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31 Capítulo 23 - The walls I built are crumbling
Notas iniciais
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Por favor, escutem as músicas... Vai ajudar a entrar no clima! rs
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"Como eu posso explicar?
Qualquer coisa que tenha havido aqui
Nunca significou que eu quisesse te machucar
Como eu posso causar tanta dor?
Quando eu disser que sinto muito
Você acreditará?
Escute a minha história
Diga que não me deixará
Quando eu disser que sinto muito
Você pode me perdoar?
Quando eu disser que sempre estarei lá
Você acreditará?
...Não há desculpa, não há explicação
Acredite, se eu pudesse desfazer o que fiz de errado
Eu abandonaria tudo que possuo”
http://www.youtube.com/watch?v=Iy4wD6c4GSY&feature=related
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Edward Cullen
Terminava de me vestir quando Bella apareceu vestida de Ginny para a festa de lançamento usando um vestido de veludo esmeralda que parecia enfeitiçar quem a olhasse. Por um momento, tive o ímpeto de prendê-la em meus braços e não a deixar sair, mas aquela era a grande festa do filme, do projeto dela, portanto não faria nada que pudesse atrapalhar minimamente aquela noite.
Relutando, me afastei dela, vendo-a partir com Jasper e Alice rumo a casa onde a festa aconteceria, saindo alguns minutos depois.
Logo na recepção, Aro me aguardava com Victoria, alertando-me que deveria ser seu "acompanhante" por aquela noite, afinal, todos os casais do filme tinham de circular juntos para ceder suas entrevistas aos jornalistas ali presentes. Um tanto relutante, aceitei o braço que Victoria me oferecia e assim começamos a circular pelo local, parando de tempos em tempos para ceder alguma entrevista.
De longe podia ver os cachos avermelhados de Bella enquanto falava com um ou outro jornalista e era impossível não sorrir simplesmente por vê-la.
Para mim, honestamente, era apenas mais uma festa de lançamento, como tantas outras que já havia participado. Mas, vê-la tão linda e radiante, falando sobre um projeto seu, me deixava tão animado quanto ela e muito orgulhoso.
O que mais me incomodava era o fato de ter de ficar na companhia de Victória, que não me largava um só instante, sempre insinuando algum tipo de ligação entre nós, o que era prontamente refutado por mim.
Estávamos falando com um jornalista quando as luzes se apagaram e pude ver no centro do salão Bella começando a dançar, daquela forma sedutora e envolvente que só ela tinha. Inevitavelmente meus pensamentos se voltaram para o dia em que ela dançou dessa mesma forma para mim, em um pedido de desculpas, com seu corpo se movendo tão sensualmente que me roubava o ar.
Era como se estivesse hipnotizado com seu corpo. Meus olhos simplesmente não podiam se separar dos movimentos que ela fazia em sua dança. Conforme o ritmo acelerava, podia ver que ela ficava mais e mais envolvida pela música deixando-a ainda mais sensual, se possível. Quando a música parou, tive o ímpeto de correr até ela e beijá-la com toda a paixão que sentia naquele momento, mas tive de me conter ao sentir o braço firme de Victória me mantendo quieto e observei de longe os aplausos e felicitações que ela recebeu de diversas pessoas.
Quando finalmente tudo se acalmou, Victoria começou a se queixar de que se sentia um tanto mal, e pediu para que eu a acompanhasse até o jardim, para que pudesse respirar um pouco, sentindo-se um tanto enjoada. Meio relutante, segui com ela até a parte externa, oferecendo o suporte para que ela pudesse caminhar até um dos bancos que ali haviam.
Eu nem ao mesmo percebi suas reais intenções, até que ela se inclinou em minha direção. A segurei um pouco mais fortemente, dando a ela estabilidade, imaginando que ela de fato, se sentia mal... Mas, o que ela fez em seguida, me fez desejar poder empurrá-la para longe de mim, o quanto antes.
Numa fração de segundos, ela se virou, prendendo-se em meu pescoço. Seus lábios tocaram os meus com tamanha fome, que me surpreendeu, beijando-me intensamente enquanto tentava recuar dela. Afastei-a enquanto flashes estouravam quase me cegando.
Nosso contato não durou mais do que poucos segundos, mas foi tempo suficiente para que o estrago fosse feito.
Tentando controlar a raiva que sentia, voltei-me para a multidão que nos cercava, mas um rosto se destacou imediatamente... o rosto de Bella, seus olhos presos a nós, sem nos enxergar de fato. Podia ver suas lágrimas escorrendo por seu rosto e seu olhar decepcionado e ignorando tudo e todos, sai correndo em sua direção.
Antes que eu conseguisse alcançá-la, fui barrado por Jasper, que tentou acertar-me um soco.
- Eu gostaria de poder acabar com você agora, bem aqui... – ele grunhiu pra mim, voltando a tentar me socar.
O estrago em meu rosto só não foi pior porque Emmett segurou-o a tempo, dando-me oportunidade de correr na direção que ela havia ido minutos antes.
Corri desesperadamente tentando alcançá-la, até vê-la saindo por um discreto portão que servia como saída de emergência em eventos como aquele que dava para um beco escuro e estreito, próximo de uma rua movimentada. Como se sentisse que algo ainda pior pudesse acontecer fui mais rápido ainda, apenas para ver o exato momento em que um carro se chocava contra seu corpo, fazendo-a ser arremessada por alguns metros e caindo desacordada no chão.
Foi como se tudo tivesse parado ao meu redor e aqueles segundos que gastei para chegar até seu corpo tivessem corrido em câmera lenta. Quando finalmente a alcancei, encontrei um homem parado ao seu lado, segurando sua mão enquanto falava ao celular pedindo socorro.
- Aiii meu Deus, como ela está? Eu não a matei não é? – A voz desesperada de uma mulher parada praticamente ao meu lado, me trouxe de volta a realidade e naquele momento não existia nada que eu desejasse mais do que poder pegar seu corpo em meus braços, mas sabia que era algo impensável de se fazer sem ter real noção de seus ferimentos.
- Bella? – Chamei, me colocando ao seu lado e limitando meus movimentos a acariciar seu rosto. – Bella, vamos lá... Não faça isso comigo! Bella!!
- Você a conhece? – O moreno parado a minha frente, perguntou soltando as mãos de Bella, após encerar a ligação.
- É minha esposa! – respondi sem me importar em continuar a manter isso em segredo. Naquele momento tudo o que me importava era que ela acordasse, que estivesse bem e que Deus, me ajudasse, e ela me perdoasse pelo o que tinha presenciado.
- Onde estão a droga dos paramédicos? – a mulher voltou a falar e se abaixando próximo a mim, me fitando. – Eu juro que não tive culpa! Ela simplesmente atravessou a rua do nada... Correndo como se estivesse fugindo de alguma coisa... Merda! Eu não consegui frear a tempo!
Eu assenti, sentindo meu coração apertar cada vez mais. Se eu tivesse evitado aquele maldito beijo, ela não teria saído daquele jeito da festa e não estaria aqui, agora, desacordada.
A sirene da ambulância se fez ouvir e eu apertei um pouco mais sua mão, em uma prece silenciosa.
Por sorte os jornalistas da festa pareciam ignorar o que acontecia ali, permitindo que todos os procedimentos necessários fossem feitos com calma.
Eu me acomodei ao seu lado, na ambulância, com meus dedos trêmulos, acariciando docemente seus cabelos. – Fique comigo, babe! – sussurrei em seu ouvido enquanto os paramédicos se preparavam para retirá-la do local.
Antes que as portas da ambulância fossem fechadas, me virei para o homem que a havia socorrido e disse:
- Obrigado! Por ajudá-la... Eu sou grato, de coração!
Um dos paramédicos tentava acalmar a motorista, dizendo para onde levariam Bella.
- Me deixe saber como ela está... – o homem pediu me entregando um pedaço de papel com o numero do seu telefone.
Uma rápida olhada me permitiu saber seu nome: Jacob. Mentalmente, prometi procurá-lo para agradecer por sua ajuda, quando tudo se resolvesse.
...
Eu podia sentir meu celular vibrando durante todo o trajeto até o hospital, mas o ignorei focando minha atenção apenas em Bella.
Quando chegamos ao hospital, algumas enfermeiras e médicos já estavam à espera e mesmo contra meus protestos, não me permitiram acompanhá-la.
...
Eu não saberia precisar quanto tempo eu passei andando de um lado ao outro na recepção do hospital, após preencher a ficha de Bella. Mas, eu estava a ponto de voltar a perguntar à recepcionista se ela tinha alguma noticia, talvez pela 10° vez, quando um dos médicos responsáveis pelo atendimento de Bella, veio ao meu encontro.
- Como ela está? — perguntei antes mesmo que ele parasse a minha frente. – Ela já acordou? Está fora de perigo?
- Sr. Cullen... – ele começou pacientemente e por mais covarde que possa parecer, eu desejei com todas as minhas forças que minha mãe estivesse aqui, ao meu lado, porque algo em sua voz me dizia que eu não teria boas noticias. – Sua esposa está fora de perigo. – um suspiro de alivio deixou meus lábios. – Ela tem um braço fraturado e vai precisar ficar em observação por alguns dias, já que sofreu uma concussão... Nesse momento nós a deixamos sozinha, para que ela pudesse descansar e se acalmar... – Eu estava a ponto de abraçá-lo, tamanho era o meu alivio, quando ele fez uma pausa, pousando uma de suas mãos em meu ombro. – Eu sinto muito, mas não pudemos fazer nada para salvar o bebe.
Eu senti tudo a minha volta rodar, quando compreendi o significado de suas palavras. Ainda assim, balbuciei:
- O bebe?
O médico aumentou a força com que apertava meu ombro e me deu um sorriso triste.
- Soubemos que vocês ainda não sabiam da gravidez quando contamos a ela o que aconteceu... Eu sinto muito!
Eu não saberia dizer se ele disse algo mais, se me contou detalhes, naquele momento, talvez não fosse capaz de dizer nem mesmo meu nome.
Tudo o que eu consegui fazer foi caminhar lentamente até um canto mais afastado da recepção e sem conseguir me manter de pé, permiti que meu corpo escorregasse pela parede, incapaz de calar os meus soluços.
...
- Edward? Merda, Edward, fala comigo! O que aconteceu? Cadê a Bella? –a voz de Rosalie chegou aos meus ouvidos, mas tudo o que conseguia fazer era balançar a minha cabeça negativamente e tentava, inutilmente conter as lagrimas insistentes que caiam de meus olhos.
- Droga, Edward... onde está a minha irmã?
Meus olhos encontraram Jasper e eu desejei, sinceramente, que ele voltasse a me bater. Talvez assim eu conseguisse aliviar, ao mesmo um pouco, a dor da culpa que eu sentia.
Um bebe. Nosso bebe.
- Ela está bem... Uma concussão e um braço fraturado, mas fora de perigo. – minha voz estava quebrada e mecânica demais para que eles não percebessem que havia algo errado.
- Então por que você parece que está participando de um velório? — Emmett pediu, tentando me ajudar a me colocar de pé.
Levei as mãos a minhas têmporas, antes de deixar que minha cabeça tombasse e abraçasse o homem a minha frente, voltando a chorar como uma criança.
- Ela nunca vai me perdoar!
- Ela te ama, cara e... Merda, você não quis beijar ela, não é? Eu te conheço, você não faria isso, nem mesmo se fosse você e Bella, vocês não se beijariam ali, no meio de tantos jornalistas... simplesmente não é você. Eu tenho certeza que quando ela pensar com calma, vai perceber isso.
- Foi por causa desse maldito beijo, que tudo isso aconteceu! Eu gostaria de poder matar Victoria agora!!! Deveríamos estar comemorando a essa altura... e no entanto, estamos chorando uma perda. Eu tenho certeza Emmett, ela nunca vai me perdoar!
- O que você quer dizer com “chorando uma perda”? – eu nem ao menos tinha notado a presença de Alice, até que ela viesse até mim. – Por favor, me diga que não tem mais? Que você não está escondendo nada de nós...
- Ela... – falar era ainda mais doloroso. – Bella... droga, Alice é minha culpa! Por minha culpa, ela perdeu o nosso filho...
Tudo o que se ouvia naquele momento era o meu choro. E tudo permaneceu assim, por longos minutos.
- Vai ser mais do que ela pode suportar... – Jasper se jogou sobre uma das poltronas da recepção. – Como é que eu vou contar isso a ela, agora? Como é que nós podemos simplesmente chegar e dizer tudo? Eu conheço a minha irmã e ela vai se sentir incapaz... Merda, Alice, ela vai se sentir inferior!
- Ela já sabe... os médicos contaram a ela... Ao menos foi o que o médico me disse. Eles contaram sobre o bebe a ela.
- Ótimo! – jasper retrucou se pondo de pé e me encarando raivoso. – então agora, nós só precisamos ir até ela e dizer: “Não se preocupe Bella, você não precisa se importar com isso, afinal o seu marido já tem um filho para se ocupar!”
- Jasper! – Alice interveio. – Não é momento para isso... Não vai ajudar Bella em nada, se você e Edward começarem uma briga agora.
- Como acha que ela vai se sentir descobrindo agora sobre isso, Alice? – Ele deu um passo em minha direção. – Você tinha que ter contado isso a ela antes... Droga, Edward, ela tinha o direito de saber!
- Do que é que você está falando? Eu não escondi nada dela... O único filho que eu teria se foi hoje a noite!
Os olhos de Jasper faiscaram e ele atravessou o salão que nos separava completamente tomado pela fúria, me erguendo do chão e me pressionando contra a parede atrás de mim.
- E como você explica, a noticia que certamente estará estampada em todos os tablóides amanhã? De que o filho de Victoria é também seu filho?
- Eu... esse filho... ele não pode ser meu... — Comecei a falar, mas como uma ironia do destino, flashes de uma noite; a véspera do dia em que conheci Bella encheram minha mente, fazendo com que lembrasse da ruiva que havia passado a noite comigo... era Victória — Não! Não pode ser!
- Não pode? — Jasper tinha um tom ácido e eu compreendia sua fúria, pois era tão grande quanto à raiva que sentia de mim mesmo naquele momento — Por que então que você parece tão em dúvida? Lembrou de alguma de suas farrinhas?
Eu nem ao menos senti, quando Emmett mais uma vez interveio nos separando, muito menos fui capaz de compreender nenhuma das palavras dos seguranças da clinica que tinham vindo em nossa direção. Tudo o que eu conseguir fazer era pensar, segundo após segundo: Poderia ficar ainda pior? Eu poderia estragar ainda mais as coisas?
Agora sim, eu tinha plena certeza. Bella nunca iria me perdoar!
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Bella Cullen
“Na escuridão, Eu estava cambaleando até a porta
Para encontrar uma razão, Para achar o tempo, o lugar, a hora
Esperando pelo sol de inverno e pela fria luz do dia
Os nebulosos fantasmas dos medos da infância
A pressão está se formando e eu não consigo me afastar.
Me jogo para dentro do mar
Libero a onda
Deixo ela me lavar
Para encarar o medo cheguei a acreditar que
As lágrimas do dragão eram pra mim e pra você”
Tears Of The Dragon -Bruce Dickinson
http://www.youtube.com/watch?v=689OuBJEzGA&feature=related
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Quando abri os olhos, tudo o que conseguia sentir era dor, uma dor excruciante que parecia irradiada em algum ponto em meu ventre. Meus olhos percorreram o local em que estava e tudo o que conseguia ver eram pontos brilhantes demais acima de meus olhos.
Ao fundo, como se ouvisse algo bem distante, podia ouvir minha própria voz, pedindo por ajuda, gemendo de dor.
- Isabella? – um homem debruçou-se sobre mim, mas minha mente estava tão nublada pela dor que eu mal conseguia o encarar de volta. – Eu sou o Dr. Jordan, e vou cuidar de você... Por favor, me diga onde dói?
- Oh Deus, me ajuda! – pedi me encolhendo, com a mão protetoramente sobre minha barriga, como se assim fosse possível diminuir a intensidade da dor. O movimento fez com que mais dores me assolassem, agora em partes distintas do meu corpo, era como se todos os meus membros estivessem lesionados.
- Eu vou aplicar algo para dor, Isabella. Por favor, não se movimente tanto, não sabemos, ainda, onde está fraturado.
Enxerguei ainda mais alguns borrões, figuras que eu imaginei serem médicos e enfermeiras, senti quando uma agulha encontrou meu braço e ouvia vozes ao longe, minha maca sendo movimentada, mas por mais que tentasse me focar em algo ou alguém, a dor era tão grande que simplesmente me entreguei a ela.
....
Algumas doses de remédios e muitos exames depois, eu me encontrava deitada em uma maca confortável, em um quarto branco, com agulhas presas as minhas mãos e sentindo todo o meu corpo dolorido. A dor não era tão grande quanto havia sido anteriormente, era suportável. Notei que meu braço esquerdo estava engessado.
Lembrei-me da dor em meu ventre e debilmente corri os dedos da mão direita sobre minha barriga, não notando nada de diferente.
Minha cabeça pesava e eu me sentia enjoada e bastante desorientada.
A porta do quarto se abriu e o mesmo médico que havia me atendido adentrou o ambiente.
- Como se sente? – Perguntou gentilmente.
- Minha cabeça dói, me sinto enjoada e um pouco desorientada... O que aconteceu?
- Você foi atropelada. Devo dizer que pelo o que ouvi do acidente, você tem sorte em não ter sofrido nenhuma seqüela maior. – Ele se aproximou de onde estava deitada. – Você tem uma concussão e um braço quebrado.
- Todo o meu corpo dói...
- Isso é resultado da pancada que sofreu... Em alguns dias estará nova em folha.
Eu assenti fechando meus olhos.
- Eu tenho mais noticias para você Isabella... Se preferir posso avisar ao seu marido que já está acordada.
A menção a Edward me fez lembrar imediatamente da cena que presenciei essa noite, e ainda com os olhos fechados disse:
- Edward está aqui?
- Ele veio junto com você, na ambulância. Agora, está na recepção esperando por notícias... Pelo o que ouvi, a essa altura já deve estar deixando a recepcionista louca.
- Eu não gostaria de vê-lo agora... – disse sinceramente. – sinto-me cansada.
- Os remédios a fazem se sentir assim. É natural.
Meus olhos estavam pesados e a cada segundo que passava podia sentir meus braços e pernas mais fracos.
- O que precisa me dizer? Quando poderei ir embora? Eu estou bem?
- Você está bem... dentro de alguns dias, se tudo correr bem, poderá ter alta... – o médico se aproximou mais um pouco e checou um dos monitores e meu soro. – Todo o impacto que você sofreu com o atropelamento, foi quase todo direcionado ao seu ventre...
- Acho que isso explicar a dor que senti... – comentei debilmente.
- Infelizmente, quando chegou ao hospital, não havia mais nada que pudéssemos fazer pelo bebe.
Eu voltei minha cabeça em sua direção, com um pequeno sorriso fraco e disse:
- Eu bati a cabeça e acho que isso está me fazendo ouvir coisas...
- Não, Isabella. Eu sinto muito, mas não foi possível salvar o bebe.
- Então, você está confundindo as pacientes... – minha cabeça pesou um pouco mais e involuntariamente, gemi baixinho. – Não existia nenhum bebe.
Ele balançou a cabeça negativamente e sorriu tristemente para mim.
- Você estava grávida, de talvez 8 a 12 semanas, não é possível precisar no momento... O impacto foi forte demais para que o bebe resistisse... Eu realmente sinto muito, Isabella.
- Você está dizendo que eu vou ter um bebe? Edward e eu teremos um bebe?
- Não Isabella. Infelizmente, vocês não o terão agora... mas pelos exames que fizemos, nada a impedirá de ter filhos, no futuro.
Eu não mais sentia dores, ao menos não em meu corpo. Era tudo apenas, um imenso e sufocante vazio.
- Um bebe? Eu ia ter um bebe?
- Isabella, por favor, você precisa se acalmar... não lhe fará bem...
- E eu o perdi? Eu o deixei ir? Eu não o protegi? Ohh Deus, o que foique eu fiz?
- Isabella, eu realmente preciso que você se acalme...
Eu não pude ouvir, ou melhor, eu não puder compreender nenhuma das seguintes palavras, era como se minha mente tivesse sido retirada do meu corpo, era como se todo o meu poder de compreensão tivesse simplesmente desaparecido. Era como seu corpo não possuísse mais alma. Era como estar presa em um imenso buraco negro.
Eventualmente, a voz baixa e calma do médico deixou de ser ouvida e todo o quarto foi preenchido apenas pelo silêncio, um silêncio mórbido e dilacerante. Um silêncio interrompido apenas pela minha respiração falha, durante o choro baixo e sofrido.
...
Meus olhos estavam abertos. Ao menos eu acredito que eles estavam. Mas eu não conseguia enxergar nada mais do que imagens irreais. Algumas vezes, eu via Edward, algumas outras vezes eu via Alice e Rose e muitas vezes eu vi um pequeno bebe de cabelo cor de cobre e olhos esmeraldas.
Minha boca estava seca e meus olhos ardiam, mas por mais que eu tentasse nenhuma palavra era capaz de ser formada e eu simplesmente não conseguia fazer com que meus olhos ardessem menos.
Eu não sei quanto tinha passado até que eu finalmente conseguir fazer com que meu corpo respondesse a algum comando. Eu havia voltado a sentir dores por meu corpo, a diferença é que agora eu tinha o acréscimo de um dor em minha alma.
Com um gemido involuntário conseguir me virar na maca, me posicionando de forma mais confortável.
- Bella? – Ouvi a voz rouca de Edward, mas ele não estava em minha linha de visão e para ser bem honesta eu não gostaria que ele estivesse.
Eu não conseguia pensar em nada para dizer que o fizesse se sentir bem e acima de tudo, eu não conseguia pensar em nada que ele pudesse me dizer para fazer com que eu me sentisse melhor.
- Sente algo, meu amor? Alguma dor? – Ouvi-lo me chamar de meu amor, só aumentou a minha dor.
Eu cerrei meus olhos não querendo enxergá-lo. Um pouco pelo o que tinha presenciado na festa e ainda estava preso em minha memória, mas principalmente porque não saber como olhá-lo e dizer-lhe o que havia acontecido.
- Bells? Fala comigo, por favor! – Eu senti seu calor próximo a mim e estremeci. – Fala qualquer coisa... diz que me odeia, que nunca vai me perdoar, diz que está decepcionada, diz até que nunca mais quer me ver... mas pelo amor de Deus, Bella, diz alguma coisa.
Seus dedos tocaram docemente meu rosto e por mais que eu desejasse me aconchegar em seu colo, eu não tinha coragem de olhá-lo.
- Por quê?
Honestamente, eu não sabia se desejava saber o por que de ele ter beijado Victoria, se desejava saber o por que eu tinha saído correndo daquela forma, se desejava saber o por que aquele carro tinha que estar passando por ali naquele exato momento, se desejava saber por que ele estava lá, se desejava saber por que nunca conseguimos estar bem sem que alguma coisa aconteça ou se desejava saber por que eu estava aqui agora, quando o nosso filho não estava...
- Eu não quis beijá-la, Bella. Eu juro! Eu não imaginei que ela fosse fazer isso... Droga, se eu pudesse voltar no tempo... Se eu pudesse mudar tudo isso. Eu nunca te trairia, você é minha vida, é a única que eu amo... Por favor, acredite em mim.
Eu não saberia dizer se era a minha falta de total consciência ou a desorientação, mas mediante ao vazio que eu sentia dentro de mim, o fato de Victoria e Edward terem se beijado em meio a uma festa para que todos pudessem ver, me parecia algo bem insignificante. Talvez o espaço que deveria ser do meu coração também estivesse vazio.
- Talvez tenha sido ingenuidade da minha parte, mas eu nunca pensei que ela pudesse ir tão baixo... Porque não existiria nenhuma outra forma no mundo em que ela fosse capaz de me fazer beijá-la, a não ser da forma que foi... Eu posso explicar tudo! Não foi como você pode ter imaginado na hora...
Eu acredito que nem ao mesmo tenha imaginado algo. Eu apenas os vi se beijando e foi como se tudo desabasse.
Pensar nisso, me fez reviver a sensação do momento e confesso que minha mão, de alguma forma, coçou para acertá-lo. Droga, eu queria ter forças para xingá-lo, agora.
- Ela me disse que estava se sentindo mal... Pediu para que eu a acompanhasse até o jardim... Foi tão rápido que quando eu vi, já havia acontecido... Bella, pelo amor de Deus, olha pra mim. Me olhe nos olhos, por favor... Por favor, Bells.
Seu rosto encostou-se ao meu e pude sentir suas lágrimas molharem minhas bochechas. De alguma forma, isso foi o suficiente para que meus olhos se abrissem.
Eu não sei como me parecia nesse momento, mas a forma como Edward me olhava, me dizia que não era algo bom de ser ver.
Eu fitei seu rosto por alguns segundos e notei a falta de sorriso, os olhos vermelhos, as olheiras acentuadas por uma marca roxa abaixo de um de seus olhos. Eu fitei o semblante triste de Edward e meu peito se contraiu um pouco mais. Eu odiava, com todas as minhas forças, vê-lo assim!
- Eu juro Bella, por tudo que é mais sagrado. Eu nunca a trai, eu nunca estive com Victoria depois que a conheci... Eu nunca estive com nenhuma outra mulher desde que nos declaramos... Eu só tenho olhos pra você.
Seus olhos estavam presos aos meus e pode ser que estivesse sendo ingênua demais, mas eles pareciam tão verdadeiros.
- Eu nunca confiei nela... – disse baixo. – Mas, eu confiava em você. Confiava em seu julgamento.
- Eu nunca quis fazê-la sofrer, eu juro! Eu nunca quis te magoar.
- Ahhh Edawrd, eu quero gritar com você... eu quero xingá-lo!
- Você pode gritar o quanto quiser... pode me xingar de todos os nomes que conhecer... eu não me importo!
- Eu quero batê-lo.
- Jasper já fez isso... Mas, você pode fazer também. – eu continuei a fitá-lo, seus olhos não me permitiam desviar o olhar. – Você pode fazer o que quiser, Bella. O que quiser, desde que, no final, acredite em mim. Eu preciso que você acredite em mim...
- Eu acredito em você!
- Eu prometo que você nunca mais terá que vê-la... nós nunca mais, se quiser, precisamos falar sobre ela... Nós podemos, sei lá... nós podemos voltar a Londres, podemos tirar um tempo para nós... só nós dois, mais uma vez...
- Não, Edward! – interrompi, sentindo uma imensa vontade de chorar, mas estranhamente minhas lágrimas pareciam terem acabado. – Eu só preciso que você esteja aqui... Eu só preciso que você me abrace, que você me ajude a superar...
Notas finais
Muito obrigada a todas que comentaram no capítulo anterior, não tenho palavras para agradecer.
Não deixarei spoiler hoje porque você ainda terão que me aturar mais um pouquinho essa semana. Nos vemos no domingo???
xoxo
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