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52 Capítulo 12 - Fase II - Isso é mesmo um Adeus?


Notas iniciais
Twilight e seus personagens não me pertencem, assim como o Romance aqui citado. Todos os créditos a Stephenie Meyer e Rosemary Roger. Mas, a Bella depressiva e o Edward hiper romântico e compreensivo sim... Respeite isso.
__________________
Olá!
Não demorou tanto assim, não é?
Bom, antes de lerem o capítulo eu tenho algumas diquinhas para vocês:
* Prestem atenção aos detalhes. Tem muitos detalhes nesse capítulo (especialmente na parte tensa) que explica tudo o que vai acontecer...
* Todos os envolvidos tem os seus motivos para as escolhas que fizeram, então não odeiem ninguém, okay?
* E por fim, mas não menos importante, CONFIEM EM MIM. Eu sei o que estou fazendo e mesmo que pareça que não tem conserto, tudo será resolvido (Esse aviso, em especial, serve para todos os capítulos que ainda virão).
No mais, preparem os lencinhos.
Boa leitura!

Capítulo 12 — Fase II – Isso é mesmo um Adeus?

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“Lembra quando eu chorei por você mil vezes?

Eu te contei tudo

Você conhece meus sentimentos...

Nunca passou pela minha mente que haveria um tempo para nós dizermos "adeus"

Que grande surpresa!

(...)

Eu me lembro quando era ""juntos até o fim"

Agora estou sozinha de novo

Por onde eu começo?

Eu chorei um pouco

Você morreu um pouco

Por favor, diga que não há arrependimentos

E diga que você não vai esquecer”

Remember When – Avril Lavigne

http://www.youtube.com/watch?v=6_3Zq9e52KI&feature=related

Bella Cullen

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É indescritível a intensidade da sensação de paz que me atingiu no momento em que voltei a colocar os pés na minha casa.

Ou melhor, a nossa casa.

Minha, de Edward e Ben.

E pela primeira vez nós estávamos adentrando o nosso lar como uma família, os três juntos.

Foi inevitável sorrir ao fechar os olhos para apreciar o sentimento com toda a sua grandeza.

Era como se tudo o que tivéssemos passado até aqui, não nos tivesse afetado, apenas nos fortalecido.

Ao menos era nisso que eu queria acreditar.

Os braços fortes de Edward envolveram a minha cintura e eu senti um doce e singelo beijo sendo depositado em meu ombro.

- O que você acha de eu levá-la para a cama, Sra. Cullen?

Meu sorriso se tornou ainda maior.

Eu simplesmente amava quando eu ele me chamava assim.

- Eu não estou cansada. – Respondi deslizando minhas mãos por seus braços.

- Você ainda precisa repousar... Ordens médicas, lembra?

- Mas eu me sinto bem...

- Por favor, apenas me deixe te minar um pouco.

Me virei em sua direção e enlacei seu pescoço com meus braços, enquanto me perdia no olhar hipnotizante do meu marido.

- Humm eu adoraria isso, mas nós temos uma criança para cuidar. – Ele me deu um sorriso travesso que deixava bem claro que ele adoraria não só me levar até a cama, mas permanecer lá comigo. – Falando nele, não o vejo desde que abrimos a porta.

- Isso é porque ele continua no quintal... Correndo por aí.

- Então, nós deveríamos estar lá com ele... Não acho que seja uma boa ideia o deixar sozinho e se ele cair? Ahhh precisamos providenciar alguma proteção para a piscina e talvez conseguir um daqueles brinquedos grandes para o quintal. E eu não tenho certeza, mas eu acho que também precisamos encontrar uma escola e quem sabe alguma atividade física de que ele goste e...

- Você é uma mãe bastante coruja, sabia?

Eu desviei o meu olhar envergonhada e podia jurar que meu rosto estava corado, a julgar pela forma como eu o sentia quente.

- Hey... Isso foi um elogio.

Eu sabia que sim. Era apenas... Eu não era a mãe de Ben, mas gostaria de cuidar dele como se fosse, mas sem que Edward pensasse que eu estava tentando me impor ou algo assim. Afinal todas essas eram suas responsabilidades como pai, não minhas.

- É só... Eu só estava tentando ajudar.

- Eu sei disso, meu amor. E eu sou tão grato. E preciso confessar que não tinha pensado em nada disso antes. Agora que o tenho comigo, não tenho a menor ideia de como ser um bom pai para ele.

- Bom, eu também não sei como agir, mas acho que podemos descobrir juntos. Se você quiser.

- Não há nada que eu queria mais nesse momento.

Voltei a prender meu olhar no dele e lhe dei um sorriso de agradecimento.

- E talvez sua mãe possa nos ajudar, quando nenhum de nós dois soubermos o que fazer.

-Eu acho que ela está esperando ansiosamente por isso.

...

- Ahh, por favor, eu não quero ficar deitada o tempo inteiro... – Resmunguei pela, talvez, milésima vez tentando convencer Edward a me deixar ir até a cozinha e preparar algo para comermos.

- Você é uma paciente bastante difícil... – Ele respondeu sorrindo. – Eu mal consegui trazê-la para o quarto, Bella. E eu precisei de quase o dia inteiro para convencê-la.

- Eu me sinto bem. De verdade. – Lhe lancei o meu melhor olhar pidão — aquele que Alice sempre usa contra todos. – E eu queria preparar algo especial para Ben... Por favor!

- Nós podemos pedir algo... – Ele sugeriu.

- Nós fizemos isso no almoço. – Acusei, cruzando meus braços e fazendo um bico.

- E podemos fazer novamente.

- Não é nada demorado, é só um sanduiche. Então, depois eu prometo que voltou a ficar quietinha...

- Tudo bem... – Ele respondeu contrariado. – Se você prometer que vai me deixar ajudar e que vai ficar onde eu a deixar.

Eu estreitei meus olhos.

- O que você quer dizer com isso?

Mas ao invés de me responder, ele foi até o banheiro onde Ben se divertia em nossa banheira e após vesti-lo, ligou a TV em um desenho qualquer.

Ben se acomodou ao meu lado na cama para logo em seguida me pedir para assistir, mais uma vez, Bob Esponja com ele.

- Desculpe, campeão! – Edward respondeu se aproximando de mim. – Bella quer um tempo na cozinha...

A forma como ele falou me fez rir e deixou Ben, aparentemente, um pouco confuso.

- Eu vou preparar algo gostoso para você... Depois podemos brincar, o que acha?

Antes mesmo que ele me respondesse, Edward já tinha se inclinado em minha direção e me pagado em seu colo.

- Hey, eu posso andar. – Protestei, mas tudo que tive como resposta foi a risada de Ben.

- E Ben? – Edward chamou antes de deixarmos o quarto. – Não desça as escadas sozinho, okay?

...

- Eu não posso cozinhar sentada! – Reclamei quando Edward me fez sentar a mesa e beijou delicadamente a minha testa.

- Ainda bem que você tem um ajudante.

- Edward...

- Minhas condições, lembra?

- Cerrrrtooo. – Arrastei a palavra para que ele percebesse que não estava muito satisfeita com suas condições. – Mas você vai ter que fazer tudo como eu disser.

...

No final, estava sendo divertido cozinhar com a ajuda de Edward.

É bem verdade que ele não me deixava fazer muitas coisas. Eu apenas cortei a cebola e montei os hambúrgueres de siri quando ele terminou a primeira parte da receita. Fora isso, eu permaneci sentada enquanto dava as instruções.

Mas eu preciso dar o credito a ele. Ele fez absolutamente tudo o que eu disse e tinha até certo talento para a culinária.

- Você é um ótimo ajudante! – Sorri para ele quando ele se sentou ao meu lado e juntos passamos a colocar as carnes no pão, junto com os outros ingredientes.

- Eu tenho uma boa professora.

Eu parei o que estava fazendo e prendi meu olhar nele, sentindo meu coração se inflar, cada vez mais, de amor por ele.

Eu tinha sentido falta desse Edward. Relaxado, divertido, amoroso...

- Pare de me olhar assim! – Ele passou o dedo sujo de catchup na minha bochecha e eu afastei sua mão com um tapa leve.

- Eu te amo! – Disse subitamente e foi perceptível o brilho no olhar dele ao ouvir.

Sua resposta foi um beijo doce em meus lábios que foi interrompido pelo som da campainha sendo acionada.

- Deve ser a minha mãe... – Edward disse se colocando de pé. – Ela disse que passaria para ver como você está.

Eu aproveitei a saída de Edward e me levantei para preparar um pouco de suco, apenas para se repreendida quando ele voltou menos de um minuto depois.

- Você está fora do seu lugar, mocinha. – Ele voltou a me pegar no colo, me fazendo gargalhar.

- Pare com isso, Edward! – Lutei contra as risadas. – Eu vou ficar mal acostumada, então você terá que me carregar para todo lugar...

- Com todo prazer, Sra. Cullen! Agora seja boazinha. Você tem visitas.

Só então eu olhei por cima do ombro de Edward para encontrar meu irmão parado a entrada da cozinha nos dirigindo um olhar que eu não consegui decifrar.

- Jazz! – Gritei e quando Edward me colocou no chão, corri em sua direção.

- Bella, por favor! – Edward reclamou, mas eu apenas envolvi meu irmão em um abraço apertado.

- Essa é uma boa recepção. – Jasper sussurrou ao devolver o abraço. – Pensei que você não ficaria feliz em me ver.

- Não seja bobo. Eu sempre fico feliz em te ter por perto... Você é meu irmão predileto.

- Eu sou seu único irmão, Bells.

Eu sorri para ele e o puxei em direção a mesa para voltar a me sentar antes que Edward voltasse a me carregar.

- Sorte sua não ter que dividir meu coração com ninguém.

- Apenas com Edward... – Seu olhar me dizia que ele não tinha intenção de voltar a discutir, mas soou como uma recriminação.

- São amores diferentes. – Respondi dando de ombros porque de fato boa parte de meu coração pertencia a Edward, mas ainda existia bastante espaço para meu irmão e meus amigos.

- Desculpe, okay? – Ele pediu se acomodando na cadeira que Edward tinha ocupado há alguns minutos. – Eu não quero começar uma nova discussão com você.

- Então, não comece... Eu também não quero discutir com você.

Ficamos os três em silencio por um longo tempo e eu tenho que admitir que era um pouco constrangedor.

- Então, o que vocês estão fazendo? – Jasper, finalmente, voltou a falar.

- Bella resolveu testar uma nova receita para Ben. Ela acha que ele pode gostar... – Edward respondeu, se esforçando para melhorar o clima que tinha se instalado entre todos.

- E o que é? Parece só um hambúrguer normal... Você pode comer isso?

- São hambúrgueres de siri. Do Bob Esponja. E são para Ben, não para mim. Embora eu não tenha restrições alimentares.

- Então, você está melhor? Eu quero dizer, realmente, melhor?

- Eu estou muito bem. – Garanti. – E tenho um enfermeiro maravilhoso.

Sorri para Edward, tentando dizer, sem palavras, que estava agradecida por ele estar se esforçando para se entender com meu irmão.

- Eu acho que já posso trazer Ben para um lanche...

Obviamente, era apenas a maneira de Edward de nos deixar sozinhos.

- Olhe, Bella... – Jasper começou a dizer assim que Edward deixou a cozinha. – Sobre o que eu te disse no hospital...

- Está tudo bem, Jazz. – O interrompi. – Entendo a sua reação, mesmo que não concorde com ela.

- Eu só queria que você soubesse que independente das suas escolhas... Mesmo que eu não concorde com elas, eu vou estar ao seu lado sempre.

- Eu sei disso. – Respondi com um sorriso triste. – E eu agradeço muito. Mas você me deixaria realmente feliz se voltasse a se entender com Edward... Vocês dois são importantes demais para mim. Não quero que seja sempre assim quando estivermos juntos.

- Eu não vou mentir para você. Eu ainda estou com o pé atrás com ele... Eu sei que ele te ama, Bella. Eu não estou duvidando disso. Mas, será que o amor dele é suficiente? Eu não sei... Eu só não quero que você saia machucada.

- Jazz, você precisa parar de cuidar de mim. – Peguei sua mão na minha e a apertei. – Eu não sou mais criança e está na hora de eu cuidar de mim mesma.

- Eu não posso fazer isso, Bella. É uma parte de mim. Eu sempre cuidei de você. O melhor que eu pude...

- Melhor do que qualquer outro faria. – Não deixei que ele terminasse porque eu sabia aonde isso ia nos levar e eu não queria vê-lo se martirizar pelo o que não poderíamos mudar.

- Isso não é verdade. Eu poderia ter feito melhor.

- Oh meu irmão, nós já falamos sobre isso tantas vezes. Não foi sua culpa o que aconteceu... E não há nada que você possa fazer para compensar o que eu vivi.

- Eu me repito isso todos os dias, Bella. – Ele olhou em meus olhos e eu pude ver a tristeza que ele sentia. – Mas... Eu sinto você, sabia? É estranho. Dizem que isso acontece com irmãos gêmeos... Mas nós não somos gêmeos. Ainda assim, eu sinto o que você sente. Eu sei quando você está triste, mesmo quando está sorrindo e sempre foi assim... Desde que você era só um bebê.

Jasper fez uma pausa e apertou com mais força a mão que eu mantinha presa a dele.

- E naquele dia... Droga, Bella! Naquele dia, mesmo você me dizendo que tudo estava bem, que tudo ficaria bem... Eu sabia, no fundo eu sabia, eu sentia, que tinha algo muito errado e ainda assim eu fui embora. Eu escolhi acreditar no que você me dizia em vez de seguir o que eu sentia... Eu deveria ter ficado. Eu deveria ter te colocado dentro daquele carro, a força se preciso, mas eu não deveria ter te deixado lá sozinha... Eu não consigo esquecer isso. Eu não consigo tirar isso da minha consciência. E eu vou continuar, todos os dias da minha vida, seguindo apenas o que eu sinto com relação a você. Eu não vou cometer o mesmo erro novamente.

Eu me levantei e o abracei, desejando que ele soubesse que eu faria qualquer coisa para não vê-lo assim. Que eu gostaria de voltar atrás e mudar tudo, não só por mim, mas por todas as pessoas que de alguma forma foram afetadas por aqueles acontecimentos tristes.

- Eu sinto muito, Jazz. – Sussurrei em seu ouvido. – Eu odeio vê-lo assim. Eu me sinto tão mal por saber que você pensa dessa forma... Eu não quero vê-lo sofrendo pelo o que aconteceu comigo. Não foi sua culpa. Eu prefiro acreditar que não existia nada que pudéssemos fazer para evitar... Que ainda aconteceria mesmo que você não tivesse ido embora... Que era apenas o meu destino.

- Quando você nasceu... – Ele me puxou para mais perto e seus braços se fecharam com tanta força ao meu redor que se tornou incomodo, mas eu apenas continuei colada a ele. – Eu era só uma criança, mas você era tão bonita... Parecia uma boneca. E eu não queria que você sentisse nada do que eu sentia. Eu prometia para mim mesmo que eu ia proteger você. Que eu ia sempre cuidar de você.

- Isso não foi justo com você, Jazz. Você também precisava que alguém cuidasse de você. Não era sua responsabilidade cuidar para que eu fosse feliz.

- Não importava para mim. Quanto mais você crescia, mas eu queria que você não estivesse que estar onde estávamos... Porque eu era feliz também, Bella. Através de você, eu era feliz.

- Eu gostaria que nossos pais tivessem percebido o quão maravilhoso você é.

Eu enterrei meu rosto no vão do ombro do meu irmão e liberei as lágrimas que começaram a se formar em meus olhos no momento em que ele abriu seu coração para mim.

- Você sempre vai ser a minha irmãzinha, Bells... – Ele beijou a minha cabeça como costumava fazer quando éramos crianças. – Não me peça para te deixar de lado, porque eu não posso fazer isso.

- Eu te amo, Jazz. Demais. E eu não tenho palavras para descrever o quanto você significava para mim, o quanto eu sou agradecida por você ter sido muito mais do que só meu irmão mais velho. Você sempre foi e ainda é meu melhor amigo, meu irmão, a pessoa que eu mais admiro no mundo e de certa forma você também foi o pai e a mãe que nós nunca tivemos de verdade.

- Eu acho que fiz um bom trabalho, não é? – Ele me afastou e secou as minhas lágrimas antes de cuidar das suas. – Você se tornou uma pessoa maravilhosa e eu tenho muito orgulho de você.

Eu me coloquei na ponta dos pés e beijei com carinho a sua bochecha.

- Mas isso não muda o fato que no dia em que você ganhar um Oscar você terá que dedicá-lo a mim.

Eu soltei um riso alto e fiz um último carinho no rosto de meu irmão antes de me afastar e tentar me recompor antes que Edward estivesse de volta com Ben.

- Combinado. Meu discurso será apenas: “Para Jasper, por ser o irmão mais velho mais ranzinza e super protetor que alguém poderia ter e ainda assim conseguir ser muito adorável.”.

Ele gargalhou e eu soube que ficaríamos bem. Meu irmão e eu. E que ele faria qualquer coisa para me ver feliz sempre, e isso incluía voltar a se entender com Edward.

- Por favor, corte a primeira parte... – Ele comentou abaixando a cabeça quando Ben apareceu correndo sendo seguido de perto pelo pai.

- Está tudo bem? – Edward perguntou com a testa franzida, provavelmente sendo capaz de ver os resquícios do meu choro.

- Apenas um pouco de sentimentalismo entre irmãos... – Respondi com um sorriso sincero. – Agora, vamos alimentar esse pequeno travesso. – Continuei ao sentir Ben puxar a minha blusa, me fazendo olhar para ele.

Eu sorri para ele e o peguei em meu colo, fazendo Edward resmungar o quanto era difícil me fazer seguir as ordens médicas.

- Ben, eu quero te apresentar alguém muito especial... Esse é Jasper. Diga “Oi” para ele.

Como ele sempre fazia quando conhecia alguém, ele apenas se encolheu e escondeu seu rosto em meu pescoço.

- Oi Ben! – Jasper se aproximou e acariciou os cabelos loiros do meu enteado. – Eu ouvi muito sobre você... E eu estava curioso para conhecer o meu sobrinho.

Ben levantou seu rosto e olhou para Jasper por um tempo.

- Oi Japle... – Ele, finalmente, disse e todos rimos da sua confusão.

- Acho que pode ser mais fácil se você me chamar de “Tio Jazz”... O que acha?

- Você é irmão do papai?

Jasper e eu nos olhamos sem saber como responder a essa pergunta. Ben era inteligente demais e eu não sabia como explicar que meu irmão ainda poderia se considerar seu tio, mesmo que eu não fosse sua mãe.

- Não, filho! – Edward o pegou do meu colo e com a cabeça me indicou a cadeira, claramente me mandando voltar a sentar. – Tio Jazz é irmão da Bella...

Os olhinhos azuis de Ben me procuraram e eu acenei em concordância.

- Okay! — Ele respondeu e começou a se remexer para que Edward o soltasse.

Eu fiquei ali parada olhando para ele sem saber o que o seu “okay” queria dizer.

...

Eu levei as mãos aos lábios tentando esconder o sorriso que queria se formar enquanto observava a careta que Ben fazia ao mastigar o seu hambúrguer.

Estava bastante claro que ele não estava gostando, mas ainda assim ele insistiu e deu uma outra mordida.

Jasper e Edward alteraram o seu olhar entre Ben e eu e eu simplesmente explodi em uma risada altíssima.

- O que é tão engraçado? – Jasper perguntou afastando o prato de Ben.

- Você não gosta? – Perguntei, ainda em meio aos risos.

Ben olhou para baixo e balançou sua cabeça em um gesto negativo.

- Você não precisa comer se não gosta. – Finalmente conseguir controlar o meu ataque de riso.

- Você não vai ficar brava? – Ele perguntou timidamente.

Eu o puxei para o meu colo e o abracei.

- Não, querido. Eu não vou ficar brava. Na verdade, eu estou bastante feliz agora.

Edward arqueou uma sobrancelha em minha direção e eu expliquei com um sorriso;

- No hospital, eu vi um programa de culinária... – Fiz uma pausa para um novo ataque de risos. – Victoria estava preparando essa receita. Ela disse que era a preferida dele.

- Ela não sabe nada sobre ele... – Edward sussurrou com tristeza e eu me senti mal por estar feliz por uma mãe não conhecer seu próprio filho.

- Eu sinto muito.

- Não há pelo o que se desculpar. – Ele me garantiu. – Mas você não precisa se importar com o que ela diz por aí... Você o conhece bem melhor do que ela jamais conhecerá.

...

O restante do dia foi agitado.

Jasper ficou a tarde toda e após Edward sugerir, ele decidiu que ficaria também para jantar e ligou para Alice, que se juntou a nós no inicio da noite.

Nós comeríamos comida pronta se não fosse pela chegada dos meus sogros, que gentilmente nos trouxeram comida caseira da melhor qualidade.

Todos se reuniram ao redor de Ben e ele fez questão de mostrar o seu piano para todo mundo. No final da noite, todos estavam encantados por ele e não podia ser diferente. Não ele sendo uma criança tão doce.

- Ele me chamou de “Tia Alice”... – Alice se acomodou ao meu lado no sofá e sorriu para mim. – Eu gostei disso.

- Ele também chama Jasper de tio... – Comentei após um breve bocejo. – Eu acho que ele está gostando do fato de ter tantas pessoas o paparicando. Vocês vão deixá-lo mimado!

- Ahhh pare com isso. Você só está com inveja porque ele não tem nenhuma forma especial para te chamar...

- Isso não é verdade! – Retruquei. – Ele me chama de “Bella” e eu estou muito bem com isso.

- Isabella Cullen, eu te conheço muito bem. – Alice me provocou. – Olhe nos meus olhos e me diga que você não gostaria que ele te chamasse de “mãe”.

- Eu não sou a mãe dele, Alice.

- Isso não muda o fato que você gostaria de ouvi-lo te chamar assim... Eu sei disso.

Eu neguei com um aceno de cabeça.

- Não se preocupe, Bella. Ele vai... Ele só precisa de um tempo.

- Essa é mais uma das suas premonições? – Indaguei com diversão.

- Não menospreze minha intuição. Você sabe que ela sempre funciona.

- Me desculpe, fadinha! Eu estou apenas brincando.

...

- Você teve um dia cheio... – Edward comentou ao se deitar ao meu lado após se certificar que Ben já estava dormindo. – Por que não descansa agora?

- Eu só estava esperando por você... – Confessei timidamente.

- Hummm você sentiu a minha falta? – Ele se aproximou e me puxou para os seus braços.

- Eu sempre sinto a sua falta. Mesmo que você esteja a apenas alguns metros de distancia.

- Diz que você me ama... – Ele sussurrou contra a minha pele e passou a distribuir beijos por meu rosto.

- Eu te amo, Edward! Eu te amo!

- Eu te amo, Bella! Meu Deus, eu te amo tanto!

Eu não sei explicar, mas no momento em que suas palavras penetraram os meus ouvidos eu senti meu coração apertar. Tomado por uma necessidade eminente de comprovar as suas palavras. A mesma necessidade que Edward parecia sentir naquele instante.

Eu me agarrei a ele e comecei a sussurrar uma e outra vez o quanto o amava e o ouvi fazer o mesmo.

Mesmo quando nossos corpos começaram a despertar, a implorarem por atenção... Tudo o que continuava a se dito era o quanto nos amávamos.

E foi assim, durante todo o tempo que permanecemos conectados, unidos como um só e além desse tempo.

E eu quis chorar no momento em que Edward desabou por cima de mim. Não saberia explicar porque, mas eu apenas não queria que ele se afastasse, não queria que nossa conexão fosse desfeita.

- Você é a minha vida, Bella! – Ele disse com a voz rouca. – Por favor, nunca se esqueça disso. Nunca esqueça o quanto eu amo você.

...

Eu me levantei lentamente e sorri para a forma adormecida de Edward. Ele parecia tão em paz em seu sono e como sempre, lindíssimo aos meus olhos.

Evitando fazer qualquer ruído, apanhei a camisa que ele tinha jogado ao chão na noite anterior e a vesti antes de descer até a cozinha para preparar o café da manhã.

Eu mal tinha acabado quando ouvi a campainha tocar e corri para atender na esperança de que nem Edward ou Ben fossem acordados.

Só me preocupei com o fato de estar precariamente vestida quando me deparei com o advogado de Edward.

- Dr. Jenks? – Eu podia sentir meu rosto corado e desejei ter me vestido completamente ao sair da cama.

- Bom dia, Bella! — Ele me comprimento, educadamente desviando seu olhar. – Sinto muito vir tão cedo, mas eu tenho algo que preciso falar com Edward.

- Por favor, entre... – Lhe dei passagem. – Você aceita algo? Eu acabei de preparar o café da manhã...

- Obrigado! Mas eu não quero incomodar. Eu teria esperado até mais tarde, mas é realmente importante.

- Claro! Edward ainda está dormindo, mas eu vou chamá-lo... Fique a vontade.

Eu corri até o quarto e me vesti rapidamente antes de chamar por Edward, que estava resistente em acordar, mas no momento que mencionei o seu advogado ele simplesmente pulou da cama.

...

Eu sabia que, definitivamente, não deveria estar fazendo isso. Mas alguma coisa me dizia que eu precisava ouvir o que Dr. Jenks tinha para dizer a Edward de tão importante.

Eu sabia que ele estava cuidando do caso de Ben, mas a expressão em seu rosto quando ele chegou aqui, deixava claro que as coisas não estavam saindo como o planejado, que algo tinha acontecido.

O que era um pouco difícil, para mim, entender. Eu sempre achei que tínhamos boas chances de conseguir a guarda definitiva de Ben. ´

Quero dizer, nós estamos seguros financeiramente, temos uma casa própria... E apesar de saber que Victoria também possui todas essas coisas, nós ainda tínhamos algo com o qual ela não poderia concorrer: nós formamos uma família estável.

Bom, talvez “estável” não seja a palavra adequada se eu levar em consideração todos os meus últimos problemas, mas isso não é de conhecimento publico e eu estava confiante de que o amor que eu e Edward sentimos um pelo outro seria evidente o suficiente para mostrar a qualquer pessoa que Ben não correria o menor risco de adentrar uma família fadada a se separar.

- Edward, eu sinto muito! – Dr. Jenks começou a dizer. Sua voz soando abafada pela porta fechada do escritório. – Mas eu não tenho boas noticias.

- Eu pensei que estávamos perto de conseguirmos a guarda definitiva. – Meu marido retrucou.

- E nós realmente estávamos... – Houve uma pausa e eu me encostei ainda mais a porta tentando ouvir o que eles diziam. – Como eu já havia te dito, a juíza que conduz o seu caso é conhecida no meio por ter certa preferência em manter as coisas “âmbito natural” como dizem. Na maioria dos casos, ela mantém a tutela materna. Mas eu consegui mostrar que Victoria é uma mãe ausente, está sempre viajando ou em festas, enquanto Ben está sempre aos cuidados de alguma babá – que pelo o que conseguimos apurar nunca duram muito tempo. E o fato de Victoria não esconder que sua vida é regada a noitadas e consumo excessivo de bebidas nos ajudou e até a última audiência a juíza me parecia favorável a você.

- E isso mudou? – Edward o interrompeu. – Nada do que você disse mudou... Victoria continua a ser a mesma irresponsável de sempre e ainda temos a acusação de maus tratos.

- Sobre essa acusação, em especial, nós ainda não conseguimos provar a culpa dela. Ela nega e coloca a culpa em outra pessoa. Eu tentei convencer a atual babá de Ben e a depor a nosso favor, mas ela se recusa... Disse que não vai se intrometer, que não vai se colocar contra e nem a favor de ninguém.

- E você não pode obrigá-la a depor? Intimá-la assim mesmo?

- Eu posso Edward, mas vou estar correndo um grande risco. Eu não posso obrigá-la a dizer nada a nosso favor. No momento em que ela começar a dar o seu depoimento estaremos a mercê do que ela disser.

- Não existe algo que a obrigue a dizer a verdade?

- Teoricamente, mentir em juízo é crime, mas nós precisaríamos provar que ela estava mentindo e realmente não há como provar isso, no momento. Mas eu ainda tenho a esperança que o psicólogo consiga alguma coisa com Ben.

Uma nova pausa foi feita e eu só me sentia ainda mais confusa. Nada estava fazendo muito sentido para mim.

- Mas não é esse o problema em questão... – Dr. Jenks voltou a falar. – Eu fui informado hoje pela manhã que o advogado de Victoria entrou com uma liminar pedindo a quebra do sigilo médico de Bella. Mais especificamente de uma clinica em Londres. Ele alega que os registros vão provar que o seu lar não é tão estável quanto prometemos que seria e ele insinua que as marcas nos braços de Ben podem ter sido provocadas por Bella, em um momento de descontrole.

- Isso é um absurdo! — Edward gritou e eu levei minhas mãos a boca me impedindo de vocalizar todo o horror que estava sentindo.

Fechei meus olhos com força. Isso não podia estar acontecendo.

- Como isso pode ser um problema? Bella está muito melhor agora. – Edward continuou a falar e em minha mente eu era capaz de vê-lo passando a mão pelo cabelo, em um claro sinal de nervosismo.

- O problema está no conteúdo do relatório medico. Obviamente, eu também tive acesso a ele e eu preciso te advertir que não é nada favorável. E eu soube que o médico que cuidou de Bella está disposto a depor em favor de Victoria. Eu consegui descobrir que ele está disposto a dizer que ela não terminou o tratamento devido e que ela deu entrada na clinica visivelmente transtornada e que, em sua opinião médica, ela, naquele momento, se encontrava emocionalmente incapacitada e que não houve nenhuma melhora em seu quadro até o dia em que ela deixou a clinica.

- Ele não pode fazer isso! – Edward voltou a gritar e eu ouvi o barulho, do que imaginei, ser o seu punho atingindo a mesa. – Ele nem mesmo a tratou. Ele só a trancou em um quarto. Isso é ridículo!

- Edward! – A voz do advogado o fez se calar. – Eu entendo. Mas a partir do momento em que a juíza deferiu a liminar e aceitou ouvir o depoimento dele, não há nada que eu possa fazer para contornar isso.

- Tem que existir algo. – Edward insistiu.

- Eu não estou desistindo. Estou apenas te colocando a par da nova situação. Nós vamos continuar com o processo, mas eu precisava prepará-lo. Não vai ser mais tão fácil quanto parecia e eu imagino que muito da sua vida pessoal e a de Bella vai vir à tona... Você sabe que eu indiquei um colega criminalista para acompanhar de perto o caso contra Sam e Embry e, talvez, isso também acabe aparecendo. Eu não sei como o advogado de Victoria tem acesso a essas informações, mas isso não muda o fato de que ele sabe como usá-las. Eu sinto muito, mas o processo está em pé de igualdade agora e eu não posso mais garantir que você vai sair vitorioso.

Minha respiração ficou suspensa por alguns segundos, mas antes que eu fizesse alguma coisa que denunciasse a minha presença corri até o quarto que dividia com Edward.

Parei, ofegante, assim que fechei a porta atrás de mim, tentando imaginar como isso aconteceu.

Assim que acordei tudo parecia tão bem. Ao menos na medida do possível e agora... Agora eu sinto como se tudo estivesse a ponto de desmoronar.

Me forcei a respirar fundo, tentando manter a pouca calma que me restava. Edward e eu, juntos, encontraríamos uma forma de reverter isso.

Talvez se eu pedisse ao Dr. Denali para testemunhar... Ele pode dizer que tenho seguido o todo o tratamento a risca e que estou melhor.

Certa de que essa seria uma boa estratégia e que, no final, tudo ficaria bem, eu me decidi por uma ducha e pretendia conversar com Edward em seguida.

Foi um banho demorado porque por mais que eu continuasse a repetir, em minha mente, que encontraríamos uma solução, eu ainda tinha um pressentimento que não seria assim tão fácil e isso me fez chorar até que senti minha cabeça tão dolorida que imaginei que se não me obrigasse a me acalmar, acabaria desmaiando.

Voltei a vestir a camisa de Edward, mas dessa vez inclui uma calça de moletom e me olhei no espelho por um longo tempo, fitando os meus olhos vermelhos. Mas como não tinha nada que eu pudesse fazer para mudar isso, apenas penteei os cabelos e deixei o banheiro.

Edward estava sentado em nossa cama. A cabeça baixa e as mãos fechadas em punho ao lado do seu corpo.

Eu me aproximei e me sentei ao seu lado.

Ele me olhou por alguns segundos, os olhos tão vermelhos quanto os meus e então, cerrou os olhos e uma lágrima escorreu por seu rosto.

Delicadamente levei meus dedos até sua face e sequei sua lágrima.

- Aconteceu algo? – Perguntei mesmo sabendo qual era o problema.

Ele assentiu, mas não disse nada.

Levantei seu rosto e pedi para que ele me olhasse.

- Me diga o que está errado e juntos vamos resolver o que quer que seja.

- Eu não acho que podemos fazer isso...

Meu coração falhou uma batida. Eu precisava que Edward acreditasse que poderíamos resolver isso, porque eu, sozinha, jamais conseguiria.

Ele me disse, resumidamente, tudo o que eu ouvi da sua conversa com o advogado.

- Ele acha que não tenho mais muitas chances de conseguir a guarda definitiva... Não com... Não nesse momento.

Não estando comigo. – Completei mentalmente.

- Eu não posso permitir que ele volte para ela... Não depois de já ter tido ele comigo.

- E se... Se mostrarmos, provarmos, que eu estou bem, que estou em tratamento. – Sugeri tentando fazê-lo voltar a ter esperanças.

Edward balançou sua cabeça lentamente, evitando me olhar.

- Talvez funcione... – Ele murmurou. – Eu não sei.

- Deve ter algo que possamos fazer... – Insisti. – Algo para mudar isso.

- Não é só sobre a internação. – Edward se colocou de pé. – Ainda existe a possibilidade de que tudo mais venha à tona...

Eu assisti a forma como ele começou a andar de um lado para o outro e, em meu intimo, compreendi.

Ele havia desistido.

O que eu sempre temia, tinha acontecido.

- Eu não vou conseguir a guarda. – Ele confirmou, com a voz entrecortada, o que eu já sabia. – Eu não posso ter a guarda do meu filho porque eu não tenho um lar, suficientemente, estável para oferecer a ele. – Ele gritou a última parte e eu estremeci.

O tremor não foi causado por seu tom de voz, mas pelo o que estava por trás de sua fala.

Ele estava abrindo mão de mim, do amor que sente por mim, para que ele possa ter Ben ao seu lado. Eu nem mesmo posso culpá-lo por isso.

- Eu sinto muito! – Sussurrei. – Eu... É minha culpa que isso esteja acontecendo.

Pela primeira vez na vida eu senti a necessidade de ouvi-lo negar a minha afirmação, mas ele apenas se manteve em silencio, o que deixava claro que era exatamente como ele pensava.

Respirei fundo, contendo as lagrimas que ameaçavam cair e tentei ignorar o buraco que estava se abrindo em meu peito.

- Então... – Comecei incerta e desejosa que ele contestasse as minhas palavras. – Eu acho que você sabe o que deve fazer. – A dor de dizer isso me roubou o ar. – Eu acho que chegou a hora de eu ir embora.

Ele parou sua caminhada pelo quarto e olhou.

- Você está sugerindo que...

— Não, Edward. – O cortei porque vê-lo fingir que isso nem tinha passado por sua cabeça estava me dilacerando mais do que saber que ele tinha, finalmente, desistido de mim. – Eu estou apenas dizendo o que você não tem coragem para dizer.

— Eu sinto muito. – Foi tudo o que ele disse antes de sair do quarto e me deixar sozinha, sofrendo por meu conto de fadas ter acabado.

Fiquei alguns minutos com a respiração suspensa, desejando nada mais do que desaparecer, mas eu não podia, estava além da minha capacidade.

Em vez disso, eu me afundei na cama e deixei que um soluço viesse à tona. Doía tanto que eu implorei, aos céus, para que não fizesse isso comigo e em algum momento, eu até mesmo, implorei, em silencio, a Edward que voltasse, que me dissesse que eu tinha entendido tudo errado, que ele não me deixaria ir embora...

Quando ficou evidente que nada disso aconteceria, eu tateie pela mesinha de cabeceira a procura do meu telefone celular e liguei para a única pessoa que nunca me deixou desprotegida.

- Jazz? – Foi impossível evitar que minha voz soasse quebrada. – Eu preciso de você.

Quando Jasper me garantiu que chegaria o mais rápido possível, eu me obriguei a levantar, lavar o rosto e reunir tudo o que precisasse.

Eu não pretendia levar nada porque qualquer coisa que me lembrasse Edward só faria com que eu sangrasse mais. Então, eu reuni em uma mochila apenas os meus documentos e uma muda de roupas.

- Você não precisa sair... – Edward disse as minhas costas, parada]o à entrada do closet que dividíamos.

Eu não consegui obrigar meu corpo a se mover. Não poderia olhar para ele, sabendo que acabou.

-Eu preciso ir... Antes que Jasper chegue. – Sussurrei empurrando mais algumas roupas para dentro da mochila, apenas para não ter que me virar em sua direção.

- Ele já está aqui... Eu pedi a ele que me desse alguns minutos com você.

Eu parei meus movimentos e mesmo tentando lutar contra o sentimento, ainda senti a esperança querendo se apossar de mim.

- Eu não quero que você saia.

-Não? – Perguntei, finalmente me virando em sua direção e arfando ao ver ser olhar evitando o meu.

Seu rosto, marcado por lágrimas, a poucos passos de distancia, me fez desejar que eu ainda pudesse o abraçar o mais forte que conseguisse.

- Você pode ficar com a casa... – Ele respondeu, apunhalando meu coração. – Eu saio.

- Eu não quero a casa! – Gritei e me apressei em passar por ele.

Eu quero você! Eu quero que você ainda me ame.

- Bella? Bella, por favor.

- Eu não preciso da casa, Edward. – Parei e me obriguei a fitar os seus olhos. – Você deve ficar com ela, e com todo o resto, para você e Ben.

Eu estava começando a hiperventila. Precisava sair dalí o quanto antes, então comecei a procurar por meu celular no emaranhado de lençóis sobre a cama.

Quando eu o encontrei, sobre a mesinha de cabeceira, senti minhas pernas falharem e, rapidamente, me sentei na beirada da cama.

Bem ao lado do meu celular, tão brilhante como sempre foi, estava a aliança de Edward.

Fechei meus olhos com força, desejando não ter visto que o símbolo de nosso casamento já tinha sido deixado de lado.

Inalando o ar com sofreguidão, olhei para minha própria mão, vendo a minha aliança e o meu anel de noivado, colocados lado a lado.

Nunca imaginei que chegaria o dia em que eu precisaria tirá-los.

Com os dedos trêmulos, os retirei.

Olhei para o meu claddagh uma última vez, imaginando que fazia todo o sentindo do mundo que ele ficasse aqui, onde vivemos juntos... Com Edward. Porque ele era o símbolo da entrega do meu coração a ele e agora que eu precisava partir, meu coração ficaria.

O coloquei ao lado da aliança de Edward e, sem conseguir resistir, a peguei e a coloquei junto a minha, na palma da minha mão.

Me coloquei de pé e apanhei meu celular, ainda fitando as alianças, sem conseguir encontrar forças para deixá-las.

- Você... – Comecei, odiando o quão fraca eu era. Odiando deixar tão claro o quanto eu estava sofrendo. – Você se importa que eu fique com elas?

- Você pode ficar com o que quiser...

Limpei meu rosto com as costas da mão.

- Eu não posso ficar com o que mais quero...

Eu tentei passar por ele, mas sua mão segurou meu braço.

- Bella... – Ele puxou meu corpo para tão próximo do seu que eu podia sentir o seu calor me aquecendo.

Por favor, diga para eu não ir. Por favor, não me deixe ir.

- ... Eu gostaria que fosse diferente.

- Eu também. – Respondi o afastando.

Corri escadas a baixo, precisando deixar aquela casa antes que eu sufocasse.

- Bella! – Alice parou a minha corrida, se colocando a minha frente. — O que aconteceu? Eu não consigo pensar em nada que possa separar voc...

- Eu preciso sair daqui. – Supliquei. – Por favor, me tira daqui.

Jasper agarrou uma das minhas mãos e me puxou em direção à porta.

Me permitir dar uma ultima olhada na casa que até poucas horas atrás eu chamava de minha. Meus olhos pousaram sobre um porta-retratos em que Edward e eu, no momento em que fazíamos nossos votos matrimoniais, estávamos estampados.

- O porta-retratos... – Parei, obrigando que Jasper também parasse. – Eu preciso daquele porta-retratos.

- Eu pego! – Alice me deu um leve empurrão, me incentivando a seguir o meu irmão, que continuava a puxar a minha mão.

Jasper me acomodou no banco traseiro do seu carro e se agachou a minha frente.

- Você vai ficar bem? – Ele perguntou, colocando as duas mãos em meu rosto. – Você vai ficar bem, não vai?

Eu assenti, não porque ele estava certo, mas porque vi que seus olhos estavam cheios de lágrimas.

Ele se pôs de pé e fechou a porta do carro.

Alice chegou assim que Jasper se acomodava no banco do motorista. Ela se sentou ao meu lado e, sem dizer nenhuma palavra, me entregou o porta-retratos.

- Obrigada! – Sussurrei, abrindo a mão que ainda mantinha presas as duas alianças e fitando as únicas coisas que me sobraram.

....

Conforme o carro ia ganhando distancia, eu podia sentir o buraco em meu peito, no lugar onde costumava ficar meu coração, aumentar, assim como a minha dor.

Alice pegou em minha mão livre, assim que chegamos ao seu prédio e me conduziu até o elevador e em seguida até a porta de seu apartamento. Ela me fez sentar em seu sofá e colocou o porta-retratos, que eu não conseguia parar de olhar, sobre a mesinha de centro, mas quando ela tentou pegar minhas alianças, eu apenas neguei e lentamente soltei o fecho do cordão que usava e coloquei as duas alianças antes de levá-lo de volta ao meu pescoço.

- Você quer conversar? – Jasper se sentou ao meu lado.

Eu o olhei e agarrei a sua mão, tão forte quanto conseguia, silenciosamente pedindo para que ele me salvasse do abismo que estava se formando dentro de mim.

- Doi tanto... – Foi tudo o que eu consegui dizer. – Doi demais.

- Eu sei, Bells. – Ele respondeu, me puxando para mais perto. – Eu sei.

- Tudo vai ficar bem, Bella. – Alice sentou-se próxima a mim. – É só... Vocês vão ficar bem. Vocês se amam.

- Não! – Balancei minha cabeça negativamente. – Nós não vamos ficar bem. Ele precisa que eu fique longe... Ele... Droga, Alice! Ele ainda me ama? Eu não sei...

...

Eu passei a próxima hora contando a Jasper e Alice o que tinha acontecido.

- Essa não é a solução. – Jasper retrucou.

- E qual é a solução? – Perguntei, me sentindo física e emocionalmente exausta. – Ele não está errado em me querer longe... Eu só trouxe problemas. – Eu já não tinha mais lágrimas, nesse momento, então apenas solucei. – E a qualquer momento mais uma bomba pode explodir sobre nós. Eu não me importo por mim. Já não me importo que as pessoas saibam o que aconteceu em Forks... Mas como isso pode afetá-lo?

- Eu não me importo com Edward! – Jasper me interrompeu. – E você também não deveria se importar. Merda, Bella! Ele te pediu para sair.

- Tecnicamente, fui eu quem sugeriu...

- Pare com isso, agora mesmo! – meu irmão me obrigou a olhá-lo. – Ele não te impediu de sair. Ele viu em seus olhos como você estava se sentindo e ainda assim, deixou você ir embora... Que tipo de amor é esse?

- Ele fez apenas o que tinha que fazer.

- Quebrar o seu coração? Era isso o que ele tinha que fazer?

- Ele também está com o coração quebrado. – Retruquei e no fundo de minha alma, eu desejei que eu estivesse certa. Não porque me alegraria em ver Edward sofrer, mas eu precisava me prender a certeza de que estava sendo tão difícil para ele quanto para mim. Se ele estivesse sofrendo, ao menos um pouco, ainda existiria esperança para nós. – Ele tinha que fazer isso. Por Ben. Só ele importa agora.

- Você também importa. Você também deveria importar para ele.

- Você não entende. Se você... Jazz, se você tivesse que escolher entre um filho e Alice...

- Eu ficaria com os dois. – Meu irmão respondeu sem, nem ao menos, me deixar terminar.

- E se você não pudesse ter os dois?

- Eu ia tentar, okay? – Ele se colocou de pé. – Eu ia tentar até o fim, mas eu não faria Alice sofrer como ele está fazendo com você.

- Jazz... – Alice sussurrou. – isso não vai levar a nada... Dê a Bella um tempo.

- Você se lembra do que eu te disse ontem? – Ele me olhou intensamente. – Eu sei aonde isso vai acabar, Bella. Eu to sentindo... Bem aqui. – Ele bateu contra o seu peito. – E não é bom! Eu vou perder você.

- Jasper, por favor... – Alice voltou a pedir. – Você não quer se deitar um pouco? Eu sei que você ainda tem ordens médicas para se manter em repouso. – Ela manteve seu olhar sobre mim e eu apenas assenti.

...

- Eu sei o que você está fazendo... – Minha cunhada voltou a falar assim que eu estava acomodada na cama do quarto de hospedes. – Colocando toda a responsabilidade pelo o que aconteceu sobre os seus ombros. Como você sempre faz. – Ela apertou delicadamente a minha mão. – Talvez, nesse caso, eu faria o mesmo pelo seu irmão. – Ela me assegurou. – Mas isso não muda o fato que Edward está tomando a direção errada e que você não merecia isso.

-Eu me sinto... – Balancei a minha cabeça sem saber exatamente o que queria dizer.

- Eu sei. Basta saber que eu estou bem aqui para o que você precisar, okay?

Eu me agarrei a essa promessa com todas as forças que ainda me restavam porque nunca havia me sentindo tão sozinha quanto naquele momento.

Notas finais
Por favor, me deixem saber o que acharam... Mesmo que, nesse momento, vocês queiram me matar.
O convite para o group no face continua aberto... Basta adicionar o meu perfil para as FICS (Tatiana Oliveira Fanfics) e eu vou te incluir no group o quanto antes.
xoxo