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62 Capítulo 22 - Fase II - Exceto quando faz outra pe
Notas iniciais
antes de qualquer coisa, eu preciso agradecer imensamente a Beka Assis pela ajuda sem tamanho nesse capítulo (e em todos os outros). Ele, definitivamente, não teria saido sem a ajuda dela.
Esse tem uma carga emocional gigantesca (ao menos para mim) então, estejam preparadas.
Recomendo que ouçam as músicas que constam no capítulo. Me inspiraram e dizem muito sobre o capítulo.
Boa leitura!
Capítulo 22 — Fase II — Exceto quando faz alguém sangrar...
“'Cause I've been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel the love is dead
I'm loving angels instead”
Angels – Robbie Williams
Bella Cullen
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Acordar junto a ele depois de todo aquele tempo longe parecia um sonho. Um daqueles sonhos que você não quer acordar jamais. Corri a ponta dos dedos suavemente pelos contornos do rosto que tanto amava, e era impossível conter um leve suspiro de felicidade. Era como se tudo tivesse voltado ao lugar, como estar completa novamente, e provavelmente jamais seria capaz de explicar com precisão o quão maravilhoso isso era... Me sentia inteira, viva novamente, só por estar junto de Edward.
Era um fato, meu corpo estava cansado... ou melhor, exausto, mas estranhamente, me sentia cheia de energia, e me chutava mentalmente por ter me descuidado tanto naquele tempo, afinal tinha certeza que minha aparência não era das melhores. Perdi alguns muitos quilos e as noites mal dormidas estavam visíveis em meus olhos, mas agora tudo aquilo seria passado... Era só uma questão de tempo até tudo se acertar.
Levantei com cuidado notando que já estava escuro lá fora, e em silêncio busquei minhas roupas espalhadas pelo chão do quarto, afinal, Ben estava em casa e não estava acostumado a me ver andando por ai semi-vestida.
Ele era um dos pontos que mais me preocupava naquilo tudo. Ele é só um menino e sua vida já foi virada de cabeça para baixo tantas vezes. Edward precisa pensar muito bem em como lhe explicar tudo aquilo... na verdade, precisávamos primeiro conversar... e entender como seriam as coisas daqui para a frente, e admito que tinha verdadeiro pavor daquela conversa, apesar de saber que seria essencial para qualquer chance que tivéssemos daqui para a frente.
Provavelmente teria continuado naquelas divagações, se o garotinho que tanto amava não tivesse aparecido na porta do quarto depois de uma batidinha suave, acordando Edward... E infelizmente, ele não parecia ter melhorado em nada depois do longo cochilo... Estava pálido e a mãozinha sob o abdômen mostrava a dor que deveria estar sentindo.
- Papai... tá doendo ainda... – Ben caminhou até a cama, subindo e buscando o colo de Edward, e tão natural quanto respirar, me aproximei dele, fazendo um carinho suave em sua testa, e para meu completo desespero, ele parecia ferver de febre... não era necessário ser nenhum gênio da medicina para saber que aquilo não era normal, e que ele tinha de ir a um pronto-socorro o mais rápido o possível
- Hey, campeão, o que tá sentindo? – Edward o envolveu nos braços, sentindo, assim como eu, o calor que vinha do corpinho de Ben.
- Tá dodói... Minha barriguinha tá doendo...
- Edward... É melhor leva-lo a um pronto-socorro... Essa febre parece estar alta demais.
- Uhum... – Ele voltou sua atenção a mim enquanto fazia um cafuné em Ben, fazendo-o fechar os olhos para curtir a caricia – Eu... bem, pode trocar as roupas dele enquanto me visto?
-Claro! – Cuidadosamente, fui substituindo os afagos de Edward pelos meus, e Ben logo veio para o meu colo – Vem, querido... Vamos mudar sua roupa... Precisa ir ao médico...
A careta de decepção dele foi mais que obvia.
– Eu não gosto de médico! Tem agulhas... Faz dodói!
- Anjinho, não pense assim... – Fui acomodando-o em meu colo melhor enquanto levantava, caminhando até seu quarto – Vovô Carlisle é médico, lembra? Acha que ele faria dodói?
Meu pequeno começou a ponderar por um instante, antes de voltar o rostinho a mim, fazendo carinha de inteligente ao achar um bom argumento.
– Mas o vovô Carlisle é diferente! Ele é meu vovô e é bem bonzinho... Mas os outros não... Os outros dão injeção no meu bumbum!
Foi impossível não sorrir para ele.
- E se eu disser que o Papai não vai deixar ninguém fazer dodói? — Com carinho, depositei um beijo em sua testa quando chegamos ao quarto e o coloquei sentado sobre a cama para que eu pudesse trocá-lo.
- Promete? — Ele pediu com os olhinhos presos em mim.
- Prometo! — Sussurrei e o puxei para um abraço apertado.
Assim que terminei de trocar sua roupa, Edward apareceu na porta do quarto.
- Ainda temos de conversar, Bella. – Ele disse se aproximando.
- Uhum... – Ele estava certo, é claro.
Ainda existia muito sobre o que falar, muitas coisas a serem esclarecidas, mas Ben era prioridade naquele momento. Qualquer conversa que precisávamos ter poderia esperar.
No entanto, eu tinha plena certeza que não conseguiria ficar ali sozinha, sem eles... Esperando até que eles estivessem de volta. Não com todos os meus medos me rodeando... Precisava do meu porto seguro... Precisava voltar ao meu apartamento.
– Sabe meu novo endereço, não é? Cuide dele... Eu te espero lá. Ou eu posso voltar mais tarde... Quando vocês chegarem.
Poderia jurar que vi um tanto de decepção surgir em seus olhos, mas precisava me proteger ao menos um pouco de tudo aquilo, e proteger Ben também.
- Não quer ficar aqui?
- Não é isso... Mas não seria bom... Para ninguém, na verdade.
- Você quer, ao menos, uma carona?
- Chamaria atenção demais... E acho que já temos atenção suficiente em nós dois depois de hoje na escola... Não se preocupe, eu chamo um taxi...
- Tudo bem... Mas antes de você ir, nós temos uma coisa para você.
Eu o vi deixar o quarto por um instante e quando voltou, trazia uma caixinha de veludo vermelho nas mãos e a entregou a Ben, que mesmo se sentindo mal, pulou sobre a cama e estendeu a caixinha para mim.
- Uauu, um presente? – Sorri para o menininho loiro de brilhantes olhos azuis que me encarava com expectativa. – Mas, não é o meu aniversário.
- Abre, mamãe! – Ben pediu e eu, prontamente, atendi ao seu pedido.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando vi o singelo cordão de ouro, com um lindo pingente em forma de menino.
Eu sabia bem o que aquele presente significava. Era uma forma de Edward me dizer que era bem vinda na vida de seu filho e, nada, poderia me emocionar mais.
- É lindo! – Exclamei, envolvendo meus braços ao redor do meu filho do coração. – Obrigada, meu amor!
Ainda com Ben em meu colo, me virei em direção a Edward e lhe ofereci um sorriso.
- Eu... Amei!
Ele apanhou a caixinha de minhas mãos e retirou o cordão, antes de levá-lo ao meu pescoço, ele manipulou o pingente, de forma que eu pudesse ver o nome de Ben gravado.
- Obrigada! – Disse com a voz embargada.
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Edward Cullen
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Eu estava dividido entre cuidar o melhor possível de Ben e correr até Bella. Depois do tempo em que estivemos separados, tudo o que eu desejava era não ter que me afastar dela nem mesmo por um segundo, por nenhum motivo.
E existia tanto ainda a ser falado, esclarecido...
Uma parte de mim tinha medo da reação que ela poderia ter quando eu contasse tudo a ele, especialmente a parte que incluía o que eu tinha feito para conseguir as gravações e a guarda de Ben. Mas, não existia possibilidade de esconder isso dela.
Eu abracei meu filho um pouco mais forte, depois de ele ter recomeçado a chorar, ao mesmo tempo em que me decidia que não importa o que acontecesse, o medo que eu sentia ou as fugas dela, Bella e eu conversaríamos essa noite.
- O que está mantendo sua mente longe? –Meu pai questionou.
Carlisle tinha sido gentil em nos acompanhar. Obviamente, ele não poderia consultar Ben, tanto por pediatria não ser a sua especialidade, como pelo paciente ser seu neto.
- Bella... – Sussurrei.
Meu pai assentiu.
- Você precisa resolver isso, filho. – Ele disse, em tom baixo, quanto esperávamos pelo resultado de exame de sangue que Ben tinha feito. – Eu sei que você está escondendo algo, Edward. O que quer que seja, vai ser mais fácil se você for honesto com ela e a deixar a par de tudo.
- Nós nos vimos hoje... – Eu disse. – Na escola. E... – Um leve sorriso se formou e meu rosto ao lembrar do que compartilhamos há algumas horas.
- Pelo seu sorriso, posso supor que se entenderam.
- Ainda precisamos conversar... Você está certo. Pai. – Disse. – Eu deveria ter dito tudo desde o início, para todos vocês. Principalmente para ela. E eu não deveria ter feito algumas coisas...
Suspirei, rezando internamente para que ela pudesse me perdoar, que seu amor por mim fosse forte o suficiente para isso.
- Cadê a mamãe? – Ben nos interrompeu, provavelmente por estarmos falando dela. – Eu quero a mamãe!
Eu olhei para o menino manhoso no meu colo, sabendo que ele amava tanto quanto eu e que precisava dela da mesma forma que eu.
- O que você acha de ligar para ela? – Ofereci e ele sorriu em resposta.
Eu ouvi os toques por um momento, ainda sorrindo para o meu filho, mas quando a ligação foi para a caixa postal, eu senti o meu sorriso esmorecer.
Após cinco tentativas, eu já me sentia desesperado.
- Ela não atende. – Disse, olhando para o meu pai. Obviamente ele pode ver a preocupação em meus olhos.
- Talvez, ela esteja ocupada. – Ele tentou me acalmar.
- Ela não deixaria de atender. Não importa o que estivesse fazendo. Não sabendo que eu estou em um hospital com Ben.
Eu me levantei e coloquei Ben sentado sobre a cadeira que eu ocupava e me afastei para tentar ligar mais uma vez.
- Bella? – Eu disse após o sinal sonoro da caixa postal. – Eu... Ben e eu estamos apenas esperando o resultado de um exame de sangue... O pediatra garantiu que não passa de uma intoxicação alimentar, mas eu insisti em um exame e... Por que você não atende? Eu estou preocupado.
Uma após outra, todas as ligações eram direcionadas a caixa postal após não serem atendidas.
Eu recostei minha cabeça contra uma parede, tentando reprimir a vontade de ir até ela.
- Edward? – Meu pai encostou uma de suas mãos em meu ombro e eu me virei em sua direção. – O exame está pronto.
- Eu... Será que você...
- Não conseguiu falar com ela?
Minha resposta foi um aceno negativo de cabeça.
- Tem alguma coisa errada. – Minha garganta fechou diante das palavras. – Eu posso sentir.
Carlisle ponderou por um segundo.
- Olhe, vá falar com o médico... Eu posso continuar a tentar ligar... Ou ir até lá, se isso o deixar mais calmo.
- Eu posso ir, se você puder ficar com Ben e...
- Eu vou. É melhor que você fique com ele.
Eu concordei e dei a ele o endereço do novo apartamento de Bella.
...
- Como eu havia dito, Sr. Cullen. – O pediatra me disse, após olhar o exame de Ben. – Não passa de uma gastrenterite. Tudo o que você precisava fazer é cuidar para que ele beba bastante água para evitar uma desidratação e controlar a alimentação, eu sugiro alimentos leves como: sopas, purê, entre outros. Se o quadro persistir por mais de três dias, o Sr. deve retornar com ele.
Eu assenti, minha atenção apenas pela metade. Estava aliviado por Ben não ter nada mais grave, mas minha preocupação com Bella não me deixava sentir alivio verdadeiro. Era como se algo me dissesse que alguma coisa tinha acontecido.
...
- Tô cheiroso? — Ben pulou em meus braços, após eu ter colocado fim ao seu banho de banheira.
Ele parecia bem melhor e a animação dele quase me contagiava. Só faltava Bella retornar as minhas ligações ou voltar ao apartamento para que tudo ficasse, completamente, bem.
De qualquer forma, eu não estaria esperando mais. Seria apenas o tempo de vestir o meu filho e então nós dois iríamos até lá.
- Humm, muito cheiroso. – Respondi, após deslizar o meu nariz pelo pescoço dele, o que o fez sorri. – Agora, o que você acha de ficar bem bonito para irmos ver a mamãe?
Mamãe era a palavra mágica, qualquer vestígio de dengo ou mal estar foi embora no momento em que eu mencionei Bella.
E sua euforia só aumentou quando a campainha soou, nos avisando de uma visita.
- Mamãe! – Ele gritou, e se apressou em correr até a sala, vestindo apenas um roupão do Bob Esponja.
Eu o encontrei lutando contra a fechadura, que eu sempre mantinha trancada e o afastei da porta.
- Você me deixou preocup... – Comecei a dizer, mas no momento em que meus olhos se depararam com a minha mãe, a fala foi interrompida.
Eu abri espaço para que minha mãe entrasse e a vi se abaixar e abraçar o neto, mas não passou despercebido que ela evitava me olhar.
E quando ela assim o fez, eu entendi por que.
Os olhos avermelhados e a expressão entristecida eram indicativos claros de que ela não estava ali, apenas para verificar com Ben estava após um mal- estar.
- O que aconteceu? – Perguntei, temeroso.
- Ben, por que você não vai até o quarto e escolhe uma roupa bem bonita... – Minha mãe sugeriu com doçura e meu filho prontamente obedeceu.
Quando ficamos a sós e os olhos dela voltaram a pousar em mim, agora não apenas avermelhados, mas completamente úmidos, eu senti meu coração falhar uma batida.
- Fala, mãe! – Pedi. – É Bella, não é? O que aconteceu com ela?
– Ela...Ela tentou... – Minha mãe tentou dizer, mas as lágrimas que agora escorriam por seu rosto não a permitiram continuara. Sem pensar muito sobre o que eu estava fazendo, eu a abracei, mas para consolar a mim mesmo do que quer que estivesse por vir do que por qualquer outro motivo. — Eu sinto muito, Edward, mas ela tentou o suicídio!
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Bella Cullen
“Estou tão cansada de estar aqui
Reprimida por todos os meus medos infantis
E se você tiver que ir, eu desejo que você vá logo
Pois sua presença ainda permanece aqui
E isso não vai me deixar em paz
Você costumava me cativar pela sua luz ressonante
Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás
Seu rosto assombra meus únicos sonhos agradáveis
Sua voz expulsou toda a sanidade em mim
Essas feridas parecem não querer cicatrizar
Essa dor é muito real
Há simplesmente tantas coisas que o tempo não pode apagar...”
My Immortal – Evanescence
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O caminho para o apartamento foi feito de forma silenciosa e tranquila. Por sorte, parecia que o motorista não havia me reconhecido e pude apreciar um pouco da paisagem lá fora, bem como deixar meus pensamentos fluírem. Me sentia mais leve em voltar aquele lugar, já que agora, com as esperanças renovadas, tinha certeza que era algo provisório... Me sentia confiante que era algo temporário, e que no fim, tudo ficaria bem...
Fazia um bom tempo que não sorria verdadeiramente, mas era algo que simplesmente fluía de mim depois de tudo.
Me joguei na cama com um sorriso bobo no rosto, suspirando levemente, sentindo minha pele se arrepiar de leve ao lembrar dos toques... Dos beijos que trocamos, e quando nos tornamos um, envoltos por todo o amor e prazer.
Voltei meu rosto para o lado, me deparando com o envelope que havia jogado por ali antes de sair mais cedo.
Peguei o papel pardo em minhas mãos, buscando algum sinal do remetente, mas nada havia ali além de meu nome e endereço.
Independente do que estivesse naquele DVD, deveria ter sido enviado por alguém que me conhecia, afinal meu atual endereço ainda era desconhecido o suficiente para que nenhum paparazzi tivesse encontrado.
Foi apenas por mera curiosidade que eu rasguei o envelope e encontrei um DVD. Foi essa mesma curiosidade que me fez ficar de pé e ligar a TV a fim de ver o que tinha gravado naquele DVD.
Provavelmente, nem em meus piores pesadelos eu imaginaria me deparar com as imagens que surgiram a minha frente.
Podia ver, tão claro quanto o sol, Edward... Meu Edward manipulando o corpo de Victória com precisão, colocando-a de quatro numa cama que não me interessava saber onde era.... E fodendo-a. Esse era o único termo que conseguia usar para descrever aquilo.
Não chegue a perceber quando as primeiras lágrimas começaram a escorrer por meu rosto, nem quanto tempo havia se passado com aquelas imagens se repetindo infinitamente diante de meus olhos.
A forma como os dois corpos se moviam em nada se pareciam em como Edward e eu éramos quando estávamos juntos. O que me fez questionar se eu, realmente, conhecia o homem que me tinha nos braços há uma hora. Talvez o Edward do vídeo fosse o verdadeiro.
Era mais que obvio que Edward sempre se conteve comigo, e que sua vida sexual antes de mim era infinitamente mais agitada... antes ele vivia rodeado de tipos como Victória; sem lembranças ruins que a colocavam em pânico com um toque mais ousado... que podiam atender a todos os mínimos desejos dele, sem ser necessários meses de tentativas delicadas para poder desfrutar de algo
Talvez ele tivesse cansado de se conter... E sinceramente, não podia culpa-lo por isso. E, apesar de não culpá-lo por se cansar, a dor não diminuía nem um pouco... Pelo contrário, parecia só aumentar, ao ponto de me deixar sem ar.
Eu continuei a olhar para a televisão, mesmo que as imagens já estivessem gravadas em minha mente. Mas não importa quantas vezes reveja aquele vídeo eu ainda não poderia acreditar no que eu estava vendo.
Ver os dois juntos, se amando, era como sentir milhares de facas dilacerando o meu corpo ao mesmo tempo.
Era a comprovação de que eu nunca fui boa o suficiente para ele. Que ele queria, precisava, de muito mais do que eu podia oferecer a ele.
Era o meu pior pesadelo se tornando realidade: vê-lo com alguém melhor do que eu, vê-lo seguir em frente enquanto eu permanecia estacionada em meio a dor de perdê-lo.
Era muito mais do que eu podia suportar. Muito mais do que eu podia presenciar e ainda me manter inteira.
Num instante, era como se a consciência escapasse de meu corpo e eu não mais soubesse, exatamente, o que estava fazendo. Era como ver a mim mesma, movendo-se pelo quarto até alcançar a caixinha de madeira escondida na mesinha de cabeceira, como se tudo não se passasse de uma obra de ficção.
O primeiro corte, de tamanho semelhante aos anteriores parecia não ser o suficiente para aplacar minimamente a dor. Não me importei com o sangue que escorreu dele, manchando o lençol que cobria a cama, nem com o que escorreu do segundo, ou do terceiro... Num instante, minha pele estava coberta de pequenos cortes, mas nada daquilo era suficiente.
A dor, a imensurável e infinita dor, só parecia aumentar a cada segundo. Tudo o que queria era fazê-la desaparecer, mesmo que só por alguns segundos.
Lembrei-me dos remédios que Dr. Denali tanto insistia que eu tomasse e das promessas de que eles me ajudariam a dormir melhor, a não ter pesadelos, a manter a ansiedade e o pânico sobre controle. Tudo isso, naquele momento, me parecia uma boa opção... Talvez se eu dormisse, não doesse tanto.
O tilintar dos comprimidos contra o frasco se uniu aos gemidos de Victoria, provenientes do vídeo em meu televisor e eu senti todo o meu corpo estremecer ao soltar um soluço alto.
Eu podia sentir meu coração se partindo, desaparecendo aos poucos, dando lugar a dilacerante dor que não cessava.
Virei o frasco em meus lábios, engolindo uma boa quantidade, sem me importar em ver quantos deveria tomar, me obriguei a engolir um longo gole de água que sempre ficava em minha cabeceira... Mas, não importa o que eu fizesse, parecia que aquela excruciante dor não diminuía nem uma mínima grama.
Eu cerrei meus olhos com força, mas mesmo com os olhos fechados eu revia, uma e outra vez, a forma como Edward movia seu corpo contra o de Victoria. Mesmo tampando meus ouvidos, eu podia ouvir os gemidos obscenos dela, a respiração entrecortada dos dois... Tudo junto ao meu choro baixo e infinito.
Uma parte de mim insistia em repetir constantemente que Edward não estava mentindo ao dizer que me amava; mas que era alguém como ela que poderia atender as necessidades dele, e essa certeza me rasgava por dentro... Tanto quanto a lâmina que cortava meus pulsos, fazendo com que me sentisse fraca demais para continuar na incessante busca por algum alivio.
Eu permiti que meu corpo tombasse contra a cama e não lutei mais contra a dor. Apenas a abracei como abraçaria uma velha amiga, sabendo que ela nunca mais me deixaria, ela me faria enxergar, todos os dias, que meu conto de fadas tinha chegado ao fim. Não existia mais nada pelo o que sonhar, pelo o que continuar a lutar.
Ao longe, eu ainda consegui ouvir o inconfundível som de meu celular tocando, e embora eu desejasse poder atender, tudo que eu fiz foi permitir que a inconsciência me envolvesse.
Notas finais
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