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79 Capítulo 16 – Fase III
Notas iniciais
Capítulo 16 – Fase III
Os flashes e gritos intermináveis eram incômodos, sempre seriam, mesmo que eu já estivesse acostumada a loucura que era passar por um tapete vermelho. Ainda assim eu não pude deixar de sorrir quando Edward deslizou sua mão pelas minhas costas, grudando seu corpo ao lado do meu, para pousarmos juntos para algumas fotos. Bastava a presença dele para que meu coração se acalmasse e tudo parecesse certo.
Era o nosso primeiro tapete vermelho juntos e era a minha primeira aparição pública depois de anunciarmos a gravidez, então a loucura costumeira de uma grande premiação, tinha sido duplicada, fazendo os gritos histéricos se tornarem ainda mais altos enquanto caminhávamos pelo tapete vermelho e as perguntas dos jornalistas quase intermináveis.
Eu teria preferido permanecer reclusa, curtindo uma calma noite de domingo ao lado do meu marido e filho, assistindo a algum filme, mas eu tinha uma performance surpresa para fazer, junto do meu marido, em um conceituado prêmio cinematográfico e Edward havia sido indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante, com grandes chances de ganhar. Nada, nem mesmo minha pouca vontade de participar de eventos públicos, me faria perder um momento tão importante da carreira do meu marido.
E tirando a intimidante parte em que eu precisava posar para fotos e sorrir, a noite prometia ser maravilhosa. Todos os nossos melhores amigos estariam presentes, assim como os pais de Edward e até Benício prestigiaria o pai pessoalmente, embora nós tivéssemos decidido juntos que nosso filho não passaria pelos fotógrafos como nós, então Esme e Carlisle tinham se oferecido para cuidarem de Ben, enquanto todos os demais faziam o que tinham que fazer pelo bem de nossas carreiras. Não foi difícil conseguir que eles entrassem pelos fundos, evitando o aglomerado de pessoas na entrada principal, mas ainda assim eu só deixei o carro em que estava depois de receber uma mensagem de texto da minha sogra, informando que eles já estavam acomodados em seus lugares.
― Eu já disse que azul é a sua cor? ― Edward sussurrou próximo ao meu ouvido, me arrancando um sorriso quando eu me remexi, inquieta, louca para me deixarem seguir em frente, imaginando que tantos flashes acabariam me cegando. ― Você está tão linda!
Eu abaixei o meu olhar, ignorando os pedidos dos paparazzi para sorrir para eles e olhei para o longo e esvoaçante vestido azul marinho que eu usava. Era um vestido simples, ainda que muito bonito e eu me sentia fantástica dentro dele, embora a protuberante barriga de 8 meses de gestação ficasse ainda mais evidente.
Talvez fosse pelos constantes elogios de Edward ou eu, simplesmente, tivesse desenvolvido uma inesgotável autoestima, mas até aquele momento, eu não tinha experimentado nenhum momento de insegurança no que dizia respeito a minha aparência.
Eu procurei o olhar do meu marido, com um agradecimento na ponta da língua, mas o encontrei com a cabeça baixa, o olhar percorrendo o meu corpo.
Qualquer pessoa que olhasse de fora poderia assumir que ele estava admirando a minha roupa, mas eu conhecia muito bem o brilho no olhar que ele ostentava naquele momento. Para mim, não existia dúvida de que o azul a qual ele se referia, era o do meu sutiã e não do elegante vestido de festa.
― Pare com isso! ― Eu disse baixinho e, para que ele entendesse que eu estava falando sério, apertei as minhas unhas contra as suas costas.
― Eu não tenho culpa se a visão dos seus seios nesse decote seja mais agradável do que todos esses flashes tentando nos cegar. ― Ele respondeu calmamente, como se estivesse falando sobre o tempo, me fazendo corar. ― Eu gostaria de poder me perder nela.
― Você não pode, então pose para as fotos em vez de babar sobre o meu decote.
― Eu faria mais do que babar, se estivéssemos sozinhos. ― Ele rebateu, mas desviou o olhar e encarou os fotógrafos, arrancando suspiros de algumas fãs que estavam por perto.
Droga! Ele teria aquele olhar eternizado por milhares de fotos, o que só faria as muitas fãs dele, enlouquecerem.
Eu gostaria de ter sido capaz de pensar em algo espirituoso para dizer, mas ele tinha sobre mim o mesmo efeito que tinha sobre as fãs e eu só pude suspirar, desejando mais uma vez que estivéssemos em casa, onde ele poderia realmente fazer muito mais do que só olhar e babar.
― Não olhe para os fotógrafos como se você estivesse a ponto de fodê-los. Eles vão vender essas fotos para o mundo todo e suas fãs vão enlouquecer.
A resposta de Edward foi um riso alto e divertido, seguido de um beijo rápido sendo depositado na minha testa.
Ele estava fazendo daquele momento um espetáculo para a mídia, mas eu não conseguia me importar, não quando ele deslizou uma mão pelo meu rosto em um carinho gentil, sorrindo tão lindamente. O olhar de desejo ainda estava lá, o que era absurdamente lisonjeiro, mas também existia um inegável olhar apaixonado que eu esperava que sobrepusesse o outro.
― Minhas fãs e todo o mundo sabe que você é a única a quem eu gostaria de foder.
O avanço da gravidez tinha complicado as coisas, mas ainda conseguíamos encontrar uma ou outra maneira de nos divertimos, muito, juntos. Ninguém podia dizer que o meu marido não era um homem criativo e esforçado. Ele sempre encontrava uma nova posição ou maneira de me fazer gritar o nome dele. E ele fazia questão de dizer ao mundo, em suas entrevistas, o quanto achava que eu tinha ficado ainda mais sexy, grávida.
― Agora, vamos dar a eles o que tanto querem... ― Ele me puxou para mais perto, em um meio abraço, e repousou uma mão sobre a minha barriga. Eu me deixei se conduzida, descansando a mão esquerda junto a dele, deixando meu anel de casamento em evidência e sorrindo para as fotos ― ...Assim podemos passar pela premiação e, finalmente, voltar para a casa. Mal posso esperar para arrancar esse vestido e comprovar que azul é mesmo a sua cor.
*****
― Meu Deus, você é o menino mais bonito de toda a premiação! ― Eu sorri para Benício quando ele saltou de seu lugar ao lado da avó e correu em nossa direção, assim que nos viu.
― Mamãe, estou com sono... ― Ele reclamou ao ser colocado no colo de Edward ― Podemos ir para casa?
― Ainda não, campeão. ― Meu marido respondeu, nos conduzindo até nossos lugares, enquanto acenávamos para alguns conhecidos ― Aguenta só mais um pouco, ok?
Eu avistei Rosalie e Emmett, assim como Jasper e Alice, e acenei para eles, mas ocupei o meu lugar ao lado da minha sogra, cansada por ter ficado tanto tempo de pé sobre saltos altos.
Felizmente a categoria a qual Edward concorria seria uma das primeiras a ser anunciada e a nossa apresentação aconteceria em seguida, então poderíamos sair discretamente enquanto a premiação ainda aconteceria, o que nos permitiria chegar mais cedo em casa e evitar a horda de fotógrafos na saída.
― Tudo bem? ― Edward me questionou, depois de entregar um sonolento Benicio para Carlisle, que tentaria distraí-lo, e se sentar ao meu lado, no momento exato em que eu respirei fundo e levei uma mão até a minha barriga.
― Sim... Ela só está um pouco agitada hoje.
A mão do meu marido se juntou a minha e ele passou a acariciar o meu ventre displicentemente.
― Obrigado! ― Ele me disse, me prendendo em um olhar intenso ― Por estar compartilhando esse momento comigo, pela família que construímos...
― É melhor guardar todos esses agradecimentos para o seu discurso ao receber o prêmio... Porque caso não me agradeça por ter partido o seu coração, te fazendo aceitar precipitadamente um novo papel incrível, eu vou te colocar para dormir com Benício hoje à noite. ― Brinquei com o fato de ele ter decidido fazer o filme que tinha lhe rendido a indicação, na época em que eu tinha me mudado de Los Angeles, em meio a nossa quase definitiva separação.
― Para isso eu preciso ganhar, baby. ― Ele respondeu ― Mas ganhado ou não, preciso que você saiba que nada, nenhum prêmio ou status, importaria sem você ao meu lado.
― Não me faça chorar... ― Resmunguei, fungando, ao sentir os olhos marejarem. Ele sempre me emocionava ao se declarar e estar sendo bombardeada de hormônios por oito meses não me permitia conter as lágrimas quando a emoção vinha ― Eu vou borrar a maquiagem e ficar parecendo um palhaço quando subir naquele palco.
― Isso é impossível! Nenhuma maquiagem borrada seria capaz de apagar a sua beleza... E, eu tenho certeza, no momento em que você pisar naquele palco, ninguém vai conseguir encontrar qualquer defeito sobre você.
A vontade de beijá-lo era quase insuportável e eu estava muito próxima de desistir de lutar contra e esquecer a descrição que queria manter, mas o bebê em meu ventre roubou a nossa atenção ao começar a chutar animadamente. Edward desviou o olhar do meu e o levou até a minha barriga, deixando um grande sorriso aparecer.
― Ela já é tão deslumbrada por você quanto eu... ― Disse o acompanhado no sorriso ― Basta que você toque a minha barriga para ela começar a se contorcer e chutar.
― Ela está ansiosa para conhecer o Papai... ― Ele se inclinou e beijou a minha barriga ― Eu mal posso esperar para pegá-la no colo, conhecer capa pedacinho dela, vê-la reconhecer a minha voz quando eu a chamar...
― Para isso, primeiro, você precisa parar de ser tão exigente e me deixar escolher um nome.
― Ainda temos um mês e ajudaria se você sugerisse bons nomes.
― Sophia é um bom nome... ― Eu retruquei, em um muxoxo, lembrando-o da minha primeira sugestão e único nome em que nós dois tínhamos concordado.
― O único bom nome que você sugeriu até agora... ― Ele revirou os olhos ― É uma pena que Alice tenha enlouquecido, dizendo que você estava roubando o nome da futura filha dela.
― Eu ainda não a perdoei por isso... ― Respondi, procurando a minha amiga com o olhar e a encontrando, sentada, a algumas fileiras de distância. Se olhar machucasse, ela teria caído ao chão e se contorcido naquele momento, embora não tivesse me visto a encarando ― Ela nem mesmo está grávida! Como pode querer reivindicar um nome para uma hipotética filha? Não é justo!
― Você quer Alice reclamando sobre o nome da nossa filha por toda a vida?
― Não! ― Exclamei imediatamente. Alice era uma força da natureza impossível de ser contida. Na maioria das vezes, sua força era a nosso favor, mas eu ainda sabia que ela poderia deixar qualquer um louco quando contrariada. ― Ela pode ser uma maníaca descontrolada quando quer... E foi só por isso que eu cedi.
― Vamos encontrar um nome perfeito, amor. Nem mesmo Alice vai ter do que reclamar.
Nossa conversa foi interrompida pelo fotografo oficial do evento que se aproximou para solicitar uma foto. Eu estava pronta para concordar, afinal não tínhamos como negar, quando ele nos pediu para incluir Benício na fotografia.
Edward me lançou um olhar questionador, sabendo que eu tentava, ao máximo, evitar qualquer exposição do nosso filho, querendo que ele crescesse longe de toda a loucura de Hollywood, tendo a oportunidade de ter uma infância normal e saudável, especialmente depois de todo o circo que Victoria criou quando tentou conseguir a guarda de Ben. Não vou negar dizendo que não senti vontade de negar, mas eu sabia que por mais que desejasse proteger o meu filho, também precisava prepará-lo para o que seria a vida de uma criança com pais famosos. Eu poderia tentar preservá-lo ao máximo, e continuaria fazendo isso, mas haveria momentos em que eu não poderia evitar que fotos fossem feitas e rumores fossem iniciados.
Concordei com um minúsculo aceno de cabeça e Edward se levantou para pegar o nosso filho do colo do pai.
Ele estava sonolento e entediado, mas não reclamou quando o pai o posicionou, sentado em seu colo. Eu ajeitei a lapela do pequeno smoking que ele estava usando e coloquei alguns fios de cabelo no lugar, antes de o perguntar se ele queria tirar uma foto conosco.
Eu sempre perguntava antes de apenas assumir que ele prontamente faria tudo o que eu quisesse, apenas por ser uma criança e talvez seja por isso que ele raramente se negava.
― Tá bom, mamãe! ― Ele balançou os ombros como se não se importasse e deitou a cabecinha contra o peito de Edward. Nós olhamos para a câmera e até mesmo sorrimos para a foto.
― É uma boa foto! ― Edward cumprimentou o fotografo quando ele nos mostrou a tela da sua câmera digital ― Eu apreciaria se você me enviasse isso.
O fotografo concordou e nos deixou sozinho.
― Olha, mamãe... ― Benício apontou para o palco quando as luzes se apagaram e um telão se acendeu.
Bastou que a premiação se iniciasse para que toda a atenção do meu filho fosse roubada e o sono fosse embora. Eu podia ver os olhinhos dele brilhando a cada apresentação e o via apontar para alguns dos cantores fascinado. Era a primeira vez dele em uma premiação e, embora vivesse cercado por pessoas famosas, ele ainda era só um menino com seus próprios ídolos.
Ele gritou euforicamente quando um cantor teen foi anunciado e pulou do colo de Edward para dançar ao som da música chiclete que tocava em todas as rádios no momento.
― Acho que ele encontrou o seu primeiro ídolo... ― Comentei rindo dos passos de dança desajeitados do meu filho.
Em algum momento da performance, o cantor se aproximou de onde estávamos e Benício simplesmente paralisou o olhando como se fosse impossível desviar o olhar.
― Ai, meu Deus, ele vai ser um fã tiete. ― Brinquei quando a apresentação chegou ao fim e Ben se virou para os avôs animados, contando o quão incrível tinha sido a performance, como se todos nós não tivéssemos assistido o mesmo que ele.
― Como ele você acha que ele vai reagir se conseguirmos que ele conheça o cantor pessoalmente? ― Edward questionou, acenando para uma das produtoras responsáveis pelo evento.
Eu vi quando ele sorriu, jogando todo o seu charme para a moça, e a pediu para conseguir alguns minutos entre nós e a estrela teen que tinha acabado de deixar o palco. Diante do olhar e sorriso do meu marido, a mulher não fez nada a não ser concordar euforicamente.
― Nunca mais faça isso! ― Reclamei quando ela se afastou. Ele me olhou questionadoramente, intrigado pelo tom de voz enciumado que não consegui evitar ― Jogar todo o seu charme para outra mulher. Não é justo! Você sabe que ela concordaria com qualquer coisa que você pedisse.
― Só estou tentando fazer dessa noite, a melhor noite do nosso filho.
― Você pode fazer isso, sem flertar com outras mulheres na minha frente.
― Você fica ainda mais sexy quanto está com ciúmes, mas eu não estava flertando. Juro! ― Ele levantou os braços em uma fingida rendição ― Apenas não sou capaz de controlar o meu charme natural, babe.
Eu o teria respondido se a produtora não tivesse retornado, já com o cantor em questão ao lado.
Benício simplesmente enlouqueceu! E embora o encontro tivesse sido rápido demais, afinal ainda estava no meio de uma premiação, eu tinha certeza que ele nunca se esqueceria daquele momento.
― Você viu, mamãe, como ele bateu na minha mão? E falou comigo? Uau! Foi demais!! Posso ver a foto de novo, papai?
Edward riu, ignorando o fato de que tínhamos ouvido as mesmas palavras, sem parar, pelos últimos minutos e, mais uma vez, acionou o seu celular para mostrar as fotos que tinha feito. Uma com todos nós juntos e uma do meu pequeno ao lado do seu ídolo.
― Estou contente por ele não ter sido um babaca com o meu filho... Acho que o esganaria se tivesse destratado o meu pequeno tiete. ― Baguncei o cabelo de Benício, o fazendo rir e Edward revirar os olhos para a minha fala típica de mãe coruja.
― Mamãe, podemos ir no show dele um dia?
― É claro que sim, meu amor. Iremos a um show, depois que sua irmãzinha nascer, tudo bem?
Os próximos minutos foram gastos com Benício dizendo que ensinaria todas as músicas para a irmã e como seria incrível poder assistir a um show.
― Sua categoria é a próxima! ― Esme interrompeu o discurso animado do neto, o colocando em seu colo e falando com o filho. ― Estou tão ansiosa!
― Mãe, não sabemos se vou ganhar e, mesmo que eu ganhe, não será o primeiro.
― Mas será o primeiro entregue por críticos conceituados. Eu não estou desmerecendo os muitos prêmios que você já ganhou por indicação dos fãs, mas você não pode negar que será um grande marco para a sua carreira se ganhar esse.
― Ele vai ganhar! ― Disse confiante ― Ninguém teve um desempenho melhor.
― Agora você se parece com uma tiete... ― Ele me provocou.
― Eu sou sua maior fã, baby. Você não sabia disso?
Qualquer coisa que ele pretendia responder, precisou esperar porque nossa atenção se voltou para o palco quando um casal de apresentadores anunciou a categoria de melhor ator coadjuvante.
Eu sabia que tinha uma câmera focada em Edward, por isso eu fiz o meu melhor para não distraí-lo ou para disfarçar o meu olhar admirado e orgulhoso, mas eu não consegui calar um suspiro quando uma das cenas dele foi exibida em um telão, mostrando o meu marido seminu em toda a sua gloria. A atuação dele tinha sido fantástica, mas toda aquela pele exposta, sem dúvida, tinha atraído muita atenção, minha inclusive.
― Você está tão sexy nesse filme... ― Sussurrei quando ele me olhou questionadoramente ― Eu gostaria de ter sido seu par romântico nesse. Ninguém me culparia por tirar uma casquinha de você, durante as filmagens.
Ele riu para mim, com vontade e, em seguida, apertou a minha mão e manteve o olhar longe do palco quando os apresentadores terminaram de listar os indicados.
Era o único sinal que ele tinha se permitido demonstrar de que estava tão ansioso quanto todos. Durante todo o tempo, desde que soube da indicação, antes mesmo de retomarmos o nosso relacionamento oficialmente, ele tinha agido como se não fosse grande coisa, mas vendo-o desviar o olhar e sentindo-o quase esmagando os meus dedos, eu soube que ele apenas não queria criar falsas esperanças, no caso de não ganhar.
Eu retribui o aperto dos seus dedos e me inclinei para sussurrar em seu ouvido.
― Ganhando ou não, estou tão orgulhosa de você! E eu não preciso de uma estatueta para saber que, para mim, você é o melhor ator que Hollywood já conheceu e o melhor pai que nossos filhos poderiam ter.
E eu realmente estava orgulhosa dele. Não apenas do ótimo e talentoso ator que ele era, mas do homem maravilhoso por trás de todos aqueles filmes. Nenhum prêmio mudaria isso.
― E o prêmio de melhor ator coadjuvante vai para... ― Eu queria que ele focasse no que acontecia no palco, mas não poderia negar que ter o olhar dele preso ao meu, com tanta coisa visível, quase palpável, naquela íris de safira era grandioso demais para que eu o obrigasse a desviar o olhar ― Edward Cullen!
Nenhum sorriso naquele teatro poderia ser maior ou mais bonito do que o que eu vi surgir no rosto do meu marido quando o nome dele foi anunciado como vencedor.
Eu joguei meus braços ao redor do pescoço dele e o abracei tão apertado quando eu podia.
― Eu disse que você ganharia!! ― Falei para ele, amando sentir o meu abraço sendo retribuído ― Parabéns, meu amor!
Não percebi que estava chorando até que ele me afastou e secou as minhas lágrimas, antes de depositar um beijo rápido em meus lábios e se levantar para aceitar os cumprimentos dos pais, dos nossos amigos que não se importaram em quebrar o protocolo e correram para abraçá-lo e de algumas pessoas próximas de onde estávamos. Ele precisava subir os degraus para receber o prêmio e, embora uma produtora o estivesse apressando, ele não deixou o nosso lado até se abaixar e abraçar Benício, que parecia não entender muito bem o que realmente acontecia, e depositar um beijo sobre a minha barriga.
Eu me levantei, juntamente com os meus sogros, para aplaudi-lo quando ele venceu os degraus e recebeu a estatueta. Não foi surpresa, para mim, que todo o teatro tenha feito o mesmo, mas eu podia ver, pelo olhar dele, que era uma surpresa para ele. Eu olhei ao redor, reconhecendo rostos famosos, atores consagrados, novas promessas do cinema, diretores geniais... Todos, naquele momento, de pé aplaudindo o homem que eu amava. Não existe palavra capaz de traduzir o sentimento de euforia e orgulhoso que senti por ele naquele momento.
― Eu deveria ter preparado um discurso... ― Ele começou e eu voltei a me sentar, puxando Benício para o meu colo, mas mantendo meu olhar preso ao homem que estava no palco ― Minha esposa me mandou escrever um, mas é claro que eu fui idiota o suficiente para não ouvir o conselho.
As pessoas riram e eu as acompanhei, embora pudesse sentir o meu rosto corando de vergonha.
― Ele é incrível! ― Esme suspirou e fungou ao meu lado. Eu não precisava olhar para saber que ela estava chorando, por isso procurei por uma das mãos dela e a apertei.
― Mas a verdade é que eu não esperava ganhar esse prêmio... ― Edward continuou ― Se vocês me permitem ser honesto, eu ainda não tenho certeza que o mereço. ― Ele procurou pelo meu olhar e eu encarei de volta ― Esse filme... Chegou em um dos meus piores momentos e eu sei que não foi fácil para os meus colegas dividirem o set comigo naquela época. Tenho certeza que eles estavam ansiosos para me darem um pé na bunda... ― Mas risos foram ouvidos, mas eu sabia que o que meu marido estava fazendo não era uma tentativa de piada e sim, sendo sincero. Ele tinha aceitado o papel com a esperança de conseguir lidar com a nossa separação, mas a pressão de um novo filme, aliado a distância de casa e a nossa situação naquele momento era uma combinação pesada demais até para ele. Tinha sido difícil, mas ele tinha conseguido. ― É sério! Muita coisa aconteceu no set e eu sofri um acidente... Mas, de alguma forma, conseguimos finalizar o filme e vê-lo sendo bem recebido pelo público e pela crítica é uma agradável e inexplicável surpresa para mim, provavelmente para toda a equipe, então em vez de agradecê-los pela oportunidade de ouro que foi estar nesse filme, eu gostaria de me desculpar por ter tornado o trabalho dos meus colegas mais difícil do que deveria. ― Alguns aplausos soaram e Esme sussurrou algo para mim, mas eu não conseguia focar em nada que não fosse ele, de pé naquele palco, se expondo e se desculpando por erros que muitos já haviam esquecido, em vez de estar se vangloriando pelo prêmio recebido... e era exatamente por atitudes como essa que eu o amava perdidamente. ― Agora, que já me redimi... ― Ele brincou, arrancando alguns risos ― Eu preciso agradecer aos meus pais, pelo apoio constante durante toda a minha carreira, aos ótimos profissionais com os quais tenho a honra de trabalhar e que fazem de Edward Cullen o ator que vocês conhecem, aos amigos que sempre estiveram por perto e, principalmente, a minha constante e inesgotável fonte de inspiração: minha esposa. Obrigado, baby, por me chutar quando eu mereci... Isso me rendeu esse prêmio.
O teatro todo riu e eu os acompanhei, embora tenha escondido o rosto no ombro do meu filho, envergonhada demais para encarar a câmera que eu sabia que estava focada em mim.
― Obrigado à academia, essa estatueta terá um lugar especial em minha casa e em meu coração, mas eu preciso dizer que nenhum prêmio jamais importará ou brilhará mais do que os que tenho a honra de dividir a vida: a minha família. Obrigado!
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