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1 Capítulo 1 -Testes
Notas iniciais
CAPÍTULO 01 – TESTES
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Bella Swan
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Tique-taque-tique-taque-tique-taque
Eu já estava ficando realmente impaciente, fitando o relógio no meu pulso.
A hora estava passando e eu via minhas esperanças se esvaindo.
Meu turno já tinha acabado há exatos 35 minutos, mas é claro que não fui liberada e agora eu tinha que esperar os filhinhos de papai, que eu estava atendendo, resolverem se mancar que a balada de ontem à noite já deveria ter terminado há muito tempo.
Comecei a andar de um lado pro outro impacientemente, não podia me atrasar, é minha oportunidade de finalmente conseguir um papel de verdade.
Já estava cogitando a idéia de mandar o meu patrão, o Sr Wilson, a merda e sair correndo, mas não podia me dar a esse luxo, eu preciso do dinheiro, e um deslize meu, vou pra rua na mesma hora.
- Bella, eu cubro o restante do turno pra você – Angie me cutucou me fazendo parar a caminhada frenética.
- Mas meu turno já acabou– explodi!
Angie me olhou de uma forma estranha, como nunca tinha feito nesses dois anos de convívio. Isso eu tivesse que chutar qual era a sua expressão, eu diria: perplexa. Talvez seja porque eu nunca tinha sido grossa com ela.
Ah droga, grossa demais logo na primeira vez.
- Ah Angie... desculpa vai, mas meu turno já acabou e eu vou me atrasar...
- Eu sei Bella, vai, eu cubro os playboyzinhos ali pra você, eles não devem demorar muito mesmo e Sr. Wilson esta ocupado lá dentro. – Ângela estava sendo um anjo, nós não somos exatamente amigas, mas nos damos muito bem e estamos sempre ajudando uma a outra, desde que comecei a trabalhar aqui assim que me mudei, há quase dois anos.
Ponderei a oferta por uns minutos, Sr Wilson certamente ficaria uma fera, mas se eu esperasse mais um pouco nunca ia chegar a tempo no teste.
-Tem certeza Angie?
- Claro Bells, vai lá! – Ela falou por cima dos ombros caminhando em direção a mesa dos inconvenientes que resolveram acabar a noite, começar a manhã e pelo visto emendar o almoço aqui hoje.
Corri até o balcão, tirei meu avental jogando-o de qualquer jeito em uma prateleira e peguei minha bolsa que estava atrás do balcão desde a hora em que meu turno acabou e fui em direção a porta desfazendo o coque no meu cabelo.
- Valeu Angie, te devo essa! – gritei da porta.
-Boa sorte! – Consegui ouvir ela responder antes da porta bater a minhas costas.
Sorri em resposta, pegando o mapa em meu bolso.
Ótimo, eu tenho que chegar do outro lado da cidade e nem sei como. Andei apressadamente até o ponto de ônibus, encarei o mapa que não me servia de nada, virei pra ler mais uma vez o endereço anotado.
Parei o primeiro ônibus que passou.
- Você passa na Sunset Boulevard?– Perguntei ao motorista que negou acenando com a cabeça.
Mais um ônibus e mais outro e outro e nada.
Droga, meu dia realmente começou bem!
Decidi perdi por informações a uns caras parados no mesmo ponto que eu. Não gosto de pedir informações as pessoas por aqui, ainda lembro da primeira vez que me perdi, e todo mundo que eu pedia ajuda me confundia com uma prostitua ou me tratavam mal por causa do sotaque, foi assim que conheci Edward, foi o único que me ajudou, mas agora não tinha outro jeito, ia ter que sair por ai perguntando mesmo.
- Hey, bom dia! Sabe me dizer como faço pra chegar nesse endereço? – Perguntei mostrando o papel com o endereço.
Um deles olhou pro papel, olhou pra mim, pro papel de novo e pra mim novamente, resolvi dar um sorrisinho quem sabe assim ele responde.
-Hum na verdade não, mas posso te ensinar o caminho pra minha casa... – Todos começaram a rir, eu sai de perto o mais rápido possivel, idiota!
Peguei meu celular e disquei o primeiro número que me veio a mente.
- Alô?
- Emmet... – eu quase gritei
- Hey Bella, já acabou o teste?- Ele me perguntou meio confuso
- Na verdade, ainda não cheguei lá...
- O que? Desistiu?
- Claro que não! - Eu respondi prontamente, até parece que eu ia desistir do melhor teste que já tive oportunidade de fazer. - Eu não sei chegar lá... – completei
Ele começou a rir.
- Sério Emm, que ônibus eu tenho que pegar?
- Ham? Ônibus? Pega um táxi– Ele falou como se fosse uma grande idéia que ele tinha acabado criar sozinho.
Claro que eu já tinha pensado no taxi, seria muito mais prático, rápido e confortável, mas o teste é do outro lado da cidade, vai custar uma fortuna, que eu não tenho pra pagar.
- Que horas é o teste mesmo? — Ele perguntou quando eu nada respondi.
Eu encarei meu relógio, merda já são 9h 45min!
- As 11h! – respondi nervosa
- Não vai dar tempo! – ele ficou cantarolando do outro lado
- Se eu pegar um ônibus agora, ainda dá tempo... – falei séria
Ele continou cantarolando.
Droga! Eu odeio quando ele fazia esse tipo de coisa
- Qual ônibus? – Gritei e os caras que não me ajudaram me olharamdebochados.
- Como eu vou saber? Acha que eu ando por LA inteira de ônibus? – ele respondeu ríspido
Claro que ele anda por LA inteira, só que de carro.
Não ia ter outro jeito a não ser ir de taxi mesmo, sai correndo em direção a parada dos táxis, duas esquinas a frente.
-Obrigada Emmet, por nada! – Falei já pronta pra desligar.
-Pêra Bells, eu te levaria, mas tô no meio de um ensaio... — ele começou.
Meu celular apitou me dando um susto, olhei a tela, outra chamada, casa, ótimo o dia realmente seria muito bom!
- Não se preocupe irmaozão, tenho outra chamada, ligo depois, tchau! — Disse ao Emmet desligando a chamada e atendendo a próxima.
-Oi Charlie...
Alcancei um taxi, entrei correndo, entreguei o endereço ao motorista e afastei o telefone.
- Tenho que chegar nesse endereço em 1 hora no máximo – Falei apressada.
- É do outro lado da cidade, pode demorar um pouco mais do que isso. – ele me respondeu calmamente, totalmente alheio ao meu quase desespero.
- Não tem um atalho? É importante! — Eu insisti
- Vou ver o que posso fazer... – ele falou ligando o motor, levei o celular ao ouvido novamente.
-Isabella? Isabella? — O meu pai gritava do outro lado.
-Oi pai...
-vVocê fez o depósito?
Ah merda, esqueci! E o pior de tudo é que agora o dinheiro pro depósito ia todo pra mão do taxista.
- Ah pai, eu tô bem, sabe? E vocês como estão?
- Poderíamos estar melhor, sabe como é... — E lá vem toda a ladainha de novo.
- Eu to atrasada pra um teste agora, ligo depois... – tentei cortar antes que ele reclamasse pela milionésima vez de como tudo estava dando errado.
- Espero que aceite dessa vez! – ele falou me fazendo bufar ao entender o que ele quis dizer.
Minha família está... digamos, desapontados, por eu ter recusado a "grande" oportunidade de estrelar um filme bem apimentado, pra não dizer pornô.
- Se eu passar, não pensaria em recusar jamais, é um papel muito importante, uma grande oportunidade! – respondi tentando manter a calma, o dia mal começou e já estava bastante tumultuado pra ter espaço para mais uma discussão com o meu pai.
- Mais um desses, é? — Ele acrescentou com descaso.
- O que você quer mesmo? – Perguntei já sentindo a minha paciência ir embora.
- O depósito, você fez? — Ele repetiu.
Suspirei frustrada. Por que ainda penso que ele está ligando apenas pra saber se eu estava bem-
-Ainda não...
- Bom, você teve visitas hoje... — senti meu coração falhar.
-Olha, eu vou tentar outro turno noturno hoje, nesses as gorjetas são melhores e deposito o que conseguir amanhã – falei entre os dentes.
- Certo, mas olha, nós também estamos precisando... — ele começou a falar
- Pai, vou depositar o que conseguir, eu ainda tenho que pagar o aluguel.
- Talvez seu irmão queira ajudar dessa vez... – Charlei começou, mas o interrompi imediatamente.
- Você sabe que Jasper não concorda com isso, deixe-o fora disso. – Eu realmente me sentia mal por isso, Jasper e Charlie não se falam a exatos 1 ano e 8 meses, desde o dia em que cheguei em LA, é por mais que Charlie deixei bem claro que não se importa com isso, e ele realmente não se importa, eu me sinto culpada porque sei que Jasper se importa, apesar de negar.
- Se tivesse aceitado o papel, agora estaríamos bem. – ele jogou na minha cara.
Nós? Nós estaríamos bem? Mas quem teria que transar com um estranho de frente as câmeras seria eu.
- Droga pai, eu tô fazendo o meu melhor, mas nunca é o suficiente! – exclamei já totalmente irritada.
Decidi que não havia porquê continuar com essa conversa, que não nos levaia a lugar algum.
- Tô atrasada, tchau! — Desliguei já vasculhando a minha bolsa atrás da minha carteira de cigarros, só achei um, o último, legal, nem cigarros eu tenho mais.
- Posso fumar aqui?- Perguntei ao motorista
Ele apenas deu de ombros, tomei isso como um sim, acendi o cigarro e levei a boca, olhando o relógio, 10h 35 m
-Ainda falta muito?- Perguntei impaciente depois da minha primeira tragada.
- Mais 20 ou 30 minutos.
Encostei minha cabeça no encosto e fechei os olhos tentando relaxar, eu ia chegar atrasada mesmo e não adiantaria surtar agora.
Meu celular tocou de novo, xinguei baixinho, antes de ver quem era. Olhei pra tela, Rosalie, abri um sorriso sincero.
-Não devia ta ocupada com o teste? – Apontei assim que atendi ao telefone.
- Eu disse que ela ta de mau humor.
-Emmet?
-Conferência babe! – ele cantou
-Tão querendo me irritar?
- Onde você está?- Rose interrompeu a eminente discussão,
- No táxi, eu meio que não sabia o caminho
- Haha assume agora que eu sou o melhor, meu conselho foi genial!
- Claro Emmet, por que eu nunca tinha ouvido falar em táxi antes... – debochei
- Nossa você tá azeda demais! – Pelo o tom de voz eu sabia que ele tinha ficado magoado.
Respirei fundo
- Desculpe Emm, só tô nervosa, é um teste importante e vou estragar tudo chegando atrasada. – choraminguei – Você é o melhor!
- Pensei que o Ed era o melhor... – ele lá estava ele me sacaneando novamente
È diferente... falei pra mim mesma
- Devia ter aceitado a carona do Edward.– Rosalie jogou na minha cara.
- Ah Claro! Assim se eu conseguisse mesmo o papel, todos poderiam dizer:” óbvio que o papel é dela, tá dando pro Edward Cullen!”– O motorista me olhou chocado pelo retrovisor.
Meus amigos estavam se acabando de rir do outro lado.
-Mas você nem tá dando pra ele...- Rose disse entre risos
-Não é como se ela não quisesse...
-Emmet! - Eu repreendi irritada -Eu não tô, mas as pessoas iam achar isso...
-Chegamos! – o motorista me alertou
-Cheguei! Já tô entrando Rose... – desliguei o telefone, paguei o motorista e desci do carro tropeçando por causa da pressa.
Entrei na sala correndo e dei de cara com um monte de cópias fies do que seria futuramente, "Virginia Brandon", sentadas elegantemente.
Na hora em que entrei, todas me olharam e começaram a cochichar.
Não vou conseguir o papel! — Exclamei pra mim mesma com uma vontade imensa de começar a chorar.
Respirei fundo endireitando a postura e caminhei até uma mulher baixinha com uma prancheta na mão.
- Bom dia, sou Isabella Swan.
Ela olhou pra prancheta e voltou seu olhar na minha direção.
- Ótimo, só faltava você... – menos um ponto pra mim – ...Pode se sentar.
- Já chamo vocês... – ela falou um pouco mais alto pra que todas pudessem ouvir.
Andei até uma cadeira vazia, me sentei olhando em volta e na mesma hora conclui que deveria ter aceitado a ajuda da Alice sobre o que vestir, como estilista ela certamente saberia, todas estavam vestidas lindamente e usando salto alto, enquanto eu não poderia estar mais informal: jeans, camiseta e converse.
Fechei os olhos tentando esquecer os olhares grudados em mim.
-Vai tentar o papel de Virginia também? — Uma das meninas perguntou me cutucando.
-Hum rum... é ...- confirmei ainda de olhos fechados.
-Tem certeza? — Ela falou soltando um risinho
-Bom, esse é o teste para Virginia Brandon não é?- Falei abrindo meus olhos.
-É, mas você não parece com a descrição dela.
Sacudi a cabeça como quem nem liga pro que ela estava falando, mas a verdade é que não pareço mesmo, e eu repeti isso mil vezes para Edward e Rosalie toda vez que eles insistiam pra eu fazer o teste, sempre respondendo que "isso se arruma facilmente"
- Sou tão branca quanto ela... – respondi com um sorrisinho tentando ser simpática.
- Mas, Virginia é ruiva, como eu! - A menina apontou pra si mesma.
Só então eu reparei nela, muito bonita por sinal, ruiva natural, olhos verdes, branca, realmente ela daria uma ótima Ginny, pelo menos fisicamente.
Isso não vai dar certo, eu deveria ir embora agora mesmo.
- Ainda posso tingir os cabelos ou usar uma peruca – rebati fingindo estar calma.
-Pode ser...mas ainda acho que eles vão preferir alguém que se encaixe pra não ter tanto trabalho – ela deu de ombros.
Seria um longo teste, com certeza!
- Sou Victoria Ston – Ela me estendeu a mão
- Isabella– falei apertando a mão dela
- Isabella? — Ela repetiu
- Isabella Swan – Falei irritada.
- Venham comigo! — A menina da prancheta chamou e todas levantamos imediatamente e fomos atrás dela, passando por um pequeno corredor até chegar em uma sala bem espaçosa. No lado oposto da sala, tinha uma mesa retangular com quatro cadeiras vazias e muitos papéis em cima da mesa.
Algumas cadeiras espalhadas de frente pra grande mesa, foi onde nos sentamos, com uma distância cômoda da mesa que suponho será ocupada pelos responsáveis pela escolha do elenco.
A menina da prancheta parou a nossa frente, no espaço entre nós e a mesa.
- Bom dia meninas eu sou Deborah Aquila, uma das responsáveis pela escolha do elenco de Amor Selvagem, vou acompanhar os testes que vocês farão hoje, vocês sabem que estão aqui para tentar o papel de Virginia Brandon, é um papel de muita importância, por isso, seremos rigorosos. Eu desejo Boa sorte a todas!
Então ela saiu da sala nos deixando sozinhas novamente.
- Com quem você acha que será nossos testes? — Victoria sussurrou ao meu lado.
- Edward e James – respondi automaticamente.
- Como você sabe? — Ele me questionou surpresa
- Você não leu as cenas?- Rebati
Ela balançou a cabeça como se estivesse concentrada.
Eu tinha certeza absoluta que seriam eles, afinal esse é um teste pra escolha da principal atriz e eles são os atores escalados pra integrar o elenco, e bastava ler as cenas pra saber isso: a cena do encontro entre Ginny e Steve, a cena em que Ginny consegue fugir de Tom Beal e ainda tinha a tal cena de expressão, pra qual não havia falas, era essa a cena que me preocupava.
- Ainda pode ser outro atores... — Victoria fez questão de rebater depois de um bom tempo, só pra não ficar por baixo.
Deborah voltou a sala, agora acompanhada de John Huston, James Wood, Edward Cullen e Rosalie Hale, causando certa tensão no ar, todas começaram a sussurrar e soltar gritinhos abafados, patético!
Eles sentaram em seus respectivos lugares enquanto Deborah veio pro nosso lado sentando-se um pouco afastada de nós.
Me senti estranhamente calma na mesma hora em que os vi, Edward me deu um sorriso disfarçado e uma piscadinha de incentivo, me fazendo corar, eu ia dar o meu melhor hoje, por ele, para não desapontá-lo.
Percebi o olhar de Victória em Edward, praticamente o devorando com os olhos, isso me deixou incomodada, tentei não pensar sobre isso, focando minha atenção em John Huston que era o único a continuar de pé.
- Bom dia eu sou John Huston e esses James Wood, Edward Cullen e Rosalie Hale, como vocês já devem saber eles estão escalados para os papeis de Steve Morgan e Tom Beal e Sonya Brandon ... – ele começou a falar ainda de pé, enquanto James, Edward e Rose se sentavam, mexendo nos papeis em cima da mesa — ... Estamos aqui pros testes que vai escolher a nossa Virginia Brandon, mais pra frente vouexplicar o que exatamente eu espero da atriz que for escolhida. Mas antes dos testes individuas começarem eu gostaria que vocês se apresentassem.. – ele concluiu se sentando finalmente, também pegando alguns papeis.
Victoria foi a primeira a se levantar, empolgadíssima e segura de si, me senti de volta ao colegial.
- Olá, eu sou Victoria Ston.
- Olá – os três responderam com cabeça baixa, procurando algo em seus papeis.
John separou algumas folhas, que eu imagino serem as nossas fichas.
- Então, hummm Victoria né? Vejo que você já fez bastantes trabalhos, por que o interesse nesse em especial? — Ele questionou ainda com os olhos em seus papeis.
- É um livro de sucesso mundial, seria útil para minha carreira, fazer parte de algo assim – ela respondeu confiante.
- Certamente ... — Rosalie murmurou olhando pra ela enquanto brincava com uma caneta.
Eu entendi a resposta dela, sincera! Todas estavam ali por isso, talvez eu fosse a única exceção, eu estava ali por algo mais que isso. Mas conhecendo minha amiga como conheço, ela não foi com a cara de Victoria só por causa dessa resposta.
- Por que deveríamos dar a você o papel de Virginia? - Edward perguntou encarando ela.
- Honestamente? - Ela questionou.
Ele concordou balançando a cabeça e passando a mão no cabelo, ele também está nervoso, conclui.
- Sou perfeita pro papel, nenhuma atriz faria uma Virginia melhor do que eu!- Ela respondeu naturalmente.
Owww agora ela acabou de ganhar a antipatia certa da Rose, tenho certeza.
- Tá mais pra doña Ana– Rosalie comentou, arrancando uma gargalhada deliciosa de Edward, deixei escapar um risinho, que rapidamente calei ao notar o olhar de John Smith em mim, pelo jeito fui a única a entender a piada. Deve ser verdade o que dizem sobre a pouca inteligência de atrizes muito bonitas.
Eles continuaram com a entrevista, sempre fazendo anotações, mas sem nenhum comentário a mais.
- Ok, Victoria, Obrigado! Pode voltar a se sentar. – John disse sorrindo amigavelmente pra ela.
- Quem é a próxima?- Deborah perguntou ainda agarrada a sua prancheta, ninguém se mexeu, ela levantou o olhar em nossa direção esperando, resolvi me levantar já que todas as outras pareciam ter se intimidado com a senhorita-tenho-um-talento-e-beleza-imbatível.
Levantei de um salto só, tomando coragem e encarei John Smith que fez um sinal com a mão pra que eu começasse.
- Bom dia, sou Isabella Swan.
- Oi Bella – Edward falou me dando um sorriso lindo, meu coração disparou e toda minha calma foi embora na mesma hora. Me concentrei em mandar um olhar assassino a ele, John Smith e Deborah Aquila não sabem que já nos conhecemos e eu prefiro assim, eu quero esse papel, mas quero por merecimento, pelo meu esforço próprio e não porque sou amiga de alguns atores.
- Oi... — respondi envergonhada.
- Bella, vejo que já fez algumas pequenas participações... John começou e me senti aliviada por ele estar me chamando pelo apelido, lancei um sorriso de gratidão a Edward, que apenas balançou a cabeça distraidamente, arrancando o sorriso dos meus lábios na mesma hora. — ... Mas nenhum grande papel ou grande produção ainda, certo?
- Sim, se eu conseguir o papel, esse seria meu primeiro grandetrabalho. – respondi honestamente
- Como se ela fosse conseguir... – ouvi uma voz comentar com desdém atrás de mim, rapidamente continuei
- Sei que é um papel de grande importância na trama, e que pode parecer complicado interpretá-la já que ela é impetuosa e extremamente mimada e dificulta muito as coisas não permitindo ser domada, mas estou disposta a dar o meu melhor.– completei feliz por conhecer bem o livro, talvez isso ajude.
Rosalie abriu um sorriso, como se estivesse aprovando o que eu disse.
- Parece que você leu "amor selvagem" para o teste. – John disse olhando em meus olhos
- Na verdade, já li toda a serie algumas vezes, há alguns anos atrás.
- Então temos aqui uma fã?
- Pode se dizer que sim, Rosemary Rogers escreve muito bem e o fato de fugir do estereotipo dos romances conhecidos me fascina.
- Prefere os livros ou os filmes?
- Os livros – respondi automaticamente
Edward engasgou em uma risadinha abafada, olhei pra ele desesperada, eu deveria ter dito os filmes, é claro, estou aqui pra um teste de cinema, idiota, me xinguei mentalmente, ele apenas balançou a cabeça negativamente, pra que eu não me preocupasse e passou as mãos pelo cabelo, instintivamente fiz o mesmo, Rose riu alto me despertando.
John me olhou surpreso, mas depois soltou uma gargalhada.
Tentei relaxar.
- Como você mesma disse, é um papel de importância, acha que está apta?
Isso me pegou desprevenida, eu não sei sou boa o suficiente pra integrar esse elenco, minhas mãos começaram a tremer levemente e meu pé a tamborilar no chão, endireitei minha postura antes de responder.
- Sei que sou inexperiente ainda, e não estou certa do quanto isso pode ser um empecilho para vocês, mas estou disposta a dar o meu melhor e garanto que posso aprender rapidamente, desde que me seja dada uma chance. – tentei soar tranqüila e segura, mas internamente eu já dava esse teste como fracassado.
- Não me importo em ter um ator novo em meu elenco, desde que ele tenha talento e força de vontade. – ele comentou anotando alguma coisa.
Soltei um suspiro de alivio.
- Está trabalhando em algo no momento?
- Nenhum roteiro no momento, apenas meu trabalho diário, que não seria um empecilho – Garanti
- E no que você trabalha?
Ele não fez tantas perguntas assim pra Victoria, isso é bom ou ruim?
- Sou garçonete
Ouvi uns risinhos atrás de mim, levantei a cabeça, mordendo meu lábio inferior, dei de cara com uma Rosalie bufando e Edward revirando os olhos.
Não vejo problema algum em ser uma garçonete, pelo contrario tenho, muito orgulho, já que é graças ao meu trabalho que não morri de fome, depois que cheguei a Los Angeles, mas não tinha como não ficar intimidada por estar no meio de pessoas que conseguem se manter muito bem, só com os filmes que fazem.
- Você sabe que tentamos seguir ao máximo o que está descrito nos livros, e segundo o livro Virginia seria ruiva isso seria um problema? – ele perguntou me encarando
Ouvi mais um risinho atrás de mim, esse certamente era de Victoria.
- Não! – respondi firmemente.
Eu realmente gosto dos meus cabelos como estão, castanhos, mas se pra conseguir o papel, tiver que colorir e ficar parecendo uma vadia ruiva, eu faria, sem problemas.
- Você me parece o tipo de garota que procura estar sempre em atividade, faz algo a mais além de atuar?- James estava se dirigindo a mim pela primeira vez e a pergunta dele me deixou extremamente nervosa, apenas pela forma, com que ele falou como se tivesse algo por trás.
- Eu tenho alguns textos e músicas, mas são só rascunhos no momento, assim como canto apenas por diversão.
Ele me deu um sorrisinho debochado como se não fosse essa a resposta que ele esperava.
- Uma atriz com muitos talentos... – John roubou minha atenção, sorrindo abertamente em direção a Rosalie e Edward que retribuíram. -...Acho que já acabamos Bella, muito obrigado! Pode se sentar agora.
Voltei ao meu lugar, tentando normalizar minha respiração.
- Se você tem uma voz legal, é uma pena que não seja um musical, isso poderia te ajudar. – Victoria me disse baixinho, antes de outra pessoa se levantar.
Preferi ignorar focando minha atenção ao começo de uma nova rodada de perguntas.
Continuei calada, facilmente ignorando os comentários felinos de Victoriaa, me distraindo apenas quando encontrava o olhar de Edward, que definitivamente não estava prestando nem um pouco de atenção no que estava acontecendo, brincando com uma caneta e uma folha qualquer e passando a mão nos cabelos a todo o momento. Até que ouvi John agradecer a última candidata.
Deborah foi a nossa frente, ainda com a sua prancheta em mãos, eu já estava começando a ficar com receio de tantas anotações.
- Nós vamos parar um pouco agora, para o almoço, daqui uma hora, estejam todas aqui, pros testes individuais.
Tentei sair rapidamente da sala e voltar pra saleta de espera, me sentei apenas pra procurar alguma coisa que eu pudesse comer na minha bolsa, sempre tinha algum biscoito ou doce comigo, mas tudo o que encontrei foram os pacotes vazios, verifiquei o quanto ainda tinha de dinheiro, era o suficiente pra um café duplo, teria que servir.
- Vai almoçar com a gente? — Olhei pra cima e dei de cara com a menina prepotência em pessoa.
- Ahh não, obrigada! – tentei soar educada
- Tem certeza? — Ela insistiu
- Hum rum... — deixei escapar me levantando e indo em direção a porta.
Atravessei a rua e andei em direção contrairia aos carros que passavam, ia procurar por alguma lanchonete, encontrei uma cafeteria bem na esquina, só o cheiro, já me enjoou, mesmo assim entrei e fui até o caixa pedindo um café duplo.
Voltei a atravessar a rua, agora com o meu café/almoço em mãos parando de frente a uma arvore imensa que fazia uma sombra gostosa e me sentei no meio fio, levei o copo de café a boca e fiz uma careta, estava quente e o gosto era horrível, pelo menos pra alguém que não gosta de café.
Me encostei no tronco da árvore, olhando o outro lado da rua, as pessoas que passavam, as lojas... tudo tão igual aos sonhos que eu tinha quando cheguei aqui, e tão diferente do que encontrei de verdade, me forcei a beber um gole maior do meu café, fazendo uma careta ainda mais feia.
- Café? – Ouvi a voz de Edward atrás de mim, abri um sorriso imenso, mas me obriguei a não olhar pra trás.
Patético Bella que você tenha essas reações idiotas por ele.
— É...
- Desde quando você gosta de café?- Ele perguntou se sentando ao meu lado
Continuei olhando pra frente, sentindo agora seu cheiro, seu calor, sua presença.
Pare com essas reações infantis, Isabella.
- Desde de agora –respondi simplesmente.
Ele gargalhou, me fazendo estremecer, mas era tão gostoso e contagiante que comecei a rir junto, eu nunca consegui mentir pra ele mesmo.
- Isso... – ele começou a falar tirando o café da minha mão, fechei os olhos quando senti o toque dele, e me entregando um saco do Mc Donald - ... significa que agora você não gosta mais de fast food? — Olhei pra ele, e ele tinha um biquinho memorável.
- E quem te acompanharia se eu fizesse tamanha maldade?
- Melhor assim... – ele piscou pra mim e começou abrir o seu próprio saco.
Fiquei parada olhando a forma com que ele passava a mão no cabelo, distraidamente.
- Não vai comer? - Ele me perguntou sorrindo.
Voltei minha atenção pra comida, mas logo depois da minha primeira mordida, Edward tomou o saco da minha mão, trocando os nossos lanches.
- Você nunca vai cansar de fazer isso?- Perguntei pegando o lanche que originalmente era dele.
- Eu como do seu, você como do meu... – ele deu de ombros
- Mas são os mesmo Edward, isso é ridiculo!
- Não acho! Fica mais gostoso assim...
É eu também achava, mas por uma razão diferente, eu podia sentir o gosto dele assim.
Dei uma mordida no sanduíche, me deliciando com o gosto.
- Não deveria tá almoçando com os outros?- Eu perguntei passando o sanduíche que estava na minha mão pra ele e pegando o que estava na mão dele.
- E perder a oportunidade de comer isso?...- Ele disse apontando pro hambúrguer que estava na minha mão — ... o gosto é tão bom! – falou dando uma mordida no sanduíche que eu passei pra ele.
Dei mais uma mordida.
Trocamos o sanduíche de novo e de novo.
- Você sabe que isso de trocar lanches é infantil e idiota né? – eu comentei quando estava passando o ultimo pedaço pra ele, ele pegou da minha mão, levou a boca com os olhos fechados, eu deu um sorrisinho - você parece uma criança assim!– completei.
Ele deu de ombros ainda de olhos fechados.
Voltei meu olhar pra frente, quando senti ele chegar mais perto e me puxar em um abraço, notei que meu coração começava a pular.
- Você ainda não comeu seu último pedaço – ele falou mostrando o pedaço que estava na mão dele.
Tentei pegar e ele desviou, revirei meus olhos
-Como eu disse: criança – Ele virou meu rosto, levou o ultimo pedaço de hambúrguer a minha boca, instintivamente eu abri meus lábios, ele colocou o sanduíche dentro da minha boca, e apertou minha bochecha, comecei a mastigar envergonhada.
-É tão bom ser criança com você! – ele falou dando um beijo em minha testa.
Abaixei minha cabeça tentando esconder o rubor em meu rosto.
- Já temos que voltar?- Tentei desviar do assunto.
- Ainda temos mais alguns minutos...
- Você não tem que resolver nada com eles Edward? Eu não quero atrapalhar.
- Já está tudo resolvido, e bom eu e Rosalie nos abstemos de votar, portanto vai ser uma decisão do John e da Deborah e talvez o James dê alguma sugestão.
- Isso é bom – eu deixei escapar.
- Mas isso é só depois das cenas... James e Rose resolveram ficar lá conversando sobre a produção em si.
- Você não deveria estar lá então?
- Eu deveria estar onde estou. Quer passar as cenas?
-Não acho que seria justo com as outras candidatas.
-Nem sempre o mundo é justo.
-Edward, você sabe que só quero esse papel se for por merecimento próprio, nem pensei em...
-Eu sei, não concordo, mas aceito... – ele me interrompeu — ... por isso eu e Rose nos abstemos de votar, assim como omitimos o fato de que você é uma grande atriz que já conhecemos.
Revirei meus olhos assim que ele pronunciou "grande atriz"
-Para com isso, você é ótima no que faz! – ele falou irritado.
-Ninguém serve mesas como eu – falei em tom de brincadeira.
Edward me olhou de cara feia e se levantou, mas logo me estendeu a mão, pra me ajudar a levantar, logo estávamos voltando em direção ao estúdio.
- Não gosto quando você se diminui assim – ele falou sério, me entregando uma carteira de cigarros
- Black?- Eu perguntei pra tirar a tensão que ficou no ar, afinal eu sou o que sou e cada vez tenho mais certeza que nunca vou ser como ele.
- Ahh não me diga que agora você gosta de Marlboros? — Ele perguntou com uma falsa tristeza, tragando o seu cigarro e soltando a fumaça na minha cara.
Arghhhhhhhh – fiz uma careta que nos fez rir juntos.
De volta ao estudo eu podia sentir meu estômago se revirando enquanto esperava ser chamada pro teste individual, algumas das candidatas já haviam sido chamadas e rapidamente deixaram a sala bufando, isso só aumentava meu nervosismo, sempre ouvi dizer que John Smith é um diretor muito exigente, e pra aumentar minha agonia, Victoria Ston, a atriz perfeita, estava fazendo seus testes nesse exato momento e como ela não retornou rapidamente, significa que está se saindo bem, o que significa pra mim, que terei que disputar o papel com ela.
Alguns minutos depois Victoria voltou radiante, mas invés de ir embora resolveu se sentar ao meu lado, certamente pra soltar mais algum comentário completamente dispensável, resolvi ignorar me concentrando nos testes que teria que fazer.
- Nervosa?– Ela me perguntou
- Não – Menti - Não vai embora? – Soltei impaciente
- Ahh ainda não... Bom só falta você, então posso esperar mais uns cinco minutos, assim quando você sair da sala, já vou saber que o papel é meu.
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, Deborah já estava me chamando.
- Talvez você se canse de esperar – murmurei pra Victoria antes de me levantar.
- Pronta? – Deborah me perguntou antes de me conduzir de volta a sala.
- Sim!
Na sala ainda estavam Edward, Rosalie, James e John, todas as cadeiras e a mesa tinham sido retiradas. Eles estavam sentados no chão, em circulo, discutindo alguma coisa, assim que eu entrei, John se levantou e veio me cumprimentar.
- Isabella Swan, certo? – John falou me estendendo uma mão livre enquanto outra segurava a minha ficha, repleta de anotações que não consegui ver o que era. Apenas sorri aceitando o aperto de mão.
- Gostaria de discutir com você como faremos o teste, se importa em sentar conosco no chão?
- Absolutamente – Respondi já me sentando ao lado de Rosalie.
- Você já deve saber que James Wood está escalado como Steve Morgan, o par romântico de Virginia, Edward Cullen interpretará Tom Beal, com quem Ginny terá cenas muito fortes, por isso eles estão aqui hoje, assim como Rosalie Hale tem o papel de Sonya Brandon, madrasta de Virginia e antigo affair de Steve, mas Rose também é uma grande idealizadora desse projeto, e eu serei o diretor, alguma pergunta? – John me disse tranquilamente, mas ainda estudando minha reação.
Apenas balancei a cabeça negativamente.
- Bom, Bella, teremos três cenas, em uma delas você terá a ajuda de James, em outra a de Edward e ainda teremos uma cena em que você estará sozinha, tem suas falas decoradas?– John me questionou
- Certamente – Obriguei a minha voz sair clara, mas o nervosismo estava tomando conta.
- É natural ficar nervosa, apenas faça o que sabe fazer – Rosalie tentou me incentivar.
-Gostaria de começar por qual cena? – John falou mexendo em sua cópia do roteiro.
-Podemos começar pela cena de expressão?
-Tem certeza?- Edward me perguntou parecendo nervoso.
Essa era a única cena que eu realmente não tinha confiança que me sairia bem, então seria bom, acabar com isso logo, se eu passasse por essa, estaria ainda mais segura pra fazer as outras.
-Se não tiver problema pra vocês, é claro – agora minha voz soou perfeitamente clara.
-Ok, então vamos lá... – John falou se levantando, eu me levantei em seguida, enquanto os outros se encostavam a parede ainda sentados nos dando espaço – Nós faremos agora a cena em que Virginia presencia a tortura de Steve, no livro podemos ver que ela não esta sozinha nesse momento, mas pelo ponto de vista de Steve, ele não consegue entender o que realmente está acontecendo, e vamos mostrar esses dois lados no filme, portanto quero que me mostre como você interpretaria Ginny sendo obrigada a ver seuMarido sendo torturado até perder a consciência, sem poder fazer absolutamente nada por ele. Quando estiver pronta...
Fechei meus olhos, respirando fundo e lembrando da cena como era descrita no livro, eram muitas as emoções de Virginia, ela finalmente tinha se dado conta do amor incondicional que sentia por Steve, e portanto ela tinha medo, muito medo do que aconteceria com ele, isso era claro, tentei mostrar isso em meu rosto e não foi tão difícil quanto imaginei, me permiti lembrar de Edward e de como me senti com ele e tentei dolorosamente imaginá-lo no lugar de Steve, na mesma hora senti meu coração apertar, uma dor imensa se formar, se fosse eu no lugar de Virginia e Edward no lugar de Steve, certamente eu morreria presenciando aquela cena, voltei a me concentrar tentando lembrar dos detalhes do livro, Ginny também se sente culpada, afinal foi por ela que Steve se entregou, assim como ela sentia ódio, um ódio descomunal do coronel francês que armou para os dois, fazendo com que Steve acreditasse que ela o traiu, conforme fui me lembrando, podia sentir minha expressão mudando em resposta aos meus pensamentos e sentimentos, amor, tristeza, dor, culpa, ódio, mais culpa e muito mais dor. Permiti que algumas lágrimas silenciosas e solitárias caíssem, me lembrando que no momento da cena Virginia não podia em momento algum demonstrar sua dor por palavras ou gestos, mas que ela não conseguiu evitar algumas poucas lágrimas.
Respirei fundo abrindo meus olhos novamente, esperando, sinceramente que John, agradecesse minha presença e me dispensasse. Mas o encontrei me encarando com cuidado e depois que percebeu que já tinha voltado a minha expressão natural, sorriu pra mim.
-Tudo bem? – Ele me perguntou
- Sim – disse tranquilamente
-Estou impressionado, pode me dizer quais sãos os sentimentos de Ginny nessa cena, na sua concepção?
-Tristeza, amor, dor, ódio, culpa, é uma mistura de sentimentos muito grande, mas acho que acima de tudo dor... dor por não poder fazer nada e dor por ter sido de alguma forma responsável pelo o que estava acontecendo.
-Exatamente o que demonstrou, parabéns!- ele me disse sorrindo.
Me permiti sorri em resposta um pouco mais confiante agora.
- Qual faremos agora? – ele perguntou se dirigindo aos atores no canto da sala, James me encarava, me olhando de cima a baixo, um olhar que me deixava arrepiada, me passava medo, realmente ele foi uma ótima escolha pro papel, exatamente o que Steve provoca em Virginia, Edward sorria lindamente pra mim, e Rosalie comentava alguma coisa baixinho com Deborah.
- Acho que pode ser a minha, o que acha?– James falou se levantando
John olhou em minha direção, balancei a cabeça positivamente.
-Quando estiverem prontos...
Me posicionei de frente a James esperando que ele segurasse os meus pulsos como era descrito no roteiro, quando ele o fez, entrei no personagem, me transformando completamente numa francesa minada e prepotente que estava se sentindo duramente ultrajada por estar ali.
- Ora, ora! Então você é Frenchy... – James começou a citar o texto.
E assim como estava no roteiro, ele levou seus lábios de encontro ao meu com urgência e violência, enquanto eu tentava me libertar, mas pra minha surpresa James me levou para mais perto, me apertando com mais força que o necessário e insistia em tentar me beijar de verdade, forçando a entrada de sua língua em minha boca, na mesma hora, tentei me soltar, mas ele me prendeu ainda mais forte, e eu usei toda minha força até que ele me soltou, enquanto eu ainda o estapiava, ele me olhou incrédulo.
- Maldita puta francesa, o que pensa que está fazendo? – Ele voltou a citar o texto como se fosse a coisa mais natural do mundo, me fazendo borbulhar de ódio.
Tentei me focar no teste novamente.
-Seu.. seu.. mostro, como ousa me tratar assim? – citei minha parte do texto.
- Ok, ok, já está bom – John falou animadamente, enquanto eu lutava pra me acalmar.
Abaixei minha cabeça, tentando conter as lágrimas de frustração, maldito atorzinho convencido, conseguiu me tirar do sério e provavelmente me fez perder de vez qualquer chance de conseguir o papel.
- Foi realmente boa, não acha John? Eu diria que é como seu eu realmente estivesse tentando beijá-la a força... – James comentou vindo em minha direção.
Automaticamente me afastei, indo em direção aos outros atores, Rosalie mantinha um sorriso no rosto e Edward me olhava parecendo preocupado, apenas balancei minha cabeça em sua direção, como que dizendo que estava tudo bem.
- Então, acho que agora sou eu – Edward disse já de pé, ao meu lado.
-Pronta?– Ele me perguntou gentilmente.
Levei alguns segundos para responder abrindo um sorriso pra ele.
Edward me posicionou me mantendo de pé, me segurando apenas pelo braço, enquanto eu fingia tentar cobrir meu corpo, assim como o roteiro pedia.
- Se quiser ver mais, terá que pagar! – Edward citou pros outros atores sentados que nos encaravam atentamente.
Vi John atirar contra mim umas moedas, exatamente como aconteceria na cena.
- Oh não! Por favor não! – citei meu texto já soluçando desesperadamente.
Edward encarnando Tom Beal, me deu uma falsa bofetada, me deixando cair teatralmente ao chão e me puxando novamente com brutalidade.
- Faça-a se calar – John citou uma fala do texto.
E quando Edward avançou sobre mim, eu me desvencilhei me curvando e fingindo pegar algo amarrado a minha coxa, ergui minha mão em direção a Edward pronta a atacá-lo.
-Sua cadela... – Edward disse sua última fala.
Deixei minha mão cair em direção ao seu pescoço, encenando uma facada em suagarganta, fingi deixar a faca invisível cair, vendo Edward permitir que se corpo fosse ao chão, levando suas mãos protetoramente ao seu pescoço.
- Ok, ótimo! – John gritou.
Me abaixei, pegando na mão de Edward pra ajudá-lo a levantar, ele me mandou um sorriso torto que me fez meu coração saltar, nos colamos de pé, e senti Edward me abraçar.
-Você foi maravilhosa! – Ele exclamou contra o meu ouvido
- Digo o mesmo.– Rose falou também me dando um abraço tímido.
-Rosalie gostaria de dizer algo, já que você é uma das grandes responsáveis pela existência desse filme? – John perguntou.
Rose me olhou com um sorriso imenso no rosto, esse era um dos nossos livros prediletos, o livro das três irmãs, como Rose, Alice e eu, costumávamos dizer, era um projeto nosso, transformar isso em filme, ainda quando éramos só adolescentes bobas entediadas com o frio de Forks, nossa cidade natal, então Rose conseguiu alavancar sua carreira como atriz, e quando me mudei pra Los Angeles, para tentar a minha, ela me revelou que estava pondo em prática o nosso plano de anos atrás.
- Parece que já temos nossa Virginia Brandon! – Rose disse eufórica.
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