diabos pode querer amar alguma outra pessoa? — Repeti baixinho, absorvendo aquelas palavras e gravando-as em minha mente.

Pude sentir um dos braços de Riley envolvendo meus ombros, meio que num abraço, fazendo com que me sentisse estranhamente confortável.

- Aparentemente, você também arrumou um espécie de mantra.

...

Desse dia em diante, Riley e eu nos tornamos companhia constante um do outro. Sua presença me fazia bem. Aprendi a gostar e ansiar pelos seus sorrisos fáceis e a sempre procurar algo novo para aprender em tudo o que víamos e fazíamos e sempre, todos dias, eu voltava para casa a noite, com a sensação de ter, de fato, aprendido uma nova lição. Não uma lição sem importância, mas algo que acrescentava força, coragem, determinação ao momento em que eu vivia.

Aprendi observando muitos dos residentes de Traverse, através do olhar atento de Riley, a ter paciência, a aceitar as minhas perdas, a ponderar o que eu, realmente, desejava para o meu futuro, a não me permitir afundar ainda mais. Aprendi a não me culpar pelo o que tinha acontecido, sobre o que eu não tinha controle, sobre os erros de outras pessoas.

Não foram, não eram, aprendizados fáceis e a cada dia, eu precisava solidificar cada um deles um pouco mais. Ainda era difícil, ainda existiam cicatrizes recentes demais para serem consideradas curadas... Mas eu estava conseguindo dar um passo de cada vez, olhar para frente e pensar que existia sim um futuro para mim, um futuro que precisaria ser construído com cuidado, paciência e amor e que eu poderia fazer dele o que quisesse, se realmente quisesse.

...

- Ainda tem torta de cereja? – Era um pouco estranho e até engraçado, se paramos para pensar em como eu agia de má vontade quando conheci Riley e a forma como tínhamos nos tornado tão próximos ao longo dos últimos meses.

Eu ainda lembrava claramente de como ele tinha aparecido na minha casa, exatamente como agora, na manhã seguinte à noite em que ele me contou sobre a sua história e a como ela tinha se transformado em um livro. Ele tinha os seus habituais sorrisos de volta, parecendo tão belo como sempre e como se nada tivesse acontecido na noite anterior, como se ele não tivesse passado o restante da noite me contando tudo sobre como ele e Bree se conheceram, se apaixonara, viveram o seu amor no limiar da sanidade de ambos até que ela faleceu por conta de uma overdose de drogas. Drogas que ele vendia.

Era uma história fodida, triste e ainda assim, eu continuava a creditar que tinha a sua beleza e também força, a força de um amor verdadeiro. Ele ainda a amava, sentia a falta dela como o inferno, e foi por ela que o comércio de entorpecentes foi deixado de lado e sua vida tinha entrado, finalmente, nos eixos. Riley era uma nova e melhor pessoa por ela. Era, realmente, uma pena que ela não pudesse ver o quanto ele tinha evoluído por amor a ela.

- Na cozinha... – Eu respondi, deixando os pensamento de lado, mesmo sendo estranho saber que o ocorrido tinha nos tonado tão amigos. Hoje ele ocupava um espaço em meu coração que antes tinha pertencido apenas a Alice, Rose e Emmett. Hoje eu considerava que tinha quatro melhores amigos, embora estivesse em grande falta com três deles. – Eu preciso ligar para Ben. Eu não atendi a sua ligação ontem à noite e ele, provavelmente, estará de péssimo humor.

- Sinto muito se a atrapalhei... – Riley começou a dizer, se referindo ao fato de eu ter ficado em sua casa até mais tarde do que o habitual, mas eu o impedi de continuar.

- Pare com isso e me traga um pedaço de torta também. Acho que ainda tem suco na geladeira.

Eu ouvi o barulho de talheres e copos sendo apanhados e ignorando a presença de Riley na casa, liguei para o meu filho.

- Oi bebê! — Disse assim que ouvi o seu “alô”. – Ainda não está na hora da escola, não é?

- Não quero ir! – Ele reclamou com a vozinha soando triste. – Tô dodói!

- Doente? – Senti meu coração acelerar. – O que é filho?

Ele fungou, mas não me disse nada.

- Ben? – Chamei. – O que é filho? Onde tá doendo?

Mais uma vez ele não respondeu, mas eu ouvi o seu choro e me senti, completamente, impotente.

- Ben? Meu amor, fala com a mamãe. Por que você tá chorando, meu amor?

Tudo o que eu ouvi foi o seu choro por um longo tempo. Eu já estava pensando em desligar e ligar para Esme ou Carlisle... ou, se fosse preciso, Edward quando ele disse com a vozinha rouca.

- Você não gosta mais de mim...

- O que? – Eu disse mais alto do que pretendia, o que trouxe Riley até a sala, me olhando interrogativamente. – Quem disse isso? É claro que eu gosto de você. Eu te amo, meu anjo.

- Mentira! Nem você, nem o papai gostam mais. Foram embora e me deixaram aqui... Só com a vovó e o vovô. Eu não tenho mais papai, nem mamãe.

- Oh meu anjo! – Eu senti minhas próprias lágrimas e uma dor tão grande no coração. – Isso não é verdade, meu amor. Eu já te falei que a mamãe precisa ficar longe... Só um pouco, até eu melhorar e... Seu papai, eu tenho certeza que ele também te ama muito, Ben. Mesmo que ele não esteja aí agora... – Tentei encontrar algo para dizer, mas no fundo, eu só conseguia me perguntar porque Edward não estava lá, ao lado do filho. – Eu tenho certeza, que se ele não está aí é porque ele precisou fazer alguma coisa e...

- Ele falou que ia trabalhar... – Meu filho disse entre soluços. – E ligava todo dia, mas... nem ligou mais.

Eu empurrei a informação sobre Edward para o fundo da minha mente. Era algo para pensar depois. Agora o importante era o menino do outro lado da linha telefônica.

- Então, filho, ele tá trabalhando... Deve tá ocupado. Tenho certeza que vai ligar logo logo... Ou então, por que você não liga pra ele? Eu tenho certeza que ele vai ficar muito feliz.

Minhas palavras não surtiram o efeito que eu imaginava e eu ouvi, impotente, o meu anjinho voltar a chorar.

- Bella? – Eu dei boas vindas à voz de Esme.

- Esme? Eu... O que está errado? Qual é o problema? O que está acontecendo?

- Ele acordou assim... Acho que foi um sonho ruim. – Ela fez uma pausa. – Ele sente a falta de vocês.

- Onde está Edward? – Rebati, sem conseguir impedir o tom de acusação. – Por que ele não está aí, com o filho?

- Ele está trabalhando. Gravando um novo filme em Toronto... Ben está bem cuidado, Bella. Ele não o abandonou aqui, sem ninguém para olhá-lo.

- Eu sei que sim... Me desculpe. É só... Ben disse que ele não tem ligado...

- Edward não ligou nos últimos dois dias, mas... Ele só não pode.

- Algo está errado? Eu não gosto de saber que Ben está se sentindo assim... Eu... Eu não sei se é uma boa ideia, mas talvez, ele pudesse vir para uma visita. Só enquanto o pai está fora.

- É uma boa ideia, querida. – Esme me disse com o seu tom maternal que eu tanto sentia falta. – Mas não agora. Talvez nas férias.

- Tudo bem... eu prometo que vou ligar mais vezes... Mais de uma vez ao dia e...

- Você tem acesso a internet? – Minha ex-sogra me interrompeu. – Talvez fosse uma boa opção uma ligação via skype. Assim ele pode ter ver...

- É claro! Nós podemos fazer isso. Agora? Só preciso de uma minuto para ligar o computador e...

- Tudo bem, Bella. Leve o tempo que precisar, nós vamos esperar.

...

Riley estava sentado de frente para mim e ria da minha expressão e da meu contante tamborilar de dedos sobre a mesa de vidro que acomodava o meu notebook, enquanto eu esperava que a minha chamada fosse atendida.

Eu o ignorei e menos de um minuto depois, o lindo rosto do meu filho apareceu na tela e eu abri um sorriso imenso.

- Mamãe! – Ele gritou e eu me senti a pessoa mais importante do mundo, por ver que o tom triste tinha deixado a sua voz e que ele tinha um sorrisinho encantador, apenas por estar me vendo.

- Oi meu amor! – Respondi e cheguei um pouco mais perto da tela, como se isso me levasse um pouco mais perto dele. – Aí está o meu menino lindo... ainda mais lindo. Eu senti tanta a sua falta.

Eu poderia viver mil anos, mas a imagem dele abrindo ainda mais o seu sorriso e me lançando um beijo, ficaria guardada para sempre em minha mente e coração.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, sejam legais e me digam o que acharam.
E aguardem uma surpresinha.
xoxo