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72 Capítulo 09 - Fase III - Let's talk - Parte I


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 09 – Fase III – Let’s talk – Parte I

"Todo amor é eterno. E se acaba, não era amor".

Nelson Rodrigues

Edward Cullen

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A rejeição e o ciúme têm, de fato, um gosto amargo. Eu pude constatar isso enquanto observava a minha família.

Não existia nada que eu desejasse mais do que estar com eles, mas eu estava, terrivelmente, cansado do interminável jogo de gato e rato que Bella e eu estivemos jogando a semana inteira. Por isso, eu me mantive afastado, recostado à porta da varanda, observando a forma como Bella e Ben corriam pela areia, ouvindo as suas gargalhadas e tendo meu coração massacrado ao constatar que eu a tinha perdido.

Riley estava com eles, é claro. Ben o aceitou de imediato e, por mais que eu quisesse encontrar algo para ser contra a essa ligação, o cara não era nada além de excepcional. E eu o tinha provocado até o limite – o meu limite – apenas para vê-lo ignorar a minha atitude.

Eu queria odiá-lo, mas tudo o que consegui foi ter inveja e uma dose cavalar de ciúme. Eu queria estar no lugar dele.

Obviamente, Bella e seu namorado não expuseram o seu relacionamento, muito pelo contrário. Mas ainda existia a troca de olhares, os sorrisos... As pequenas coisas que eu costumava compartilhar com ela.

Eu daria a minha vida por uma segunda chance, mas aparentemente eu tinha chegado tarde demais. Eu deveria deixá-la em paz, mas eu, simplesmente, não era capaz. Como eu seguiria em frente sem ela?

- Papai? – Eu tentei sorrir para o meu filho que corria em minha direção ou, ao menos, me recompor, mas ele era esperto demais. – Tá chorando? – Ele perguntou baixinho quando eu me ajoelhei a sua frente.

- Não... Foi só uma poerinha que caiu no meu olho. – Menti, apenas porque não saberia lhe explicar o porque da minha melancolia.

Ben me puxou para mais perto e depositou um beijo em cada um dos meus olhos.

- Tá melhor?

— Muito! — Eu o abracei e me senti grato por tê-lo, por seu amor puro e sem reservas, por saber que ele sempre estaria comigo. Eu ainda precisava de Bella, mas Ben poderia me manter inteiro caso eu não a reconquistasse.

- Olha... – Ele me amostrou uma concha. – Riley achou!

- É bonita, filho.

- Mamãe vai me levar para tomar sorvete... Vamos?

- Eu acho melhor não... – Eu poderia, e existia uma grande parte de mim que queria ir junto, mas impor a minha presença não estava ajudando em nada. – Eu vou estar bem aqui quando você voltar.

...

Eu fitei o por do sol com atenção. Não porque estive, de fato, interessado em apreciar o espetáculo da natureza, apenas porque não existia mais nada que eu pudesse fazer para tentar desanuviar a minha mente. Não foi de grande ajuda.

Antes que os últimos raios de sol se apagassem eu me lembrei de como o cabelo de Bella costumava ganhar reflexos avermelhados e o quanto achava isso bonito.

De repente, sem explicação, eu quis chorar, gritar, quebrar alguma coisa ou, até mesmo rir. E, por fim, desejei, com fervor, ser capaz de esquecê-la, de tirá-la da minha mente e do meu coração.

- Vocês dois têm muito em comum... – Eu ouvi a voz masculina soar as minhas costas. Poderia ter me dignado a olhá-lo, mas mantive meu rosto voltado para o horizonte. Era melhor enxergar o mar do que aquele que tinha aquilo que eu desejava. – Não conseguem enxergar aquilo que está bem diante dos seus olhos.

- O que você está fazendo aqui? Não deveria estar se ocupando em roubar a minha família? – Eu não fui capaz de evitar o tom acusatório. – Ou, talvez, tenha vindo se vangloriar.

- Eu não quero roubar a sua família, mas não vou, simplesmente, desaparecer como você deseja. E, também, não quero me vangloriar... Nem mesmo poderia.

- Então, o que é que você quer? – Eu me virei em sua direção e o encarei.

- Isso, realmente, importa? O que interessa é: o que você quer?

- Eu quero quebrar a sua cara para começar... – Disse honestamente.

Não que eu tivesse encontrado qualquer razão plausível para isso, mas ele estava romanticamente envolvido com a minha mulher... Era motivo suficiente para mim.

- Você não seria capaz disso, mesmo se eu resolvesse aceitar as suas provocações.

- Você não me conhece. Não sabe do que eu sou ou não capaz.

- Eu sei que... – Eu não o deixei terminar. Antes que ele pudesse se esquivar, eu já o tinha acertado com um soco.

Era bom.

Não resolveria ou meus problemas. Não me traria Bella de volta, mas era bom.

Riley sorriu. Com vontade.

- Eu disse que são parecidos... Um catalisador é tudo o que precisam. Mas quer saber? Está ficando irritante ver vocês desperdiçando o que eu daria minha vida para ter.

Eu poderia, e até deveria, ter parado para ouvir o que ele dizia, mas eu apenas o acertei novamente.

Ele se afastou.

- Eu não vou revidar.

- Por quê? – Eu dei um passo em sua direção. – Quer mostrar que é melhor do que eu?

- Porque eu quebraria a sua cara, acredite. E não ganharia nada com isso.

Ele usou o seu braço para se defender do meu próximo ataque e me empurrou de encontro a uma árvore.

- Pare de tentar brigar comigo e empregue a mesma energia em tentar salvar o seu casamento.

- Que espécie de jogo é esse? – Eu ri sem humor. – Você, o cara que está dormindo com a minha mulher, me dizendo para salvar o meu casamento?

Eu tentei acertá-lo mais uma vez, mas foi o meu rosto que foi atingido. A força empregada no golpe me fez cair sobre a areia.

- Eu vou repetir: Eu não quero roubar a sua mulher. – Ele se aproximou de mim e, por um segundo, imaginei que ele continuaria a briga, mas tudo o que ele fez foi me encarar. – Mas, que fique claro, eu não vou deixá-la sozinha. Enquanto ela quiser que eu esteja ao lado dela, eu estarei. Então, deixe de agir como um idiota e faça alguma coisa.

Eu soltei um suspiro e tombei a minha cabeça de encontro a areia fofa.

- O que você espera que eu faça? Ela, simplesmente, não me ouve.

- Bella vai me odiar por dizer isso, mas a obrigue a te ouvir. – Ele sugeriu. – Se você tem algo a dizer, faça com que ela escute.

Eu o olhei.

- Por que você está fazendo isso?

- Porque eu quero que ela seja feliz... – Ele respondeu de imediato e, para aumentar a minha surpresa com o seu comportamento, estendeu a sua mão com a intenção de me ajudar a levantar. – E ela só vai ser feliz, de verdade, com você.

Talvez tenha sido a vontade desesperadora de me apegar a qualquer efêmera esperança de reconquistar a mulher que amo que me fez aceitar os conselhos que Riley me dava. Eu levantei a minha mão e apertei a dele. Com um aceno de cabeça ele me ajudou a ficar de pé.

- Eu não sei se confio em você. – Confessei.

- Não confie. – Ele disse. – Porque se você a perder, eu ocuparei o seu lugar.

- Você vai precisar passar sobre o meu cadáver primeiro.

- Com os soquinhos que você dá, não vai ser muito difícil. – Ele zombou. – Agora, saia daqui, antes que eu me arrependa de tudo o que te disse.

Eu segui o seu conselho. Lhe dei as costas e comecei a caminhar em direção a casa de Bella.

- Edward? – Ele chamou antes que eu tivesse dado cinco passos. Eu parei e o olhei por cima do ombro. – Eu nunca dormi com ela.

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Bella Cullen

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Estava sendo difícil. Muito. Estar tão perto dele e, ainda assim, fingir que ele não me afetava. A cada vez que meus olhos pousavam sobre ele, eu podia sentir o acelerar do meu coração, a vontade crescente de me entregar.

Mas eu não podia. Não podia porque sabia que isso só nos faria sofrer. Poderia dar certo no primeiro momento, mas, em algum momento, algo aconteceria e nos afastaria novamente.

Sem contar o fato de que eu não conseguia, nem por um momento, esquecer o fato de que ele tinha dormido com Victoria. E lembrar-me disso, a todo o momento, estava me roubando as forças.

Todo o muro de proteção que eu consegui construir ao meu redor nos últimos meses parecia ruir diante da presença de Edward.

Eu tinha conseguido, não sem muito esforço, evitá-lo durante os últimos dias. Mas a cada segundo a minha força de vontade parecia esvanecer. E se eu escorregasse, se eu me permitisse cair, mais uma vez, voltaríamos ao que éramos. E eu não queria voltar a ser aquela Bella dependente, sempre com medo, e que se escondia de tudo e todos e que o usava como uma muleta. Eu não merecia isso. Ele não merecia isso.

- Mamãe? Mamãe! – Ben gritou se jogando sobre mim e eu me obriguei a não pensar em mais nada que não fosse ele.

- O que foi, meu amor?

- Pra você... – Ele me ofereceu um desenho e eu o aceitei com um sorriso.

Eu não precisei perguntar para saber do que se tratava, ainda assim ele me disse:

- É você... – Ele apontou para um dos bonequinhos no papel. – Eu e o papai. Estamos passeando na praia.

- Tá lindo, filho! Obrigada!

Ele me deu um sorriso, apenas por alguns segundos e então se afastou.

- Hey, o que foi? – Perguntei, deixando o meu lugar no sofá e me sentando ao seu lado no chão em meio a um monte de lápis de colorir, giz de cera e papel rabiscado.

- Não quero ir embora.

- Oh, meu amor... – Eu o puxei para o meu colo. – Lembra do que eu falei? A mamãe também vai voltar, logo logo e então nós vamos nos ver sempre. Eu vou te visitar. Eu prometo.

- Não quero! – Ele fez um biquinho.

- Não quer? Não quer que eu vá te ver?

- Quero morar com você... E com o papai.

Eu tentei pensar no que dizer, em como explicar a uma criança que seus pais não morariam mais juntos, mas não consegui encontrar as palavras e tudo só ficou pior quando ele começou a chorar. Não era uma pirraça, era um choro baixinho, sofrido e que quebrou o meu coração.

Eu o abracei apertado.

- Eu te amo, filho! – Sussurrei no seu ouvido. – E não importa a onde eu more, eu vou sempre te amar.

...

Eu consegui reprimir a minha própria vontade de chorar até que conseguir acalmar Ben. O coloquei na banheira, o que sempre melhorava o seu humor e o deixei brincar um pouco. Tive o cuidado não encher muito a banheira, apenas até a altura dos seus tornozelos, liguei a babá eletrônica, lhe dei um beijo na testa e, aí sim, caminhei até a minha cama, me joguei sobre ela e chorei.

Chorei pelo meu amor perdido. Chorei pela dor da traição que ainda me atingia. Chorei pelo menino na banheira que estava sofrendo tanto quando eu. Chorei por não ser capaz de perdoar. Chorei por não ser capaz de esquecer. Chorei por não ser capaz de arrancar Edward do meu coração.

E continuei a chorar, até que senti uma mão deslizando sobre os meus cabelos.

Eu sabia, pela energia que corria dele para mim, que era Edward ali. Meu inferno e paraíso particular, tudo em um homem só.

- Vá embora. – Pedi, mas embora eu tenha tentado colocar autoridade em minha voz, tudo o que consegui foi ter as suas mãos, agora no meu rosto, me obrigando olhá-lo.

- Você vai me ouvir. – Ele sussurrou. – Você vai me ouvir, Bella. Eu não vou sair daqui até que você ouça.

Eu o empurrei o suficiente para conseguir algum espaço para me levantar.

Eu tentei manter a minha voz baixa para não chamar a atenção de Ben.

- Eu não tenho nada para ouvir.

- Mas você vai. – Ele disse com firmeza. – Eu já esperei muito.

Eu o olhei com evidente mau humor e, como ele aumentava o seu tom de voz, me encarreguei de fechar, totalmente, a porta do banheiro, não sem antes dar uma olhada em Ben que continuava entretido na banheira.

- O que é que você pode ter para me dizer? Nada que você diga vai mudar o que aconteceu.

Ele não respondeu com palavras, apenas se apossou do meu braço e me puxou em direção ao corredor.

- O que você está fazendo?

Ele continuou a, praticamente, me carregar até que chegamos ao quarto que ele estava ocupando. Só então me soltou e se voltou em direção à porta, trancando-a. Eu o fitei incrédula quando ele guardou a chave no bolso da calça que usava.

- O que você está fazendo? – Perguntei, mais uma vez, quando ele voltou a se aproximar de mim, ciente de que essa proximidade não me traria nada de bom.

Eu precisava me afastar. O quanto antes. O mais rápido possível. Antes que eu perdesse o controle e me jogasse nos braços dele.

- Eu só... Por favor, Bella, só me deixe explicar.

- Não há o que explicar... – Recuei, me recusando a reconhecer que a corrente elétrica que sempre nos uniu ainda existia.

Isso acabou. É passado. Ele decidiu assim.

Esqueça. Bella!

- Você não deveria estar aqui... – Eu comecei a dizer. – Não deveria...

- Eu sei. Você tem alguém agora e...

- Você também. – Retruquei porque não era justo que ele simplesmente aparecesse depois de todo esse tempo, me obrigasse a ouvir seja lá o que ele quisesse dizer e tentasse me fazer sentir culpada por ter seguido em frente.

Não ele. Não quanto ele foi o primeiro a passar por cima de tudo. Por cima de mim.

- Eu não tenho ninguém. – Ele disse com firmeza. – Eu não sei porquê você acredita nisso. Mas eu não tenho ninguém.

- Você não sabe porquê... – Eu não fui capaz de manter o meu tom de voz baixo. – Talvez seja porquê eu vi um maldito vídeo onde você está na cama com o outra mulher, a mãe do seu filho.

- Me deixe explicar... – Ele pediu, mais uma vez.

- O que há para explicar, Edward? Eu vi!

- Eu sei. E não posso, se quer, imaginar como você se sentiu, mas eu... Eu errei, eu sei. Mas em nenhum momento eu quis estar li, fazendo o que fiz.

Eu cruzei os meus braços em uma clara postura defensiva.

- O que você vai me dizer? Que ela o obrigou? – Eu soltei um riso histérico. – Não importa! Aconteceu e eu não posso e nem quero lidar com isso.

- Eu tentei tudo... – Ele se sentou na beirada da cama, seu olhar sobre mim. Eu juro que tentei de tudo. Eu pensei que era o certo... Que conseguiria sozinho.

- Nada do que você diz está fazendo sentido. – Eu retruquei. – E nunca vai fazer, sabe por quê? Porque não importa o que o tenha motivado, não importa o que você tenha pensado, aconteceu e não há como mudar isso.

- Hoje eu sei que nunca deveria ter escondido qualquer coisa de você, mas eu pensei... Na época, eu pensei que seria o melhor... Para você. Eu não queria que você fosse exposta. Eu não queria vê-la sofrer...

- Você não queria me ver sofrer? Então, me deixou ir embora, nunca me procurou, me enviou um advogado com um pedido de divorcio... Você, realmente, acha que estava me fazendo feliz?

- Ela disse que usaria o que aconteceu com você para conseguir a guarda de Ben. Disse que alegaria que você não tinha condições de cuidar dele. Disse que...

- Eu sei! – Eu gritei. – Eu ouvi. Ouvi o que o advogado te disse naquele dia, então eu voltei para o nosso quarto, deitei na nossa cama e pensei: “Tudo bem! Nós estamos juntos. Vamos lidar com isso juntos...” E então você apareceu... E... Acabou.

- Eu quis te proteger. Evitar que tudo viesse à tona.

- Em, algum momento, passou pela sua cabeça que, talvez, eu não me importasse? Não quando o preço seria perder você e Ben.

- Não. – Ele respondeu. – Eu não pensei nisso, Bella. Não pensei porque sabia o quanto era difícil para você se quer pensar sobre tudo isso, imagina ter que falar sobre isso, ter toda a história exposta de uma forma deturpada... Não pensei porque eu queria, apenas, mantê-la em paz. Eu só percebi a burrada que tinha feito quando a vi naquele programa de TV... Mas, então, eu não podia mais voltar atrás ou apagar o que eu tinha feito.

Eu ainda queria gritar com ele, dizer que nada disso importava, mas o olhar que vi em seu rosto enquanto suas palavras foram proferidas me fizeram perder a voz. Eu vi tristeza, dor... arrependimento.

- Eu... eu sinto muito. – Consegui me forçar a dizer. – Eu sinto muito que eu tenha te feito sentir assim, achando que tinha que me proteger o todo tempo.

- É mais do que isso, Bella. Eu sempre quis te proteger.

- Eu sei que você espera que eu diga que tudo vai ficar bem. – Eu sussurrei, deixando meus braços cair. – Mas eu não posso. Eu não consigo. Tudo isso... Tudo que aconteceu só me fez perceber que nós, o que nós tínhamos, nunca foi saudável ou o melhor... para mim e para você.

- Como você pode me dizer que não é o melhor? Droga, Bella! Eu te amo! Como não pode ser o melhor para mim estar ao lado da mulher que amo?! E eu sei, eu posso ver nos seus olhos agora, que você ainda me ama. Então, por que você insisti em negar isso?

Eu apenas balancei a minha cabeça em um gesto negativo. É claro que eu ainda o amava. Talvez amasse sempre, mas isso não mudava o fato de que tínhamos errado tanto.

Eu o vi abaixar a sua cabeça.

- Eu não posso perder você. – Eu precisei me obrigar a permanecer onde estava, em vez de ir até ele, quando ouvi o choro em sua voz. – Por favor!

- Me deixe sair... – Pedi com a voz falha. Ele não respondeu e eu caminhei até a porta tentando forçá-la a abrir. – Me deixe sair, Edward.

Tudo o que ele fez foi ligar a pequena TV que tinha em seu quarto.

- Se você vai mesmo... Pelo menos tem que ver isso antes.

Eu precisei lutar contra a vontade de chorar quando meus olhos encontraram a imagem de Edward e Victoria na tela. Eu reconheci o quarto, as roupas e sabia o que aquilo significava.

- Eu não quero ver isso!- Gritei e voltei a tentar a abrir a porta.

- Não é o que você está pensando. – Ele garantiu. – Bella, eu jamais a obrigaria a ver aquilo de novo.

Quando eu não voltei a me olhar para o aparelho televisor, Edward se aproximou e me fez sentar a cama.

Só quando eu estava, novamente, com o olhar preso na imagem congelada foi que ele apertou o play.

– Eu já fiz tudo o que você queria! – Eu vi um Edward, aparentemente, transtornado gritar com Victória..

– Nem tudo... – Eu senti o meu estomago embrulhar com o sorriso provocante que ela lançou a ele.

– Nos poupe o constrangimento... – Edward lhe deu as costas e eu me peguei soltando um suspiro de alivio. – Vista-se! – Por um momento, depois de ouvi-lo e ver a forma como ele reagia a ela, eu me esqueci do outro vídeo que eu tinha visto, em um flat alugado.

Eu não podia acreditar que o homem que eu vi no vídeo agora, tratando aquela mulher com tanto desprezo fosse o mesmo que em outro vídeo transava com essa mesma mulher.

Essa impressão me deixou no momento em que Victória caminhou até ele, se encostou a ele e disse em seu ouvido:

- Me dê o que eu quero e eu te dou o que você quer… Seu precioso menino e a gravação por uma noite comigo.

– Você enlouqueceu!- Eu estremeci diante do tom de voz masculino. – Eu já cometi esse erro uma vez Victoria... Nunca mais. Ouça bem: NUNCA mais eu vou estar na sua cama.

Eu me abracei, tentando entender como ele tinha ido parar onde jurava nunca mais estar.

– Você não estaria brincando de casinha se não fosse esse erro.

Eu senti o meu sangue ferver ao vê-la usar Ben, mesmo que indiretamente. Ela sabia, assim como eu, que ele era o ponto fraco de Edward e que ele faria qualquer coisa por ele.

– Pare com os jogos, pare com o teatro... Eu estou cansado de tudo isso. Cansado de sua maldita insistência em algo que nunca vai acontecer. Nós dois nunca fomos e nunca seremos um casal.

Eu desviei o meu olhar da tela e dirigi a pessoa sentada ao meu lado.

- Eu entendo, Edward. De verdade. E eu não o culpo por fazer qualquer coisa pelo seu filho, eu apenas...

- Não foi por Ben, Bella. – Ele me respondeu e com delicadeza me fez voltar a olhar para a televisão.

– Eu desisti disso... – Eu ouvi a voz irritante de Victoria e a vi se dirigir até a televisão presa a parede oposta do quarto. – Você pode sair daqui com a guarda definitiva do seu preciso filho e de brinde...

Eu acho que perdi o ar quando me vi lutando contra Jacob. Todo o resto, a postura indignada de Edward o sorrisinho debochado de Victoria, o quarto onde eu estava... tudo pareceu desaparecer. Eu não fazia ideia que, além de tudo o que aconteceu naquela noite, eles estivessem gravando enquanto eu era violentada por alguém que sempre considerei um amigo.

- Meu Deus! – Eu não fui capaz de reprimir a incredulidade.

Eu senti que iria desmaiar, mas felizmente a imagem foi cortada e então a minha voz soou.

“-O que você quer que eu diga, Renée? O que você quer saber? Talvez se eu disser o que você quer, você me deixe em paz. Muito bem! É minha culpa! Tudo! Eu o provoquei suficiente para levá-lo a agir daquela forma... E depois... vamos lá, comemore! É minha culpa que ele esteja morto, só minha. Eu puxei o gatilho... Eu o matei.”

Eu tive vontade de vomitar. Eu reconhecia essas palavras. Eu as disse a minha mãe em uma das nossas discussões quando ela insistia em me chantagear.

Onde eu tinha errado para ter tantas pessoas contra mim?

- Eu sinto muito! – Edward disse baixinho ao meu lado e só então me dei conta que ele tinha parado o vídeo antes que chegássemos a parte que em que ele cedia a vontade da mãe do seu filho.

- Você transou com ela... Pra que isso... Isso não viesse à tona. – Não era uma pergunta. Estava bastante claro agora.

- Eu deveria ter te dito. Deveria ter procurado saber o que você queria fazer... Eu errei, Bella. E eu não posso apagar o que eu fiz, mas agora você sabe que eu pensei estar fazendo o que era certo.

Eu me coloquei de pé, tentando processar tudo o que ele dizia, tudo o que tinha visto e ouvido.

- Você me ama? – Eu disse, sem me importar em conter as lágrimas que queria cair.

- É claro que sim. Eu te amo!

Eu tomei o controle remoto que estava em suas mãos.

- Então, me diga, honestamente, o que você sentiria se visse algo assim? – Eu permiti que o vídeo voltasse a rodar. – Se fosse eu ali, em vez de você, o que você sentiria?

Eu estremeci ao ouvir o gemido de Victoria indicando que Edward estava dentro dela.

Ele se colocou de pé e, com um movimento rápido, desligou o aparelho televisor arrancando a tomada da parede.

- O que mais eu posso fazer para te mostrar o quanto estou arrependido, para mostrar que eu sinto a sua falta!

Droga! Isso doía.

- Não é verdade! – Eu odiei a forma como minha voz entregava tudo o que eu sentia naquele momento. – Você foi o único a desistir. Foi o único a me deixar de fora. Como pode sentir a minha falta?

- Eu fiz escolhas erradas... Eu fui estúpido. – Ele também não se importou em ter o seu rosto inundado por lágrimas. — Por favor, eu preciso de uma nova chance.

Eu me afastei dele. O máximo que podia. Mas ele me seguiu pelo quarto.

Eu podia sentir o desespero chegando. Eu precisa pensar, tentar assimilar tudo, tentar pesar tudo, tentar... tentar continuar me resguardando.

- Por que? Por que você está fazendo isso comigo? – Perguntei ofegante, complemente consciente do fato que apenas um passo nos separava e o olhar nos rosto dele deixava claro que ele ia dá-lo.

Um passo e eu estaria em seus braços novamente. Um passo e ele ia descobrir que nunca deixei de amá-lo.

- Porque eu te amo! – Ele respondeu e, como previsto, se aproximou de mim, o suficiente para colar seu corpo ao meu e me prender a uma parede. – Porque eu não sei, não consigo e não quero viver sem você.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, me deixe saber o que acharam.
xoxo