Stars
33 Capítulo 24 - It's time for me to go home
Notas iniciais
“I need some shelter of my own protection baby
Be with myself in center, clarity
Peace, Serenity
I hope you know, That this has nothing to do with you
It's personal, myself and I
We got some straightening out to do
And I'm gonna miss you like a child misses their blanket
But I've gotta get a move on with my life
It's time to be a big girl now
And big girls don't cry
…it's time for me to go home…”
http://www.youtube.com/watch?v=E6sqA9QtV5I&feature=related
Bella Cullen
______________________________________
Era como estar em outra dimensão. Tudo passava muito lentamente. Eu tinha a impressão que até mesmo meus movimentos, desde os mais simples aos mais complexos, eram vagarosos. Tudo parecia tão lento e eu não conseguia me focar em nada, nem mesmo em Edward.
Por algumas vezes eu me perguntava por que me sentia dessa forma. Não era nosso plano ter um filho agora, não era algo com o qual eu sempre sonhei – na verdade, eu sempre me imaginei sendo uma péssima mãe, afinal, eu não tinha em quem me espelhar. Ser mãe era algo que eu sempre imaginei estar fora do meu alcance, fora das minhas habilidades.
Mas, no momento em que eu soube que havia perdido um bebê, foi que descobri o quando desejava ter um, não qualquer um, mas um com Edward. Fazia sentido, eu acho. Foi com ele que consegui, verdadeiramente superar o que houve em Forks, então nada mais justo, nada mais correto, de que ser com ele, que eu teria uma família, uma família de verdade. Como eu e Jasper nunca tivemos.
Pensar sobre isso tudo me trouxe uma nova dor ao coração. Eu sentia falta de meus pais. E não era algo que pudesse negar mais. Mais que isso, era algo que eu não queria negar mais.
Conforme as horas iam passando eu me pegava olhando para a porta do quarto, na esperança de que visse minha mãe passando por ela e me acomodando em seu colo, como ela nunca fez quando eu era criança. Eu nem mesmo sei qual é a sensação, mas era algo que eu gostaria de experimentar.
Ao invés disso, eu reconheci os rostos dos meus amigos, um por um, todos vieram, me abraçaram, me disseram palavras de conforto, mas era como se não bastasse.
- Você está tão quieta... – Edward sentou-se ao meu lado. – Por que não me diz o que está pensando?
- Em casa... – Respondi mecanicamente. Como estava sendo tudo o que eu fazia.
Eu sabia que isso estava torturando Edward, mas era algo que eu simplesmente não conseguia evitar.
- O médico disse que em alguns dias você já poderá ir para casa...
Eu nada respondi, porque não queria ter que dizer-lhe que não era na nossa casa que eu estava pensando.
Fechei os olhos por alguns segundos e pela primeira vez, desde que acordei, consegui me lembrar com exatidão dos últimos momentos antes do acidente. Minhas mãos tremeram involuntariamente. Meu coração se apertando com a constatação de que ele esteve tão pertpo de mim, novamente.
- O que foi? Sente alguma coisa?
Abri os olhos receosa do que encontraria e suspirei aliviada ao constatar que ainda estava no quarto de hospital, com Edward ao meu lado. Apertei sua mão na minha.
- Ele estava lá... – minha voz saiu em um sussurro e só então eu percebi que, na realidade, eu ainda não tinha conseguido superar.
- Ele quem?
Eu não tive tempo de responder, porque assim que Edward pronunciou suas palavras a porta do quarto se abriu, revelando uma Esme chorosa, que rapidamente se encaminhou até a minha maca e me abraçou com tanta força, que senti todo o meu corpo protestar.
- Oh querida... – Ela sussurrou em meu ouvido. – Eu fiquei tão preocupada! Graças a Deus, você está bem... Nunca mais me dê um susto desses! Ouviu, Isabella? Nunca mais me faça passar por isso ou eu juro que sou capaz de te dar umas boas palmadas... isso se eu não tiver um infarto antes...
- Mãe,por favor, ela ainda está um pouco dolorida... seja cuidadosa.
- Ahhh, minha filha, me desculpe! – Ela me soltou e me deu um sorriso envergonhado. – Eu fiquei tão assustada! Quando Edward nos ligou...
- Eu estou bem, Esme... – Disse me sentindo um pouco mais desperta depois da sua chegada. – Estou contente que tenha vindo.
- É claro que eu viria! E quem mais cuidaria de você? Eu não saio daqui até que você volte para casa... Talvez seja uma boa idéia que mesmo depois disso, vocês fiquem um pouco conosco...
- Você não precisa se incomodar... Eu não quero dar trabalho.
- Ela não vai te deixar em paz, até que você aceite. – Só então me dei conta da presença do meu sogro, que nesse momento está com um dos braços em volta do ombro de Edward.
- Oi Carlisle! – Acenei para ele pedindo que se aproximasse. – Obrigada por ter vindo também.
- Sempre que precisar, minha filha!
...
Era bom ter Esme e Carlisle presentes, mas toda a atenção que eles me dedicavam só me fazia sentir mais entristecida. De uma forma estranha, eu me sentia sozinha, mesmo cercada de pessoas queridas, pessoas que eu tenho certeza, me amam tanto quanto eu as amo.
Em nenhum momento falamos sobre o bebeê, mas eu tinha certeza que eles sabiam, só estavam sendo delicados, o suficiente, para não tocarem no assunto.
Edward também não falava sobre isso. Ninguém falava sobre isso. Era quase como um assunto proibido. Mas, eu queria falar, mais que isso, eu precisava falar.
- Eu nunca tinha pensado muito sobre ter filhos... – Comentei distraidamente após terminar o almoço que Esme me obrigou a comer.
Edward abaixou sua cabeça e Esme parecia surpresa por estar ouvindo a minha voz. Talvez porque desde que ela tinha chegado ao hospital, dois dias atrás, eu não tenha falado mais nada.
-... Não até agora. – Prendi meu olhar em minha mão e distraidamente comecei a brincar com minha aliança. – Eu sempre imaginei que, se eu tivesse filhos algum dia, eu seria uma péssima mãe... – Dei um riso sem humor. – Vocês sabem... Eu não saberia ser diferente disso. Eu não teria em quem me espelhar.
- Não fale assim, minha querida. Eu tenho certeza que você será uma mãe maravilhosa!
Levantei meu olhar até Esme e ela se aproximou, mexendo em meu cabelo.
- Se eu e Edward tivermos filhos um dia... Eu gostaria de ser uma mãe como você! – Disse sincera e pude ver seus olhos lacrimejarem.
- Nós teremos quantos filhos você desejar, meu amor! – Edward parou ao meu lado e beijou ternamente minha testa. – Nós podemos ter um time de futebol, se você quiser.
- Você será uma mãe muito melhor que eu, querida! – Esme se inclinou e me abraçou suavemente. – Agora, eu vou deixá-los sozinhos e providenciar algo para que o Senhor... – Ela lançou um olhar zangado a Edward. –... Coma.
- Eu sinto muito... – Disse depois que Esme nos deixou a sós. – Pelo bebe! Se eu soubesse...
- Eu também sinto muito! — Ele me interrompeu, colocando um dedo sobre meus lábios. – Tanto quanto você, Bella! – Seus olhos se prenderam aos meus e tive a impressão de poder ver sua alma nesse momento, e não gostei do que vi. Ele estava destruído por dentro, tanto quanto eu. – Eu não quero que você se desculpe... – Ele fez um carinho em meu rosto. – Porque não é sua culpa! — Meus dedos correram por seu rosto, contornado cada pedaço. – Você sabe... Se aquele beijo não tivesse acontecido...
- Não Edward! – foi a minha vez de interrompê-lo. – Também não é sua culpa! Nenhum de nós é culpado aqui! O que eu queria dizer quando comecei essa conversa é que... – Fiz uma pausa, desejando ser capaz de arrancar toda a dor que eu vi em seu olhar. –... Eu, finalmente, percebi o quanto eu quero uma família, o quanto eu preciso de uma.
- Você já tem uma... Eu sou sua família, Bella. Meus pais são sua família... Nossos amigos...
- Eu sou muito grata pelo o que seus pais tem feito por mim, Edward. Sempre serei... Não pense diferente disso. É só que...
- Você sente falta dos seus pais.
Eu assenti desviando o olhar.
- Eu gostaria de poder dar isso a você, Bella. Eu gostaria de poder fazer com que eles estivessem aqui...
- Você não pode! – Uma lágrima silenciosa deixou meus olhos e Edward se aproximou, beijando o caminho que ela fez em meu rosto. – Você sempre faz tanto por mim! Eu sei que está sofrendo Edward, tanto quanto eu... Me perdoe por não ser forte o suficiente para confortá-lo.
- Você... O seu amor por mim... É todo o conforto que eu preciso.
...
Eu me sentia melhor, fisicamente. Tanto que o Dr. Jordan chegou a conclusão que cinco dias em observação, tinha sido o suficiente e que eu finalmente poderia ter alta na manhã seguinte.
Emocionalmente, eu me sentia em uma montanha russa. Eu tinha momentos bons, em que me sentia como antes, como quando estávamos em Londres; e em outros momentos eu era atingida por uma grande melancolia.
- Eu recomendo bastante repouso pelos próximos dias... E, Bella, talvez seja uma boa idéia providenciar algum tipo de acompanhamento psicológico.
Eu apenas assenti não desejando ter a mesma conversa, mais uma vez. Era o que ele sempre me dizia quando fazia as suas visitas.
- Eu ainda a verei mais uma vez pela manhã, antes que você deixei o hospital. Leve minhas recomendações a serio, por favor.
Assim que ele saiu, uma jovem enfermeira adentrou o quarto trazendo o meu medicamento para dor.
- Boa noite... – Ela cumprimentou sorridente. – Como se sente?
- Bem... – Respondi educadamente. – Você é nova aqui? – Perguntei apenas desejando manter uma conversa normal, com alguém que não tivesse porque escolher as palavras para falar comigo.
- Não... – Ela respondeu me entregando os comprimidos. – Eu costumo trabalhar na maternidade, por isso não estive aqui antes. Estou cobrindo uma enfermeira que não pode vir hoje.
- Obrigada! – Agradeci o atendimento. — Deve ser bom trabalhar onde a vida começa... Todas aquelas crianças, deve ser um ambiente feliz!
- Para os pais, com certeza. – Ela meu deu um sorriso que parecia envergonhado. – Mas, depois de alguns meses, você se cansa dos choros... – Ela corou um pouco. – Mas, é lindo de se ver... É um ambiente cheio de amor, isso eu não posso negar. Eu não deveria comentar sobre isso, mas eu sempre fui tão curiosa... É verdade que vocês são casados?
Eu a olhei surpresa.
- A direção do hospital já nos avisou que não podemos comentar sobre isso, nem sobre nada relacionado ao seu quadro clinico. – Eu suspirei aliviada. O que eu menos desejava nesse momento era ter que explicar a imprensa sobre o aborto que sofri. – Mas, eu imagino que deve estar sendo difícil para você, se recuperando de algo assim, em meio a esse escândalo nos tablóides...
Em outro momento, talvez eu me sentisse um pouco desconfortável com o rumo que a conversa tomou, mas eu me peguei curiosa por saber como deveriam estar as coisas, agora que o escândalo estava feito.
- Está tão ruim assim? – Perguntei revirando os olhos. – Aposto como estão dizendo que eu dei o golpe do baú ou algo assim... Os tablóides fazem as coisas parecerem piores do que são... Entende o que eu estou dizendo? Nós somos casados, só isso. Isso não deveria ser motivo para tanto alarde.
- Se eles descobrissem sobre o casamento agora, certamente o escândalo se tornaria ainda maior... Eu acho engraçado como algumas das revistas chegaram a cogitar a possibilidade de que eles ainda estão juntos... Só por causa da criança. Se soubessem que vocês são casados agora... Todas essas especulações cairiam por terra.
- Eu acho que me perdi na conversa... Do que você está falando? Qual é o grande escândalo do momento? –Pperguntei divertida e pode até soar egoísta, mas aliviada, por eu e Edward não estarmos sendo a capa de revista do momento.
Ela me olhou por alguns segundos, então empalideceu.
- Ahh meu Deus! Me desculpe... –Ela me deu as costas, se dirigindo até a porta. – Eu pensei que você soubesse... Eu não deveria ter comentado. Me desculpe!
- Hey, tudo bem... – Falei antes que ela deixasse o quarto. – Só me conta essa historia direito, agora eu fiquei curiosa... Normalmente eu não me interesso pelo o que essas revistas publicam, mas você despertou minha curiosidade.
- Eu acho melhor eu ir... Eu sinto muito... Talvez você deva perguntar ao seu marido... De verdade, me desculpe!
- É algum escândalo envolvendo Edward?
Ela não respondeu. Apenas saiu do quarto e eu comecei a me perguntar o que é que estava acontecendo de tão grave. Porque tinha que ser algo grave, afinal ninguém tinha me contado nada.
- Hey... Posso entrar? – Alice apareceu no vão da porta.
Eu fiz um sinal positivo com a mão e ela praticamente correu até mim.
- Cadê o irresponsável do Edward? Como te deixou sozinha?
- Ele foi até em casa, buscar algumas roupas para amanhã...
- Eu soube... finalmente vai ter alta. Estou tão contente!
- Alice, onde está todo mundo? – Ela se sentou em uma das poltronas, desviando o olhar do meu. – Vocês estiveram aqui no primeiro dia e eu sei que não estava no meu melhor momento, provavelmente não fui boa companhia...
- Nós entendemos, Bella! – Alice me cortou. – É que tem sido dias corridos demais... Com você internada e Edward ausente, Rosalie acabou sendo obrigada a se envolver na divulgação do filme... Sobrou até pro Jasper, que fez só uma participação... Acredita?
- E você? E Emmett?
- Desculpe, Bella, não ter vindo te visitar mais vezes... Mas estou cheia de trabalho também... Vê só... – Ela apontou para bolsa que carregava. – Estou cheia de pedidos para atender e depois da sua aparição na festa todo mundo quer um vestido meu... Kate não tem dado conta, com tanta coisa pra resolver e abafar...
- O que Kate está tendo que abafar?
Alice se calou por um segundo e a forma como ela evitou, propositalmente, me olhar nos olhos me fez ter certeza que estavam me escondendo algo.
- Ela está tentando não permiti que tudo vaze... Sobre você e Edward, sobre o que aconteceu...
- Mais alguma coisa, além disso?
- Não! – Ela respondeu rapidamente. – Claro que não! Por que a pergunta?
- Por nada... – Tentei me ajeitar na cama e Alice prontamente me ajudou. – Você pode, por favor, pegar o notebook do Edward? Está em algum lugar... Ele me disse que trouxe, caso eu quisesse trabalhar em algum roteiro ou algo assim... Olhe no armário, por favor.
- Alguma idéia nova? – Ela perguntou enquanto caminhava até um pequeno armário onde Esme tinha deixado algumas coisas para mim.
- Algumas... – Menti, agradecida por ela estar de costas para mim e não poder ver os meus olhos nesse momento. Sempre fui péssima mentirosa.
- Achei... – Ela voltou e me entregou o notebook e se sentou ao meu lado na maca. – Me conta... Sobre o que você vai escrever?
- Hum... – desviei o olhar para a tela do computador e como Alice estava próxima o suficiente para ver o que eu fazia, me concentrei em abrir um documento do Word. – Eu pensei em algo leve, só para passar o tempo... Para distrair mesmo... Uma historia de amizade... Como a nossa... – Ela me olhou sorridente. – Você sabe, só um grupo de amigas que são como irmãs e que se protegem, cuidam uma da outra, nunca mentem... Ou esconde algo importante...
- E de onde você tirou essa idéia? – ela perguntou se colocando de pé, sem nenhum traço do sorriso no rosto.
- Eu não sei... Ela apenas surgiu...
Aproveitei que Alice havia se afastado e acionei a rede Wifi do hospital, conectando-me rapidamente a internet. Em poucos segundos digitava o endereço eletrônico de um tablóide sensacionalista.
Se ninguém iria me contar o que estava acontecendo, eu mesma iria descobrir.
- Para mim, parece que você está tentando me dizer alguma coisa... – Alice voltou a me encarar e caminhar em minha direção, mas antes que ela voltasse a se sentar do meu lado, eu já tinha visto tudo o que eu precisava para entender o que estava acontecendo.
A primeira imagem que surgiu na tela do computador, assim que o site foi carregado, era uma montagem de Edward e Victoria, juntos a Ben. Meu coração pareceu falhar quando li a chamada.
“PAI DO ANO: Será que teremos a formação de uma bela família feliz?”
Eu fechei os olhos com força tentando controlar a forma como minha respiração ficava acelerada.
- Como é que você pôde esconder isso de mim, Alice? – Eu simplesmente não conseguia me manter parada, então, me apressei em me pôr de pé. – Droga, Alice, eu pensei que fossemos amigas... Eu pensei que todos nós fossemos amigos.
- Bella... Eu posso explicar... É claro que somos amigas...
- Então comece explicando porque você não me falou nada sobre isso? – Apontei meus dedos trêmulos para o computador que ainda permanecia ligado sobre a maca. – É por isso que vocês estão me evitando, não é? É por isso que Jasper não se deu ao trabalho nem mesmo de vir até aqui?
- O que está acontecendo? – Edward adentrou o quarto e rapidamente veio até ao meu lado. – Por que vocês estão brigando?
Eu me afastei dele, antes que ele fosse capaz de tocar meu braço.
- Isso é o que está acontecendo! – Apontei mais uma vez para a tela do computador. Edward nem mesmo olhou. Ele tentou me tocar mais uma vez e eu recuei. — Eu nunca pensei que você fosse capaz de mentir pra mim! – Eu me afastei o máximo que pude, sentindo a raiva dominar a razão.
No fundo eu sabia que não tinha o direito. Ben tinha o que? Três anos? Quatro? Ele nasceu antes que eu e Edward estivéssemos juntos, mas do que isso, ele foi feito antes que eu e Edward nos conhecêssemos, mas ainda assim... Ele tinha que ter me contado!
- Eu não menti pra você. Eu nunca menti pra você!
- Então como eu não sabia sobre isso? Por que você não me contou? – Eu já não podia impedir as lágrimas de rolarem soltas. – Droga, Edward, você não podia ter esperado um pouco para revelar isso? Não podia ao menos esperar até que eu... Merda! Isso tinha que ser revelado logo agora? Logo quando eu...
- Eu não revelei nada, Bella! Pelo amor de Deus, eu nunca faria isso com você!
- Bella... – Alice tentou argumentar. – Se acalme... Deixe que ele explique.
- Eu não acredito que isso está acontecendo! Eu não acredito que nenhum de vocês achou que eu precisava saber... Que nenhum de vocês achou que eu merecia saber... Eu não consigo acreditar que nem mesmo Jasper...
- Nós não contamos porque... Ahh Bella, tudo aconteceu ao mesmo tempo, nós quisemos ter poupar, saber disso agora quando você tinha acabado de...
- Eu não quero ouvir, Alice! – Gritei interrompendo o que ela falaria. O que só faria aumentar a forma com que eu sentia meu coração sendo rasgado. – Eu não estou certa, se quer, que eu quero falar qualquer coisa com vocês...
- Bella, não faz assim...
- Eles não têm culpa, Bella! – Edward se pôs a minha frente. – Eu pedi para que não contassem... Eu não queria que você sofresse mais...
- Porque você certamente me esconderia isso pelo resto da vida... É isso?
- Não! Nós conversaríamos sobre isso quando você voltasse para casa... Com calma. Eu ia explicar tudo...
- Explicar o que Edward? – Eu não pude evitar que meus punhos acertassem seu peito. – Não tem o que explicar... Você tem um filho... Um filho com ela!
- Eu ainda não sei... – Ele tentava conter os meus braços. – Eu não sabia de nada disso até o dia da festa... Me deixa explicar!
- Quando é que tudo vai parar de desmoronar?! – Eu permiti que ele segurasse meus pulsos, apenas porque já não conseguia conter a forma com que meu corpo tremia a cada soluço. – É por isso, Edward? É por isso que você não se importa? É por isso que... Afinal, você já tem um filho... Não faz diferença ter perdido esse...
Eu senti sua raiva, antes mesmo de ele me obrigar a olhar em seus olhos. A forma como suas mãos fecharam fortemente ao lado meu rosto, me obrigando a encará-lo, me fez perceber.
- Nunca mais... Nunca mais repita isso! –Seus olhos estavam vermelhos, sua testa franzida.Deu tom de voz cortante — Você não sabe o quanto eu sinto! Eu me importo muito mais do que você pode imaginar... Porque sempre foi o que eu quis! Um filho! Um filho seu... Mas você está sempre preocupada em duvidar do que eu sinto por você...
- Edward! – Alice gritou se colocando ao nosso lado. – Solte-a! Você vai acabar fazendo e falando coisas que vai se arrepender depois...
- Deixe, Alice! Deixe que ele fale o que quiser... – Edward me soltou, mas eu mantive minha cabeça erguida, meus olhos presos em seu rosto. – Eu sou egoísta, Edward? É isso que você ia dizer? Você está certo... Eu sou! Eu sinto muito, se não sou perfeita como você gostaria, eu sinto muito se estou me sentindo traída agora... Merda, você faz idéia de como estou me sentindo agora?
Ele se afastou de mim, recostando-se na porta e respirando fundo, tentando recuperar o controle que tinha perdido há alguns segundos atrás.
- Eu me sinto enganada! – Deixei que as palavras saíssem sem pudor. – Por todos vocês! E eu me sinto inferior a ela... Ela já te deu tudo o que você poderia desejar... Ela esteve na sua cama... Ela esteve ao seu lado em eventos, filmes, entrevistas... E ela te deu um filho... Um filho que eu não fui capaz de ter. Um filho que eu perdi sem nem saber que tava esperando!
- Mas não é com ela que queria ao menos ter a possibilidade de fazer essas coisas... – Seu olhar era sério e cada palavra me passava confiança, me fazendo acreditar no que se fosse usar a razão, negaria. – Ela esteve em minha cama? Sim, esteve antes mesmo de que pudesse pensar em te conhecer. Circulou comigo em eventos? Sim; única e exclusivamente por conta da merda de um contrato... Aquele menino pode ser meu filho? Existe uma possibilidade, mas duvido que seja, só que Bella, entenda, de uma vez por todas, se eu quisesse estar com Victoria, eu estaria com ela e não teria me casado com você. Eu te amo porra! Entenda isso!
Parecia meio em choque com sua reação, e foi como se tudo se colocasse em seu devido lugar. Independente de qualquer coisa, eu sabia que não podia cobrar coisas que aconteceram antes mesmo de nos conhecer e tinha certeza que se Edward ao menos desconfiasse que Ben pudesse ser seu filho, já teria tomado alguma providência para não deixá-lo desamparado.
- Se você quiser nunca mais terá que vê-la... — Ele respirou fundo, se acalmando antes de continuar. — Nós nunca mais precisamos falar sobre isso tudo... Nós podemos, sei lá... Nós podemos voltar a Londres, podemos tirar um tempo para nós... Só nós dois, mais uma vez...
- Não, Edward! –Interrompi, sentindo uma imensa vontade de chorar, mas estranhamente minhas lágrimas pareciam terem acabado. – Eu acredito em você, mas ainda assim é demais para mim!
- Bella...
- Não é só isso Edward... É tudo! Tudo está desmoronando. Num instante está tudo bem e no minuto seguinte é como se tudo tivesse caído sobre mim... Eu não sei mais nem quem sou no meio disso tudo.
- Você é Isabella Cullen, é minha esposa, é a mulher que eu amo, aquela que eu não sei viver sem, você é minha família!
Família.
- Não Edward... Eu tirei sua família.
- O que? Não... Olha, eu... Eu acho que você precisa descansar um pouco mais... Os remédios, a pancada no atropelamento... Você ainda está desorientada... Nós podemos conversar quando você se sentir melhor...
- Eu o perdi, Edward! – minha voz falhou e inesperadamente as lágrimas apareceram. – Eu o perdi e me perdi junto com ele.
Seus braços me envolveram e ele sussurrou em meu ouvido:
- Nós não sabíamos, babe... Foi um acidente. Não é sua culpa! Nós podemos ter quantos bebês você quiser, Bella.
- Mas nenhum irá substituir esse!
- Não, mas serão frutos do nosso amor como esse foi, porque eu amo você, e não vou desistir assim tão fácil de nós dois, e eu sei que juntos nós podemos enfrentar qualquer coisa.
- Não, Edward, eu preciso passar por isso, sozinha. Eu preciso... Eu sinto muito Edward, mas eu preciso de um tempo... Um tempo para mim mesma.
...
Edward aceitou meio a contra gosto meu pedido, deixando-me sozinha por algum tempo para que pudesse pensar, e ali naquele quarto de hospital tive a certeza de que para seguir em frente, precisaria voltar para onde meus problemas haviam começado, pois sem me livrar deles, não poderia me achar e ser capaz de ser o que Edward merecia que fosse: uma mulher decidida, segura de si e sem tantos fantasmas.
Verifiquei os horários dos vôos que poderiam me levar até Seattle e comprei a passagem para o dia seguinte, quando teria alta. Precisava de um tempo em Forks para entender o porquê daquilo tudo. Por que meus pais não podiam me dar o mesmo amor e proteção que via em outras famílias, por que Jacob havia feito aquilo comigo.
O Mais difícil de tudo, certamente foi comunicar minha decisão a Edward. Obviamente não disse para onde estaria indo, mas disse que precisa de um tempo afastada de tudo. Mais uma vez ressaltei o quanto o amava que o fato de me afastar agora, nada tinha a ver com rancor ou desconfiança. Era apenas fraqueza. Eu não tinha coragem para enfrentar de frente tudo o que estava acontecendo.
Foi difícil ver seus olhos cheios de lágrimas, mas era o necessário a ser feito. Por mim, por ele... Por nós, como uma família.
Ignorando todos os alertas internos, no dia seguinte, deixei apenas um bilhete na recepção para Jasper e sai rumo ao aeroporto com a pequena mala que Esme havia trazido de casa com as roupas para o período de permanência no hospital.
Por sorte, o caminho estava tranqüilo e no salão de embarque as pessoas pareciam me ignorar como faziam antes do filme. Para eles eu era apenas mais uma mulher embarcando e por mim continuaria naquela condição de isolamento por um tempo, se a voz de Edward não tivesse ecoado em meus ouvidos, fazendo meus olhos se voltarem para uma televisão ligada numa banca de revistas.
- ... E por todo esse rumor sobre uma possível relação com Victoria Ston, decidi vir a público para anunciar meu casamento com Bella Swan, portanto qualquer possibilidade de envolvimento com uma outra mulher é completamente nula. Amo minha esposa e sou fiel a ela. Quando a esse possível filho; meus advogados já entraram em contato com Victória para que um exame de DNA seja feito e caso seja comprovada a paternidade, darei entrada no processo de reconhecimento, para que ele receba meu nome e tudo o que tiver direito...
Segurei a passagem mais forte ainda entre os dedos, um tanto trêmula ao ouvir a última chamada de meu vôo.
Notas finais
Muito obrigada por todos os comentários e pelos parabéns pelo aniversário da fic e pelo meu aniversário... como sempre, vocês são fantásticas!
Por favor, me deixem saber o que acharam desse capítulo também, ok?
xoxo
Fale com o autor