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75 Capítulo 12 - Fase III - With arms wide open
Notas iniciais
Capítulo 12 – Fase III — With arms wide open
Bella Cullen
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Quão absurdo seria se eu dissesse que estava, completamente, nervosa ao me aprontar para um simples jantar na companhia de Edward? Eu sabia que as trocas injustificáveis de roupa e o friozinho na barriga me fazia parecer como uma adolescente indo ao seu primeiro encontro e não como uma mulher, madura e independente, saindo para jantar com o seu marido... embora, nós ainda não estejamos vivendo como tal.
Isso, talvez, mudasse essa noite.
No entanto, em minha defesa, devo dizer que o nervosismo não era apenas pelo fato de que o encontraria, mas, também, pelo o que esse encontro poderia significar para nós dois.
Estávamos bem, é claro. Levando a nossa reconciliação com calma – a meu pedido-, e nos fortalecendo mutuamente. De certa forma, os últimos dois meses, agindo apenas como um recém-formado casal de namorados, foi muito mais que maravilhoso.
Tivemos a oportunidade de fazer aquelas pequenas e simples coisas que eu sempre invejei nos outros casais: jantares, telefonemas intermináveis, passeios de mãos dadas, sessões de cinema, flores sendo enviadas... Obviamente, por sermos quem somos, qualquer programa, por mais simples que seja, exigia uma grande logística. Mas todo o sacrifício valia a pena quando eu sentia os dedos dele se entrelaçarem com os meus, e como não estávamos preocupados em nos esconder, os eventuais flagras não nos incomodava. Não mais do que sempre incomodará.
Mas tinha chegado a hora de dar um passo a diante.
Eu sentia falta de acordar e dormir ao lado dele todos os dias; de vê-lo, jogado sobre a cama, lendo algum livro ou compondo; de poder me perder no olhar dele sempre que sentisse vontade. E sabia que ele sentia o mesmo.
A cada novo encontro, a cada novo telefonema, ficava mais difícil se despedir, mas, em alguns momentos, eu ainda me surpreendia ao me questionar se o que estava fazendo era certo.
Tudo tinha sido rápido demais para nós – a partir do momento em que declaramos nossos sentimentos – então, eu só queria levar as coisas com calma e me assegurar de que nada fosse dar errado dessa vez.
No entanto, o destino não parecia estar de acordo com os meus planos. Então, quando, há 15 dias, eu passei a notar algumas mudanças em meu corpo e humor, foi como ouvir o destino me dizer: “Pare de lutar contra e se entregue.”
Eu não fui capaz de descobrir na primeira vez, antes que fosse tarde demais, mas, agora, eu conhecia os sintomas... Não foi, realmente, uma surpresa quando eu apanhei o envelope com o resultado positivo para um exame de gravidez. Mas, ainda assim, foi... impactante.
Já temos Ben. E mal sabemos como lidar com ele. Nosso casamento acaba de passar por uma crise que quase nos separou definitivamente. Eu não sabia se era a melhor hora para conceber uma nova vida.
E eu não sabia como Edward reagiria.
Uma parte de mim, estava com medo que ele, em algum momento, não gostasse da noticia ou tivesse a mesma reação surpreendente de Alice, quando eu, com minha boca grande demais, lhe contei a novidade.
Eu estava com os nervos a flor da pele e pensei que falar com a minha melhor amiga ajudaria. Mas quando ela me deu um sorriso hesitante e sussurrou: “existe qualquer possibilidade que Riley seja o pai?” eu me senti perder o chão.
Não! Não existia essa possibilidade. Riley e eu nunca fomos além dos beijos. Sempre fomos mais amigos do que qualquer outra coisa, mas o que impediria Edward de ter a mesma duvida?
Eu esperava que Edward soubesse, por me conhecer bem ou por todas as vezes em que estivemos juntos intimamente antes e após a reconciliação, que eu nunca estive nos braços de qualquer homem além dele, mas nunca tínhamos conversado abertamente sobre isso. Era desconfortável para mim, doloroso para ele, então, apenas viramos essa página e continuamos de onde paramos.
Agora eu me perguntava se não deveria ter me assegurado de que ele soubesse que Riley e eu nunca dormimos juntos. Assim eu não estaria tão nervosa sobre dar uma noticia que deveria ser a melhor que já recebemos e não estaria com tanto medo de vê-lo duvidar de que esse filho é dele. Uma reação assim me despedaçaria e só soterraria a chance de salvar o nosso relacionamento.
...
Eu alisei, pela centésima vez, os fios do meu cabelo e soltei um suspiro antes de erguer a minha mão e tocar a campainha do apartamento de Edward.
Inicialmente, ele desejava me levar para jantar em algum dos nossos restaurantes prediletos, mas eu precisava que ficássemos a sós.
Eu forcei um sorriso tímido e hesitante quando ele abriu a porta e me convidou para entrar.
Eu nem mesmo tive tempo de olhar ao redor e apreciar a visão conhecida do primeiro lugar onde vivemos como um casal. Os lábios dele atacaram os meus com tamanha necessidade que tudo o que pude fazer foi me agarrar a ele e corresponder ao beijo. Eu nunca me cansaria do seu sabor ou de todas as reações intensas que ele provocava: o estremecer involuntário de meu corpo, o arrepiar de minha pele, o gemido baixo e incontrolável que saia abafado por nossa interminável troca, as chamas potentes que pareciam aquecer-me a ponto de me fazer entrar em combustão... Tudo, absolutamente, tudo nele, e que vinha dele, era viciante demais e tornava impossível a tarefa de manter qualquer resquício de sanidade.
- Edward... – Eu suspirei, minha voz soando falha, quando ele se afastou, apenas o suficiente para que pudéssemos buscar por ar. – Isso foi... – Eu sorri, sem saber, exatamente, o que eu pretendia dizer. – Deus! Essa sim foi, certamente, uma boa maneira de ser recepcionada.
Ele não respondeu. Não com palavras.
Eu ouvi, mais do que senti, quando minhas costas atingiram a porta que tinha acabado de ser fechada e um novo beijo, ainda mais avassalador do que o primeiro, foi iniciado. Antes que eu me desse conta, minhas mãos estavam presas aos fios acobreados do meu marido, minhas pernas ao redor de sua cintura.
- Eu senti sua falta... – Ele sussurrou contra a pele exposta do meu pescoço. – Eu senti, pra caralho, a sua falta.
Bom, se existia qualquer duvida sobre isso, ele tinha conseguido encontrar uma forma bastante eficiente, e excitante, de eliminá-la.
Mas, eu precisei me utilizar de toda a minha força de vontade para fazê-lo parar.
- Baby... Não. – Eu tentei soar convincente, mas até para aos meus ouvidos a negativa soou como um pedido para que ele continuasse o que estava fazendo. – Ben... Ele pode...
A menção a nosso filho o fez me olhar. Ele não precisava dizer nada, seu sorriso travesso já dizia tudo, ainda assim ele confessou:
- Eu o levei para passar a noite com meus pais.
Eu mordi o meu lábio inferior.
- Eu precisava de sua atenção só para mim. – Ele continuou antes de voltar a me atacar com os seus beijos e caricias.
Eu precisava do mesmo, mas por um motivo diferente. Pelo menos, inicialmente.
- Jantar... – Eu voltei a dizer, quando consegui.
Ele se afastou lentamente. Eu podia ver em seu olhar que a sua fome era de algo que o jantar não poderia saciar.
Mais tarde, Baby... – Eu prometi mentalmente enquanto tentava lutar contra a moleza em minhas pernas e me manter de pé, após ele ter me soltado. – Se tudo der certo.
...
Eu brinquei com a taça ainda cheia de vinho por alguns segundos. Eu não tinha provado nenhum gole — assim como a comida estava, praticamente, intocada -, embora a vontade estivesse me correndo. Um pouco de álcool, talvez, me fizesse ter coragem, mas eu tinha um bebê dentro de mim... A coragem teria que vir de outra forma.
- Eu pensei que você estivesse faminta... – Eu ergui o meu olhar até o par de olhos que me fitava com demasiada atenção do outro lado da mesa.
- Não de comida. — Confessei timidamente.
- Você sabe que... – Ele buscou por uma das minhas mãos e entrelaçou nossos dedos. – Eu posso saciar qualquer fome que você tenha.
Ele podia. Só ele podia.
-Você... – Tentei iniciar um conversa que nos levaria até onde eu precisava ir. – Você pensa no futuro?
Edward se recostou melhor em sua cadeira, mas manteve seu olhar sobre mim.
- Algumas vezes... – Ele respondeu vagamente. – Sobre o que, exatamente, no futuro?
- Eu não sei... Sobre... Quando você pensa... Como você imagina que será a sua vida em, sei lá, dez anos?
Ele me deu um sorriso bonito que eu não consegui identificar.
- Eu espero ainda estar atuando... – Eu assenti o motivando a continuar. – Roteiros mais maduros por assim dizer... Você sabe, deixar os filmes de ação para trás. Talvez, conseguir um prêmio importante...
- Você já tem alguns... – Eu alfinetei.
- Eu ainda não tenho um Oscar. – Ele piscou. – Embora eu ache que a estatueta chegará a minha casa por outro caminho. – Eu revirei meus olhos. – Produzir algo... Melhor, dirigir algo. Tocar, pelo menos uma vez por mês, em um Pub.
- São... São boas coisas para o futuro. – Eu desviei o meu olhar e retirei minha mão de sua linha de visão para que ele não pudesse vê-la tremendo.
- Mas se você estiver me perguntando sobre o nosso futuro. – Ele voltou a falar. – Então, eu te diria que a única coisa que consigo imaginar é que daqui a 10, 20 ou 50 anos eu estarei bem ao seu lado.
Eu abri um sorriso verdade.
- Então, nós seremos dois velhinhos decrépitos suspirando pelos bons tempos.
Ele gargalhou.
- Você acaba de plantar uma apaixonante imagem em minha mente.
- Claro. Nada mais apaixonante do que a minha pele enrugada e...
- Nada mais adorável do que nós dois, sentados em uma cadeira de balanço e de mãos dadas, na varanda de uma casa – talvez a de Londres -, observando nossos netos correndo pelo quintal depois de termos contado a eles, pela milésima vez, a nossa história.
Eu fui capaz de visualizar o que ele dizia e a imagem me pareceu tão linda e singela que me deu vontade de chorar de felicidade.
Subitamente, eu me levantei e corri até o sofá onde havia deixado a minha bolsa.
- Bella? – Edward gritou por mim, mas antes que ele pudesse se levantar, eu já estava de volta. – O que foi isso?
Eu voltei a me sentar e deslizei o envelope que continha o resultado do exame de gravidez pela mesa até que estivesse bem a frente do meu marido.
Eu o vi desviar o seu olhar dos meus e pousá-lo sobre o papel branco. Ele arqueou a sobrancelha, mas não disse nada.
Eu senti meu coração começar a trovejar quando seus dedos se apossaram do envelope e aumentar ainda mais o ritmo com que batia ao ter o seu conteúdo retirado.
Deus! Eu acho que vou desmaiar...
Provavelmente, não tenha se passado mais do que alguns segundos, mas para mim parecia que toda uma vida tinha transcorrido.
Com a voz rouca e um tanto embargada, eu tentei dizer:
- Eu... Eu não sei o que você está pensando, mas eu... Eu queria que você soubesse que não existe qual...
Eu me calei no momento em que o vi deixar o seu lugar e se ajoelhar ao meu lado. Eu me movi de forma que pudéssemos ficar de frente um para o outro e eu senti o meu nervoso triplicar ao ver as lágrimas que escorriam pelo rosto dele.
- Edward, eu...
- Isso... – Ele me interrompeu e com um movimento lento balançou o papel que tinha em mãos. – “Positivo” – Ele sussurrou. – É a coisa mais linda que eu já li.
Eu pisquei, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair.
- Você está feliz, então? Eu...
- “Feliz” nem chega perto de definir como eu me sinto agora. – Ele depositou o resultado do exame sobre a mesa e correu uma de suas mãos por meu braço e acomodou a outra sobre o meu ventre ainda plano. – Um filho com você, Bella... Mais um filho com você, é tudo com o que eu sempre sonhei.
Eu não fui capaz de me conter e me atirei sobre ele. Minha reação o surpreendeu e por pouco não caímos sobre o chão.
- Hey, cuidado! – Ele advertiu, me acomodando sobre o seu colo.
Eu o abracei o mais forte que consegui e enterrei meu rosto em seu pescoço.
- Eu estava com tanto medo... – Disse baixinho.
Edward segurou meu rosto com as duas mãos e me fez olhá-lo.
- Vai ser diferente dessa vez... – Ele garantiu. – Eu não vou deixar nada dar errado, okay? Você e o nosso bebê vão ficar bem... Eu prometo!
Eu sorri, em meio s lágrimas, para ele.
O meu medo não era que a tragédia da primeira gravidez se repetisse, mas ainda assim foi bom vê-lo tentando me tranquilizar sobre isso.
- Eu não estava pensando nisso... – Dei de ombros. – Na primeira vez... Foi minha cul...
- Não! – Ele me calou. – Não diga isso. Não foi sua culpa.
- Também não foi sua... – Garanti.
Ele assentiu.
- Nem minha, nem sua... Melhor assim?
Eu concordei com um balançar mínimo de cabeça. Eu não queria falar sobre isso. Não quando deveríamos estar comemorando a nova oportunidade que nos foi dada.
- Eu estava com medo de que você... – Eu senti o meu rosto corar. – Que você, talvez, pensasse que esse bebê não...
Ele levou um dedo até os meus lábios e sorriu para mim.
- Você é minha, Bella! – Ele disse calmamente. – Sempre foi minha. Sempre será minha. De mais ninguém. Então, não existe qualquer possibilidade de que esse bebê, e todos os outros que um dia você me dará, não seja meu também.
Como era possível que ele conseguisse me deslumbrar ainda mais, mesmo após anos?
- E que fique claro... – Ele prosseguiu. – E mesmo que não fosse, nada me impediria de amá-lo como se fosse e de me sentir o homem mais sortudo do mundo por ser pai mais uma vez.
Foi a minha vez de atacá-lo. Felizmente, ele correspondeu aos meus avanços e em pouco tempo já estávamos tão ofegantes e quentes quanto estávamos quando cheguei ao seu apartamento.
Eu me remexi, em busca de um contato mais intimo e ele me fez sentir a mulher mais poderosa do mundo ao permitir que sua cabeça tombasse para trás e gemesse.
- Baby, eu preciso de você... – Ele segregou em meu ouvido e eu estremeci ao senti-lo, infiltrar a sua mão por baixo do vestido comportado que eu usava.
- Espera... – Eu tentei controlar minhas próprias reações ao sentir seus dedos tão próximo de onde eu mais necessitada. – Eu quero fazer uma coisa antes.
Ele me olhou interrogativamente.
Eu levantei meus braços e com afobação retirei o colar que sempre usava, liberando o lindo claddagh que Edward tinha me dado quando me propôs casamento.
Os hipnotizantes olhos azuis dele brilharam quando eu depositei o anel em sua mão.
Meu corpo foi virado e minhas costas encontraram o chão. O movimento foi lento e delicado. Edward se acomodou sobre as minhas pernas e apanhou uma das minhas mãos.
- Bella Cullen, você me daria a honra de continuar a ser o seu marido? – Eu acho que nunca um sorriso foi tão grande e radiante quanto o meu naquele momento.
- Só se você me der a honra de tentar te fazer feliz... Hoje e sempre.
Ele deslizou o anel por meu dedo anelar esquerdo e depositou um beijo casto em minha testa.
- Você já faz. Como ninguém nunca fez. Como ninguém nunca conseguiria fazer.
CONTINUA...
Notas finais
xoxo
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